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Leite: definição, composição e parâmetros Leite ● Definição: leite é o produto da ordenha completa e ininterrupta. ● Definição biológica: produto da secreção das glândulas mamárias com função de alimentar os recém-nascidos. ● Definição físico-química: mistura homogênea de substâncias. ● Fonte de nutrientes. ● Composição: quanto maior o percentual de extrato seco total (EST) maior rendimento na produção dos produtos lácteos. Água ● 87,5% ● Encontra-se solubilizado ou em suspensão: gordura, proteínas, lactose e minerais. ● Atividade de água alta: produto altamente perecível. ● Remoção da água: shelf life (leite em pó). Lactose ● 4,7%. ● Glicose + galactose = lactose. ● Precursor do ácido lático (AL). ● Hidrólise (quebra) da lactose -> ácido lático. ● Indústria: -> AL elimina microrganismos indesejáveis (pH). -> AL precipita proteínas - coagulação do leite. -> Lácteos fermentados. ● Baixa doçura. ● Reação de Maillard: escurecimento e redução da qualidade nutricional das proteínas. ● Leite azedo: microrganismos contaminantes deterioram o leite. Lactose -> AL. Sais minerais e vitaminas ● Lipossolúveis: A, D, E e K. ● Hidrossolúveis: C, B1, B2, etc. ● Quando o leite sofre tratamento térmico, as vitaminas são perdidas. Gordura ● 2 - 6%. -> A variação depende da alimentação fornecida ao animal, raça e período de lactação. ● No laticínio a gordura é retirada pelo desnate. -> Nesse processo, a gordura se separa da parte aquosa do leite em forma de creme. ● Gordura é composta principalmente por triglicerídeos: 95%. ● A integridade dos glóbulos determina estabilidade da gordura do leite. ● Alteração da membrana favorece a aproximação e coalescência dos glóbulos. Gordura: formação da nata ● Leite cru em refrigeração têm formação da nata por causa da agregação de glóbulos de gordura (formando uma nata espessa). -> Aglutinina (IgM): responsável por provocar a agregação. ● A acidificação implica em aglutinação dos glóbulos de gordura. ● Leite homogeneizado (estocagem) não apresenta aglutinação devido à menor concentração de glóbulos grandes. Gordura: homogeneização ● Homogeneizador: leite a 65 - 70°C entra com forte pressão (25 MPa). ● Ruptura de glóbulos de gordura se produz pelo choque do leite com os componentes internos do homogeneizador. ● Objetivo: prolongar a estabilidade da emulsão da gordura reduzindo mecanicamente o tamanho dos glóbulos. Gordura: alterações ● Lipólise: quebra de triglicerídeos e liberação de AG: sabor de ranço aos produtos lácteos. -> Processo provocado pela lipase microbiana. -> Processo provocado pela lipase endógena: temp. 37°C / pH: 8. ● A lipase tem ação diminuída em pH e temperatura reduzida e é inativada na pasteurização. ● A intensidade da lipólise depende do índice de acidez da gordura. ● Auto-oxidação: são lipídeos quebrados pela ação de oxigênio e luz -> rancificação: sabor e aroma anormal. Proteínas ● Grande valor nutricional. ● 3 a 4%. ● Leite da vaca possui: -> Caseínas (80%): insolúveis. -> Proteínas do soro: albuminas (16%) e globulinas (4%): solúveis. ● A cor branca opaca vem da proteína. ● Caseínas são utilizadas: em queijos, como emulsificante, na geleificação, melhoria sensoriais dos produtos. ● Técnicas para precipitar/coagular a caseína: -> Precipitação natural por ação da microbiota comum do leite. -> Inoculação de fermento lático. -> Adição do “coalho” (enzima renina). -> Alteração na temperatura: 1 hora a 120°C. -> Redução do pH: 4,6 - 4,7. ● Albumina e globulina. -> Não se coagula pelo coalho. -> Coagula pelo calor (temperatura > 74°C). -> Coagula pela adição de ácidos. ● Enzimas -> Lipases: responsáveis pela ocorrência do ranço. -> Fosfatase: controlar o aquecimento do leite na pasteurização. -> Lactoperoxidase e lisozima: ação bactericida. -> Catalase e redutase: avaliar a qualidade higiênica do leite. Parâmetros Físico-Químicos ● pH: 6,5 a 6,7. ● Acima de 6,7 indica infecções no úbere (mastite). ● Abaixo indicam presença de colostro ou atividade microbiana (formação de ácido lático a partir da lactose). Leite de búfala (Bubalus bubalis) ● 2x mais lipídeos que leite bovino. ● Maior densidade energética. ● Maior rendimento. Leite de cabra (Capra hircus) ● Maior % de lactose que o leite de vaca. ● Glóbulos de gordura do leite de cabra são menores que leite bovino: melhor digestão. ● Menor potencial alergênico. Microbiologia do Leite ● Substrato para crescimento de microrganismos: deteriorantes e patogênicos. ● Utilização dos nutrientes do leite -> multiplicação -> acúmulo de metabólitos -> DETERIORAÇÃO. ● Leite de excelente qualidade: 100 a 10.000 bactérias/mL. -> Maior que 100.000 é insatisfatório. ● Afetam a microbiologia do leite: -> Manejo antes, durante e após a ordenha: proliferação microbiana e deterioração do leite cru. -> Temperatura de armazenamento: contaminação dos derivados do leite. ● Origem de microrganismos no leite cru: interior do úbere, contaminação externa do úbere, equipamentos e utensílios. ● Interior do úbere -> Animais saudáveis: lactococcus e lactobacillus são desejáveis, utilizados na produção de derivados. -> Animais doentes: patógenos causadores de mastite clínica (Streptococcus ambientais) e subclínica (Streptococcus agalactiae) e patógenos sistêmicos. ● Contaminação externa do úbere -> Ambiente do regime de criação. -> Homem na ordenha manual. ● Contaminação de equipamentos e utensílios. -> Microbiota aérea, da água. ● Grupos microbianos mais importantes em laticínios: bactérias lácticas, esporuladas, psicrotróficas, de origem fecal, etc. Bactérias Lácticas ● Ação indesejável. -> Degradam lactose produzindo AL. -> Reduz pH provocando precipitação das caseínas. -> O controle da proliferação dessas bactérias é feito pela refrigeração. ● Ação desejável -> Degradam lactose produzindo AL. -> Efeito do AL no leite: base para produção de derivados lácteos. -> Cultivos iniciadores: adicionados a leite pasteurizado. Bactérias Esporuladas ● Bacillus e Clostridium. ● Leite esterilizado: UHT. -> 130 - 150°C por 2 a 4 segundos. -> Destruição de microrganismos viáveis, incluindo os esporulados. ● Queijos duros e semiduros. -> Pasteurização do leite não destrói esporos de Clostridium, que podem contaminar o queijo. -> Clostridium no queijo produz gás, provocando inchamento. Bactérias Psicrotróficas ● Multiplicam entre 5 - 30°C. -> Proliferam em leite refrigerado (4 a 7°C). -> Velocidade de multiplicação é lenta. ● Origem: ambiente, solo, equipamentos e recintos refrigerados. ● Principal gênero Pseudomonas. -> Degradam proteínas: dando sabor amargo em queijos, dificuldade na coagulação do leite, má qualidade do iogurte. -> Degradam gordura: dando sabor estranho, ranço em leite e derivados. -> Não conseguem utilizar a lactose. -> Sensíveis a pasteurização: enzimas proteolíticas e lipolíticas são termorresistentes. Bactérias de origem fecal ● Coliformes: Enterobacter, Escherichia, Serratia. ● Origem: ambiente e intestino de animais. ● Fermentam lactose. -> Fermentação ácida mista: AL, fórmico, acético e propiônico. -> Formação de gases. -> Acidificação do leite causa produção de sabores desagradáveis. ● Indicam obtenção e manipulação do leite em condições higiênicas inadequadas. ● Refrigeração inibe a multiplicação. ● Maioria são destruídos pela pasteurização. -> Enterococos são termodúricos: resistem à pasteurização, podem estar presentes e causar danos à queijos maturados. Miscelânea ● Microrganismos que participam da maturação de tipos de queijos ou processos fermentativos de produtos fermentados. Leites de Consumo Tecnologias Aplicadas a Leite e Derivados ● Agregação de valor do leite e produtos derivados. ● Eliminar microrganismos. ● Eficaz apenas em condições sanitárias adequadas e com equipamentos próprios para a finalidade. ● Beneficiamento: Pasteurização, Ultra alta temperatura, Esterilização, Envase. Pré-beneficiamento ● FILTRAÇÃO -> Retirada de impurezassólidas. -> Primeira a ser realizada. ● CLARIFICAÇÃO -> Retirada mecânica de bactérias, células somáticas e sedimentos. -> Processo realizado por centrifugação. ● BACTOFUGAÇÃO -> Eliminar bactérias utilizando a centrifugação. -> Geralmente realizada sobre o leite aquecido. -> Redução de 90% da carga microbiana. -> Complemento da pasteurização, termização e esterilização. ● MICROFILTRAÇÃO -> Remoção da maior parte da carga bacteriana. -> Combinada com a pasteurização = maior tempo de prateleira. ● PADRONIZAÇÃO -> Retirada de parte da gordura do leite e manipulação do teor de gordura por adição do creme extraído. -> Leite aquecido (45 - 55°C). -> Realizado por centrífugas desnatadeiras. ● TERMIZAÇÃO -> Aplicação de calor com o objetivo de reduzir a carga microbiana. -> Não altera as características do leite cru, mantém o mesmo perfil enzimático. -> Tempo de processamento: 10 a 15 segundos. -> Temperatura: 40 a 45°C. ● HOMOGENEIZAÇÃO -> Reduzir o diâmetro dos glóbulos de gordura evitando a separação do creme por gravidade. -> Temperatura: 65°C. ● RESFRIAMENTO -> Após homogeneização o leite é resfriado a 2 - 5°C e armazenado em tanques isotérmicos. LEITE PASTEURIZADO Pasteurização ● Objetivo do tratamento térmico: -> Reduzir patógenos não esporulados. -> Alterar o mínimo possível das propriedades do leite. -> Retardar a deterioração do leite. ● A temperatura da pasteurização destrói: -> Bolores e leveduras. -> Bactérias Gram-negativas e algumas Gram-positivas. ● Termodúricos e termófilos que resistem ao processo: Bacillus e Clostridium. -> Leite cru com grandes quantidades terão menor vida de prateleira. ● Desvantagens: -> Inativação parcial de algumas vitaminas e enzimas. -> Parcial caramelização da lactose. -> Formação de compostos sulfidrílicos (originados dos aminoácidos sulfurados). Altera o sabor do leite (sabor de cozido). ● Tratamento térmico -> Ajustado de acordo com os parâmetros térmicos de Mycobacterium tuberculosis e fosfatase alcalina. -> Quando se desativa a enzima, temos segurança de ter destruído o microrganismo. ● A pasteurização pode ser rápida ou lenta. Pasteurização Lenta ● Temperatura baixa e longo tempo. ● 63-65°C por 30 minutos. ● 95% da redução da carga bacteriana. ● A legislação não permite o consumo direto desse tipo de leite. ● Realizada em tanques de parede dupla. -> O leite é mantido sob agitação mecânica, aquecido e, depois, resfriado com circulação de água fria. ● Desvantagens: -> Processo descontínuo. -> Tempo de processamento. -> Equipamentos que exigem muito espaço. -> Mais caro. -> Formação de espuma no tanque: favorecendo microrganismos termodúricos (Streptococcus e Lactobacillus) e termófilos (Bacillus e Clostridium). Pasteurização Rápida ● Alta temperatura e curto tempo. ● 72-75°C por 15-20 segundos. ● 99,5% da redução da carga bacteriana. ● Após o pasteurizador: envase imediato ou conservação em silos isotérmicos. ● Aquecimento em trocadores de calor tubulares ou placas. ● Leite aquecido e resfriado por circulação, em fluxo contínuo, em circuito fechado. -> Aquecimento: 72-75°C durante 15 segundos. -> Resfriamento com água gelada a temperatura de 5°C. ● Vantagens: -> Maior eficiência. -> Processo contínuo, mais rápido. -> Tratamento de grande volume de leite. -> Menor espaço das instalações. -> Maior economia de energia. Leite Pasteurizado para Consumo ● Obrigatório utilizar homogeneizador se a validade do produto for superior a 24h. ● Leite para consumo direto: Pasteurização Rápida. ● Após a pasteurização, o leite é empacotado em embalagens plásticas esterilizadas e acondicionados em câmara a 5° até o momento da expedição. ● Conservação e expedição: 5°C. ● Pontos de venda: 7°C. ● O leite pasteurizado pode ser dividido em duas categorias: -> Leite pasteurizado tipo A. -> Leite pasteurizado. Leite Pasteurizado Tipo A ● Leite classificado quanto ao teor de gordura, em integral, semidesnatado ou desnatado, produzido, beneficiado e envasado em estabelecimento denominado Granja Leiteira. ● Dependências: beneficiamento, industrialização e envase localizadas no mesmo prédio da ordenha ou ao lado. Leite Pasteurizado ● Elaborado a partir do leite cru refrigerado na propriedade rural e que tenha sido transportado a granel até o estabelecimento processador. Leite Pasteurizado para Consumo ● Classificação quanto ao teor de gordura: -> Integral: 3% de gordura. -> Desnatado: 0,5% de gordura. -> Semidesnatado: 0,6-2,9% de gordura. Eficiência do Tratamento Térmico ● Fosfatase Alcalina (não resiste a T de pasteurização) = negativo. ● Peroxidase (resiste a T de pasteurização) = positivo. LEITE UHT Tratamento por ultra alta temperatura (UAT) ● Tratamento térmico: ultra alta temperatura. ● Inativação de microrganismos. ● Manutenção das características nutritivas e organolépticas do produto fresco. Ultra alta temperatura ● 130-150°C por 2-4 segundos. ● Imediatamente resfriado a Fortes efeitos deletérios aos microrganismos. -> Dispensa refrigeração após o processamento. -> Menor custo de estocagem e transporte. ● Desvantagem: -> Desenvolvimento de sabor de leite cozido por causa da desnaturação de proteínas do soro e sulfetos de hidrogênio. -> Desnaturação e formação de complexos protéicos. -> Reação de Maillard. -> Perda de vitaminas e aminoácidos. Leite UHT para Consumo ● É admitido o uso de aditivos e coadjuvantes: -> Citrato de sódio. -> Trifosfato de sódio. -> Estabilizantes: para evitar formação de precipitados protéicos. ● Não deve conter microrganismos capazes de proliferar em condições normais de armazenamento e distribuição. ● Após incubação da embalagem fechada a 35-37°C durante 7 dias. -> Contagem de mesófilos inferior a 100 UFC/mL. ● Proteólise e Lipólise durante a estocagem: -> Enzimas de psicotróficos. -> Limitação da vida de prateleira em razão de sabor amargo e mudanças na textura. Eficiência do Tratamento Térmico ● Fosfatase Alcalina (não resiste a T de pasteurização) = negativo. ● Peroxidase (resiste a T de pasteurização) = negativo. LEITE ESTERILIZADO ● 110-130°C por 20-40 minutos. ● Destrói os esporos. LEITES CONCENTRADOS ● Produtos lácteos que apresentam atividade de água inferior ao leite cru. ● Objetivos: -> Prolongar a vida útil. -> Reduzir custos de armazenamento, comercialização e transporte. ● Também sofrem tratamentos térmicos: pasteurização, UHT, esterilização. ● De acordo com a Legislação brasileira: são produtos lácteos resultantes da desidratação parcial ou total do leite por meio de processos tecnológicos específicos. ● Produtos Lácteos Concentrados: desidratação parcial. -> Leite concentrado: uso exclusivamente industrial. -> Leite evaporado. -> Leite condensado. ● Produto Lácteo Desidratado: desidratação total. -> Leite em pó. Leite Evaporado e Leite Concentrado ● Técnica de concentração: evaporação. ● Evaporadores: funcionam a pressão inferior à atmosfera, evita modificações indesejadas (como perda de nutrientes). Leite Condensado ● Produto lácteo resultante da desidratação parcial do leite. ● Ingredientes: leite de vaca + sacarose. ● Atividade de água: 0,83. -> Limita o crescimento de microrganismos. Leite em Pó ● Produto obtido por desidratação do leite integral, desnatado ou parcialmente desnatado. ● Desidratação envolve: evaporação e secagem por pulverização. ● Leite em pó: spray dryer. -> Após evaporação é borrifado ou atomizado em câmaras secas ou torres de secagem em elevadas temperaturas para sua desidratação. Leite em Pó ● Classificação -> Instantâneo ou não. -> Integral: gordura maior que 26%. -> Semidesnatado: gordura 1,5% a 26,9%. -> Desnatado: gordura inferior a 1,5%. ● Ingredientes permitidos: -> Lectina, Antiumectantes, Estabilizantes, Antioxidantes. ● Falhas tecnológicas do processamento: -> Presença de sedimentos:queima do leite durante a evaporação. -> Presença de umidade excessiva nas embalagens. -> Falhas durante a reidratação do produto instantaneizado. -> pH baixo, indicando matéria-prima de baixa qualidade. -> Problemas com homogeneização. -> Presença de oxigênio na embalagem: oxidação.