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CULTURA ESCOLAR AULA 3 Abertura Aspectos culturais na socialização de uma organização Olá! De forma geral, podemos dizer que o processo de socialização diz respeito à adaptação de um individuo a um grupo social. Este é um processo contínuo que se inicia na infância e estende-se durante toda a vida do individuo. A socialização é realizada através da comunicação e nesse processo o individuo desenvolve sua personalidade, adquire valores e hábitos do grupo e se insere na sociedade. Nas empresas, os recém-contratados também precisam assimilar os hábitos e crenças daquele novo grupo social, sendo a socialização organizacional a forma que a empresa tem de auxiliar na adaptação do novo colaborador ao ambiente e a cultura organizacional, facilitando o processo de integração e propiciando um clima receptivo e favorável para a fase inicial do emprego. Dessa forma, podemos definir socialização organizacional como a forma como a organização recebe os novos colaboradores e os integra à sua cultura, ao seu contexto e ao seu sistema para que eles possam comportar-se de maneira adequada às expectativas da organização. Vamos entender melhor como isso funciona nesta aula. BONS ESTUDOS! REFERENCIAL TEÓRICO Nesta aula estudaremos os aspectos culturais que impactam a socialização dos membros em uma organização. A cultura organizacional constitui o modo institucionalizado de pensar e agir de uma organização e expressa-se pela maneira como a empresa faz negócios, como trata seus clientes e colaboradores, no grau de autonomia que proporciona aos colaboradores e na lealdade demonstrada por eles. Ela representa o universo simbólico da organização e proporciona um referencial de padrões de desempenho entre os colaboradores, influenciando a pontualidade, a produtividade e a preocupação com a qualidade e o serviço ao cliente. É construída ao longo do tempo e passa a impregnar todas as práticas, sendo aprendida, transmitida e partilhada entre os membros da organização. Sendo que os colaboradores aprendem a cultura organizacional através de histórias (histórias sobre o fundador da empresa, dificuldades, regras de conduta); rituais e cerimônias (eventos sociais, comemorações); símbolos materiais (arquitetura do edifício e dos escritórios, marca, logotipo, bandeira); linguagem. Faça a leitura do trecho selecionado para esta aula e, ao final, você estará apto a: • Definir as principais dificuldades no processo de socialização de novos membros em uma organização. • Identificar os aspectos culturais que podem contribuir para o processo de socialização. • Reconhecer algumas das estratégias de socialização de novos membros numa organização. BOA LEITURA ! Doiscapítulo OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Depois de ler este capítulo, você será capaz de: • Discutir os níveis e as funções da cultura organizacional. • Descrever os três tipos gerais de cultura organizacional e suas crenças normativas associadas. • Resumir os métodos usados por organizações para inserir suas culturas. • Descrever as três fases no modelo da socialização organizacional de Feldman. • Discutir as várias táticas de socialização usadas para socializar funcionários. • Explicar os quatro tipos de redes de desenvolvimento derivados de um modelo de orientação para desenvolvimento de redes. A CULTURA DA COSTCO PRODUZ CLIENTES E FUNCIONÁRIOS SATISFEITOS James D. Sinegal, diretor- presidente da Costco, freqüentemente é comparado a Sam Walton, uma lenda do varejo. Ele é o sujeito que em 20 anos transformou a Costco de uma empresa iniciante para uma das 50 melhores empresas, segundo a Fortune usando, com a mesma certeza que Mr. Sam, práticas altamente distintivas. As margens de lucro máximas da Costco são de 14% (as margens de lucro da loja de departamento podem atingir 40%). Ele oferece os melhores salários e benefícios no varejo (funcionários horistas em tempo integral ganham 40.000 dólares anuais depois de quatro anos). Ele dá aos clientes carta branca para devoluções: sem nota; sem perguntas; sem limite de tempo, com exceção de computadores — e mesmo assim o prazo de validade é de seis meses... Os analistas têm pressionado Sinegal para cortar os generosos benefícios com assistência médica da empresa e reduzir os custos com mão- de-obra. Mas ele tomou poucas iniciativas nessa direção, como aumentar modestamente a participação dos funcionários com assistência médica. Isso não satisfaz críticos como Bill Dreher, analista do Deutsche Bank, que escreveu recentemente: “A Costco continua sendo uma empresa que atende melhor ao associado e ao funcionário do que ao acionista”. Sinegal dá de ombros... “Achamos que quando você se importa com seu cliente e seus funcionários, seus acionistas serão recompensados a longo prazo. E eu sou um deles[acionistas]; eu me importo com o preço das ações. Mas não vamos fazer uma coisa pensando só no trimestre, que vai destruir a trama de nossa empresa e o que defendemos”... Os axiomas da Costco são: AXIOMA no 1: Obedeça à lei. AXIOMA no 2: Cuide de seus clientes. AXIOMA no 3: Cuide de seus funcionários. AXIOMA no 4: Pratique a perda inteligente de vendas. As prateleiras de muitos varejistas estão repletas de produtos: marcas diferentes, tamanhos diferentes, grande variedade. A Costco oferece relativamente poucas opções. Isto signifi ca que alguns clientes podem deixar de fazer algumas compras, porque o pote de maionese de um galão é grande demais ou a marca não é a preferida deles. Mas os benefícios excedem de longe as vendas perdidas. Estocar menos itens agiliza os giros de estoque — e nove entre dez clientes estão perfeitamente satisfeitos com a maionese... Sinegal consegue ser exigente sem intimidar. Seu escritório extremamente simples ajuda a dar o tom desse estilo. Como também sua camisa com o colarinho aberto e o crachá que ele usa, iguais aos de todo mundo. Não que ele precise de crachá. Quando se acompanha Sinegal de sua sede até a próxima porta da Costco ouve-se um coro ininterrupto de “Oi, Jim... Oi, Jim... Oi, Jim”. Ele cumprimenta usando o primeiro nome de cada um, sem parecer consultar o crachá de ninguém. Sinegal também se mantém bem-visto aos olhos dos subordinados, ao limitar sua própria retirada. Seu salário de 350.000 dólares no ano passado foi praticamente a causa para tirá-lo do clube dos 500 dirigentes da Fortune; e, a pedido dele mesmo, ele não tirou nenhuma bonifi cação pelo terceiro ano consecutivo. Ele tem 16,5 milhões de dólares no valor de opções de compra de ações, mas pretende limitar seu salário e bônus máximos em cerca de duas vezes o nível de retirada de um gerente de loja da Costco. Sinegal tem o cuidado de não cortar as cabeças dos gerentes para tirar vantagens porque, diz ele: “O melhor de nosso negócio é a intuição”. Os compradores da Costco precisam aproveitar grandes chances. Um armazém estoca menos de 10% dos itens de um Wal-Mart típico, por isso os compradores não podem espalhar suas apostas por aí. Se um produto sofi sticado não sai rapidamente, deixa muito dinheiro empatado em estoque. Bill Prescott, chefe de compras de eletrônicos, faz alguns dos julgamentos mais difíceis sobre quando novos produtos são acessíveis e atraentes o sufi ciente para serem colocados no piso da Costco. Ele percebeu que chegou a hora de introduzir TVs de plasma mais cedo este ano, quando o preço caiu abaixo de 5.000 dólares. Fez seu pedido e prendeu a respiração. “Você faz um jogo bem ponderado”, diz ele. “Se não comete um erro de vez em quando, não está fazendo seu trabalho.” As TVs foram um sucesso.1 PA R A D IS C U S S Ã OVocê acha que Sinegal deveria reduzir a quantidade que a Costco paga a seus funcionários? Explique. 42 O CASO DE ABERTURA ENFATIZA o papel da cultura organizacional em contribuir para a efi - cácia organizacional. A cultura dadas pessoas com deficiência (PCDs) nas organizações. Consideraram-se três dimensões do processo de socialização: biográfica, relacional e organizacional. Identificou-se ações de busca de domínio do trabalho, ações de integração ao grupo de trabalho e ações de conhecimento dos valores da organização realizadas pelas próprias PCDs. As organizações não tinham táticas de socialização sistematizadas. Ficou evidenciada a associação positiva entre táticas de socialização individualizadas e percepção de ações de adequação das práticas e condições de trabalho. NCostco, que valoriza altamente os funcionários e os clientes, contribui signifi cativamente para o sucesso da organização. Por exemplo, os custos com mão-de- obra da Costco são mais baixos que os da Wal-Mart, como porcentagem de vendas, e seus 68.000 funcionários horistas nos Estados Unidos geram mais lucros operacionais por funcionário horista que os do Sam’s Club, a divisão da Wal-Mart que concorre diretamente com a Costco. A Costco também tem um dos menores índices de rotatividade na indústria.2 O caso também enfatiza que a cultura de uma organização origina-se de um conjunto essencial de valores, ou axiomas, no caso da Costco. Este capítulo o ajudará a entender melhor como os gerentes podem usar a cultura organizacio- nal como vantagem competitiva. Depois de defi nir e discutir o contexto da cultura organizacional, examinamos (1) a dinâmica da cultura organizacional, (2) o processo de socialização da organiza- ção e (3) a consolidação da cultura organizacional através da orientação assistida. Cultura organizacional é “o conjunto de pressupostos implíci- tos, partilhados, subentendidos que um grupo possui e que determina como ele percebe, pensa e reage a seus vários ambientes”.3 Esta defi nição ressalta três características importantes da cultura organizacional. A primeira delas é que a cultura organizacional é transferida para novos funcionários pelo processo de socialização, um tópico discutido mais adiante, neste capítulo. Em segundo lugar, a cultura organizacional infl uencia nosso comportamento no trabalho. Finalmente, a cultura organizacional opera em níveis diferentes. A Figura 2-1 oferece um esquema conceitual para analisar o impacto disseminado que a cultura organizacional tem no comportamento organizacional.4 Também mostra a ligação entre este capítulo — cultura, socialização e orientação assistida — e outros Cultura Organizacional: Defi nição e Contexto cultura organizacional Valores e crenças partilhados que estão por trás da identidade de uma empresa. FIGURA 2-1 Um Esquema Conceitual para Entender a Cultura Organizacional Atitudes e comportamentos coletivos • Atitudes no trabalho (Cap. 6) • Motivação (Caps. 6 e 7) Resultados organizacionais • Eficácia (Cap. 15) • Resistência à mudança (Cap. 16) Cultura organizacional • Artefatos observáveis • Valores adotados • Pressupostos básicos Processos sociais e de grupo • Socialização • Orientação assistida • Tomada de Decisão (Cap. 9) • Dinâmica de grupo (Cap. 10) • Comunicação (Cap. 12) • Influência e delegação de poder (Cap. 13) • Liderança (Cap. 14) Estrutura e práticas organizacionais • Sistemas de recompensa (Cap. 8) • Modelo da organização (Cap. 15) Antecedentes • Valores do fundador • Ambiente da indústria e da empresa •• Cultura nacional (Cap. 3) •• Visão e comportamento dos líderes seniôres (Cap. 4) Fonte: Adaptado parcialmente de C. Ostroff, A. Kinicki e M .Tamkins, “Organizational Culture and Climate”, in Handbook of Psychology, vol. 12, eds. W. C. Burman, D. R. IIigen e R. J. Klimoski (Nova York: Wiley and Sons, 2003), p. 565-93. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 43 tópicos-chave neste livro. A Figura 2-1 revela que a cultura organizacional é modelada por quatro componentes-chave: os valores dos fundadores, a indústria e o ambiente de negócio, a cultura nacional e a visão e o comportamento dos líderes seniores. Por sua vez, a cultura organizacional infl ui no tipo de estrutura organizacional adotada por uma empresa e um conjunto de práticas, políticas e procedimentos implementados em busca de metas organizacionais. Essas características organizacionais afetam, então, uma va- riedade de processos sociais e de grupo. Esta seqüência afeta, em última instância, as atitudes e o comportamento dos funcionários e uma variedade de resultados organizacio- nais. Dito isso, a Figura 2-1 revela que a cultura organizacional é uma variável contextual que infl uencia o indivíduo, o grupo e o comportamento organizacional. Para propiciar uma melhor compreensão de como a cultura organizacional é forma- da e empregada pelos funcionários, esta seção começa discutindo os níveis de cultura organizacional. Então, analisa as quatro funções, os tipos de cultura organizacional, os resultados associados a ela e como as culturas estão inseridas dentro das organizações. Níveis da Cultura Organizacional A Figura 2-1 mostra os três níveis fundamentais da cultura organizacional. Cada nível varia em termos da visibilidade e resistência à mudança, e cada um deles infl uencia o nível seguinte.5 Artefatos Observáveis No nível mais visível, a cultura representa artefatos obser- váveis. Estes consistem da manifestação física da cultura de uma organização. Exemplos organizacionais incluem acrônimos, a maneira de se vestir, rituais e cerimônias obser- váveis, vagas especiais no estacionamento, decorações e assim por diante. Este nível também inclui comportamentos visíveis exibidos por pessoas e grupos. Os artefatos são mais fáceis de mudar que os aspectos mais visíveis da cultura organizacional. Valores Adotados Os valores possuem cinco componentes. “Valores (1) são conceitos ou crenças, (2) pertencem a comportamentos ou a esta- dos-fi nais desejáveis, (3) transcendem situações, (4) orientam a seleção ou avaliação de comportamento e eventos, e (5) são organizados pela importân- cia relativa.”6 É importante distinguir entre valores que são adotados versus aqueles que são praticados. Os valores adotados representam valores e normas declarados expli- citamente como os preferidos por uma organização. Geralmente eles são estabelecidos pelo fundador de uma empresa nova ou pequena e pela equipe da alta ge- rência, em uma organização maior. Por exemplo, J. M. Smucker, a empresa número um para se trabalhar nos Estados Unidos em 2003, de acordo com a Fortune, é um negócio de família que existe há 107 anos e é chefi ado pelos diretores Tim e Richard Smucker. Os irmãos incentivam todos os funcionários da Smucker a aderir a um conjunto de valores criados por seu pai, Paul Smucker. Veja, como exemplo, o no 3: “Ouça com toda aten- ção, procure as qualidades das pessoas, tenha senso de humor e diga obrigado por um trabalho bem-feito”.7 Uma vez que os valores adotados constituem aspirações que são comunicadas explicitamente aos funcionários, gerentes como Tim e Richard Smucker esperam que os valores adotados infl uenciarão diretamente o comportamento do funcio- nário. Infelizmente, as aspirações não produzem automaticamente os comportamentos desejados porque as pessoas nem sempre “agem como falam”. Dinâmica da Cultura Organizacional valores Crença permanente em um modo de conduta ou estado fi nal. Os valores e as normas declarados como preferidos por uma organização. valores adotados 44 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global Os valores praticados, por outro lado, representam valores e normas que são realmente exibidos ou convertidos em comportamento do funcioná- rio. Vamos considerar a diferença entre esses dois tipos de valores. A Home Depot, por exemplo, tem defendido a valorização do atendimento ao cliente e a segurança. Se a organização demonstra o atendimento ao cliente e a se- gurança pelos layouts de sua loja e pelo comportamento dos funcionários, então o valor adotado é praticado e o comportamento individual está sendo infl uenciado pelos valores do atendimento ao cliente e da segurança. Infelizmente, na Home Depot parece haver uma discrepância entre seus valores adotados e praticados: “A Home Depot anuncia dar o melhor atendimento ao cliente, mas parece que todos estão ocupados demais”, diz Priscilla High, cliente que esteve lá em Atlanta recentemente para procurar um tapete e uma pia de cozinha. “A Lowe [rival da Home Depot] nos oferece um atendimento melhor.” ...À medida que o volume de vendas dis- parou e as linhas de produto expandiram-se nos anos recentes,o depósito fi cou lotado, tornando-se uma defi ciência. Os compradores reclamam que as pilhas de mercadorias fecham os corredores. Acidentes causados pela queda de mercadorias dominaram as manchetes. E a empresa diz que muitos funcionários fi caram mais preocupados em re- por o estoque de chaves inglesas do que em atender os clientes... Recentemente, num dia de manhã em uma Home Depot próximo a Stone Mountain, [Geórgia], a gerente assistente Jill Roberts encontrou três carrinhos cheios de aquecedores, atravancando o corredor das pias de cozinha e suprimentos para encanamento... Outra prioridade para a Home Depot é melhorar a segurança da loja devido a três mortes no ano passado [2000] e a outras lesões causadas por queda de mercadoria.8 É importante reduzir as defasagens entre valores adotados e praticados porque eles podem infl uenciar signifi cativamente as atitudes do funcionário e o desempenho orga- nizacional. Por exemplo, um estudo com 312 maquinistas da ferrovia inglesa revelou valores praticados Os valores e as normas que são exibidos pelos funcionários. Algumas organizações exibem seus valores praticados ao recrutarem funcionários. A Cold Stone Creamery, instalada em Scottsdale, Arizona, transmite sua cultura de diversão e encenação aos clientes fazendo “audições” aos novos funcionários. Você gostaria de trabalhar lá? Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 45 que os empregados acreditavam menos na segurança quando achavam que os compor- tamentos dos gerentes seniores eram inconsistentes com os valores declarados a res- peito de segurança.9 A Home Depot está ciente dessa questão importante e instituiu um programa denominado Service Performance Improvement, ou SPI (Aprimoramento do Desempenho no Atendimento), para reduzir a defasagem entre os valores adotados e aqueles praticados a respeito do atendimento ao cliente e da segurança. Resultados pre- liminares de seis estabelecimentos testados indicaram aumentos nas vendas da loja e na quantidade de tempo que os funcionários gastavam para ajudar aos clientes.10 Pressupostos Básicos Pressupostos básicos implícitos são inobserváveis e repre- sentam a essência da cultura organizacional. Constituem valores organizacionais que se tornaram tão subentendidos com o tempo que passaram a ser pressupostos que orien- tam o comportamento organizacional. São, portanto, altamente resistentes à mudança. Quando as suposições básicas são amplamente respeitadas entre os funcionários, as pessoas acharão o comportamento baseado em um valor inconsistente inconcebível. A Southwest Airlines, por exemplo, destaca-se por operar de acordo com as suposições básicas que valorizam o bem-estar dos funcionários e oferecem um serviço de alta quali- dade. Os funcionários na Southwest Airlines fi cariam chocados em ver o gerente agir de maneiras que não valorizassem as necessidades dos funcionários e dos clientes. Quatro Funções da Cultura Organizacional Como ilustrado na Figura 2-2, a cultura de uma organização preenche quatro fun- ções.11 Para que estas ganhem vida, vamos considerar como cada uma delas é exe- cutada na Southwest Airlines. A Southwest é um exemplo particularmente instrutivo porque cresceu para se tornar a quarta maior companhia aérea do mundo nos Estados Unidos, desde sua fundação em 1971, e atingiu 32 anos consecutivos de lucratividade. FIGURA 2-2 Quatro Funções da Cultura Organizacional Identidade organizacional Cultura organizacional Compromisso coletivo Estabilidade do sistema social Dispositivo consensual Fonte: Adaptado da discussão em L. Smircich, “Concepts of Culture and Organizational Analysis”, Administrative Science Quartely, setembro de 1983, p. 339-58. Reproduzido com permissão. 46 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global A Fortune classifi cou a Southwest entre as cinco Melhores Empresas para se Trabalhar nos Estados Unidos, de 1997- 2000: a Southwest preferiu não participar desse processo de classifi cação desde 2000. Ela também foi classifi ca- da como a segunda empresa mais admirada nos Estados Unidos pela Fortune em 2003, em parte devido à sua cultura forte e distintiva.12 1. Dar aos membros uma identidade organizacional. A Southwest Airlines é conhecida como um lugar divertido para se trabalhar que valoriza a satisfação do funcionário e a lealdade do cliente aos lucros corporativos. Herb Kelleher, executivo, comentou sobre esta questão: Quem vem primeiro? Os funcionários, os clientes ou os acionistas? Nunca tive dúvidas a respeito disso. Os funcionários vêm primeiro. Se eles estiverem felizes, satisfeitos, dedicados e cheios de energia, cuidarão realmente bem dos clientes. Quando os clientes estão satisfeitos, voltam. E isso deixa os acionistas felizes.13 A empresa também tem um fundo para catástrofes baseado em contribuições voluntárias para distribuição aos funcionários que estão passando por sérias difi culdades pessoais. A identidade focada nas pessoas da Southwest é reforçada pelo fato de ela ser uma empregadora procurada. Por exemplo, a Southwest recebeu 202.357 currículos e contratou 6908 funcionários novos em 2003. A empresa também foi destacada como uma empregadora procurada entre estudantes universitários pela Fortune, e um levantamento de estudantes de MBA pela empresa de consultoria Universum revelou que a Southwest Airlines estava entre as 50 empregadoras mais cobiçadas. 2. Facilitar o compromisso coletivo. A missão da Southwest Airlines “é a dedicação com a mais alta qualidade do Atendimento ao Cliente oferecido com uma noção de afeto, amizade, orgulho individual e espírito da empresa”.14 Os mais de 35.000 funcionários da Southwest estão comprometidos com esta missão. O Air Travel Consumer Report do Departamento de Transportes relatou que a Southwest foi classifi cada como a empresa com o menor número de reclamações de clientes nos últimos 13 anos consecutivos. 3. Promover a estabilidade do sistema social. A estabilidade do sistema social refl ete a extensão em que o ambiente de trabalho é percebido como positivo e reforçador, e como confl itos e mudanças são gerenciados efetivamente. A Southwest é notada por sua fi losofi a de ter diversão, festas e comemorações. Por exemplo, cada cidade em que a empresa opera recebe um orçamento para festas. A Southwest também usa uma variedade de prêmios para estimular o desempenho e o serviço dos funcionários. O ambiente positivo e enriquecedor da empresa é apoiado pelas taxas mais baixas de rotatividade no setor de linhas aéreas e pelo emprego de 1.000 casais. 4. Modelar o comportamento, ajudando os membros a compreenderem o que os cerca. Esta função da cultura ajuda os funcionários a entender por que a organização faz o que faz e como pretende realizar suas metas a longo prazo. Lembrando que a liderança da Southwest via originalmente o transporte terrestre como seu principal concorrente em 1971, os funcionários acabaram entendendo por que a visão básica da linha aérea é ser a maior transportadora de distâncias curtas, tarifas baixas, alta freqüência, ponto a ponto nos Estados Unidos. Os funcionários entendem que devem ter um desempenho excepcional, como A diversão é a norma na Southwest Airlines. Herb Kelleher, executivo, observou: “Os funcionários vêm em primeiro lugar. Se eles estiverem felizes, satisfeitos, dedicados e cheios de energia, cuidarão realmente bem dos clientes”. Você concorda com a fi losofi a do executivo? Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 47 retornar com um avião em 20 minutos, porque precisam manter os custos baixos a fi m de competir com a Greyhound e com o uso de automóveis. Por sua vez, a empresa reforça a importância de um atendimento excelente ao cliente e de expectativas de alto desempenho, usando prêmios baseados no desempenho e a participação nos lucros. Os funcionários têm pelo menos 10% das ações da empresa. Tipos de Cultura OrganizacionalPesquisadores tentaram identifi car e medir vários tipos de cultura organizacional a fi m de estudar a relação entre diferentes culturas e efi cácia organizacional. Essa bus- ca foi motivada pela possibilidade de certas culturas serem mais efetivas que outras. Infelizmente, as pesquisas não revelaram uma tipologia universal de estilos culturais que todos aceitem. Da mesma forma, é válido prover um exemplo de vários tipos de cultura organizacional. A Tabela 2-1 é, portanto, apresentada como ilustração, e não como uma conclusão defi nitiva sobre os tipos de cultura organizacional existentes. A consciência desses tipos fornece-lhe grande entendimento sobre as manifestações de cultura. A Tabela 2-1 mostra que há três tipos gerais de cultura organizacional — construtiva, passivo-defensiva e agressivo-defensiva — e que cada tipo é associado a um conjunto diferente de crenças normativas.16 As crenças normativas representam os pensamentos e crenças de um indivíduo sobre como os membros de um determinado grupo ou organização devem conduzir seu trabalho e interagir com os outros. Uma cultura construtiva é aquela em que os funcionários são estimulados a interagir com os outros e a trabalhar em tarefas e projetos de maneiras que os auxiliarão a satisfazer suas necessidades de crescer e de se desenvolver. Esse tipo de cultura adota crenças normativas associadas à realização, à auto- atualização, ao incentivo humanista e afi liativo. Em contraste, uma cultura passivo-defen- siva é caracterizada por uma crença generalizada de que os funcionários devem interagir com os outros de maneiras que não ameacem sua própria segurança no emprego. Essa cul- tura reforça as crenças normativas associadas à aprovação, ao convencional, à dependência e à evitação (ver Tabela 2-1). A Mitsubishi é um bom exemplo de uma empresa com uma cultura passivo-defensiva. De acordo com os repórteres da Business Week: Esta era uma empresa cujos gerentes eram tão relutantes em transmitir más notícias aos superiores que esconderam reclamações sobre defeitos de qualidade durante décadas, para evitar onerosas trocas de produto. Muitos críticos da Daimler [a DaimlerChrysler gastou 2,4 bilhões de dólares para obter uma participação de 37% na Mitsubishi] tam- bém dizem que sua cultura contribuiu para o fracasso da reviravolta: a pressão sempre foi nos resultados, e poucos quiseram alertar Stuttgart quanto a problemas importantes. Mais tarde, para ajudar as vendas dos Estados Unidos, a Mitsubishi apelou para uma campanha ultragenerosa de fi nanciamento — sem entrada e sem pagamentos durante um ano. O resultado foi quase meio bilhão de dívidas incobráveis.17 Finalmente, as empresas com uma cultura agressivo-defensiva incentivam os funcio- nários a executarem as tarefas de modo que se imponham, a fi m de protegerem seu pró- prio status e segurança no emprego. Esse tipo de cultura é mais característico de crenças normativas que refl etem oposição, poder, competição e perfeccionismo. Joe Nacchio, ex-diretor-presidente da Qwest, tinha um estilo de liderança que reforçava uma cultura agressivo-defensiva. “Os gerentes fi cavam aterrorizados de não poder atender às expec- tativas de Nacchio. Em reuniões, ele fi ngia não ouvir quando estava contrariado, então, de repente, concentrava-se no que considerava o ponto mais fraco da apresentação de um executivo, sujeitando-o ao que até um amigo descreve como uma experiência ater- rorizadora.”18 crenças normativas Pensamentos e crenças sobre o comportamento e modos de conduta esperados. 48 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global TABELA 2-1 Tipos de Cultura Organizacional Tipos gerais de cultura Crenças normativas Características organizacionais Construtivo Realização Organizações que fazem um bom trabalho e valorizam os membros que estabelecem e realizam suas próprias metas. Espera-se que os membros estabeleçam metas desafi adoras, porém realistas, estabeleçam planos para atingir essas metas e as persigam com entusiasmo. (Perseguindo um padrão de excelência) Construtivo Auto-atualização Organizações que valorizam a criatividade, a qualidade à quantidade e tanto a realização da tarefa quanto o crescimento individual. Os membros são incentivados a sentir prazer em seu trabalho, a se desenvolver e a realizar atividades novas e interessantes. (Pensando de formas singulares e independentes) Construtivo Incentivador- humanista Organizações que são gerenciadas de modo participativo e centrado nas pessoas. Espera-se que os membros sejam colaboradores, construtivos e abertos a infl uências, ao lidarem uns com os outros (Ajudando os outros a crescer e a se desenvolver). Construtivo Afi liativo Organizações que dão alta prioridade a relações interpessoais construtivas. Espera-se que os membros sejam receptivos, abertos e sensíveis à satisfação de seu grupo de trabalho. (Lidando com os outros de uma forma amigável) Passivo- defensiva Aprovação Organizações em que os confl itos são evitados e os relacionamentos interpessoais são agradáveis — pelo menos superfi cialmente. Os membros sentem que deveriam concordar com, ganhar aprovação de, e ser queridos pelos outros. (“ Conviver” com os outros) Passivo- defensiva Convencional Organizações conservadoras, tradicionais e controladas burocraticamente. Espera- se que os membros sigam as regras e causem boa impressão. (Sempre seguindo políticas e práticas) Passivo- defensiva Dependente Organizações controladas hierarquicamente e não participativas. A tomada de decisão centralizada em tais organizações leva os membros a fazer somente o que lhes dizem para fazer, e a esclarecerem todas as decisões aos superiores. (Agradando aqueles em posições de autoridade) Passivo- defensiva Evitação Organizações que não conseguem recompensar o sucesso e, no entanto, punem erros. Esse sistema de recompensa negativa leva os membros a passar as responsabilidades aos outros e a evitar qualquer possibilidade de serem culpados por um erro. (Esperando que os outros ajam primeiro) Agressivo- defensiva Oposição Organizações em que a confrontação e o negativismo são recompensados. Os membros ganham status e infl uência sendo críticos e, assim, são reforçados a se opor às idéias dos outros. (Apontando falhas) Agressivo- defensiva poder Organizações não participativas estruturadas com base na autoridade inerente às posições dos membros. Os membros acreditam que serão recompensados por se responsabilizarem, controlarem os subordinados e, ao mesmo tempo, atenderem às solicitações dos superiores. (Construindo a base de poder) Agressivo- defensiva Competitiva A vitória é valorizada e os membros são recompensados por terem um desempenho superior aos dos outros. Os membros operam em uma estrutura “vencer-perder” e acreditam que devam trabalhar contra (e não com) seus companheiros para serem notados. (Transformar o trabalho em competição) Agressivo- defensiva Perfeccionista Organizações em que o perfeccionismo, a persistência e o trabalho árduo são valorizados. Os membros acham que devem evitar qualquer erro, acompanhar tudo e trabalhar muitas horas para atingir objetivos defi nidos minuciosamente. (Fazendo as coisas com perfeição) Tipos gerais de cultura Crenças normativas Características organizacionais Construtivo Realização Organizações que fazem um bom trabalho e valorizam os membros que estabelecem e realizam suas próprias metas. Espera-se que os membros estabeleçam metas desafi adoras, porém realistas, estabeleçam planos para atingir essas metas e as persigam com entusiasmo. (Perseguindo um padrão de excelência) Construtivo Auto-atualização Organizações que valorizam a criatividade, a qualidade à quantidade e tanto a realização da tarefa quanto o crescimento individual. Os membros são incentivados a sentir prazer em seu trabalho, a se desenvolver e a realizar atividades novas e interessantes. (Pensando de formas singulares e independentes) Construtivo Incentivador- humanista Organizaçõesque são gerenciadas de modo participativo e centrado nas pessoas. Espera-se que os membros sejam colaboradores, construtivos e abertos a infl uências, ao lidarem uns com os outros (Ajudando os outros a crescer e a se desenvolver). Construtivo Afi liativo Organizações que dão alta prioridade a relações interpessoais construtivas. Espera-se que os membros sejam receptivos, abertos e sensíveis à satisfação de seu grupo de trabalho. (Lidando com os outros de uma forma amigável) Passivo- defensiva Aprovação Organizações em que os confl itos são evitados e os relacionamentos interpessoais são agradáveis — pelo menos superfi cialmente. Os membros sentem que deveriam concordar com, ganhar aprovação de, e ser queridos pelos outros. (“ Conviver” com os outros) Passivo- defensiva Convencional Organizações conservadoras, tradicionais e controladas burocraticamente. Espera- se que os membros sigam as regras e causem boa impressão. (Sempre seguindo políticas e práticas) Passivo- defensiva Dependente Organizações controladas hierarquicamente e não participativas. A tomada de decisão centralizada em tais organizações leva os membros a fazer somente o que lhes dizem para fazer, e a esclarecerem todas as decisões aos superiores. (Agradando aqueles em posições de autoridade) Passivo- defensiva Evitação Organizações que não conseguem recompensar o sucesso e, no entanto, punem erros. Esse sistema de recompensa negativa leva os membros a passar as responsabilidades aos outros e a evitar qualquer possibilidade de serem culpados por um erro. (Esperando que os outros ajam primeiro) Agressivo- defensiva Oposição Organizações em que a confrontação e o negativismo são recompensados. Os membros ganham status e infl uência sendo críticos e, assim, são reforçados a se opor às idéias dos outros. (Apontando falhas) Agressivo- defensiva poder Organizações não participativas estruturadas com base na autoridade inerente às posições dos membros. Os membros acreditam que serão recompensados por se responsabilizarem, controlarem os subordinados e, ao mesmo tempo, atenderem às solicitações dos superiores. (Construindo a base de poder) Agressivo- defensiva Competitiva A vitória é valorizada e os membros são recompensados por terem um desempenho superior aos dos outros. Os membros operam em uma estrutura “vencer-perder” e acreditam que devam trabalhar contra (e não com) seus companheiros para serem notados. (Transformar o trabalho em competição) Agressivo- defensiva Perfeccionista Organizações em que o perfeccionismo, a persistência e o trabalho árduo são valorizados. Os membros acham que devem evitar qualquer erro, acompanhar tudo e trabalhar muitas horas para atingir objetivos defi nidos minuciosamente. (Fazendo as coisas com perfeição) Tipos gerais de cultura Crenças normativas Características organizacionais Construtivo Realização Organizações que fazem um bom trabalho e valorizam os membros que estabelecem e realizam suas próprias metas. Espera-se que os membros estabeleçam metas desafi adoras, porém realistas, estabeleçam planos para atingir essas metas e as persigam com entusiasmo. (Perseguindo um padrão de excelência.) Construtivo Auto-atualização Organizações que valorizam a criatividade, a qualidade em vez da quantidade e tanto a realização da tarefa quanto o crescimento individual. Os membros são incentivados a sentir prazer em seu trabalho, a se desenvolver e a realizar atividades novas e interessantes. (Pensando de formas singulares e independentes.) Construtivo Incentivador- humanista Organizações que são gerenciadas de modo participativo e centrado nas pessoas. Espera-se que os membros sejam colaboradores, construtivos e abertos a infl uências, ao lidarem uns com os outros. (Ajudando os outros a crescer e a se desenvolver.) Construtivo Afi liativo Organizações que dão alta prioridade a relações interpessoais construtivas. Espera-se que os membros sejam receptivos, abertos e sensíveis à satisfação de seu grupo de trabalho. (Lidando com os outros de uma forma amigável.) Passivo- defensiva Aprovação Organizações em que os confl itos são evitados e os relacionamentos interpessoais são agradáveis — pelo menos superfi cialmente. Os membros sentem que deveriam concordar com, ganhar aprovação de, e ser queridos pelos outros. (“Conviver” com os outros.) Passivo- defensiva Convencional Organizações conservadoras, tradicionais e controladas burocraticamente. Espera- se que os membros sigam as regras e causem boa impressão. (Sempre seguindo políticas e práticas.) Passivo- defensiva Dependente Organizações controladas hierarquicamente e não participativas. A tomada de decisão centralizada em tais organizações leva os membros a fazer somente o que lhes dizem para fazer, e a esclarecerem todas as decisões aos superiores. (Agradando àqueles em posições de autoridade.) Passivo- defensiva Evitação Organizações que não conseguem recompensar o sucesso e, no entanto, punem erros. Esse sistema de recompensa negativa leva os membros a passar as responsabilidades aos outros e a evitar qualquer possibilidade de serem culpados por um erro. (Esperando que os outros ajam primeiro.) Agressivo- defensiva Oposição Organizações em que a confrontação e o negativismo são recompensados. Os membros ganham status e infl uência sendo críticos e, assim, são reforçados a se opor às idéias dos outros. (Apontando falhas.) Agressivo- defensiva Poder Organizações não participativas estruturadas com base na autoridade inerente às posições dos membros. Os membros acreditam que serão recompensados por se responsabilizarem, controlarem os subordinados e, ao mesmo tempo, atenderem às solicitações dos superiores. (Construindo a base de poder.) Agressivo- defensiva Competitiva A vitória é valorizada e os membros são recompensados por terem um desempenho superior aos dos outros. Os membros operam em uma estrutura “vencer-perder” e acreditam que devam trabalhar contra (e não com) seus companheiros para serem notados. (Transformando o trabalho em competição.) Agressivo- defensiva Perfeccionista Organizações em que o perfeccionismo, a persistência e o trabalho árduo são valorizados. Os membros acham que devem evitar qualquer erro, acompanhar tudo e trabalhar muitas horas para atingir objetivos defi nidos minuciosamente. (Fazendo as coisas com perfeição.) Fonte: Adaptado de R. A. Cooke e J. L. Szumal, “Measuring Normative Beliefs and Shared Behavioral Expectations in Organizations: The Reliability and Validity of the Organizational Culture Inventory”, Psychological Reports, 1993, p. 72, 1299-1330. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 49 Embora uma organização possa representar predominantemente um tipo cultural, ainda pode manifestar crenças e características normativas de outros tipos. As pesquisas demonstram que as organizações podem ter subculturas funcionais, subculturas hierár- quicas com base no nível em que se está na organização, subculturas geográfi cas, subcul- turas ocupacionais com base no título ou posição, subculturas sociais derivadas de ativi- dades sociais como liga de boliche ou de golfe e um clube de leitura, e contraculturas.19 É importante os gerentes terem ciência da possibilidade de que o confl ito entre subgrupos que formam culturas pode minar o desempenho geral de uma organização. Resultados Associados à Cultura Organizacional Tanto os gerentes quanto os pesquisadores acadêmicos acreditam que a cultura or- ganizacional pode ser um propulsor das atitudes do funcionário e do desempenho e efi ciência organizacional. Para testar essa possibilidade, várias medidas da cultura or- ganizacional foram correlacionadas com uma variedade de resultados individuais e or- ganizacionais. Logo, o que aprendemos? Primeiro, vários estudos demonstraram que a cultura organizacional estava correlacionada signifi cativamente com o comportamento e as atitudes dos funcionários. Por exemplo, uma cultura construtivaestava relacionada positivamente com a satisfação no trabalho, com intenções de permanecer na empresa e com inovação e estava negativamente associada a evitar o trabalho. Em contrapartida, culturas passivo-defensivas e agressivo-defensivas estavam negativamente correlacio- nadas com a satisfação no trabalho e com intenções de permanecer na empresa.20 Esses resultados sugerem que os funcionários parecem preferir organizações que incentivam as pessoas a interagir e a trabalhar com outros de maneiras que as ajudem a satisfazer suas necessidades de crescer e de se desenvolver. Em segundo lugar, os resultados de vários estudos revelaram que a congruência entre os valores de um indivíduo e os valores da organização estavam signifi cativamente associados ao compromisso organizacional, à satisfação no trabalho, à intenção de sair, e à rotatividade.21 Em terceiro lugar, um resumo de dez estudos quantitativos mostrou que a cultura organizacional não previa o desempenho fi nanceiro de uma organização.22 Isto signifi ca que não há um único tipo de cultura organizacional que alimente o desempenho fi nan- ceiro. Apesar desta afi rmação, um estudo com 207 empresas de 22 indústrias no período de 11 anos demonstrou que o desempenho fi nanceiro foi superior entre empresas que tinham culturas adaptativas e fl exíveis.23 Finalmente, estudos de fusões indicaram que elas fracassavam freqüentemente, por terem culturas incompatíveis. Devido ao número crescente de fusões corporativas no mundo, e à conclusão de que sete entre dez fusões e aquisições não cumpriram sua promessa fi nanceira, seria bom aconselhar os gerentes de empresas incorporadas a considerar o papel da cultura organizacional na criação de uma nova organização.24 Esses resultados de pesquisas ressaltam o signifi cado da cultura organizacional. Também reforçam a necessidade de se aprender mais sobre o processo de cultivar e mudar a cultura de uma organização. A cultura de uma organização não é determinada pelo destino. É for- mada e modelada pela combinação e integração de todos os que trabalham nela. Como as Culturas São Inseridas em Organizações A cultura inicial de uma organização é um desdobramento da fi losofi a do fundador. Por exemplo, uma cultura de realização provavelmente se desenvolva se o fundador for um indi- víduo orientado para a realização, dirigido pelo sucesso. Com o tempo, a cultura original é 50 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global inserida como é, ou é modifi cada de modo que se ajuste à atual situação ambiental. Edgar Schein, estudioso de CO, observa que a inserção de uma cultura envolve um processo de ensino. Ou seja, os membros organizacio- nais ensinam uns aos outros sobre valores, crenças, ex- pectativas e comportamentos preferidos da organização. Isto é feito usando-se um ou mais dos seguintes meca- nismos:25 1. Declarações formais de fi losofi a, missão, visão, valores organizacionais dos materiais usados para recrutamento, seleção e socialização. Sam Walton, o fundador da Wal-Mart, estabeleceu três crenças ou valores básicos que representam a essência da cultura da organização. São elas (1) respeito pelo indivíduo, (2) atendimento ao nosso cliente, e (3) luta pela excelência.26 2. O design do espaço físico, ambientes de trabalho e construções. 3. Slogans, linguagem, acrônimos e dizeres. Por exemplo, o Bank One promoveu seu desejo de fornecer ao cliente excelentes serviços por meio do slogan “o que for necessário”. Os funcionários são incentivados a fazerem o que for necessário para superar as expectativas do cliente. 4. Deliberar a modelação de papel, programas de treinamento, ensino e treinamento por gerentes e supervisores. A General Semiconductor implementou o programa “People Plus” (“Mais Gente”). É um programa de desenvolvimento de liderança interna e treinamento em solução de problemas que usa a missão e os valores da empresa como trampolim para criar planos de desenvolvimento individual. 5. Recompensas explícitas, símbolos de status (por exemplo, títulos) e critérios de promoção. Charles Haldeman, diretor-presidente da Putnam Investments, está tentando mudar a cultura da empresa criando um novo conjunto de critérios de desempenho e incentivos para os funcionários: Agora, em vez de forçar os limites, como a liderança da Putnam fez nos tempos de especulação fi nanceira da década de 1990, Haldeman exigiu que os gerentes tivessem como alvo retornos confi áveis a longo prazo. Haldeman quer que cada um dos 54 fundos da Putnam se classifi que entre os 50% melhores de sua categoria todos os anos... No futuro, os gerentes ganharão bonifi cações ao alcançarem exatamente isto — e não ganharão um centavo a mais por situarem seus fundos entre os 10% maiores, como faziam.27 Haldeman está implementando essa nova abordagem porque os velhos critérios de desempenho e incentivos eram, em parte, responsáveis por sérios escândalos de negociação que levaram os investidores a retirar 70 bilhões de dólares dos fundos da Putnam. 6. Histórias, lendas e mitos sobre pessoas-chave e eventos. A Southwest Airlines, por exemplo, faz um excelente trabalho em contar histórias para reforçar o compromisso da empresa com o atendimento ao cliente. Um exemplo envolve um mecânico em Buffalo que usou um veículo para remover neve durante uma tempestade, dirigindo 11 quilômetros com 7 metros de neve para chegar H A B IL ID A D E S E A S M E L H O R E S P R Á T IC A S Como os Gerentes Desenvolvem Histórias Que Têm Impacto? A tarefa envolve (1) observar atividades do dia-a-dia atento a histórias e (2) saber ouvir o que os outros têm a dizer. Observe as pessoas a seguir e note como elas conseguiram resultados excelentes: • Indivíduos bem-sucedidos • Indivíduos que assumem riscos • Líderes informais • Heróis organizacionais • Pessoas que vão além do cumprimento do dever • Pessoas que vivem verdadeiramente os valores da organização • Pessoas que ajudam os outros a serem bem-sucedidos Os gerentes podem ainda obter histórias conversando com clientes e fornecedores satisfeitos. Fonte: Extraído de Barbara Kaufman, “Stories that Sell, Stories that Tell”, Journal of Business Strategy, março/abril, p. 11-15. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 51 ao aeroporto e liberar um avião para decolar.28 O quadro Habilidades e as Melhores Práticas contém recomendações sobre como os gerentes podem encontrar histórias com impacto. 7. As atividades, processos ou resultados organizacionais a que os líderes prestam atenção, medem e controlam. Leve em consideração o comportamento de Chung Mong Koo, presidente do conselho de diretoria da Hyundai Motor Co. O foco da Hyundai na qualidade vem direto da cúpula. Desde 1999, o presidente Chung aumentou a equipe de qualidade de 100 membros para 865, e praticamente todos os funcionários tiveram de participar de seminários es- peciais sobre aprimoramento dos carros da empresa. Chung preside reuniões quinzenais sobre qualidade em uma sala de conferência especial e em uma ofi ci- na adjacente, com veículos suspensos e spot-lights de alta intensidade para comparar os Hyundais, cabeça a cabeça, com os rivais. E essa equipe tem garra: no ano passado, a introdução de três modelos novos foi adiada por meses enquanto os engenheiros lutavam para melhorar a qualidade, devido a problemas encontrados pela equipe.29 8. Reações do líder a incidentes críticos e a crises organizacionais. 9. O fl uxo de trabalho e a estrutura organizacional. As estruturas hierárquicas têm mais probabilidade de deixar implícita uma orientação para o controle e autoridade do que uma organização menos hierarquizada. 10. Sistemas e procedimentos organizacionais. Uma organização pode promover a realização e a competição por meio do uso de concursos de vendas. 11. Metas organizacionais e critérios associados usados para recrutamento, seleção, desenvolvimento, promoção,demissões e aposentadoria de funcionários. A PepsiCo reforça a cultura do alto desempenho estabelecendo metas desafi adoras. A socialização organizacional é defi nida como “o processo pelo qual uma pessoa aprende os valores, normas e comportamentos exigidos que lhe permitem participar como membro da organização”.30 Como foi discutido anteriormente, a so- cialização da organização é um mecanismo-chave usado pelas organizações para implantar suas culturas organizacionais. Em suma, a socialização orga- nizacional transforma os funcionários “novatos” em funcionários plenamen- te integrados, promovendo e reforçando os valores e as crenças essenciais da organização. Esta seção introduz um modelo de três fases da socialização organizacional e examina a aplicação prática da pesquisa de socialização. O Processo Organizacional de Socialização socialização organizacional Processo pelo qual os funcionários aprendem os valores, as normas de uma organização e os comportamentos exigidos nela. Copyright © 2002 Ted Goff. Reimpresso com autorização. “Estamos receosos quanto a sua capacidade de se adequar aqui, Mr. Stoughton.” 52 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global Um Modelo da Socialização Organizacional com Três Fases O primeiro ano em que se está em uma organização complexa pode ser muito con- fuso. Novas faces passam constantemente por você, um jargão estranho, expectativas confl itantes e acontecimentos aparentemente não relacionados. Algumas organizações tratam novos membros de uma maneira bastante casual, “fl utua-ou-afunda”. No entanto, é mais comum o processo de socialização se caracterizar por uma seqüência de etapas identifi cáveis.31 Daniel Feldman, pesquisador de comportamento organizacional, propôs um modelo de socialização organizacional com três fases, que promove melhor compreensão desse importante processo. Como é ilustrado na Figura 2-3, as três fases são (1) socialização antecipatória, (2) encontro e (3) mudança e aquisição. Cada fase tem seus processos FIGURA 2-3 Um Modelo de Socialização Organizacional • Antecipar realidades sobre a organização e o novo emprego • Antecipar as necessidades da organização de habilidades e capacidades de um indivíduo • Antecipar a sensibilidade da organização às necessidades e aos valores de um indivíduo • Exigências concorrentes de papel são resolvidas • Tarefas críticas são dominadas • Normas e valores do grupo são internalizados • Gerenciar conflitos de estilo de vida versus trabalho • Gerenciar conflitos de papel entre grupos • Buscar definição de papel e clareza • Tornar-se familiar com a dinâmica da tarefa e de grupo 3. Mudança e aquisição O recrutado domina as habilidades e papéis e se ajusta aos valores e às normas do grupo de trabalho. 2. Encontro Valores, habilidades e atitudes começam a mudar à medida que o novo recrutado descobre como a organização é realmente. 1. Aprendizagem de socialização antecipatória que ocorre antes de se juntar à organização. Processos perceptivos e sociaisFases "Novato" • Desempenha atribuições de papel • Permanece na organização • Inova e coopera espontaneamente • Geralmente satisfeito • Motivação interna para trabalhar • Comprometido Funcionário socializado Resultados comportamentais Resultados afetivos Fonte: Adaptado de D. C. Feldman, “The Multiple Socialization of Organization Members”, Academy of Management Review, abril de 1981, p. 309-18. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 53 sociais e perceptivos associados. O modelo de Feldman também especifi ca resultados comportamentais e afeti- vos que podem ser usados para julgar como o indivíduo foi socializado. A seqüência completa de três fases pode levar de semanas a um ano para se completar, depen- dendo de diferenças individuais e da complexidade da situação. Fase I: Socialização Antecipatória A sociali- zação antecipatória ocorre antes de o indivíduo jun- tar-se realmente à organização. É representada pelas informações que as pessoas aprenderam sobre diferen- tes carreiras, ocupações, profi ssões e organizações. Por exemplo, a socialização antecipatória explica em parte as diferentes percepções que você teria sobre trabalhar para o governo norte-americano versus em uma empresa de alta tecnologia como a Intel ou a Microsoft. Todas essas informações — sejam formais ou informais, precisas ou imprecisas — ajudam o indivíduo a antecipar realidades organizacionais. Expectativas irrealistas sobre a natureza do trabalho, pagamento e promoções são formuladas freqüentemente durante a fase I. Fase 2: Encontro Esta segunda fase começa quando o contrato de emprego é assinado. Durante a fase de encontro os funcionários aprendem como é realmente a organização. É um momento para reconciliar expecta- tivas não atingidas e refl etir sobre um novo ambiente de trabalho. Muitas empresas usam uma combinação de orientação e programas de treinamento para socializar os funcionários durante a fase de encontro. Considere a com- binação usada na Capital One. No seu primeiro dia como funcionários da Capital One, os novos contra- tados podem, literalmente, “dar duro” graças a um processo de recrutamen- to que identifi ca as competências exigidas para cada posição e incorpora a simulação no emprego no processo de avaliação pré-contratação. Os candi- datos para uma posição de contato com o cliente, por exemplo, podem fazer uma experiência no cargo antes de uma posição ser oferecida ou aceita. Uma vez dentro, a orientação inclui um programa departamental de treina- mento a novos contratados, que, dependendo do cargo, pode variar de duas a seis semanas. Depois do treinamento, mas antes de os funcionários aten- dentes de telefone se juntarem às equipes permanentes, eles passam tempo “em imersão”, recebendo ligações do cliente em um ambiente controlado com vários funcionários experientes para treiná-los.32 Fase 3: Mudança e Aquisição A fase de mudança e aquisição requer que os funcionários dominem tarefas e papéis importantes e se ajustem aos valores e às normas do grupo de trabalho. A Tabela 2-2 apresenta uma lista de processos de socialização ou táticas usadas pelas organizações para ajudar os funcionários através desse processo de ajuste. A Trilogy, por exemplo, usa uma variedade dessas táticas em seu renomado pro- grama de socialização. O programa de orientação de três meses acontece na universidade corporativa da organização, chamada Trilogy University (TU): Primeiro mês. Quando você chega à Trilogy University, é encaminhado a uma seção e a um curso de instrução. Sua seção, um grupo de cerca de 20, é seu grupo social en- quanto você estiver na TU... Os cursos são concebidos para serem microcosmos da futu- socialização antecipatória Ocorre antes de um indivíduo juntar-se a uma organização, e envolve as informações que as pessoas aprendem sobre diferentes carreiras, ocupações, profi ssões e organizações. O treinamento em campo, que faz parte da fase de encontro, é usado pelos militares para instilar rápida e fi rmemente valores endossados pelos militares. fase de encontro Os funcionários aprendem como é realmente a organização e reconciliam expectativas não atendidas. Exige que os funcionários dominem tarefas e papéis e se ajustem aos valores e às normas do grupo de trabalho. mudança e aquisição 54 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global ra vida no trabalho profi ssional na Trilogy. Os desafi os técnicos nesses exercícios imitam de perto contatos com clientes reais, mas os prazos são acentuadamente reduzidos. As tarefas se acumulam semana após semana no primeiro mês, cada uma sendo sucessiva- mente mais desafi adora que a anterior. Nesse período, você está sendo constantemente avaliado e mensurado, enquanto as notas e comentários das tarefas são incluídos em um banco de dados que monitora seu progresso. Segundo mês. Este é o mês do projeto TU... Em equipes de três a cinco pessoas, o grupodesenvolve uma idéia, cria um modelo de negócio para ela, elabora o produto e desenvolve o plano de marketing. Ao tentarem lançar novas idéias ousadas em um prazo de tempo superacelerado, eles ganham uma noção profunda da necessidade de estabele- cer prioridades, avaliar probabilidades e medir resultados. Lembre-se, esses projetos não são hipotéticos — são reais... Terceiro mês. No terceiro mês na Trilogy University você deve encontrar seu lugar na organização e ter um impacto mais abrangente na organização mais ampla. Alguns TABELA 2-2 Táticas de Socialização Tática Descrição Coletiva vs. Individual A socialização coletiva consiste em agrupar os recém-chegados e expô-los a um conjunto comum de experiências em vez de tratar cada recém-chegado individualmente e expô-lo a experiências mais ou menos exclusivas. Formal vs. Informal A socialização formal é a prática de segregar um recém-chegado dos membros de uma organização durante um período defi nido de socialização versus não distinguir claramente um recém-chegado de membros mais experientes. Os recrutas do exército devem freqüentar o treinamento em campo antes de terem permissão para trabalhar junto com soldados em exercício. Seqüencial vs. Randômica A socialização seqüencial refere-se a uma progressão fi xa de etapas que culmina no papel novo, em comparação a uma progressão ambígua ou dinâmica. A socialização de médicos envolve uma seqüência passo a passo da escola médica, ao internato, à residência, antes de eles terem permissão para exercer a prática médica por conta própria. Fixa vs. Variável A socialização fi xa fornece um cronograma para a suposição do papel, enquanto um processo variável, não. Os estudantes das universidades norte-americanas costumam passar um ano como calouros, um como segundanistas, outro como juniores e o último como seniores. Serial vs. Disjuntiva Um processo serial é aquele em que o recém-chegado é socializado por um membro experiente, enquanto um processo disjuntivo não usa um modelo de papel. Investidura de um cargo vs. Não investidura Investidura refere-se à afi rmação da identidade e atributos de papel específi cos e globais do recém-chegado. Não investidura é negar e destituir o recém-chegado da noção de indivíduo e reconstruir o indivíduo de acordo com a imagem da organização. Durante o treinamento na polícia, os cadetes devem usar uniformes e manter uma aparência impecável; eles são tratados como “ofi cial”, e lhe dizem que não são mais cidadãos comuns, mas os representantes da força policial. Fonte: Descrições retirados de B. E. Ashforth, Role Transitions in Organizational Life: An Identity-Based Perspective (Mahwah, N.J: Lawrence Erlbaum Associates, 2001), p. 149-83. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 55 estudantes continuam com seus projetos TU, mas a maioria passa para os “projetos de graduação”, que geralmente são atribuições dentro de várias unidades de negócio da Trilogy. As pessoas saem da TU continuamente, à medida que encontram profi ssionais na empresa que estejam dispostos a se responsabilizar por elas. A fase de mudança e aquisição na Trilogy é estressante, excitante e fundamental para se encontrar um lugar dentro da organização. Você gostaria de trabalhar lá? Voltando à Tabela 2-2, você pode identifi car as táticas de socialização usadas pela Trilogy? Aplicação Prática da Pesquisa de Socialização A pesquisa anterior sugere quatro diretrizes práticas para gerenciar a socialização organizacional: 1. Os gerentes deveriam evitar uma abordagem aleatória, “fl utua-ou-afunda”, à socialização na organização porque as táticas formalizadas de socialização afetam positivamente novas contratações. Um programa de orientação formalizado infl uenciou positivamente 116 novos funcionários de diversas posições.34 2. Os gerentes desempenham um papel-chave durante a fase de encontro. Estudos de contadores contratados recentemente demonstraram que a freqüência e o tipo de informação obtida durante os seis primeiros meses de emprego afetaram signifi cativamente seu desempenho no emprego, a clareza de seu papel e a extensão em que estavam socialmente integrados.35 Os gerentes precisam ajudar novos contratados a se integrarem na cultura organizacional. O National City Corporation seguiu este conselho e teve economias de custo e crescimento da receita signifi cativos: Os gerentes encarregados da contratação são ensinados a se preparar para a chegada dos novos funcionários e a tornar a transição deles para um novo emprego mais suave. O novo funcionário fi cava junto com seu “responsável” experiente do banco, que havia participado anteriormente de uma ofi cina de meio período sobre desenvolvimento de funcionários. O programa compensou. Os novos contratados agora apresentam uma pro- babilidade 50% menor de sair dentro dos três primeiros meses, o que economiza pelo menos 1,35 milhão de dólares anuais à empresa. O absenteísmo entre os novos funcionários está abaixo de 25%, para uma economia anual de 306.000 dólares. E à medida que novos contratados completam as ofi cinas, o aprimora- mento nas vendas e as referências de produto têm levado a um salto na receita de 3,7 milhões de dólares.36 Reserve um momento agora para completar o Exercício de Aplicação. Ele avalia a extensão em que você se socializou em sua atual organização de trabalho. Você foi socializado adequadamente? Em caso negativo, você pode precisar encontrar um mentor. A orientação assistida é discutida na seção seguinte. 3. A organização pode se benefi ciar treinando novos funcionários a usar comportamentos proativos de socialização. Um estudo com 154 profi ssionais novos mostrou que usar efetivamente comportamentos proativos de socialização infl uenciava a ansiedade e o estresse gerais do novato durante o primeiro mês de emprego e sua motivação e ansiedade seis meses depois.37 4. Os gerentes deveriam estar atentos à socialização de funcionários diversos. As pesquisas demonstraram que diversos funcionários, principalmente aqueles com defi ciências, tinham atividades de socialização diferentes daquelas dos outros novatos. Por sua vez, essas experiências diferentes afetaram seu sucesso a longo prazo e a satisfação no emprego.38 56 Você Foi Socializado Adequadamente? INSTRUÇÕES: Complete os itens de pesquisa a seguir, considerando seu emprego atual ou um emprego que tenha tido anteriormente. Se você nunca trabalhou, peça a um amigo que esteja trabalhando para completar o questionário sobre a organização dele. Leia cada item e circule sua resposta, usando a escala de classifi cação mostrada abaixo. Calcule sua pontuação total, somando suas respostas, e compare-a às normas de pontuação. Discordo fortemente Discordo Neutro Concordo Concordo fortemente 1. Passei por um conjunto de experiências de treinamento que se destinam especifi camente a dar aos novatos um conhecimento completo das habilidades relacionadas ao trabalho. 1 2 3 4 5 2. Esta organização faz todos os novatos passarem pelo mesmo conjunto de experiências de aprendizagem. 1 2 3 4 5 3. Não desempenhei nenhuma de minhas responsabilidades normais de trabalho até estar totalmente familiarizado com os procedimentos do departamento e os métodos de trabalho. 1 2 3 4 5 4. Há um padrão claro na maneira como um papel leva a outro, ou que uma atribuição de trabalho leva a outra, nesta organização. 1 2 3 4 5 5. Posso prever minha futura trajetória de carreira nesta organização, observando as experiências das outras pessoas. 1 2 3 4 5 6. Quase todos os meus colegas têm me dado apoio pessoal. 1 2 3 4 5 7. Meus colegas não medem esforços para me ajudarem a me adaptar a esta organização. 1 2 3 4 5 8. Recebi muita orientação de membros organizacionais experientes quanto a como eu deveria desempenhar meu trabalho. 1 2 3 4 5 Número total de pontos __________ __________ ________ __________ __________ NORMAS DE PONTUAÇÃO 8-18 = Baixa socialização 19-29 =Socialização moderada 30-40 = Alta socialização Fonte: Adaptado de itens de pesquisa extraídos de D. Cable e C. Parsons, “Socialization Tactics and Person-Organization Fit”, Personnel Psychology, primavera de 2001, p. 1-23. EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 57 A palavra moderna mentor deriva de Mentor, o nome de um conselheiro sábio e confi ável da mitologia grega. Termos usados tipicamente em associação a mentor são orientador, professor, treinador, responsável e par. A orientação assistida é defi nida como o processo de formar e manter relações intensas e duradouras de desenvolvimento entre uma variedade de desenvolvedores (isto é, pes- soas que fornecem suporte de carreira e psicossocial) e uma pessoa júnior (o protégé, ou protegido, se for homem, ou a protégée, protegida, se for mulher).39 A orientação assistida pode servir para inserir a cultura de uma organização, quando os desenvolvedores e o protegido ou a protegida trabalham na mes- ma organização, por duas razões. A primeira delas é que a orientação assistida contribui para criar uma noção de unicidade, promovendo a aceitação dos valores essenciais da organização em todo o conjunto. Em segundo lugar, o aspecto socializador da orientação assistida também promove uma noção de fazer parte da empresa. Não só a orientação assistida é importante como tática para inserir a cultura organizacional, mas as pesquisas sugerem que ela pode infl uenciar signifi - cativamente a futura carreira do protegido/protegida. Por exemplo, funcionários que recebem uma orienta- ção assistida tiveram um desempenho melhor no tra- balho e um progresso mais rápido de carreira que os que não a receberam. Funcionários bem-orientados também relatam maior satisfação no emprego e com a carreira e em assumir atribuições mais desafi adoras no trabalho.49 Com essas informações em mente, esta seção aborda como as pessoas podem usar a orien- tação assistida para sua vantagem. Discutimos as funções da orientação, o trabalho em rede de desen- volvimento por trás da orientação, e as implicações pessoais e organizacionais da orientação. Funções da Orientação Assistida Kathy Kram, pesquisadora da Boston University, conduziu entrevistas aprofundadas com membros de 18 pares de gerentes seniores e juniores. Como subproduto desse estudo, Kram identifi cou duas funções gerais — de carreira e psicossocial — do processo de orientação. Cinco funções de carreira que aumentaram o seu desenvolvimento foram responsabilidade, exposição e visibilidade, treinamento, proteção e atribuições desafi adoras. Quatro funções psicossociais foram modelação de papel, confi rmação e aceitação, aconselhamento e amizade. As funções psicossociais esclarece- ram as identidades dos participantes e promoveram seus sentimentos de competência.41 orientação assistida Processo de formar e manter um relacionamento de desenvolvimento entre um mentor e um profi ssional júnior. Inserindo a Cultura Organizacional através de uma Orientação Assistida* Bill Wear, gerente de um programa de estabilidade no emprego na Hewlett- Packard, começou grampeando linhas telefônicas aos 10 anos. Aos 14, ele era hacker, entrando no computador da escola com uma senha que roubara de seu orientador. O orientador educacional sabia que Wear tinha lhe roubado a senha, então deixou esta mensagem para ele: “Sei que você está usando minha conta. Também sei tudo sobre seu pai. Sei que ele o maltrata. Também sei que podemos fazer algo a respeito. Ligue para mim. Deixe-me ajudá-lo”. O orientador ajudou-o a entrar em uma escola particular e a tirar dois diplomas em engenharia. Hoje Wear é mentor. Ele até escreveu um manual para o programa de orientação assistida via e-mail da empresa. * N.R.T.: Também denominada Tutoria. 58 Parte Um Gerenciando Pessoas em uma Economia Global Redes de Desenvolvimento por Trás da Orientação Assistida Historicamente, pensava-se que a orientação fosse dada basicamente por uma pessoa a quem se chamava de mentor, ou orientador. Hoje, entretanto, a natureza mutável da tecnologia, das estruturas organizacionais e a dinâmica do mercado exige que busque- mos informações de carreira e apoio de várias fontes. A orientação assistida atualmente é vista como um processo em que os orientandos buscam uma rede de pessoas para terem orientação para seu desenvolvimento, sendo estas referidas como desenvolvedores. Lori McKee, gerente de projeto do Chubb Group of Insurance Cos., é um bom exemplo de alguém que usou um trabalho em rede de pessoas para progredir na carreira. Ela iniciou um clube do livro na empresa, e dez mulheres da Chubb Group no país se reúnem via teleconferência uma vez por mês para discutir questões de carreira associadas aos livros que elas leram. “Como resultado de sua maior visibilidade na empresa, Mc. McKee, com 31 anos, diz que lhe ofereceram atribuições mais importantes, inclusive uma de ajudar a aperfeiçoar os sistemas fi nanceiros da empresa no mundo todo. ‘Consegui isso através dessas discussões e obtendo orientação de outras mulheres do grupo’, diz ela.”42 Este exemplo implica que a diversidade e a intensidade das relações do trabalho em rede de uma pessoa são instrumentais para se obter o tipo de assistência necessário para gerenciar sua carreira. A Figura 2-4 apresenta uma tipologia de rede de desenvolvimento baseada em integrar a diversidade e a intensidade de relações de desenvolvimento.43 FIGURA 2-4 Rede de Desenvolvimento Associada à Orientação Assistida D iv er si da de d a R el aç ão d e D es en vo lv im en to Alta variação Intensidade da relação de desenvolvimento D1 D2 P D1 P D2 D4D3 Receptiva Tradicional Oportunista D1 P D2 D4D3 Empreendedora D1 D2 P Chave: D, desenvolvedor; P, protegido Vínculos fracos Vínculos fortes Baixa variação Fonte: Academy of Management Review, de M. Higgins e K. Kram, “Reconceitualizing Mentoring at Work: A Developmental Network Perspective”, abril de 2001, p. 270 © 2001 da Academy of Management. Reproduzido com a autorização da Academy of Management Review, via Copyright Clearance Center. Cultura Organizacional, Socialização e Orientação Assistida Capítulo 2 59 A diversidade das relações de desenvolvimento refl ete a variedade de pessoas dentro de sua rede que um indivíduo usa para ter assistência ao desenvolvimento. Há dois subcomponentes associados à diversidade em rede: (1) o número de pessoas diferentes com quem você está conectado e (2) os vários sistemas sociais dos quais advêm as relações em rede (por exemplo, empregador, escola, família, comunidade, associações profi ssio- nais e afi liações religiosas). Como foi mostrado na Figura 2-4, a diversidade de relações de desenvolvimento varia de baixa (poucas pessoas ou sistemas sociais) a alta (muitas pessoas ou sistemas sociais). A intensidade das relações de desenvolvimento refl ete a qualidade das relações entre você e aqueles envolvidos em sua rede de desenvolvimento. Por exemplo, fortes vínculos refl etem relações baseadas em interações fre- qüentes, reciprocidade e afeto positivo. Vínculos fracos, em contrapartida, baseiam-se mais em relações superfi ciais. Juntos, a diversidade e a força de suas relações de desenvolvimento resultam em quatro tipos de redes de desenvolvimento (ver Figura 2-4): receptiva, tradicional, oportunista e empreendedora. Uma rede de desenvolvimento receptiva é composta por poucos vínculos fracos de um sistema social como seu empregador ou uma associação profi ssional: o traçado oval em torno de D1 e D2 na Figura 2-4 indica dois desenvolvedores que vêm de um sistema social. Em contraste, uma rede tradicional contém poucos vínculos fortes entre um fun- cionário e desenvolvedores que vêm todos de um sistema social. Uma rede empreende- dora, que é o tipo mais forte de rede de desenvolvimento, é formada por vínculos fortes entre váriosdas pessoas com deficiência (PCDs) nas organizações. Consideraram-se três dimensões do processo de socialização: biográfica, relacional e organizacional. Identificou-se ações de busca de domínio do trabalho, ações de integração ao grupo de trabalho e ações de conhecimento dos valores da organização realizadas pelas próprias PCDs. As organizações não tinham táticas de socialização sistematizadas. Ficou evidenciada a associação positiva entre táticas de socialização individualizadas e percepção de ações de adequação das práticas e condições de trabalho. N