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GT 9 – O CRESCIMENTO DA CRIANÇA Objetivo geral: compreender o crescimento fisiológico e as principais patologias que interferem no crescimento da criança. Objetivos específicos: 1. Conhecer os fatores intrínsecos e extrínsecos que influenciam o crescimento e a velocidade de crescimento da criança nas diversas fases da vida. 2. Compreender a abordagem da baixa estatura, em particular no sexo masculino, a nível da atenção primária de saúde. 3. Definir e classificar desnutrição (Marasmo e Kwashiorkor), citando os fatores de risco e prevenção. 4. Conhecer a epidemiologia, fatores de risco, consequências e tratamento não- farmacológico da obesidade infantil. 5. Compreender a abordagem das infecções respiratórias de repetição na infância, fatores de risco e formas de prevenção. CRESCIMENTO DA CRIANÇA O crescimento deve ser monitorado desde a vida intrauterina e, nessa fase, é feito pela ultrassonografia obstétrica. Após o nascimento, altura e peso devem ser aferidos até os 18 anos, colocando os resultados nas curvas de crescimento para avaliar se o padrão de crescimento da criança está adequado. VELOCIDADE DE CRESCIMENTO É a quantidade, em centímetros, que uma criança deve crescer em determinado período e é expresso em centímetros por ano. • Nascimento: 50 cm (♀) e 49 cm (♂) • 1º ano de vida: 25 cm (15 cm no 1º trimestre) • 2º ano de vida: 12 cm/ano • 3º ano: 8 cm/ano ESTATURA-ALVO É um critério para avaliar se o percentil de crescimento em que a criança está é ou não esperado para aquela criança, com base na altura de seus pais. A fórmula matemática para calculá-la é: • Meninas: Altura da mãe (cm) + Altura do pai (cm) – 13 / 2 • Meninos: Altura da mãe (cm) + Altura do pai (cm) + 13 / 2 Considera-se normal uma variação de ± 5 cm. FATORES QUE INFLUENCIAM NO CRESCIMENTO • Durante os primeiros 2 anos de vida, os fatores que mais influenciam no crescimento são os fatores nutricionais e ambientais • Na fase pré-púbere, que vai até o início da puberdade, os fatores genéticos e hormonais têm maior relevância FATORES INTRÍNSECOS • Genética • Fatores do sistema neuroendócrino (lesões hipotalâmicas, puberdade precoce, hipogonadismo hipogonadotrófico e baixa estatura por déficit ou resistência ao GH) FATORES EXTRÍNSECOS Ambientais: • Pré-natal: saúde materna (alimentação, infecções, tabagismo, uso de álcool e drogas) • Pós-natal: alimentação, imunização, relações com o meio (exposição ao uso de drogas, doenças infecciosas, traumas físicos) Alimentação • Consumo de muitos produtos industrializados • Aleitamento materno exclusivo eficaz e duradouro Higiene • Lavagem das mãos • Banho frequente • Limpeza de ferimentos Habitação • Saneamento básico • Segurança no bairro e dentro de casa • Tipo de habitação • Quantidade de pessoas que dividem IDADE ÓSSEA A avaliação de quanto tempo ainda resta de crescimento é feita pelo exame de idade óssea realizando um raio-x de mãos e de punhos. GT 9 – O CRESCIMENTO DA CRIANÇA Esse resultado é comparado com resultados que mostram os diversos padrões de amadurecimento dos ossos, ilustrando os detalhes de cada fase, desde o princípio quando os ossos vão surgindo, crescendo, se entrelaçando, até se unirem totalmente, quando o adolescente chega aos 18 anos de idade indicando que não há mais espaço para crescimento. Além de fatores genéticos, diversas situações caracterizadas por falta ou excesso de hormônios alteram a idade óssea. Como exemplo: • Podem acelerar o crescimento: obesidade, puberdade precoce, hiperplasia adrenal congênita, hipertireoidismo • Podem retardar o crescimento: deficiência de hormônio de crescimento, hipotireoidismo, atraso da puberdade, excesso de glicocorticoide Saber a idade óssea de uma criança ou adolescente é importante para o diagnóstico e acompanhamento dos distúrbios de crescimento. BAIXA ESTATURA A baixa estatura (BE) é o paciente com estatura abaixo de -2 em relação à média da população, dependendo de diversos fatores e pode ter diversos significados. Entre os diagnósticos, tem-se: • Baixa estatura familiar: a idade óssea é compatível com a idade cronológica. A criança tem BE quando comparada à população de referência, mas a VC está normal e a estatura é adequada para o padrão familiar. Criança está de acordo com a janela familiar. • Retardo constitucional do crescimento e da puberdade: está associado ao atraso da idade óssea e puberal em relação a idade cronológica. Não precisa se preocupar, pois a criança vai crescer. • Baixa estatura patológica (pós-natal): ocorre por desnutrição, endocrinopatias congênitas, doenças crônicas e doenças genéticas de manifestações tardias. • Baixa estatura idiopática (pré-natal): relacionada com os fatores intrínsecos da gestação (vascularização da placenta, nutrição do feto e hormônios como insulina), e síndromes genéticas (déficit de crescimento). Para diferenciar a baixa estatura familiar da de retardo constitucional, sabe-se que na BEF a idade óssea está normal e o alvo genético está baixa. No RCCP, o alvo genético está normal, mas a idade óssea está atrasada. DESNUTRIÇÃO A desnutrição energético-proteica (DEP) é um problema de saúde pública global, especialmente em crianças menores de 5 anos. Entre os principais fatores de risco, tem-se: • Pobreza extrema leva a insegurança alimentar grave, provendo uma dieta com baixa qualidade e quantidade, sendo insuficiente para as necessidades diárias básicas • Precário conhecimento das mães sobre os cuidados com a criança pequena (alimentação, higiene e cuidados com a saúde de uma forma geral) • Fraco vínculo mãe-filho • Não cumprir o aleitamento materno exclusivo por pelo menos 6 meses Entre as classificações de desnutrição, existe a desnutrição primária e secundária. • Desnutrição primária: é a desnutrição ambiental/comportamental que ocorre por desequilíbrio entre a demanda e a oferta de nutrientes (ex: edematosa e não edematosa) • Desnutrição secundária: Quando a desnutrição é secundária a uma doença/injúria, pode-se usar o termo “desnutrição relacionada a doença” e incluir a condição como diretamente responsável pelo desequilíbrio nutricional, por exemplo, DEP associada a cardiopatias congênitas, doença celíaca ou síndrome da imunodeficiência adquirida. Quanto a gravidade, a desnutrição pode ser classificada de acordo com as formas clínicas: edematosa e não edematosa GT 9 – O CRESCIMENTO DA CRIANÇA EDEMATOSA (KWASHIORKOR) • É uma deficiência proteica. Tem consumo de carboidratos, mas não de proteínas • Geralmente ocorre no paciente de 1 a 3 anos de idade e possui maior taxa de letalidade • É caracterizada pela presença e acúmulo de líquido no espaço extracelular, que leva a edema bilateral e ascendente, podendo ser caracterizada por cruzes • Outras manifestações clínicas são a dermatose, com lesões hipo e hiperpigmentadas podendo ou não ter ulcerações na pele, e a despigmentação do cabelo, com mudança da textura, brilho e listras brancas horizontais (sinal da bandeira), irritabilidade, apatia e perda do apetite. • Crianças tendem a ficar mais apáticas NÃO EDEMATOSA (MARASMO) • É uma deficiência calórica, afetando principalmente o componente somático • Pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais frequente em crianças menores de 12 meses • É caracterizado pela perda de massa muscular e gordura subcutânea • O paciente geralmente apresenta: distensão abdominal, irritabilidade, anorexia ou sinais de fome, apatia, perda da bola gordurosa de Bichat, fontanela anterior deprimida, olhos fundos, perda da elasticidade cutânea, diarreia crônica e atraso global no desenvolvimento neuropsicomotor OBESIDADE EPIDEMIOLOGIA A obesidade infantil vem crescendo de forma acentuada em idadescada vez mais precoces, tornando-se um problema de saúde pública. Em 2019, dados nacionais mostram que 3 a cada 10 crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso no país. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade e a OMS, o Brasil estará na 5ª posição no ranking de países com o maior número de crianças e adolescentes com obesidade em 2030, com apenas 2% de chance de reverter essa situação se nada for feito. COMORBIDADES Por ser uma doença crônica, a obesidade apresenta comprometimento psíquico-social e clínico na criança e no adolescente. Acarreta constrangimento, dificuldades nas atividades físicas, comprometimento no aprendizado, ansiedade, depressão e isolamento social, além das repercussões clínicas, que corroboram para maior risco de doenças cardiovasculares e mortalidade precoce. Quanto maior o grau de obesidade, maior as consequências nos diversos sistemas do organismo: • Alterações endócrinas (dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2, hiperandrogenismo, comprometimento da massa óssea) • Alterações cardiovasculares (hipertensão arterial, comprometimento de função e estrutura cardíaca) • Alterações pulmonares (apneia obstrutiva do sono, asma, síndrome de hipoventilação) • Alterações hepáticas (doença gordurosa hepática não alcóolica) • Alterações renais (nefropatia diabética, nefroesclerose hipertensiva, esclerose glomerular e urolitíase) GT 9 – O CRESCIMENTO DA CRIANÇA TRATAMENTO NÃO-FARMACOLÓGICO O tratamento da obesidade deve ter uma abordagem ampla, sequencial, dinâmica e multidisciplinar. A individualização de condutas e estratégias é fundamental para o sucesso terapêutico. A educação nutricional do paciente e da sua família, as orientações quanto à prática da alimentação saudável e atividade física são os pilares do tratamento não farmacológico, e são conhecidas como orientações de mudanças de estilo de vida. Dentro dessas intervenções relacionadas às mudanças no estilo de vida, orienta-se a redução do consumo de alimentos industrializados, como bebidas açucaradas, a redução do consumo de gorduras de origem animal e o incentivo do aumento do consumo de frutas e vegetais. PREVENÇÃO A intervenção precoce é fundamental, pois crianças obesas têm maior tendência a se tornarem adultos obesos. Para isso, é preciso garantir uma alimentação saudável, evitando alimentos industrializados, gordurosos e doces, além de incentivar a atividade física. Essas são tarefas necessárias e dependem do envolvimento dos pais ou responsáveis pela criança, pois ela precisa se sentir motivada. Uma das primeiras medidas preventivas para obesidade infantil tem início na gestação. Os estudos de programação metabólica apontam para a importância no controle de ganho de peso excessivo na gestação e no controle das doenças crônicas, como a obesidade e o diabetes gestacional. Ações preventivas de elevado impacto no combate à obesidade: • O aleitamento materno é umas das mais importantes medidas de prevenção primária para reduzir os índices de obesidade infantil • Deve ser feita a introdução de uma alimentação complementar adequada e balanceada • Garantir o seguimento da puericultura, especialmente nos primeiros 2 anos de vida • Promoção de incentivo a educação nutricional e a práticas de atividade física envolvendo o núcleo familiar FATORES DE RISCO A obesidade infantil pode ser influenciada por diversos fatores de risco. Alguns dos principais incluem: 1. Genética: a predisposição genética pode aumentar a probabilidade de uma criança desenvolver obesidade. 2. Hábitos alimentares: consumir alimentos ricos em calorias, açúcares e gorduras, bem como lanches frequentes e porções grandes. 3. Inatividade física: falta de exercício regular e tempo excessivo gasto em atividades sedentárias. 4. Ambiente familiar: se os pais ou outros membros da família têm excesso de peso, a criança pode estar mais propensa a também desenvolver obesidade. 5. Fatores socioeconômicos: as condições socioeconômicas, que podem ter como consequência o acesso limitado a alimentos saudáveis ou oportunidades para atividades físicas. 6. Comportamento dos pais: modelagem inadequada de hábitos alimentares e estilo de vida pelos pais. 7. Consumo de bebidas açucaradas: refrigerantes e sucos com alto teor de açúcar. 8. Fatores psicológicos: estresse, ansiedade e depressão podem influenciar os hábitos alimentares e o ganho de peso. INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS DE REPETIÇÃO NA INFÂNCIA DIANÓSTICO As infecções respiratórias de repetição (IRR) acometem um número significativo de crianças com menos de seis anos de idade. Os critérios mais utilizados para definição de IRR são: • Ausência de quaisquer doenças de base que justifiquem as infecções de repetição (imunodeficiência primária ou secundário, fibrose cística, malformações das vias aéreas, síndrome dos cílios imóveis) • Presença de, no mínimo, uma das seguintes condições: 1. Seis ou mais infecções respiratórias por ano 2. Uma ou mais infecções respiratórias mensais 3. Três ou mais infecções anuais do trato respiratório inferior As IRR tendem a ocorrer pelo aumento da exposição a agentes infecciosos do meio ambiento nos primeiros anos de vida. Desta forma, as características, gravidade e duração das infecções são semelhantes àquelas GT 9 – O CRESCIMENTO DA CRIANÇA apresentadas por crianças normais, não havendo acometimento de outros sistemas. FATORES DE RISCO • Frequentar creche ou escolinha • Irmãos mais velhos • Exposição à fumaça de cigarro • Poluição atmosférica • Casa com muitas pessoas • Baixo nível socioeconômico PREVENÇÃO Para prevenir infecções respiratórias de repetição (IRR) em crianças, existem algumas medidas importantes que podem ser adotadas: 1. Higiene pessoal: Lave as mãos com frequência e evite tocar o rosto, especialmente após entrar em contato com objetos e superfícies compartilhados, como maçanetas e interruptores 2. Evite locais fechados e aglomerados: A exposição a muitas pessoas em ambientes fechados pode aumentar o risco de infecções respiratórias. Mantenha uma boa ventilação e evite permanecer em locais com aglomeração 3. Hábitos saudáveis: Mantenha uma alimentação balanceada, pratique atividades físicas e durma bem. Esses hábitos contribuem para fortalecer o sistema imunológico 4. Vacinação completa: Certifique-se de que a criança esteja com todas as vacinas em dia, incluindo as vacinas contra a gripe, coqueluche e pneumonia 5. Evitar a fumaça de cigarro: a fumaça destrói os cílios nasais, que é uma medida importante de defesa do organismo. https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/ https://www.spsp.org.br/como_abordar_a_crianca_com_infeccao_respiratoria_de_repeticao/