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NUTRIÇÃO NOS 
CICLOS DA VIDA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar as doenças crônicas não transmissíveis e os multifatores pre-
ditores relacionados.
 > Explicar o papel da nutrição na prevenção das doenças crônicas não trans-
missíveis.
 > Reconhecer as necessidades dietéticas identificadas no tratamento das 
doenças crônicas não transmissíveis.
Introdução
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) são uma preocupação crescente 
em todo o mundo, pois afetam a qualidade de vida das pessoas e contribuem 
para maiores morbidade e mortalidade. Essas doenças incluem problemas car-
diovasculares, diabetes, obesidade, câncer, doenças respiratórias crônicas e 
doenças renais crônicas. Elas são influenciadas por fatores de risco modificáveis, 
como estilo de vida, dieta inadequada, tabagismo, consumo excessivo de álcool, 
sedentarismo e exposição a substâncias nocivas. 
No Brasil, as DCNTs são responsáveis por uma parcela significativa das causas 
de morte, tornando-se essencial implementar estratégias nutricionais para o seu 
controle e prevenção.
Neste capítulo, você vai aprender sobre DCNTs, seus fatores de risco, bem 
como as estratégias nutricionais para prevenção e seu tratamento nutricional.
Nutrição nas 
doenças crônicas 
não transmissíveis
Andressa Cabral de Miranda
Doenças e fatores relacionados
As DCNTs representam grande problema de saúde pública em todo o mundo; ao 
longo do tempo, desempenham um impacto negativo na qualidade de vida das 
pessoas afetadas e contribuem para um aumento expressivo da morbidade e 
mortalidade, sendo responsáveis por 63% da mortalidade mundial (WHO, 2011). 
Apesar de atingirem todas as camadas socioeconômicas, estão mais 
presentes em países em desenvolvimento e em grupos vulneráveis, o que 
acarreta maior incapacidade redução da força de trabalho (Bloom et al., 2011). 
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde apontam que as DCNTs correspondem 
a 72% das causas de morte e que 45% da população relatam ter ao menos 
um tipo de DCNT (Brasil, 2014).
Por sua característica crônica, o desenvolvimento torna-se gradual ao 
longo do tempo, sendo amplamente influenciadas por uma série de fatores 
de risco modificáveis e não modificáveis. A identificação e a compreensão 
desses preditores são essenciais para o planejamento e a implementação de 
estratégias eficazes de prevenção e controle dessas condições de saúde. O 
Quadro 1, a seguir, apresenta os principais preditores associados às DCNTs.
Quadro 1. Preditores associados às doenças crônicas não transmissíveis
Estilo de vida 
sedentário
A falta de atividade física regular é um fator de risco 
significativo para o desenvolvimento de diversas 
DCNTs, como doenças cardiovasculares, obesidade 
e diabetes melito. O sedentarismo está cada vez 
mais presente na sociedade moderna, seja devido à 
natureza do trabalho, ao uso excessivo de dispositivos 
eletrônicos ou à falta de espaços adequados para a 
prática de atividade física.
Dieta inadequada
O consumo excessivo de alimentos com alto teor 
calórico, ricos em gorduras saturadas, açúcares e sal, 
aliado à baixa ingestão de frutas, vegetais e alimentos 
naturais, está associado ao aumento do risco de 
obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares e 
diabetes. A dieta desequilibrada também contribui 
para o desenvolvimento de certos tipos de câncer.
Tabagismo
O hábito de fumar é um dos principais fatores de risco 
para o desenvolvimento de diversas DCNTs, como 
doenças cardiovasculares, câncer de pulmão, doenças 
respiratórias crônicas e doenças renais. O tabagismo é 
uma das principais causas de morte evitável em todo 
o mundo.
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis2
Consumo excessivo 
de álcool
O consumo abusivo de bebidas alcoólicas está 
associado a várias doenças, incluindo doenças 
hepáticas, doenças cardiovasculares, câncer e 
distúrbios mentais. A quantidade e a frequência do 
consumo são fatores determinantes para o impacto 
negativo na saúde.
Exposição a 
substâncias 
nocivas
A exposição ocupacional ou ambiental a substâncias 
químicas e tóxicas pode aumentar o risco de 
várias DCNTs. Por exemplo, a exposição a agentes 
carcinogênicos está associada a diferentes tipos de 
câncer.
Predisposição 
genética
Alguns indivíduos possuem uma predisposição 
genética que os torna mais suscetíveis a 
desenvolverem certas DCNTs, como diabetes 
tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. 
Essa predisposição pode interagir com os fatores 
ambientais e comportamentais, influenciando o 
desenvolvimento da doença.
Idade e histórico 
familiar
O envelhecimento é um fator não modificável que 
contribui para o aumento do risco de desenvolvimento 
de DCNTs. Além disso, pessoas com histórico familiar 
de determinada doença têm maior probabilidade 
de apresentarem fatores de risco semelhantes 
e, portanto, maior risco de desenvolver a mesma 
condição.
Condições 
socioeconômicas 
Grupos vulneráveis com condições socioeconômicas 
precárias têm maior exposição a diversos fatores 
de risco para as DCNTs, como falta de acesso a uma 
alimentação saudável, atividade física limitada e 
menor acesso aos serviços de saúde.
A identificação desses fatores preditores e o entendimento de como eles 
interagem no contexto individual e populacional são fundamentais para a 
formulação de políticas públicas efetivas de promoção da saúde e prevenção 
das doenças crônicas não transmissíveis. Educação em saúde, incentivos para 
adoção de estilos de vida saudáveis, políticas de restrição ao tabagismo e ao 
consumo excessivo de álcool, além de estratégias para melhoria do ambiente 
alimentar, são alguns dos caminhos para reduzir a incidência e o impacto das 
DCNTs no mundo contemporâneo.
Os preditores modificáveis devem ser o principal foco de tratamento e 
mudança de comportamento na prática clínica, como estilo de vida, dieta ina-
dequada, tabagismo, consumo excessivo de álcool, sedentarismo e exposição 
a substâncias nocivas, visto que as DCNTs são um conjunto de doenças que 
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis 3
inclui problemas no aparelho circulatório, hipercolesterolemia, obesidade, 
diabetes, câncer e doença respiratória crônica e pode levar ao aumento da 
morbimortalidade.
As doenças cardiovasculares representam a maior causa de mortes em 
todo o mundo. De grande importância, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) 
é uma condição em que a pressão exercida pelo sangue nas paredes das 
artérias é persistentemente elevada, e um dos fatores que representam 
maior preocupação é a ausência de sintomas evidentes. Sua importância 
deve-se ao fato de que a HAS é fator de risco para o desenvolvimento de 
doenças cardiovasculares, como doença coronariana, insuficiência cardíaca, 
acidente vascular cerebral e doença arterial periférica, bem como para doença 
renal crônica. Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da HAS. 
Alguns deles são fatores de risco não modificáveis, como idade avançada, 
histórico familiar e predisposição genética. No entanto, a maioria dos casos 
de hipertensão arterial está relacionada a fatores de risco modificáveis 
(Barroso et al., 2021).
O diabetes melito e a obesidade estão diretamente associados à falta de 
prática de atividade física e à dieta desequilibrada, isto é, com alto teor de 
energia, gorduras saturadas, cereais refinados, além de corantes, conser-
vantes e outros produtos sintéticos. Em grande parte, o atual cenário dessas 
doenças é causado pelo excesso de industrialização da comida, pela ausência 
de espaços para prática de atividade segura e pelo pouco tempo disponível 
dentro da rotina da população (Almeida-Pititto et al., 2023).
O câncer também afeta uma gama de órgãos e tecidos. Os principais 
fatores de risco também incluem o estilo de vida, como tabagismo, consumo 
excessivo de álcool, exposição a substâncias carcinogênicas, dieta pobre em 
frutas e vegetais, falta de atividade física e obesidade (Brasil, 2020).
As doenças respiratórias crônicas, como a doença pulmonar obstrutivacrônica (DPOC) e a asma, as doenças renais crônicas e as doenças do sistema 
digestivo, embora tenham causas específicas, muitas vezes compartilham fa-
tores de risco semelhantes, como tabagismo, má alimentação e sedentarismo.
Frente aos prejuízos na saúde da população e no sistema de saúde, o 
Brasil tem desenvolvido medidas para reduzir as DCNTs, principalmente no 
que tange a estratégias nutricionais. Dessa forma, uma recente pesquisa que 
analisou tendências de mortalidade por DCNT no Brasil prevê que haja uma 
queda de 25% de DCNTs até 2025 (Malta et al., 2019). 
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis4
No Brasil, foi desenvolvido um plano de ações estratégicas para o 
enfrentamento das DCNTs que contempla ações e metas com o obje-
tivo de reduzir a mortalidade por essas doenças. Acesse o site do Governo para 
saber mais ou busque por “Plano de ações estratégicas para o enfrentamento 
das doenças crônicas e agravos não transmissíveis no Brasil — 2021-2030”. 
Estratégias nutricionais na prevenção das 
DCNTs
Os principais fatores de riscos associados às DCNTs compreendem fatores 
modificáveis do estilo de vida, e a alimentação saudável desempenha um 
papel fundamental na prevenção. Nutrientes específicos desempenham um 
papel crucial nesse contexto, sendo necessário compreender suas implicações 
para a prevenção e o controle dessas doenças. É importante considerar a 
alimentação como um todo e a influência do conjunto de alimentos ingeridos 
na rotina do indivíduo. Entretanto, pode-se destacar determinados nutrientes 
que têm papel de destaque nesse processo.
Para ler mais sobre a tendência de mortalidade no Brasil por DCNT, 
faça uma busca pelo artigo “Probabilidade de morte prematura por 
doenças crônicas não transmissíveis, Brasil e regiões, projeções para 2025” 
(Malta et al., 2019). 
As fibras alimentares, presentes em alimentos como frutas, legumes, 
cereais e grãos integrais e leguminosas, podem ajudar na prevenção da 
obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. As fibras solúveis são 
capazes de formar géis que proporcionam saciedade e auxiliam no controle 
da glicemia (Cuppari, 2009).
Vitaminas e minerais, de forma geral, atuam como antioxidantes, em des-
taque as vitaminas C e E, além de betacaroteno, selênio e diversos pigmentos 
presentes nos alimentos in natura. Os antioxidantes neutralizam os danos 
causados pelos radicais livres, reduzindo o risco de DCNTs. Os ácidos graxos 
ômega-3, encontrados em peixes de água fria, como salmão e sardinha, bem 
como em nozes e sementes de linhaça e chia, têm sido associados à redução 
do risco de doenças cardiovasculares, especialmente ao ajudar a diminuir os 
níveis de triglicerídeos (Phillippi; Aquino, 2017). 
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis 5
A redução do consumo de gorduras saturadas, presentes em alimentos de 
origem animal, como carnes gordurosas, pode diminuir o risco de doenças 
cardiovasculares. É recomendado limitar a ingestão dessas gorduras, dando 
preferência a gorduras monoinsaturadas, encontradas em azeite de oliva, 
abacate e oleaginosas, e poli-insaturadas, encontradas nos óleos vegetais 
(Cuppari, 2009).
O controle do consumo de sódio reduz o risco de desenvolver HAS. O sódio 
é encontrado no sal de cozinha, mas sua maior contribuição atualmente é 
no consumo de alimentos ultraprocessados, que têm como objetivo serem 
hiperpalatáveis e, com isso, concentram grande quantidade de cloreto de 
sódio, glutamato monossódico, além de aditivos alimentares a base desse 
mineral. Da mesma forma, o consumo de açúcares nesses produtos pode 
conferir um grande risco à saúde, principalmente porque são utilizados nomes 
não compreensíveis pela população geral para descrever o açúcar na lista 
de ingredientes, como, por exemplo, sacarose, glicose, xarope de glicose, 
dentre outros. Portanto, uma alimentação para prevenção das DCNTs deve 
incluir a redução de alimentos ultraprocessados e fast-foods (Brasil, 2014).
O Guia Alimentar para População Brasileira é uma ferramenta fundamental 
no combate às doenças crônicas não transmissíveis e tem como objetivo 
principal orientar a população sobre práticas alimentares saudáveis, con-
tribuindo para a promoção da saúde e a prevenção de diversas condições 
crônicas que afetam milhões de brasileiros (Brasil, 2014).
De modo informativo e educativo, o Guia proporciona diretrizes claras 
e baseadas em evidências científicas para uma alimentação equilibrada e 
saudável. Suas recomendações têm o propósito de contribuir para a adoção 
de hábitos alimentares mais adequados, priorizando alimentos in natura 
ou minimamente processados, evitando o consumo excessivo de alimentos 
ultraprocessados e estimulando a prática de uma alimentação mais variada 
e rica em nutrientes.
Dentre as principais diretrizes do Guia Alimentar para a População Bra-
sileira (Brasil, 2014), destacam-se os 10 passos para alimentação saudável.
1. Fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da 
alimentação — Isso significa dar preferência ao consumo de alimentos 
frescos que passaram por pouquíssimo processamento, como frutas, 
verduras, legumes, grãos integrais, carnes frescas, ovos, leite e seus 
derivados sem adição de açúcares, sal ou gorduras, pois esses ali-
mentos são ricos nutricionalmente e contribuem para uma alimentação 
equilibrada.
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis6
2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades — Esses 
alimentos são ricos em sódio, carboidratos simples e devem ser utili-
zados apenas para preparar os alimentos, em pequenas quantidades. 
3. Limitar o consumo de alimentos processados — Alimentos como pães, 
queijos e compotas e conservas devem ter seu consumo limitado, pois 
têm sua composição nutricional alterada.
4. Evitar o consumo de alimentos ultraprocessados — Evitar ou reduzir 
ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados, como refrige-
rantes, salgadinhos, bolachas recheadas, entre outros, que são ricos 
em açúcares, gorduras saturadas e aditivos químicos, e pobres em 
nutrientes essenciais.
5. Comer em companhia sempre que possível — Valorizar o ato de se 
alimentar e fazer refeições em companhia de outras pessoas sempre 
que possível. A convivência durante as refeições estimula o compar-
tilhamento de sabores e favorece uma alimentação mais equilibrada.
6. Fazer compras em locais que ofertem variedades de alimentos in natura 
ou minimamente processados — Priorizar fazer compras em feiras livres 
e mercados que ofereçam variedade de alimentos frescos e saudáveis, 
dando preferência a alimentos locais e da estação.
7. Desenvolver habilidades culinária — Aprender a cozinhar em casa 
permite que você tenha controle sobre os ingredientes e o modo de 
preparo das refeições. Desenvolver habilidades culinárias possibilita 
um ambiente alimentar mais saudável.
8. Planejar suas refeições — Planeje as refeições, pois isso ajuda a evitar 
o consumo de alimentos pouco saudáveis por falta de opções. Monte 
cardápios equilibrados com antecedência e faça uma lista de compras, 
dando à alimentação o tempo que ela merece.
9. Dar preferência, quando fora de casa, a locais que servem refeições 
feitas na hora — Deve-se evitar fast-foods e priorizar preparações mais 
caseiras que utilize, pouco ou nenhum aditivo alimentar.
10. Ser crítico em relação à publicidade de alimentos — Estar atento às es-
tratégias de marketing utilizadas pela indústria alimentícia, preferindo 
escolhas baseadas em informações nutricionais e evitando o consumo 
excessivo de produtos pouco saudáveis anunciados de forma atrativa.
Nesse sentido, a nova rotulagem nutricional possibilita maior transparên-
cia de informação para o consumidor, já que propõe que todos os produtos 
ultraprocessados apresentem em sua rotulagem frontal um alerta para “alto 
teor de açúcar”, “alto teor de gordura saturada” e “alto teor de sódio”.
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis 7
Há um vídeo da Agência Nacional de VigilânciaSanitária (Anvisa) 
no YouTube que explica de forma prática sobre as novas regras 
de rotulagem nutricional. Faça uma busca por “Novas regras de rotulagem 
nutricional de alimentos”. 
Tratamento nutricional das DCNTs
O tratamento das diferentes DCNTs envolve abordagens nutricionais es-
pecíficas e necessidades nutricionais diferentes que visam a controlar os 
sintomas, reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. 
As abordagens podem ser tanto qualitativas quanto quantitativas do ponto 
de vista nutricional.
Na HAS, o principal objetivo é controlar a pressão arterial, bem como 
minimizar os agravos relacionados à essa doença, como, por exemplo, infarto 
agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, doenças cerebrovasculares, 
doença arterial periférica, nefropatia e retinopatia hipertensiva (Barroso et 
al., 2021).
Um dos pilares do tratamento da HAS consiste em controle de peso e 
redução da gordura visceral. O aumento de peso corporal está diretamente 
relacionado ao aumento da pressão arterial tanto em adultos quanto em 
crianças. A gordura visceral é considerada um fator de risco para HAS e, para 
sabê-la, pode-se medir o perímetro da cintura. A meta de peso corporal deve 
ser estimulada para a manutenção do índice de massa corporal (IMC) 70%). Além disso, as fibras dietéticas 
também estão associadas à uma redução da pressão arterial, e o consumo 
de frutas e hortaliças é inversamente proporcional aos níveis de pressão 
arterial (Barroso et al., 2021).
A terapia nutricional na HAS é tão importante quanto no diabetes melito. 
Independentemente do tempo de diagnóstico da doença, a terapia nutri-
cional é uma parte essencial do tratamento do diabetes em todas as suas 
fases. A intervenção nutricional pode retardar ou até mesmo prevenir o 
desenvolvimento do diabetes melito tipo 2 (DM2) em pessoas em risco, além 
de contribuir para a prevenção de suas complicações por meio do controle 
glicêmico eficiente. 
Além da prescrição dietética, o manejo nutricional também deve levar 
em consideração a parte comportamental, colocando o indivíduo no centro 
do cuidado. Avaliar suas preferências, limitações e recursos é fundamental 
para adaptar as recomendações e estabelecer um plano de ação conjunto, 
envolvendo o paciente na tomada de decisões.
As principais recomendações nutricionais para o tratamento do diabetes 
têm como objetivo controlar os níveis de glicose no sangue e melhorar a 
qualidade de vida do indivíduo. Essas orientações são importantes para 
ajudar a manter a glicemia dentro de faixas adequadas, prevenir complicações 
associadas ao diabetes e promover uma alimentação saudável. O Quadro 2 
apresenta as recomendações nutricionais da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis 9
Quadro 2. Recomendações nutricionais no tratamento no diabetes melito
Restrição calórica 
e perda de peso
Para pessoas com pré-diabetes e sobrepeso 
ou obesidade, é recomendada a restrição 
calórica, associada à prática de atividade física, 
visando à perda de peso e à redução do risco 
de desenvolver DM2. A perda de pelo menos 5% 
do peso corporal inicial é recomendada para 
melhorar o controle glicêmico em pessoas com 
DM2 que apresentam sobrepeso ou obesidade.
Consumo de fibras Consumo de 25-30 g por dia para pessoas com 
pré-diabetes, pois está associado a um menor 
risco de desenvolver DM2
Bebidas açucaradas A redução do consumo de bebidas contendo 
açúcares, sejam naturais ou adicionados, é 
recomendada devido à associação dessas 
bebidas com maior risco de desenvolver DM2.
Restrição de carboidrato É recomendado que pessoas com DM2 sigam uma 
dieta balanceada, com restrição de carboidratos 
simples ou refinados de rápida absorção. 
A redução de carboidratos totais pode ser 
considerada para melhora do controle glicêmico 
em pessoas com pré-diabetes ou DM2.
Índice glicêmico e 
carga glicêmica
Pode ser considerada para melhorar o controle 
glicêmico em pessoas com DM2, especialmente 
quando os alimentos são consumidos de forma 
isolada.
Proteínas e gorduras Consumo de proteínas, entre 15 e 20% do valor 
energético total, e a priorização do uso de 
ácidos graxos mono e poli-insaturados são 
recomendados. A ingestão de gorduras deve 
ser cuidadosamente avaliada, priorizando 
as gorduras saudáveis e evitando o consumo 
excessivo de gorduras saturadas.
Fibras dietéticas 
e suplementos 
nutricionais
O uso de fibras dietéticas na quantidade 
adequada (14 g/1.000 kcal) e suplementos 
nutricionais especializados para diabetes podem 
ser considerados como adjuvantes.
Programas para 
mudança de 
estilo de vida
São recomendados para melhorar a adesão, a 
redução de peso e o controle glicêmico.
Fonte: Adaptado de Almeida-Pititto et al. (2023).
Nutrição nas doenças crônicas não transmissíveis10
Por se tratar de uma doença multifatorial, o tratamento da obesidade 
pode ser complexo e envolve uma abordagem nutricional individualizada que 
visa a promover a perda de peso de forma saudável e sustentável, além de 
melhorar a qualidade de vida do indivíduo. Vale ressaltar que o tratamento 
da obesidade deve ser personalizado, levando em consideração as caracte-
rísticas individuais de cada pessoa, como idade, gênero, estado de saúde, 
preferências alimentares e estilo de vida. 
O tratamento inclui uma redução moderada na ingestão calórica, au-
mento do consumo de alimentos com maior densidade de nutrientes e menor 
densidade de energia, além do aumento do consumo de alimentos ricos em 
fibras e da adoção de um padrão alimentar saudável e sustentável a longo 
prazo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Obesidade (ABESO, 2016), as 
principais recomendações nutricionais são as seguintes.
 � Redução do consumo calórico de maneira equilibrada.
 � Aumento do consumo de alimentos saudáveis, in natura ou minima-
mente processados, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, 
proteínas magras e laticínios com baixo teor de gordura. Esses alimen-
tos são ricos em nutrientesessenciais e promovem maior saciedade.
 � Dietas de muito baixas calorias (

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