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Psicopedagogas & Neuropsicopedagogas Andréia Torquato Villela Zilcléia de O. A. Ferreira PROVAS PROJETIVAS NO DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO J U L H O 2 0 1 9 Jorge Pedro Luis Visca (Buenos Aires, 14 de maio de 1935 — Buenos Aires, 23 de julho de 2000) foi um psicólogo social argentino. Graduou-se, também, em Ciências da Educação. Foi o divulgador da Psicopedagogia no Brasil, Argentina e Portugal e o criador da Epistemologia Convergente, que propunha uma atividade clínica voltada para a integração de três frentes de estudo da psicologia: Escola de Genebra (Psicogenética, de Piaget), Escola Psicanalítica (Freud) e Psicologia Social (EnriquePichonRivière). Fundou centros psicopedagógicos em Buenos Aires, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Salvador. Atuou como consultor e assessor na formação de profissionais em diversos centros de estudos psicopedagógicos em universidades do Brasil e da Argentina. Em 2008 foi nomeado pela ABPp – Associação Brasileira de Psicopedagogia como Associado Honorário, in memorium, pelas valiosas contribuições deixadas como legado à Psicopedagogia no Brasil. QUEM FOI JORGE VISCA Para a avaliação da dimensão afetiva , Jorge Visca propõe as TÉCNICAS PROJETIVAS PSICOPEDAGÓGICAS no livro indicado a seguir: Clínica Psicopedagógica. Epistemología Convergente (1985) Diagnóstico Operatorio en la Práctica Psicopedagógica Niños Adolescentes y Adultos Psicopedagogía Teoría Clínica Investigación El Esquema Evolutivo del Aprendizaje Técnicas Proyectivas Psicopedagógicas y Las Pautas Gráficas para su Interpretación Psicopedagogía Nuevas Contribuciones Introducción a los Juegos Lógicos en el Tratamiento Psicopedagógico La Psicopedagogía, El error, Los grupos operativos, Los ámbitos,El aprendizaje, El desarrollo del pensamiento a Suas obras Visca, J. Técnicas projetivas psicopedagógicas e pautas gráficas para sua interpretação. Tradução de Jacqueline Andréa Glaser. Buenos Aires: Visca & Visca, 2008. Essas técnicas foram reunidas por Visca no livro Técnicas proyectivas psicopedagogicas, publicado na Argentina em janeiro de 1994. Visca publicou Pautas gráficas para la interpretacion de las técnicas proyectivas psicopedagogicas, ambos com edição do próprio autor. Em 2008, os dois livros foram reunidos em um só para a edição brasileira, a qual foi traduzida por Jacqueline Andréa Glaser (pedagoga e psicopedagoga). Em Setembro de 1998 Quando Jorge Visca começou a ministrar cursos no Brasil (década de 1980), ele se deparou com a legislação brasileira em relação à utilização de instrumentos de testagem de uso exclusivo de psicólogos. Como o curso de Clínica Psicopedagógica, ministrado por Visca nos Centros de Estudos Psicopedagógicos fundados no Brasil, era de formação livre para graduados em Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia e áreas afins, havia obstáculos legais que impediam a utilização de alguns instrumentos por estudantes não graduados em Psicologia. A maneira encontrada pelos alunos para superar essa limitação foi estabelecer parcerias entre duplas de pedagogo e psicólogo, fonoaudiólogo e psicólogo, e assim por diante, formando equipes de avaliadores. Embora essa prática tenha sido muito bem aproveitada na época, aproximando profissionais de diferentes áreas, não se mostrava muito eficiente no cotidiano dos atendimentos por questões até mesmo geográficas. Ao ler toda a realidade brasileira, Visca mobilizou-se e, possivelmente, sentiu-se provocado a transpor o obstáculo sem desrespeitar a nossa legislação. Passou a estudar a temática, o que o levou a organizar uma obra interessantíssima e uma ferramenta diagnóstica eficaz e criativa, que promove muitas reflexões e discussões. Segundo Visca (2008), as técnicas projetivas psicopedagógicas têm como objetivo investigar a rede de vínculos que um sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: O escolar, 2. O familiar 3. O Consigo mesmo. 1. Essa é a referência principal para o estudo de instrumentos para a dimensão afetiva, segundo a Teoria da Epistemologia Convergente. Em todos estes, o que interessa ao psicopedagogo é o vínculo com as situações de aprendizagem. TÉCNICAS PROJETIVAS PSICOPEDAGÓGICAS TÉCNICAS PROJETIVAS DO PONTO DE VISTA DA PSICOLOGIA As Técnicas Projetivas, do ponto de vista da Psicologia, são aquelas que envolvem o uso de estímulos ambíguos e não-estruturados sobre os quais os sujeitos projetam sua personalidade, atitude, opiniões e autoconceito para dar ao material alguma estrutura (DONOGHUE,2000). O conceito de “Projeção” vem da Psicanálise, sendo definido por Freud como “o simples desconhecimento (...) por parte do sujeito de desejos e emoções não aceitos como seus, dos quais é parcialmente inconsciente e cuja existência atribui à realidade externa” (ANZIEU, 1978, p.21). Em outras palavras, “Projeção” corresponde a um mecanismo de defesa do ego pelo qual as pessoas atribuem a outros traços considerados negativos de sua própria personalidade. Embora tenham sido criadas dentro da Psicologia Clínica com o objetivo de diagnosticar e tratar pacientes com transtornos emocionais e de personalidade, gradativamente essas técnicas despertaram o interesse de outras áreas e foram sendo adaptadas e incorporadas por ciências como a Psicologia Social, a Sociologia, as Ciências Políticas, a Antropologia, a Administração de Empresas e o Marketing. De acordo com Selltiz (1987): “O USO DE TÉCNICAS PROJETIVAS DEVE SER FEITO COM PARCIMÔNIA, POIS ELAS NÃO SÃO UMA PANACÉIA PARA RESOLVER TODOS OS PROBLEMAS DE COLETA DE INFORMAÇÕES DIFÍCEIS: RARAMENTE SE EMPREGA APENAS UM RECURSO, SENDO NECESSÁRIA UMA COMBINAÇÃO DE OUTRAS TÉCNICAS PARA SE CHEGAR A UMA COMPREENSÃO MAIS COMPLETA DO QUE SE PRETENDE INVESTIGAR.” (SIQUEIRA 2007:P.98) Os testes podem ser classificados por suas características externas, pelo modo de aplicação e pelo aspecto avaliado. Por suas características externas, podemos agrupar em de lápis e papel e de performance, o que implica certas manipulações; pelo modo de aplicação podem ser individuais ou coletivos, e pelo aspecto avaliado, são classificadas em de eficiência e de personalidade. Por sua vez os testes de personalidade podem categorizar-se em: questionários, testes objetivos de personalidade e técnicas projetivas. Já se usavam técnicas projetivas antes de 1939, mas foi Lawrence K. Frank quem nesse ano designou pela primeira vez com este nome um grupo de provas cuja característica principal consiste em que "... evoca do sujeito o que é, em distintos modos, a expressão do seu mundo pessoal e dos processos de sua personalidade" Já o termo projeção foi utilizado pela primeira vez em psicologia por Freud em 1804. Freud se refere em seus trabalhos, tanto à projeção patológica como à normal. A esta classe de projeção pertencem o animismo e a superstição. Neste campo é difícil prosseguir com medições quantitativas. Não são muitos os testes de personalidade que podem ser considerados "métricos", pois têm mais uma característica "clínica", vale dizer que seus resultados são interpretáveis em função de teorias e da experiência. Estes testes não métricos e interpretáveis em função de teorias e da experiência são os que comumente se denominam testes projetivos. Assim, por exemplo, quando se trata de um teste projetivo de lâminas com imagens, a pessoa deve construir um relato no qual projeta sobre certos personagens, e no que há em volta deles, sua própria imagem das coisas e do mundo. RISCOS E DESVANTAGENS Com relação aos riscos, um dos pontos de questionamento dos críticos das Técnicas Projetivas refere-se à confiabilidade da informação, o que pode ser minimizado pela triangulação metodológica. Combinando as técnicasprojetivas com outras formas de investigação, como questões diretas, dentre outras, evidencia-se o valor das informações obtidas. Outro ponto também colocado como risco ou desvantagem no uso das Técnicas Projetivas corresponde à sua complexidade de aplicação e, especialmente, de análise. Quanto à aplicação, deve-se ter em mente que isso demanda tempo dentro da discussão e, para algumas das técnicas, um preparo prévio; e, além disso, que pacientes que podem apresentar dificuldades para se envolver com a proposta, tendo assim o rapport um papel fundamental. Com relação à análise, o risco está na interpretação das informações coletadas, o que demanda capacitação e experiência dos profissionais envolvidos nessa análise. TÉCNICAS PROJETIVAS PSICOPEDAGÓGICAS TÉCNICAS PROJETIVAS DO PONTO DE VISTA DA PSICOPEDAGOGIA As técnicas projetivas psicopedagógicas aqui expostas têm como objetivo geral investigar a rede que um sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o escolar, o familiar consigo mesmo. Em cada um desses domínios - com diferenças individuais - possível reconhecer três níveis, em relação ao grau de consciência, dos distintos aspectos que constituem um vínculo: neste caso, o vínculo de aprendizagem. Entretanto, concentramos a atenção na eficácia e nas limitações dos recursos empregados pelo paciente para organizar sua descarga emotiva, isto é, determinamos a solvência dos relatos; e as grafias para conter e liberar os afetos que o estímulo desperta. Nesta perspectiva, registramos a peculiar modalidade com a qual a inteligência trata o objeto, o reconhece e o associa com sua experiência. o discrimina na sua própria legalidade e o utiliza convenientemente no ponto de coincidência com sua necessidade. Para o diagnóstico dos problemas de aprendizagem, interessa especialmente o exame dos conteúdos manifestos nos protocolos e sua relação com os sentimentos ou de medo associados às situações representadas. A interpretação de cada técnica projetiva deve ser realizada em função do sujeito em particular. Não é necessário aplicar todas as provas, somente aquelas que se considerem necessárias em função do que se observou• Observar que os critérios para interpretação devem somar-se aos critérios gerais do diagnóstico para interpretação das provas. Há um nível inconsciente, no qual um conjunto de conteúdos não é reconhecido, e apesar da sua tentativa de emergir para o campo pré-consciente ou consciente, permanece ignorado. Um nível pré- consciente, cujos conteúdos e mecanismos, sem ser estritamente inconscientes, escapam ao campo de consciência e podem ter acesso ao mesmo. E um nível consciente no qual os conteúdos e mecanismos, as percepções internas e externas são conhecidas e representáveis em pensamentos, palavras, desenhos, etc. As provas projetivas psicopedagógicas, como seu nome indica, tratam de desvendar quais são as partes do sujeito depositadas nos objetos que aparecem como suportes da identificação e que mecanismos atuam diante de uma instrução que obriga o sujeito a representar-se situações estereotipadas e carregadas emotivamente. Fonte: Visca, 2008, p. 22. Nesse quadro você tem a oportunidade de visualizar quantas possibilidades existem. Em relação ao item “Idade” que aparece no Quadro , cabe assinalar que se trata de uma referência de idade inicial para a aplicação da técnica. Leia-se: “a partir de tal idade já é possível aplicar a técnica e obter resultados significativos”. A SEGUIR QUADRO PANORÂMICO DOS DIFERENTES DOMÍNIOS COM SUAS CORRESPONDENTES TÉCNICAS PROJETIVAS E S OBJETIVOS DE CADA UMA (descritas por Visca) S M O SE FAZ NECESSÁRIO CONSIDERAR A POSIÇÃO DOS DESENHOS COM UM CRITÉRIO DE ESTRUTURA CLÍNICA, VALE DIZER TENDO EM CONTA TODOS OS ASPECTOS QUE INTERFEREM - LATERALIDADE, SISTEMA DE ESCRITA ESQUERDA- DIREITA, DE CIMA PARA BAIXO, ETC. - SE PODEM CONSIDERAR 9 POSIÇÕES, COMO INDICADORES DE CERTOS TRAÇOS QUE CARACTERIZAM OUTROS TANTOS VÍNCULOS DE APRENDIZAGEM. AS POSIÇÕES NA FOLHA ADVERTÊNCIA Mesmo que para o PSICOPEDAGOGO CLÍNICO seja totalmente desnecessário o comentário a seguir, possivelmente por um excesso de precaução seja útil não deixar de mencionar: · Que a interpretação de cada técnica projetiva deve ser feita em função do sujeito em particular de quem se trata, vale dizer com um sentido de «estrutura clínica», ou seja, em função do total de informação obtida. · Que o total de técnicas aqui expostas não significa a necessidade de utilização de todas, mas, que o adequado é usar só aquelas consideradas necessárias em função das interrogações que o psicopedagogo tenha formulado, o que pode significar: a) que seja aplicada só uma prova, b) que sejam utilizas algumas provas de alguns domínios, c) que sejam aplicadas todas as provas de um único domínio ou d) que sejam aplicadas todas as provas, o que não é comum e tem mais um sentido de investigação do que de diagnóstico. · Que certos indicadores de uma técnica se sobrepõem aos de outra ou outras, apesar de terem sido expostos no corpo do texto, o quanto são significativos em função dessa técnica. · Que os critérios interpretativos sugeridos para cada prova aqui exposta devem somar-se aos critérios gerais para a interpretação das provas projetivas. · Que os indicadores e significados encontrados não implicam uma questão exaustiva e fechada que não dê lugar a dúvidas; cada especialista pode realizar novos descobrimentos ampliando o espectro de indicadores e significados. · Que mesmo que o verdadeiro valor das técnicas projetivas psicopedagógicas seja o de um instrumento de investigação individual, ou seja, singular para cada indivíduo, vale a pena empreender estudos transversais e longitudinais de amostras de populações com diferentes variáveis contextuais, que proporcionem critérios interpretativos orientadores. (retirado do livro TÉCNICAS projetivas) Desde o início dos tempos, o desenho tem sido o meio de comunicação por excelência. As crianças começam a criar formas e a se expressar por meio do desenho desde muito pequenas. Como qualquer outra atividade, as diferentes etapas do desenho infantil marcam o crescimento e o desenvolvimento da criança. No desenho infantil, o desenvolvimento acontece em dois aspectos. O primeiro aspecto está relacionado com o aspecto cognitivo. À medida que a criança reconhece objetos ela memoriza e aprende as formas. Assim, a criança consegue transferir esse conhecimento para o papel. Ou, no pior dos casos, para as paredes, para o chão… e por aí vai. O segundo aspecto está relacionado ao desenvolvimento das habilidades motoras finas. Esse tipo de habilidade é aquele que exige o uso dos músculos pequenos das mãos e dos antebraços. São atividades que exigem maior precisão e refinamento. O desenho, claramente, é um deles. O desenho infantil contém uma representação simbólica muito forte daquilo que a criança vê do mundo, enquanto ser social e cultural, inserida num contexto e num determinado nível de desenvolvimento, por norma de acordo com a faixa etária em que se situa. Henry Luquet um filósofo francês (1876-1965), foi um dos primeiros estudiosos do ponto de vista da evolução cognitiva da criança através do desenho. Ele procurou compreender como é que a criança desenhava, e quais a intenções e interpretações que a criança deva às suas produções. Piaget um epistemólogo suíço (1896-1980) quando começa a interpretar o desenvolvimento do desenho livre/espontâneo da criança, segue as pisadas de Luquet, aliás adota os estágios propostos por este, e estuda os desenhos da criança do ponto de vista da representação do espaço. O DESENHO INFANTIL SUAS ETAPAS E ANÁLISE CARACTERÍSTICAS DAS ETAPAS DO DESENHO INFANTIL EM QUE FASE ESTAMOS? Esse aprendizado ocorre gradualmente. Em seguida, analisaremos os estágios pelos quais uma criança podepassar até desenvolver plenamente suas habilidades artísticas como desenhista. 1. RABISCOS OU GARATUJAS Ocorre aproximadamente a partir de 2 anos de idade. No começo, o bebê não presta atenção ao que ele faz e essa fase é chamada rabiscos desordenados. Neste momento o bebê não controla os movimentos e não tenta representar nada. Mais tarde, por volta dos 3 anos de idade, começa a fase dos rabiscos ordenados. Embora a criança continue fazendo formas, a coordenação começa a melhorar pouco a pouco e ela começa a ter um pouco mais de firmeza para segurar o lápis. Em seguida, as crianças passam a nomear essas formas mesmo que elas não pareçam “um cachorro” ou “uma casa”. Por isso, essa fase também é chamada realismo fortuito. Na última fase deste estágio, aparece o rabisco com nome. Neste momento, a criança já pretende desenhar uma determinada situação ou objeto. Embora ainda não seja possível identificar o que está registrado na folha de papel, a criança já elabora formas de acordo com o que pretende desenhar. Essa fase é chamada de “realismo falhado”. EXEMPLOS: Com três anos e como a criança ainda não tem controle dos braços e da mão, e como faz movimentos amplos de ir e voltar, temos as "Garatujas Desordenadas". Nesta fase a figura humana é inexistente ou pode aparecer no desenho como forma imaginária, e na maioria das vezes a criança só usa uma cor no desenho. Um pouco mais tarde, à garatuja que a criança faz, é feita uma atribuição por esta. Pode ser o pai, a mãe, ou outros. É a fase das "Garatujas Nomeadas ou Ordenadas". É também nesta fase que a criança começa a desenhar círculos, às vezes de várias cores, em várias partes da folha. Estes círculos que inicialmente aparecem como "meias luas", ficam mais tarde completamente fechados, o que constitui um fator importante para a preparação do desenho da figura humana, já que a criança já é capaz de controlar os músculos da mão e do braço. Passamos agora para o desenvolvimento da Figura Humana: A primeira representação da figura humana é muito rudimentar. Surge através de um círculo grande com riscos que partem do chamado "círculo irradiado". Mais tarde começa a "fase girino". A figura humana é composta por um círculo grande, a cabeça, onde se colocam os olhos e a boca. Da cabeça partem os braços e as pernas (quando as há). Ocorre quando as crianças têm entre 4 e 7 anos de idade. Neste momento os desenhos começam a ganhar formas mais reconhecíveis. Geralmente, a criança tenta desenhar formas humanas para representar a si mesma ou a sua família fazendo alguma atividade. Algo importante nessa fase é que os desenhos deixam de ser elementos isolados e passam a ter certa organização. Uma linha horizontal delimita o chão, a base de todo o resto, e o sol e as nuvens aparecem em cima, no céu. Além disso, as cores começam a aparecer. As cores vão ter alguma relação com a realidade, embora, na verdade, dependa mais das preferências de cada um. “No estágio pré-esquemático, após os 4 anos de idade, os desenhos começam a ganhar formas mais lógicas 2. ESTÁGIO PRÉ-ESQUEMÁTICO Exemplos: Na fase chamada de Pré-esquematismo que corresponde ao período pré- operatório de Piaget, a criança começa a representar a figura humana, de acordo com os conhecimentos que tem do seu próprio corpo. Aqui, o corpo (pernas) já aparece ligado à cabeça, e as pernas são na generalidade longas, porque a criança precisa delas para andar, correr e brincar. As cores começam a aparecer, mas ainda sem relação com a realidade. Depende do estado emocional da criança. Na fase do Esquematismo, que corresponde à fase das operações concretas de Piaget, o desenho da figura humana sofre algumas alterações. A cabeça diminui em relação ao corpo e braços e pernas podem ser ou mais curtos ou mais compridos. Podem aparecer os cabelos, as orelhas, nas mãos aparecem os dedos em forma de "bola" ou grossos e compridos, e os pés podem ser mais compridos e finos. É nesta fase que ocorre a descoberta das relações quanto à cor, o que faz com que apareça a figura humana "vestida" de verde, amarela, vermelha etc. 3. FASE ESQUEMÁTICA Exemplos: Na fase chamada de Pré-esquematismo que corresponde ao período pré- operatório de Piaget, a criança começa a representar a figura humana, de acordo com os conhecimentos que tem do seu próprio corpo. Aqui, o corpo (pernas) já aparece ligado à cabeça, e as pernas são na generalidade longas, porque a criança precisa delas para andar, correr e brincar. As cores começam a aparecer, mas ainda sem relação com a realidade. Depende do estado emocional da criança. Como o nome indica, nessa fase o objetivo é ser o mais fiel possível com a realidade. Ocorre, geralmente, entre os 8 e 12 anos de idade. São incorporados aspectos como a sobreposição, a terceira dimensão e os detalhes de cada objeto. As crianças dessa idade já não desenham mais de forma bidimensional com os pés, orelhas e nariz de perfil como faziam antes. Elas também param de desenhar nas paredes ou desenhar bolsas transparentes que mostram o que está dentro. À medida que a criança cresce, a precisão para coordenar os movimentos melhora, e consequentemente, a sua capacidade de desenhar. O Realismo corresponde ao final da fase das operações concretas de Piaget. como existe uma consciência maior do sexo, a figura humana aparece tanto como menino ou como menina, com a acentuação das roupas para a diferenciação do sexo. Há uma acentuação da relação da cor com a realidade, bem como uma acentuação do emocional na produção. 4. FASE DO REALISMO Por volta dos seis anos, é a fase em que o desenho da criança passa para a fase dos esquemas, sejam eles de figuras humanas ou dos objetos. É o Pseudo Naturalismo, que corresponde ao período das operações abstratas de Piaget. O esquema é uma forma básica que a criança desenha o que quer ou o que necessita. Existe o esquema da flor, da casa, do carro, da figura humana e outros, com acentuação das expressões. Há ainda uma maior consciencialização do uso da cor, podendo ser objetiva ou subjetiva. Ressalva-se que estes estádios/fases não são estáticos. Existem crianças que saltam algumas fases de desenvolvimento, e existem crianças que param de se desenvolver por vários fatores que influenciam a sua vida, e até de acordo com o gosto particular de cada uma. Várias são as provas e técnicas que têm como instrução a execução gráfica do esquema corporal. Observamos, em primeiro lugar, que cada sujeito apresenta um "modelo" peculiar de configuração ao qual acrescenta os atributos que diferenciam o sexo, a idade e a tipologia. O modelo se organiza de acordo com as imagens e com a operatividade de que o sujeito é dotado para coordená-las em cada nível de sua evolução e, dentro deste marco genético, podem interpretar-se as desproporções, confusões, carências, etc. O corpo é um instrumento de ação sobre o mundo e, quando o sujeito o desenha, representa este instrumento por esse meio. A criança desenha a si mesma sozinha porque é o seu corpo que ela desenha. Uma criança pode desenhar um olho vazio (o lugar do olho), um olhar, ou um olho enfeitado para "ser visto”; tal é a sequência na evolução, mas o exame de protocolos demonstra a enorme dispersão que apresentam estes padrões depois de adquiridos. Consideremos o exemplo mais simples da criança que desenha a figura humana com uma perna mais comprida que a outra. Poderíamos perguntar-nos se esta criança representou um capenga, se desenhou um homem com pernas diferentes ou se desenhou pernas sem prestar atenção ao comprimento. Temos uma idade em que tal disposição é normal, mas, depois, vamos preferir a hipótese de, que a criança não assumiu a dimensão e a simetria, que tais fatores equilibrantes não entram na sua construção de imagens, e que, portanto, estas resultam incongruentes e empobrecidas. Geralmente se interpreta que a criança representa o seu desequilíbrio desenhando uma perna mais comprida que a outra; melhor seria dizer queé o desequilíbrio o que se apresenta no seu desenho; ou melhor, é o desequilíbrio que desenha. As grafias são as responsáveis pelo fato de a lógica do objeto (simetria proporção, identidade) ser a mais deteriorada nos casos de um problema de aprendizagem, já que o sujeito não desenvolve justamente aquelas estruturas que lhe permitem coordenar a realidade. Na medida em que sabemos que o sujeito é possuidor destas estruturas, esta disfunção pode parecer um encobrimento, sendo que a criança que não aprende só esconde uma coisa, e esta coisa é que ela sabe. DESENHO DA FIGURA HUMANA Tributária do adulto, a criança também o é ao nível dos meios. Ela só pode produzir na medida em que aquele lhe forneça instrumentos e materiais. Nesse aspecto, o aparecimento do que se chama arte infantil foi condicionado pela evolução das técnicas gráficas e plásticas, e pela difusão cada vez maior do papel e do lápis, ocasionada pela baixa do custo de fabricação desses produtos. Isso explica por que um estudo sobre o desenho infantil não possa remontar longe no tempo. Produto caro, o papel foi durante muito tempo reservado para um uso mais rentável; a criança não podia dispor dele livremente e tinha que se contentar com suportes mais efêmeros como a areia. Portanto, só podemos esboçar hipóteses sobre os primeiros desenhos de nossos ancestrais. O auxílio de instrumentos e materiais novos modificou profundamente o estilo infantil. Basta pensar no aparecimento da caneta hidrográfica, que invadiu as escolas maternais e viu surgir um tipo de grafismo muito particular, ao mesmo tempo que uma tendência à miscelânea, com certas crianças utilizando sistematicamente todas as cores. O tamanho das folhas de papel também contribui para a liberação da expressão infantil. Estamos longe agora do minúsculo rabisco na margem do caderno escolar; o gesto pode expandir-se e a criança tomar consciência do espaço e suas possibilidades. EVOLUÇÃO DAS TÉCNICAS GRÁFICAS E PLÁSTICAS Como a elaboração do sistema gráfico é paralela à evolução psicomotora, convém adotar um processo progressivo e evolutivo que leve em conta o fato de que a criança está em perpétua mutação: "tudo o que diz respeito à criança (suas experiências, sentimentos crescimento...) atua sobre essa evolução dos signos da linguagem plástica”. Tal evolução se faz por etapas, no decorrer das quais observam- se regressões a um estágio anterior do grafismo, regressões significativas de um distúrbio profundo ou de uma crise passageira. A criança zangada rabisca com energia, a angustiada barra com traços negros o desenho que acabou de fazer. Tais regressões podem produzir-se tanto de um desenho para outro como dentro do mesmo desenho, com um personagem — geralmente o irmãozinho ou a irmãzinha cuja existência não é aceita — recebendo um grafismo mais rudimentar. A interpretação de um desenho — isolado do contexto em que foi elaborado e de outros desenhos, como outros instrumentos de avaliação entre os quais se inscreve — é, portanto, nula. Ocorre com o desenho o mesmo que com a imagem cinematográfica, que recebe seu sentido das imagens que a precedem e a seguem: determinado, pormenor só se torna pertinente retrospectivamente, pela repetição do mesmo tema ou redundância formal. Neste caso, é toda a dinâmica do sistema de signos que deve ser considerada. A casa torna-se corpo, rosto, a chaminé nariz, fálus. O signo se enriquece, torna-se outro sem, todavia, perder suas significações anteriores. Daí uma verdadeira espessura do signo, que só é legível na série completa de suas transformações e acréscimos. O sistema ressoa sobre si mesmo; as produções reagem sobre ela sem que se abandone o sentido primário, o corpo que se torna casa, sem por isso deixar de ser corpo; o sol dá lugar ao leão, ou ao polvo, cada vez acrescentando à imagem nova toda a riqueza de suas conotações sucessivas. Mutações gráficas e plásticas, jogos de imagens análogos aos jogos de palavras: a função poética drena a cadeia de significantes, operando transferências e condensações. DESENHO E EVOLUÇÃO CARACTERÍSTICAS DO ESPAÇO INFANTIL Para representar o espaço, a criança utiliza dois processos: o plano deitado e a transparência, processos que ela partilha com certas formas de arte chamadas primitivas, assim como com certos pintores contemporâneos como Klee ou Mirò. Desses dois processos, o mais complexo é sem dúvida o plano deitado, na verdade um falso plano deitado — como observa Piaget —, já que a criança ignora todo espaço projetivo e não pode fazer a experiência necessária a esse espaço: dobrar e desdobrar planos. Entre os diversos tipos de irradiação, já citamos o plano deitado irradiante. Mais do que pelas suas leituras, a criança está agora influenciada pelas imagens que o mundo moderno lhe propõe constantemente. Publicidade, cinema, televisão, revistas em quadrinhos assaltam constantemente a criança; as formas coloridas apoderam-se de seu subconsciente, agindo sobre ela mais profundamente ainda que sobre o adulto, cujo espírito não é mais novo e registra menos espontaneamente a diversidade do espetáculo perceptivo. Muito cedo, o universo da criança é modelado pelo mass-média, basta pensar na importância da televisão nos desenhos para medir a amplitude do fenômeno. Os cartazes publicitários atraem o olhar da criança: grafismo despojado, cores vivas, formato grande, impressionam vivamente sua imaginação, visto que a elaboração da imagem publicitária apela para mecanismos inconscientes. Alguns publicitários não se enganaram com isto, chegando até a criar "clubes" onde as crianças fabricam cartazes e slogans publicitários. Animada por um pensamento concreto, direto e sugestivo, a criança não se contenta em dar uma simples ficha característica do produto; ela apresenta o objeto encarnado numa situação precisa que o toma afetivamente indispensável. O realismo intelectual leva-a a representar as quatro cores de uma caneta, apresentar de maneira concreta as vantagens da compra de um produto. Reencontramos aqui o processo de dramatização comum ao sonho e a muitas imagens publicitárias. A linguagem publicitária encontra, pois uma linguagem carregada de imagens próximas à das crianças. Fato significativo, as emissões televisadas mais apreciadas por elas são os "spots" publicitários; a criança aprecia particularmente os "sketches" de leitura simples e fácil. Não é, pois, surpreendente que o desenho seja povoado por heróis de novelas ou de histórias em quadrinhos, e a imprensa infantil e o desenho animado desempenham aqui um papel incontestável. Quanto à história em quadrinhos, ela influencia a criança não somente ao nível dos temas, mas também no plano da forma; elementos próprios da história em quadrinhos (adjunção de textos, de balões, história seguida e dividida em episódios, mais raramente figuração de onomatopeias) são encontrados no grafismo infantil, quer se trate de um empréstimo deliberado ou encontrado, e o recurso sistemático efetua-se quase sempre no meio escolar e sob as injunções do professor, permanecendo eminentemente complexa a técnica da história em quadrinhos. As produções infantis participam desta "cultura pobre" cuja importância apenas se começa a perceber e que a escola quase sempre ignora, quando não a exclui deliberadamente, desprezando estes modos de expressão "selvagem" que se desenvolvem à margem dos circuitos da cultura tradicional. Desprezo e recusa tanto mais graves do que admitir a autenticidade destes novos modos de expressão, "isto implica uma revisão do próprio conceito de cultura (e de seu estatuto na civilização de massa): a cultura não deve ser a salvaguarda das 'velhas chaves da sabedoria' (ou no caso da França das velhas manchas do oficio), mas a busca de uma nova consciência em face da civilização industrial que constitui o único meio cultural de uma maioria crescente de população". Esta cultura pobre constitui precisamente o meio ondese desenvolve a mentalidade infantil; ela age sobre a criança mais profundamente que sobre o adulto que já se submeteu às duras provas da escolarização, da tradição e das ideias recebidas. Se quisermos compreender a "civilização infantil", seria preciso, por nossa vez, "limpar as portas da percepção" (William Blake), liberar- nos deste saber livresco e esclerosado que "mascara a estrutura do novo mundo onde já vivemos O ESPAÇO TOPOLÓGICO INFLUÊNCIA DOS MASS-MÉDIA A ATUALIDADE O desenho infantil reflete também o acontecimento, a atualidade. Já podemos observar que a escolha dos assuntos evolui em função do calendário: fenómenos que encontramos no desenho humorístico. Produz-se um retorno periódico e cíclico dos mesmos temas (Papai Noel, pinheiro, boneco de neve). certos temas, aliás, caem em desuso à medida que algumas tradições sociais ocultam-se ou são substituídas por outras (por exemplo, os sinos de Páscoa). A criança parece ceder à utilização de um código social. Mas este impacto do acontecimento — como observa Arno Stern — só funciona quando está ligado a uma preocupação profunda. Assim foi a repercussão do lançamento do "France" sobre a produção infantil: "O objeto ou assunto era de seu repertório habitual, o detalhe é que vinha do exterior”. Encontramos aqui a noção de roupagem figurativa; com relação a isto, os temas citados mais acima são significativos: eles são enxertados nos elementos do repertório infantil: boneco, árvore, navio etc. O problema da referência à atualidade não se coloca, aliás, da mesma maneira nas diferentes idades. De três a cinco anos, esta influência é praticamente nula; a criança tira do repertório clássico temas infantis (figuras humanas, casa, navio, sol, animais etc.). O egocentrismo próprio desta fase isola a criança no seu universo e torna-a pouco sensível às solicitações do universo adulto. Depois dos cinco anos, com a entrada na escola, a aprendizagem da leitura e a descoberta de um universo até então inimaginado amplia-se o repertório da criança. O valor social de alguns objetos e de alguns temas é reconhecido e explorado. O desenho torna-se então o eco dos acontecimentos, modificando ou acentuando a vida social e política que a criança exprime com seus meios técnicos próprios, utilizando um conjunto de estereótipos culturais, profundamente marcados pela ideologia da classe social e do país a que ela pertence. MAIS UM POUCO REFLEXÃO SOBRE AS MUDANÇAS NAS GERAÇÕES DEVIDO AO ACESSO A TELEVISÃO E TECNOLOGIAS DIGITAIS Outra contribuição para a pesquisa dessa DIMENSÃO AFETIVA pode ser encontrada nos estudos da psicopedagoga Ana Maria Zenícola, autora do artigo “O efeito da força da imagem visual sobre a construção simbólica da criança e do adolescente nos tempos atuais. In: Zenícola, A. M.; Barbosa, L. M. S.; Carlberg, S. Psicopedagogia: saberes/olhares/fazeres. São José dos Campos: Pulso, 2007. p. 283-301. Nesse artigo, Zenícola faz um estudo sobre a construção do simbólico e chega à televisão como fonte de aprendizagens na atualidade. A autora apresenta suas reflexões críticas a respeito dessa temática e as ilustra com desenhos que foram realizados por seus clientes em atendimento psicopedagógico no âmbito clínico. Zenícola solicita que a criança ou o adolescente desenhe o seu personagem favorito da televisão e, depois, analisa as relações existentes entre o personagem desenhado e a condição de aprendizagem simbólica da pessoa que fez o desenho. Com base nesse estudo e com os princípios apresentados pelas técnicas projetivas psicopedagógicas organizadas por Visca, a pesquisa resulta na consigna e nos seguintes procedimentos: MATERIAL: LÁPIS PRETO, FOLHA SULFITE BRANCA, BORRACHA E APONTADOR. CONSIGNA: DESENHE O SEU PERSONAGEM PREDILETO. Depois de realizado o desenho, promove-se um diálogo sobre o personagem: de onde o conhece; por que o prefere; quais as características que o personagem apresenta que chamam a atenção; o que o personagem faz ou tem que ele/ela também gostaria de ter ou fazer ou se já tem; se ele/ela faz algo semelhante. Esses comentários são registrados, conduzindo-se o momento com uma atitude clínica. Para a análise, conforme proposto por Visca (2008), utilizam-se indicadores como posição na folha, tamanho do desenho, perspectiva, âmbito, detalhes, relato e pesquisam-se as características do personagem desenhado, entre outras possibilidades. Destacamos que, diferentemente de Zenícola, não precisamos limitar a escolha do personagem predileto à televisão. Isso possibilita que o cliente faça sua opção entre outras influências que recebe em sua realidade. A PESQUISA DAS CARACTERÍSTICAS DO PERSONAGEM DESENHADO PROPICIA O ACESSO ÀS MAIS DIVERSAS TEMÁTICAS OFERTADAS PARA AS CRIANÇAS E PARA OS JOVENS POR MEIO DA TELEVISÃO, DO CINEMA, DO TEATRO, DA LITERATURA, DO ESPORTE, DA INTERNET ETC. ASSIM, COMO CONSEQUÊNCIA, PODEMOS NOS MANTER INFORMADOS E ACOMPANHAMOS O PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO PELO QUAL PASSAM AS GERAÇÕES, ALÉM DAS DIFERENTES INFLUÊNCIAS QUE ATUAM SOBRE ELAS. DESENHO-ESTÓRIA Estamos buscando maneiras de conhecer o indivíduo, sejam crianças, adolescentes e adultos, assim como os simbolismos que trazem em seus desenhos. Investigar quem é esta criança, suas necessidades atuais, seus projetos para o futuro. Podem ser trazidas também por meio da técnica dos desenhos estórias. Esta foi elaborada por WALTER TRINCA ENTRE 1972 E 1976, é um instrumento a mais para a captação das emoções do indivíduo. Poderá ser usado por diferentes profissionais, inclusive nós psicopedagogos, neuropsicopedagoga, pedagogos. Esta investigação usa como recurso os desenhos livres, unidos a uma estória elaborada a partir dos desenhos, gerando a possibilidade de o indivíduo se comunicar simbolicamente, é este fato o mais importante para nós. O Desenho-Estória pode ser realizado em pequenos grupos ou individualmente. Para sua execução, utiliza o desenho e uma estória sobre ele, portanto usa da verbalização ou escrita sobre o desenho realizado. Por usar o desenho acompanhado de uma estória não poderá ser realizado com crianças muito pequenas que não conseguem elaborar ainda estórias. Quando os adultos elaboram suas estórias, podem usar de metáforas na escrita das estórias que elaboram, mas as crianças usam menos deste recurso. Assim, por meio deste recurso, poderemos saber o que cada indivíduo (adulto) tem para nos contar, usando a criatividade em relação aos desenhos, assim como na estória, sendo que quem o realiza pode trazer seu jeito peculiar e único de desenhar e de contar estórias. Com crianças que já conseguem elaborar estórias, podemos ser seus escribas e escrever suas estórias da maneira com que nos contam. As maiores podem escrever suas estórias mesmo que sejam em pequenas frases. Este procedimento poderá ser usado em vários momentos podendo ser realizado no início para avaliação, descobrir o momento atual do sujeito , assim como em situações pontuais, que acontecem no decorrer das intervenções. O desenho-estória traz os conflitos dos indivíduos e também traz os recursos que o indivíduo tem para sua solução. Isso me parece o mais valioso nesse instrumento de investigação: trazer junto com as dificuldades e os conflitos que os indivíduos enfrentam também seu potencial para resolvê-las, dentro da sua esfera de possibilidades, deixando claro como o indivíduo se organiza para solucionar seus problemas e conflitos. Existem várias abordagens a partir das quais podemos usar o desenho-estória de Trinca, sendo uma delas a junguiana a qual abordaremos. Os estudos a partir da teoria junguiana consideram que este procedimento favorece a análise dos possíveis conflitos e complexos afetivos, que podem ser vistos quando se percebe por meio de diferentes bloqueios (Sombra) ou a força produtiva e criativa. Ainda pode nosmostrar e investigar nossa atuação diante dos papéis exercidos na sociedade (Persona). Podendo nos trazer arquétipos que podem ser estudados com a grande mãe, o pai, a alteridade (a partir da anima e animus), além de ser possível trabalhar com os outros temas arquetípicos, como casamento, crescimento, nascimento e morte. Desta forma, poderá trabalhar com o que fica na sombra e não é trazida à consciência. Com o que deixamos no inconsciente, a criança quando desenha traz do seu inconsciente suas aflições, situações não resolvidas, medos e ansiedades, assim como traz situações prazerosas, alegres que ficaram contidas. O procedimento do desenho estória acontece da seguinte maneira; Devemos dar ao indivíduo uma folha de papel e nela deve-se fazer um desenho. Logo após a realização do desenho, é contada (quando a criança não consegue escrever, mas já elabora estórias) ou escrita uma estória sobre ele e deve ser dado um título ao desenho- estória. Caso achemos necessário, posteriormente poderemos fazer algumas perguntas sobre o desenho. Estas etapas devem ser realizadas em uma sequência, sem intervalos. Este procedimento tem resultado satisfatório trazendo à tona muitos elementos importantes e que podem ser vistos e trabalhados e se se fizer necessário encaminhar para um psicólogo. Desta maneira, conseguimos ajudar a quem desenha e, ao mesmo tempo, mostrar a ela suas potencialidades. CADA DESENHO TEM UM SIGNIFICADO QUE SE SEGUE: PRIMEIRO DESENHO - pode ser entendido como uma auto apresentação da criança, tem uma característica "pedagógica": a produção acontece com desenhos que a criança já fez alguma vez e que já são comuns a ela. Por vezes, demonstram a preocupação pela crítica do outro, que advêm de uma crítica interna. SEGUNDO DESENHO - ele marca o que é denominado como "um encaminhamento ao conflito". Quando faz o segundo desenho, há uma queda na barreira de quem desenha, isso é, a defesa da criança está mais amena, sua produção é mais genuína e própria de cada criança. O desenho, portanto, é mais solto deixando que se comece a ver os conflitos ou as dificuldades. TERCEIRO DESENHO — é considerado o "desenho do conflito". Nele surgem os conflitos inconscientes, mais significativos. A criança deixa vir à tona os seus conflitos por meio dos símbolos contidos no que desenha. QUARTO E QUINTO DESENHOS – significaria as “possibilidades de resolução dos conflitos". Estas soluções trazidas por meio do desenho podem ser reais ou imaginarias, sendo possível, ainda, dar sinais de algum prognóstico para a situação, mostrando que há possibilidades de ação diante das dificuldades, dos medos ou dos conflitos. Para a realização dos desenhos, devemos deixar a criança, o adolescente ou mesmo o adulto bem à vontade para fazer seus desenhos e suas estórias. A conversa posterior sempre é esclarecedora, possibilitando entender melhor as questões apontadas nos desenhos e nas estórias. Esta investigação também pode ser realizada em relação à família, sendo o mesmo procedimento, mudando-se somente o tema, sendo que, com os desenhos de família e estória, serão quatro desenhos realizados e não cinco como o desenho-estória. Sendo que teremos: Primeiro desenho - desenhe uma família qualquer. Segundo desenho — desenhe uma família que você gostaria de ter. Terceiro desenho - desenhe uma família em que você não está bem. Quarto desenho - desenhe sua família. Sempre após cada desenho, deverá ser contada e/ ou escrita uma estória referente ao desenho, podendo ser entendido como uma maneira de investigar como a criança se vê e se situa dentro de sua família. Este procedimento é bastante revelador e nos direciona aos conflitos ou mesmo nos possibilita visualizar a pessoa em questão, o momento que está vivendo e as possíveis dificuldades que está enfrentando. Podemos, portanto, sugerir que seja realizado em momentos pontuais, como início na avaliação ou ainda quando se percebe que a criança está em uma situação conflitante. Cabe ainda realizar este procedimento com jovens ou adultos, sempre tendo um objetivo específico para usá-lo, pois ele vai nos mostrar situações as quais poderemos trabalhar em atividades na clínica ou fazer os encaminhamentos necessários IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO Fernández (1990) afirma que o diagnóstico, para o terapeuta, deve ter a mesma função que a rede para um equilibrista. É ele, portanto, a base que dará suporte ao psicopedagogo para que este faça o encaminhamento necessário. É um processo que permite ao profissional investigar, levantar hipóteses provisórias que serão ou não confirmadas ao longo do processo recorrendo, para isso, a conhecimentos práticos e teóricos. Esta investigação permanece durante todo o trabalho diagnóstico através de intervenções e da "...escuta psicopedagógica...", para que "...se possa decifrar os processos que dão sentido ao observado e norteiam a intervenção". (BOSSA, 2000, p. 24). É importante também observar três aspectos que fornecerão um sistema de hipóteses a serem verificados em outros momentos do diagnóstico: A temática - é tudo aquilo que o sujeito diz, tendo sempre um aspecto manifesto e outro latente; A dinâmica - é tudo aquilo que o sujeito faz, ou seja, gestos, tons de voz, postura corporal, etc);A forma de pegar os materiais, de sentar-se são tão ou mais reveladores do que os comentários e o produto; O produto - é tudo aquilo que o sujeito deixa no papel.(Id. Ibid., 1987, p. 74) Sobre as provas projetivas Weiss observa que: “O princípio básico é de que a maneira do sujeito perceber, interpretar e estruturar o material ou situação reflete os aspectos fundamentais do seu psiquismo. É possível, desse modo, buscar relações com a apreensão do conhecimento como procurar, evitar, distorcer, omitir, esquecer algo que lhe é apresentado. Podem-se detectar, assim, obstáculos afetivos existentes nesse processo de aprendizagem de nível geral e especificamente escolar” (2003, p. 117). Para Sara Paín, “..o que podemos avaliar através do desenho ou relato é a capacidade do pensamento para construir uma organização coerente e harmoniosa e elaborar a emoção. Também permitirá avaliar a deteriorização que se produz no próprio pensamento”. Esta autora ainda nos diz que o pensamento fala através do desenho onde se diz mal ou não se diz nada, o que oferece a oportunidade de saber como o sujeito ignora (1992, p. 61). DOMÍNIO ESCOLAR Par educativo Eu e meus companheiros Planta da Sala de Aula A representação do campo geográfico da sala de aula e a desejada Vínculo com os componentes da classe Vínculo com aprendizagem 6-7 anos 7-8 anos 8-9 anos PAR EDUCATIVO Prova elaborada por Malvina Oris e Maria Luisa S. de O Campo, a princípio para jovens adolescentes, estendendo-se às crianças. Esta prova foi difundida na Argentina e trazida ao Brasil para aplicação por psicopedagogos e psicólogos. Há três grandes conjuntos de indicadores e suas inter-relações podem oferecer uma pauta interpretativa. Estes conjuntos são: os detalhes do desenho, o título ,do mesmo e o conteúdo do relato, enquanto as imperfeições OBJETIVO: Investigar o vínculo de aprendizagem. MATERIAL: 1 folha de papel sulfite Lápis preto Borracha Régua PROCEDIMENTO: Pede-se ao entrevistado que desenhe duas pessoas: uma que ensina e outra que aprende. Solicita-se - quando tenha terminado o desenho - que indique como se chamam e qual a idade delas. Pede-se que dê um título ao desenho e relate o que está acontecendo nele. Entrevistador: Que título você poderia dar ao desenho? Entrevistado: Uma sala de aula -:; Entrevistador: O que você poderia me contai- que está acontecendo aí? Entrevistado: Para a criança é difícil, porque não gosta, pensa em outra | coisa ou dá um branco. INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Detalhes do desenho;Tamanho total;Tamanhodos personagens;Tamanho dos objetos Posição e distância dos personagens; Posição dos objetos; Distância de ambos os personagens na representação do objeto de aprendizagem e o caráter completivo dos desenhos. ONDE SE POSICIONA: Frente a frente, lado a lado, tamanhos, entre grande muito grande, pequeno e muito pequeno. Docente de costas para turma, ou sem a presença do docente. Corpo do docente inacabado. Simplificação dos personagens FUNDAMENTOS: O vínculo de aprendizagem pode ser abordado investigando a relação com os objetos da aprendizagem, com quem ensina e de quem apende consigo mesmo nesta situação. NOMES E IDADES ASSINALADOS: 'Correspondência com o entrevistado Correspondência com o entrevistador. 1. 2. 3. PAR EDUCATIVO EU E MEUS COMPANHEIROS Elaborada pela Prof. Sara Bozzo de Shettini, que a utilizou de duas maneiras: primeiro na prática psicopedagógica individual, e depois como instrumento coletivo para a elaboração de uma investigação sobre a qual realizou sua tese de licenciatura em psicopedagogia. Nesta prova a inclusão do docente não é comum e pode representar duas situações bem opostas: um vínculo muito positivo e sua localização em uma situação de paridade com os demais componentes do grupo ou um vínculo negativo e indiscriminado. Quando é negativo regularmente é vivenciado como um perseguidor, e quando é indiscriminado existe uma notória dificuldade para distinguir os planos do estudo-aprendizagem e as relações de amizade. OBJETIVO: Investigar o vínculo com os colegas de classe! MATERIAL: 1 folha de papel sulfite Lápis preto Borracha Régua PROCEDIMENTO: Solicita-se ao entrevistado que se desenhe com seus colegas de classe. Pede-se ao entrevistado que indique no desenho quem é ele, como se chamam as demais pessoas e qual a idade de cada um. Pode ser solicitado que faça um comentário sobre os colegas. Entrevistador: O que você pode me dizer dos teus colegas? INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Detalhes do desenho; Tamanho total; Tamanho dos personagens; Posição dos personagens Caráter completivo do desenho; Inclusão do docente e Inclusão de personagens externos ao grupo. FUNDAMENTO: Se vê que uma ótima forma de resolver uma situação pode ser recusada por alguém que projeta sobre a forma de resolução ou sobre quem a executa uma relação negativa; assim como o oposto, por isso que o conhecimento de como é vivenciada uma relação grupai é um dado altamente significativo para entender o modo como um educando aprende em seu meio escolar. 1. 2. 3. 4. PLANTA DA SALA DE AULA OBJETIVO: Conhecer a representação do campo geográfico da sala de aula e as localizações, real e desejada, na mesma. MATERIAL: 1 folha de papel sulfite Lápis preto Borracha Régua se houver necessidade PROCEDIMENTO: Solicita-se ao entrevistado que desenhe a planta da sua sala de aula. Pede-se que faça uma cruz no lugar em que se senta. Propõe-se que comente como é a sala de aula. Interroga-se se a escolha é livre ou determinada pelo docente ou pelo grupo. Pergunta-se se ele gostaria de sentar-se em outro lugar e por quê. Sugere-se que indique quem são as pessoas sentadas nos demais lugares e que fale sobre elas. Realizam-se perguntas complementárias que sejam convenientes. .ENTREVISTADOR: CONTE-ME COMO É A SALA. ENTREVISTADOR: O QUE MAIS VOCÊ PODE ME CONTAR? INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Detalhes do desenho; Tamanho total; Elementos incluídos (carteiras, armário, estante, quadro-negro,etc.) ; Tamanho dos elementos; Pessoas (entrevistado, colegas, docente) l Aberturas (porta/s, janela/s); Pôsteres e enfeites. FUNDAMENTO Para a criança expressar-se e incluir em seu comentário um conjunto de dados proveitosos, tanto para compreender a representação que fazem da mesma, como de sua própria localização nela. POSSÍVEIS LOCALIZAÇÕES NA SALA DE AULA: Frente; Meio; Fundo eLateral O sujeito que escolheu Os pais escolheram A família que escolheu REVELAÇÕES SOBRE A SALA DE AULA: Aceitação;Rejeição; Indiferença E objetividade ESCOLHA DO LUGAR NA SALA DE AULA: Pelo aluno, pelo professo(a) ou pelo grupo COLEGAS AO SEU REDOR: Do mesmo sexo; Do outro sexo e ou de ambos os sexos. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. PLANTA DA SALA DE AULA Esta prova permite observar predominantemente dois aspectos: 1- A representação que se tem da mesma, enquanto campo físico 2- A representação que pode ser objetiva ou não - da dinâmica. Ao primeiro aspecto, é importante dizer que de acordo com o Dr. José Bleger, sempre existem três campos: (CG) O GEOGRÁFICO TUDO O QUE ESTÁ, E OCORRE FORA DO SUJEITO (CP) O PSICOLÓGICO QUE SE CONSTITUI COM ESTABILIDADE RELATIVA COMO UM RESULTADO FINAL PRODUTO DA EXPERIÊNCIA VITAL - E O (C.C) DA CONSCIÊNCIA EM QUE SE PRODUZEM AS REPRESENTAÇÕES Outro indicador importante São as diferentes perspectivas utilizadas pelo entrevistado na produção do desenho. Não manter um mesmo ângulo de visão regularmente representa um vínculo de aprendizagem inconstante. DOMÍNIO FAMILIAR Planta da Casa Os quatro momentos do dia Família educativa O vínculo da aprendizagem com o grupo familiar e cada um dos integrantes da mesma Os vínculos ao longo do dia A planta da casa onde habita, sua representação real e desejada 8-9 anos 6-7 anos 6-7 anos A PLANTA DA MINHA CASA OBJETIVO: Conhecer a representação do campo geográfico do lugar em que mora como local real e de desejo dentro dele mesmo. MATERIAL: 1 folha de papel sulfite Lápis preto Borracha Régua PROCEDIMENTO: Solicita-se ao paciente desenhar a planta da sua casa Propõe-se que coloque os nomes me cada ambiente dentro dele mesmo Pede-se que indique de quem é cada quarto e se o compartilha com outras pessoas ( caso de irmãos ou outros familiares) e por que dormem juntos Fazer perguntas complementares que o Terapeuta julgue como necessárias INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: DETALHES DO DESENHO: Tamanho do plano mobília dos espaços inclusão de decoração pessoas espaços fechados e abertos ONDE SE POSICIONA: Central ou periférica próximo ou distante dos pais com função única ou múltipla SOBRE O DORMITÓRIO: Aceitação Rejeição Indiferença objetividade ESCOLHA DO QUARTO: O sujeito que escolheu Os pais escolheram A família que escolheu LOCAL DE ESTUDO: Mobília adequada Livre de barulhos que impeçam a concentração iluminação Tem materiais relacionados ao seu alcance se tem horário de estudo LOCAL DE REUNIÃO FAMILIAR: Onde é Quem se reúne como se reúnem por que se reúnem Em que momentos se reúnem 1. 2. 3. 4. OS DETALHES DO DESENHO OS QUATROS MOMENTOS DO DIA Esta técnica é uma adaptação de «O desenho em episódios», prova aplicada por A. Jaeggi no Serviço Médico Pedagógico de Genebra. Apesar da riqueza de «O desenho em episódios», seu autor é desconhecido e a mesma foi difundida pela Dra. Elza Schimid-Kitsikis tanto em seus cursos e seminários como através de sua obra «Théorie et clinique du fonctionnement mental». Os materiais de 'O desenho em episódios" são: uma folha de papel (A4) dobrada em seis partes iguais e um lápis. O procedimento consiste em dobrar a folha diante do entrevistado e solicitar-lhe que desenhe uma história de um menino ou menina (dependendo do sexo do entrevistado) que tenha um dia livre para si. Os quatro momentos de um dia utilizam os mesmos materiais, porém centra seu interesse em averiguar como é o uso do tempo em um dia comum. OBJETIVO: Investigar os vínculos ao longo de uma jornada de vida MATERIAL: 2 folhas de Papel sulfite Lápis Preto Borracha PROCEDIMENTO: O aplicador pega uma folha em quatro partes iguais e solicita ao entrevistado que faça o mesmo com a outra. ·Solicita-se que desenhe os quatro momentos do seu dia desde a hora que acorda e vai dormir. ·Solicita-se que relate o que está acontecendo no desenho. Pede- se detalhes de cada uma das cenas e , se necessário faça perguntas vinculadas ao relato. FUNDAMENTOS O desenho é um dos meios que facilitam a expressãodo mundo interno do sujeito, o que se expressa através de condutas concretas, fantasias, etc., relação ao que o rodeia e consigo mesmo. O entrevistado, ao ter que escolher quatro momentos e estabelecer uma sequência entre os mesmos, realiza duas classes de operações cognitivo-afetivas: uma de hierarquizar os momentos privilegiados e outra de relacioná-los em uma ordem temporal. Ambas as operações facilitam o conhecimento dos vínculos, o que permite identificar a partir do sujeito, a representação dos dois pólos que todo vínculo carrega: a "representação que o sujeito possui do meio", assim como também as condutas aloplásticas e autoplásticas em virtude das quais interage com seu contexto geográfico e sociodinâmico. 1. 2. 3. 4. FAMÍLIA EDUCATIVA A Família Educativa é uma adaptação da Família Cinética. A diferença consiste em que a Família Educativa além de possuir uma ordem e forma de administração próprias, tem uma finalidade distinta, que consiste em averiguar a representação que o entrevistado faz do que os membros do grupo familiar sabem e do modelo de aprendizagem que os mesmos possuem e transmitem. Observações de resultados obtidos com a Família Cinética com escolares de nível fundamental e médio, sugeriram a utilidade de focalizar os vínculos no aspecto educativo oferecido pela família - como unidade funcional - e em seus integrantes; já que com cada um deles, o sujeito estudado, pode estabelecer um vínculo particular. OBJETIVO: Estudar o vínculo de aprendizagem com o grupo familiar e cada integrante da família. MATERIAL: Folha de papel sulfite Lápis preto Borracha PROCEDIMENTO: Pede-se ao entrevistado que desenhe a sua família fazendo aquilo que cada um sabe fazer Solicite ,que ao término do desenho, indique a idade de cada um e o nome de cada um. Solicite que comente o que cada pessoa está fazendo. FUNDAMENTOS A família constitui o meio onde se constroem as aprendizagens fundamentais. A mesma oferece os modelos de identificação mais primitivos, baseados nos quais se elaboram os vínculos de aprendizagem. Estes vínculos vão exercer uma notável influência sobre o estilo de adquirir conhecimentos e destrezas, assim como também, para que alguns conteúdos e destrezas sejam hierarquizados e outros não. Embora o grupo familiar, por um lado se apresente como uma unidade funcional, ao mesmo tempo possui heterogeneidade estrutural, no sentido de que seus diferentes integrantes - tanto por características de personalidade, como pelo papel desempenhado no seio familiar, e até pelas aprendizagens afetuadas - apresentam diferenças. Estas diferenças exercem um papel primordial na medida em que permitem que os membros jovens, durante seu desenvolvimento possam ir «pegando» distintas partes dos estímulos meio- ambientais para configurar uma identidade, que mesmo tendo aspectos em comum com os dos diferentes componentes do grupo, por sua vez, será totalmente singular Nos quatro momentos do dia se pode observar três diferentes sequências: Espacial, Temporal e a do relato Nesta técnica se utilizam quatro quadrantes da folha seguindo a orientação abaixo: INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Adequadação da consigna(ordem) momentos escolhidos atividade realizada. As pessoas envolvidas campo geográfico da cena objetos do ambiente detalhes do desenho sequencia dos momentos. Geralmente os avaliados, qualquer que seja a sua idade, desenham seguindo a ordem das letras A, B,C, D ( sequência espacial). Mas muitas vezes escolhem primeiro um momento qualquer, por exemplo a noite e depois a tarde, não seguindo a ordem espacial previamente mencionada ( sequência temporal). A terceira sequência é a do relato que pode coincidir com a espacial, a temporal ou uma terceira distinta das anteriores. A concordância ou discordância das 3 sequências podem ser ilustrativas da mobilidade mental, permanência de critério, criatividade, aprendizagem e preferências do entrevistado. ESPACIAL: O USO DO TEMPO PODE SER UMA DOMINÂNCIA DO PRINCÍPIO DE UMA REALIDADE E DA CAPACIDADE DE ACOMODAÇÃO. APRENDIZAGEM REALISTA. TEMPORAL: INDICA IMPULSIVIDADE, O USO DESORDENADO DO TEMPO GERALMENTE COM BAIXA TOLERÂNCIA E FRUSTRAÇÃO. APRENDIZAGEM INCONSTANTE. A sequência do relato em concordância com a espacial: Reforça os aspectos indicados na sequência temporal. Discrepância do relato com as sequências espaciais e temporais: Indicam uma severa desorganização temporo-espacial e consequentemente severas dificuldades para a aprendizagem. INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: A atividade de cada personagem Objetos utilizados para realizar as atividades Idade e sexo dos personagens Relato do processo de fazer e o relato final do produto Relação de parentesco com o avaliado. DOMÍNIO CONSIGO MESMO O desenho em episódios O dia de meu aniversário Desenho de minhas férias As atividades escolhidas durante o período de férias escolares A representação que se tem de si e do contexto físico sociodinâmico em um momento de transição de uma idade para outra A delimitação da permanência da identidade psíquica em função dos afetos 8-9 anos 6-7 anos 6-7 anos Fazendo o que mais gosto O tipo de atividade que mais gosta 6-7 anos O DESENHO EM EPISÓDIOS Esta prova é conhecida por: O desenho em episódios (Le dessin à épisodes), Um dia de descanso (Une journée de loisir) Os quatro momentos de um dia - é uma prova que foi aplicada por A. Jaeggi no Serviço Médico-Pedagógico de Genebra, mas o autor é desconhecido. OBJETIVO: Tem como objetivo delimitar a permanência da identidade psíquica em função da análise da qualidade dos afetos expressados, a articulação dos aspectos sociais e das relações estabelecidas, a organização do raciocínio. Observar ainda o vínculo de aprendizagem consigo mesmo e observar indicadores gráficos vinculados ao tempo, ao espaço e à causalidade. MATERIAL: 02 folhas de papel sulfite. lápis preto borracha PROCEDIMENTO: Dobrar a folha em 6 partes diante do avaliado e solicite que ele faça o mesmo Solicite: “ você vai desenhar uma história. Um menino ou uma menina ( utilize o sexo do paciente para consigna) tem um dia inteiro livre para descanso. Desenhe o que ele ( ela) vai fazer , desde a hora em que se levanta pela manhã e sai de casa ( aponte o quadrante 1) até o momento em que retorna para sua casa ( aponte o quadrante 6). Deixe que o avaliado desenhe sem intervenções. Ao término peça que o avaliado que relate o que desenhou. INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: A representação do tempo e do espaço; O tema; Os afetos; Os elementos relacionais e sociais e os movimentos de identificação ( identidade e identificação) 1. 2. 3. 4. O DESENHO EM EPISÓDIOS O DIA DE MEU ANIVERSÁRIO Esta prova é possivelmente uma das que mais revela através dos indicadores gráficos, a objetologia interna tanto a objetos concretos quanto em termos de identificadores que sustentam a aprendizagem sistemática e assistemática. OBJETIVO: Conhecer a representação que se tem de si mesmo e do contexto físico e sócio dinâmico em um momento de transição de uma idade à outra. MATERIAL: 1 folha de papel sulfite Lápis preto Borracha Régua PROCEDIMENTO: 1 Solicita-se que o entrevistado faça um desenho do dia do aniversário de um menino (ou menina, conforme seu sexo) 2. Se desenhou uma pessoa, pergunta-se a idade da mesma 3. Se desenhou outras pessoas, pergunta-se a idade e que relação têm com quem faz aniversário 4. Pergunta-se que outras coisas aconteceram nesse dia 5.Realizam-se as perguntas complementárias que se considerarem convenientes. Entrevistador: Quantos anos ele está fazendo? INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Os indicadores possui um significado relativo ao total, assim como também que muitos deles estão intimamente vinculados ao meio socio cultural a que pertence o entrevistado; pois além das diferenças provenientes da classe social, também pesam os modelos de austeridade que podem reger ou não o grupo familiar a que pertence o entrevistado.DETALHES DO DESENHO: Tamanho total Tamanho e posição dos personagens Tamanho dos objetos diretamente vinculados ao aniversário Tamanho dos objetos não vinculados ao aniversário Caráter completivo do desenho FUNDAMENTO: O dia do meu aniversário é uma técnica que facilita conhecer a relação que estabelecemos conosco mesmos, que permite focalizar o entrevistado situando-o no centro temático em um dia que lhe é próprio. ESPAÇO GEOGRÁFICO: Própria casa Lugar público Fora do contexto real possível CONTEÚDO DO RELATO: Idade do personagem que faz aniversário Caracterização dos demais personagens Contradições entre desenho e relato. O DIA DE MEU ANIVERSÁRIO DESENHO DE MINHAS FÉRIAS OBJETIVO: Investigar as atividades escolhidas durante o período das férias escolares. MATERIAL: 01 folha de papel sulfite Lápis Borracha PROCEDIMENTO: Pede-se que o avaliado desenhe o que fez nas férias Solicita-se um relato da cena Realiza-se perguntas que o Terapeuta julgue como necessárias FUNDAMENTAÇÃO: As férias, em maior ou menor grau, representam um lapso de tenepo durante o qual fazemos ou desejamos fazer aquelas coisas para as quais não dispomos de tempo no período de atividades regulares. Surpreendentemente a administração desta prova mostra não só o desejo de irá praia ou à montanha, como também o desejo de estudar algum idioma, ler, irão cinema ou ao teatro, visitar amigos, pintar a casa e até não fazer nada. Contudo as férias, assim como representam um espaço psicológico de despreocupação e perda de tensão, também podem significar um tempo vazio, de não saber o que fazer, de angústia. Não são pouco frequentes os estados depressivos de crianças e adolescentes durante o período não escolar, e quando isso ocorre, geralmente se encontra relacionado com uma não aquisição instrumental das aprendizagens em sentido lato e com a falta de atividade criadora. INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Adequação da consigna a Atividade Atividade representada Marco geográfico representado Argumento criado sobre a cena Coerência interna do relato Coerência entre o relato e o desenho 1. 2. 3. FAMÍLIA EDUCATIVA A Família Educativa é uma adaptação da Família Cinética. A diferença consiste em que a Família Educativa além de possuir uma ordem e forma de administração próprias, tem uma finalidade distinta, que consiste em averiguar a representação que o entrevistado faz do que os membros do grupo familiar sabem e do modelo de aprendizagem que os mesmos possuem e transmitem. Observações de resultados obtidos com a Família Cinética com escolares de nível fundamental e médio, sugeriram a utilidade de focalizar os vínculos no aspecto educativo oferecido pela família - como unidade funcional - e em seus integrantes; já que com cada um deles, o sujeito estudado, pode estabelecer um vínculo particular. OBJETIVO: Estudar o vínculo de aprendizagem com o grupo familiar e cada integrante da família. MATERIAL: Folha de papel sulfite Lápis preto Borracha PROCEDIMENTO: Pede-se ao entrevistado que desenhe a sua família fazendo aquilo que cada um sabe fazer Solicite ,que ao término do desenho, indique a idade de cada um e o nome de cada um. Solicite que comente o que cada pessoa está fazendo. FUNDAMENTOS A família constitui o meio onde se constroem as aprendizagens fundamentais. A mesma oferece os modelos de identificação mais primitivos, baseados nos quais se elaboram os vínculos de aprendizagem. Estes vínculos vão exercer uma notável influência sobre o estilo de adquirir conhecimentos e destrezas, assim como também, para que alguns conteúdos e destrezas sejam hierarquizados e outros não. Embora o grupo familiar, por um lado se apresente como uma unidade funcional, ao mesmo tempo possui heterogeneidade estrutural, no sentido de que seus diferentes integrantes - tanto por características de personalidade, como pelo papel desempenhado no seio familiar, e até pelas aprendizagens afetuadas - apresentam diferenças. Estas diferenças exercem um papel primordial na medida em que permitem que os membros jovens, durante seu desenvolvimento possam ir «pegando» distintas partes dos estímulos meio- ambientais para configurar uma identidade, que mesmo tendo aspectos em comum com os dos diferentes componentes do grupo, por sua vez, será totalmente singular FAZENDO O QUE MAIS GOSTO OBJETIVO: Investigar o tipo de atividade de que mais gosta. MATERIAL: Folha tamanho sulfite Lápis preto; Borracha PROCEDIMENTO: Solicita-se ao entrevistado que se desenhe fazendo o que mais gosta. Pede-se ao entrevistado que comente o que está ocorrendo no desenho. Pede-se ao entrevistado que comente onde está ocorrendo a cena do desenho.; .Pede-se ao entrevistado que comente quando ocorre a cena. Realizam-se perguntas complementares que se fizerem necessárias. Entrevistador: O que está acontecendo ? Entrevistador: E você, o que está fazendo ? INDICADORES MAIS SIGNIFICATIVOS: Durante a produção gráfica Indecisão na escolha do tema O ato de apagar com mudança de tema O ato de apagar objetos sem mudar o tema Durante a verbalização Coerência no relato Coerência entre o relato e o desenho Contexto espacial e temporal onde ocorre a cena FUNDAMENTOS: Com a finalidade de investigar nos estratos inconscientes, pré-consciente e consciente, o tipo de vínculo que o sujeito possui consigo mesmo em termos de seus gostos, interesses, necessidades e limitações internas e externas na aprendizagem A LOCALIZAÇÃO DA FOLHA: Superior, inferior, direita, esquerda, etc. O tamanho do desenho, a posição e o tamanho dos personagens - no caso de haver - são os conteúdos mais significativos para observar na dinâmica de produção em função da qual se molda a cena final. A DINÂMICA: A forma como escolhe o tema, se são apagados ou não com mudança de tema ou se há objetos apagados dentro do mesmo. Os desenhos apresentam certa regularidade entre idades e temas. 1. 2. 3. 4. 5. 6. Referências Técnicas Projetivas Psicopedagógicas E Pautas Gráficas Para Sua Interpretação(Jorge Visca) https://soumamae.com.br/as-etapas-do-desenho-infantil/ https://www.psicopedagogiabrasil.com.br/em-branco-cq24 LUQUET, Georges-Henri. (1927-1969) O desenho infantil. Porto: Ed. Minho, 1969. Trad: Maria Teresa Gonçalves de Azevedo. PIAGET, J. A Formação dos símbolos na Infância, PUF, 1948 https://jisjoaosalaa.blogspot.com/2014/02/evolucao-do-desenho-infantilem-que- fase.html https://pt.slideshare.net/GiseleDeAlmeidaSantos/livro-diagnostico- psicopedagogico O desenho Infantil (Nancy Rabello) O desenho Infantil (Florence de Méredieu) PAR EDUCATIVO – O Desenho e o Vínculo Com A Aprendizagem As dez provas apresentadas neste Ebook Interativo fazem parte de pesquisa e estudo de aprofundamento às PROVAS PROJETIVAS DE JORGE VISCA,(o qual deixou seu legado à psicopedagogia Brasileira); Por Andréia Torquato Villela e Zilcléia de O. A. Ferreira; Psicopedagogas, Neuropsicopedagogas e Microempreendedoras da Conectados Santa Rita do Sapucaí MG e Interação Espaço de Aprendizagem em São Lourenço MG. A pesquisa baseia-se sobre o capítulo A PROPÓSITO DAS TÉCNICAS PROJETIVAS PSICOPEDAGÓGICAS o qual possui uma estrutura geral comum a todas e só algumas das mesmas apresentam pequenas diferenças sintetizados em seus aspectos gerais e particulares. Ebook Interativo para material de estudo e aprofundamento elaborado para o CURSO PROVAS PROJETIVAS NO DIAGNÓSTICO PSICOPEDAGÓGICO VIA WHATSAPP NÃO REPASSE O SEU MATERIAL DE ESTUDO