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TREINAMENTO 
ESPORTIVO
Salma Hernandez 
História e evolução
do treinamento físico
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar os aspectos históricos do treinamento físico.
  Analisar a evolução do treinamento físico no âmbito da saúde e do 
desempenho.
  Averiguar as tendências e tecnologias aplicadas ao treinamento físico.
Introdução
Registros muito antigos já comprovam que o ser humano tinha relação 
direta com o exercício físico, porém não da forma como enxergamos 
hoje. De lá para cá, muitos acontecimentos marcantes mudaram o rumo 
do nosso entendimento sobre treinamento, e diversos pensadores con-
tribuíram para nosso constructo atual. Para entender o atual estado das 
coisas no universo do treinamento físico, vale a pena dar um passo atrás 
para examinar como e por que chegamos até aqui.
Neste capítulo, você vai estudar a trajetória histórica do treinamento 
físico e suas diferentes aplicações, sejam voltadas à performance esportiva 
ou à saúde e bem-estar. Além disso, ficará a par das atuais tendências e 
tecnologias adotadas no ramo.
O treinamento físico na linha do tempo 
Ao depararmos com os modernos sistemas de treinamento físico atuais, além 
das grandes academias, aparelhos, tecnologias e marcas envolvidas, fi ca até 
difícil imaginar que tudo isso teve início muito tempo atrás, antes mesmo de 
existir o conceito de treinamento físico tal como o concebemos hoje. Esse 
conceito, aliás, deve ser entendido como um processo sistematizado de 
estímulos motores que sejam capazes de gerar respostas ou adaptações a 
esses estímulos. Essas adaptações, por sua vez, devem benefi ciar a condição 
desportiva, de lazer, de saúde, de trabalho e de qualidade de vida dos praticantes 
(BOMPA, 2012; FLECK; KRAEMER, 2017)
Desse modo, o resultado do treinamento físico como o concebemos hoje nem 
sempre foi decorrente de uma prática sistematizada. Isso faz com que muitos 
pesquisadores levem em consideração somente dados sobre treinamento físico 
a partir do advento das Olimpíadas modernas, período em que foi possível 
aliar o resultado com o conceito.
Se imaginarmos, porém, a definição muscular como resultado de trei-
namento físico, veremos que o ser humano pré-histórico tinha contornos 
expressivos em sua musculatura, tanto quanto nos dias atuais. No entanto, 
seu “método de treinamento” advinha de uma necessidade de sobrevivência, 
de caçar e não ser alvo fácil de outras presas. Mas em que momento, então, 
essa informação cruza com o treinamento físico? Bem, você pode imaginar 
que tanto para caçar quanto fugir de animais, os homens da caverna desen-
volveram diversas destrezas motoras, como subir em árvores, rastejar, pular, 
saltar, correr, lançar, arremessar, etc. Sua vida era basicamente um sistema de 
treinamento físico sem fim, porém com um importante detalhe: sua finalidade 
era sobreviver. Isso leva pesquisadores a divergirem em relação ao “nascimento 
do treinamento físico” (RAMOS, 1983; SOUZA, 2005).
Esse modo de vida ativo também acabou se transformando, já que o fim 
da era paleolítica foi marcado pelo início da agricultura. Com o advento da 
era neolítica, novas condições físicas eram exigidas para a subsistência. O 
ser humano adaptou seu corpo para outras demandas, como tarefas motoras 
e de aptidão física para arar a terra, semear, cultivar, colher, etc. Assim, a era 
“agrícola” também exigiu muito do ser humano em sua performance física, 
só que não entendemos essa prática cotidiana como o treinamento físico que 
temos hoje.
Passando da era pré-histórica para a Idade Antiga (cerca de 4.000 anos a.C.), 
temos como destaque os povos gregos e romanos. Foi uma época marcada 
pela interação do ser humano com o meio físico-geográfico que habitava e 
pelo desenvolvimento comercial, tendo o Mar Mediterrâneo como principal 
rota. Nessa época, o “condicionamento físico” era geralmente obtido de forma 
instintiva ou natural e ainda bastante pautado na sobrevivência.
História e evoluçãodo treinamento físico2
Como exemplo de treinamento mais rigoroso, podemos citar o grego 
Mílon de Crotona, cujo “treinamento” apresentava princípios dos quais nos 
valemos atualmente. Conta a história que, para se preparar para as batalhas, 
Mílon carregava diariamente um bezerro nas costas, realizando 120 passos. 
Conforme o bezerro foi crescendo, Mílon foi se adaptando e ganhando 
força (Figura 1). O crescimento do bezerro e o treinamento sob as mesmas 
condições representam muito bem o que entendemos como periodização 
de um treinamento físico e os princípios que o regem. Mílon foi atleta das 
antigas Olímpiadas gregas e se destacou pela exuberante força, ganhando 
diversas vezes suas batalhas. Reza a lenda que sua morte se deu de forma 
frívola, quando uma de suas mãos ficou presa em uma árvore, tornando-o 
alvo fácil para presas selvagens.
Figura 1. Mílon de Crotona, um exemplo de treinamento físico em que a carga (peso 
do animal) foi aumentando gradativamente, proporcionando ganho expressivo de 
força muscular.
Fonte: Alchetron (2018, documento on-line).
3História e evoluçãodo treinamento físico
Na Grécia antiga, além de promoverem o culto ao corpo, os jogos tinham 
enorme importância social, representando também uma forma de poder. Assim, 
o treinamento ou preparação para os jogos e guerras se assemelhavam muito 
com nossos atuais entendimentos sobre o treinamento físico. Eram propostas 
corridas, marchas, saltos e sobrecargas, além de massagens, apoio psicológico, 
aquecimento e desaquecimento, tudo primando pela melhoria do rendimento. 
No século VIII a.C., inaugura-se o que entendemos como Jogos Olímpicos, 
incluindo as seguintes modalidades: corrida, salto em distância, lançamento 
de dardo, pentatlo, arremesso de disco, pancrácio, boxe, luta, corrida de bigas 
e corrida de cavalo (TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997).
O treinamento grego era chamado tetra e representa, se não o primeiro, um dos 
primeiros modelos de periodização de treinamento físico como conhecemos hoje 
(Figura 2). O treinamento consistia em ciclos de três dias de treino e um de repouso 
(ou exercício ligeiro), com duração total de quatro meses (DANTAS, 2003).
Figura 2. Treinamento tetra.
Fonte: Adaptada de Dantas (2003).
História e evoluçãodo treinamento físico4
A era greco-romana foi superada pela Era Cristã, e com ela novas propostas 
sobre perspectiva corporal e treinamento físico foram criadas. A partir de 
então, o corpo foi condenado e rebaixado ao pecado e Deus era o centro de 
todas as coisas. O culto ao corpo cabia apenas àqueles que dependiam dele, os 
militares; aos demais, restava apenas o exercício relacionado ao trabalho no 
campo (RAMOS, 1983; TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997; SOUZA, 2005).
Com o advento do Renascimento, por volta do século XIV, o pensamento 
sobre o corpo de forma mais anatômica e biológica é proposto. A partir dessa 
época, pensamentos e pesquisas mais similares aos atuais começam a surgir, 
e estudiosos começam a indagar como o treinamento pode ser realizado, 
aprofundando-se cada vez mais e destrinchando possíveis variáveis para sua 
manipulação. Sem dúvida, esse momento foi marcado por avanços na inves-
tigação biológica e adaptativa frente ao exercício físico e por estudos sobre 
respostas em nosso organismo. Porém, cabe destacar que o exercício ainda era 
uma atividade elitista, sendo as modalidades de salto, corrida, natação, luta, 
equitação, jogo da pelota, dança e pesca prioridades para o ideal da educação 
cortesã (RAMOS, 1983; TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997; SOUZA, 2005).
Posteriormente, a Era Industrial, a partir de meados do século XVIII, 
trouxe uma nova relação com o corpo. A substituição dos seres humanos 
por máquinas em ambiente de trabalho foi sem dúvida uma das condições 
mais importantes para a mudança do corpo humano. Novas facilidades e 
conhecimentos tecnológicos trouxeram a condição do trabalho sedentário, 
mecanizado e repetitivo. O movimento passou a ser privilégio e escolha paraalgumas classes sociais em detrimento de outras. Longas jornadas de trabalho 
mecanizado, pouco acesso a formas de entretenimento, incluindo o exercício 
físico, e a diferença entre as classes impuseram um abismo no conhecimento 
adquirido até o momento ao longo da evolução do treinamento físico (RAMOS, 
1983; TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997; SOUZA, 2005).
Em períodos mais recentes, encontramos as maiores contribuições teó-
ricas sobre os modelos de periodização em treinamento físico. Em revisão 
da literatura realizada por Silva (1998), o autor retrata que as variáveis que 
conhecemos hoje dentro de um modelo de treinamento físico foram prove-
nientes da necessidade de se dividir uma temporada de jogos em períodos e 
etapas específicos para atingir os objetivos (ganhar), levando em consideração 
as variações climáticas, as exigências físicas e suas adaptações e o próprio 
calendário. 
5História e evoluçãodo treinamento físico
Por fim, o que notamos atualmente é um aumento incrível dos níveis 
de sedentarismo humano (Figura 3), suscitado pela era industrial e suas 
facilidades. Dominamos a tecnologia, inventamos diversas facilidades para 
reduzir a mão-de-obra humana e transferir seu esforço físico no trabalho 
por máquinas, dando-nos a possibilidade de utilizar o tempo livre da melhor 
maneira possível.
Figura 3. O ser humano moderno dominou a tecnologia e se tornou extremamente 
sedentário.
Fonte: txking/Shutterstock.com.
Nos tempos atuais, a prática do exercício físico tem sido associada à saúde, 
tanto no âmbito da reabilitação quando da profilaxia em relação a doenças. 
Já no campo desportivo, destaca-se o uso de equipamentos para melhoria 
do desempenho. Houve sobretudo uma intensa popularização da prática do 
exercício físico em geral e uma massificação na formação de profissionais e 
espaços para a prática do exercício físico (RAMOS, 1983; TUBINO, 1984; 
BARBANTI, 1997; OLIVEIRA, 2006). 
História e evoluçãodo treinamento físico6
Treinamento físico para saúde e desempenho
Ao traçar a história do treinamento físico na linha do tempo, é possível perce-
ber que sua proposição ocorreu em altos e baixos durante sua trajetória, sem 
uma evolução contínua e paulatina. Tudo surgiu de forma empírica e quase 
sem querer, em uma espécie de sistematização que foi sendo implementada 
de forma acidental. 
Para Bompa (2012) e Weineck (1999), o principal objetivo do treinamento 
físico é promover adaptações positivas nos estados físico, motor, cognitivo 
e afetivo do indivíduo e aumentar o nível do seu condicionamento de forma 
que ele atinja o ápice do desempenho durante a competição atlética. Para 
promover essas adaptações no organismo, é necessário o que entendemos 
como periodização do treinamento. É como se a periodização representasse os 
ingredientes para uma receita, que, em sua versão final — o prato pronto — é 
representada pelo treinamento físico. Trata-se de uma divisão de segmentos a 
serem controlados a fim de se obter ao máximo desempenho ou saúde.
Diversos autores se dedicaram a estudar e propor esses “ingredientes”. 
Tudo começou com Kotov, no início do século XX, que propôs uma divisão 
em três períodos de treinamento: geral, preparatório e especial. Já em 1930, 
Pihkala apresentou teorias sobre a alternância de trabalho e recuperação. 
Também considerou uma organização temporal levando em consideração os 
dias, semanas, meses e anos de treinamento. Para ele, o volume de treinamento 
devia ser inversamente proporcional à intensidade e o treinamento específico 
devia ser construído sobre a preparação geral ampla. Posteriormente, Matveiev 
propôs períodos bem definidos (preparatório, competitivo e transitório) em que 
grandes cargas deveriam ser realizadas na preparação geral. Esse autor também 
acreditava que as cargas deveriam ser organizadas em complexas (envolvendo 
diferentes capacidades em uma mesma sessão) e paralelas (envolvendo dife-
rentes capacidades ao longo de um período) (BENTO; MARQUES, 1992). 
Os modelos tradicionais de periodização voltados tanto para a saúde 
quanto para o desempenho têm como base esses postulados antigos, recém-
-examinados. De maneira geral, o modelo que seguimos atualmente é aquele 
proposto por Matveiev, em que treinamentos devem ser compostos em três 
níveis: micro, meso e macrociclos.
O microciclo é o menor dos três níveis de treinamento. Se considerarmos 
um microciclo de uma semana, por exemplo, com duas sessões diárias, teremos 
um microciclo com 14 sessões, sendo as sessões de treinamento responsáveis 
pela ótima relação entre estímulo e recuperação, isto é, visando também uma 
utilização otimizada dos sistemas energéticos.
7História e evoluçãodo treinamento físico
A Figura 4 mostra a distribuição de cargas de treinamento durante um microciclo de 
uma semana, com uma sessão diária. 
Figura 4. Exemplo de microciclo de uma semana de duração.
O mesociclo, por sua vez, é constituído por no mínimo dois microciclos. É a 
combinação dos microciclos com objetivos bem definidos, o que é fundamental 
para controlar os efeitos cumulativos dos microciclos, mais uma vez visando 
a máxima relação entre estímulo e recuperação. 
Um mesociclo de duas semanas de treinamento e uma sessão diária está representado 
na Figura 5, evidenciando a variação do uso da carga de trabalho visando a relação 
entre estímulo e recuperação.
Figura 5. Exemplo de um mesociclo de duas semanas de duração.
História e evoluçãodo treinamento físico8
Já o macrociclo representa a grande estrutura dos ciclos de treinamento, 
podendo ser semestral, anual ou plurianual. O macrociclo permite, portanto, 
uma preparação levando em consideração os calendários competitivos, podendo 
ser dividido em período preparatório, competitivo e de transição, segundo a 
proposição de Matveev (1986). 
A Figura 6 exibe um exemplo de modelo de macrociclo com cinco meses de duração.
Figura 6. Exemplo de macrociclo.
Basicamente, podemos observar que deve haver uma organização dos 
estímulos com a finalidade de melhorar o desempenho ou a saúde, com suas 
variações entre estética e qualidade de vida. Isto é, o treinamento físico é con-
dicionado fundamentalmente pela relação entre os estímulos: carga e repouso. 
Para Matveiev, o modelo de periodização ideal deveria obedecer a uma 
relação ondulatória entre os estímulos de intensidade e volume. Por outro lado, 
Verkhoshanski defende uma modulação por blocos, isto é, cargas concentradas 
seguidas de um salto compensatório. A principal característica deste autor foi 
diferenciar a fase geral da específica para aquisição de habilidades. Assim, 
seria necessário criar uma habilidade geral básica, para posteriormente entrar 
em habilidades e desempenho mais específicos, como trabalhos de força e 
resistência muscular generalizada para membros inferiores, seguidos de treinos 
de potência e impulsão horizontal em um treinamento de salto em distância. 
Mais recentemente, Bompa propôs uma periodização para modalidades co-
letivas em que o processo de treinamento acontece perante várias fases em 
forma sequencial, que se adapta ao modelo competitivo de longa duração 
(como vemos atualmente). Para este autor, a aquisição da condição geral deve 
ser prévia à específica, como pregava Verkhoshanski (1983).
9História e evoluçãodo treinamento físico
O vídeo disponível no link a seguir debate de maneira bastante prática as diferenças 
entre os autores Matveiev e Verkhoshanski.
https://qrgo.page.link/Bgzgt
Nas últimas décadas, a literatura da área apresentou milhares de novas 
proposições em publicações que testaram, avaliaram e desenvolveram novos 
métodos de treinamento. Dentro de cada nova proposição, um autor defende 
seus resultados e a eficácia do treinamento aplicado. Ocorre, porém, que é 
utilizada uma metodologia diferente para cada estudo no que diz respeito 
a organização da sessão, controle das variáveis do treinamento, público 
avaliado e objetivos a serem testados. Como conclusão, avançamos bastante 
em aspectos importantes do treinamento,mas que basicamente se aplicam 
apenas a cada estudo proposto, sem substancial ou mesmo qualquer poder 
de extrapolação.
A esse respeito, podemos destacar os estudos com populações especiais, 
sobretudo aqueles relacionados a aspectos de saúde de idosos, indivíduos 
com deficiência motora, intelectual e visual, além de crianças, gestantes e 
grupos com determinadas doenças, como hipertensão, dislipidemias, doenças 
degenerativas crônicas, entre outros, que foram grande destaque da literatura 
nos últimos anos. De todo modo, avançamos bastante em nosso conhecimento 
acerca dos benefícios do treinamento físico e, como consequência, foi possível 
promover uma democratização do acesso e relevância dessa prática.
Outro importante aspecto a destacar é que, enquanto o treinamento físico 
voltado ao rendimento e desempenho desportivo tem suas condicionantes ou 
variáveis determinadas pelos campeonatos ou apresentações, o treinamento 
físico relacionado à saúde deve ter suas condicionantes ligadas diretamente 
aos objetivos pessoais do indivíduo. Sendo assim, as datas de campeonatos e 
apresentações irão determinar o planejamento do treinamento para a máxima 
performance coincidir essas datas, podendo existir vários campeonatos 
ao longo de um mesmo ciclo treinamento. Já nas relações do treinamento 
para a saúde em geral, o planejamento baseado em uma meta ou objetivo 
do indivíduo, quase sempre sendo um único momento de máxima aptidão 
para alcançar estes objetivos/metas. Ou seja, para o primeiro tipo de treina-
História e evoluçãodo treinamento físico10
mento teremos maior influência de condicionantes externas (campeonatos), 
enquanto para o segundo levaremos em conta as condicionantes internas 
(objetivos e metas).
Tecnologia aplicada ao treinamento físico
Na segunda metade do século XX, sob infl uência da industrialização de-
senfreada, muitos equipamentos específi cos para treinamento físico foram 
desenvolvidos. Acreditava-se que a resistência física era obtida de forma 
mais efi caz pelo treinamento com pesos. O mercado fi tness crescia de forma 
estruturada e acelerada e muitas academias especializadas em treinamento 
físico foram criadas — e nelas os equipamentos específi cos para atingir seus 
objetivos. Novas tendências sobre a saúde se reforçaram e o exercício físico 
passou a ser mais vinculado às condições de saúde e doença do que apenas ao 
rendimento esportivo (RAMOS, 1983; TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997; 
OLIVEIRA, 2006).
Nessa nova relação com o treinamento físico e em meio ao processo co-
mercial intenso que vivemos até hoje, um filão comercial foi descoberto. 
Diversas empresas passaram a se especializar nesse setor de serviços, levando 
investimentos pesados ao desenvolvimento de roupas específicas para a prática 
de exercício físico e equipamentos específicos mais eficazes e ergonômicos, 
além de equipamentos periféricos capazes de medir o rendimento de forma 
individualizada (RAMOS, 1983; TUBINO, 1984; BARBANTI, 1997; OLI-
VEIRA, 2006).
A Internet disseminou essas informações de forma absurdamente rápida 
e o exercício físico passou a ser acessível a todas as esferas sociais. Fosse na 
televisão, no rádio ou nas revistas, todos os meios de comunicação propuseram 
a prática de exercício físico como uma possibilidade de promoção da saúde e 
do bem-estar. Roupas específicas, que facilitam a transpiração ou com ação 
antibacteriana, e monitores cardíacos, de distância, velocidade e performance se 
difundiram e ficaram mais acessíveis para a compra (RAMOS, 1983; TUBINO, 
1984; BARBANTI, 1997; OLIVEIRA, 2006; BOMPA, 2010)
Atualmente, diversos meios de inovações tecnológicas buscam soluções 
para este setor de mercado, como aplicativos para celulares com modelos de 
exercícios e prescrições de treinamento, relógios inteligentes com medidores 
relacionados ao treinamento físico (contadores de passos, frequência cardíaca, 
registro de atividades entre outros). Até o setor alimentício foi influenciado 
11História e evoluçãodo treinamento físico
pela “vibe fitness”, com oferta de comida saudável e que ajuda no rendimento 
e forma física. Nossa relação com a comida também foi melhor estudada e 
proposta pelos meios de comunicação.
Para além dos aparelhos, roupas, acessórios e comidas, a própria posição 
do exercício físico se transformou — a presença do professor ou treinador 
passou a ser pormenorizada, em decorrência da informação difundida de 
forma massiva. As “fórmulas prontas” para o treinamento e seus objetivos 
ganharam destaque, sobretudo nas últimas décadas. Porém, cabe ressaltar que 
ainda não superamos a necessidade de uma boa periodização e prescrição de 
treinamento físico com acompanhamento especializado. Assim, os profissionais 
também tiveram que se adequar a essa nova demanda, criando novas formas 
de atendimento, como as plataformas digitais de atendimento ou atendimento 
domiciliar. Um recente estudo proposto pelo Colégio Americano de Esportes 
e Medicina (THOMPSON, 2018), intitulado “Pesquisa mundial de tendências 
fitness para 2019”, traz à tona os 20 tópicos relacionados ao treinamento físico 
com mais popularidade e tendência para o mercado profissional:
1. Tecnologia utilizável. Isto é, tecnologia relacionada a vestuário e aces-
sórios, como rastreadores, relógios inteligentes, monitores de frequência 
cardíaca e de gasto calórico e dispositivos de rastreamento por GPS.
2. Treinamento em grupo. Os instrutores de exercícios em grupo ensinam, 
lideram e motivam indivíduos por meio de projetos específicos e aulas 
presenciais em grupo (mais de cinco participantes).
3. Treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT). Programas de 
exercícios que envolvem tiros curtos de alta intensidade, seguidos por 
um curto período de descanso. 
4. Programas de condicionamento físico para idosos. Atendem às 
necessidades de uma população de idosos em rápido crescimento ao 
redor do mundo. 
5. Treinamento com peso corporal. Uma combinação de treinamento 
com pesos corporais em resistência variável e movimentos neuromotores 
usando vários planos de movimento. Este tipo de programa se destaca 
pela utilização de equipamento mínimo, tornando-o uma maneira fun-
cional e barata de se exercitar de forma eficaz.
6. Profissionais certificados. Com tanta disseminação de conteúdo, as 
pessoas deverão buscar pela contratação de profissionais certificados 
e credenciados em órgãos específicos e com reconhecimento.
História e evoluçãodo treinamento físico12
7. Ioga. Atividade que ampliou sua possibilidade de atuação nos últimos 
anos, com variações como power yoga e yogapilates, destacando-se 
na busca por novos praticantes. 
8. Treinamento pessoal. Segundo o estudo, essa tendência continua, 
à medida que a profissão de personal trainer se torna mais acessível 
on-line, em academias de ginástica, em casa e em locais de trabalho 
com academia. O treinamento pessoal inclui testes de condicionamento 
físico e estabelecimento de metas, com o treinador trabalhando para 
prescrever exercícios específicos para as necessidades e metas indivi-
duais de cada cliente.
9. Treinamento funcional de condicionamento físico. Tendência de uso 
do treinamento de força e outras atividades, como equilíbrio, coorde-
nação e resistência, para melhorar as atividades da vida diária.
10. Exercise is Medicine. Tendo como tradução “Exercício é Remédio”, esta 
iniciativa de saúde busca incentivar os médicos e outros prestadores 
de cuidados de saúde a incluírem avaliações para a prática de ativida-
des físicas e recomendações de tratamento associadas a cada visita 
dos pacientes, além de encaminhar seus pacientes para profissionais 
habilitados.
11. Treinamento em saúde/bem-estar. Tendência de incorporar ciência 
comportamental na promoção da saúde e estilo de vida dos indivíduos. 
Neste tipo de treinamento, o treinador pode atuar individualmente 
ou em pequenos grupos. A abordagem do treinador fornece suporte, 
definição de metas, orientação e incentivo. O treinamento em saúde e 
bem-estar concentra-senos valores, necessidades, visão e objetivos a 
curto e longo prazo do cliente, usando o comportamento para alterar 
estratégias de intervenção.
12. Exercício para perda de peso. Tendência de incorporar todos os 
programas de perda de peso em um programa de exercício sensato. 
Representa a união de vários profissionais que utilizam, por exemplo, 
dietas, massagem e exercícios físicos no programa para perda de peso. 
13. Aplicativos de exercícios móveis. Disponíveis para dispositivos móveis 
como iPhone, iPad e Android, aplicativos como Nike+, Club W e Ma-
pMyRun incluem áudio e instruções visuais para prática de exercícios 
e dicas para ir em frente. Outros aplicativos incluem o Endomondo, 
Strava e Janet Stone Yoga, entre muitos outros. Alguns desses aplicativos 
podem acompanhar o progresso ao longo do tempo, bem como centenas 
de outras funcionalidades.
13História e evoluçãodo treinamento físico
14. Dispositivos miofasciais. Esses dispositivos incluem rolos para libe-
ração miofascial. Pontos de disparos são projetados para massagear a 
musculatura, aliviar a contração e espasmos musculares, aumentar a 
circulação, aliviar o desconforto e ajudar no retorno venoso. Os rolos 
foram projetados para a região lombar, quadris e grupos musculares 
maiores, como os isquiotibiais e os glúteos. 
15. Programas de promoção da saúde e bem-estar no local de trabalho. 
Esta é uma tendência em direção a uma variedade de programas e 
serviços fornecidos para melhorar a saúde e o bem-estar dos trabalha-
dores e é integrada aos sistemas para apoiar a avaliação e a geração de 
relatórios sobre saúde, custos e produtividade. Tais programas ocorrem 
geralmente no local ou são programados em uma academia local. 
16. Medições de resultados. Tendência voltada à prestação de contas. São 
necessárias medições para determinar os benefícios dos programas 
de saúde e fitness. A proliferação de tecnologias ajudará na coleta de 
dados para apoiar esses esforços.
17. Atividades ao ar livre. Os profissionais devem estar preparados para 
oferecer mais atividades ao ar livre, como caminhadas e passeios em 
grupos. Podem ser eventos curtos, eventos de um dia ou eventos de uma 
semana de caminhadas e excursões. Os participantes podem se reunir 
em um parque local, área de caminhada ou em uma trilha de bicicleta 
com um líder, por exemplo. 
18. Licenciamento para profissionais de fitness. Algumas profissões nos 
Estados Unidos e em todo o mundo são reguladas por licenciamento. 
Ninguém pode se intitular médico ou enfermeiro sem licença, por 
exemplo. Essa também é uma tendência no setor de fitness, para obter 
mais regulamentações de profissionais como personal trainers.
19. Treinamento pessoal para grupos pequenos. Tendência que expande 
o papel do personal trainer do treinamento estritamente individual para 
treinamento em pequenos grupos. Neste modelo, o personal trainer 
trabalha com um grupo de duas a cinco pessoas e oferece descontos 
aos participantes.
20. Aulas de pós-reabilitação. Programas de exercícios projetados es-
pecificamente para pacientes com condições crônicas de saúde, como 
câncer, doenças cardiovasculares, Parkinson e recuperação de AVC, 
que geralmente estão fora de um encaminhamento médico; também 
podem tratar de distúrbios pós-traumáticos observados em soldados 
que retornam do combate militar.
História e evoluçãodo treinamento físico14
A utilização das tecnologias no treinamento físico é irrevogável. Mais que uma mera 
tendência, elas representam uma nova ordem de relação ditada pelo consumo tecnológico 
que veio para engolir métodos e instrumentos mais tradicionais. Mas será que essa relação 
é 100% positiva? 
A princípio, quando avaliamos essas novas tecnologias, como os aplicativos em smart-
phones, é improvável que pensemos em algo “ruim”, afinal, trata-se de uma forma de 
democratização e incentivo à prática do exercício. Você tem ali, na palma da sua mão, um 
treinamento elaborado, pronto para atender seus objetivos. 
Por outro lado, essa democratização desenfreada traz consequências: qual a qualidade 
do que será executado pelo indivíduo, quem o supervisionará evitando lesões, quem o 
incentivará e acompanhará sua evolução? Será a extinção do profissional de educação física?
Se de um lado a tecnologia traz inúmeros benefícios de acesso e uma gama enorme de 
variações em atividade física, por outro ela traz uma desvalorização da presença de um 
profissional e sua sistematizada atuação junto ao indivíduo. Essa situação ainda deve ser 
muito discutida, a fim de chegarmos a um consenso. 
Diante do estudo proposto pelo ACSM (THOMPSON, 2018), e levando 
em consideração todo o contexto histórico em que o treinamento físico se 
desenvolveu, podemos presumir que ainda há muitas possibilidades de atua-
ção profissional, tanto no âmbito das pesquisas, que podem contribuir para o 
constructo teórico específico da área, quanto no campo da prática profissional. 
Afinal, o treinamento físico parece ser inerente ao ser humano, acompanhando-
-o em diversos contextos e momentos evolutivos.
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15História e evoluçãodo treinamento físico
Os links para sites da Web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
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Leitura recomendada
PLATONOV, V. N. Teoria geral do treinamento desportivo olímpico. Porto Alegre: Artmed, 
2008.
História e evoluçãodo treinamento físico16

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