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TCC FINAL nota 95 " A importancia do PPP"

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A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
RIO BRANCO DO SUL
2010
A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO
Trabalho final apresentado para obtenção do título de Pedagogo do Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia – modalidade a distância, da Faculdade Internacional de Curitiba – FACINTER.
RIO BRANCO DO SUL
2010
Este trabalho é dedicado a todos aqueles que têm a capacidade de ver além dos limites da imaginação...
A todos os professores e professoras.
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AGRADECIMENTOS
	Aos professores que dedicaram seu tempo e sua experiência para que nossa formação fosse também um aprendizado de vida.
A Deus que nos deu o dom da vida, nos presenteou com a liberdade, nos abençoou com a inteligência, nos deu a graça de lutarmos para a conquista de nossa realização.
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Nunca perca a fé na humanidade pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que eles esteja sujo por completo”. 
Ghandi
RESUMO
Partindo da observação da realidade escolar no que tange ao comprometimento dos agentes envolvidos no processo de construção dos Projetos Político Pedagógicas esta monografia objetiva verificar os modos de elaboração desse documento nas escolas, verificar como ele pode influenciar na qualidade de ensino prestada à clientela do estabelecimento pesquisado; e refletir sobre o compromisso firmado com a comunidade escolar nessa perspectiva. Tendo como tema a elaboração do Projeto Político Pedagógico da Escola a partir de uma visão coletiva da comunidade escolar, este trabalho utilizou-se das metodologias específicas das pesquisas bibliográfica, exploratória, documental e de campo, com o objetivo de conhecer o processo da realidade didático pedagógica no Ensino Fundamental e Médio. As pesquisas: exploratória e de campo foram realizadas em duas escolas distintas da rede pública de ensino – uma de Educação Infantil e Ensino Fundamental e outra de Ensino Médio, ambas localizadas no Município de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba-PR. Por meio de um questionário, esses professores relataram suas aspirações, sentimentos, perspectivas em relação à sua participação na construção do Projeto Político Pedagógico do estabelecimento de ensino no qual atuam. Mediante as respostas fornecidas foi possível perceber que os professores em sua maioria, contribuíram ativamente no processo e acreditam ser de suma importância sua participação para a implementação, reconhecendo-o como referencial acerca da realidade da comunidade atendida pela escola; e, da mesma maneira, foi possível compreender que ainda existem resistências, distanciamentos que, embora em minoria, precisam ser equacionados de forma a se atingir o futuro, a escola e a sociedade idealizada.
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LISTAS DE FIGURAS
	Grafico 1 – Participação na Construção do PPP ........................................
	40
	Gráfico 2 – Forma de Construção do PPP na escola .................................
	41
	Gráfico 3 – Classificação da participação dos professores na construção do PPP ........................................................................................
	
42
	Gráfico 4 – Participação na Construção do PPP ........................................
	43
	Gráfico 5 – Participação na Construção do PPP ........................................
	44
	Gráfico 6 – Principais preocupações citadas na construção do PPP ......
	45
	Gráfico 7 – Participação na Construção do PPP .......................................
	46
SUMÁRIO
	RESUMO
	6
	1 INTRODUÇÃO.............................................................................................
	9
	2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................
	12
	2.1 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: A AUTONOMIA COLETIVAMENTE CONSTRUÍDA NA ESCOLA...........................................
	
12
	2.2 FUNDAMENTOS QUE NORTEIAM A CONSTRUÇÃO DO PPP..............
	15
	2.3 A INFLUÊNCIA DO PPP NA QUALIDADE DE ENSINO...........................
	21
	2.3.1 Como elaborar o PPP?.........................................................................
	23
	2.4 PPP – O COMPROMISSO COM A COMUNIDADE ESCOLAR................
	29
	2.4.1 A autonomia a partir da construção do PPP......................................
	30
	3 METODOLOGIA...........................................................................................
	32
	3.1 ASPECTOS TÉCNICOS DA PESQUISA..................................................
	35
	3.1.1 Pesquisa Bibliográfica.........................................................................
	35
	3.1.2 Pesquisa de Campo..............................................................................
	36
	3.1.3 Pesquisa Exploratória..........................................................................
	36
	3.1.4 Técnica de Coleta de Dados................................................................
	37
	3.2 DADOS DA PESQUISA............................................................................
	37
	3.2.1 Finalidade da Pesquisa........................................................................
	37
	3.2.2 População e Amostragem do Universo Pesquisado..........................
	38
	3.2.3 Instrumentos de Coleta de Dados......................................................
	38
	4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE DADOS................................................
	39
	4.1 PESQUISA DE CAMPO – QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES.....
	39
	4.2 OBSERVAÇÕES DURANTE A CONSTRUÇÃO DO PPP.......................
	47
	5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................
	48
	REFERÊNCIAS...............................................................................................
	52
	APÊNDICES....................................................................................................
	55
INTRODUÇÃO
Por meio do Projeto Político Pedagógico em ação se formam as personalidades dos alunos e se fortalece cada um dos membros da escola, que conscientes dos objetivos a serem trabalhados, seu significado e os valores que os sustentam, reavaliam, na sua própria prática, as suas vidas e as suas prioridades.
Reside aí, nesse processo de gestão da educação, o grande valor da construção coletiva e humana do projeto formador.
Acreditando-se no valor da construção desse a partir do pensamento dos membros da escola, o presente trabalho tem como tema central a elaboração do Projeto Político Pedagógico (PPP) na perspectiva da construção coletiva.
Para a estruturação do estudo foi estabelecido o seguinte objetivo geral: compreender como se dá a elaboração do PPP nas escolas. No desdobramento dessa meta, foram definidos os seguintes objetivos específicos: identificar os princípios que norteiam a construção desse documento referencial; verificar como ele pode influenciar na qualidade de ensino prestado à clientela do estabelecimento de ensino pesquisado; e, refletir sobre o compromisso firmado com a comunidade escolar, via Projeto Político Pedagógico.
Este estudo se justifica porque a experiência vivenciada no espaço escolar revela que nem todos os envolvidos na elaboração do PPP têm a perfeita compreensão sobre a importância desse documento enquanto instrumento de análise da realidade cultural, política e econômica das comunidades atendidas pela escola; do papel dessa unidade escolar no processo de desenvolvimento dessas comunidades a partir do diagnóstico das reais condições estruturais do estabelecimento de ensino frente a essas demandas, e do imperativo em se direcionaros encaminhamentos administrativos, pedagógicos e didáticos para a satisfação das necessidades educacionais locais. 
Esse fator é preocupante porque, na ausência de um estudo elaborado de forma coletiva e com base em dados reais, o Projeto Político Pedagógico deixa de constituir–se a ferramenta de mudança que a escola necessita para construir sua autonomia.
Como forma de conhecer a realidade dos processos construtivos dos PPPs, este trabalho se desenvolveu com base na pesquisa bibliográfica, que forneceu o embasamento teórico, e na pesquisa de campo utilizada como metodologia de investigação, que teve como técnicas de coleta de dados a observação e a exploração das realidades sociais, onde foi utilizado como instrumento um modelo de questionário que permitiu a sistematização das informações, assegurando o caráter científico do estudo.
A articulação entre teoria e prática permitiu conhecer os dois lados da importante questão acerca do PPP, no que tange principalmente à sua finalidade e serve como alerta aos profissionais da educação quanto a aspectos éticos indispensáveis em sua construção e utilização.
Este trabalho está organizado em quatro partes. Na primeira, introdutória, estão descritos aspectos como a motivação, o tema, os objetivos e sua justificativa, e as estratégias metodológicas adotadas. 
Na segunda, de Fundamentação Teórica, os conceitos levantados foram divididos em três capítulos, de acordo com os objetivos específicos estabelecidos no projeto de pesquisa - onde se abordam aspectos como o papel da educação, do Projeto Político Pedagógico e a importância da autonomia alcançada pela escola no processo de construção e operacionalização desse documento referencial. 
Na terceira foi especificada a metodologia do trabalho; e, na quarta, a análise dos dados coletados, onde foram inseridos gráficos demonstrativos que ajudam a compreender as diferentes posturas dos profissionais pesquisados diante do tema em questão. Ao final do documento estão as considerações, à guisa de uma conclusão sobre o estudo realizado.
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo estão reunidos os principais conceitos levantados na etapa da pesquisa bibliográfica, acerca dos eixos norteadores estabelecidos pelo Ministério da Educação para a construção dos Projetos Políticos Pedagógicos, notadamente no que tange à sua intencionalidade de constituir documento que espelhe as reais expectativas das comunidades atendidas pela instituição de ensino, ao passo que determine os caminhos pedagógicos e metodológicos a serem estabelecidos para a efetivação desses propósitos.
 PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO: A AUTONOMIA COLETIVAMENTE CONSTRUÍDA NA ESCOLA 
Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN nº 9394/96), uma das incumbências de todas as escolas é a de elaborar e executar sua proposta pedagógica, com a participação dos professores e dos demais segmentos da comunidade escolar.
Nesse sentido, a elaboração de um Projeto Político Pedagógico (PPP) desvia o eixo do planejamento educativo de nível central para o nível das escolas, dando-lhes maior independência e abertura para a realização de experiências inovadoras e desafiadoras, isso equivale à oportunidade de se estruturar também a base para a autonomia construída coletivamente na escola.
O PPP possui, então, duas finalidades distintas. A primeira, ao chamar a coletividade para o estabelecimento das diretrizes que a escola deve adotar para atender sua clientela, e a segunda de constituir-se meio pelo qual se operacionalizarão as estratégias pedagógicas e administrativas para dar suplência a essas demandas. 
A escola passa a ser, ela, então, construída pela e para a comunidade, tornando-se elo indissociável entre os indivíduos e o desenvolvimento, posto que todas as suas ações passam a ser direcionadas ao atendimento dos objetivos especificados pelo seu público preferencial.
Essa especificidade é necessária devido às características individuais de cada localidade em termos sociais, econômicos, geográficos e culturais, que diferem de outros centros e exigem planejamento educacional adequado para incrementar aspectos potenciais e fomentar o desenvolvimento humano. 
Por essas razões, o PPP deve ser visto como um documento que não possui um fim em si mesmo, mas como um instrumento dinâmico, sistematizado de forma a reunir em seu corpo, aspectos relacionados à realidade local, às condições estruturais e organizacionais da escola, à necessidade de capacitações diferenciadas dos professores e ao estabelecimento de estratégias que possibilitem o atingimento das metas educacionais necessárias àquelas comunidades em especial.
Para compreender exatamente a importância da construção coletiva desse documento, alguns fundamentos precisam ser relembrados, como o papel da educação na sociedade, aspecto indispensável para dimensionar a função do Projeto Político Pedagógico nas escolas. 
Essa reflexão é positiva porque os inúmeros problemas educacionais e o verdadeiro papel da educação formal são motivos de ampla discussão na sociedade.
Sobre esse aspecto, Libâneo observa que na sociedade contemporânea faz-se necessário um esforço coletivo para vencer as barreiras e entraves que inviabilizam a construção de uma escola pública que eduque de fato para o exercício pleno da cidadania e seja instrumento real de transformação social, espaço em que se aprenda a aprender, a conviver e a ser com e para os outros, contrapondo-se ao atual modelo de desigualdade exclusão social que impera nas políticas educacionais de inspiração neoliberal (LIBÂNEO, 2001, p. 40).
Paralelamente, as transformações ocorridas na sociedade contemporânea, sujeita a essa influência e impulsionada pela globalização da economia, acabam orientando algumas políticas governamentais. É adequando-se a esse contexto dinâmico – e por vezes controvertido, expresso nas visíveis desigualdades sociais - que a escola mantém-se responsável pela promoção do desenvolvimento do cidadão, no sentido pleno da palavra. 
Cabe a escola definir-se pelo tipo de cidadão que deseja formar, de acordo com sua visão de sociedade, e cabe-lhe também, a incumbência de definir as mudanças que julga necessário fazer nessa sociedade, através das mãos dos cidadãos que irá formar (LIBÂNEO, 2001, p. 42).
Quando a escola assume a responsabilidade de atuar na transformação e na busca do desenvolvimento social. Seus agentes devem empenhar-se na elaboração de uma proposta para a realização desse objetivo. E essa proposta ganha força na construção do Projeto Político Pedagógico.
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2.2 FUNDAMENTOS QUE NORTEIAM A CONSTRUÇÃO DO PPP
O projeto político pedagógico é o fruto da interação entre os objetivos e prioridades estabelecidas pela coletividade que determina, mediante a reflexão, as ações necessárias à construção de uma nova realidade. 
É, antes de tudo, um trabalho que exige comprometimento de todos os envolvidos no processo educativo: professores, equipe técnica, alunos, seus pais e a comunidade como um todo.
Essa prática de construção de um projeto deve estar amparada por concepções teóricas sólidas e supõe o aperfeiçoamento e a formação de seus agentes. 
Veiga reforça esse princípio, observando a importância de se romper resistências em relação a novas práticas educativas. 
Um projeto político-pedagógico ultrapassa a mera elaboração de planos que só se prestam a cumprir exigências burocráticas. Vive-se a época da cultura de projeto na sociedade contemporânea, onde as condutas de antecipação para prever e explorar o futuro, fazem parte do presente. Essa influência do futuro sobre as adaptações cotidianas só faz sentido se o domínio que se tenta desenvolver sobre os diferentes espaços cumpre a função de melhorar as condições de da do ser humano (VEIGA, 2001, p. 11).
Esse aspecto é interessante porque, a rigor, os agentes educativos devem sentir-se atraídos por essa proposta, pois só assim terão uma postura comprometida e responsável. Trata-se, portanto,da conquista coletiva de um espaço para o exercício da autonomia.
Partindo do óbvio, como sugere Gadotti (2001), a palavra projeto vem do verbo projetar, lançar-se para frente, dando sempre a idéia de movimento, de mudança. A sua origem etimologia, como explica Veiga, vem confirmar essa forma de entender o termo projeto que “vem do latim projectu, particípio passado do verbo projecere, que significa lançar para diante” (VEIGA, 2001, p. 12).
Outros autores têm definições próprias para o termo projeto. Por exemplo, para Alvarez (1998), o projeto representa o laço entre presente e futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Já para Fagundes (1999), trata-se de uma atividade natural e intencional que o ser humano utiliza para procurar solucionar problemas e construir conhecimentos.
Alvarez (op. cit), por sua vez, relembra que no mundo contemporâneo, o projeto é a mola do dinamismo, se tornando em instrumento indispensável de ação e transformação.
Em seu estudo sobre a antropologia do projeto, Boutinet explica que o termo projeto teve seu reconhecimento no final do século XVII e a primeira tentativa de formalização de um projeto se deu no meio arquitetônico, com o sentido semelhante ao que nele se reconhece atualmente, apesar da marca do pensamento medieval “no qual o presente pretende ser a re-atualização de um passado considerado como jamais decorrido” (BOUTINET, 2002, p. 32).
Pode-se dizer, então, que a palavra projeto faz referência a idéia de frentes em projetar, lançar para, e a ação intencional e sistemática, organizadas de forma a servir como elemento orientativo.
Segundo Gadotti, todo projeto supõe uma ruptura com o presente e promessas para o futuro:
Projetar significar tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função da promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente a determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores (GADOTTI, in VEIGA, 2001, p. 18).
Desde os meados da década de 90, a idéia de projeto pedagógico vem tomando corpo no discurso oficial em quase todas as instituições de ensino do país. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), em seu artigo 12, inciso 1, prevê que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, têm a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica”, deixando explícita a idéia de que a escola não pode prescindir da reflexão sobre sua intencionalidade educativa. Assim sendo, o projeto pedagógico a ser objeto prioritário de estudo e de muita discussão.
Para André, o projeto pedagógico não é somente uma carta de intenções, nem apenas uma ordem administrativa:
Deve expressar a reflexão e o trabalho realizado em conjunto por todos os profissionais da escola, no sentido de atender às diretrizes do Sistema Nacional de Educação, bem como as necessidades locais e específicas da clientela atendida. É a concretização da identidade da instituição de ensino e do oferecimento de garantias para um ensino de qualidade (ANDRÉ, 2001, p. 188).
Segundo Libâneo, o projeto pedagógico “deve ser compreendido como instrumento e processo de organização da escola”, tendo e conta as características do instituído e do instituinte (LIBÂNEO, 2001, p. 125).
Já na visão de Vasconcellos, o PPP é mais que um referencial das expectativas da comunidade escolar:
É um documento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição de ensino (VASCONCELLOS, 1995, p. 143).
Veiga, por sua vez, observa que o PPP não é um conjunto de planos e projetos dos professores, nem somente um documento que trata das diretrizes pedagógicas da instituição educativa, mas um produto específico que reflete a realidade da escola, situada em um contexto mais amplo que a influencia e que pode ser por ela influenciado. 
Trata-se de um instrumento que permite clarificar a ação educativa da instituição educacional em sua totalidade. O projeto pedagógico tem como propósito a explicitação dos fundamentos teóricos-metodológicos, dos objetivos, do tipo de organização e das formas de implementação e de avaliação institucional (VEIGA, 1998, p. 113).
Pode-se dizer, então, que o projeto pedagógico não é um modismo e nem é documento para ficar engavetado em uma mesa na sala da direção da escola. 
Ele transcende o simples agrupamento de planos de ensino e atividades diversificadas, pois é um instrumento do trabalho que indica rumo, direção e é construído com a participação de todos os profissionais da instituição.
De forma geral o projeto pedagógico tem duas dimensões, a política e a pedagógica, como explicam André e Veiga: 
Ele é “político no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade” (ANDRÉ, 2001, p. 189). É “pedagógico porque possibilita a efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo” (VEIGA, 1998, p. 12).
Essas duas dimensões têm, por assim dizer, uma relação simbiótica, onde a última (pedagógica) trata de definir as ações educativas da escola, visando a efetivação de seus propósitos e sua intencionalidade (VEIGA, 1998, p. 12), e a outra (política) se cumpre na medida em que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica (SAVIANI, in VEIGA, 20001, p. 13).
Essas dimensões política e pedagógica, contempladas no processo de concepção, discussão, elaboração e operacionalização do Projeto Político Pedagógico, compreendem aspectos distintos que devem ser criteriosamente observados: ser fiel à sua finalidade; ser concebido de forma coletiva para assegurar sua legitimidade; e, por fim, que seja exeqüível, viável, realmente possível de realizar, de forma a não se estabelecer hipóteses e objetivos inatingíveis, contudo sem perder a noção de avanço, de superação e de desenvolvimento.
Veiga sugere alguns pontos a serem seguidos nesse processo construtivo:
Quadro 1 – Características do Projeto Político Pedagógico
	Finalidade
	Legitimidade e Viabilidade
	Ser processo participativo de decisões
	Nascer da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem
	Preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições
	Ser exeqüível e prever as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação
	Explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo
	Ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola.
	Conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica
	
Ser construído continuamente, pois como produto também é processo
	Explicitar o compromisso com a formação do cidadão
	
Fonte: Adaptado (VEIGA, 2001, p. 11)
	
Como se depreende, falar do projeto pedagógico é falar de planejamento no contexto de um processo participativo, onde o passo inicial é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais etapas.
	Alguns autores que tratam do planejamento, como por exemplo, Moacir Gadotti, falam simplesmente em referencial, mas outros, como Danilo Gandin, distinguem nele três marcos: situacional, doutrinal e operativo.
Para Veiga, o Projeto Político-Pedagógico, carregando o caráter de projeto de sua origem etimológica latina (projectu), cumpre a funçãode dar um rumo, uma direção à instituição. 
Essa ótica de Veiga se alinha ao pensamento que orienta o presente estudo, notadamente quando ela – a autora – destaca o caráter político e o caráter pedagógico da unidade escolar:
Ao construirmos os projetos de nossas escolas, planejamos o que temos intenção de fazer, de realizar. Lançamo-nos para diante, com base no que temos, buscando o possível. Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai além de um simples argumento de planos de ensino e de atividades diversas (VEIGA, 1996, p. 12).
Nesse sentido, o objetivo principal da elaboração desse documento por uma instituição educativa não está ligado apenas às exigências legais ou os aspectos ligados ao cumprimento de sua formalização textual, mas sim, à qualidade conseguida ao longo do processo de sua elaboração, uma vez que o PPP somente se constituirá em referência para as ações educativas se os sujeitos da comunidade escolar se reconhecerem nela, para referenda-la como tal.
O indispensável na construção do PPP é que expresse a realidade de cada instituição, justificadas as suas escolhas teóricas, contendo outros ou mais itens que retratem cada coletivo institucional.
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2.3 A INFLUÊNCIA DO PPP NA QUALIDADE DE ENSINO 
	Pensar um projeto de educação implica pensar o tipo e a qualidade da escola, a concepção de homem e de sociedade que se pretende construir.
	Apesar do aspecto ético de que se reveste a intencionalidade do Projeto Político Pedagógico (PPP), ainda se observa uma certa correria por parte das escolas na busca da construção de seus documentos, envolvendo discussões que vão desde a real importância desse para a escola, até mesmo a louca corrida pela execução da antiga pedagogia de projetos, só agora descoberta por algumas autoridades da educação, que, a todo custo, mais uma vez tentam implantá-la.
	Essa é uma visão distorcida que precisa ser equacionada, conforme observa Libâneo:
O projeto representa a oportunidade de a direção, a coordenação pedagógica, os professores e as comunidades tomarem sua escola nas mãos, definir seu papel estratégico na educação das crianças e jovens, e organizar suas ações, visando a atingir os objetivos que se propõem. É o ordenador, o norteador da vida escolar (LIBÂNEO, 2001, p. 143).
	Pelos conceitos reunidos neste capítulo, depreende-se que as mudanças na educação dependem fundamentalmente de vontade política, no que diz respeito a encará-la como prioridade nacional – não enquanto lema, mas praticamente e da vontade e empenho dos professores, que são de fato os responsáveis para no dia-a-dia tornar em prática os projetos e concepções de educação que sempre foram concebidas por alguns e não por eles, o que contribui para que se tenha tanta proposta interessante no papel, mas que no fazer pedagógico ainda se mantém distância do idealizado.
	Até a década de 90, as escolas num sentido amplo e os dirigentes político pouco se preocupavam com a existência de um projeto político pedagógico, já que a educação, ao longo do tempo - salvo raras exceções, sempre foi um dos caminhos mais fáceis para se praticar os desvios de recursos para outros setores e em muitos casos para o enriquecimento ilícito, o que torna surpreende essa busca geral em que se encontram os sistemas de ensino para concretizar seus projetos.
	A rigor, a necessidade de um projeto político-pedagógico na escola antecede a qualquer decisão política ou exigência legal, já que os educadores, enquanto membros da instituição de ensino, devem ter claro a que horizonte pretendem chegar com seus alunos, com a comunidade e com a sociedade, caso contrário o próprio papel de educador restará comprometido, assemelhando-se a um aventureiro que não sabe onde quer chegar.
	Não há mudanças na educação quando elas acontecem de cima para baixo. Se a escola é o fruto da sociedade, conseqüência dos saberes construídos social, cultural e subjetivamente pelas pessoas que estão fora e dentro da escola, como é possível pensar em mudanças a partir daqueles que não estão diretamente ligados a essa realidade? Alunos, professores e a comunidade não podem figurar apenas nos papéis e nas propostas, mas fazer parte do sistema de reformulação do pensar a educação e a escola. Assim sendo, a mola principal das mudanças é a postura e a crença do educador num repensar a educação e a sua própria caminhada; senão, como já disse o ex-ministro da Educação Carlos Chjiarelli, em 1992 sobre o sistema educacional brasileiro: “os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e o governo finge que controla”. 
O ideal é que toda comunidade escolar participe das decisões que envolvem a educação, e, com maior ênfase, que o educador se lance à mobilização da sociedade para a luta por uma educação mais real, digna de um país com mais de 500 anos de “descobrimento”.
 Como elaborar o PPP?
O Projeto Político Pedagógico da Escola (PPP) pode ser inicialmente entendido como um processo de mudança e de antecipação do futuro, que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para melhor organizar, sistematiza e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo. Sua dimensão político-pedagógica pressupõe uma construção participativa que envolve ativamente os diversos segmentos escolares. 
Ao desenvolve-lo, as pessoas re-significam suas experiências, refletem suas práticas, resgatam, reafirmam e atualizam valores, explicita, seus sonhos e utopias, demonstram seus saberes, dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmam suas identidades, estabelecem novas relações de convivência e indicam um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação (PADILHA, 1999, p. 22).
Esse movimento visa a promoção da transformação, necessária e desejada pelo coletivo escolar e comunitário. Nesse sentido, o PPP é práxis, ou seja, ação humana transformadora, resultado de um planejamento dialógico, resistência e alternativa ao projeto de escola e de sociedade burocráticos, centralizados e descendentes (idem, ibidem).
O PPP, é, então, movimento da ação-reflexão-ação, que enfatiza o grau de influência que as decisões tomadas na escola exercem nos demais níveis.
Ao pensar e plantar o PPP – mais do que implementar ou implantar – as relações estabelecidas na escola podem resgatar a “alegria e a felicidade existente no espaço educacional, festejar o encontro das pessoas e dos grupos, multiplicar os espaços de trocas e de relações inter-transculturais” (PADILHA, 1999, p. 32)., o que leva à compreensão de que o projeto se caracteriza por seus aspectos “eco-político-pedagógico: ética e estética, sustentabilidade e virtualidade – referências e princípios indispensáveis para a operacionalização, concretização do mesmo” (ANTUNES, 2002, p. 50).
Nessa perspectiva em que se enfatiza o surgimento de uma Escola Cidadã, a elaboração do projeto político pedagógico deve começar pela reflexão sobre a prática, para, em seguida, fundamentá-la. Mas isso só é possível se existirem condições concretas para a formação continuada dos professores e de todos os envolvidos no processo, tarefa dos governos responsáveis pelas respectivas redes ou sistemas de ensino e também da própria escola.
A escola, a seu turno, ao iniciar a construção de seu projeto, inicia um processo de formação continuada da comunidade escolar, demanda que vai surgindo de forma mais evidente dada às características desse trabalho, eu por isso é, em si mesmo, político-pedagógico e formativo (VEIGA, 1998, p. 59).
 Aprende-se fazendo, e, ao se fazer, aprende-se a (re)aprender. O conjunto dessas (re)aprendizagens, reflexões, ações e relações, somado ao trabalho pedagógico, administrativo, financeiro e comunitário da escola – tudo registrado como resultado da leitura de mundo, deve ser traduzido na forma de princípios, diretrizes e propostas de ação (VASCONCELLOS, 1995, p. 145). 
Esses cuidados possibilitam estruturar o PPP da escola, bem como organizar ou reorganizar o seu currículo, aspectoque torna a escolarização mais humanizada.
Especificamente sobre a experiência educativa, Paulo Freire observa que transforma-la em algo puramente técnico seria amesquinhar o caráter humano da formação da pessoa (FREIRE, 1997, p. 106). 
Freire ainda evidencia sobre a importância do estímulo à curiosidade, imaginação, emoção, intuição do aluno e do professor, sempre associados à necessária rigorosidade da pesquisa científica (idem, ibidem).
Nesse contexto, vários são os caminhos para iniciar, na escola, a elaboração do seu projeto político-pedagógico, onde não deve faltar o objetivo de (re)construir uma escola mais bela, prazerosa e aprendente.
Essa (re)construção é necessária, até porque, quem gosta de freqüentar uma escola suja,a feia, depredada, pichada, cheia de muros e de grades? 
Sentir-se bem na escola exige a preocupação constante com a sua estrutura física, com a conservação das suas dependências e dos diferentes espaços como o seu jardim, a sua horta, as suas possíveis áreas livres e esportivas, para que alunos, professores e comunidade possam ocupa-las e freqüenta-las de forma lúdica, alegre, científica pedagógica. Além dos aspectos estéticos e estruturais, há que se dar total importância à qualidade e à beleza das relações pessoais, interpessoais e grupais que lá se estabelecem. Se a escola não conta com esses espaços de trocas e de relações, razão maior possui para que se dedique a reivindica-los, a lutar politicamente por eles e, por conseguinte, a conquista-los (FREIRE, 1997, p. 118).
Fala-se aqui de uma mudança conceitual e estrutural na escola. 
Mas, a rigor, nenhuma mudança fundamental acontece gratuitamente, sem esforços, sem luta e sem conflito. Intervir é necessário para mudar. Aí está, também, a dimensão política do ato educativo. 
Daí a necessidade do PPP, processo no qual se registram tais demandas, criando movimentos favoráveis ao alcance das mudanças desejadas. 
São essas necessidades e desejos que mobilizam a ação e o desenvolvimento de processos profundamente pedagógicos.
Considera-se que “ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria” (FREIRE, 1997, p. 160).
Falar em Escola Cidadã significa isso: ousadia e enfrentamento do risco e da necessidade de evitar atitudes que possam diminuir o significado dessa festa, da festa que é do povo, como se falar em festa significasse “apenas” um momento de lazer, ou de brincadeira, ou de “oba-oba”.
Algumas perguntas podem orientar o sempre indispensável registro da experiência da leitura do mundo, via festa, proposto por Freire. Por exemplo: o que, com quem e como nos organizamos? Quais as nossas dificuldades e facilidades? O que não conseguimos fazer? Onde avançamos? Quais as descobertas mais significativas da experiência, os êxitos, os problemas a enfrentar, as sensações, emoções e relações criadas e estabelecidas durante a realização das várias atividades da festa? O que deu mais prazer e mais medo? Como conseguimos superar as dificuldades e os problemas surgidos? Enfim, o que devemos fazer de novo e o que não vale a pena repetir? (GIALCALONE, 1998, p. 127).
Com essas e outras perguntas, está-se reunindo elementos fundamentais para organizar a escrita mais formal do projeto político pedagógico da escola e reunindo elementos concretos, contextualizados e, sobretudo, vivenciados pelos diversos segmentos escolares para melhor re-significar o currículo escolar. Favorece-se assim a aprendizagem dos alunos. Tem-se em mãos as informações iniciais para a definição dos princípios, das diretrizes e das propostas de ação do projeto ideal de escola, de cidade, de sociedade e de mundo.
A escola precisa escrever sua história, registrar a sua experiência de várias maneiras por escrito, em vídeo, em áudio, por meio de fotografias, desenhos e outras formas criativas, assim terá mais elementos para análise, para pensar o futuro e então escrever o seu projeto político-pedagógico, a sua proposta pedagógica, consubstanciados em dados concretos da realidade, que tenham por referência as experiências locais da comunidade escolar, comparadas e relacionadas ao contexto planetário em que vive (ANTUNES, 2002, p. 136).
Para operacionalizar a leitura do mundo, na perspectiva da Escola Cidadã, oito passos devem ser observados:
Quadro 2 – Etapas de Operacionalização da Análise e Diagnóstico da Escola
	Nº
	Descrição
	1
	Discutir com a comunidade escolar o significado de Escola Cidadã
	2
	Construir uma Comissão que organize e coordene esse processo na escola, em sintonia com os outros colegiados escolares
	3
	Criar espaços para que toda a comunidade escolar possa decidir sobre como será a festa em todas as suas dimensões
	4
	Definir responsabilidades, atribuições, cronograma das ações e oferecer formação para melhor qualificar a sua atuação
	5
	Socializar a experiência na própria escola e ampliar essa troca em relação ao nível interescolar, municipal, etc
	6
	Ampliar a comunicação na escola e dar retorno permanente à comunidade escolar sobre o resultado dos trabalhos e das atividades desenvolvidos, inserindo-se na avaliação dialógica desse processo
	7
	Analisar e interpretar permanentemente os resultados parciais da leitura do mundo, em suas dimensões social, política, ambiental, econômica; enfim, cultural, realizando a transposição do resultado desse trabalho para o Marco Referencial do PPP da escola, no qual se registram a visão de mundo da comunidade escolar, suas utopias e os seus sonhos de uma escola melhor
	8
	Atualizar o direcionamento do olhar em relação a determinados enfoques e dimensões que se deseja pesquisar e/ou aprofundar, tornando a festa um evento permanentemente atualizado em suas linguagens e atividades
Fonte: Adaptado (GIALCALONE, 1998, p. 130)
Como se percebe, são vários os formatos possíveis de realizar a Escola Cidadã. Cada unidade escolar tem possibilidade de escolher o seu. O importante é sempre perguntar sobre como pode manter, melhorar e ampliar o processo de leitura do mundo.
Nesse sentido, algumas questões são recomendadas, como observa Gialcalone:
Como ampliar a leitura de mundo? Quais as características das dimensões administrativa, pedagógica, financeira, social e cultural da escola e da comunidade? Os olhares dos vários segmentos escolares estão sendo contemplados? Quais perguntas já nos fizemos e quais ainda não foram feitas? As respostas às nossas perguntas são resultado da maioria dos sujeitos escolares ou resultam de uma consulta mínima, pouco representativa se comparada à amplitude da relação entre escola e comunidade? (GIALCALONE, 1998, p. 141)
O PPP da escola, partindo dessa leitura de mundo, e assim construído, contribui para a definição das políticas educacionais e para a necessária continuidade administrativa, independentemente das mudanças que ocorrem sistematicamente nas esferas do poder público.
Segundo Antunes, metas e objetivos são definidos e avaliados para períodos que transcendem a duração dos mandatos dos cargos públicos, executivos ou legislativos. O projeto da escola pode ser pensado, por exemplo, para 2 a 10 ou mais anos, dependendo da capacidade dos seus segmentos e de sua comunidade de resgatar as experiências instituídas, considerar as vivências do presente e de pensar o futuro (ANTUNES, 2002, p. 219).
Os caminhos aqui descritos têm como perspectiva a construção da autonomia da escola, dos educadores e dos educandos, como agentes curriculares e, numa dimensão mais ampliada, a autonomia da própria sociedade.
Construir o PPP na escola, dentro dessa ótica de Escola Cidadã, implica a construção de uma sociedade que, dessa forma, por ir também se tornando mais bela, prazerosa e aprendente. Enfim, mais justa e solidariamente humanizada.
 
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2.4 PPP - O COMPROMISSO COM A COMUNIDADE ESCOLAR 
O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um processo em construção permanente que aglutina idéias, crenças, convicções, conhecimentos da comunidade escolaracerca do contexto social, cultural e científico; constituindo-se assim, em um compromisso público coletivo.
E, como se depreendo dos estudos desenvolvidos até aqui, é fruto de reflexão e investigação acerca dos princípios e finalidade da instituição escolar; é, também, a explicação de seu papel social e a clara definição de caminhos, formas operacionais e ações a serem empreendidas por todos os envolvidos com o processo educativo.
Em síntese, o PPP é a formalização do compromisso entre os vários segmentos da comunidade escolar para atingirem os objetivos estabelecidos coletiva e participativamente.
Contudo, para que a escola seja realmente um espaço democrático e não se limite a reproduzir a realidade sócio-econômica em que está inserida, cumprindo ordens e normas a ela impostas por órgãos centrais da educação, validando enfim o seu papel no processo de desenvolvimento das comunidades que atende, é preciso criar espaços e instrumentos que facilitem a participação e a reflexão coletiva.
Essa análise conjunta, que busca avaliar a qualidade do desempenho da escola junto à comunidade e identificar formas de avançar, é justa, necessária e deve revestir-se de uma autonomia emancipadora.
Torna-se importante reforçar a compreensão cada vez mais ampliada de projeto educativo como instrumento de autonomia domínio do trabalho docente pelos profissionais da educação, com vistas à alteração de uma prática conservadora vigente no sistema público de ensino. É essa concepção de projeto político-pedagógico como espaço conquistado que deve constituir o elemento diferencial para o aparente consenso sobre as atuais formas de orientação da prática pedagógica (PINHEIRO, 1998, p. 68).
Essa necessidade de conquistar a autonomia é fundamental para estabelecer uma identidade própria da escola, na superação dos problemas da comunidade a que pertence e conhece bem, mais até que o próprio sistema de ensino.
 A autonomia a partir da construção do PPP
A autonomia pretendida pela escola – e estabelecida no processo de construção coletiva do PPP - não deve ser confundida com apologia a um trabalho individualizado, isolado, marcado por uma liberdade ilimitada que transforme a escola numa ilha de procedimentos sem fundamentação nos preceitos legais do sistema de ensino, perdendo assim, a perspectiva da sociedade como um todo.
Enquanto compromisso, os termos do PPP devem ser rigorosamente discutidos, planejados e estabelecidos de forma a serem viáveis e efetivamente reunir condições de impulsionar a transformação desejada.
Para Veiga, o PPP possui um caráter emancipador que precisa ser explicitado posto que, ao falar de Escola Pública, há uma referência implícita ao conceito e aqui pode surgir uma dúvida, até porque a simples constatação da realidade muito pouco ou quase nada acrescenta à compreensão das complexas relações sociais (VEIGA, 1996, p. 231).
Assim, uma forma privilegiada de pensar o mundo é o entendimento dessas complexas relações. Para Veiga, pensar o PPP como emancipador porque é um projeto da escola pública que atende a população majoritária é reduzi-lo às mesmas dimensões de um projeto de educação por excelência (Idem, ibidem).
Essas colocações feitas por Veiga são procedentes, até porque, segundo a autora, a elite brasileira tem, com certeza, um projeto de educação por excelência para as camadas trabalhadoras. Em contrapartida, a escola pública pensa o seu projeto de educação a partir dos determinantes e das possibilidades histórico-sociais da construção de um projeto politicamente favorável à qualidade de ensino e da aprendizagem das camadas populares (VEIGA, 1996, p. 236).
São contradições compreensíveis, assim como é compreensível a obviedade na abordagem dessas perspectivas, já que ambas reconhecem a necessidade da qualidade do ensino e da aprendizagem.
É preciso explicitar esse concito à luz da finalidade dos dois projetos. Reapropriar-se da clareza filosófico-científica, ética e técnica do conceito “qualidade da educação” é tomar como critério de criticidade e análise dos condicionantes econômicos culturais e sociais que constituem objetivamente a realidade social (VEIGA, 1996, p. 238).
Nesse sentido, empenhar-se na construção coletiva de um PPP de qualidade, praticamente definido em favor das necessidades das camadas populares significa conceber a escola do ponto de vista da educação, enquanto direito social.
E é nesse aspecto que a função social da escola revela sua dimensão política na perspectiva de construir coletivamente a qualidade do ensino e da aprendizagem via PPP autônomo e democrático.
Enquanto a aquisição da herança cultural – organizada na forma de currículo – se constitui em objeto de apropriação por parte das novas gerações, a gestão desses processo educativos se articula ao papel que a escola representa ma unidade conhecimento – poder para usar esse papel na formação de cidadãos críticos e ativos. A qualidade do ensino-aprendizagem decorrente desse projeto possibilita o desenvolvimento de uma nova forma de pensar / falar / agir, que não permite ao poder se ocultar em lugar algum, mas que se explica nas relações entre sujeitos e os objetos de apropriação (bens materiais e culturais) como uma possibilidade real de construção da dignidade do cidadão (LIBÂNEO, 2001, p. 195).
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Para os neoliberais, como afirma Moreira, “o bom funcionamento do mercado livre e competitivo maximiza a eficiência econômica e, ao mesmo tempo, promove a liberdade individual e solidária social” (MOREIRA, 1995, p. 96).
Assim, os indivíduos são livres para as atividades econômicas, mas controlados para os propósitos culturais e sociais. Para tanto, afirma em discurso, o Presidente da República, que para um ensino de boa qualidade, impõe-se um currículo que unifique as matérias a serem ensinadas obrigatoriamente por cada escola em todos os Estados.
No desdobramento das explicações sobre esse projeto de educação por excelência, alguns pontos devem ser analisados, conforme observa Sandrini, no que tange à sua fundamentação na qualidade total, à ênfase nos aspectos emocionais, a equanimidade, a terceirização e a revolução tecnológica.
Quadro 3 – Fundamentos da Educação por Excelência
	Qualidade total
	A gestão da qualidade trouxe benefícios inegáveis às empresas. 
Em uma sociedade onde a educação é tratada como privilégios e não como compromisso social, a qualidade reforça a amplia os privilégios e desigualdades 
	Ênfase nos aspectos emocionais
	A qualidade tem ligações íntimas com o sujeito em seu cotidiano. Não basta o pão. É preciso pão e beleza. Educar é ajudar as pessoas a crutir a vida a partir do aqui e do agora
	Equanimidade 
	Consiste no reconhecimento de cada um ter o que é preciso para desenvolver o que. Cada um vai conquistar o que é justo para si, que não é igual ao que é justo para o outro. Defende a subjetividade que naturalmente desemboca no individualismo
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Cont.: Quadro 3 – Fundamentos da Educação por Excelência
	Terceirização
	Em educação significa a busca de parcerias, de reciprocidade e de complementaridade. O dever do Estado de assegurar a escolaridade básica a todos não significa que ele pode/deve fazer tudo. 
A participação, a ação conjunta da família, de grupos organizados da sociedade civil,d e empresas, de professores, revelam-se como novos parceiros. 
É preciso romper com a dicotomia público-privado, no sentido de facilitar as parcerias e o compromisso co a educação básica.
	Revolução tecnológica
	O trabalho escolar precisa apropriar-se das novas tecnologias para apresentar maior eficácia. 
O discurso da qualidade de ensino incorpora as novas tecnologias: TV, TV a cabo, computador, Internet, o que muitas vezes reduz o ensino à atividade produtiva.
Fonte: Adaptado (SANDRINI, 1994, p. 35-37).
Nessa ótica, a construção de um PPP por excelência, assentado em tais princípios significa atrelar a escola ao mercado de trabalho e renunciar a sua função precípua de formação integraldo homem.
	Mas, o compromisso da escola com a sociedade, está para além desses objetivos neoliberais. Daí a importância de observar, nessa concepção de gestão do trabalho pedagógico, que em sua aparência, evidencia elementos reveladores da modernidade, globalidade, inteligência emocional, qualidade total, competitividade, parceria e outros que, na realidade, escondem a acirrada excludência por meio do desenvolvimento tecnológico da formação de trabalhadores que pressupostamente vão integrar o mercado formal de trabalho.
Aspectos como esses devem ser criteriosamente analisados durante o processo de construção do PPP, de forma a se esclarecer pontos cuja interpretação seja subjetiva, ou que por vezes se alinhem a tendências contemporâneas destituídas de maiores cuidados com a integridade do homem, com a sua constante valorização.
Principalmente, é preciso atentar para que toda a comunidade escolar esteja ciente das implicações sociais, políticas, econômicas e culturais de sua realidade frente ao contexto global, e que, ao estabelecer o futuro e a escola que desejam, estejam, cientes do produto final de suas intervenções.
O PPP é, pois, a consolidação de um compromisso entre as interfaces da comunidade escolar e a escola deve posicionar-se de forma a assegurar a busca incessante pela sua articulação plena à sociedade.
Essa responsabilidade encontra respaldo nas palavras de Paulo Freire, quando afirma:
Não posso ser professor se não percebo cada vez melhor que, por não ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posic’~ao. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. Não posso ser professor simplesmente do Homem ou da Humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa. Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade com a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais,. Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo (FREIRE, 1996, p. 115).
	
	Somente essa comunhão entre valores e expectativas legítimas assegurará que o PPP consagre a autonomia do cidadão, construída coletivamente na escola.
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3 METODOLOGIA
	
	A metodologia busca detalhar e descrever os caminhos percorridos para chegar aos objetivos, apresentando os instrumentos de pesquisa e como serão analisados os dados coletados e as especificações técnicas.
A abordagem deste trabalho é qualitativa, tendo em vista a necessidade de analisar situações em que observações qualitativas foram usadas como indicadores do funcionamento de estruturas sociais, demandando uma série de leituras sobre o assunto estudado, possibilitando estabelecer relações entre esses conceitos e a realidade detectada pelas observações.
	Para tanto, foram adotados como métodos, a pesquisa bibliográfica, a pesquisa de campo e a pesquisa exploratória, com ênfase na descoberta de práticas ou diretrizes que precisam ser modificadas e que subsidiarão a elaboração de alternativas que possam ser substituídas.
 ASPECTOS TÉCNICOS DA PESQUISA
 Pesquisa Bibliográfica
	A etapa da pesquisa bibliográfica é o primeiro passo de toda a pesquisa científica, e, portanto a base de todo o trabalho, onde é observada a importância de conhecer as várias formas de estudos feitos sobre determinados assuntos com o objetivo de encontrar dados e informações que possam ser utilizados na elaboração do projeto de pesquisa (MARCONI, LAKATOS, 2001, p. 53).
 Pesquisa de Campo 
	A pesquisa de campo compreende a investigação feita diretamente sobre os agentes influentes e influenciados pelo fenômeno em estudo. É o momento em que as respostas traduzem uma realidade que, quando confrontada com os conceitos reconhecidos, assumem a função de determinadores da pesquisa científica. 
	O desenvolvimento da pesquisa de campo se dá, invariavelmente in loco, ou seja, no local de manifestação do fenômeno ou evento em estudo, sempre com respaldo de um número significativo de elementos e de provas que permitam comprovar – ou refutar - cientificamente uma teoria (ARRABAL, 2006, p. 3).
 Pesquisa Exploratória
Na pesquisa exploratória, a ênfase é dada à descoberta de práticas ou diretrizes que precisam modificar-se e na elaboração de alternativas que possam ser substituídas.
A pesquisa exploratória é a maneira mais rápida e econômica para o pesquisador descobrir hipóteses possíveis e tirar proveito de outros trabalhos já realizados, utilizando-se, por exemplo, de estudo intensivo de um caso que pode fazer aparecer relações que de outra maneira não seriam descobertas. Em síntese, os estudos exploratórios têm como objetivo a formulação de um problema para efeito de uma pesquisa mais precisa, ou, ainda, para a elaboração de hipóteses. (OLIVEIRA 2001, p. 134).
3.1.4 Técnica de Coleta de Dados
Finalizando a etapa descritiva da metodologia, a execução desse trabalho exigiu a documentação direta, obtida através da observação direta intensiva, utilizando as técnicas de observação e de entrevista.
Segundo Marconi e Lakatos, a observação utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Consiste em ver, ouvir, examinar e analisar os fenômenos sobre da questão levantada. Já a entrevista é uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica que proporciona ao pesquisador, verbalmente, as informações necessárias (MARCONI, LAKATOS, 2001, p. 69).
 DADOS DA PESQUISA
3.2.1 Finalidade da Pesquisa
Este trabalho tem como finalidade conhecer o processo da realidade didático-pedagógica no Ensino Fundamental e Médio, assim, para efeito da identificação do modus operandi dos professores que atuam na rede pública de ensino, além da pesquisa exploratória – feita a partir de observação e análise dos procedimentos educacionais da instituição e de seus profissionais, foi utilizada também a pesquisa de campo, adiante explicitada.
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3.2.2 População e Amostragem do Universo Pesquisado
	A pesquisa de campo foi elaborada focando professores, diretores e supervisores das áreas municipal e estadual de ensino de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba – Paraná.
	A primeira escola a ser pesquisada foi a Escola Municipal Maria Elisa Cruz – Educação Infantil e Ensino Fundamental, situada no bairro Santaria, que atende 268 alunos (ensino regular e sala de recursos), nos turnos da manhã e da tarde, com faixa etária de 05 a 11 anos de idade. Trabalham nesse estabelecimento de ensino 17 professores, dos quais 10 responderam à pesquisa proposta.
	A segunda escola foi o Colégio Estadual Manoel Borges de Macedo, Centro, que atende 280 alunos, de 5ª a 8ª série e 1ª ano do ensino Médio, nos turnos da manhã e da tarde. Cerca de 15 professores atuam nesse colégio e 10 responderam à pesquisa proposta.
Instrumentos de Coleta de Dados
A coleta de dados foi realizada a partir de Questionário (Apêndice A), entregue aos professores. Esses questionários foram todos devidamente respondidos.
Também foram realizadas observações durante os momentos em que os professores reuniram-se para a construção do PPP das escolas pesquisadas.
Os dados levantados foram tabulados para a devida análise e implementação do relatório de pesquisa.
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Os dados levantados na etapa da pesquisa de campo e exploratória serviram para compreender a dinâmica didático-pedagógica no Ensino Fundamental e Médio, notadamente no que se refere à construção e operacionalização do Projeto Político-Pedagógico. Os principais aspectos dessa etapa estão relatados na seqüência.4.1 PESQUISA DE CAMPO – QUESTIONÁRIO PARA PROFESSORES
	O questionário foi entregue a 20 professores da rede pública de ensino de Rio Branco do Sul e todos eles retornaram os impressos devidamente respondidos. Todos os professores demonstraram interesse pela pesquisa.
	Esses professores atuam em escolas que oferecem Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, não havendo distinção por nível educacional, antes sim, procurou-se identificar a postura do professor enquanto promotor da educação e fomentador no processo de construção do PPP.
	Cada questionário possui 7 perguntas com alternativas de respostas objetivas, de forma a delimitar o âmbito das respostas, facilitar a tabulação dos dados e permitir identificar os níveis das tendências.
	Em relação à questão número 1, que trata da participação dos professores na construção do PPP da escola em que trabalham, observa-se que a maioria (70%) dos pesquisados está participando do processo, enquanto 30% não demonstra comprometimento em estar trabalhando nas atividades que a escola propõe.
	O Gráfico 1 mostra esses resultados. 
Gráfico 1 – Participação na Construção do PPP
Na questão número 2, foi perguntado aos professores sobre a forma como está sendo construído o Projeto Político-Pedagógico em sua escola, observa-se que 60% dos pesquisados está trabalhando no PPP em reuniões pedagógicas específicas para tal procedimento, 40% afirma contribuir nessa construção na hora-atividade. O Gráfico 2 mostra esses resultados. 
Gráfico 2 – Forma de Construção do PPP na escola
Já na questão número 3, foi pedido aos professores avaliarem sua participação na construção do PPP, percebe-se que estes, em sua maioria, acreditam ter uma participação excelente, pois se fizeram presente em todos as etapas do processo; enquanto 10% consideraram satisfatória sua atuação pois participaram de alguns trechos do PPP, e 30% revelaram ser péssima sua atuação por não ter participado em momento algum das atividades propostas para o trabalho’e, 10% a vêem como boa pois utilizaram sua hora-atividade como um momento de colaboração para a implementação do PPP de sua escola. 	O Gráfico 3 mostra esses resultados. 
Gráfico 3 – Classificação da participação dos professores na construção do PPP
A questão número 4, refere-se à forma como os professores definem o PPP, 40% acredita que trata-se de um trabalho de esforço coletivo, 40% vêem como um documento que expressa o compromisso político e pedagógico coletivo e 20% afirma ser mais um documento exigido pela Secretaria da Educação. O Gráfico 4 mostra esses resultados. 
Gráfico 4 – Participação na Construção do PPP
	Perguntou-se, na questão número 5, sobre a impressão do professor acerca da contribuição do PPP, observa-se que cerca de 50% dos professores acredita que esse contribui para a melhoria da educação como um todo, seguido de 30% que afirmam que contribui para o desenvolvimento do educador e educando e 20% para a qualidade do ensino. O Gráfico 5 mostra esses resultados. 
Gráfico 5 – Participação na Construção do PPP
	No que se refere à questão número 6, perguntou-se aos professores sobre as principais preocupações existem ao se construir o PPP, percebe-se que a maioria dos professores vê na ausência dos pais, 60%, um grande fator de dificuldade na realização de seu trabalho; seguida da indisciplina, 50%; e a dificuldade ainda piora quando há a união desses dois. A superlotação e a falta de apoio técnico são citadas por 20% dos professores. Gráfico 6 mostra esses resultados. 
Gráfico 6 – Principais preocupações citadas na construção do PPP
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	Finalizando, na questão número 7, foi pedido que os professores identificassem os principais desafios enfrentados em relação aos recursos pedagógicos citados no PPP, 70% dos profissionais não têm acesso a novas tecnologias que possam ser empregadas em sala de aula e ainda não há material pedagógico suficiente para trabalho. Outro ponto é a falta de capacitação para o manuseio de certos materiais, citado por 20% dos professores e ainda outros 20% mencionaram que alguns recursos pedagógicos não estão adaptados à realidade escolar. O Gráfico 7 mostra esses resultados. 
Gráfico 7 – Participação na Construção do PPP
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4.2 OBSERVAÇÕES DURANTE A CONSTRUÇÃO DO PPP
	Durante a construção do PPP das escolas pesquisadas, percebeu-se que parte dos professores mostrou-se integrado ao assunto, uma vez que esses participavam das reuniões pedagógicas com idéias e levantaram discussões que enriqueceram o processo.
	O artigo 12 da LDBN nº 9394/96 fala claramente que é incumbência da escola proceder à elaboração do seu projeto pedagógico. Os artigos 13 e 14 dessa mesma lei colocam nas mãos dos professores, supervisores e orientadores, a responsabilidade de participar da construção desse projeto. Com essa incumbência prevista no artigo inicialmente citado, amplia-se o conceito da escola para além da sala de aula e além dos muros. 
Nesse sentido, compete à comunidade escolar, e com maior ênfase ao professor, criar uma proposta pedagógica para desenvolver no aluno a cidadania, a sua capacidade de ser como pessoa e a capacidade para o trabalho. Isso implica em uma escola inserida em um contexto social e que procura atender às exigências não só dos alunos, mas de toda a sociedade.
	Convém destacar que alguns professores demonstraram certo descaso com a construção do PPP, mostrando-se alheios ao que acontecia e sequer compareceram às reuniões convocadas pela direção para sua implementação.
	Isso não foi motivo para que os envolvidos no processo desanimassem e deixassem de realiza-lo, dada a importância desse documento para o funcionamento do estabelecimento de ensino.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
	A gestão da educação enquanto tomada de decisões se realiza a cada momento na vida escolar; quer planejando, construindo o PPP, quer avaliando a realidade escolar que subsidiará essa construção.
	Os projetos pedagógicos ganham sua significação na articulação com um projeto mais amplo de sociedade que se deseja e pela qual se luta.
	Integrada a essa idéia não se pode esquecer que esta é uma época de crise, de grandes transformações e, portanto, de crise na educação, fato que por si só já justifica uma discussão sobre a construção coletiva de um projeto pedagógico.
Nesse sentido, o presente trabalho enfocou a elaboração do PPP na perspectiva de uma construção efetivamente participativa, tendo como objetivo geral, compreender como se dá a elaboração do Projeto Político Pedagógico nas escolas, objetivo que foi desdobrado nos seguintes objetivos específicos: identificar os princípios que norteiam a construção desse documento referencial, aspecto que foi contemplado no item 2.1; verificar como ele pode influenciar na qualidade de ensino prestado à clientela do estabelecimento de ensino pesquisado, amplamente analisado no item 2.2; e, refletir sobre o compromisso firmado com a comunidade escolar, atendido no item 2.3.
	Com base no referencial teórico levantado na etapa da pesquisa bibliográfica e o contraponto feito a partir dos resultados das pesquisas exploratória e de campo (vide itens 4.1 e 4.2), pode-se avaliar a distância que existe entre os princípios que fundamentam a construção coletiva do PPP, no tocante às suas dimensões política e pedagógica, e a importância ainda relativa que é dada à elaboração desse documento nos termos preconizados.
Essa dissonância revela que ainda há o que se avançar em termos de comprometimento e ética por parte dos professores – que a rigor, são os elementos fomentadores desse conceito junto à comunidade escolar, e se, há renitência na disseminação dos propósitos do PPP, ou se a idéia de transformação amedronta pelas mudanças que pode implicar, dificilmente se estará trabalhando na construção do futuro, da escola e da sociedade idealizada por tantos. 
Esse fenômeno de distanciamento, contudo, é passível de compreensão, até porque raramenteo processo educacional é analisado como parte da sociedade, e muito menos se avalia a sociedade que existe e a que se quer na construção de um projeto de escola, da escola em que se trabalha.
Tal aspecto exige melhor atenção porque é na construção de uma base de informações que se delineia a realidade social existente, as demandas da sociedade e os caminhos para supri-las. 
Trata-se de uma nova forma de postura, de atitude. Ora, a construção do projeto implica sempre na memória lançada para frente; é um exercício prospectivo, uma vez que se organiza algo que está por vir, mas que tem como referência o caminho já percorrido e, ainda, o ponto e as circunstâncias em que se está. 
Projeta-se quando se tem à frente, algo que se quer e para trás algo que se tem como referência. Um projeto é sempre um empreendimento, organização de ações em função de necessidades e desejos de sujeitos concretos. É sempre o anúncio de algo que se deseja avançar. A partir daí pode-se pensar o que uma escola quer como seu projeto pedagógico.
	Como se depreende de toda bibliografia levantada neste estudo, o princípio norteador de um PPP é a sua intencionalidade. Algo que a apresenta como desejado e necessário. 
Todo projeto implica a explicação de uma determinada intenção de ações, da definição a respeito dos fins que se quer alcançar, que se sustentam em valores, valores esses criados e estabelecidos pelos sujeitos participantes das ações. Assim fica explícita uma filosofia de ação.
	Tem-se então o que é mais importante nessa discussão. O que realmente significa autonomia na escola e para a escola? Para que seja realmente um espaço democrático e não se limite a reproduzir a realidade sócio-econômica em que está inserida, cumprindo ordens e normas a ela impostas por órgãos centrais da educação, deve-se criar um espaço para a participação e reflexão coletiva sobre o seu papel junto à comunidade. Isto se dá no momento em que coletivamente é realizada a construção do PPP, uma forma de agregar idéias e pensamentos diferentes na busca de um bem comum.
	O PPP da escola pode ser entendido como um processo de mudança que estabelece princípios, diretrizes e propostas de ação para melhor organizar, sistematizar e significar as atividades desenvolvidas pela escola como um todo.
	Sua dimensão político-pedagógica pressupõe uma construção participativa que envolve ativamente os diversos segmentos escolares. Isto é verificado no momento em que professores, direção e supervisão trabalham em momentos fora do dia letivo, pensando na melhoria do ensino.
	Ao desenvolve-lo, as pessoas re-significam suas experiências, refletem suas práticas, resgatam, reafirmam e atualizam valores, explicitam seus sonhos e utopias, demonstram seus saberes, dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmam suas identidades, estabelecem novas relações de convivência e indicam um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação.
	É um momento democrático, no qual é possível através da realidade da comunidade escolar, realizar um trabalho que tenha características dessa comunidade e implique numa real formação política-pedagógica.
	Este movimento visa a promoção da transformação necessária e desejada pelo coletivo escolar e comunitário. Nesse sentido, o projeto político-pedagógico é práxis, ou seja, ação humana transformadora, resultado de um planejamento dialógico, resistência e alternativa ao projeto de escola e de sociedade burocrático, centralizado e descendente. Ele é movimento de ação-reflexão-ação, que enfatiza o grau de influência que as decisões tomadas na escola exercem nos demais níveis educacionais, mostrando-se então como uma ferramenta para a escola construir sua autonomia.
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REFERÊNCIAS
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ANTUNES. A. Leitura do Mundo no contexto da planetarização: Por uma pedagogia da Sustentabilidade. Tese de doutoramento. São Paulo: FÉ-USP. 2002
ARRABAL, A K. Teoria e Prática da Pesquisa Científica. Disponível em www.editoradiretiva.com.br . Acesso em 15 de abril. 2006
BOUTINET. J. Antropologia do projeto – 5 ª ed. Porto Alegre: ARTMED, 2002
FREIRE. P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra: 1997.
GADOTTI. M. Pedagogia da Práxis. São Paulo: Cortez. 2001
GIALCALONE. F. Festa e percursos de educação intercultural. In. FLEURI, R. M. Intercultura e movimentos sociais. Florianópolis: MOVER/NUP. 1998-01-01
LIBÂNEO. J. C. Organização e gestão da escola: Teoria e prática. Goiânia: Alternativa. 2001
MARCONI, M. e LAKATOS, E. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas, 2001.
OLIVEIRA, S., Tratado de Metodologia Científica. São Paulo: Pioneira, 2001.
PADILHA. P. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. São Paulo: Cortez/IPF
VASCONCELLOS. C. S. Planejamento: Plano de ensino-aprendizagem e projeto educativo. São Paulo: Libertat, 1995
VEIGA. I. P. (Org) Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível - 23ª ed. Campinas: Papirus. 2001
_________ Escola: espaço do projeto político-pedagógico - 4ª ed. Campinas: Papirus. 1998.
__________ Pedagogia do encontro: o currículo como relação inter-transcultural na escola. Tese de doutoramento (em andamento) São Paulo: FÉ/USP. 1999-2002
__________ Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva. In.: VEIGA. I. P. (Org) Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. Capinas: Papirus. 1996
SAVIANI, D. Escola e democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. São Paulo: Cortes. 1983
__________ Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações – 3ª ed. São Paulo: Cortez. 1992
APÊNDICES
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APÊNDICE A – MODELO DE QUESTIONÁRIO
Área de atuação ______________________________________________________
Tempo de atuação____________________________	 Idade ______________
Formação ___________________________________________________________
1) Você está participando da construção do PPP de sua escola?
	( ) sim	( ) não
2) De que forma está sendo construído o PPP em sua escola?
	( ) o supervisor e o diretor estão fazendo
	( ) em reuniões pedagógicas
	( ) na hora-atividade
3) Como você classifica sua participação na construção do PPP em sua escola?
	( ) boa, participo na hora-atividade
	( ) satisfatória, ajudei na construção de alguns textos
	( ) excelente, participei de todos os momentos da construção
	( ) péssima, não participei de nenhum momento
4) Você considera o PPP?
	( ) um trabalho de esforço coletivo
	( ) mais um documento exigido pela Secretaria de Educação
	( ) documento que expressa o compromisso político-pedagógico coletivo
5) O PPP contribui...
	( ) para a qualidade de ensino
	( ) desenvolvimento do educador e educando
	( ) para melhoria da educação como um todo
6) Quais as principais preocupações ao construir o PPP?
	( ) aluno apático
	( ) indisciplina
	( ) falta de apoio técnico-pedagógico
	( ) superlotação de sala de aula
	( ) pais ausentes
7) Quais os desafios citados em relação aos recursos pedagógicos no PPP de sua escola?
	( ) material insuficiente
	( ) déficit de recursos pedagógicos
	( ) acesso restrito a novas tecnologias
	( ) falta de capacitação para o manuseio
	( ) recursos pedagógicos não adaptados à realidade escolar
_945119211.xls
Gráf4
		0		0		60		40
supervisor
diretor
reuniões pedagógicas
hora-atividade
Plan1
		
		sim		não
		70		30supervisor		diretor		reuniões pedagógicas		hora-atividade
		0		0		60		40
Plan1
		0		0
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
supervisor
diretor
reuniões pedagógicas
hora-atividade
Plan3
		
		
_945119306.xls
Gráf6
		40		20		40
trabalho de esforço coletivo
documento exigido pela Secretaria de Educação
compromiso político e pedagógico coletivo
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		trabalho de esforço coletivo		documento exigido pela Secretaria de Educação		compromiso político e pedagógico coletivo
		40		20		40
Plan1
		70		30
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
trabalho de esforço coletivo
documento exigido pela Secretaria de Educação
compromiso político e pedagógico coletivo
Plan3
		
		
_945119368.xls
Gráf8
		30		50		30		0		60
aluno apático
indisciplina
falta de apoio técnico-pedagógico
superlotação
pais ausentes
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		aluno apático		indisciplina		falta de apoio técnico-pedagógico		superlotação		pais ausentes
		30		50		30		0		60
Plan1
		70		30
sim
não
Plan2
		0		0		0		0		0
aluno apático
indisciplina
falta de apoio técnico-pedagógico
superlotação
pais ausentes
Plan3
		
		
_945119391.xls
Gráf9
		20		70		20		30
material insuficiente
acesso restrito a novas tecnologias
falta de capacitaçao para manuseio
não adaptação à realidade
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		material insuficiente		acesso restrito a novas tecnologias		falta de capacitaçao para manuseio		não adaptação à realidade
		20		70		20		30
Plan1
		70		30
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
material insuficiente
acesso restrito a novas tecnologias
falta de capacitaçao para manuseio
não adaptação à realidade
Plan3
		
		
_945119335.xls
Gráf7
		20		30		50
qualidade de ensino
desenvolvimento do educador e educando
melhoria da educação como um todo
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		qualidade de ensino		desenvolvimento do educador e educando		melhoria da educação como um todo
		20		30		50
Plan1
		70		30
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
qualidade de ensino
desenvolvimento do educador e educando
melhoria da educação como um todo
Plan3
		
		
_945119278.xls
Gráf5
		10		10		50		30
boa
satisfatória
excelente
péssima
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		boa		satisfatória		excelente		péssima
		10		10		50		30
Plan1
		0		0
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
boa
satisfatória
excelente
péssima
Plan3
		
		
_945118875.xls
Gráf3
		70		30
sim
não
Plan1
		
		sim		não
		70		30
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		
		supervisor		diretor		reuniões pedagógicas		hora-atividade
		0		0		60		40
Plan1
		0		0
sim
não
Plan2
		0		0		0		0
supervisor
diretor
reuniões pedagógicas
hora-atividade
Plan3

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