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NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
1. Propedêutica
- Direito do Trabalho: especialização do Direito para estabelecer as normas incidentes sobre as relações sociais, mormente aquelas onde uma pessoa presta serviços em benefício de outra e sob sua dependência, em troca de uma retribuição;
- Substrato fático é a relação de trabalho subordinada;
- Origem do termo: origina-se do latim tripalium (três paus), instrumento consistente em um tripé formado por três estacas fincadas no chão, utilizado para torturar os escravos nas sociedades primitivas. Desse modo, trabalhar (tripaliare) significava torturar alguém com o tripalium.
2. Conceito de direito do trabalho
- É o ramo do Direito composto por regras e princípios, sistematicamente ordenados, que regulam a relação de trabalho subordinada entre empregado e empregador, acompanhado de sanções para a hipótese de descumprimento dos seus comandos.
3. Denominação
- Tradicionalmente chamado de Direito do Trabalho; Itália é Diritto Del Lavoro; na Espanha Derecho Del Trabajo;
- Alguns autores denominam de Direito Social, Direito Operário, Direito Industrial, Direito Corporativo e Direito Laboral;
4. Natureza Jurídica
- Direito Privado
PRINCÍPIOS DO DIREITO DO TRABALHO
1. Princípio da Proteção:
- Surge para proteger o hipossuficiente, no plano jurídico, dos abusos e desigualdades sofridas pelo empregado no plano fático;
- Considerado o princípio dos princípios do direito do Trabalho;
- Manifesta-se em três vertentes ou sub-princípios:
	a) in dubio pro operario;
	b) regra da aplicação da norma mais favorável;
	c) regra da condição mais benéfica;
1.1 In dubio pro operário:
- Também chamado de in dubio pro misero;
- Quando surgir interpretações divergentes em relação à mesma norma jurídica a ser aplicada a um determinado caso concreto, será dada preferência àquela interpretação que mais favoreça ao empregado;
1.2 Aplicação da norma mais favorável:
- Será utilizada, no caso concreto, a norma que atribua melhores condições de trabalho para o empregado. Dessa forma, se uma norma de grau inferior contiver dispositivo que atribuam direitos em maior intensidade para o empregado, esta vai ter preferência sobre aquela de grau superior que não tenha oferecido maiores vantagens ao trabalhador;
- Teoria Atomista: leva em conta o benefício isolado contido em cada norma, aglutinando-os, acumulando-os numa só;
- Teoria do Conglobamento: se preocupa com a norma como um todo, respeitando seu conjunto. Aplica exclusivamente, após o confronto, aquela que for mais favorável ao trabalhador, em seu bloco, ignorando a outra;
- Teoria Intermediária: seleciona os institutos existentes entre as duas normas para cotejá-los e, a partir daí, escolher exclusivamente o mais benéfico de cada norma para aplicá-lo ao trabalhador.
1.3 Aplicação da condição mais benéfica:
- Este princípio importa na garantia de preservação, ao longo do contrato, da cláusula contratual mais vantajosa ao trabalhador (art. 468, CLT), que se reveste do caráter de direito adquirido (art. 5º, XXXVI, CF/88);
- Vantagem incondicional. Não se aplica se houver condição resolutiva ou mesmo se for transitória, interina;
-Súmula 202, TST;
2. Princípio da irrenunciabilidade:
- Fica o empregado impossibilitado de se despojar do direito subjetivo trabalhista de que é titular e que pode ser exercido em face do empregador. A lei presume vício na manifestação da vontade do empregado quando esta manifesta-se no sentido de renunciar determinado direito trabalhista. Ex: empregado que assina contrato de trabalho como salário inferior ao mínimo legal. Nesse caso, referida cláusula será nula;
- CLT, art. 9º;
3. Princípio da continuidade:
- Como em regra os contratos de trabalho são firmados com prazo indeterminado, sendo admitido o contrato a termo apenas em situações excepcionais, presume-se que a intenção dos contraentes é de manter o vínculo indefinidamente no tempo.
- O princípio da continuidade da relação empregatícia tem efeitos sobre a produção de prova, principalmente sobre dúvidas acerca do prazo estipulado. Vide Súmula 212 do Tribunal Superior do Trabalho;
- Presume-se celebrado o contrato de trabalho por prazo indeterminado sempre quando as partes não dispuserem expressamente em sentido contrário e com suporte nas exceções previstas em lei;
- Súmula 212, TST;
4. Princípio da primazia da realidade sobre as formas:
- O contrato de trabalho é do tipo contrato-realidade. Primeiro, porque ele é consensual, pois a sua eficácia não depende de qualquer formalidade, bastando, apenas, o consentimento das partes. Segundo, porque a solenidade só é exigida quando o contrato de trabalho for especial e assim dispuser a lei que o regula;
- Dessas circunstâncias deriva o princípio da primazia da realidade, devendo prevalecer a realidade dos fatos em detrimento ao que ficou registrado nos instrumentos formais de sua constituição; 
- Súmula n. 12 do TST;
5. Princípio da Alheiabilidade ou “Ajenidad”:
- Ajenidad significa aquisição originária de trabalho por conta alheia:
	a) que a aquisição do trabalho gera o vínculo de emprego com o tomador que originariamente recebe os serviços do empregado, daí por que a aquisição é originária;
	b) que o trabalho é exercido para e por conta de outra pessoa.
- Isto quer dizer que a energia desprendida pelo trabalhador destina-se a outro que não ele próprio e que é por conta deste tomador que ele exerce seus serviços, logo, é o empregador quem corre os riscos deste negócio.
OBS: Daí exsurge a conclusão de que o natural é que o vínculo de emprego se forme diretamente com o tomador de serviços. A terceirização deve ser considerada como exceção, pois a aquisição do trabalho se dá de forma derivada para a empresa que terceiriza mão de obra.
6. Princípio da substituição automática das cláusulas nulas:
- Quando por vontade unilateral do empregador ou mesmo por acordo de vontades estabelecem-se cláusulas que ofendem o estatuto mínimo de proteção ao trabalhador, estas são consideradas nulas de pleno direito, sendo automaticamente substituídas por cláusulas equivalentes, em conformidade com a disposição do ordenamento jurídico;
7. Princípio da razoabilidade:
- Não é exclusivo do direito do trabalho;
- Utilizado, geralmente, para afastar pretensões de empregados ou empregadores que fogem dos limites naturais da natureza humana. Ex: empregado que fica 10 anos sem receber salário; todos os empregados terem pedido demissão ao mesmo tempo; labor extraordinário sem repouso semanal durante oito anos de vínculo empregatício;
8. Princípio da boa-fé:
- Norteia todo o Direito, não só o Direito do Trabalho;
- A boa-fé refere-se à conduta da pessoa que considera cumprir realmente com o seu dever. Pressupõe uma posição de honestidade e honradez no comércio jurídico, porquanto contém implícita a plena consciência de não enganar, não prejudicar, nem causar danos. Mais ainda: implica a convicção de que as transações são cumpridas normalmente, sem trapaças, sem abusos nem desvirtuamentos;
9. Princípio da não-discriminação:
- O trabalhador não pode sofrer qualquer tipo de discriminação, seja em razão da cor, raça, credo, idade, sexo, opinião, tanto no momento da sua admissão quanto durante a execução do contrato de trabalho;
- Constituição Federal, art. 7º, inciso XXX;
- Trabalhadores que exercem a mesma função, com mesma técnica, devem receber mesma remuneração. Exceção para diferença de salário se encontra no art. 461, da CLT;
- CLT, art. 442-A;
10. Princípios constitucionais do direito do trabalho – CF, art. 7º:
9.1 Princípio da irredutibilidade salarial – inciso VI:
	- Ressalte-se que a irredutibilidade salarial se aplica apenas ao valor real e nominal do salário, não se incluindo aí as reduções salariais advindas de inflação, aplicação de índices oficiais de correção monetária, planos econômicos etc.
9.2 Princípio da proteção do trabalho do menor – inciso XXXII;
9.3 Princípio do reconhecimento das convenções coletivas de trabalho – inciso XXVI.

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