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03/04/2019 1 BIOQUÍMICA DE PROTEÍNAS ESTRUTURA TRIDIMENSIONAL DAS PROTEÍNAS Prof. Rafael Carvalho Março de 2019 Vaga-lumes Reação da proteína luciferina + ATP (catálise pela enzima luciferase) Hemácias (eritrócitos) Hemoglobiba (Transporte O2) Queratina – proteína estrutural (lã, chifres, pelos, unhas) Aula aminoácidos Importância Estruturas O que determina o arranjo tridimensional das proteínas? Aminoácido Aminoácido Aminoácido Aminoácido Aminoácido Aminoácido Aminoácido Aminoácido PROTEÍNA Função estrutural Função dinâmica transporte O2 contração muscular defesa enzimas Aula aminoácidos Aminoácidos Aminoácidos – estrutura química Carbono quiral Importância Lisina – convenções de nomenclatura Aminoácidos – estrutura química Importância 03/04/2019 2 ESTEREOISOMERISMO EM AMINOÁCIDOS Enantiômeros – imagens especulares Importância Relações dos isômeros da alanina com a configuração absoluta do L e D gliceraldeído Os carbonos são alinhados verticalmente, com o átomo quiral ao centro. Os átomos de carbono nestas moléculas são numerados iniciando-se com o aldeído ou o carboxil terminais (vermelho) L-aminoácido = grupo amino à esquerda (prevalecem na natureza) D-aminoácido = grupo amino à direita Importância C COOH HH2N H GLICINA - Gly C COOH HH2N CH3 C COOH HH2N CH H3C CH3 ALANINA - Ala VALINA - Val C COOH HH2N CH2 CH H3C CH3 LEUCINA - Leu C COOH HH2N CH H2C CH3 ISOLEUCINA - Ile CH3 C COOH HH2N CH3 CH2 S CH3 METIONINA - Met H C HN CH2 CH2 CH2 COOH PROLINA - ProAMINOÁCIDOS APOLARES C COOH HH2N CH2OH C COOH HH2N CHOH CH3 C COOH HH2N CH2 SH C COOH HH2N CH2 C OH2N C COOH HH2N CH3 C OH2N CH2 SERINA - Ser TREONINA - Thr CISTEÍNA - Cys ASPARAGINA - Asn GLUTAMINA - Gln AMINOÁCIDOS POLARES C COOH HH2N CH2 C H C NH CH2 C COOH HH2N C COOH HH2N CH2 OH FENILALANINA - Phe TIROSINA - Tyr TRIPTOFANO - Trp AMINOÁCIDOS AROMÁTICOS C COOH HH2N CH2 COOH C COOH HH2N CH2 CH2 COOH ÁCIDO ASPÁRTICO - Asp ÁCIDO GLUTÂMICO - Glu AMINOÁCIDOS ÁCIDOS – CARGA NEGATIVA 03/04/2019 3 C COOH HH2N CH2 CH2 CH2 CH2 NH2 C COOH HH2N CH2 CH2 NH C NH2 NH C COOH HH2N CH2 C HC H N N CH LISINA - Lys ARGININA - Arg HISTIDINA - Hys AMINOÁCIDOS BÁSICOS – CARGA POSITIVA apolares aromáticos aromático polares polar básicos ácidos pK = indica a tendência de um grupamento químico em doar H+ Quanto menor o pK = maior a tendência de doar prótons (H+) pK = pH onde 50% dos grupos estão ionizados Estruturas OS AMINOÁCIDOS SE APRESENTAM EM DIFERENTES FORMAS IÔNICAS EM DIFERENTES VALORES DE pH Importância COOH NH3 +- C – H R MEIO ÁCIDO – rico em prótons (H+) Prevalece a forma protonada dos aminoácidos COOH = não ionizada NH3 + = ionizada Importância MEIO BÁSICO – pobre em prótons Prevalece a forma desprotonada dos aminoácidos COO- NH2- C – H R COO- = ionizada NH2 = não ionizada Importância 03/04/2019 4 Dois grupamentos ionizados Meio neutro Sistemas biológicos Doa prótons para a solução Capta prótons para da solução TITULAÇÃO DA GLICINA – AMINOÁCIDO NEUTRO pK = indica a tendência de um grupamento químico em doar H+ Quanto menor o pK = maior a tendência de doar prótons (H+) pK = pH onde 50% dos grupos estão ionizados +1 0 -1 Ponto isoelétrico (pI) = O pH onde predomina a forma eletricamente neutra (carga líquida igual a zero) = mesmo número de cargas + e - Ponto isoelétrico (pI) = determinado através da média aritmética entre os valores dos pKs. TITULAÇÃO DO GLUTAMATO – AMINOÁCIDO ÁCIDO pI = 2,19 + 4,25 = 3,22 2 TITULAÇÃO DA HISTIDINA – AMINOÁCIDO BÁSICO pI = 6,0 + 9,17= 7,59 2 Síntese proteica x Código genético Importância Ligação peptídicas = ligação química que ocorre entre duas moléculas quando o grupo carboxilo de uma molécula reage com o grupo amina de outra molécula, liberando uma molécula de água (H2O). Importância 03/04/2019 5 Ligação peptídica FORMAÇÃO DE UMA LIGAÇÃO PEPTÍDICA POR CONDENSAÇÃO O grupo amino de um aminoácido (com grupo R2) atua como nucleófilo para deslocar o hidroxil de outro aminoácido (com grupo R1), formando a ligação peptídica. Importância Pontes dissulfeto – ligações estabilizadoras da estrutura de diversas proteínas Importância Sequência de aminoácidos da insulina bovina As duas cadeias estão unidas por pontes dissulfeto. A cadeia A é idêntica à insulina humana, de suínos, cães, coelhos. As cadeias B de vacas, suínos, cães, caprinos e cavalos são idênticas. Estrutura primária Estrutura secundária Estrutura terciária Estrutura quaternária Resíduos de aminoácidos α- hélice Cadeia polipeptídica Subunidades montadas Níveis de complexidade estrutural das proteínas Importância Aminoácidos: os monômeros proteicos. Esquema da estrutura química básica de um aminoácido Estruturas 03/04/2019 6 Ligação peptídica Ligação feita entre aminoácidos (aa) para formar peptídeos (2 a 5 aa), polipeptídeos (+5 aa) e proteínas (+50 aa). Im a g e m : Y a s s in e M ra b e t / F o rm a ç ã o d a l ig a ç ã o p e p tí d ic a , Ligação Péptica Aminoácido 2 Aminoácido 1 Duplo Peptídeo Água Estruturas Peptídeos: Aspartame: adoçante; 2 resíduos de aa. Ocitocina: 9 resíduos de aa; estimula contração uterina. Bradicinina: 9 resíduos de aa; inibe inflamação. Insulina: 2 cadeias polipeptídicas (30 e 21 aa). Glucagon: 29 aa. Estruturas I. Estruturas primárias. II. Estruturas secundárias. III. Estrutura terciárias. IV. Estruturas quaternárias. Estruturas Estrutura Primária Dada pela sequência de aminoácidos e ligações peptídicas da molécula. Forma um arranjo linear, semelhante a um “colar de contas”. (2) Estruturas Estrutura Primária Sequência de Aminoácidos ao longo da cadeia polipeptídica. Definidas Geneticamente. Estrutura Secundária É dada pelo arranjo espacial de aminoácidos próximos entre si na sequência primária da proteína. Ocorre graças à possibilidade de rotação das ligações entre os carbonos alfa dos aminoácidos e os seus grupos amina e carboxila. Estruturas 03/04/2019 7 Estrutura Secundária Estruturas regulares tridimensionais. α – Hélice. β – Pregueada. Ambas são estabilizadas por pontes de hidrogênio. Entre – NH e – C = O. Estrutura secundária -α-hélice MODELO DA α-HÉLICE Estabilizada por ligações de hidrogênio entre os grupo –C=O e – NH das ligações peptídicas. Cadeias laterais (Radicais) dispostas para o exterior da hélice. Estrutura secundária -α-hélice DIPOLO DA HÉLICE O dipolo elétrico da ligação peptídica é transmitido ao longo do segmento helicoidal através das ligações de hidrogênio intra-cadeia, resultandono dipolo da hélice. Grupamentos amino (+) e Grupamentos carboxil (-) Estrutura secundária –Folha β ou conformação β Os grupos R saem do plano da folha β e enfatizam o arranjo pregueado formado pelos planos das ligações peptídicas Estrutura secundária –Folha β ou conformação β MODELO DA FOLHA β-PREGUEADA Ligações de hidrogênio estabilizam esta estrutura As cadeias laterais não participam 03/04/2019 8 As moléculas de proteínas são modificadas, se replicam e se acumulam nas células do sistema nervoso central, causando a doença. Aumento do conteúdo de folhas β-pregueadas e redução daquele de α-hélices PrP normal PrP modificada Alterações na solubilidade Agregação de moléculas Resistência à ação de proteases Degeneração do tecido nervoso Encefalopatia espongiforme bovina Estrutura Terciária Resulta do enrolamento da hélice, sendo estabilizada por pontes de hidrogênio e pontes dissulfeto. É literalmente um dobramento da proteína, adquirindo uma estrutura tridimensional. Estrutura Terciária Algumas proteínas podem ter duas ou mais cadeias polipeptídicas em estrutura tridimensional. Estrutura Quaternária Estrutura primária Resíduos de aminoácidos Está relacionada com todas as ligações covalentes (principalmente ligações peptídicas e pontes dissulfeto) ligando os resíduos de aminoácidos em uma cadeia polipeptídica. Estruturas Estrutura primária Estrutura secundária Resíduos de aminoácidos -hélice Refere-se a arranjos particularmente estáveis dos resíduos de aminoácidos dando origem a certos padrões estruturais. Mantida principalmente por pontes de hidrogênio. Estruturas Estrutura primária Estrutura secundária Estrutura terciária Resíduos de aminoácidos -hélice Cadeia polipeptídica Refere-se a todos os aspectos do dobramento tridimensional de um polipeptídio. Estruturas 03/04/2019 9 Estrutura primária Estrutura secundária Estrutura terciária Estrutura quaternária Resíduos de aminoácidos -hélice Cadeia polipeptídica Subunidades montadas Quando uma proteína tem duas ou mais cadeias (ou subunidades) polipeptídicas, seu arranjo no espaço é chamado de estrutura quaternária. Estruturas Classificação das proteínas Proteínas fibrosas = função estrutura. Proteínas globulares = funções dinâmicas (transporte, defesa, catálise, ...) Classificação das proteínas Classificação das proteínas ESTRUTURA DO COLÁGENO Fibrilas de colágeno = montagens supramoleculares consistindo de moléculas da tripla hélice associadas de diferentes maneiras = ligações cruzadas (covalentes) Classificação das proteínas 03/04/2019 10 Estrutura do cabelo - α-queratina Estrutura do cabelo - α-queratina Estrutura da Seda Proteínas globulares = compactas Exemplo: Albumina sérica humana – 548 resíduos de aa Estrutura nativa – dobramento muito compacto PROTEÍNAS GLOBULARES -FUNÇÃO DINÂMICA Funções biológicas das proteínas –função dinâmica Funções biológicas das proteínas –função dinâmica 03/04/2019 11 Funções biológicas das proteínas –função dinâmica HEMOGLOBINA - O grupo prostético HEME é o sítio de ligação do O2 - A ligação entre o Fe e o Oxigênio desencadeia alterações na conformação da hemoglobina HEMOGLOBINA Desoxi-Hb Oxi-Hb Fonte: Nelson & Cox, 2011. Princípios de Bioquímica de Lehninger. HEMOGLOBINA A ligação entre a Hemoglobina e o Oxigênio se dá de forma cooperativa -1 Hemoglobina para 4 O2 - Ligação envolve rearranjos moleculares sucessivos - Movimentos coordenados - A ligação da primeira molécula de O2 facilita o preenchimento dos outros sítios de ligação - A 4ª molécula de O2 tem afinidade 300 X maior que a 1ª HEMOGLOBINA MIOGLOBINA Mioglobina Subunidade beta da hemoglobina GRUPO HEME 03/04/2019 12 Curva de saturação de O2 com a Hemoglobina e com a Mioglobina Hemoglobina - Curva sigmóide 4 sítios de ligação com O2 Resposta + sensível a variações de O2 Libera melhor o O2 Mioglobina – Curva hiperbólica 1 sítio de ligação com O2 Transportador menos eficiente Melhor reservatório de O2 OUTRAS MOLÉCULAS QUE TÊM AFINIDADE PELA HEMOGLOBINA Monóxido de carbono (CO) – afinidade 250 X maior que o O2. Níveis na atmosfera – menores que 0,05 ppm. Níveis permitidos em locais de trabalho (EUA) = até 50 ppm/turno 8 h. Indivíduos normais = 1% COHb / Fumantes = 3 a 8% COHb (até 15%). Funções biológicas das proteínas –função dinâmica OUTRAS MOLÉCULAS QUE TÊM AFINIDADE PELA HEMOGLOBINA Efeitos COHb (carboxihemoglobina): - Até 10% COHb = sintomas raramente observados. - Até 15% COHb = dores de cabeça leves. - Entre 20 - 30% COHb = dor de cabeça intensa, náuseas, tontura, confusão, desorientação (reversível com tratamento com O2. - Entre 30 – 50% COHb = graves sintomas neurológicos. - Acima 50% COHb = perda de consciência e coma. Parada respiratória. - Acima 60% COHb = morte. Funções biológicas das proteínas –função dinâmica Globina Globina Globina H2O O2 +2 +2 +3 Mioglobina Oximioglobina Metamioglobina Vermelho púrupura (azulado) Vermelho vivo Marrom CARNE ARMAZENADA SOB BAIXA [O2] CARNE ARMAZENADA SOB ELEVADA [O2] Contração muscular ACTINA + MIOSINA = PROTEÍNAS MOTORAS Miosina - 4 subunidades: 2 cadeias pesadas (PM 220.000 Da) e 2 cadeias leves (20.000 Da). Cadeias pesadas = dispostas na forma de alfa - hélices enroladas uma em torno da outra. Cadeias leves = cabeças da miosina, com sítio de ligação para o ATP (que desempenha papel importante no processo de Contração Muscular). O arranjo das cadeias da miosina leva a formação de uma estrutura que serve de eixo central da unidade contrátil, denominado de FILAMENTO GROSSO. Funções biológicas das proteínas –função dinâmica 03/04/2019 13 Cadeias leves – azul Cadeias pesadas - rosa Funções biológicas das proteínas –função dinâmica Hidrólise da Miosina – Tripsina e Papaína Funções biológicas das proteínas –função dinâmica FILAMENTO GROSSO Funções biológicas das proteínas –função dinâmica DISPOSIÇÃO DOS FILAMENTOS NOS MÚSCULOS Disco Z SARCÔMERO = UNIDADE CONTRÁTIL Disco Z Discos Z = servem de âncora à qual os filamentos finos se prendem – delimitam um sarcômero Bandas A = disposição dos grupamentos grossos e finos, alinhados e superpostos – região mais escura Banda I = região apenas com filamentos finos Linha M = região situada na metade dos filamentos grossos Linha M Funções biológicas das proteínas –função dinâmica Contração muscular: Bandas I – se estreitam Disco Z – se aproximam CONTRAÇÃO MUSCULAR 03/04/2019 14 Contração muscular: Bandas I – se estreitam Discos Z – se aproximam CONTRAÇÃO MUSCULAR Micrografia eletrônica relaxado contraído Funções biológicas das proteínas –função dinâmica MECANISMO MOLECULAR DA CONTRAÇÃO MUSCULAR MECANISMO MOLECULAR DA CONTRAÇÃO MUSCULAR Regulação da contração muscular pela tropomiosina e troponina Tropomiosina e Troponina: ligadas à actina F Músculo relaxado: essas duas proteínas se organizam de forma a bloquear os sítios de ligação com a miosina Troponina I – impede ligação actina-miosina Troponina C – sítio de ligação com o cálcio Troponina T – liga todo o complexo à tropomiosina Sinal neural para início da contração = Ca2+ é liberado do retículo sarcoplasmático, se liga á troponina C. Troponina C = muda de conformação, altera as posições da TroponinaI e da Tropomiosina, liberando os sítios de ligação entre actina e miosina, e a contração muscular se inicia. PROTEÍNAS desnaturação 03/04/2019 15 ■ A forma espacial das proteínas pode ser afetada pela temperatura, pH, polaridade, salinidade, solventes, radiações, etc. ■ As proteínas perdem o arranjo [desenrolam-se, perdem as ligações]. Ovo; Leite, coalhada, queijos; Sangue. Desnaturação proteica As proteínas podem desnaturar. Isto acontece quando, por ação de substâncias químicas ou do calor as proteínas sofrem alteração das estruturas secundária e terciária ou a quebra das ligações não covalentes da estrutura quaternária. NÃO AFETA ESTRUTURA PRIMÁRIA As proteínas perdem a sua conformação e, consequentemente, a sua funcionalidade. A desnaturação pode ser: reversível ou irreversível. Desnaturação proteica Proteína nativa Proteína desnaturada É a alteração da estrutura da proteína sem ruptura das ligações peptídicas Desnaturação proteica Desnaturação pelo pH do meio Desnaturação proteica Físicos Químicos Alterações de temperatura Raio X Ultra-som Ácidos e bases fortes Detergentes Ureia Mercaptoetanol HS-CH2-CH2-OH Desnaturação proteica (agentes 03/04/2019 16 Aquecimento Desnaturação proteica ■ Redução da solubilidade. ■ Aumento da digestibilidade. ■ Perda da atividade biológica (enzimas, hormônios, anticorpos, etc...). Alterações das propriedades de uma proteína desnaturada Desnaturação proteica Efeito de sais na solubilidade de proteínas Salting-in = aumento da solubilidade de proteínas pela adição de um sal neutro de forças iônicas relativamente baixas. Salting-out = É a precipitação reversível das proteínas pela adição de sal de força iônica elevada devido a remoção da água de hidratação das moléculas proteicas. Desnaturação proteica Efeito de solventes na solubilidade de proteínas - Solventes orgânicos solúveis em água (acetona, etanol) = diminuem a solubilidade de proteínas = sofrem hidratação e diminuem a solvatação das cadeias polipeptídicas que precipitam por consequência. Desnaturação proteica