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Vasculites e Crioglobulinemia Prof. Robson P. Souza Processo clínico-patológico, caracterizado por inflamação e necrose de vasos sanguíneos, cuja expressão clínica depende do local, tipo e calibre dos vasos envolvidos. Vasculite A incidência anual é de cerca de 40 pacientes/1.000.000. As vasculites primárias têm baixa incidência, mas não são raras. Frequente após a 5º década de vida, mas pode ocorrer em qualquer idade. Correlação com determinados agentes infecciosos e fatores ambientais. Alguma associação com antígenos HLA. Influência de aspectos raciais, sexo. Epidemiologia Aspectos Clínicos Caracterizam-se histologicamente pela presença de infiltrado inflamatório da parede vascular. As Síndromes clínicas são o resultado de: • Isquemia dos tecidos irrigados por esses vasos; • Eventual dano à integridade do vaso. Mecanismo imunológico envolvido no desencadeamento da inflamação vascular: Aspectos imunológicos Patogênese O dano vascular pode decorrer de três mecanismos: Efeito direto de anticorpos patogênicos; Dano vascular por complexos imunes ou infiltração celular; Dano endotelial direto. Os mecanismos imunopatológicos das vasculites tem sido classificados dentro dos 4 tipos de reações de hipersensibilidade: ▪ Vasculite alérgicas (Tipo I) Participação de eosinófilos, mastócitos e IgE Angeite alérgica e Síndrome de Churg-Straus ▪ Vasculite associada ao ANCA (Tipo II) Granulomatose de Wegner e Poliarterite microscópica Patogênese Vasculite por imunocomplexos (Tipo III) Formação de imuncomplexos e sua deposição na parede vascular, seguido da ativação do complemento pela via clássica. Doença do tecido conjuntivo e Crioglobulinemia Vasculite associada a hipersensibilidade tardia (Tipo IV) Participação das células T, caracterizada por infiltrados inflamatórios induzidos por células Th1. Arterite de células gigantes Patogênese Os mecanismos imunopatológicos das vasculites tem sido classificados dentro dos 4 tipos de reações de hipersensibilidade: Nome da doença Classificação (Gell & Coombs) Sangue S. Churg-Strauss I IgE , Eos G. Wegner II PR3-ANCA PAM II MPO-ANCA Kawasaki II AECA Poliarterite nodosa III HBV, C´ Henoch-Schönlein III IgA CG essencial III HCV, C´, criócrito Arterite de células gigantes IV CD3+/CD8+ CD68+ ativados Fenômeno imune predominante e achados laboratoriais em vasculites sistêmicas Classificação das Vasculites segundo o Calibre dos Vasos Lesados: Nomenclatura proposta pela conferência de Consensus de Chapel Hill sobre as Vasculites Sistêmicas. Classificação (Proposta de Watts, de 1997) Granulomatose de Wegener. Lesão granulomatosa de mucosa nasal. Poliartrite Nodosa (PAN) – Lesões cutâneas ulceradas escavadas, necrose, livedo reticular Granulomatose de Wegener Úlceras, necrose e nódulos sub-cutâneos Arterite de células gigantes (temporal) Púrpuras palpáveis Vasculites Diagnóstico Histologia Testes sorológicos Exame de imagem Exame clínico Na prática clínica nem sempre é possível classificar ou definir etiologicamente uma vasculite sistêmica. ▪ Apresentação clínica polimórfica. ▪ As vasculites devem ser consideradas na investigação de febre de origem indeterminada. Fadiga, artromialgias, dor abdominal e hipertensão arterial (achados inespecíficos que podem sugerir a presença de vasculite). Diagnóstico Histologia Testes sorológicos Exame de imagem Exame clínico Presença de púrpura palpável, mononeuropatia múltipla, disfunção renal e alterações pulmonares, por sua vez, indicam mais definidamente uma vasculite sistêmica. ◼ Hemograma ◼ Velocidade de hemossedimentação ◼ Proteínas de fase aguda ◼ Complemento: C3, C4, CH50 ◼ FAN ◼ Crioglobulinas ◼ Anticorpo anti-citoplasma de neutrófilos (ANCA) ◼ Sorologias específicas para agentes infecciosos Avaliação Laboratorial Direciona o diagnóstico para uma vasculite associada à doença do tecido conjuntivo. A associação do vírus B da hepatite com a PAN é bastante conhecida. Anticorpos Anti-Citoplasma de Neutrófilos (ANCA) Grupo heterogêneo de autoanticorpos que interagem com antígenos presentes no citoplasma de neutrófilos. Podem ser identificados por testes de IFI e ELISA: IFI c-ANCA p-ANCA ELISA proteinase 3 (PR3) mieloperoxidase catepsina G lactoferrina lisozima elastase Método: IFI Substrato: Neutrófilos fixados por formalina ou etanol Anticorpos Anti-Citoplasma de Neutrófilos (ANCA) Anticorpos Anti-Citoplasma de Neutrófilos (ANCA) c-ANCA p-ANCA PAN, angeíte de Churg-Strauss Granulomatose de Wegener e, de forma eventual, poliarterite microscópica e glomerulonefrites autoimunes De acordo com o tipo de vasculite e gravidade: ▪ Corticosteroides (ex.: prednisona) ▪ Imunossupressores (ex.: ciclofosfamida) ▪ Anti-inflamatórios não hormonais (ex.: ibuprofeno) ▪ Imunobiológicos (ex.: IFN-α, anti-TNF, Ighumana) Tratamento A definição de um quadro clínico de vasculite exige um conjunto de dados clínicos, laboratoriais, radiológicos e histopatológicos. A pesquisa de ANCA é, atualmente, o único teste de imunodiagnóstico com importância clínica nas vasculites. Crioglobulinemia Crioglobulinemia Síndrome inflamatória sistêmica caracterizada pela deposição de complexos imunes circulantes crioprecipitáveis, crioglobulinas, em vasos de pequeno e médio calibre. Crioglobulinas Classificação Tipo I • Ig monoclonal Tipo II • IgG policlonal complexada com IgM monoclonal (FR) Tipo III • Igs policlonais, sendo uma com atividade de fator reumatóide Classificação Crioglobulinemia Tipo I ▪ Frequentemente assintomática; ▪ Presença de sinais relacionados a hiperviscosidade e/ou trombose; ▪ Associada com desordens hematológicas; Crioglobulinemias dos tipos II e III ▪ Também denominadas de mistas (CM); ▪ Principais manifestações clínicas: ▪ Sintomas inespecíficos: febre, artralgia e mialgia ▪ Púrpura palpável ▪ Neuropatia periférica ▪ Níveis de complemento baixo ▪ Acomentimento visceral (glomerulonefrite, hepatopatia e lesão pulomonar). Classificação ▪ As crioglobulinemias mistas (Tipos II e III) podem ser: ▪ Essencial – ausência de patologia associada. ▪ Secundária – associada a patologia: ▪ Infecciosa (vírus Hepatite B, C. HIV, Epstein-Baar) ▪ Neoplásicas (doença linfoproliferativa) ▪ Imunológica (LES, Síndrome de Sjogren) A maioria dos casos de crioglobulinemia mista está associada com infecção crônica HCV. Crioglobulinemia x HCV ▪ A hepatite C (HCV), doença infecciosa causada por um RNA retrovírus do gênero Hepacivirus e família Flaviviridae. ▪ A crioglobulinemia é a manifestação extra-hepática mais comum. ▪ Não se sabe ainda o mecanismo fisiopatológico que explicaria essa relação, mas cogita-se que o HCV levaria a estimulação imunológica. ▪ Outra explicação seria uma reação cruzada entre algum antígeno do HCV e a Ig. Crioglobulinemia x HCV ◼ Mecanismo da crioprecipitação pouco esclarecido. ◼ Depósito intravascular pode causar: -Glomerulonefrite -Vasculite crônica -Trombose de pequenas artérias e capilares -Síndrome de hiperviscosidade Fisiopatologia Coleta do sangue ▪ Seringa pré-aquecida; ▪ Coagulação a 37°C; ▪ Centrifugação a 37°C e obtenção do soro. Pesquisa do crioprecipitado ▪ Incubação do soro a 4°C por até 7 dias em tubo de Wintrobe (mantido verticalmente) ▪ Reversão do crioprecipitado a 37°C. Diagnóstico Laboratorial Criócrito Diagnóstico Laboratorial Dosagem do crioprecipitado: ▪ Centrifugação do soro em tubo de Wintrobe a 4°C; ▪ Separação do soro sobrenadante do crioprecipitado; ▪ Dosagem de proteínas do soro antes e após a crioprecipitação; ▪ Dosagem de proteínas no crioprecipitado isolado. Caracterização imunoquímica do crioprecipitado: ▪ Imunoeletroforese ou imunofixação com anticorpos anti-imunoglobulinas e anticadeias leves. ▪ Imunoblot De acordo com a gravidade e associações: ▪ VHC: terapia imunossupressora com agentes citotóxicos(ciclofosfamida), CE (prednisona, metilprednisolona), seguido de IFN-α + ribavirina. ▪ Bacteriana: antibioticoterapia especifica. ▪ Doenças neoplásicas ou autoimunes: tratamento da doença de base. ▪ Essencial: imunossupressores menos tóxicos (metotrexato ou azatioprina). Tratamento Doenças autoimunes da Tireoide Prof. Robson P. Souza tireóide É responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todos os sistemas do nosso organismo. Histologia e Fisiologia da Tireóide Células Parafoliculares (Células C): Produzem calcitonina cujo efeito principal é inibir a reabsorção óssea e a liberação de Cálcio para o plasma estimular a osteogênese. Células Foliculares: Sintetizam T3 e T4 que fica na membrana apical dessas células e da Tireoglobulina, uma glicoproteína que fica armazenada no colóide Tireoidite de Hashimoto Prof. Robson P. Souza Tireoidite Crônica Distribuição mundial Distúrbio inflamatório que resulta em destruição progressiva da glândula tireóide. Indivíduos de meia idade ou idosos Bócio em crianças 85% do sexo feminino Tireoidite de Hashimoto (橋本策 Hashimoto Hakaru,, 1881 - 1934) Tireoidite Crônica Distribuição mundial Distúrbio inflamatório que resulta em destruição progressiva da glândula tireóide. Indivíduos de meia idade ou idosos Bócio em crianças 85% do sexo feminino Tireoidite de Hashimoto: Patologia Tireoidite de Hashimoto: Patologia Lesão tecidual: Estresse, fumo, drogas, excesso de iodo Sintomas de alteração da função Tireóidea Início eutireoideo Pode-se verificar o desenvolvimento de hipertireoidismo clínico, devido a degradação inflamatória dos folículos com liberação dos hormônios tireóideos. Hipotireoidismo: Fase tardia Bócio: Grande de consistência elástica Tireoidite de Hashimoto: Manifestações Clínicas Achados laboratoriais não são úteis Autoanticorpos circulantes – presentes em 90% dos pacientes: • Tireoglobulina – Anti-tireoglobulina • Antígeno microssomal tireóideo – Anti-TPO Biópsia Exames de Imagens Tireoidite de Hashimoto: Diagnóstico Laboratorial Reposição de hormônios tireóideos Raramente necessita de Tireoidectomia Tireoidite de Hashimoto: Tratamento Prognóstico excelente Provas seriadas da função tireóidea - TSH Tireoidite de Hashimoto: Prognóstico Doença de Graves Prof. Robson P. Souza Doença autoimune que se manifesta na forma de Tireotoxicose com bócio difuso. Doença singular onde o autoanticorpo que estimulam a atividade celular da tireoide. Oftalmopatia e Dermopatia proliferativa Doença mais comum na terceira e quarta década de vida 0,1 – 0,5% da população geral Sexo feminino 7:1 Doença de Graves Richard Grave, 1796 –1853 Doença de Graves: Imunopatogenia Doenças de Graves: Patologia Epitélio hiperplásico, pouco colóide e infiltrado linfocítico e plasmocitóide, menos intenso ao observado na Tireoidite de Hashimoto Intolerância ao calor Tremor nas mãos Nervosismo Irritabilidade Pele quente e úmida Perda de peso Estado cardiovascular hiperdinâmico – taquicardia Hiperdefecação Alterações do estado mental Doença de Graves: Manifestações Clínicas Exolftalmia TRAB – Anticorpo anti-receptor de TSH Útil no diagnóstico de hipertireoidismo e na avaliação de recidiva da doença de Graves, uma vez que seus níveis diminuem com o uso de drogas antitireoidianas. Ausência de TRAB após tratamento para hipertireoidismo, diminui a tendência de recidiva da doença. Podem estar presentes também, em alguns casos de tireoidite de Hashimoto, tireoidite subaguda, tireoidite silenciosa, e em recém- nascidos de mães portadoras de doenças de Graves, devido a transferência feto-placentária destes anticorpos. Doença de Graves: Diagnóstico Laboratorial Inibição β-adrenérgica das células tireóideas • Propiltiouracil • Tiamazol Doença de Graves: Tratamento Prognóstico muito para a maioria dos pacientes Oftalmopatia e dermopatia não normalizam a função tireóidea Corticosteróides produz alívio em alguns casos Doenças de Graves: Prognóstico Tireoidite de Hashimoto e Doença de Graves Diabete Melito Insulino-Dependente Prof. Robson P. Souza Diabetes tipo I Doenças autoimune Destruição das células β das ilhotas pancreáticas de Langerhans – produtoras de insulina Evento iniciador: Infecção viral (caxumba, CMV, Influenza, Rubéola Coxsackievírus), resposta inflamatória às células β e por infiltração linfocíticas das ilhotas Diabete Melito Insulino-Dependente Anti-GAD (Descarboxilase do Ácido Glutâmico): são observados em 70 a 80% dos pré-diabéticos tipo 1, incluindo 7 a 8% dos diabéticos com início na vida adulta. Anti-insulina: Pode estar presente em 16 a 69% dos pacientes com diagnostico de diabetes mellitus tipo 1 Diabete Tipo 1: Diagnóstico Insulina Hipoglicemiantes Diabete Tipo 1: Tratamento