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Didática: Corforme extraído do livro Didática, de: Regiane Laura Loureiro, no gabarito das páginas 105 e 106, do tema: A Sociedade, a escola e a didática: As questões: Para que ensinar?, O que ensinar?, Quem ensina?, Para quem se ensina?, Como ensinar? e sob que condições se ensina?: “Conforme Libâneo,(2002) [...], são fundamentais para refletir sobre a didática em um propósito emancipador, pois não há neutralidade nos processos de ensino. A didática é uma das disciplinas da pedagogia e contribui para a formação do professor e a ação docente na medida em que trata das condições e dos meios para a efetivação dos processos de ensino, o que responde á pergunta “Como ensinar?”. Já a pergunta “Para quem se ensina?” permite ao professor ir além dos conhecimentos a serem ensinados e olhar o estudante como sujeito ativo nos processos de ensino, com interesses, cultura, uma identidade e uma história de vida que precisam ser considerados. A pergunta “O que ensinar” diz respeito ao conteúdo a ser trabalhado pelo professor, ou seja, é necessário que se faça cumprir a função social da escola na garantia do direito aprendizagem, aos conhecimentos científicos, históricos e culturais selecionados no currículo para o trabalho com os estudantes. O questionamento “Para que ensinar?” traz os propósitos e os fins da educação: garantir que todos os estudantes aprendam. O professor necessita planejar estratégias diferenciadas e diversificadas para que os diferentes ritmos e formas de aprender sejam respeitados e, assim as aprendizagens sejam consolidadas. A pergunta “Sob que condições se ensina?” traz ao professor reflexões sobre o contexto social, politico e econômico em que a escola está inserida. Assim, o objetivo dessa reflexão não é apenas chegar a uma mera constatação e justificativa para a não aprendizagem dos estudantes, ao contrário, deve-se analisar o contexto e verificar as dificuldades, estas servem como diagnóstico para que o trabalho pedagógico aconteça. A crença de que todos são capazes de aprender é fundamental para o trabalho do professor. As discussões sobre “Quem ensina?”, por sua vez, permitem ao docente olhar para si, para sua formação inicial e para a necessidade de buscar formação continuada no decorrer de sua carreira. Essa questão contribui para a autoavaliação permanente do professor, apontando para o replanejamento do processo de ensino quando se verifica que há dificuldades na aprendizagem dos estudantes.” “Na didática instrumental, que tem como pressuposto as pedagogias tradicionais, o professor é um mero executor do que já foi determinado em um currículo prescritivo. Ou seja, o docente não é visto como alguém que reflete sobre sua prática nem como um profissional reflexivo, que revê, retoma e replaneja seu trabalho. Assim, nessa concepção, ele aplica métodos e técnicas sem perceber o estudante como um sujeito de direitos, pois este será um depositário das informações que são transmitidas. Logo, o conteúdo a ser ensinado, assim como as formas de ensino, são carregados de uma pretensa neutralidade, sem uma compreensão dos contextos em que foram produzidos. A escola tem o propósito de formar indivíduos competentes, para exercer um papel no mercado de trabalho. Já na didática reflexiva o professor é o mediador dos processos de aprendizagem dos estudantes e, para isso, lançará desafios, problematizações e intervenções de modo que todos aprendam, pois o aluno é o sujeito da aprendizagem. Ele não é o cidadão do futuro, pois já é cidadão. Os processos de ensino serão pensados, tendo em vista o que se deseja ensinar, para quem se deseja ensinar, como se deseja ensinar, possibilitando ao docente a retomada continua do planejamento e dos encaminhamentos realizados. Os conteúdos ensinados são contextualizados, a fim de que o estudante relacione os saberes aprendidos com a vida em sociedade”. “ Segundo Veiga (2011), na concepção de que o aluno é um ser passivo que apenas recebe informações, tendo como centro o intelecto, a didática será fundamentada em regras, lógicas e instruções. Nessa forma de ensino, cabe ao estudante o silêncio, que se consegue por meio da disciplina e da atenção ao conteúdo a ser transmitido[...] Nessa concepção, o sujeito da aprendizagem é visto como alguém sem voz ativa no processo de aquisição do conhecimento, uma tábula rasa, e cabe ao professor depositar o conteúdo a ser apreendido. Se o estudante não aprender, é culpabilizado. A culpa pode recair sobre seu comportamento desatencioso, sobre seu contexto familiar, sobre a situação econômica da família, entre outras formas de justificar a não aprendizagem. Assim, tem-se uma didática que se fundamenta na meritocracia, pois aprenderão apenas aqueles que se esforçam, que tem condições para assimilar o conhecimento, que tem famílias que os incentivem, etc. Os que não se adequam ao que a escola tem para oferecer são excluídos. A sociedade que se deseja nessa concepção, embora o discurso propagado seja, por vezes, em prol da emancipação, é a sociedade que marginaliza os menos favorecidos, aquela que incentiva a competitividade, que propõe a pseudoparticipação como forma de mascarar a democracia prevista na legislação. Essa didática instrucional e tradicional ainda está presente nas escolas Brasileiras, que em seus PPPs anunciam uma concepção mais avançada de ensino e aprendizagem, no entanto, ainda trazem em muitas de suas ações pedagógicas vestígios de uma escola que deseja a disciplina, o silêncio absoluto, vencer o conteúdo sem considerar se houve aprendizagem. A didática reflexiva permite ao professor rever esses encaminhamentos, proporcionando-lhe condições de se autoavaliar e avaliar os processos pedagógicos, dos demais membros do colegiado, a fim de que a escola-como determina a legislação vigente- seja de fato democrática.