A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
17 pág.
Protocolo na intoxicação por alimentos, bactérias, fungos e rodenticidas Medicina Veterinária

Pré-visualização | Página 3 de 3

endometrite, cistite, nefrite, 
pneumonia e septicemia, entre outras possibilidades. Septicemias e 
endotoxemia por E.coli costumam ser graves e não necessitam de diarreia como 
quadro inicial. 
Tratamento: Hidratação (Cloreto de sódio 0,9%), sulfametoxazol (cães/gatos 15 
– 30mg/kg), ciprofloxacina (cães/gatos 5 – 15mg/kg). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aflatoxinas 
Aflatoxinas: São metabólitos secundários produzidos por fungos toxigênicos do 
gênero Aspergillus, como as espécies Aspergillus flavus, A. parasiticus e A. 
nomius. São amplamente encontradas em matérias-primas de alimentos para 
animais, em especial nos cereais, como milho. 
Toxina: São conhecidos, atualmente, 17 compostos similares designados pelo 
termo aflatoxina, porém, os principais tipos de interesse médico-sanitário são 
identificados como B1, G1, B2 e G2, sendo que a AFB1, além de ser a mais 
frequentemente encontrada em cereais, é que apresenta maior poder toxigênico. 
Sintomatologia: Irá depender de diferentes fatores, incluindo sua concentração, 
a duração da exposição, a espécie, o sexo, a idade e a condição de saúde dos 
animais. Na forma aguda os sinais clínicos incluem anorexia, desidratação, 
icterícia, ascite, hematêmese, hematoquezia e hemorragias difusas nas serosas. 
Nas formas subaguda e crônica há, também, retardo no crescimento e 
imunossupressão. 
Tratamento: Excluir da dieta todo alimento suspeito e uma alimentação segura 
deve ser instituída. E a suplementação com colina, metionina e n-acetilcisteína 
pode ser benéfica. 
Fumonisinas 
 
Fumonisinas: As fumonisinas são metabólitos tóxicos produzidos por Fusarium 
verticillioides. Seu potencial para causar intoxicação é considerável pois são 
micotoxinas geralmente encontradas no milho que pode fazer parte da 
formulação de rações para pequenos animais. 
 
 
 
 
Sintomatologia: Essas micotoxinas já foram envolvidas em casos de edema 
pulmonar em suínos e leucoencefalomalácia em eqüinos, e não há relatos em 
pequenos animais. 
Tratamento: Retirada do alimento suspeito, inserir uma nova dieta. 
 
 
 
 
 
Anticoagulantes 
Os rodenticidas anticoagulantes correspondem aos compostos cumarínicos e os 
derivados indandiônicos, que diferem entre si pela estrutura molecular e pelo 
potencial de ação toxicológica.O cumacloro foi a primeira molécula a ser 
comercializada com 900 g/kg. Com o passar do tempo as populações de 
roedores foram ficando resistente e começaram a desenvolver molécula mais 
potente. O brodifacoum é comercializado na dose de 0,27g/kg. 
Sintomatologia: Distúrbios hemorrágicos, causando mucosas pálidas ou 
cianose, anemia, taquicardia e taquipneia que podem aparecer com 2 a 5 dias 
após a ingestão dependendo da quantidade ingerida. Sinais inespecíficos de 
inapetência e letargia. 
Tratamento: Devem ser induzidos a terem êmese, entretanto se o animal não 
vomitar a isca, é indicada lavagem gástrica (ingestões recentes). O carvão 
ativado é útil em ingestões recentes. Deve-se administrar vitamina K por via 
subcutânea na dose de carga (5 mg/kg). Após 6 a 12 administrar mais 1,5 a 2,5 
mg/kg por via oral ou subcutânea, dando continuidade por via oral a intervalos 
de 12 horas, por no mínimo 14 dias. 
 
Fluoroacetato de sódio 
Fluoroacetato de sódio: São substâncias hidrossolúveis, insípidas e 
extremannte tóxicas para roedores, seres humanos e outros mamíferos. Pode 
ser encontrado também como princípio ativo de algumas plantas tóxicas 
existentes no Brasil, como Arrabidea bilabiata e Palicourea maregravii, 
conhecidas como “erva-de-rato” ou “cafezinho”. 
Sintomatologia: Os animais intoxicados incialmente apresentam sinais 
 
 
 
 
gastrintestinais, como vômitos e defecação com ou sem diarreia. Os sinais 
neurilógicos estão associados à midríase bilateral, irresponsiva à incidência de 
luz direta, convulsões, ataxia, hiperexcitabilidade. Aparecimento de arritmias, 
geralmente os cães apresentam hipertermia e os gatos desenvolvem hipotermia. 
Tratamento: A estabilização do paciente com o controle de convulsões ou da 
hiperexcitabilidade deve ser com anticonvulsivantes como benzodiapínicos ou 
barbitúricos. Oxigenoterapia se houver quadros dispneicos ou taquipneicos. A 
fluidoterapia com solução Ringer simples ou com lactato. Estabilização da 
temperatura com mantas. Gliconato de cálcio a 10% nas doses de 130mg/kg, IV 
ou 1mL/kg, IV, lentamente, em bolus a cada 1 a 2 horas. Além disso, terapia de 
suporte antibióticos de amplo espectro, durante 7 dias. 
 
Estricnina 
É altamente tóxico, sintetizado a partir de um alcaloide extraído de uma árvore 
encontrada no sudeste da Ásia. Seu uso é proibido no Brasil, sendo 
anteriormente utilizado como princípio ativo em medicamento de ação analéptica 
ou estimulante circulatório. Além de pequenos animais serem sensíveis, as 
espécies equinos, bovinos e suínos também são. 
Sintomatologia: Alterações de comportamento, hiperexcitabilidade em respotas 
a estímulos externos, como luz e barulho, além de tremores, mioclonias e 
hipertermia. Sinais neurológicos como rigidez muscular e espasticidade dos 
membros. 
Tratamento: Manter o animal em um local com pouca iluminação direta, 
silencioso e com poucos estímulos externos. Lavagem gástrica com solução 
salina e carvão ativado, para o relaxamento muscular é aconselhável o Robaxin, 
na dose de 150 mg/kg, IV. Além disso, a fluidoterapia intravenosa com solução 
fisiológica 0,9% ou Ringer lactato de sódio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
ETTINGER, S.J.& FELDMAN,E.C. Tratado de Medicina Interna Veterinária. 5 ed. 
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 
FEITOSA, F.L.F. Semiologia Veterinária: A arte do diagnóstico, 3. ed., São 
Paulo: Roca, 2014, 627p. 
GARNER, R. J. Toxicologia Veterinária. 3a. ed. Zaragoza, Espanha: Acribia, 
1975. 470p. 
GFELLER, R.W.; MESSONNIER, S.P. Manual de Toxicologia e 
Envenenamentos em Pequenos Animais. 2ª ed. São Paulo: Roca, 2006. 376p. 
GILMAN, A.C.; GOODMAN, L.S.; RALL, T.W.; MURAD, F. As Bases 
Farmacológicas da Terapêutica. 7a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 
1987. 
JONES, L.M.; BOTH, N.H.; McDONALD, L.E. Farmacologia e Terapêutica em 
Veterinária. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 1983. 
JONES, T.C.; HUNT, R.D.; KING, N.W. Patologia Veterinária. 6ª ed. São Paulo: 
Manole, 2000. 
MATOS, F.J.A.; LORENZI, H.; SANTOS, L.F.L.; MATOS, M.E.O.; SILVA, 
M.G.V.; SOUSA, M.P. Plantas tóxicas – Estudo de Fitotoxicologia Quimica de 
Plantas Brasileiras. São Paulo: Instituto Plantarum, 2011. 
NELSON, R. W. & COUTO,C.G. Medicina Interna de Pequenos Animais. 
2.ed.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.1084p. 
NOGUEIRA, R.M.B., ANDRADE, S.F. Manual de Toxicologia Veterinária. São 
Paulo, Editora Roca, 1a;. ed., 336p. 2011. 
PEREIRA, C. A. Plantas tóxicas e Intoxicações na Veterinária. Goiânia: 
CEGRAF: UFG. 1992, 475p. 
PLUNKETT, S.J. Procedimentos de Emergência em Pequenos Animais. 2ª ed. 
Rio de Janeiro: Revinter Ltda, 2006. 521p. 
SPINOSA, H.S.; GÓRNIAK, S. L.; BERNARDI, M.M. Farmacologia Aplicada à 
Medicina Veterinária. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. 
SPINOSA, H.S.; GÓRNIAK, S. L.; PALERMO-NETO, P. Toxicologia Aplicada à 
Medicina Veterinária. São Paulo: Manole, 2008. 
TOKARNIA, C. H.; DOBEREINER, J.; PEIXOTO, P.V.; BARBOSA, 
J.D.;BRITO,M.F. Plantas tóxicas do brasil. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Editora 
Helianthus. 2012. 
VIANA, F.A.B. Guia Terapêutico Veterinário. 2ª ed. Editora CEM. Lagoa Santa. 
2007