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Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 1 1. MUSCULO ESQUELÉTICO O sistema muscular é formado por cerca de 600 músculos. Essas estruturas são capazes de contrair e relaxar, gerando movimentos que nos permitem andar, correr, saltar, nadar, escrever, impulsionar o alimento ao longo do tubo digestório, promover a circulação do sangue no organismo, piscar os olhos, rir, respirar, etc. A nossa capacidade de locomoção depende da ação conjunta de ossos, articulações e músculo, sob a “supervisão” e controle do sistema nervoso. Os músculos são divididos em três grupos: liso (compõem a parede dos órgãos e são de controle involuntário), estriado cardíaco (musculo do coração e que também é de controle involuntário) e estriado esquelético – esse tem controle voluntário, ou seja, cada movimento que estou fazendo é pensado, organizado e depois enviado para que os músculos responsáveis executem – e é esse músculo que queremos a hipertrofia para mudança da composição corporal. O musculo esquelético é uma grande reserva de proteínas e em um indivíduo normal o tecido muscular esquelético contribui com cerca de 40% do peso corporal. A água e as proteínas são os principais componentes do musculo esquelético. Os músculos são formados por um conjunto de células especializadas que são chamadas de Fibras Musculares. Cada fibra possui basicamente: o sarcolema (membrana que envolve a fibra), núcleos (como se fosse o “cérebro” da célula, controlando sua função), sarcoplasma (é o citoplasma ou fluido preenchendo a célula - local onde se encontra o depósito de grandes quantidades de potássio, magnésio, fosfato, enzimas, organelas celulares e proteínas), miofibrilas (cada miofibrila apresenta cerca de 1500 filamentos de miosina e 3000 de actina, que são as duas principais proteínas responsáveis pela contração do músculo), sarcômeros (unidade contrátil básica do músculo), mitocôndrias (fornece energia química para a célula, suportando toda a atividade celular) e terminações nervosas motoras (sob o controle do sistema nervoso, excitam o músculo e fazem com que ele se contraia). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 2 1.1 Tipos de Fibras Musculares Desde as aulas de biologia na escola, os professores falavam sobre os diferentes tipos de fibras musculares: as de contração lenta (tipo I) e as rápidas (tipo II). Se você prestou atenção, talvez lembre que eles também ensinaram que, em um maratonista, as fibras do tipo I são predominantes; enquanto em um atleta de curtas distâncias, o tipo II é o mais encontrado. Você já se perguntou por que os velocistas (tipo o Usain Bolt) são musculosos e os maratonistas são magros? Dependendo de quais músculos são usados isso se revela na aparência. Cada atleta apresenta de acordo com sua modalidade esportiva uma aparência típica. O segredo não é, por conseguinte, provavelmente no próprio movimento, mas em intensidade e duração. E aí que entram em jogo os tipos de fibras musculares. De forma geral as fibras musculares são diferenciadas entre fibras musculares de contração rápida e de contração lenta assim como diversos tipos intermediários e mistos. Fibras tipo 1 (vermelhas): são fibras de contração lenta, menores e contraem com menos força. Também são descritas como vermelhas porque elas possuem um alto teor de mioglobinas (proteína de cor vermelha que transporta o oxigênio nos músculos). Essas fibras obtêm sua energia, com a ajuda do oxigênio, através do processo de fosforilação oxidativa; ou seja, utilizam o sistema de energia aeróbio, e por isso é o tipo de fibra que possui mais mitocôndrias (organela responsável por produzir energia por via aeróbia). No entanto, uma vez que esse tipo de fornecimento de energia é mais demorado, esse tipo de fibra não é capaz de se contrair rapidamente e por isso essas fibras atuam menos em movimentos rápidos e vigorosos. A vantagem no entanto é que esse tipo de fibra muscular possui uma alta tolerância para fadiga. Por isso, elas são mais recrutadas em exercícios de longa duração. Este tipo é usado tanto para esportes de resistência (como maratona, ciclismo); mas também nas atividades diárias (é por isso que você pode sentar e comer o dia inteiro ou jogar videogame e nunca se cansar). Mas, uma vez que a fadiga é um dos pressupostos fundamentais para o crescimento muscular, esse tipo de fibra é apenas parcialmente predispostas para a hipertrofia. Portanto, as fibras tipo I contraem com menos força e um pouco mais lentamente; são altamente resistentes à fadiga para que eles tenham boa resistência. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 3 Fibras tipo 2 (brancas): são fibras de contração rápida, maiores e produzem mais força. Possuem uma quantidade baixa de mioglobina – e com isso também baixo teor de oxigênio – e por essa razão não se apresentam vermelhas e sim claras (fibras musculares brancas). Elas se subdividem em tipos 2A e 2B. O tipo 2A obtêm energia através de metabolismo oxidativo (aeróbio) e glicolítico (anaeróbio) e possuem uma resistência moderada a fadiga. Já a tipo 2B obtêm energia apenas do metabolismo glicolítico e possuem baixa resistência a fadiga. As fibras do tipo 2 predominam em atividades anaeróbicas que exigem paradas bruscas, arranques com mudança de ritmo, saltos (ex.: basquete, futebol, tiros de até 200 metros, musculação, entre outros). A boa notícia: essas fibras têm o maior potencial de crescimento. Sendo assim, há uma tendência em classificar as pessoas em um dos dois grupos e dizem que o tipo de músculo determina a capacidade atlética, e que por isso, uns conseguem ter mais resistência e outros mais velocidade. Mas na verdade, ambos os tipos de fibras são geralmente intercaladas dentro de um único músculo, com maiores ou menores proporções de cada tipo, dependendo da pré-disposição genética e demanda funcional à qual o músculo é submetido. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 4 O tecido muscular esquelético tem a capacidade de adaptar-se frente aos estímulos recebidos, e essa adaptação também é observada em relação as fibras musculares. Ou seja, a distribuição dessas fibras pode variar muito de indivíduo pra indivíduo e de acordo com a atividade física exercida. Por exemplo: fisiculturistas tendem a possuir mais fibras de contração rápida do que lenta, devido às características do treinamento de força. É importante deixar claro que ambas as fibras vão hipertrofiar com o estímulo do treinamento de força, sendo que as fibras do tipo II apresentam um aumento maior que as do tipo I. 1.2 Como ocorre a Hipertrofia Muscular Esquelética? A etimologia do termo hipertrofia revela derivação do termo inglês “ hiper- ”, denotando “acima” ou “além” e do termo grego “ -trophia ”, denotando “crescimento” ou “nutrição”. O músculo esquelético é altamente adaptável e tem demonstrado consistentemente responder morfologicamente ao treinamento físico. O crescimento do músculo esquelético durante os períodos de treinamento de resistência é tradicionalmente chamado de hipertrofia muscular esquelética, e isso se manifesta como aumentos na massa muscular, espessura muscular, área muscular, volume muscular e área transversal da fibra muscular, ou seja, aumento do tamanho das fibras musculares. Já vimos que as fibras musculares são as células do músculo, também chamadas de miócitos, e são formadas por filamentos de actina e miosina. O aumento da fibra muscular ocorre quando a síntese dessas proteínas é superior à degradação (falaremos mais adiante). Além do aumento da fibra por aumento dasíntese de proteínas, o músculo também pode aumentar de tamanho por aumento no número de fibras musculares, processo chamado de hiperplasia. Porém, apesar da hiperplasia muscular ter sido observada em animais, os estudos mostram que em humanos esses achados não são muitos claros e a hiperplasia parece ter pouca contribuição para hipertrofia. Alguns autores sugerem a existência de basicamente dois tipos de hipertrofia: hipertrofia sarcoplasmática e hipertrofia miofibrilar. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 5 Hipertrofia Sarcoplasmática: você já deve ter percebido que logo após uma sessão de treino na musculação, o músculo treinado apresenta um “inchaço” e aparentemente aumenta de tamanho e fica mais rígido. Isso é o que chamamos de “pump muscular” e ocorre devido ao aumento do fluxo sanguíneo nos músculos treinados, aumentando o volume de líquido intersticial (fora da célula) e intracelular (no sarcoplasma). Esse aumento ocorre de forma transitória, durante e logo após o treino. Após essa fase aguda, ocorre a resposta inflamatória ao dano muscular que pode fazer com que parte desse inchaço se mantenha por até 96h (ou mais) após o treino em alguns casos. Esse “edema muscular” parece ser maior em resposta a treinos com altas densidades (alto volume e intervalos curtos), o que tem sido relacionado a respostas metabólicas que podem favorecer a hipertrofia. Mas, ao ficar alguns dias sem treinar, você pode perceber a redução do tamanho muscular, mas não se preocupe, provavelmente não teve perda de massa muscular, o que ocorreu foi a redução desse edema, volte a treinar que vai ver o “pump” novamente. Hipertrofia Miofibrilar: nesse processo de hipertrofia ocorre incremento das proteínas contráteis actina e miosina dentro das miofibrilas e aumento do número de miofibrilas dentro de uma fibra muscular. A síntese de outras proteínas – as estruturais, como a titina e a nebulina – também ocorre na proporção das alterações dos miofilamentos. Os novos miofilamentos são adicionados à periferia da miofibrila, resultando em aumento do seu diâmetro. Essas adaptações geram um efeito acumulativo de aumento da fibra e, coletivamente, do músculo ou grupo muscular associado. A sobrecarga mecânica leva a uma série de processos intracelulares que, por fim, regulam a expressão gênica e a subsequente síntese proteica. Esse processo ocorre de forma crônica e por isso mais duradoura. Vale ressaltar que os dois tipos de hipertrofia podem ocorrer concomitantemente. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 6 Tanto o desenvolvimento quanto a manutenção de massa muscular ocorrem em resposta a fatores genéticos, hormonais, nutricionais, ambientais (como estresse, privação de sono), nível de treinamento. Quando pensamos no estímulo do treino, para que ocorra a hipertrofia muscular é necessário que as fibras musculares sofram dano muscular (microlesões). Quando a lesão tecidual ocorre, gera perda da estrutura da célula muscular, ficando com um “buraco” na estrutura e perdendo a delimitação do meio interno e externo, isso leva ao extravasamento de estruturas para o meio extracelular. O organismo então entende que as substâncias que foram para o meio extracelular são estranhas, mobilizando assim o sistema imunológico para o local, para combater as substâncias extravasadas, gerando uma resposta inflamatória local. As células do sistema imunológico quando vão combater as “substâncias estranhas”, produzem substâncias anti-inflamatórias as quais são capazes de sinalizar o tecido muscular a iniciar o processo de restauração, e isso ocorre através da ativação de fatores de crescimento (IGF1) e da ativação de células satélites. As células satélites estão ao redor da fibra muscular e têm importante papel na construção da fibra muscular porque elas são responsáveis pela reparação do tecido muscular quando acontecem as microlesões. Elas se multiplicam e migram para o local da lesão, onde se funde com a fibra muscular e doa seus núcleos para a fibra muscular que está em processo de restauração. Uma fibra muscular maior e com mais núcleos tem agora maior capacidade de síntese proteica. O IGF-1 também estimula a transcrição de genes envolvidos com a síntese proteica, ocorrendo o reparo tecidual (vamos falar dele mais adiante). Ou seja, o treinamento ocorre para “estressar” o músculo e com isso estimula vias de hipertrofia como um mecanismo compensatório do organismo em resposta as microlesões geradas. Esse ajuste nada mais é do que o aumento das estruturas envolvidas na contração muscular (actina, miosina, entre outros) para tentar deixar esse músculo mais forte/resistente a um possível estresse futuro, gerando a hipertrofia muscular. Imagine alguém que acabou de completar um treino intenso de força. Se você pudesse ver seus músculos em nível microscópico, ficaria atônito. Há lacerações nas minúsculas estruturas das fibras musculares e vazamentos nas células musculares. Nas próximas 24 a 48 horas, a proteína muscular será quebrada, e o glicogênio muscular adicional será utilizado. Estes são alguns dos eventos metabólicos principais que ocorrem após um treino árduo. E, embora eles possam parecer destrutivos, na verdade são parte necessária da recuperação - o reparo e o crescimento do tecido muscular ocorrem após cada treino. Durante a recuperação, o corpo reabastece o glicogênio muscular e sintetiza sua nova proteína. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 7 2. VIAS BIOQUÍMICAS DA HIPERTROFIA No tópico anterior, vimos que o músculo esquelético responde a estímulos fisiológicos como o exercício físico remodelando-se para se adaptar as novas demandas impostas por esse estímulo. Esta adaptação é feita por estímulos extracelulares que chegam à membrana celular e interagem com receptores ativando vias de sinalização intracelular, as quais resultam em alterações na transcrição gênica e síntese proteica e consequentemente promovem o remodelamento da musculatura. Diversas vias de sinalização intracelular envolvidas na regulação da massa muscular esquelética induzida pelo treinamento físico são citadas na literatura. A seguir iremos abordar de forma resumida algumas dessas vias. VIA da PI3k / Akt / mTOR: o treinamento resistido aumenta os níveis locais (no músculo) de IGF-1 (fator de crescimento semelhante a insulina 1). Ao se ligar no seu receptor na membrana da célula, o IGF1 leva a ativação da enzima PI3k desencadeando uma cascata dentro da célula que culmina com a ativação da enzima Akt. A partir da ativação da Akt é que algumas vias de sinalização celular vão estimular e promover a síntese proteica e hipertrofia. A Akt estimula a mTOR que estimula a P70, o qual é um fator transcricional que estimula o núcleo a formar genes que promovem a síntese proteica. A via Akt/mTOR é a principal via intracelular que sinaliza a hipertrofia muscular esquelética e a ativação dessa via ocorre também pelo estímulo de outros hormônios anabólicos (falaremos mais adiante), através da combinação entre treino resistido e dieta para hipertrofia. VIA da FOXO: as proteínas FOXO estão localizadas no núcleo da célula e são responsáveis por estimular a transcrição de genes MuRF1 e ATROGIN-1 envolvidos com o estímulo da degradação proteica. Outra importante função da enzima Akt é justamente promover a inativação da FOXO, reduzindo assim o catabolismo (quebra) proteico. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 8 VIA da AMPK: a AMPK é uma proteína intracelular que monitora a homeostase energética. Está presente em diversos tecidos (hepático, tecido adiposo, musculo). De forma geral é contrária a hipertrofiamuscular, pois inibe a via da mTOR (e consequentemente inibe síntese de proteínas) e aumenta a ativação da FOXO levando a expressão dos genes relacionados a degradação proteica. É a principal via ativada durante o treinamento aeróbico e tem sua expressão aumentada quando o estoque energético é baixo (baixo estoque de glicogênio), como ocorre em dietas com restrição calórica. A AMPK ativa vias de sinalização que levam ao aumento do transporte de glicose para o interior da célula (melhora a sensibilidade a insulina) e aumento da oxidação de ácidos graxos (queima de gordura). Portanto, a AMPK ativa as vias catabólicas (proteólise, lipólise) e inibe os processos anabólicos (síntese proteica, lipogênese). A AMPK também está associada ao aumento na regulação de PGC-1alfa, uma molécula responsável por estimular a biogênese mitocondrial (aumento do volume e número de mitocôndrias levando a uma maior oxidação de gordura). O PGC-1 alfa também regula proteínas envolvidas na angiogênese (aumento do número de vasos sanguíneos) e na defesa antioxidante, e também afeta a expressão de marcadores inflamatórios. Foi visto ainda que apesar do aumento da AMPK levar a inibição da mTOR, o aumento da expressão de PGC-1alfa exerce um efeito protetor, inibindo atrofia muscular, provavelmente por meio da supressão de FOXO. MIOSTATINA: é uma proteína, produzida pelo músculo, responsável pelo controle de vias metabólicas importantes no processo de degradação muscular que determinam a velocidade de apoptose da célula muscular e que impedem a proliferação de mioblastos (crescimento muscular). Apesar dos poucos estudos disponíveis, os resultados existentes apontam que o estímulo do treinamento de força é capaz de atenuar a expressão e/ou atividade da Miostatina a partir da sinalização IGF1/PI3k/Akt. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 9 FONTE: Adaptado de Deldicque et al. (2005). FONTE: Adaptado de Zhao et al. (2008). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 10 FONTE: Hawley J. A. (2009) FONTE: Adaptado de Hardie, (2007) Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 11 3. HORMÔNIOS E HIPERTROFIA Os principais hormônios que controlam a síntese e degradação de proteínas pelo organismo são insulina, GH (hormônio do crescimento), IGF-1 (fator de crescimento semelhante a insulina), testosterona e cortisol. INSULINA: hormônio produzido pelo pâncreas. Sua liberação aumenta após a ingestão de alimentos, principalmente carboidratos, mas alguns aminoácidos (arginina, leucina, alanina) também são potentes estimuladores da secreção de insulina. Ela aumenta a captação, uso e armazenamento de glicose pelos tecidos (tecido adiposo, músculo e fígado). No músculo ela ainda tem ação de estimular as vias de síntese proteica e inibir as vias de degradação, contribuindo assim para hipertrofia muscular. Já no tecido adiposo ela tem ação inibitória sobre a enzima lipase hormônio sensível (LHS), reduzindo assim a lipólise (quebra da gordura) e favorecendo a lipogênese (armazenamento de gordura). GH e IGF: O GH é produzido pela hipófise e se liga a receptores nos tecidos-alvo com o objetivo de estimular o crescimento corporal (principalmente da fase de desenvolvimento) e também interfere na regulação do metabolismo, através de ações diretas e indiretas (aumentando a liberação do IGF). A secreção de GH ocorre em pulsos e é controlada pelo hipotálamo. É liberado principalmente durante o sono, durante o jejum e após exercícios intensos. Os efeitos diretos (agudos) são efeitos catabólicos hiperglicemiantes (lipólise, gliconeogênese e menor captação de glicose). Entre os efeitos indiretos (crônicos) do GH o mais importante é o estimulo da síntese do IGF-1 em diversos tecidos (ossos, músculo, fígado). O IGF1 tem ação anabólica no músculo estimulando a síntese proteica. A expressão de IGF-I no músculo esquelético parece ser sensível à sobrecarga (treino resistido) e atua independentemente de quaisquer mudanças no GH e IGF-I sérico, induzindo a hipertrofia miofibrilar de maneira autócrina (estimulação direta da síntese de miofibrilas) e/ou de maneira parácrina (influenciando a proliferação, diferenciação e ação de células satélites). TESTOSTERONA: produzida pelos testículos, ovários e córtex adrenal. É o principal hormônio anabólico. Age no núcleo da fibra muscular estimulando genes que codificam a síntese de proteínas e inibindo genes responsáveis pela degradação proteica. Mulheres possuem menos massa muscular que os homens justamente porque produzem cerca de 10 vezes menos testosterona. O treinamento de força aumenta agudamente a concentração total de testosterona em homens e mulheres. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 1 – Bioquímica e Fisiologia da Hipertrofia Muscular 11 CORTISOL: produzido pelo cortéx adrenal em resposta ao estímulo do hormônio ACTH liberado pela hipófise. O cortisol tem várias ações no corpo. Em relação ao metabolismo proteico ele tem ação catabólica, aumentando a degradação proteica muscular e estimulando a gliconeogênese. A restrição calórica, o jejum, estresse, treino estimulam a liberação de cortisol. Mas se você tem uma boa alimentação não precisa ter medo do cortisol. Os estudos com atletas de força mostram que quanto mais intenso o treino maior elevação do cortisol, então indivíduos mais avançados possuem naturalmente o cortisol mais elevado. O cortisol é um hormônio necessário nas adaptações ao exercício de força, provavelmente atuando nos processos de reparação tecidual (inibindo a resposta inflamatória à lesão tecidual). Em condições normais, o cortisol não provocaria um aumento do catabolismo da massa muscular. Já em um indivíduo sedentário/obeso/estressado os maiores níveis de cortisol, somado a baixa testosterona e GH, favorecem o ganho de gordura e a perda de massa muscular. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 13 1. PROTEÍNAS A proteína está presente em todo o corpo - músculos, ossos, tecido conjuntivo, células e vasos sanguíneos, pele, cabelo e unhas. É um nutriente absolutamente necessário para o desenvolvimento e manutenção dos tecidos corporais. O corpo a utiliza para várias funções: regular a secreção de hormônios, manter o equilíbrio de água, proteger-se contra doenças, transportar nutrientes para dentro e para fora das células, transportar oxigênio, regular a coagulação do sangue, entre muitas outras. As proteínas são constituídas por aminoácidos que formam cadeias entre si (como se fossem tijolinhos um se ligando ao outro). Os aminoácidos são formados por carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio. O que muda de um aminoácido para outro é a cadeia lateral, chamada de radical. A identidade e função de cada proteína é dada pela sua sequência de aminoácidos. Existem 20 aminoácidos que podem ser usados na síntese de proteínas. Desses 20, nove são chamados de “essenciais” que são os que nosso corpo não produz e devem ser obtidos da alimentação, e os outros onze são os “não essenciais”, os quais podem ser produzidos pelo nosso organismo através de reações metabólicas. Pode-se pensar em aminoácidos como uma equipe que está construindo uma casa. Cada membro da equipe tem uma função específica, da estrutura à fiação. Se um deles faltar, então ela não poderá ser concluída. O mesmo ocorre com os aminoácidos, todos devem estar combinados para fabricar as proteínas necessárias para crescimento e reparo de tecido. Para que o corpo fabrique proteína, todos eles devem estar presentes. Se faltar um deles ou até mesmo se a concentração de um deles for baixa, a fabricação é interrompida. Licenciado para -Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 14 1.1 Classificação das Proteínas Alimentos que contêm todos os aminoácidos essenciais nas quantidades necessárias para a saúde e crescimento são chamados de proteínas completas. Estas são encontradas em laticínios, ovos, carne bovina, aves, peixe e outras fontes animais. Já as proteínas incompletas são as que não possuem em sua composição aminoácidos essenciais em proporções adequadas, apresentando baixa quantidade ou deficiência de um ou mais aminoácidos essenciais. São consideradas proteínas incompletas as de fonte vegetal (com exceção da soja que é considerada uma proteína completa). O aminoácido ausente ou que se apresenta em menor quantidade é chamado de limitante. MAS ENTÃO A PROTEÍNA VEGETAL É RUIM? Não! Calma. Vamos falar disso no próximo tópico! Existem diferentes métodos para avaliar a qualidade de uma proteína. O método mais recente e aceito pela FAO/OMS (FAO- Food and Agriculture Organization / OMS – Organização Mundial de Saúde) é o PDCAAS (Escore dos aminoácidos corrigidos pela digestibilidade da proteína). Esse escore descreve a proporção de aminoácidos na fonte proteica, assim como sua digestibilidade, ou o quanto dela é utilizada pelo corpo. Ao calcular esses valores, o alimento recebe um índice baseado em sua composição de aminoácidos. A pontuação é então ajustada para refletir sua digestibilidade. Outro método é o valor biológico (VB), o qual tem relação com a capacidade do corpo de digerir, absorver e excretar determinadas proteínas. Ou seja, ele reflete a quantidade de proteínas que realmente são absorvidas e aproveitadas em funções metabólicas no nosso organismo. É medido avaliando a quantidade de nitrogênio retida pelo organismo em relação a quantidade que é absorvida. Proteínas completas tendem a possuir valores biológicos altos, enquanto as incompletas possuem valor baixo. Alimentos com baixo VB são utilizados principalmente como combustível (produção de energia), e menos para crescimento e reparo. Mas, uma coisa deve ficar clara: esse método avalia a retenção de nitrogênio em baixa oferta de proteína. Sendo assim, proteínas de alto VB só fazem realmente diferença em pessoas desnutridas, dietas pobres em proteínas ou em atletas/indivíduos com alta restrição calórica. Mas para pessoas que já comem uma boa quantidade de proteína, em uma dieta variada, se preocupar com valor biológico acaba sendo desnecessário. Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 15 Em uma dieta hipercalórica com bom aporte de proteínas e carboidratos não importa tanto o valor biológico de uma proteína, e todas as fontes de proteína são consideradas, incluindo as de menor valor biológico (arroz, feijão, cereais integrais, etc). Em uma dieta rica em carboidratos com saldo calórico positivo, a degradação proteica será minimizada e o corpo naturalmente tem um melhor aproveitamento das proteínas. No caso de pessoas veganas/vegetarianas que não consomem alimentos de origem animal, precisam se preocupar com uma maior oferta de proteínas pois sua dieta é naturalmente carente em proteínas de alto valor biológico. E é sobre isso que vamos falar a seguir. 1.2 Dieta Vegetariana e Ganho de Massa Muscular É possível não consumir proteínas de origem animal e mesmo assim desenvolver massa muscular? Sem dúvidas SIM, desde que haja planejamento da dieta de forma apropriada. Para obter todos os aminoácidos essenciais a partir de fontes de proteínas vegetais, deve-se selecionar alimentos que se complementam em relação à limitação de aminoácidos. Em outras palavras, misturar e combinar alimentos ao longo do dia, de forma que os alimentos pobres em um aminoácido essencial sejam balanceados por aqueles ricos neste mesmo nutriente. Por exemplo: os cereais (arroz, trigo, milho) são deficientes no aminoácido lisina, enquanto nas leguminosas (feijões, ervilhas) falta a metionina mas apresentam boa quantidade de lisina. Nesse caso, combinar grãos com leguminosas cria uma refeição proteica completa. Importante ressaltar que essa combinação não precisa ser feita necessariamente na mesma refeição, pois o que mais importa é o consumo total ao final do dia. Quando nos referimos a quantidade total de proteína, alimentos de origem vegetal possuem sim uma boa quantidade proteica, com alguns apresentando em torno de 20 gramas de proteína a cada 100 gramas de alimento (feijão, amendoim, lentilha, dentre outros). Mas nesse caso deve-se ficar atento em relação aos outros macronutrientes que acompanham as proteínas, o que a depender dos objetivos da pessoa pode ser um empecilho. Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 16 Por exemplo, 100 gramas de semente de abóbora assada possuem em média 30 gramas de proteína, valor muito semelhante ao encontrado em 100g de peito de frango. Porém, em 100 gramas de peito de frango cozido encontramos em torno de 3,5 gramas de gordura e quase 0 de carboidrato, já em 100 gramas de semente de abóbora nos deparamos com quase 50 gramas de gordura e 15 gramas de carboidrato. Dessa maneira, é imprescindível um cálculo e ajuste correto da dieta para que não contenha excesso de nenhum macronutriente. Atualmente a indústria nos possibilita a utilização de proteínas vegetais em pó (arroz, ervilha, soja), que permitem o consumo de uma grande quantidade de proteínas vegetais de alta qualidade de maneira isolada, sendo uma boa opção para completar a proteína na dieta se necessário. Além disso, vegetarianos devem planejar a dieta se atentando a outras possíveis deficiências nutricionais que podem prejudicar o desempenho do exercício, como ferro, zinco e vitamina B12. 1.3 Metabolismo Proteico Após serem ingeridas, a digestão das proteínas se inicia no estômago e se completa no intestino delgado, onde são degradadas em aminoácidos e então absorvidos. No organismo esses aminoácidos podem ser utilizados para diversas funções. Boa parte será utilizado na síntese de proteínas essenciais para o funcionamento do organismo (como hormônios, enzimas, anticorpos, proteínas musculares). No entanto, a taxa de síntese proteica depende da NECESSIDADE do organismo. Você pode por exemplo aumentar a síntese proteica muscular com o estímulo do treino resistido, mas há um limite (falaremos mais adiante). O excesso de aminoácidos não utilizado para síntese proteica pode ser usado na produção de energia (oxidação), produção de glicose (gliconeogênese – como ocorre em dietas hipocalóricas e/ou low carb) ou produção de ácidos graxos (lipogênese). Para o aminoácido virar glicose, ácido graxo ou produzir energia é necessário perder seu grupo amino (NH2), que é removido na forma de amônia (NH3). A amônia é tóxica para o organismo e por esse motivo é convertida em ureia no fígado. A ureia circula no sangue até ser excretada na urina. Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 17 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Níveis de ureia podem estar elevados em pessoas com doença renal ou em dietas hiperproteicas – mas isso não quer dizer que proteína é prejudicial para pessoas saudáveis que não tem doença renal – porém, mostra que níveis de ureia elevados em pessoas saudáveis pode significar elevado catabolismo de proteínas/aminoácidos em dietas com excesso de proteína, já que os aminoácidos em excesso não serão utilizados na síntese proteica. Níveis de ureia aumentados são comuns em atletas de fisiculturismo que consomem grandes quantidades de proteínas na dieta (acima de 2,5-3g/kg). A síntese e degradação de proteínas são reguladas pelo estado nutricional do organismo e também por vários hormônios (como já falamos anteriormente). Quando a taxa de síntese é igual a taxa de degradação diz-se que o balanço nitrogenado é neutro. Quando a síntese excede adegradação, o balanço nitrogenado é positivo (anabolismo > catabolismo) e quando a degradação é maior que a síntese o balanço nitrogenado é negativo (anabolismo < catabolismo). O balanço nitrogenado positivo é essencial para o ganho de massa muscular. O treinamento resistido em conjunto com a dieta são essenciais para promover ganhos eficientes. Funções da proteína no exercício: promover crescimento e reparar tecido; fornecer estrutura corporal (músculo, tecido conjuntivo, osso e órgãos); apoiar atividades metabólicas e hormonais; aumentar a imunidade; manter a proteína corporal para evitar o catabolismo muscular; minimizar a fadiga ao fornecer aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs) como combustível. 2. CARBOIDRATOS Os carboidratos geralmente são a principal fonte de energia da dieta da maioria das pessoas e na atividade física ele possui um papel importante, pois um bom aporte de carboidratos está relacionado a um aumento de desempenho. No treinamento de força, como já vimos, são acionadas principalmente as fibras musculares do tipo II, que são as de contração rápida com metabolismo predominantemente glicolítico (dependente da glicose). A manipulação das quantidades de carboidratos na dieta é uma estratégia muito utilizada nas diferentes fases de mudança da composição corporal pois os efeitos metabólicos desse macronutriente são fundamentais para regular o crescimento muscular e queima de gordura. Os carboidratos são moléculas compostas basicamente por carbono, hidrogênio e oxigênio. Sua classificação é de acordo com o tamanho da molécula. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 18 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular ❑ Monossacarídeos: glicose, frutose e galactose. São carboidratos mais simples (menores) com 3 a 7 carbonos. ❑ Dissacarídeos: são formados pela união de 2 monossacarídeos. Sacarose (glicose+frutose) que é por ex o açúcar branco; maltose (glicose+glicose) obtido a partir da digestão do amido; e lactose (glicose + galactose) que é o açúcar do leite. ❑ Oligossacarídeos: possuem entre 3 e 9 monossacarídeos. Ex: maltodextrina (formado por moléculas de glicose); rafinose e estaquiose (carboidratos encontrados principalmente em leguminosas como feijão); fruto- oligossacarídeos (um tipo de carboidrato que não é digerido pelas enzimas intestinais e por isso são usados como fibras alimentares com efeito prébiotico por alimentar bactérias boas do intestino). ❑ Polissacarídeos: possuem acima de 9 monossacarídeos. Ex: amido (é a reserva energética dos vegetais. Presente nas batatas, arroz, trigo, etc); glicogênio (é a nossa reserva energética – presente no fígado e músculos); fibras alimentares (celulose, hemicelulose, pectina – não são digeríveis). ❑ Polióis: são monossacarídeos e dissacarídeos derivados de álcoois. Ex: xilitol, maltitol, manitol, sorbitol. A digestão dos carboidratos tem início na boca e continua no intestino delgado e só são absorvidos quando são quebrados em monossacarídeos. Depois da absorção intestinal vão para o fígado onde podem ser oxidados, uma parte armazenada como glicogênio e o restante de glicose vai para o sangue, aumentando a glicemia. O aumento de glicose no sangue estimula a liberação da insulina. A insulina aumenta a captação de glicose pelos tecidos (musculo, tecido adiposo e fígado). O excesso de glicose que não é utilizado como fonte imediata de energia é armazenado sob a forma de glicogênio. Dois terços do glicogênio do organismo são armazenados nos músculos, e um terço é armazenado no fígado. Quando os músculos utilizam glicogênio, eles o quebram em glicose por meio de uma série de reações de produção de energia. O glicogênio derivado do carboidrato é a principal fonte de combustível para o desenvolvimento muscular. Se existe uma grande ingestão de alimentos e os estoques de glicogênio já estão saturados, parte dos carboidratos serão utilizados para síntese de gordura (lipogênese). Por isso dizemos que a insulina é um hormônio anabólico que estimula a síntese de glicogênio, proteínas e gordura, e inibe as vias de degradação. A quantidade necessária desse nutriente na dieta varia conforme os objetivos de treinamento, frequência e intensidade do treino, sexo e necessidades individuais. Falaremos sobre isso mais adiante. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 19 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 2.1 Sensibilidade a Insulina A sensibilidade a insulina se refere a eficiência do organismo em responder a esse hormônio. Para colocar a glicose que está no sangue, para dentro da célula, uma pessoa com boa sensibilidade a insulina precisa secretar MENOS insulina do que um indivíduo com pouca sensibilidade. Ou seja, o termo “resistência a insulina” é o contrário de sensibilidade. Um indivíduo apresenta maior resistência a insulina (RI) quando ele precisa liberar grandes quantidades de insulina para colocar a mesma quantidade de glicose para dentro da célula, que o organismo de uma outra pessoa conseguiria fazer com menos insulina. Ou seja, as células de um indivíduo resistente são menos responsivas a insulina, e por isso o pâncreas libera mais insulina na tentativa de “forçar” essa entrada de glicose para dentro das células. Com isso, os níveis basais de insulina em indivíduos mais resistentes são maiores do que de pessoas com boa sensibilidade a insulina. A sensibilidade a insulina é influenciada pela genética, mas o estilo de vida também exerce grande impacto na resposta a insulina. Doenças como diabetes tipo 2, obesidade, dislipidemia são associadas a resistência a insulina, provocada principalmente pelos maus hábitos de vida (má alimentação e sedentarismo). O processo de envelhecimento também está relacionado à progressão da RI. Em populações normais, a RI ocorre em 20% a 25% dos indivíduos. Em populações de não-diabéticos, a redução da ação insulínica pode estar acompanhada de um grupo de alterações metabólicas/cardiovasculares que compreende hipertensão arterial, hipertrigliceridemia, redução do HDL, intolerância aos carboidratos, obesidade central, hiperuricemia e doença cardiovascular aterosclerótica. Esse conjunto de alterações da RI é conhecido como síndrome de resistência à insulina ou síndrome plurimetabólica. Portanto, avaliar a sensibilidade a insulina no momento de montar um plano alimentar e um planejamento de treino se torna importante, dependendo de como o individuo responde ao consumo de carboidratos, sua perda ou ganho de gordura. Na prática clinica, existem diferentes métodos de avaliação da resistência à insulina. Um dos mais usados é o HOMA (Homeostasis model assessment), um modelo matemático que prediz a sensibilidade à insulina pela simples medida da glicemia e insulina de jejum. Vale ressaltar que esses exames são mais utilizados em um contexto de avaliação de saúde/doença e sempre devem estar aliados a história clínica. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 20 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Porém, pensando em indivíduos saudáveis e em um contexto estético, mesmo sem exames é possível observar que pessoas mais sensíveis à insulina respondem melhor a dietas com mais carboidratos e pessoas mais resistentes perdem mais peso com dietas pobres em carboidratos. Outra forma de observar isso é através de sinais/sintomas que a pessoa apresenta após uma elevada ingestão de carboidratos. Um indivíduo com boa sensibilidade a insulina, após consumir grande quantidade de carboidrato, se sente com os músculos cheios, níveis de energia estáveis e seu percentual de gordura tende a ser estável e baixo mesmo em uma dieta rica em carboidrato. Uma pessoa mais resistente a insulina se sente inchado, retido, pode ficar sonolento e com fome após uma refeição rica em carboidratos, e seu percentual de gordura tende a se elevar facilmente quando aumenta a ingestão de carboidratos na dieta. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira- 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 21 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 2.2 Índice Glicêmico e Carga Glicêmica O índice glicêmico basicamente avalia a capacidade de um alimento em elevar a glicemia (glicose no sangue). O IG é calculado a partir da mensuração da glicose sanguínea por um período de duas horas depois da ingestão de 50g de carboidratos de um alimento teste e comparando esse resultado com um alimento de referência (pão branco ou glicose). Por isso é comum ter duas tabelas de IG, uma feita utilizando o pão branco como referência e a outra utilizando a glicose. Teoricamente, o que ocorre é que, ao ingerir alimentos com alto IG, o organismo libera grandes quantidades de insulina para tentar manter os níveis de glicose no sangue dentro de limites normais. Este aumento na produção insulínica contribui para menor saciedade após as refeições, podendo levar ao consumo excessivo de alimentos, e se ocorrer de forma crônica pode contribuir para o desenvolvimento de um quadro de resistência à insulina e obesidade. No entanto, o IG de um alimento pode variar de acordo com seu preparo, conteúdo de fibras, proteínas, gorduras, etc. Depende também da combinação que é feita na refeição. Ou seja, combinar carboidratos com outros alimentos contendo proteínas, fibras, gorduras vai alterar a velocidade de absorção e portanto o IG da refeição como um todo que deve ser considerado. O problema do IG é que é uma medida qualitativa, porém não considera a quantidade de carboidratos no alimento. E na verdade a quantidade acaba sendo muito mais importante para elevar a glicemia e a insulina. Pensando nisso foi criado o conceito de CARGA GLICÊMICA, que é muito mais útil para avaliar a resposta glicêmica de um alimento e de uma refeição. A carga glicêmica (CG) é um indicador de qualidade e quantidade de carboidrato a partir de uma determinada porção consumida. O cálculo é feito a partir da quantidade de carboidrato em gramas multiplicado pelo seu IG e dividido por 100. Alguns alimentos possuem alto IG porém baixa CG, pois para elevar os níveis de glicose e insulina com esses alimentos é preciso consumir grandes porções. Exemplos: melancia, abacaxi. Diferente de outros alimentos que possuem alto IG e alto CG. Exemplo: macarrão, arroz branco. Portanto, o CG do alimento é mais relevante do que considerar apenas o IG. Mas, de certa forma, o IG também não pode ser ignorado, principalmente em dietas para ganho de peso (hipertrofia), devendo a composição da dieta ser avaliada junto com o metabolismo e sensibilidade a insulina do indivíduo. Ou seja, pessoas menos sensíveis a insulina e que acumulam gordura com facilidade e/ou têm dificuldade para emagrecer precisam se preocupar mais com o controle dos níveis de insulina se atentando para o IG e CG dos alimentos. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 22 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Abaixo segue exemplos do IG e CG de alguns alimentos. Os valores podem ter variações dependendo da referência consultada. ALIMENTO IG PÃO BRANCO = 100 IG GLICOSE = 100 CARGA GLICÊMICA Melancia 103 72 Em 120g CG = 4 Maçã 57 40 Em 120g CG = 6 Banana 74 52 Em 120g CG = 12 Abacaxi 94 66 Em 120g CG = 6 Arroz branco 91 64 Em 150g CG = 43 Arroz integral 79 55 Em 150g CG = 16 Feijão cozido 57 40 Em 150g CG = 7 Batata doce 87 61 Em 150g CG = 11 Mandioca cozida 57 40 Em 100g CG = 12 Leite integral 46 32 Em 250ml CG = 4 Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 23 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 3. GORDURAS O consumo de gorduras é extremamente benéfico para saúde, fornecem energia ao corpo, participam do transporte de vitaminas (A, D, E e K) e fazem parte da produção de alguns hormônios e da estrutura das células. As gorduras estão presentes em uma grande variedade de alimentos. A maior parte da gordura que ingerimos na alimentação está na forma de triglicerídeos (formados por uma molécula de glicerol ligada a três moléculas de ácidos graxos). Os ácidos graxos são cadeias de carbono ligadas a hidrogênio, e de acordo com o tipo de ligação entre os átomos de carbono eles se dividem em: saturados (apenas ligações simples), monoinsaturados (possuem uma dupla ligação) e poli-insaturados (possuem duas ou mais dupla ligações). De forma geral, os alimentos que são fontes de gordura, têm um pouco de cada tipo (saturadas, monoinsaturadas e poli-insaturadas). Mas, o tipo que está em maior quantidade caracteriza o alimento fonte daquele tipo de gordura. Monoinsaturadas: possuem papel antioxidante e anti-inflamatório e ajudam a controlar os níveis de colesterol. Suas principais fontes são: azeite de oliva, abacate, óleo de abacate, óleo de gergelim, oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas, amendoim). Poli-insaturadas: representadas pelo ômega-3 e pelo ômega-6. São essenciais para o organismo. Suas principais fontes são: nozes, sementes de linhaça, chia, semente de abobora, semente de girassol, peixes. Saturadas: são aquelas que por muitos anos foram vistas como "vilãs" e relacionadas ao aumento do risco cardiovascular, por aumentar o colesterol LDL. De fato, em EXCESSO, a gordura saturada pode exercer um papel pró-inflamatório. Porém, não é recomendado retirá-las completamente da alimentação, mas sim consumir com moderação. A gordura saturada é necessária para a produção hormonal, produção das células de defesa e a formação da membrana celular. Suas principais fontes são: manteiga, banha de porco, carnes, leite, queijos, coco, cacau, óleo de coco. Trans: Esse tipo de gordura é obtido principalmente por hidrogenação de óleos vegetais (produção artificial). Especialistas indicam que o consumo deve ser próximo de zero, pois está diretamente relacionada ao aumento do risco cardiovascular. A gordura trans está presente principalmente em produtos industrializados como margarinas, sorvetes cremosos, biscoitos, bolos, tortas, pães, pipoca de micro-ondas, bombons. Pode vir escrita nos ingredientes como gordura vegetal hidrogenada ou apenas gordura hidrogenada. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 24 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 4. CALORIAS E MACRONUTRIENTES NA DIETA PARA HIPERTROFIA CALORIAS: Na fase de ganho de massa muscular, além do treino resistido, é recomendado um superávit calórico (comer mais do que gasta) de forma a estimular vias anabólicas. Esse superávit calórico deve fornecer nutrientes suficientes para promover uma melhora da performance no treino de musculação (onde faço o estímulo catabólico – microlesões musculares), facilitar a recuperação pós-treino (estímulo anabólico com aumento da síntese proteica muscular) e favorecer a hipertrofia. Mas quantas calorias devo consumir a mais? De forma ideal, as mulheres devem aumentar sua ingestão calórica em 300 calorias/dia, e os homens em 400 calorias/dia. Pesquisas mostram que esse é o ideal para iniciar o desenvolvimento muscular e minimizar o ganho de gordura. Deve-se aumentar o consumo calórico gradualmente para que não haja ganho excessivo de gordura. Um dos fatos pra essa diferença entre homens e mulheres é a quantidade de testosterona. Mulheres têm menos testosterona e com isso mais dificuldade em ganhar massa muscular e mais facilidade em ganhar gordura, em comparação com os homens. Portanto, de forma geral, pessoas com percentual de gordura mais baixo e mais sensíveis a insulina podem começar com um superávit calórico maior. Pessoas com percentual de gordura mais elevado (>18-20% para mulheres e >13- 15% para homens) e/ou menos sensíveis à insulina devem ser mais cautelosos. Exemplo: Uma mulher que sabidamente tem um metabolismo mais acelerado, é magra, tem dificuldade em ganhar massa muscular, consequentemente vai poder começar com um superávit maior (> 500kcal/dia). A mesma coisa pode acontecer com alguns homens, podendo ser necessário iniciar com um déficit > 800 kcal/dia. Então as característicasindividuais são muito importantes ao determinar o superávit calórico. Em relação ao aumento de calorias, a maioria desses adicionais deve vir de carboidrato, se a quantidade de proteína e gorduras já estiverem na faixa ideal. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 25 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular PROTEÍNAS: A ingestão dietética recomendada (RDA) de proteínas para adultos é de 0,8g/kg. Essas recomendações mudam para outros estágios de vida e condições clínicas, e também não atendem as necessidades de proteínas de indivíduos que praticam treinamento de endurance (aeróbico) ou treinamento de força. O balanço nitrogenado positivo é essencial para o ganho de massa muscular. O treinamento resistido em conjunto com a dieta são essenciais para promover ganhos eficientes. Os estudos indicam que em indivíduos que praticam musculação e estão com uma ingestão normal de calorias e carboidratos ou estão em superávit calórico, a necessidade de proteínas fica na faixa de 1,5-2g/kg. Ingestões maiores não mostraram aumento da síntese proteica. O aumento de calorias e carboidratos na dieta minimiza a degradação de proteínas e favorecem o uso de aminoácidos para síntese proteica. Além disso, mais carboidratos na dieta também elevam os níveis de insulina (poderoso hormônio anti-catabólico). Ou seja, em uma dieta para hipertrofia com superávit calórico e bom aporte de carboidratos não há necessidade de consumir proteína em excesso. CARBOIDRATOS: Uma das coisas mais difíceis de acertar na hora de calcular a dieta é a quantidade de carboidrato a ser consumida. Diferentemente das proteínas que possuem valores bem padrões de recomendação, com os carboidratos não ocorre o mesmo. De forma geral, quando analisamos a literatura científica a respeito da recomendação de carboidratos para praticantes de musculação, os valores médios ficam na faixa de 4 até 8 gramas por kg ou 40 a 60% das calorias, e geralmente as mulheres ficam no limite inferior. Como visto anteriormente, a quantidade de carboidrato vai variar conforme a resposta do indivíduo ao consumo de carboidratos, sua sensibilidade a insulina e intensidade do treinamento. GORDURAS: As recomendações de gordura na dieta para hipertrofia ficam na faixa de 20-30% das calorias, podendo ser maior para aqueles indivíduos que não possuem uma resposta tão boa com dietas com alto carboidrato. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 26 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 5. ELABORANDO O PLANO ALIMENTAR Antes de iniciarmos os cálculos vocês precisam conhecer alguns conceitos: VET = Valor energético total (calorias ingeridas). GET = Gasto energético total (calorias gastas). O GET é composto pela TMB (taxa metabólica basal) + NEAT (termogênese de atividade não exercicio) + EAT (gasto energético de atividade física) + TEF (efeito térmico dos alimentos). E sendo assim, o GET varia de pessoa para pessoa, dependendo de sua composição corporal, genética, gênero, nível de atividade, etc. ❑ TBM é a energia gasta para manter as funções fisiológicas básicas (respiração, circulação, temperatura corporal, atividade cerebral, etc). Pode compor até 75% do GET. A TMB reduz com a idade e homens geralmente possuem valores um pouco maiores do que as mulheres, devido ao maior volume muscular e menor percentual de gordura. ❑ NEAT se refere as atividades diárias de lazer, trabalho. Varia do quanto o individuo é ativo ou não no seu dia a dia (ex: usar escadas em vez de elevador, trabalhar sentado ou de forma ativa, etc). ❑ EAT é a energia gasta com as atividades físicas. Depende da intensidade e tempo de exercicio fisico. ❑ TEF se refere a energia gasta para processamento dos macronutrientes (digestão/absorção). A proteína é a que tem maior efeito térmico. O TEF varia de 8-15% dependendo da composição da dieta. Existem várias formas de obter o gasto energético total do indivíduo. Métodos mais eficazes são calorimetria direta e indireta. Ambos são realizados em lugares e com equipamentos específicos. Possuem resultado mais preciso, porém um custo maior. Na prática, são utilizadas outras formas de se estimar o GET, através de cálculos pré-definidos (fórmulas), que são métodos de baixo custo, rápidos e fáceis de aplicar. Existem várias equações. Os cálculos mais utilizados são os preconizados pela Organização Mundial da Saúde, que determinou cálculos de acordo com faixa etária e sexo levando em conta dados como peso, altura e idade. Outro cálculo muito utilizado é o protocolo de Harris Benedict. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 27 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Uma coisa que tem que ficar clara é que de forma geral esses cálculos são apenas uma ESTIMATIVA, nenhum é 100% fidedigno, e em alguns casos pode subestimar o GET de uma pessoa e em outros casos pode superestimar o GET, justamente porque nossa fisiologia e metabolismo são influenciadas por vários fatores e não é um cálculo matemático que vai definir isso de forma exata. No entanto, esses valores geralmente oferecem uma boa aproximação para o GET da maioria dos indivíduos. Alguns profissionais não gostam de usar equações e se baseiam mais no recordatório alimentar, que funciona como um “diário” em que a pessoa anota e contabiliza tudo o que comeu nas últimas 24h (ou nos últimos 3 dias e faz uma média) de forma a estimar o consumo calórico diário. A partir desse valor dá para se ter uma noção de como o corpo está respondendo atualmente com aquela quantidade de calorias e então ajustar a dieta de acordo com isso. É até uma forma de conhecer melhor os hábitos do paciente e ver como o corpo vai responder a nova estratégia. Outro método utilizado por algumas pessoas é a chamada“Fórmula de Bolso”. De forma geral, as equações não deixam te der utilidade e podem ser auxiliares para encontrar um valor aproximado de GET. Pode-se por exemplo usar vários métodos e a partir deles fazer uma média aproximada. A seguir veremos algumas dessas fórmulas. Equação de Harris Benedict (cálculo da TMB) Feminino TMB = 655 + (9,6 X P) + (1,9 X A) – (4,7 X I) Masculino TMB = 66 + (13,8 X P) + (5,0 X A) – (6,8 X I) *P é o peso em Kg / A é altura em centímetros / I é idade em anos. Equação da FAO/OMS (cálculo da TMB) Idade (anos) Masculino Feminino 10 a 18 TMB = (17,6 X P) + 658 TMB = (13,3 X P) + 692 18 a 30 TMB = (15 X P) + 692 TMB = (14,8 X P) + 486 30 a 60 TMB = (11,4 X P) + 873 TMB = (8,12 X P) + 845 Mais que 60 TMB = (11,7 X P) + 587 TMB = (9 X P) + 658 *P é peso em Kg Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 28 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Fator Atividade Física (AF) Sedentário (Pouco ou nenhum exercício diário) 1,2 Levemente Ativo (Exercício leve/1 a 3 dias na semana) 1,37 Moderadamente Ativo (Exercício Moderado/ 3 a 5 dias na semana) 1,55 Bastante Ativo (Exercício Pesado/ 6 a 7 dias na semana) 1,72 Muito Ativo (Exercício Pesado todos dias da semana ou treinos 2x ao dia – geralmente atletas) 1,9 *O AF deve ser multiplicado pela TMB (calculada pelas equações acima) para encontrar o valor do GET. (GET = TMB X AF). I. O primeiro passo é o cálculo da TMB pelas equações de Harris-Benedict ou FAO/OMS. II. O segundo passo é encontrar o GET, multiplicando a TMB encontrada pelo AF. III. O terceiro passo é encontrar o VET (valor calórico a ser ingerido na dieta). E neste caso para dieta de hipertrofia será adicionada calorias ao valor do GET. Como falado anteriormente, uma outra opção é a FÓRMULA DE BOLSO. Essa é uma fórmula rápida que determina o VET se baseando em calorias/kg; não há necessidade de calcular TBM, AF e GET. Fórmula de Bolso Para perda de peso (emagrecimento) 20 – 25 kcal/kg peso Para manutenção do peso 25 – 30 kcal/kg peso Para ganho de peso (hipertrofia) 30 – 35 kcal/kg peso Então vamos a um exemplo prático para calcularmos juntos. Voudemonstrar o cálculo feito pelas três fórmulas apresentadas acima. Lembrando que você pode escolher apenas uma das equações ou optar pelo recordatório alimentar ou fazer todos os métodos e tirar uma média estimada para chegar no VET a ser consumido na dieta. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 29 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular EXEMPLO: Maria, 165 cm de altura, 58kg, 30 anos, moderadamente ativa; com o objetivo de ganhar massa muscular (hipertrofia). Primeiro passo: Cálculo do GET e VET TMB = 655 + (9,6 X P) + (1,9 X A) – (4,7 X I) TMB = 655 + (9,6 X 58) + (1,9 X 165) – (4,7 X 30) TMB = 655 + 556,8 + 313,5 – 141 TMB = 1384,3 GET = TMB X AF (nesse caso o AF dela é de 1,55 já que te atividade moderada) GET = 1384,3 X 1,55 GET = 2145,6 VET= GET + 300 kcal VET = 2445,6 kcal *Vamos começar com um superávit de 300 kcal pra essa mulher. Lembrando que isso também é individual. Cálculo pela Equação de Harris Benedict TMB = (8,12 X P) + 845 TMB = (8,12 X 58) + 845 TMB = 470,96 + 845 TMB = 1315,96 GET = TMB X AF GET = 1315,96 X 1,55 GET = 2039,7 VET= GET + 300 kcal VET = 2339,7 kcal Cálculo pela Equação da FAO/OMS Para Hipertrofia o VET é calculado entre 30 a 35 kcal/kg: - 30 kcal X 58 = 1740 kcal - 35 X 58 = 2030 kcal Ou seja, de acordo com a fórmula de bolso o VET de Maria para hipertrofia pode ficar entre 1740 kcal e 2030 kcal. Cálculo pela Fórmula de Bolso Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 30 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Conclusão: - Dá para perceber que os resultados pelas equações de Harris Benedict e da FAO/OMS deram valores aproximados, apesar da primeira ter apresentado um valor maior. Já a fórmula de bolso ficou em um valor consideravelmente abaixo. A questão é que o VET de cada pessoa pode se aproximar mais de um método ou de outro. Aqui caberia também realizar o recordatório alimentar para ajudar a estimar o VET ideal. Através dos dados coletados na anamnese e avaliação física o profissional vai decidir qual o melhor método para o paciente em questão. - Nesse exemplo o que pode ser feito é escolher um dos resultados ou fazer a média dos três resultados para se chegar a um valor único. Por exemplo: Média do VET: 2445,6 (harris Benedict) + 2339,7 (FAO/OMS) + 2030 (fórmula de bolso) ÷ 3 Média do VET: 6815,3 ÷ 3 Média do VET: 2271,7 *Neste exemplo vamos “arredondar” esse valor para um VET de 2300 kcal/dia. Segundo passo: Distribuição dos Macronutrientes I. Começando pelas proteínas: ▪ Vamos considerar uma ingestão de 2g/kg. Então será 2 X 58 = 116g de proteína na dieta. ▪ 1g de proteína tem 4 kcal. Então 116g de proteína equivale a 464 kcal (116 X 4). ▪ Se a dieta de Maria terá um total de 2300kcal, essas 464kcal de proteína representam 20,17% das calorias totais. 2300 kcal – 100% Y = (464 x 100) ÷ 2300 464 kcal – Y Y = 20,17% Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 31 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular II. Se as proteínas equivalem a 20,17% sobram 79,8% de calorias para serem divididas entre carboidratos e gordura: • Vamos considerar uma ingestão de 30% de gordura. Então será 30% de 2300kcal = 690 kcal • 1g de gordura tem 9 calorias. Então 690 kcal de gordura equivale a 76,6g de gordura (690 ÷ 9). III. Se 464 kcal serão de proteínas e 690 kcal serão de gordura, restam 1146 kcal para os carboidratos: • 1g de carboidrato tem 4 kcal. Então 1146 kcal ÷ 4 = 286,5g de carboidrato na dieta. • Em porcentagem isso equivale a 49,8% das calorias. Portanto, através dessa divisão, a dieta de Maria terá: 116g de proteína, 286g de carboidrato e 76g de gordura IV. Vamos supor que Maria não seja uma mulher tão sensível a insulina e não se dê muito bem com carboidrato tão alto na dieta e por segurança o nutricionista que está montando a dieta decidiu alterar essa proporção de macronutrientes de forma a baixar um pouco o carboidrato. • Recapitulando: de 2300kcal a dieta ficou com 20,17% de proteína, 49,8% de carboidratos e 30% de gorduras. Vamos alterar essa composição para 30% de proteína, 45% de carboidratos e 30% de gorduras. Nessa nova composição a dieta de Maria ficaria com: - 30% de proteína = 690 kcal = 172,5g de proteínas - 45% de carboidrato = 1035 kcal = 258,75g de carboidratos - 30% de gordura = 690 kcal = 76,6g de gorduras Ou seja, foram apenas exemplos de como pode-se fazer a distribuição de macronutrientes após ter calculado o VET. Será necessário manipular a quantidade de carboidratos, proteínas e gorduras conforme as características individuais. Tem pessoas que terão melhores resultados com 50% (ou mais) das calorias provenientes de carboidrato, outros precisarão de um pouco menos. Segue alguns exemplos de distribuição de macros: 20% proteína – 60% carboidrato – 20% gordura 20% proteína – 50% carboidrato – 30% gordura 25% proteína – 45% carboidrato – 30% gordura 30% proteína – 50% carboidrato – 20% gordura Enfim, pode-se fazer várias distribuições e a escolha sempre será individual. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 32 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Terceiro passo: Montagem do Plano Alimentar Depois de decidido a distribuição de macronutrientes, deve-se ajustar ao plano alimentar. E aí surgem alguns questionamentos: ❑ Quantas refeições fazer no dia? ❑ Tenho que comer de 3 em 3 horas? ❑ Precisa ter proteína em todas as refeições? ❑ Tem uma quantidade máxima de proteína que consigo absorver por refeição? ❑ O que comer no pré e pós treino? ❑ Posso treinar em jejum? ❑ Preciso tomar whey protein logo após o treino? Dentre várias outras dúvidas! É proposto que a síntese proteica muscular seja maximizada com uma ingestão de aproximadamente 20–25g de proteína por refeição e qualquer adição seria oxidada ou transaminada para formar uréia e outros ácidos orgânicos. No entanto, os estudos que embasam esses achados são específicos para o fornecimento de proteína de absorção rápida, sem a adição de outros nutrientes. Para melhor compreensão, alguns pontos precisam ser analisados. “Absorção" descreve a passagem de nutrientes do intestino para a circulação sistêmica. A quantidade de proteína que pode ser absorvida é praticamente ilimitada. Após a digestão de proteína, os aminoácidos (AA) são transportados através dos enterócitos para circulação portal e os AA que não são utilizados diretamente pelo fígado, atingem a corrente sanguínea, ficando disponíveis para os tecidos. O whey tem sua taxa de absorção (TA) estimada em aproximadamente 10g/h. Assim, levaria 2h para absorver totalmente uma dose de 20g. Embora a rápida disponibilidade de AA aumente a síntese proteica muscular, ao comparar o balanço proteico do corpo inteiro, as respostas são semelhantes, uma vez, que, a proteína do ovo cozido tem a TA de aproximadamente 3g/h, o que significa que a absorção completa de um omelete contendo os mesmos 20g de proteína levaria aproximadamente 7h, o que pode ajudar a atenuar a oxidação do AA e promover maior saldo positivo de proteína. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 33 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Portanto, não há limite para absorção e sim para utilização. Os achados mais atuais sugerem que o ideal seria consumir pelo menos 4 refeições contendo aproximadamente 0,4g/kg de proteína para estimular a síntese proteica muscular. Se você consome muita proteína em uma única refeição parte dos aminoácidos dessa proteína serão oxidados e não utilizados para síntese proteica muscular, principalmente se for uma proteína de rápida absorção. Por isso, não é inteligente consumir apenas 1-2 refeições com proteínas no dia pensando em hipertrofia muscular. Pré e Pós Treino: Como seu rendimento no treino depende dos seus estoques de glicogênio muscular e hepático é importante considerar que esses estoques dependemde quanto carboidrato você ingere antes do treino. Isso acontece porque treinos intensos priorizam o uso do carboidrato como fonte de energia. Nosso corpo armazena cerca de 70-100 g de glicogênio no fígado e 400 a 500 g de glicogênio no músculo. O glicogênio muscular só é utilizado pelo músculo como fonte de energia, enquanto o glicogênio hepático fornece glicose para vários tecidos e órgãos (cérebro principalmente), seja durante o exercício ou também durante o repouso. Isso significa que durante o sono nosso corpo consome glicogênio hepático, mas não glicogênio muscular. Portanto, quando você treina em jejum pode ainda treinar com boa intensidade se você se alimentou bem antes de dormir. Nesse caso é importante consumir carboidratos durante a parte da noite (antes de dormir), já que uma refeição de manhã antes do treino não teria condições de repor os estoques de glicogênio a tempo. As refeições que vão abastecer seus estoques de glicogênio hepático e muscular precisam ser consumidas pelo menos 4-6 horas antes do treino. Uma refeição 1-2h antes do treino pode ajudar se forem utilizados carboidratos de alto índice glicêmico (rápida absorção), mas alguns indivíduos podem não responder bem com esses alimentos pré-treino, devido a uma possível hipoglicemia de rebote. Consumo de proteína muito próxima do treino também deve ser de absorção rápida (whey), pois não é interessante treinar enquanto faz digestão. Também não é interessante comer frango/carne com batata ou arroz 1h antes do treino. Refeições sólidas seriam melhor aproveitadas e sem risco de impacto negativo se consumidas 2-3h antes do treino. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 34 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Não precisa ter medo de treinar em jejum se você tem uma boa alimentação durante o dia e faz um bom pós treino. Perder massa muscular é um processo crônico e depende de vários fatores, como restrição calórica, destreinamento e um ambiente hormonal desfavorável. Sobre a refeição pós treino, muitas pessoas acreditam que seja obrigatório tomar um shake de whey com carboidratos de alto índice glicêmico (maltodextrina, dextrose, waxy maize) logo após o treino de forma a otimizar a hipertrofia muscular e evitar catabolismo proteico. Não existem evidências sólidas sobre isso e os maiores especialistas em nutrição esportiva (Stuart Phillips, Brad Shoenfeld, Alan Aragon) concordam que comer alimentos sólidos promove resultados semelhantes a um shake. Ou seja, ter proteína de rápida absorção pós treino é desnecessário e suplementos de carboidratos de alto IG também, pois não há necessidade de recuperar os estoques de glicogênio hepático e muscular rapidamente. Isso seria recomendado se você treinasse duas vezes ao dia. O nosso corpo está a todo momento degradando proteínas antigas e/ou danificadas e sintetizando novas. O treino aumenta a rotatividade dessas proteínas musculares. O que vai determinar se você vai sintetizar ou degradar mais é o balanço proteico diário. Ou seja, para sintetizar mais do que degradar você precisa ter um aporte de nutrientes adequados durante todo o dia e não apenas na refeição pós treino. Embora muitos acreditem que a “janela anabólica” é apenas no momento imediatamente pós treino, os estudos mostram que essa janela tem duração de várias horas após o treinamento. Isso não significa que você deve ficar várias horas sem comer depois do treino, apenas que você não precisa ter tanta pressa. De qualquer forma, o efeito sinérgico do treino e dieta no estímulo do aumento da síntese proteica, será melhor aproveitado nas horas mais próximas do treino. A recomendação é ter proteínas até aproximadamente 2h depois do treino, seja de lenta ou rápida absorção. Ter carboidratos na refeição pós treino também é desnecessário. Os estudos mostraram que adicionar carboidratos com proteína (whey) não promoveu maior síntese proteica, nem menor degradação proteica que o uso da proteína sozinha. Só a proteína é suficiente para maximizar a síntese proteica, em quantidades de 0,4-0,5 g/kg na refeição. No entanto, não é interessante evitar o carboidrato por muitas horas depois do treino. Também não há nada errado em usar shakes pós treino. Pode ser interessante para quem tem dificuldade em comer e busca hipertrofia, mas pode ser ruim para quem tem dificuldade de ficar saciado. Além disso, pode ser mais interessante usar um shake de whey por exemplo em outro horário que você tenha dificuldade de comer comida sólida (por ex: na rua). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 35 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Estudos mostraram que o leite é um ótimo alimento para se ter no pós-treino. 20% da proteína do leite é whey e 80% é caseína. Mais interessante ainda é a combinação de whey com leite, já que o leite sozinho precisa ser tomado em uma boa quantidade para obter 25-30g de proteínas. Se você misturar com whey consegue ter um shake que combina proteínas de rápida (whey) e lenta absorção (caseína). E você não precisa se preocupar que o leite interfira na velocidade de absorção do whey, porque seu corpo vai aproveitar a proteína de qualquer forma. Na verdade, como já falamos, se você usa uma proteína de rápida absorção em grande quantidade, o risco é que parte dos aminoácidos sejam oxidados (utilizados como fonte de energia) e acabam não sendo aproveitados para síntese proteica muscular. E antes de dormir? Comer proteínas na última refeição é uma estratégia que pode otimizar o ganho de massa muscular. Os estudos costumam utilizar caseína, mas qualquer fonte proteica pode ser utilizada. Prefira uma proteína de lenta absorção, como carnes, leite, ovos, caseína. Consumir proteínas antes de dormir aumenta a síntese proteica muscular e aumenta a taxa metabólica durante o sono sem inibir a lipólise. Não importa muito se vai consumir na ceia ou no jantar, mas seria recomendado consumir mais proteína antes de dormir (~40-50g) do que em uma refeição comum. Portanto, priorize proteínas na última refeição ou no jantar, principalmente se treina durante a noite. Gorduras não há nenhuma restrição e carboidratos ajuste conforme sua rotina de treino. RESUMINDO: ❑ Você não precisa comer de 3 em 3 horas e nem ter proteína em todas as refeições. Dividir a proteína em 3-4 refeições seria suficiente para estimular a hipertrofia muscular. Mas pode comer em todas se preferir; ❑ Seu pré-treino são TODAS as refeições que antecedem o treino e não apenas a refeição imediatamente anterior ao treino. ❑ As refeições que vão abastecer seus estoques de glicogênio hepático e muscular precisam ser consumidas pelo menos 4-6 horas antes do treino. ❑ De acordo com as evidências atuais, é ideal o consumo de proteína de alta qualidade em doses de 0,4-0,5g/kg tanto no pré como no pós treino, mostrando um efeito anabólico agudo máximo de 20-40g de proteínas. ❑ Não precisa de proteína de rápida absorção pós treino (whey). O mais importante é ter proteínas pós treino, seja lenta ou rápida, em uma janela de até 2h. ❑ Ideal consumir proteínas de lenta absorção na última refeição antes de dormir. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 36 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular Então voltando aos cálculos de Maria, vamos montar um exemplo de cardápio para ela? Usando os resultados do primeiro cálculo: 2300kcal sendo 116g de proteína, 286g de carboidrato e 76g de gordura 8:00 CAFÉ DA MANHÃ 60g de goma de tapioca (3 colheres) 2 ovos inteiros 30g de queijo minas ½ mamão papaya (150g) 441 kcal 18g de proteína 55g de carboidrato 17g de gordura 12:00 ALMOÇO 150g de arroz integral 100g de feijão 1 filé de peito de frango grelhado (70g) 200g de legumes (abobrinha, chuchu, brócolis, etc) Salada verde a vontade 1 colher de azeite extra virgem 529 kcal 34g de proteína 59g de carboidrato 17g de gordura 15:00 LANCHE (shake pré treino) 20g de whey protein 1banana grande (150g) 40g de aveia em flocos 30g de pasta de amendoim integral 576 kcal 30g de proteína 72g de carboidrato 19g de gordura 17:00 TREINO 19:00 JANTAR (refeição pós treino) 170g de aipim cozido 80g de carne moída (patinho) Salada verde a vontade 1 colher de azeite 486 kcal 30g de proteína 51g de carboidrato 18g de gordura 22:00 CEIA 100g de iogurte natural 1 banana média (120g) 30g de granola sem açucar 277kcal 9g de proteína 50g de carboidrato 5g de gordura TOTAL 2309 KCAL 122g de proteína 286g de carboidrato 75g de gordura DICA: Para saber a informação nutricional dos alimentos consulte na tabela TACO (Tabela Brasileira de Composição dos Alimentos) ou, de forma ainda mais fácil, utilize aplicativos como o My Fitness Pal ou FatSecret. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 37 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular 6. SUPLEMENTOS A pirâmide mostrada acima foi proposta como uma diretriz geral da prescrição dietética para indivíduos interessados na melhoria da composição corporal. Da base em direção ao topo da pirâmide, apresenta as etapas da construção da dieta. Importante ressaltar que não é pelo fato de os micronutrientes estarem na etapa 3, por exemplo, que não são importantes. Sem a ingestão adequada de vitaminas e minerais nossas vias metabólicas não irão atuar de forma eficiente pois atuam como coenzimas e cofatores de reações importantes. Mas um fato que vale destacar nesta pirâmide é a localização dos suplementos. Está lá em cima, no topo, após todo o resto. Ou seja, não são DETERMINANTES nos resultados. Antes de pensar em usar suplementos tem que garantir que está fazendo o básico. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 38 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular WHEY PROTEIN A proteína do leite bovino contém cerca de 80% de caseína e 20% de proteínas do soro. O whey protein é justamente as proteínas presentes no soro do leite e é considerado uma proteína de alta qualidade, alto valor biológico, rica em aminoácidos essenciais, principalmente os BCAAs (aminoácidos de cadeira ramificada). Apresenta alta digestibilidade, rápida absorção e apresenta o maior potencial para aumento na sinalização para síntese proteica muscular, devido ao seu alto teor de leucina (geralmente 2 a 3g por dose). Podem exibir diferenças na sua composição de macro e micronutrientes, dependendo da forma utilizada para sua obtenção. Daí é que surgem os tipos de whey: ❑ Concentrado: pode conter entre 25 a 89% de proteínas, possui maior teor de carboidratos (incluindo lactose) e lipídeos. Um bom “whey concentrado” deve conter no mínimo 70% de proteínas por dose. ❑ Isolado: sofre processo de filtração mais complexo, obtendo mais de 90% de proteínas, sendo praticamente removidos aos carboidratos (lactose) e gorduras. Boa opção para intolerantes a lactose. ❑ Hidrolisado: o processo de hidrólise consiste em quebrar as proteínas em tamanhos menores. É uma proteína “pré-digerida” e por isso apresenta digestão e absorção mais rápidas (cerca de 1h). Pode ser uma boa opção por exemplo para pessoas com dificuldade de digestão. Não existem vantagens em relação aos resultados na hipertrofia muscular usando a versão isolada ou hidrolisada quando comparado a versão concentrada. Se você não é intolerante a lactose e/ou não tem problemas de digestão pode optar pelo concentrado e adequar aos macronutrientes da dieta. PRECISO TOMAR WHEY? Uma dieta equilibrada é capaz de suprir as quantidades necessárias de proteína a fim de garantir a preservação ou o ganho de massa muscular. O whey pode ser indicado para pessoas que não conseguem ingerir essa quantidade devido à rotina, facilitar em alguma refeição do dia, ou mesmo por gostos alimentares (matar a vontade de “doce”, usar em receitas, etc). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 39 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular BCAA Os BCAAs (aminoácidos de cadeira ramificada) são três aminoácidos essenciais (valina, leucina, isoleucina), que estão presentes em grandes quantidades nos alimentos fontes de proteína e nos músculos. Após a digestão das proteínas no intestino, boa parte dos aminoácidos é utilizada para síntese de proteínas plasmáticas no fígado ou metabolizada, enquanto o diferencial dos BCAAs é que eles são metabolizados principalmente no músculo, ao invés do fígado, e por isso desempenham um papel fundamental no estímulo da síntese proteica, principalmente a leucina (através do estimulo da via MTOR). Esse estímulo da leucina sobre a via MTOR independe da presença dos outros dois BCAAs, porém quando ingeridos de forma isolada, tanto BCAA como a leucina, não conseguem manter a síntese proteica sem a presença de todos os aminoácidos (20 no total). Por isso a maior parte das evidências e os maiores estudiosos da área da nutrição esportiva são contrários à suplementação desses aminoácidos de forma isolada. É muito mais útil tomar whey, comer ovos ou frango, já que através desses se obtém todos os aminoácidos essenciais necessário para síntese proteica, além dos BCAA. Mesmo ingerindo proteínas em conjunto com BCAA ou leucina, já falamos anteriormente que a síntese proteica tem um limite e o excesso de aminoácidos acaba sendo oxidado. Portanto, se você já consome uma boa quantidade de proteína na dieta, a suplementação com BCAA é totalmente desnecessária. Eles podem ser utilizados para prevenir o catabolismo muscular em dietas muito restritas/hipocalóricas, mas sai mais barato consumir carboidratos ou proteínas. Se quiser usar suplemento é muito mais útil gastar com proteínas em pó como o whey protein que já contêm 5-6g de BCAAs por dose, sendo entre 2 a 3g de leucina. Portanto, o uso de BCAA tem baixo custoXbenefício para evitar catabolismo proteico e é ainda mais limitado quando se deseja hipertrofia muscular. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 40 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular CREATINA A creatina vem sendo estudada desde os anos 90 e possui grande evidência científica dos seus benefícios. É considerada o suplemento com maior potencial ergogênico (aumento da performance no treino). É uma substância produzida pelo organismo, principalmente no fígado e nos rins a partir dos aminoácidos arginina, glicina e metionina. 95% da creatina no nosso corpo é armazenada no musculo esquelético na forma de creatina livre e fosfocreatina. A creatina basicamente atua aumentando a ressíntese de ATP (ou seja, fornece energia de uma maneira mais rápida para o musculo) – mas o que quer dizer isso exatamente? Durante o treino usamos energia na forma de ATP (adenosina trifosfato). Esse ATP é quebrado em ADP + P e dessa reação é liberada a energia. A creatina é capaz de se ligar nesse grupo fosfato (P) que ficou “sozinho” formando a fosfocreatina (creatina + P). A fosfocreatina doa o fosfato (P) novamente para o ADP (adenosina difosfato) formando rapidamente ATP durante um esforço de alta intensidade. Essa rápida produção de ATP fornece energia aos músculos a uma taxa muito rápida. Na musculação a creatina mostra grande potencial para aumento da força e da massa muscular. Esse ganho de massa magra se deve a capacidade osmótica da creatina que promove aumento da retenção hídrica dentro da célula muscular; e junto ao treino parece ter um efeito adicional no aumento dos níveis de IGF-1 no músculo e redução da concentração de miostatina, favorecendo assim a síntese proteica muscular. Benefícios: ❑ Efeito ergogênico (aumento da performance/força no treino) ❑ Aumento de massa muscular (de forma indireta já que ela hidrata os músculos e melhora o desempenho físico). ❑ Melhora a recuperação pós-treino e previne lesões. ❑ Além disso, uma série de estudos mostra aplicabilidade clinica da creatina devido a acão neuroprotetora, influenciando positivamente a função cognitiva (interessante em idosose doenças neurodegenerativas), redução dos níveis de colesterol e triglicérides; redução do acúmulo de gordura no fígado; ação antioxidante; melhora do controle glicêmico; minimiza a perda óssea; melhora a capacidade funcional em pacientes com osteoartrite e fibromialgia; e, em alguns casos, servem como um antidepressivo. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 41 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular BETA ALANINA Como tomar? O protocolo padrão é de 3-5g/dia, mesmo em dias SEM treino, porque sua ação não é imediata, mas sim por acúmulo intramuscular. Algumas pessoas fazem um protocolo inicial de saturação (ingerir 20g divididos em 4x/dia por 7 dias) para elevar os estoques de creatina de forma mais rápida. Mas isso não é necessário se você não é atleta e não tem nenhuma prova/competição chegando. Pode ser usada de forma contínua, tanto na fase de hipertrofia, como na fase de emagrecimento ou manutenção. A creatina pode afetar a função renal? Uma meta-análise de 2019 analisou 15 estudos. Incluíram 497 indivíduos e utilizaram uma dose que variou de 4-20 g/dia. Foram avaliados níveis séricos de creatinina, uréia e taxa de filtração glomerular. Os resultados indicam que a suplementação de creatina não induz dano renal nas quantidades e durações estudadas. Porém, mais estudos são necessários para analisar os efeitos em pacientes idosos com insuficiência renal crônica e/ou indivíduos com outras patologias. A forma de creatina usada nos estudos foi a monohidratada. A beta alanina é um aminoácido não essencial, ou seja, o nosso corpo é capaz de produzir, que se junta a histidina para formar uma substância chamada carnosina (um dipeptídeo). A carnosina é encontrada principalmente em fibras musculares do tipo II. Estas são as fibras de “rápida contração” e são importantes para esportes explosivos, como corrida, ciclismo e treinamento resistido de alta intensidade como a musculação. No exercício de alta intensidade e curta duração a glicólise anaeróbia (oxidação da glicose que produz ATP sem presença de oxigênio) atua como principal fonte de energia, aumentando a concentração de íons hidrogênio no músculo, reduzindo o pH intramuscular. Esse aumento da “acidose muscular” interfere negativamente em vários processos metabólicos como interrupção da síntese de fosfocreatina e prejuízo da contratilidade da musculo, reduzindo a produção de força e levando a fadiga. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 42 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular A carnosina tem uma importante função de tamponamento intramuscular, diminuindo a quantidade de íons hidrogênio livres, e devido a isso o aumento dos níveis de carnosina no musculo esquelético retarda a fadiga. Mas a carnosina ao ser suplementada é rapidamente degradada logo que entra na circulação. Já a suplementação de beta alanina é capaz de aumentar os níveis de carnosina intramuscular em até 60%. Os estudos mostram bons resultados com a suplementação de beta alanina no aumento do desempenho em exercícios de alta intensidade como remo, corrida, ciclismo. Muitos fisiculturistas utilizam beta- alanina visando melhora da performance e aumento da força durante o treino de musculação. Atualmente a β-Alanina possui grande corpo de evidência cientifica e é classificada como um suplemento seguro e eficaz no aumento da performance segundo a ISSN (International Society Of Sports Nutrition). Quem usa beta alanina sabe que ela pode gerar como sintomas uma neuroparestesia temporária, que é aquela sensação de formigamento que pode ser sentida na região dos braços, lábios, dedos, regiões da face etc. Esse sintoma ocorre devido à ligação da beta alanina a neurônios sensoriais na pele. Contudo, a questão de sentir o sintoma de formigamento é muito pessoal e depende da individualidade biológica de cada pessoa. Esses sintomas são temporários e não costumam durar mais do que alguns minutos após sua ingestão. Esse efeito da coceira não tem relação com o efeito ergogênico da β-Alanina e embora possa ser desconfortável, não traz riscos à saúde e pode ser atenuado com fracionamento e estratégia de suplementação adequada. Como tomar? Consumir 4 a 6 gramas TODOS OS DIAS (mesmo dia sem treino), preferencialmente divididos em doses de 3-4x ao dia para evitar o formigamento. O horário não importa, pois semelhante a creatina, a suplementação de β-Alanina é crônica e deve ser de no mínimo 4 semanas para que os efeitos ergogênicos possam ser notados. Vale ressaltar que a resposta é individual e alguns indivíduos talvez necessitem de mais tempo. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 43 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular WHEY PROTEIN 7. LISTA DE COMPRAS Independente do objetivo e tipo de dieta, pensando em SAÚDE, a base da nossa alimentação deve ser “COMIDA DE VERDADE”, que são os alimentos in natura ou minimamente processados. O que muda de acordo com o objetivo (emagrecimento ou hipertrofia) é basicamente a QUANTIDADE (calorias da dieta) e distribuição dos macronutrientes. Mas não existe alimento especifico para emagrecer e alimento especifico para hipertrofia. Então o que você vai comer na dieta pra hipertrofia? COMIDA! O mais natural possível! Vegetais e legumes (esses têm alto teor de fibras , alto teor de nutrientes, e baixo carboidrato): couve-flor , repolho, e todos os produtos verde-escuro (brócolis, couve, couve de bruxelas, vagem, ervilhas, espinafre, etc ), nabo, aipo, tomate, pimentão, cenoura, abobrinha, berinjela, cebola, alho, gengibre, alho-poró, manjericão, salsa, beterraba, abóbora, aspargos, repolho roxo, rúcula, alface, acelga, rabanete, vagem, quiabo, almeirão, chicória, bertalha, chuchu, escarola, jiló, maxixe, mostarda, pepino, palmito, rabanete, e muitos outros. Tubérculos: batata-doce, mandioca, inhame, mandioquinha, batata. Proteínas: ovos; carnes bovina; carnes suina; frango; peixes e crustáceos; whey protein; suplementos de proteina vegetal (de arroz, de ervilha, de semente de abobora, etc). Leite e derivados: leite (integral, desnatado); manteiga (não consuma margarina), queijos (evitar os ultraprocessados), iogurte (prefira o natural), creme de leite (prefira o fresco), requeijão (quanto menos ingredientes, melhor). Óleos/Gorduras: azeite de oliva, óleo de linhaça dourada, óleo de abacate, óleo de macadâmia, óleo de gergelim, banha de porco, óleo de coco. Grãos e Cereais: aveia, arroz (branco; integral); macarrão integral, feijão, lentilha, quinoa, grão de bico; milho, ervilha. Oleoginosas/sementes: amêndoas, castanha do pará, castanha de caju, nozes, macadâmia, avelã, pistache, noz pecan, semente de chia, semente de linhaça, semente de abobora, semente de girassol. Frutas: TODAS podem entrar na dieta. As frutas vermelhas são as que apresentam baixo teor glicêmico (morango, mirtilo/blueberries, amoras, framboesas), assim como o abacate/avocado e o coco, que são baixo carboidrato e ricos em gorduras saudáveis. Farinhas: aveia em flocos, farelo de aveia, farinha de coco, farinha de oleoginosas (amendoas, castanha, etc), farinha de casca de maracujá, farinha de berinjela, batata doce em pó. Gerais: cacau em pó 100%, canela, chocolate amargo (de preferência acima de 70%), palmito, azeitonas, cogumelos, tahine (pasta de gergelim), adoçantes naturais (stevia, xilitol, eritritol), chás, erva mate, café, temperos naturais (curcuma, gengibre, paprica, orégano, pimenta, etc), vinagre. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 44 2 Parte 2 – Nutrição para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 8. QUANTO TEMPO DURA A FASE DE HIPERTROFIA? O ganho de peso no ínicio dessa fase deve ser de aproximadamente 0,5kg por semana para homens e até menos para mulheres. Nas primeiras semanas (6- 8 semanas) é de se esperar um ganho de massa muscular maior, mas depois de algumas semanas ocorre estagnação dos resultados e se aumentaras calorias os ganhos de gordura podem ser maiores. Isso ocorre porque geralmente no início da dieta há uma maior sensibilidade a insulina, principalmente se a pessoa está vindo de uma fase de emagrecimento com dieta hipocalórica/low carb, mas com o passar do tempo, a dieta hipercalórica a longo prazo tende a reduzir a sensibilidade a insulina, dificultando a sinalização para síntese proteica muscular e facilitando o ganho de gordura. É preciso ter consciência que aumentar o peso não necessariamente significa ganho de massa muscular. Depois de algumas semanas em dieta para hipertrofia, se for identificado uma estagnação no ganho de massa muscular e passa-se a ganhar mais gordura, é prudente intercalar com uma fase de redução das calorias e carboidratos de forma a melhorar a sensibilidade a insulina e o metabolismo voltar a responder bem aos estímulos de treino e dieta. Por isso, de forma geral, uma fase de hipertrofia dura em torno de 8 a 12 semanas, sempre observando como o corpo está respondendo. Portanto, longos períodos em dieta hipercalórica favorecem ganho de gordura e impedem ganho de massa muscular. E para explicar por que isso acontece teremos que falar um pouquinho de bioquímica novamente ... O excesso calórico a longo prazo pode trazer uma redução da síntese proteica e regulação negativa da via AMPK e isso ocorre devido ao aumento da adiposidade tanto no tecido subcutâneo quanto no tecido muscular. Isso leva ao maior acúmulo de lipídeos no citosol celular e maior atividade do fator transcricional adipogênico PPAR-gama, gerando diferenciação de células produtoras de adipócitos (células que armazenam gordura). Maior adiposidade muscular leva fosforilação inibitória (fosforilação em serina), diminuição na fosforilação no receptor de insulina 1 (IRS-1) e tirosina (fosforilação ativa), e redução da fosfatidilinositol 3-quinase (PI3k), proteínas relacionadas a transdução do sinal da insulina e IGF-1 (IGF-1 -> PI3k -> Akt -> mTOR), havendo menor sensibilidade nesses receptores e consequentemente menor ativação na mTOR, consequentemente redução da síntese proteica. Portanto, essa sinalização intracelular em dietas hipercalóricas leva ao aumento da resistência à insulina no longo prazo, que tende a piorar com o ganho de peso e acaba prejudicando a sinalização que aumenta a síntese proteica, tornando difícil o ganho de massa muscular. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 45 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 1. IMPORTÂNCIA DA MUSCULAÇÃO Antes de começarmos a entender um pouco mais sobre as melhores e mais recentes técnicas de treino para máxima hipertrofia, é importante entendermos que além dos benefícios estéticos, existe uma série de benefícios para a saúde e longevidade. Na última década muito se falou da musculação, mas quais são seus benefícios para a saúde? Em 2 estudos de Jurca (2004 e 2005) foi mostrado que níveis mais elevados de força muscular são associados com significativa melhora do perfil de risco cardio- metabólico e menor risco de desenvolver doenças não fatais. Também foi mostrado menor risco de mortalidade por qualquer causa em pessoas que tinham maior massa muscular (Gale, 2007 e Srikanthan, 2014). Meyer (2006), observou menor número de eventos cardiovasculares, menor risco de desenvolver limitações funcionais também foi observado (Manini, 2006). Há uma impressionante variedade de alterações nos biomarcadores relacionados com saúde que podem ser derivados da participação regular em treinamento de musculação, incluindo melhorias na composição corporal (Hunter, 2004 e 2010), níveis de glicose no sangue (Castaneda, 2006 e Sillampaa,2009), sensibilidade à insulina (Klimcakova, 2006) e pressão arterial (Collier, 2009). É importante ressaltar que o exercício também aumenta de forma eficaz a massa óssea (densidade mineral óssea e conteúdo ósseo), resistência óssea e pode servir como medida importante para prevenir ou mesmo inverter a perda de massa óssea em pessoas com osteoporose (Maimoun, 2010). Portanto, fica claro ALGUNS dos VÁRIOS benefícios da musculação. Além disso, para vocês terem ideia, estudo de Hughes (2001) mostrou que tanto mulheres como homens MAIS FORTES, são os que ficam menos doentes e utilizam consequentemente menos medicamentos. Em recente estudo, Santana (2019) acompanhou 839 idosos ao longo de 4 anos e verificou que MULHERES com POUCA MASSA MUSCULAR tinham 63 vezes MAIOR risco de MORTE, já HOMENS tinham 11,4 vezes MAIOR RISCO. Esse é mais um estudo mostrando que para ter longevidade, com saúde e principalmente qualidade, é FUNDAMENTAL ter boa massa muscular. Em outro estudo de 2019, que por sinal foi o MAIOR já realizado até hoje, com 1,5 milhão de homens, verificou-se que os homens MAIS FORTES tinha de 10 a 40% menos chance de morrer por qualquer fator, inclusive independente da capacidade aeróbica do indivíduo. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 46 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Portanto, está cada vez mais evidente que se vc quer ter saúde, longevidade e se manter jovem, TERÁ que fazer exercícios, de preferência musculação. Mas como devo treinar para maximizar os resultados e também minimizar o risco de lesão? Esse é o assunto que venho estudando a décadas e hoje, com a ajuda dos estudos mais atuais, consegui desenvolver um sistema que potencializa o resultado com o menor risco de lesão, e é exatamente isso que vou mostrar a partir de agora. Mas para que fique fácil de entender todas as variáveis envolvidas, inicialmente vou separa-las por tópicos, e no final analisar a interação entre eles. 2. CARGA IDEAL Qual a carga ideal para HIPERTROFIA? Essa é uma das perguntas mais comuns e que uma série de estudos nos ajudam a esclarecer, pois muitas pessoas ainda acham que o peso é o mais importante para garantir bons resultados. Estudo de Fink (2016), mediu o ganho de massa muscular em pessoas que treinaram até a FALHA MUSCULAR com cagas pesadas (8-12 repetições), cargas leves (30-40 repetições) e misto (cargas leves e pesadas). Os resultados mostram que TODOS os grupos tiveram excelentes resultados, não apresentando diferença significativa entre eles, indicando que o importante é treinar até a falha, NÃO importando a carga utilizada. Jenkins, também em 2016, buscou analisar a mesma coisa, se o ganho de massa muscular no bíceps, depois de 4 semanas de treino até a falha muscular, com cargas baixas (30%) e altas (80%), davam o mesmo efeito. Os resultados mostraram que os ganhos de hipertrofia foram IGUAIS, sendo mais um estudo que reforça a ideia que para HIPERTROFIA, o importante é chegar até a falha muscular, não importando a carga utilizada. Mas será que para mulheres funciona igual? Estudo de Cholewa (2017), avaliou 20 mulheres jovens que treinaram por 8 semanas. Todos os grupos fizeram 7 exercícios até a FALHA MUSCULAR, um com 4 séries de 5-7 repetições e carga alta e o outro 2 séries de 10-14 repetições com carga moderada, portanto mesmo volume total de treino. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 47 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Os resultados mostraram que a HIPERTROFIA, REDUÇÃO DE GORDURA e GANHO DE FORÇA foram semelhantes em ambos os grupos, sendo mais um estudo a sugerir que mesmo para mulheres, o IMPORTANTE para garantir resultados expressivos é se esforçar nos treinamentos (chegar a falha muscular). MAS PROFESSOR, CARGAS BAIXAS TAMBÉM VÃO HIPERTROFIAR FIBRAS GRANDES? SEMPRE ESCUTEI QUE ISSO SÓ ACONTECIA COM CARGAS ALTAS! Sabe-se que as fibras do tipo 2 são as maiores e mais fortes, e muitos querem saber qual a melhor forma de estimulá-las. Até pouco tempo atrás imaginava-se que somente com cargas altas e poucas repetições isso era possível. Estudo de Morton (2016) buscou avaliar exatamente isso, se há alteração nas fibras musculares de membro superior e inferiorde 49 homens jovens treinados durante 12 semanas, uns com alta-repetição (20-25) e cargas leves (30 a 50% 1RM) e o outro com baixa-repetição (8-12) e cargas altas 75-90%, todos até a FALHA MUSCULAR. Os resultados mostraram que tanto fibras do tipo I como do tipo II tiveram os MESMOS níveis de HIPERTROFIA, independente da região do corpo. Portanto, para quem quer hipertrofia, tanto de fibras pequenas como grandes, o importante parece ser treinar até a falha, não sendo muito relevante nem o peso nem o número de repetições. Mas como assim, sempre me falaram que séries de 8 repetições eram pra crescer e de 20 pra definir, isso não é verdade? Recente estudo de Vargas (2019), é mais um estudo que avaliou isso, nele 25 homens TREINADOS, fizeram 3 séries de 6 a 8 repetições com 3 minutos de intervalo ou 3 séries de 20 a 25 repetições com 1 minuto de intervalo, todos até a FALHA MUSCULAR. Os resultados mostraram que ambos tiveram a MESMA HIPERTROFIA. Na verdade, já está bem claro na literatura que o MAIS importante para o resultado é a fadiga ao final do exercício, e como os dois grupos foram até a falha (máxima fadiga), ambos tiveram bom desgaste muscular e consequentemente mesma hipertrofia. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 48 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Outro estudo recente, agora de Stefanaki (2019), também nos ajuda a entender melhor essa questão. Nele foi avaliado MULHERES que fizerem 2 treinos por semana durante APENAS 6 semanas, utilizando cargas BAIXAS (30% da força máxima) e ALTAS (80%), até a falha muscular. Os resultados mostraram que o BÍCEPS hipertrofiou 6,81% (carga baixa) e 5,90% (carga alta), já a COXA hipertrofiou 9,37% (carga baixa) e 9,13% (carga alta). Esses dados são muito animadores, pois mesmo mulheres, que sabidamente tem mais dificuldade de HIPERTROFIAR, podem conseguir resultados excelentes (quase 10% de hipertrofia) com carga baixa e pouquíssimos dias e semanas de treino. Mas professor, todos precisam treinar até a falha muscular? Na verdade não, parece que iniciantes e praticantes intermediários também se beneficiam com treinos próximos a falha, não tendo a necessidade de chegar exatamente na falha muscular. Estudo de Martorelli (2017), analisou mulheres jovens treinadas, o de um grupo treinou até a falha e o outro sem falhar, ambas com a mesma quantidade de treino (mesmo volume). Os resultados mostraram que o grupo que falhou hipertrofiou 17,5%, já o grupo que chegou perto da falha mas NÃO falhou, hipertrofiou 8,5%. O importante é entender que 8,5% já é um ótimo resultado, mas quem quer resultados mais expressivos, tolera o esforço de falhar e não tem nenhuma limitação, falhar a musculatura mantendo a técnica perfeita, parece ser a melhor opção para garantir o máximo resultado. Mas porque a falha muscular parece ser tão importante? Estudo de Gonzalez (2016) ajuda à entendermos um pouco algumas questões. Nele foi analisado o recrutamento muscular a 70 ou 90% da força máxima, carga moderada e pesada. Os resultados mostraram que SOMENTE perto da falha muscular o grupo de 70% atingia o recrutamento muscular semelhante ao grupo de 90% (foto gráfico). Indicando que treinar com cargas leves ou moderadas geram realmente os mesmos resultados que cargas pesadas, mas isso se treinarmos até falha. Portanto, se você treina com cargas leves ou moderadas e não falha, dificilmente a longo prazo, conseguirá resultados expressivos. Mas se você não busca grandes resultados e está iniciando, se chegar próximo a falha já terá resultados interessantes. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 49 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN RESUMINDO, para MÁXIMA HIPERTROFIA o importante parece ser falhar a musculatura, isso dentro de uma zona razoável de treino, que fica por volta de 4 a 40 repetições e é bem exemplificado no gráfico de Schoenfeld (2018), um dos maiores pesquisadores da atualidade. (FOTO ABAIXO) Fonte: Effects of different intensity of resistance training with equated volume load on muscle strength and hypertrophic, Schoenfeld et al., 2018. Mas o que é exatamente FALHA MUSCULAR? A falha muscular é quando, mantendo a técnica do exercício, chegamos à exaustão momentânea do músculo. Mas para ser mais prático, seria quando por exemplo realizamos 10 repetições, e mesmo fazendo todo o esforço possível, não conseguimos fazer mais nenhuma repetição. Claro que serve para qualquer número de repetição, fazer 17 e não conseguir chegar 18, ou realizar 5 repetições e não conseguir realizar a sexta. Resumindo, é se esforçar o máximo e parar as repetições por não conseguir realizar mais nenhuma, independente do número que seja. Portanto, tente se esforçar o máximo possível nos treinos, quanto maior o esforço e dedicação, maior será a chance de hipertrofia. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 50 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 3. VOLUME DE TREINO Inúmeras são as variáveis que influenciam no aumento da massa muscular, mas do meu ponto de vista, as variáveis INTENSIDADE (capítulo anterior) e o VOLUME, são as que mais influenciam. Sendo assim, entender e manipular esta variável com sabedoria torna-se indispensável para maximizar os resultados. Mas afinal, o que é volume de treino? Volume de treino é a quantidade de trabalho que um músculo é submetido numa sessão. As variáveis mais importantes do volume são o número de exercícios, número de séries, número de repetições e o número de treinos por semana (frequência semanal). Sendo que mais recentemente, para facilitar o entendimento, alguns estudos estão analisando basicamente a frequência semanal e o número de séries para quantificar o volume. Mas antes de entrarmos mais afundo nessa questão, é importante entender que o músculo cresce no descanso (recuperação), e para isso é fundamental entender quanto tempo o músculo precisa para se recuperar e estar pronto para um novo estímulo. Mas você sabe quanto tempo o músculo precisa descansar para se recuperar completamente? O treinamento gera uma série de eventos intracelulares que, em última análise, regula a expressão do gene e a síntese de proteínas. O treino pode alterar a atividade de cerca de 70 genes que regulam fatores diretamente envolvidos com a hipertrofia (Roth, 2002 e 2003). A síntese de proteínas aumenta depois de apenas um treinamento, mesmo com uma única série de exercícios (Burd, 2010). Mas vários fatores colaboram para a duração total desta recuperação, alguns deles são: tipo de fibra muscular (Fleck, 2004), intensidade do treino (Stefanaki, 2019), volume total do treino (Zaroni, 2019), alimentação adequada (Philips, 2015) e respostas endócrinas (testosterona, hormônio do crescimento, cortisol, insulina e o crescimento do tipo insulina fator I) que contribuem para a magnitude da hipertrofia (Kramer, 2005). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 51 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Assim, esses são alguns dos fatores que irão definir quantos treinos podemos e devemos fazer por semana. Desta forma, se as variáveis acima mencionadas estiverem equilibradas, ocorre um grande momento anabólico (crescimento muscular) nas primeiras 2-3h, sendo percebida alterações por até 36-48h pós-exercício, onde TREINADOS parecem se recuperar em média nas primeiras 36h e NÃO TREINADOS em 48h (Gibala, 1995; MacDougall, 1995 e Damas, 2015). Portanto, parece ser possível treinar todos os dias, desde que entendamos e respeitemos os princípios acima mencionados. Professor, continuo na dúvida, posso treinar todos os dias?! A resposta para essa pergunta precisa de uma série de reflexões. Primeiro, se você quer HIPERTROFIA, é importante entender que deve treinar de forma INTENSA e que o ganho muscular ocorre no DESCANSO. Mas para ficar mais claro vou trazeruma série de estudos. Recente pesquisa de Zaroni (2019), analisou 18 homens TREINADOS que treinaram TODOS OS DIAS. Um grupo treinou TODOS os grupos musculares TODOS os dias, já o outro treinou 1 grupo muscular POR DIA. Os resultados mostraram que o BÍCEPS e o VASTO LATERAL (músculo da frente da coxa), tiveram MAIOR HIPERTROFIA quando treinaram TODOS os DIAS, para o TRÍCEPS não houve diferença. O artigo de opinião de Dankel (2016), faz uma análise semelhante, sugerindo que para HIPERTROFIA, a MELHOR opção seria treinar TODOS OS DIAS todos os grupos musculares, pois teríamos mais momentos anabólicos na semana. Entretanto, os próprios pesquisadores NÃO apresentaram nenhuma referência que justifique essa teoria. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 52 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 4. INTERVALO DE DESCANSO O intervalo entre as séries é uma variável extremamente neglicenciada, mas para mim uma das mais importantes. Vamos entender o porque! Para HIPERTROFIA, devemos treinar com cargas leves ou pesadas? A maioria irá responder cargas pesadas! O que eu diria? Pouco importa, o importante é levar o músculo até a fadiga (falha muscular). Mas o que tudo isso tem a ver com o intervalo? Na PRÁTICA fica MUITO mais fácil levar um músculo a fadiga com intervalos curtos. Estudo de Fink (2016) comparou pessoas que treinaram com cargas leves (20RM) e pouco descanso (30s), com quem treinava com cargas pesadas (8RM) e muito descanso (3 min). Os resultados mostraram que a hipertrofia do grupo de POUCO DESCANSO foi de 9,93% enquanto do grupo de MAIOR DESCANSO foi de 4,73%. Porém, com frequência vejo pessoas usando o celular nos treinos e descansando mais de 5min. Qual o problema disso? Para hipertrofia nenhum, obviamente se chegar a falha, mas para a duração do treino e risco de lesão TUDO. Em relação ao tempo na academia, quanto menor o intervalo de descanso, obviamente mais rápido será o treino. Para o risco de lesão também é importante entender as diferenças. Como mencionei, para termos hipertrofia precisamos fadigar a musculatura, com intervalos longos acabamos tendo que usar cargas mais pesadas, aumentando o risco de lesão (Diggin, 2011 e Dionísio, 2008). Assim, para hipertrofiar temos que treinar (óbvio) e se tivermos que parar para recuperar uma lesão, podemos perder os resultados conseguidos. Então, da próxima vez que for treinar não use o celular pois, com intervalos reduzidos e levando o músculo a fadiga, teremos excelentes resultados, menor risco de lesão e menor tempo na academia. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 53 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Estudo de Souza (2010), também mostra a importância de controlar o intervalo. Vinte homens jovens treinados em musculação fizeram 4 séries com 12 a 10 repetições máximas (RM), baixando depois para 10 a 8 RM. Um grupo treinou com intervalos de 2 minutos entre as séries (T2). Já o outro grupo treinou com o primeiro intervalo sendo de 2 minutos, diminuindo para 30 segundos nos outros intervalos (T30). O volume total do treino no supino e agachamento foram significativamente menores para o T30 em comparação com o grupo T2 (supino 9,4%, agachamento 13,9%), indicando uma redução importante no tempo total de treino do grupo T30. Também foi analisada a hipertrofia e os resultados mostraram que NÃO houve diferença significativa nos ganhos entre T2 e T30 (braço 13,8 vs. 14,5%, coxa 16,6 vs. 16,3%). Sendo assim, com qual intervalo devemos trabalhar? Do meu ponto de vista, de forma geral todos deveriam treinar a maior parte do tempo com intervalos curtos, pois assim o treino seria mais rápido, ou possibilitaria um volume maior de exercícios para o mesmo período de tempo, o que influencia significativamente a hipertrofia. Além disso, como o treino termina mais rápido, a desculpa comum de falta de tempo para treinar seria minimizada. Além de tornar o treino mais rápido e seguro, existe outro benefício em optar por intervalos mais curtos entre as séries? Parece que sim, estudo de Fink (2016), verificou que o PUMP MUSCULAR (inchaço pós treino), ocorreu de forma significativa APENAS no grupo de carga leve e pouco descanso (+ 35,2%), sendo que no grupo de maior peso e descanso o PUMP foi de apenas 13,7%. Não esquecendo que este mesmo estudo verificou que a HIPERTROFIA foi de 9,93% para o grupo de MENOR DESCANSO contra 4,73% do grupo de MAIOR DESCANSO. Esses dados parecem ser confirmados com o recente estudo de Hirono (2020), que também encontrou associação direta entre PUMP MUSCULAR e HIPERTROFIA. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 54 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Em relação ao GASTO CALÓRICO, é melhor mais ou menos intervalo? Estudo de Paoli (2012), comparou treino tradicional (TT), que incluía 12 exercícios com 4 séries de 8 a 12 repetições e 2 minutos de intervalo entre as séries vs. sistema que consistia em apenas 3 exercícios, porém com 20 segundos de intervalo entre as séries. Informação importante é que o TEMPO TOTAL do TT foi de 62 minutos, já do outro foi de apenas 32 minutos. Agora vem uma parte IMPRESSIONANTE, mesmo tendo uma duração MUITO MENOR, o gasto calórico das 22h pós exercício foi de 2362 kcal para o treino de POUCO INTERVALO e de 1999 kcal para o TRADICIONAL. Portanto, treinos com POUCO INTERVALO podem gastar até 400 kcal a mais, proporcionando resultados MUITO SUPERIORES no gasto calórico e no EMAGRECIMENTO. RESUMO: treine com o menor intervalo possível entre as séries, pois assim ele fica mais rápido, mais seguro, facilita o aumento de volume, possibilita maior hipertrofia e gera maior gasto calórico. 5. CADÊNCIA DE TREINAMENTO O que é cadência? Cadência é a velocidade com que executamos as repetições. Durante o treino de musculação trabalhamos preferencialmente com 2 tipos de contratação (fotos), concêntrica (quando vencemos a carga) e excêntrica (quando cedemos a carga), sendo comum escutarmos que a EXCÊNTRICA gera mais HIPERTROFIA. Os estudos ainda são controversos, pois uns indicam que a EXCÊNTRICA (ECC) é superior (Hortob, 2000 e Vikne, 2006), já outros mostram hipertrofia semelhante entre concêntrica (CON) e excêntrica (Blazevich, 2007, Nickols- Richardson, 2007, Moore, 2012, Franchi, 2014). Embora exista essa controvérsia, a questão mais interessante parece ser a arquitetura muscular. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 55 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Não entendi nada, o que é essa arquitetura muscular? Estudos indicam que a principal diferença entre as adaptações ECC e CON está na remodelação arquitetônica muscular, onde o treinamento ECC promove crescimento muscular no comprimento (Seynnes, 2007 e Potier, 2009), enquanto que a CON aumentaria o músculo em paralelo (Gans, 1982 e Narici e Maganaris 2007). Sendo assim, quando planejarmos o treinamento, parece ser fundamental uma análise e equilíbrio nos estímulos desses dois tipos de contração, pois assim garantiremos que nosso músculo crescerá de forma equilibrada. Professor, estou com uma dúvida, como é mesmo essa contratação CONCÊNTRICA e EXCÊNTRICA? Deixa eu explicar de outra forma, a fase concêntrica ocorre quando o músculo está contraindo e ao mesmo tempo "encurtando", já a fase excêntrica é quando ele está contraindo e ao mesmo tempo "alongando". Por exemplo, na rosca bíceps a subia é a fase concêntrica e a descida a fase excêntrica. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 56 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Assim vejam, 8 semanas de treinamento EXCÊNTRICO LENTO produziu maior hipertrofia nas fibras Tipo II que outras velocidades, sendo que essas fibras são as mais importantes para hipertrofia (Shepstone, 2005). Já no estudoFarthing (2003), 8 semanas de treinamento RÁPIDO EXCÊNTRICO produziu maior hipertrofia do que excêntrico lento e concêntrico rápida e lento. No artigo de Timmins (2017), ele dividiu 28 homens em dois grupos, onde um grupo fazia só contratação concêntrica de bíceps e o outro só excêntrica. O resultado foi que o grupo que treinou SÓ EXCÊNTRICO teve aumento significativamente maior do fascículo que o grupo concêntrico. Desta forma, para quem quer HIPERTROFIA, a fase EXCÊNTRICA deve ser vista e trabalhada com atenção. Portanto, na próxima vez que for treinar, não deixe o peso despencar, aproveite e segure o movimento para maximizar seus resultados. Entendi, o importante é sempre fazer lento as repetições? Na verdade eu sugiro algo um pouco diferente, sempre que um exercício ainda estiver relativamente fácil, faça o movimento de forma lenta. Mas, conforme for ficando difícil, você pode ir acelerando o movimento, pois assim a execução fica mais fácil, proporcionando que façamos um número maior de repetições, o que ajuda a aumentar o volume de treino, podendo colaborar para um resultado hipertrófico melhor. RESUMO: enquanto estiver fácil faça o movimento de forma lenta, conforme for ficando difícil, acelere o movimento. 6. AMPLITUDE DE MOVIMENTO Está é outra variável do treino que considero muito importante mas que também é muito negligenciada. O que é ADM? ADM é a amplitude com o qual você vai realizar os exercícios. Por exemplo, podemos realizar o agachamento de forma parcial (movimento curto), como em amplitude total (movimento amplo). Essa amplitude pode ser regulada, podemos realizar movimentos curtos em basicamente qualquer exercício, como também movimentos amplos, igualmente em qualquer exercício. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 57 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Na prática, existe alguma diferença entre movimento curto e longo? Neste excelente estudo de Bloomquist (2013), onde ele teve o cuidado de equilibrar as cargas, colocando mais peso no grupo que agachava mais curto e menos no que agachava profundo (foto do próprio estudo), podemos entender melhor esse efeito. Mesmo trabalhando com uma CARGA MENOR, o grupo que agachou mais profundo teve de 4 a 7% mais HIPERTROFIA. Esses dados são confirmados com o recente estudo de Kubo (2019), que avaliou HIPERTROFIA do GLÚTEO em menores e maiores amplitudes durante o AGACHAMENTO. Os RESULTADOS mostraram que no CURTO a hipertrofia foi de 2,2%, no PROFUNDO 6,7%, sugerindo que o agachamento é um bom exercício para GLÚTEO, em especial o mais PROFUNDO. Pesquisa de McMahon (2014), também analisou ganhos de massa muscular em maiores ou menores amplitudes. Durante 8 semanas o treino incluiu vários exercícios para membros inferiores como: agachamento, leg-press, extensão de joelhos, entre outros. Mesmo com carga MENOR, o grupo que treinou em MAIORES amplitudes teve MAIS hipertrofia (59%), comparado com o grupo de MENOR amplitude (16%). Já no estudo de Nosaka (2000), onde foi analisado movimento mais curto no banco scott (50 –130°) e mais alongado (100-180°), marcadores de lesão muscular foram maiores no movimento mais amplo. Sugerindo novamente que amplitudes maiores parecem maximizar os resultados. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 58 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN McMahon (2015) novamente foi pesquisar os efeitos da ADM. Nele foi avaliado o efeito de 8 semanas de treino, onde um grupo realizou a cadeira estensora em pequena amplitude (SL, 0-50 °) e o outro em grande amplitude (LL, 40-90 °). Foi avaliada a hipertrofia do quadríceps além dos níveis de fator de crescimento insulino-semelhante (IGF-1). Os resultados mostraram que respectivamente a hipertrofia (53% vs. 18%) foi maior em LL comparados com SL. Outro detalhe importante deste estudo foi que eles também analisaram os participantes 12 semanas após a interrupção do treinamento e os resultados mostraram que a PERDA de MASSA MUSCULAR foi MENOR no grupo LL. Desta forma, trabalhar com o músculo em maiores amplitudes parece GERAR e MANTER melhores resultados, só NÃO ESQUEÇA que várias articulações e exercícios se tornam potencialmente lesivos em maiores amplitudes. Assim, antes de sair agachando até o chão e batendo com a barra no peito no supino, análise se a postura está correta e se suas articulações permitem tais amplitudes. Em relação a ativação muscular, muda alguma coisa maiores e menores amplitudes? Estudo de Oshikawa (2018), analisou exatamente isso e verificou que apesar das diferenças não serem significativas, foi no PROFUNDO onde ocorreu a MAIOR ativação do GLÚTEO. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 59 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN RESUMO: se tiver que optar entre mais carga ou mais amplitude, opte sempre pela amplitude, só não esqueça que os exercícios sempre devem ser trabalhados em angulações isentas de dor. 7. AERÓBICO E MUSCULAÇÃO - TREINO CONCORRENTE Existe uma dúvida que é muito comum, posso fazer aeróbio e musculação juntos? Antes de responder essa pergunta é importante entender que a musculação é predominantemente aeróbio. Para que ela seja predominantemente anaeróbico, seria necessário que o esforço fosse bastante curto (- de 75 segundos) e que o intervalo entre os estímulos (séries) fosse bastante longo, o que normalmente só vemos em treinos de levantadores de peso olímpico. Essa informação fica bastante clara no estudo de Gastin (2001), veja foto abaixo. Fonte:Energy System Interaction and Relative Contribution During Maximal Exercise, Gastin et al., 2001. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 60 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Sendo assim, é importante entender que os exercícios nunca são só aeróbios ou anaeróbios, o que ocorre é a predominância de um sobre o outro, sendo que na maioria dos casos a musculação é aeróbio. Mas para ficar mais fácil de entender o texto, chamarei um de aeróbio tradicional e o outro de musculação. Mas voltando a pergunta inicial, POSSO TREINAR MUSCULAÇÃO E AERÓBIO TRADICIONAL NA MESMA SESSÃO? Na verdade, antes de respondermos essa pergunta temos que entender as características e objetivos de cada pessoa, mas vamos ver o que a ciência nos mostra. Alguns estudos indicam que NÃO há problema (Wilson, 2012; Jones, 2013 e Lundberg, 2013), já outros mostram que eles podem ATRAPALHAR o resultado um do outro (Monteiro, 2015; Hakkinen, 2014 e Jones, 2016). Em seu estudo, Coffey (2016) fez uma análise indicando 2 pontos muito interessantes. Primeiro: quanto MAIS treinada for a pessoa, MAIOR será a influência. Segundo: a musculação parece afetar MENOS o aeróbio, já o aeróbio parece afetar MAIS a musculação. Assim, a musculação parece NÃO atrapalhar o aeróbio, já o aeróbico parece INFLUENCIAR na musculação, mas principalmente se você for BEM TREINADO. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 61 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEINPara EMAGRECIMENTO, posso combinar as duas atividades? Estudo de Park (2003), investigou o efeito do aeróbio tradicional (AT) e combinado (AT+Musculação) sobre a gordura abdominal de 30 mulheres obesas. O grupo AT treinou 6 dias por semana por 60 minutos. O grupo combinado treinou 3 dias musculação e 3 dias AT. Os resultados mostraram que a MASSA MUSCULAR, ponto importante para a manutenção ou aumento do metabolismo, AUMENTOU APENAS no grupo combinado, ja a gordura subcutânea e visceral diminuiu em ambos os grupos, porém MAIS no combinado. Fonte: The Effect of Combined Aerobic and Resistance Exercise Training on Abdominal Fat in Obese Middle-aged Women, Park e tal., 2003. Estudo de Monteiro (2015), parece colaborar com os achados anteriores. Nele, 32 adolescentes obesos participaramde dois grupos de treinamento, musculação + aeróbico ou somente aeróbico. Foram utilizadas avaliações padrão ouro. Os resultados mostraram que ambos os grupos reduziram significativamente o % de gordura, sendo que o grupo que fez musculação junto com o aeróbico teve um resultado um pouco melhor, além de melhora no perfil lipídico. Além disso, como a musculação aumenta a massa muscular, a longo prazo seu resultado para perda de gordura deve ser até superior ao aeróbico (Hunger, 2008). Portanto, se você quer emagrecer e manter o resultado, combinar as atividades parece ser uma ideia interessante. Mas se o objetivo for HIPERTROFIA MUSCULAR, combinar as atividades pode atrapalhar? Estudo de Jones (2016), buscou analisar uma série de combinações de musculação com aeróbio e sua influência sobre a força, massa muscular e respostas endócrinas. Em resumo, os ganhos de força nos membros superiores foram semelhantes em todas as combinações. Já nos membros inferiores o ganho de força foi reduzido quando o treino aeróbio tinha um volume maior, o que não ocorreu com volumes menores. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 62 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Outro detalhe é que quando o aeróbio era praticado em vários dias, hormônios catabólicos ficavam mais elevados. Desta forma, os dados sugerem que se o objetivo PRINCIPAL for ganho de força e massa muscular, o treino aeróbio deve ter volume baixo para não influenciar os resultados. Se for combinar os dois na mesma sessão, MELHOR começar pela musculação ou pelo aeróbio? Neste excelente estudo de Hakkinen (2014), foi analisado se o resultado seria melhor se começássemos com o aeróbio (AE) ou com a musculação (MU). Jovens ativos realizaram 24 semanas de treino MODERADO de musculação e aeróbio, metade começando pelo aeróbio e a outra metade pela musculação. As variáveis como força máxima, potência aeróbia, massa magra e hipertrofia aumentaram significativamente com as duas ordens, não apresentando diferença significativa entre elas. RESUMO: para quem quer emagrecer, a combinação dos dois parece interessante, já para quem busca ganhos maiores de hipertrofia, essa combinação deve ser feita com bastante cuidado. Sendo que se você é pouco treinado, a influência das atividade parece ser menor, mas quanto mais treinado você for, mais perceberá a influência de uma atividade sobre a outra. Só mais um detalhe, se você tem REALMENTE pouca massa muscular e MUITA dificuldade para ganhar músculo, traçar uma estratégia equilibrada é muito importante, e nesses casos talvez seja interessante ficar pelo menos um tempo sem fazer aeróbio. 8. TEORIA DA SUPERCOMPENSAÇÃO O sistema fisiológico opera em um nível de equilíbrio estável. Chamamos este equilíbrio de HOMEOSTASE. Tudo o que gera, de maneira sequencial, a quebra da homeostase, acaba gerando um processo adaptativo. E esta é a base de um fenômeno conhecido como supercompensação. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 63 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Vamos analisar o gráfico abaixo: O gráfico representa o nível de desempenho de um indivíduo submetido a um programa regular de exercícios físico. FASE 1: Como resposta aguda ao estímulo de treinamento há uma queda no nível de desempenho, devido a quebra da homeostase. Nesse momento o corpo precisa recuperar tanto as vias energéticas, como as fibras musculares, tendões e outros elementos presentes no treino. FASE 2: Após esse estresse vem a recuperação, que se feita adequadamente o organismo que saiu da homeostase retoma ao nível de desempenho que estava anteriormente. FASE 3: Porém, para que haja uma adaptação mais adequada, o corpo recupera as vias energéticas e outras estruturas, mas em um nível acima do que aquele que tínhamos antes do estímulo, SUPERCOMPENSANDO o desgaste que foi causado pela sessão de treino. Há, portanto, um acúmulo de energia maior, como se o organismo se preparasse, por um curto período de tempo, para um novo desgaste físico. O período de recuperação, incluindo a supercompensação, varia conforme a intensidade e volume do treinamento, podendo demorar de 24 até 72 horas, às vezes até mais tempo. Então o objetivo deve ser aplicar uma nova sobrecarga no organismo quando este estiver na curva de supercompensação. Se você se exercitar antes do início da supercompensação (ou seja, ainda no período de recuperação), não haverá tempo para que as reservas energéticas sejam repostas, podendo causar assim, um estresse intolerável para o corpo - SUPERTREINAMENTO (Over Training) e lesão. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 64 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Se um novo estímulo for implementado na fase em que o corpo atinge o “topo” da curva de supercompensação, teremos um desenvolvimento otimizado. FASE 4: Se você se exercitar após a curva de supercompensação acabar, estará reproduzindo exatamente a mesma situação em que se encontrava antes da primeira sessão de treino, ou seja, não haverá melhora do condicionamento físico, mas sim, manutenção dele. Além disso, se não houver um novo estímulo, pode-se ter ainda uma involução com queda no nível de condicionamento. Por isso, deve-se ter uma regularidade da atividade física. Pessoas que deixam de treinar ocorre uma diminuição desse nível funcional, pois o estímulo parou. Devemos ainda ter consciência de que o treinamento físico é benéfico apenas se obriga o organismo a adaptar-se ao estresse provocado pelo esforço. Se o estresse não é o suficiente, então, a adaptação não ocorre (por isso há necessidade de aumentar a intensidade de treino progressivamente). Por outro lado, se o estresse for exagerado, podem ocorrer lesões ou supertreinamento. Por isso, o mais adequado é alternar os estímulos dados para o corpo, cuidando por exemplo para não treinar o mesmo grupo muscular vários dias seguidos se ele não estiver plenamente recuperado e, lembrando que o corpo é uma máquina que trabalha com todas as suas engrenagens em conjunto, então, para existirem GANHOS (supercompensação) é necessário também o período de DESCANSO. E agora você deve estar se perguntando: “Como vou saber quando estou no ponto mais alto da curva de supercompensação?” Vale lembrar que esse processo é altamente complexo e que o período de recuperação e supercompensação têm influência de inúmeros fatores (como por exemplo a alimentação adequada e sono suficiente) e, portanto, não é possível trabalhar com o conceito de supercompensação de uma forma linear. De fato, não é fácil sabermos quando é esse ponto. Aqui, o “feeling” se torna importante, além da continuidade e constância nos treinamentos. De forma geral é importante que se tenha uma boa periodização dos treinos, de forma a tornar mais eficiente essa análise e identificação da fase de supercompensação, assim como deve-se observar a rotina, alimentação, histórico de treinamento e condicionamento físico atual (Por ex: um iniciante geralmente demora mais tempo para se recuperar de um treino, quando comparado a uma pessoa bem treinada). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 65 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 9. EXISTE TREINO ESPECÍFICO PARA CADA BIOTIPO? A resposta é NÃO, mas deixa eu explicar melhor. Primeiro é importante entender que o termo correto para tipos de corpos é Somatotipo e essa classificação foi criada na década de 40 por Sheldon. Nesta classificação, o ENDOMORFO remete a um corpo com predominância de gordura, o ECTOMORFO ao conceito de pouco músculo e pouca gordura e o MESOMORFO ao elevado desenvolvimento muscular e pouca gordura. Portanto, podemos perceber que essas características (músculo e gordura) são TOTALMENTE MUTÁVEIS. Sendo assim, ter determinado biotipo NÃO é uma sentença pro resto da vida. Mas professor, tem pessoas quetêm dificuldade de ganhar músculo! Sim, há pessoas que tem mais facilidade ou dificuldade para ganhar músculo e perder gordura, mas isso NÃO significa que é IMPOSSÍVEL. Por isso, dizer que você engorda por causa do seu biotipo, é apenas AUTO SABOTAGEM. Por exemplo, se você tem dificuldade em ganhar músculo, terá que treinar com mais empenho, mas SIM, é possível hipertrofiar sendo ectomorfo. Da mesma forma, se você é um endomorfo, você pode perder gordura e ganhar músculo passando a ter um corpo mesomorfo, só terá que ter cuidados específicos para isso. Portanto, entender seu somatotipo é muito importante para traçar suas metas e objetivos, mas com certeza, com empenho e dedicação conseguimos produzir mudanças corporais IMPRESSIONANTES. Não esquecendo que treino é estímulo, e ele somado à estratégia alimentar que definirá o resultado final. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 66 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 10. CONSIDERAÇÕES FINAIS A ciência do treinamento e da hipertrofia está em constante avanço, alguns conceitos que anteriormente eram regra hoje NÃO se aplicam mais, por exemplo que 3 séries de 20 é pra definir e 4 séries de 8 para crescer. Hoje está claro que o que vai garantir bons resultados para hipertrofia é o esforço durante o treino, onde falhar a musculatura, ou chegar perto da falha, parece ser o mais importante. Outra variável que está bem consolidada é o volume de treino. Quando o objetivo é hipertrofia, pessoas bem treinadas parecem se beneficiar com maiores volumes. Portanto, conforme os estudos que já coloquei e mais as orientações de Lauersen (2018), um dos maiores pesquisadores da área, que analisou 6 estudos randomizados, incluindo 7738 participantes, segue algumas sugestões: 1- Antes de aumentar a intensidade e volume, aprenda BEM a técnica, isso aumenta a segurança eficiência. 2- Não tenha pressa em aumentar os pesos, preocupe-se mais com a base muscular e não com seu ego. 3- Mantendo a técnica, procure se esforçar nos treinos. 4- Descanse adequadamente entre os treinos, iniciantes podem precisar de 72h, pessoas mais experientes podem precisar de MENOS TEMPO. 5- Se tiver que escolher entre carga e amplitude, priorize a amplitude. Com esses cuidados vc terá excelentes resultados minimizando ao máximo o risco de lesões. Ainda tenho uma dúvida, sempre ouvi dizer que para hipertrofia é importante variar o treino, isso é verdade? Estudo interessante de Ugrinowitsch (2014) ajuda a entendermos melhor essa questão. Quarenta e nove jovens TREINADOS foram divididos em 4 grupos: carga constante e exercício constante (CCCE), carga constante e exercício variado (CCVE), carga variada e exercício constante (VCCE) e carga variada e exercício variado (VCVE). Os exercícios foram agachamento, leg-press, afundo e levantamento terra. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 67 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN Os resultados NÃO mostraram diferença significativa entre os grupos. Indicando que realmente o que interessa para ganhos importantes de MASSA MUSCULAR é a INTENSIDADE, que hoje está intimamente ligada à FALHA MUSCULAR e NÃO a CARGA, pois apesar da carga variar entre mais leve e mais pesada, TODOS treinaram até a falha e por isso TODOS tiveram os MESMOS RESULTADOS. Esse resultado é reforçado pelo recente estudo de Baz-Valle (2020), que analisou os efeitos de variar ou NÃO exercícios em 21 homens TREINADOS. Os resultados mostraram que a HIPERTROFIA da coxa foi semelhante entre os grupos, mas notadamente com tendência SUPERIOR para o grupo que NÃO variou, principalmente para o músculo reto femural. Entretanto, a motivação em treinar foi maior no grupo que variou os exercícios. Portanto, se seu foco é HIPERTROFIA, utilizar e manter os exercícios CLÁSSICOS durante o treino, além de trabalhar em intensidade adequada, parece a melhor opção. Mas se você costuma se DESMOTIVAR com facilidade, VARIAR os exercícios parece uma boa opção. Só CUIDADO com variações em demasia, pois para mim SEGURANÇA e EFICIÊNCIA sempre devem vir em primeiro lugar, e dificilmente conseguimos respeitar esses dois princípios com grandes variações. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 68 Parte 3 – Treinamento para Hipertrofia Muscular WHEY PROEIN 10. SUGESTÕES DE TREINOS INICIANTE Carga: treinar próximo à falha muscular. Volume de treino: até 5 séries por grupo muscular por semana. Intervalo entre as séries: até 2 minutos. Frequência semanal: 2 a 3 treinos por semana. INTERMEDIÁRIO Carga: treinar próximo à falha ou na falha muscular. Volume de treino: de 5 a 9 séries por grupo muscular por semana. Intervalo entre as séries: até 1:30 minutos. Frequência semanal: 3 a 4 treinos por semana. AVANÇADOS Carga: a maior parte do tempo treinar na falha muscular. Volume de treino: 10 a 20 séries por grupo muscular por semana. Intervalo entre as séries: na maior parte do tempo utilizar até 1 minuto. Frequência semanal: 4 a 6 vezes por semana. ALTAMENTE TREINADOS ou ATLETAS Carga: a maior parte do tempo treinar na falha muscular. Volume de treino: : 20 ou + séries por grupo muscular por semana, podendo chegar até 50 séries. Intervalo entre as séries: na maior parte do tempo utilizar até 30 segundos. Frequência semanal: 4 a 6 vezes por semana, podendo em alguns casos fazer dois treinos por dia. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 69 Parte 4 – Dúvidas Comuns WHEY PROEIN1. É POSSÍVEL PERDER GORDURA E GANHAR MASSA MUSCULAR AO MESMO TEMPO? Como já vimos, para ganho de massa muscular é necessário estímulo anabólico, principalmente através do treinamento resistido. E de forma a maximixar esses ganhos é fundamental o superávit calórico. Você já aprendeu também que a via Akt/mTOR é uma das principais vias de sinalização envolvidas na hipertrofia muscular, sendo estimulada pelo treino resistido, pelo consumo de proteinas, carboidratos e também por hormônios. Em uma dieta para perda de gordura, restrita em calorias e carboidratos ocorre aumento da proteina AMPK, a via que inibe processos anabólicos (hipertrofia muscular e lipogênese) e estimula processos catabólicos (lipólise e catabolismo muscular). Os aminoácidos serão utilizados pelo figado no processo de gliconeogênese para produzir glicose, e o musculo se torna o principal fornecedor de aminoácidos neste processo; por isso aumenta o risco de perder massa muscular se a dieta hipocalórica não estiver bem estruturada. Além disso, também já falamos que os carboidratos têm um efeito “poupador de proteínas”, pois quando estão presentes são usados preferencialmente como fonte de energia e também elevam os níveis de insulina, hormônio que desempenha forte inibição na degradação proteica. Portanto, as vias de sinalização celular que promovem hipertrofia muscular e perda de gordura são antagônicas. Ao escolher sua metodologia de treinamento e dieta você estará escolhendo naturalmente qual via de sinalização quer otimizar, se vai priorizar o ganho de massa muscular (Akt/mTOR) ou a perda de gordura (AMPK). E a dieta low carb? Quando se reduz os carboidratos da dieta os níveis de insulina também estão reduzidos e os hormônios glucagon e cortisol estão aumentados. O glucagon e o cortisol estimulam a gliconeogênese no fígado e o cortisol também estimula a degradação de proteínas do músculo para fornecer aminoácidos para esse processo, além de inibir a síntese de proteínas, dificultando o ganho de massa muscular por favorecer um balanço nitrogenado negativo (degradação proteica > síntese proteica) e reduzir a performance do treino (a musculação exige mais carboidratos devido a MAIOR intensidade e recrutamento de fibras do tipo II). Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 70 Parte 4 – Dúvidas Comuns WHEY PROEIN Comergordura não tem a mesma eficácia que o carboidrato para reduzir a degradação proteica e estimular a síntese. É importante ter gordura na dieta, mas quando se trata de hipertrofia muscular, a sinergia entre carboidratos e proteínas é muito mais importante. Em uma dieta cetogênica (muito low carb) ocorre produção de corpos cetônicos, que diminuem a intensidade da gliconeogênese, pois também podem ser utilizados como fonte de energia pelo cérebro. No entanto, o aumento da ingestão de proteínas inibe a cetogênese e dificilmente alguém vai ganhar massa muscular comendo quase nada de carboidrato com pouca proteína, pois essas são as condições para entrar em cetose. Mas então é impossível fazer os dois processos juntos? CALMA! Vamos continuar o raciocínio ... Em dietas hipocalóricas/low carb, se bem estruturadas, combinada ao treino resistido (musculação) e aumentando o consumo de proteínas de forma a atenuar a degradação de proteínas musculares, o mais comum de acontecer é PERDER GORDURA e MANTER A MASSA MUSCULAR, mas eventualmente, pode ocorrer GANHO de massa muscular ao mesmo tempo que se perde gordura. Os resultados irão depender basicamente do nível de treinamento, do percentual de gordura inicial e do quanto é a restrição calórica. Nível de treinamento: Pessoas iniciantes na musculação têm mais chances de perder gordura e ganhar massa muscular ao mesmo tempo já que é um estímulo novo para o corpo; Percentual de gordura: quanto mais alto o percentual de gordura inicial, mais chances a pessoa tem de que aconteça os dois processos ao mesmo tempo. Mas se é uma pessoa que já tem um percentual de gordura relativamente baixo e combina com uma dieta com restrição calórica dificilmente ocorrerá ganho de massa muscular. Restrição calórica: quanto maior a restrição calórica, maior a ativação da via AMPK e, portanto, mais difícil o ganho de massa muscular no processo de emagrecimento. Portanto, se o objetivo é fazer os dois processos juntos, a restrição calórica não pode ser muito extrema. De qualquer forma deve-se ter consciência de que querer fazer os dois processos juntos não é o caminho mais eficiente. Sem dúvidas, é mais eficiente promover ganhos de massa muscular com dietas hipercalóricas e com bom aporte de carboidratos/proteinas. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 71 Parte 4 – Dúvidas Comuns WHEY PROEIN E como decidir qual processo fazer primeiro? Obviamente que tudo depende do indivíduo. Se você estiver com o percentual de gordura mais elevado (20% para cima), deveria focar em reduzir a gordura corporal antes de qualquer coisa. Então pra isso, o mais eficiente é fazer dieta bem estruturada com déficit calórico (comer menos do que gasta) combinada com treinos de musculação (pra manter a massa muscular e eventualmente até ter ganhos de massa magra) e o treino aeróbico. Mas se você é aquele estilo "falsa magra" com um percentual de gordura mediano porém pouca massa muscular pode ser que a melhor alternativa seja focar primeiramente no ganho de massa muscular, pois quanto mais massa muscular, mais seu metabolismo basal aumenta, contribuindo para um maior gasto de energia e facilitando o processo de redução do percentual de gordura quando você quiser entrar nessa fase. Além disso, como já falamos, iniciantes têm mais "facilidade" para ganhar massa muscular. Por fim, não se esqueça que ganhar massa muscular é um processo mais demorado do que emagrecer. É mais fácil perder 5 quilos de gordura do que ganhar 5 quilos de massa muscular. Ambos os efeitos, no entanto, são poderosos do ponto de vista estético. Quando pensamos em mudança da COMPOSIÇÃO CORPORAL, é importante alternar períodos em que se foca mais no ganho de massa muscular com períodos onde o principal objetivo é a perda de gordura, de preferência sempre combinado aos treinos independente da fase que esteja. 2. GENÉTICA REALMENTE IMPORTA? A individualidade genética determina o máximo potencial genético de cada individuo e isso está diretamente relacionado a como cada um de nós responde aos nossos hormônios anabólicos (insulina, testosterona, GH, IGRF-1). Já sabemos que esses hormônios desempenham um importante papel nas adaptações do treino de força, mediando parte da sinalização celular responsável pela hipertrofia. A testosterona é o principal hormônio anabolizante responsável pela quantidade de massa muscular que atingimos pelos estímulos de treinamento e dieta. Homens possuem uma maior quantidade de massa muscular em relação as mulheres, assim como também desenvolvem ganhos de massa muscular muito mais rápidos e maiores que as mulheres. Isso se deve ao fato de que os homens produzem uma quantidade de testosterona 10x maior que as mulheres. Os níveis de testosterona variam entre 300 a 1000 ng/dL para homens, enquanto para mulheres variam de 15 a 75 ng/dL. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 72 Parte 4 – Dúvidas Comuns WHEY PROEIN O principal receptor da testosterona nas células é o receptor androgênico (AR) e é através desse receptor que os esteroides androgênicos atuam no organismo, promovendo efeitos anabólicos e androgênicos. Existem mutações do gene do receptor androgênico, como pessoas que apresentam insensibilidade completa ao androgênio (pseudo-hermafroditismo), alguns com insensibilidade parcial, etc; podendo apresentar um espectro fenotípico amplo (características observáveis no indivíduo). Apesar de não ser algo comum essas anormalidades no receptor androgênico, isso alerta para a existência de uma grande variabilidade de respostas genéticas em termos de sensibilidade a esse receptor. Por outro lado, já é bem conhecido e estudado, a resposta individual ao hormônio insulina (sensibilidade/resistência), e já sabemos que isso também interfere no treino e dieta. Um estudo avaliou 585 pessoas entre 18 e 40 anos, homens e mulheres, treinando por 12 semanas, sem uso de hormônios ou suplementos, mantendo sua rotina normal. Enquanto alguns poucos indivíduos tiveram ganhos de 40% (10 pessoas), uma minoria (5-10%) não obteve nenhum ganho de volume muscular. No entanto, a grande maioria das pessoas obteve ganhos em hipertrofia de 15 a 25%. Esses resultados mostram a grande variabilidade de respostas aos estímulos do treinamento, ou seja, potenciais genéticos diferentes. Isso fica claro quando observamos que alguns indivíduos têm um desenvolvimento muscular acima da média da população, apenas com treinamento de hipertrofia. Ou seja, alguns indivíduos têm muito mais facilidade para ganhar massa muscular e queimar gordura, porque são muito sensíveis a hormônios anabólicos como testosterona (principalmente), insulina e GH. Por outro lado é de se esperar que alguns indivíduos possuam menos sensibilidade aos androgênios ou ao GH, assim como é bem conhecido diferentes níveis de resistência à insulina. Nesse caso é de se esperar um desenvolvimento muscular abaixo da média da população. No geral as pessoas podem evoluir muito com treinamento e dieta se feitos de forma correta, mesmo não possuindo um potencial genético fora do comum, assim como não é tão comum ter uma resposta tão ruim aos androgênios. O ganho de massa muscular está diretamente relacionado às adaptações metabólicas e hormonais, isso significa uma resposta mais eficiente aos hormônios anabólicos (testosterona, GH, insulina, IGF-1) conforme você evolui. Mais massa muscular, melhor resposta hormonal anabólica, maior adaptação, maior otimização metabólica. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 73 Parte 4 – Dúvidas Comuns WHEY PROEIN Então, aqueles que pretendem usar hormônios anabolizantes com a justificativa de possuírem uma genética ruim, o que muitas vezes não é verdade (pode ser apenas um metabolismo acelerado, o que não é ruim, e pode ser muito bom na verdade), REPENSE; pois se você não evolui naturalmente, e acha que já fez de tudo, então isso significa que seu corpo não responde bemaos próprios hormônios anabólicos (principalmente testosterona), e se seus receptores não respondem bem a sua própria testosterona, então provavelmente também não responderá bem a nenhum esteroide androgênico exógeno. Na grande maioria das vezes, quem diz que não está evoluindo, na verdade não está fazendo do jeito certo. A genética é sim um fator importante para os resultados, mas não depende apenas dela. Mesmo que você considere que não tem uma “genética boa”, outros fatores são muito importantes no processo: • A forma que você treina e que faz dieta. Algumas pessoas estão treinando abaixo do que podem, assim limitando seus ganhos. • E na dieta, não dão o aporte necessário de calorias, macro e micronutrientes para construir músculos. • Além disso, controlar seu sono e estresse são fundamentais para adequada produção hormonal, que tanto influência no ganho de massa muscular. Lembre-se sempre: “O processo é lento, mas desistir não acelera”. O intuito deste tópico não é te desanimar se você acha que não possui uma genética tão boa, mas é justamente alertar que não se deve comparar sua evolução com o de outras pessoas. Cada um vai ter um resultado e o tempo será individual. Dando a devida importância também para os outros fatores você pode melhorar de forma SIGNIFICATIVA o seu físico e atingir a SUA MELHOR VERSÃO. Licenciado para - Carlos Henrique Pires de Oliveira - 08114002719 - Protegido por Eduzz.com 74 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS WHEY PROEIN 1. Guyton & Hall. Tratado de Fisiologia Médica, 13ª Ed. 2017 2. Kleiner,Susan M. Nutrição Para o Treinamento de Força - 4ª Ed. 2016 3. MCARDLE, W.; KATCH, F.; KATCH, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2003. 4. Nutrição no Fisiculturismo– Dudu Haluch (2018) 5. Schoenfeld, B. J., & Aragon, A. A. (2018)- DOI: 10.1186/s12970-018-0215-1 6. Macnaughton, L. S. et al. (2016) DOI: 10.14814/phy2.12893 7. Morton, R. W. et al. (2015) DOI :10.3389/fphys.2015.00245 8. WITARD, O. C. et al. Myofibrillar muscle protein synthesis rates subsequent to a meal in response to increasing doses of whey protein at rest and after resistance exercise. American Journal Of Clinical Nutrition, [s.l.], v. 99, n. 1, p.86-95, 20 nov. 2013. American Society for Nutrition. 9. 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