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Vitoria Araujo Turma 7 - @vitoria_arjo 1 Sd. Nefrítica Histologia e fisiologia glomerular • Os imunocomplecos (IC) podem se depositar nas quatro estruturas gloerulares vistas: o Mesângio; o Endotélio capilar; o Podócitos; o Membrana basal glomerular; • A depender da localização do IC e da intensidade da resposta inflamatória, teremos um tipo de doença glomerular; • É esse depósito de IC + agressão inflamatória que gera a desestruturação celular e eletroquímica, permitindo a passagem de proteínas, hemácias, leucócitos, etc. Quando suspeitar de doença glomerular? • Proteinúria: o Marcador das glomerulopatias, sendo a albumina o principal componente; • Hematúrua: o Caracteristicamente presente em doenças ditas “proliferativas”, isto é, com intensa atividade inflamatória, classicamente encontrada nas patologias que compõem o grupo da síndrome nefrítica; • Urina espumosa: o Indicativo de proteinúria; • Urina escurecida: o Indicativo de hematúria; Nefrótica x Nefrítica • Nefrótica: o Início: § Insidioso o Edema: § ++++ o PA: § Normal o Proteinúria: § >3,5 g/dia o Hematúria: § Ausente o Dismorfiso eritrocitário: § Ausente o Albumina: § Muito reduzida • Nefrítica: o Início: § Agudo o Edema: § ++ o PA: § Elevada o Proteinúria: § <3,5 g/dia o Hematúria: § Sempre presente o Dismorfiso eritrocitário: § Presente o Albumina: § Normal/pouco reduzida Sd. nefrítica • Hematúria sempre presente: o Formas proliferativas • Início relativamente abrupto; o Proteinúrria < 35 g/dia; Vitoria Araujo Turma 7 - @vitoria_arjo 2 • Perda da função renal: o Infiltrado inflamatório glomerular intenso; • Oligúria: o Preenchimento do glomérulo por células inflamatórias; • Edema, hipertensão: o Ativação do SRAA; Doenças relacionadas • GN pós-estreptocócica: o Associação: § Impetigo/ Faringite; 1. Teste sorológico: a. ASLO / antiDNAse Beta / complemento consumido (C3); • Nefrite Lúpica: o Associação: § Sinais sistêmicos do LES 1. Teste sorológico: a. FAN / aDNA / consumo de complemento C3/C4 nas formas proliferativas; • Nefropatia IgA: o Associação: § Infecção respiratória prévia como desencadeante da hematúria 1. Teste sorológico: a. IgA sérica elevada/ Dosagem de complemento normal; • GN membranoproliferativa: o Associação: § Vírus da hepatite C + Crioglobulinemia; 1. Teste sorológico: a. Consumo de complemento C3/C4 Glomerulonefrite Rapidamente Progressiva • Perda súbita da função renal associada a quadro glomerular (hematúria e prteinúria); • Pode ser complicação de qualquer doença glomerular, em especial das doenças do espectro da síndrome nefrítica – LES, GNDA; • Pode ser causada por vasculites; • Evolução para DRCt em semanas ou meses, se não tratada; • Presença de crescentes celulares ou fibrosos >50% dos glomérulos: o Substrato anatomopatológico da GNRP; • Definição crescente: o Presença de 2 ou mais camadas de células no espaço de Bowman; • Tratamento imunossupressão agressiva, quando houver formas rapidamente progressivas, independentemente da doença de base; • Pulsoterapia com Ciclofosfamida + Metilpredinisolona; Patogênese • Embora a patogênese não seja totalmente compreendida, as evidências disponíveis sugerem que a maioria dos casos de GN é devido a uma resposta autoimune, que é modificada por fatores genéticos, a uma variedade de diferentes agentes etiológicos, incluindo agentes infecciosos. • A resposta imunológica, por sua vez, ativa uma série de processos biológicos (por exemplo, ativação do complemento, recrutamento de leucócitos e liberação de fatores de crescimento e citocinas) que resultam em inflamação e lesão glomerular. • A GN pode ser isolada no rim (glomerulonefrite primária) ou ser um componente de um distúrbio sistêmico (glomerulonefrite secundária) Vitoria Araujo Turma 7 - @vitoria_arjo 3 Glomerulonefrite Difusa Aguda ou Pós-Estreptocócica • Mais comum em crianças de 2 a 14 anos, do sexo masculino; • Estreptococo beta-hemolítico; • Em adultos: o Associação com imunossupressão, etilismo, outros agentes infecciosos – prognóstico pior; • Antígeno estreptocócico nefritogênico (SPBE); • Receptor renal: • GAPDH (identificado em bx renal) e outros fatores nefritogênicos; • Intervalo entre a exposição ao estreptococo e o desencadeamento da GNDA; o Faringite: 7-10 dias; o Impetigo: a partir de 10-14 dias; o Outras infecções – variável; o Evolução com formas rapidamente progressivas (GNRP) – 1% dos casos; • Manifestações clínicas e exames laboratoriais: o Hematúria microscópica – sempre 100%; o Hematúria macroscópica – 30%; o Edema – 85%; o Hipertensão arterial – 80%; o Hipervolemia grave – 10-20%; o Sintomas urêmicos – 10%; o Urina 1: § Hematúria dismórfica, leucocitúria, proteinúria variável; o Redução da taxa de filtração glomerular; o Distúrbios eletrolíticos relacionados à redução da TFG – hipercalemia, acidose metabólica, etc; o Evidência sorológica de estreptococcia; o ASLO (>70% faringites); o aDNAse B (> 70% impetigo); o Complemento total C3 (90% casos); • Manejo clínico (doença autolimitada): o Medidas dietéticas: § Restrição de sal e líquidos; o Antibioticoterapia: § Não trata GNDA, mas evita qua a criança seja uma portadora assintomática da bactéria; o Diuréticos de alça, hipotensores, vasodilatadores parenterais; o Insuficiência renal grave/congestão refratária ao tratamento clínico: § Diálise; • Evolução e prognóstico: o Geralmente remissão clínica em 2 a 4 semanas; o Recuperação espontânea da natiurese em cerca de 48 a 72 horas; o Normalização do complemento em cerca de 8 semanas; o Hematúria microscópica e proteinúria discreta podem persistir por vários meses; o Cura: § 90 a 95% das crianças e 60 a 70% dos adultos; o Evolução não favorável: § Indicação de biópsia renal; Nefropatia da IgA • Também chamada de doença de Berger; • GN proliferativa mesangial; • Depósito de imunocomplexos de IgA no mesângio (IF); • Desequilíbrio entre produção e clearance hepática de IgA; • Associação com IVAS (potencial gatilho): o Não é necessário para o diagnóstico; • Pleomorfismo clínico; • Normocomplementêmica; • Quadro clínico (laboratorial): o Associação com infecção de orofaringe dias antes; Vitoria Araujo Turma 7 - @vitoria_arjo 4 o Hematúria macroscópica ou microscópica (hematúria isolada é a forma mais frequente); o Caracteristicamente recorrente; o Proteinúria em geral não é muito importante; o IgA circulante elevada em 30% (sem relação com prognóstico); • Tratamento: o IECA ou BRA para todos os pacientes – alvo PTU<1g/24h PA<130x80 mmHg; o Benefício potencial em associar suplemento rico em Ômega 3; o Após 6 meses de antiproteinúricos: § PTU < 1g – sem imunossupressão; § PTU > 1 g e função renal preservada (TGF > 45-50 mL/min) – manter tratamento inespecífico + 6 meses de cortcoide oral; § Não associar imunossupressor em pacientes com TGF < 30 mL/min (sem benefício); Nefrite lúpica • Associação com outras manifestações clínicas do LES – importante para diagnóstico; • Mais comum em mulheres jovens; • Síndrome nefrótica e/ou nefrítica frequentes; • Pode assumir forma rapidamente progressiva; • Hipocomplementemia (Consumo de C3 e C4) nas classes proliferativas; • Anemia/citopenias; • Evolução variável (depende da forma histológica); • Critérios diagnósticos (ACR: o Presença de 4 ou mais itens abaixo: § Rash malar; § Lúpus discoide; § Fotossensibilidade; § Ulceras orais; § Artrite não erosiva; § Pleurite/pericardite; § Acometimento renal (proteinúria, hematúria, perda de função renal); § Acometimento neurológico; § Acometimento hematológico (anemia, leucopenia, plaquetopenia); § Alto anticorpo (anti-DNA, anti-Sm, anti-Ro,anti-La, etc); § Fator antinucúcleo (FAN); • Classes: o Classe I: § Rim normal; o Classe II: § GN mesangial; o Classe III: § GN proliferativa focal; o Classe IV: § GN proliferativa difusa; o Classe V: § GN membranosa; o Classe VI: § Glomeruloesclerose; Glomerulonefrite Membrano-Proliferativa (GNMP) • Causa menos comum de acometimento glomerular que as outras glomerulopatias estudadas; • Etiologia secundária > 80% dos casos; • Associação clássica com hepatite C; Vitoria Araujo Turma 7 - @vitoria_arjo 5 • Brasil: o Lembrar de esquistossomose como causa secundária de GNMP; • Padrão clássico nefrítico-nefrótico- hematúria + PTU elevada; • Classificação: • Tipo I: o Associação com hepatite C + presença de crioglobulinas circulantes (70-90% dos casos) • Tipo II: o Associação com presença de fator nefrítico C3 e/ou deficiência de fator H do complemento (mais rara); • Tratamento: o Resposta inconsistente com o tratamento imunossupressor: o Tratamento em geral conservador: § Antiproteinúricos; § Controle pressórico; § Formas rapidamente progressivas: × Mesmo tratamento preconizado + plasmaférese em casos selecionados; § Imunossupressão não está indicado nas formas de GNMP relacionadas ao HCV – tratar a doença viral (Sofosbuvir, Velpatasvir, etc)