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Medicina Veterinária – Mariana de Campos – Clínica de pequenos animais I Doença endócrina mais comum É comum hiperadrenocorticiso + diabetes (hiperadreno ser uma complicação que tende a desenvolver diabetes) Hipersecreção de cortisol – este é produzido nas glândulas adrenais → Gera aumento do córtex da adrenal (mais especificamente zona fasciculata aumentada) A glândula adrenal possui muito mais córtex do que medula (é normal) – 80% é córtex Zona fasciculata – produz cortisol Obs: Animais castrados não ficam zerados de hormônios sexuais, a adrenal produz parte desses hormônios sexuais Quem estimula a glândula a produzir o cortisol é o eixo hipotalâmico hipofisário → 85% dos cães com hiperadreno possuem um microadenoma (nódulo pequeno) na hipófise, aumenta a produção de ACTH O microadenoma faz a produção de ACTH ficar alta o tempo todo – não permite que tenha feedback negativo Não é o problema de nódulos que geram malefícios para o cão e sim o cortisol alto Cortisol acumula gordura abdominal 15% dos casos podem ser na adrenal (tumores adrenais) – neoplasia que se desenvolve na camada fasciculata, operamos as 2 e repõem os hormônios – a adrenal tem produção autônoma independente do que o eixo vai mandar. Nesta o feedback negativo também não funciona Quando o tumor é em uma das adrenais, a que está saudável acaba atrofiando, já que esta responde ao feedback negativo – Utilizamos US se as 2 estiverem aumentadas o problema é na hipófise. Se houver diferença de tamanho o problema é na adrenal → 50% dos tumores de adrenal são malignos (carcioma) e 50% são benignos Quando uma delas está com tumor, removemos apenas uma a outra voltará 100% do seu funcionamento normal. Se o nódulo estiver nas duas escolhemos “a pior” para operar primeiro (tomografia) e depois operamos a outra Quando o tumor é na hipófise, usamos medicamento para bloquear na camada fasciculata para produção de cortisol HAC – CLASSIFICAÇÕES HAC (ACHT DEPENDENTE) 85% dos casos – microadenoma hipofisário HAC (ACTH INDEPENDENTE) Neoplasia do córtex adrenal 15% dos casos Secreção de cortisol independente de ACTH Cortisona vinda de remédio gera feedback negativo direto (ACTH E CRH baixos) – adrenais atrofiam com o uso crônico de cortisol Cortisol natural baixo do animal, mas mostra sintomas de cortisol alto devido a medicação de corticoide, por exemplo - De tanta medicação as adrenais atrofiam, mas o cortisol natural está baixo (atrofia) Chamar de hiperadrenocorticismo iatrogênico é errado (não tem adrenal aumentada) apenas tem os sintomas da HAC, não Medicina Veterinária – Mariana de Campos – Clínica de pequenos animais I deve ser tratado com hiperadreno. O tratamento aqui é feito apenas com desmame Logo devemos sempre diferenciar o tipo de hiperadreno antes de iniciar o tratamento – perguntar antes de tudo se o animal faz uso de corticoide PREDISPOSIÇÃO RACIAL, SEXUAL E ETÁRIA Incomum ser diagnosticado antes dos 5 anos Muito comum em pequenos Maior predisposição de fêmeas (55-60%) Poodles, Bulls, Dachshunds, Beagles, Yorkshire, Pinschers, Lhasa apsos, Rottweilers, Boxers, Pastores alemães , Labradores retrievers Cerca de 75% dos cães com HAC tem peso menor que 20kg PRINCIPAIS EFEITOS METABÓLICOS CORTISOL Nessa doença é desesperador a polifagia com ganho de peso (diferente da diabetes que há emagrecimento) – se o animal tem HAC + diabetes a diabetes sempre “falará mais alto”, causando catabolismo proteico e por consequência emagrecimento Pernas finas e muita gordura (barriga grande) P.A alta = HAC é uma das doenças com maior capacidade de hipertensão arterial. A primeira causa de hipertensão é doença renal crônica O cortisol é imunossupressor – cães mostram baixa imunidade devido a infecções bacterianas (piodermites, cistites etc) Cães com hiperadreno morre de trombo pulmonar (dispneia, mucosas roxas) – logo se o animal tiver HAC e estiver nessa situação a doença já está em fase pulmonar Pele fina – devido a proteólise, a proteína da pele é degradada Veias ficam visíveis devido a pele ser muito fina e barriga distendida MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Poliuria Polidpsia Polifagia Ganho de peso Fraqueza muscular Letargia Alopecias e hiperpigmentações Atrofia cutânea Aumento de volume abdominal “pendular” – gordura visceral Podem aparecer até “comedões” na pele Telangiectasia – quando enxergamos as veias na pele, principalmente a da barriga por estar mais abaulada (surge em quadros mais graves) Pode haver pústulas na barriga Obs: em gatos é mais difícil ter hiperadreno, mas se desenvolver a doença são as mesmas manifestações clínicas DIAGNÓSTICO HAC Identificação Anamnese Exame físico Exames laboratoriais: hemograma, urinálise e bioquímica sérica – CID coagulação intravascular disseminada Avaliação por imagem (US, TC, RM) – ultrassom de abdômen para saber onde está o problema ou se há diferença de tamanho das adrenais Testes hormonais – esse exame é confirmatório do diagnóstico Medicina Veterinária – Mariana de Campos – Clínica de pequenos animais I PRINCIPAIS ALTERAÇÕES LABORATORIAIS Bioquímico: aumento de FA (muito, muito alta), colesterol e Triglicéries (TG aumenta muito) (ALT aumenta pouco) Obs: FA tem nos ossos, intestinos, rins, fígado etc. existe uma FA induzida por corticoide, todos animais que tomam ou produzem muito cortisol a FA acaba aumentando muito Triglicerídeos alto no cão gera convulsão, perda de visão, etc US: fígado aumentado Hiperglicemia: se aparecer no exame além de HAC ele é diabético. Apenas a HAC não gera hiperglicemia Urinálise: densidade urinária baixa (pode variar do minimamente concentrado até uma hipostenúria) – o exame de urina aqui pode ser confundido com DRC, por isso temos que juntar o exame físico e exames bioquímicos Cistite bacterianas – cortisol é imunossupressor e diabéticos costumam fazer cistite bacteriana por ter glicose na urina Hemograma: Plaquetas, hemácias altas e linfopenia (diminuição de linfócitos EXAMES DE IMAGEM - US O que procuramos no US: Hepatomegalia Aumentos das glândulas adrenais semelhante = hiperplasia adrenal bilateral Presença de tumor na adrenal = adrenais assimétricas e disformes Presença de trombos Metástases abdominais Devemos lembrar que existem tumores adrenais que não necessariamente produzem cortisol alto, pode aumentar adrenalina por exemplo, ou não, por isso devemos unir os exames físico e outros Adrenal direita é pior que a esquerda, a direita está mais próxima da veia cava, pode invadir a veia cava causar metástases, trombos etc Nódulo pequeno: até 1 cm – maior que 1 cm já é indicativo de operar DETERMINAÇÕES HORMONAIS Lembrando que esses exames são usados suprimir ou estimular o eixo endócrino Teste de supressão com dexametasona: Padrão ouro - diagnóstico Coletamos o sangue de manhã (sem interferências) do dia de picos de cortisol - Aplicamos dexametasona (cortisol) no animal, em animais saudáveis ira produzir um feedback negativo - esperamos 8h de ação da dexametasona na veia e realizar segunda coleta de sangue, se o animal for saudável irá apresentar queda na circulação – se o animal não for saudável não realizará esse feedback, podendo ser problema na hipófise ou adrenal (esse exame não indica exatamente onde está o problema, apenas se o animal realiza ou não o feedback negativo) Todo HAC deve passar por esse teste obrigatoriamente Aqui devemos lembrar que o “alto” não é ser um número maior que a primeira coleta e sim não baixar 1 número desde a primeira coleta Teste de estimulação por ACTH (sintético) Usado para controle e monitoramento de tratamento ACTH endógeno (plasmático) Pegar primeira coleta matinal e medimos ACTH que está no sangue, esse ACTH vem da hipófise, hiperadreno maiscomum é vindo de tumores de hipófise, se o ACTH estiver alto teremos um animal com HAC Esse teste sozinho não é revelador apenas se feito junto com o teste de supressão com dexametasona É como se fosse um exame “plus” “algo a mais” Medicina Veterinária – Mariana de Campos – Clínica de pequenos animais I TRATAMENTO Dependente de onde está o tumor HAC iatrogênico: suspensão gradativa da medicação corticoide HAC ACHT Independente: neoplasia adrenal – adrenalectomia, quando não temos opção cirúrgica, seja por financeiro, por exemplo, deveremos propor medicamentos para abaixar o cortisol, mas infelizmente ele irá agir nas duas adrenais, não podendo focar apenas em uma, hoje em dia estão utilizando radioterapia. Mas, o paciente que não opera não terá boa longevidade HAC ACTH Dependente: Duas adrenais aumentadas na mesma forma Lisodren = mais antigo e mais “perigoso” em relação a efeitos adversos – fármaco adrenocorticolítico (lise de córtex adrenal, “destrói” córtex adrenal, ação considerada quimioteápica) – os efeitos são semelhantes a quimioterapia no animal, tinha pacientes que morriam com os efeitos colaterais do medicamento Pode ser uma opção para o tutor que não tem condições de operar, mas temos que pensar que ele agirá nas duas adrenais Trilostano: mais novo, não tem papel de destruição de córtex, é apenas um bloqueador enzimático – ação inibidor de esteroidogênese – o tratamento é mais demorado com esse medicamento Mitotano (lisodren) 500 mg Potente fármaco adrenocorticolítico Necrose progressiva da zona fasciculata e reticular Derivado químico do inseticida DDT Dose: 25-75 mg/kg – dividido em 2 administrações: Fase indução Variável: 7 a 15 dias (2 semanas para destruir) Avaliação de efeitos colaterais Fase manutenção: Mesma dose 1x por semana Depois que passamos para essa fase de manutenção, não há mais destruição de córtex Trilostano (vetoryl) 30, 60, 120mg Inibidor de esteroidogênese Inibidor competitivo da 3B-hidroxiesteróide desidrogenase (para produzir o cortisol necessita dessa enzima) – se o proprietário suspende ou paramos de usar por algum motivo a enzima volta a funcionar. Porém, essa enzima é importante para produção de aldosterona Quando há desequilíbrio de sódio/potássio significa falha da aldosterona diminuímos a dose do trilostano (monitoramento do tratamento) Metabólito ativo: Ketotrilostano Dose: 1 a 6 mg/kg – SID ou BID (começa 1x ao dia e pode passar para 2x ao dia) Aguardar tempo e resposta adequada do paciente CONTROLE DA TERAPIA DA HAC Melhora de Sintomas Exames laboratoriais de rotina: Plaquetas = quanto mais alto cortisol maior o número de plaquetas ALT e FA Colesterol e Triglicérides PAS = pressão arterial sistêmica Teste de estimulação com ACTH: Avaliação da reserva adrenal – ACTH aplicada na veia, agindo no córtex da adrenal estimulando-a a produzir mais corticoide. Se o trilostano está em dose adequada a adrenal não irá aumentar a produção. Fazemos uma coleta antes e uma após a aplicação de ACTH, para verificarmos a eficiência do treinamento. Se o resultado der muito baixo de Medicina Veterinária – Mariana de Campos – Clínica de pequenos animais I cortisol significa que a dosagem do medicamento está muito alta Entre 2-5 mg/dl de corticoide é o “ideal”/”normal” COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS - HAC Hiperlipidemias (alta colesterol e triglicérides) Hipertensão arterial sistêmica AVCs e hipertrofia ventricular Glomerulopatias Pancreatites (quando mais gordura circulante, mais risco de pancreatite) Diabetes mellitus - Tumores adrenocorticais: Metástases em órgãos adjacentes Óbito - Tromboembolismo pulmonar TRATANDO A HIPERLIPIDEMIA Hiperlipidemias podem ser tanto de aumento de colesterol ou triglicerídes É um tratamento adicional Suplementação com ômega 3 (1,5 EPA, 1 DHA) EPA (25 mg a 40 mg) DHA (18 A 25 mg/kg) Ograx já vem com essa concentração de EPA e DHA Triglicérides mais brandos, com pouco aumento Bezafibrato 2,5 mg/kg/BID a 5 mg/kg/SID ou BID É mais indicado quando os triglicerídeos estão mais altos TRATAMENTO HIPERTENSÃO Inibidores da ECA Maleato de enalapril (0,25 a 0,5 mg/kg/BID) Cloridrato de benazepril (0,25 a 0,5 mg/kg/SID ou BID) Bloqueador de canal de cálcio Besilato de anlodipino (0,1 a 0,3 mg/kg/SID ou BID) Em gatos esse medicamento vai bem Emergências hipertensivas, quando baixar retirar esse e substituir por inibidor de ECA, levar o anlodipino para casa