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W BA 02 60 _V 2. 1 NEGOCIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS 2 Sofia Lara Todão Szenczi São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 NEGOCIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Tayra Carolina Nascimento Aleixo Revisor Larissa Maria Palacio dos Santos Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Szenczi, Sofia Lara Todão Negociação e gestão de conflitos / Sofia Lara Todão Santos Silva, Marília Liotino dos Santos. – São Paulo: Szenczi. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 32 p. ISBN 978-65-5356-167-0 1. Negociação. 2. Gestão de conflitos. 2. Poder. I. Título. 3. Técnicas de speaking, listening e writing. I. Título. CDD 333.7 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 010289/O S997n © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Negociação: conceitos, definições e propósitos ______________ 07 Processos negociais: o trajeto da negociação ________________ 20 O perfil negociador: estilos de negociação e processos comunicacionais _____________________________________________ 31 Princípios e técnicas da gestão de conflitos __________________ 43 NEGOCIAÇÃO E GESTÃO DE CONFLITOS 5 Apresentação da disciplina Com transformações constantes, o mercado vem exigindo cada vez mais habilidades e competências para a negociação. Atualmente, é necessário compreender não apenas o funcionamento das organizações, mas também as relações que devem ser estabelecidas entre o capital humano delas, e um fator de extrema relevância em tal processo é a comunicação, pois é necessário saber o modo de se comunicar de acordo com o perfil de cada pessoa. Diante disso, desenvolver soft skills que otimizem os processos negociais são fatores cruciais para que a organização e seus colaboradores estejam à frente no mercado atual. Na disciplina de Gestão de crises e reputação, você irá compreender os processos gerenciais e como atuar neles, desenvolvendo habilidades e competências para identificar tipos de negociações e como agir diante delas e otimizando seus processos comunicacionais para construir processos negociais de sucesso por meio de uma comunicação efetiva com base na escuta ativa e rapport, compreendendo o caminho de uma negociação de sucesso com base em interesses, construindo uma negociação ética em que ambos os lados sejam protagonistas. Aprenderá, ainda, conceitos da negociação, tais como suas fases, estágios e estratégias, para que possa planejar sua negociação e executá-la com sucesso, alcançando resultados. Considerando, também, o desenvolvimento da inteligência emocional e a da relação interpessoal, uma vez que negociar envolve relações humanas e suas peculiaridades. 6 Em gestão de conflitos, você irá adquirir o ferramental necessário para gerir conflitos em seu cotidiano, sabendo identificá-los e suas causas, níveis, dimensões, tipos e estilos, para que, assim, possa administrá-los da maneira ideal e eficaz, mediando-os e gerando suas resoluções. 7 Negociação: conceitos, definições e propósitos Autoria: Sofia Lara Todão Szenczi Leitura crítica: Larissa Maria Palacio dos Santos Objetivos • Compreender os conceitos básicos da negociação. • Estabelecer conhecimentos para desenvolver habilidades e competências para negociar. • Reconhecer os tipos de negociação. • Construir bases sólidas para a negociação. 8 1. Negociação: conceitos, definições e propósitos Nesta Leitura Digital, você estudará a base teórica que elucidará os conhecimentos básicos da negociação, uma vez que para toda receita deve haver ingredientes que a constitua, também no saber é necessário compreender conceitos, definições e conhecimentos fundamentais na área da negociação. De acordo com o dicionário Dicio ([s.d.]), a palavra negociar, vem do latim negotiatus, que vem do passado negotiare, tendo como significado “fazer negócios”. A expressão negociação possui diversas definições, dentre elas: ato de negociar; transação; conversa que ocorre com o objetivo de chegar a um acordo. Um ponto relevante sobre a negociação, que muitas vezes é esquecido, é que ela deve visar os dois lados e nunca beneficiar apenas um deles. As negociações podem acontecer entre duas partes, ou, se necessário, com uma terceira parte, por exemplo, um interveniente, que pode mediar as relações negociais de diferentes naturezas, podendo ocorrem em formatos B2B, B2C, B2B2C, B2G, dentre outros, não sendo necessariamente negociações de compra e venda, como também que envolvam outros interesses. Para Cohen (2004), negociar é usar a informação e o poder com a finalidade de influenciar o comportamento em uma rede de tensão. Já para Fisher, Ury e Patton (1994), a negociação é um processo bilateral, com objetivo de chegar a uma decisão conjunta, nesse sentido, ambas as afirmações corroboram com o fato de que a negociação deve ser realizada de maneira pacífica e com clareza para que se alcance o melhor resultado. 9 Figura 1 – Mãe e criança chorando Fonte: mapodile/iStock.com. Faz-se importante perceber que os seres humanos negociam desde seu nascimento, e é por meio do choro que os primeiros processos de negociação se instauram, uma vez que o recém-nascido chora para obter atenção de seu cuidador, alimento e suprir suas necessidades primordiais, estabelecendo, assim, seus primeiros processos negociais. Deve-se considerar que tais interações são lapidadas ao longo da vida, inclusive sendo possível adquirir habilidades e competências refinadas em relação a prática. Existem três tipos de negociação que devem ser conhecidos: ganha- ganha; ganha-perde; e perde-perde. a. Ganha-ganha: é o tipo de negociação mais adequada, em que a tentativa é para que os dois lados tentem encontrar juntos uma solução para ambas as partes. b. Ganha-perde: em tal teoria, um dos lados segue firme com suas convicções, que pode ser deixar o outro vencer ou manter-se firme para que ele desista. 10 c. Perde-perde: é quando ambas as partes buscam vencer acima de tudo, traçando muitas vezes objetivos injustos. Antigamente, os interessados em questões relacionadas à negociação tinham uma visão simplista deste processo, imbuindo à negociação o objetivo único de atendimento das próprias necessidades, visando levar vantagens sem que houvesse preocupação com os interesses da contraparte. A este tipo de negociação atribuía-se o nome de ganha- perde, em que cada avanço de uma parte pode ocorrer o recuo da outra. Não é novidade que processos de negociação são normalmente delicados, pois conciliar posições que beneficiem os dois lados é extremamente difícil, quando se analisa que negociações pautadas em posições conflitantes acabam por se estender por um longo período e nem sempre possuem sucesso em suas finalizações, gerandoum jogo improdutivo e, muitas vezes, sem final satisfatório. O ideal é que ocorra uma mudança de perspectiva, buscando uma nova visão na negociação para que ambas as partes tenham seus objetivos alcançados. Na atualidade, a negociação passou a ser vista como um processo entre partes interdependentes. A interdependência consiste na ligação existente entre os negociadores, em que o interesse das partes depende de ambas para que sejam mutuamente satisfeitas, dependendo, assim, de uma negociação pautada em interesses e não em posições. As posições nas negociações ocorrem quando um ou ambos os lados não realizam concessões, sendo necessário que ambos os lados sejam flexíveis, para que o processo tenho como base os interesses mútuos. Quando uma negociação é feita com base em interesses, a probabilidade de sucesso em relação a uma negociação que é feita baseada em posições é significativamente maior, uma vez que ambos os lados são avaliados e buscam um acordo com base no ganha-ganha, que, consequentemente, culmina em um relacionamento que abre portas para negociações futuras. 11 A interpendência pode ser colocada enquanto fator decisório para que haja uma negociação, sendo a essência dela, um exemplo disso é uma relação de compra e venda, este tipo de negociação tem como pressuposto o interesse mútuo de ambas as partes em concretizar o negócio. Figura 2 – Homens apertam as mãos em reunião Fonte: nortonrsx/iStock.com. Diante de todo o exposto, fica nítida a necessidade da construção de um processo que inspire confiança a qual deve ser validada pelo conceito de legitimidade, que por sua vez consiste na elaboração de um acordo justo, que contemple ambas as partes. Outro ponto de extrema relevância é que devemos separar as pessoas do problema; em um processo de negociação, não faz sentido levar as ações de ambas as partes para o lado pessoal, sendo de responsabilidade da organização selecionar pessoas que tenham interesses neutros em alguns processos para que seja uma negociação justa e legítima. 12 Faz-se necessária a reflexão: Você negociaria em um terreno duvidoso? Surge, então, a necessidade de preparar-se bem e evitar ter dúvidas ao negociar, criando um ambiente propício que transmita segurança e confiabilidade no processo, tendo firmeza em suas palavras para que se possa levar um interesse sólido para a mesa de negociação. 1.1 Informação, tempo e poder Para Cohen (2004), existe uma receita perfeita para que se obtenha sucesso na negociação e, para tanto, o mesmo se baseia na fórmula: sucesso = tempo x informação x poder. Embora não se trate de uma equação matemática, ele compreende que se algum ponto dela for igual a zero, a probabilidade de sucesso também será zero. A palavra poder, tem conotação de autoridade. No dicionário traz como definição: capacidade; permissão; controle; dominação; e força. Ou seja, palavras que mostram a importância do termo, inclusive em meio a uma negociação. Muitos teóricos discorrem sobre o termo, sendo para Foucault uma rede de relações que possui movimentos e receptores envolvidos e Bordieau traz o poder simbólico, que consiste em poder de construção, seja de valores, hierarquias, dentre outros. No contexto da negociação, o poder confere ao negociador a autoconfiança necessária para defender interesses e alcançar acordos satisfatórios, em que quanto mais autonomia para recompensar e punir, maior será o poder que um exercera sobre o outro, considerando que uma maior autonomia gera maior flexibilidade e maiores concessões em uma negociação, gerando plenitude nas negociações ou o contraponto de estratégias menos flexíveis. 13 Figura 3 – Desenho de mulher em posição de heroína Fonte: nazarkru/iStock.com. Ainda para o autor, destaca-se sete de onze poderes descritos em sua obra, sendo eles: poder coercitivo; poder de conexão; poder de recompensa: poder de referência; poder de informação; poder de especialista; e poder legítimo. • Poder coercitivo: tem como base o medo e o uso da força, com a aplicação de sanções e condições incomodas, induzindo a outra parte a ceder. • Poder de conexão: tem como base as ligações entre as partes, considerando partes importantes dentro de uma organização ou sistema. • Poder de recompensa: baseado em ganhar ou perder, envolvendo ambas as partes. • Poder de referência: é tomado como base os traços de uma das partes, geralmente uma personalidade forte e marcante. 14 • Poder de informação: tal poder tem como base uma informação relevante que é percebida como valiosa para a outra parte e poder ser usada na negociação. • Poder de especialista: é quando uma das partes possui especialidade, habilidade ou conhecimento que pode influenciar na decisão da outra parte. • Poder legítimo: é a autoridade que gera tal poder, quando demonstrada no sistema o qual pertence um indivíduo, grupo ou organização e quanto mais alto a posição, maior é o poder legítimo. O negociador deve conhecer os poderes do outro, para que possa identificar ferramentas a serem utilizadas nos processos de negociação, com o objetivo de que ele fortaleça sua estratégia negocial com argumentos sólidos. As fontes de informações podem ser uma análise comercial, uma pesquisa de mercado, internet, artigos e periódicos, análises de portfólios, históricos de negociações, mídias sociais e/ou impressas, e até mesmo a comunicação entre as partes. Outro fator que não poderá ficar de lado, é o tempo, que é um recurso fundamental do processo. É relevante perceber como os negociadores utilizam seu tempo e qual é a dedicação nas etapas dos processos, compreendendo de que maneira eles os conduzem. É preciso compreender que o tempo está associado ao passado, presente e futuro, que são as maneiras como se identificam as fases da negociação, sendo elas: planejamento; execução; e controle. 15 1.2 O objeto da negociação Quando falamos em negociação, o ponto crucial é o seu objeto que deve ser definido com foco e impessoalidade. Considera-se que este é o elemento mais importante do processo de negociação e que, portanto, é o norteador de todo o trajeto a ser percorrido. Como consequência de sua importância, o objeto da negociação tornou-se o ponto mais estudado por teóricos da área. O objeto não é definido de modo aleatório, e sim derivado de uma decisão estratégica, que deve ser construída com base em interesses e mitigando os resultados que ele trará, sabendo se seus impactos serão positivos ou negativos. Diante de tal relevância, é fundamental compreendê-lo profundamente. Se existem dois pontos que quando se misturam podem atrapalhar o sucesso das negociações são o objeto e o capital humano. O primeiro deve ser mantido sempre no centro da negociação por uma questão clara: ele é o ponto pelo qual o processo ocorre, e a finalidade para que exista tal ação, exigindo constante atenção para que nada faça com que se desvie dele. 1.3 Fases e estágios da negociação 1.3.1 Planejamento e preparação Bons negociadores nunca saem de casa despreparados, pois geralmente, no cotidiano, é comum que antes de se tomar uma decisão importante, haja um preparo que ofereça base a negociação, se possível pautados em poder, informação e tempo. Não se deve iniciar uma negociação em situação de insegurança e despreparo, sendo regra básica se preparar com seriedade e conhecer 16 o terreno alheio como a palma da mão. Tal preparo impulsionará a atuação do negociador e ampliará as chances de obtenção de sucesso ao êxito. Planejamento e preparo são geradores de poder e, conhecendo detalhes relevantes, as expectativas que geram ansiedade e insegurança, saem de cena e dão lugar a um processo com bases seguras para que ambos os lados sejam beneficiados. Figura 4 – Mesa de reunião Fonte: rawpixelltd/iStock.com. Segundo Ferraz (2015), em seu livro Negocie qualquer coisa com qualquer pessoa, a preparação ocorre em cinco fases, sendo elas: Autoanálise; Análise de seu oponente; Definição demetas; Estratégias de concessão e Gestão de conflitos/como lidar com gente difícil. Não é novidade que o autoconhecimento é peça chave para toda a qualquer ação que se tome. Dito isso, com a negociação não poderia ser diferente. Saber como você agirá diante das situações, lhe dará poder e segurança para conduzir os processos, sendo seguido por analisar seu oponente, em que o autor fala que o jogador deve se colocar no lugar 17 de seu oponente, o que facilita compreender quais serão os próximos passos do outro, antecedendo a definição de metas a serem alcançadas, compreendendo, em seguida, as estratégias de concessão que está disposto a fazer caso necessário, sabendo de suas consequências. Por fim, a gestão de conflitos, que consiste em saber lidar com o outro, tendo jogo de cintura para contornar contratempos para que a negociação seja satisfatória. Estágios da fase de execução Figura 5 – Escada com processo de fases Fonte: vertigo3d/iStock.com. (ID: 1286232663) Compreender os estágios da fase de execução fica mais claro se você pensar que está em busca de um endereço sem sabê-lo, tendo como informação apenas a região em que ele se localiza, você provavelmente terá dificuldades de chegar ao destino. O mesmo ocorre nos processos negociais, em que se faz necessário a construção de um framework a ser seguido. Para isso, observe os seguintes passos: 1. Preliminares: durante as preliminares, expresse valores, criando um ambiente positivo, sendo de extrema relevância adquirir conhecimentos sobre a outra parte. 18 2. Abertura: tenha foco no objeto e clareza nos interesses, definindo o escopo, os termos, a natureza e parâmetros do processo. 3. Exploração: durante a exploração, identifique interesses, busque compreender alternativas que sejam relevantes para ambas as partes, mantendo a estrutura do acordo e seguindo as ações necessárias. 4. Encerramento: mantenha e estrutura desenhada anteriormente na formalização do acordo para garantir que tudo seja cumprido. Durante todo o processo de negociação, deve-se manter controle constante, para que seja possível construir alicerces sólidos que transmitam credibilidade. 1.5 Abordagens básicas na negociação Quando é realizada a pesquisa no tema negociação, inúmeros teóricos trazem duas abordagens possíveis em tal assunto: as distributivas e as integrativas. As abordagens distributivas são para que valores sejam reivindicados, o ganha-perde, tendo as informações como recurso de troca, não agindo com clareza em todos os momentos, considerando que uma das partes pode esconder ou dissimular as preferências, manipulando acordos e contratos, gerando, em muitas situações, um ambiente desarmônico. Dessa forma, dificulta a negociação, devido a disputas de poder e estratégias que podem gerar questionamentos e insatisfação de uma das partes, além de encerrar a relação diante do arrependimento de uma das partes em ter cedido. Por outro lado, as abordagens integrativas visam a criação de valor e baseiam-se em comportamentos abertos, que são pautados em compartilhamento de informações de forma mútua, o chamado ganha-ganha, que trazem as percepções que possuem sobre valores, 19 preferências, dentre outros interesses, para que o processo possa fluir de maneira harmoniosa. Ambas são retratos das ações humanas, uma vez que devemos compreender a necessidade da inteligência emocional dentro de tais processos, tendo o olhar voltado para os fins que devem ser atingidos. Foram abordados conceitos, definições e pontos cruciais para que se dê um primeiro passo em relação aos processos de negociação, trazendo conteúdo para que se construa uma negociação com bases sólidas, compreendendo de que maneira tais conceitos podem influenciar diretamente no sucesso e nos resultados a serem alcançados, enfatizado as relações entre interdependência, legitimidade, informação, tempo e poder, que são cruciais na gama de saberes relevantes ao tema. Referências COHEN, Herb. Você pode negociar qualquer coisa. 15 ed. Rio de Janeiro: Record, 2004. DICIO. Dicionário Online de Português. [s.d.]. Disponível em: https://www.dicio.com. br/negociar/. Acesso em: 2 maio 2022. FERRAZ, Eduardo. Negocie qualquer coisa com qualquer pessoa. São Paulo: Gente, 2015. FISHER, Roger; URY, William; PATTON, Bruce. Como chegar ao SIM. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994. LEWICKI, Roy L.; SAUNDERS, David M.; MINTON, Jonh W. Fundamentos da negociação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. MARTINELLI, Dante P.; ALMEIDA, Ana P. Negociação e solução de conflitos: do impasse ao ganha-ganha através do melhor estilo. São Paulo: Atlas, 1998. 20 Processos negociais: o trajeto da negociação Autoria: Sofia Lara Todão Szenczi Leitura crítica: Larissa Maria Palacio dos Santos Objetivos • Adquirir habilidades para construir um processo de negociação. • Conhecer estratégias e táticas, compreendendo suas aplicações. • Desenvolver habilidades emocionais para o processo de negociação. • Compreender técnicas que possam contribuir para a construção dos processos. 21 1. O caminho da negociação Essa leitura busca elucidar os conceitos de estratégias e táticas, para que sejam aplicadas ou identificadas dentro dos processos negociais, trazendo informações acerca do desenvolvimento das habilidades emocionais para tais momentos, cooperando para a construção de estratégicas relevantes para que a negociação ocorra de maneira produtiva. Em uma negociação, não se pode esperar o que acontecerá passo a passo, sem que se tenha organização e conhecimento das etapas a serem seguidas para que se alcance sucesso e se desenvolva de maneira fluida. Por isso, é de extrema importância conhecer a etapa em que se está em quaisquer processos em que se esteja atuando. Figura 1 – Pessoas reunidas em momento de decisão Fonte: PeopleImages/iStock.com. Se analisarmos a negociação, sob a luz dos processos, teremos quatro momentos cruciais, sendo eles: a. Pré-negociação: é um período de suma importância, no qual o foco é conhecer as forças, fraquezas, ameaças e oportunidades (SWOT). É necessário obter clareza de dados, conhecendo os https://www.istockphoto.com/br/portfolio/PeopleImages?mediatype=photography 22 perfis da empresa e do negociador, sabendo avaliar a ZOPA (zona de possível acordo) que veremos a explicação mais à frente. Considera-se, ainda, que a abertura deve ser cordial e positiva, gerando sempre boas impressões, pois é neste momento que se definem as regras do jogo. b. Negociação: consiste no momento da execução, em que o negociador deve se encontrar preparado, com o processo estruturado, para que se construa uma abertura cordial e positiva, gerando uma boa impressão para que o processo possa fluir. É nesse ponto que as relações interpessoais ocorrem, devido ao encontro dos negociadores, e é preciso observar atentamente as ações do outro, dando ênfase na escuta ativa. Se necessário, a estratégia deve ser revista, por exemplo, se ocorrerem diversos encontros. Ademais, é imprescindível registrar o encerramento da negociação. c. Fechamento: esse é o ponto decisivo na negociação, em que o resultado pode ser positivo ou não, em que ocorre a descoberta, a consideração e a decisão. Trata-se de uma fase que não pode ser vista de modo isolado, mas que deve ser pensada desde o início da negociação. d. Pós-negociação: é preciso oferecer um acompanhamento verificando o que foi acordado, tendo foco no que foi estabelecido na pré-negociação, pois, faz-se relevante acompanhar, tendo controle dos aspectos da negociação, construindo credibilidade com a outra parte, mas, também, com o mercado. Compreender o momento da negociação e o que ele consiste é uma ferramenta de muita importância para que se adquira poder em tal processo, pois tais conceitos subsidiam o negociador a compreender onde se está e para onde deseja ir, posicionamento estratégico: conduzindo uma negociação. Para falar de negociação é preciso compreender o conceitoda barganha posicional, que consiste em um método tradicional de negociação, 23 com base em disputas de poder ou vontades, o chamado ganha- perde, que não mantém o compromisso de desenvolver ou manter os relacionamentos interpessoais, mas que visa apenas as posições e não os interesses de manutenção das relações em longo prazo. Em um processo de negociação, ambas as partes devem ter seus interesses contemplados, e na negociação onde ocorre a barganha posicional, as posições são extremistas, buscando muitas vezes ludibriar a outra parte quanto a verdade e a questão é que quanto mais extremada for a negociação, maior será o gasto com tempo e energia para que um acordo seja alcançado, gerando um ambiente pesado e em muitas situações a desistência. 1.1 Técnicas de negociação Você já ouviu falar em método de negociação de Harvard? Este tipo de técnica é conhecido por ter sua base em princípios, também chamada de “negociação dos méritos”, sendo criada em meados de 1979, quando o tema foi abordado pela Universidade de Harvard (EUA). A instituição estabeleceu o “Método de Negociação de Harvard”, também chamado de HNP (Harvard Negotiation Project), e o trabalho envolveu docentes e estudantes, que juntaram teoria e prática desenvolvendo ideias relevantes ao tema. O principal objetivo da técnica é evitar os problemas da barganha posicional, sendo indicada uma abordagem colaborativa, em que os negociadores sejam parceiros e não opositores, buscando o melhor cenário para ambos os lados ainda que muitas vezes acabem não conseguindo satisfazê-los. Os quatro princípios a serem abordados são: 24 1. Não misture pessoas e problemas: é necessário se colocar no lugar do outro, compreendendo as percepções de cada um, jamais deduzindo as intenções do outro, criando um clima colaborativo entre as partes. O controle emocional de não levar a negociação para o lado pessoal é sinônimo certo de sucesso. 2. O foco deve estar nos interesses e não nas posições: negociar é atender os interesses de ambas as partes, embora tenham posições distintas, é necessário que se encontrem interesses em comum, sendo flexíveis na busca de soluções e adaptações necessárias quando houver. No caso de uma proposta recusada, explique seus interesses antes de entrar na defensiva, e pergunte qual seria a melhor solução para atender os interesses de ambos. 3. Crie opções de ganhos mútuos: é importante buscar uma infinidade de possibilidades, antes de bater o martelo em um único caminho. Uma sugestão é o uso do brainstorming (técnicas que estimula a criação de soluções criativas), para que sejam criadas soluções amplamente vantajosas. Para que isso seja possível, não poderá haver medo de perguntar para obter informações, e sim ter o questionamento enquanto construção de processos com ganhos mútuos, sendo as partes empáticas para que se alcancem os melhores resultados. 4. Tenha critérios objetivos: é extremamente importante que, até mesmo antes de sentar-se à mesa, todos tenham conhecimento das regras do jogo. Com critérios objetivos, com base em padrões justos, considerando o mercado, precedentes, histórico, opiniões técnicas, valores, legitimidade, dentre outros, a negociação ocorre de maneira clara e flui de melhor maneira. Lembre-se de buscar compreender ao invés de ceder a situações de pressão. Diante de tais pontos, é possível compreender que existem pontos que devem ser seguidos para que a negociação não se torne um processo tradicional. 25 Embora existam diversas técnicas e modelos, a grande verdade é que, em um processo de negociação, sempre existirá a possibilidade de não acordo, e quando isto ocorre, é utilizado o conceito de MACNA (BATNA, em inglês) que é A Melhor Alternativa em Caso de Não Acordo, que consiste em identificar e desenvolver a melhor alternativa para satisfazer os interesses, em caso de fracasso. Quanto melhor desenvolvida for a MACNA, melhor será a posição na negociação e claro, quanto pior ela for, maior será o esforço para que o atual acordo seja fechado, considerando o desperdício de tempo e o aumento das concessões. Percebeu o quanto faz sentido conhecer tal conceito e saber aplicá-lo? Outro fator de extrema relevância a ser compreendido é que não importa de que maneira ocorra a negociação, ela nunca poderá estar fora da ZOPA (Zona de Possível Acordo), pois, para que se alcance o sucesso, é necessário que ambos compreendam as reais necessidades, valores imutáveis e interesses. Ela é considerada a área em que todas as partes envolvidas encontrem um terreno comum, falando a mesma língua, pois é nesse ambiente que ocorre o comprometimento das partes para que os acordos sejam efetivados em prol de ambas as partes. Até aqui, discutiu-se conceitos relevantes, porém, a “ancoragem” merece um palco especial, uma vez que em uma negociação, ela é o ponto mais intrigante, devido à percepção que existe de que a primeira proposta, independentemente de eventuais erros é tida como âncora para o processo negocial, estabelecendo os primeiros parâmetros, ou seja, uma espécie de ponto de partida. O ponto negativo em tal conceito está ligado à tendência humana da reação, que faz com que a contraproposta seja colocada, muitas vezes, de maneira equivocada e apressada, sem que se analise 26 adequadamente e, com isso, percebe-se a necessidade de desancorar e entrar em um processo de revisão caso seja necessário. Em um olhar amplo, o uso de táticas pode ser tido como ponto benéfico nas negociações, porém, se for realizada uma análise profunda em relação a tal ponto, ficará claro que com o tempo a utilização de técnicas acabam por ocasionar a manipulação dos processos, ludibriando as percepções das demais partes. Com isso, seu uso deve ser ponderado anteriormente para que o negociador não perca a credibilidade. Em um processo de negociação faz sentido que se busque compreender a outra parte, ouvindo com atenção, mantendo o silêncio quando o outro realiza uma explanação e concordando sempre que possível, mesmo sem fazer concessões. Tudo isto porque não é uma tarefa fácil para nosso o cérebro atacar alguém que está concordando com o que está sendo dito, ainda mais se for iniciado um processo de rapport. Esse processo consiste em uma técnica que coopera para a criação de conexões profundas com a outra parte, gerando relações duradouras. 1.2 Estratégias de negociação Figura 2 – Pessoa observando Fonte: Maartje van Caspel/iStock.com. https://www.istockphoto.com/br/portfolio/mammamaart?mediatype=photography 27 Você pode se questionar: Por qual motivo estudar estratégias e técnicas, uma vez que devemos negociar por interesses mútuos? E a resposta é simples: quando temos estratégias, estamos atentos, sabemos o caminho que percorreremos, já que elas priorizam alcançar resultados, conservar as relações interpessoais ou até mesmo, buscando o meio termo em uma situação delicada de negociação. O uso do poder é uma estratégia visando o ganhar ou perder, tudo ou nada, com base em submissão e dominação, não sendo a mais adequada a ser utilizada, mas é importante ter conhecimento da existência para que se possa detectar quando utilizada e proteger os interesses para que não se caia em uma negociação com base em barganha posicional. A estratégia de fuga-desconhecimento consiste em perde-ganha, em que uma das partes possui um foco menor tanto em resultados quanto em relações, o que faz com que a parte fuja de conflitos, evitando a negociação. O amaciamento se pauta no perder-perder, não gerando engajamento, em que as partes têm como prioridade o relacionamento, deixando de lado alguns ou todos seus objetivos em relação a negociação, levando em consideração e colocando como primordial o relacionamento. A barganha é uma estratégia que acaba sendo muito presente nos processos negociais, consistindo em cada parte desistindo de alguns objetivos, formalizando compromissos, buscando uma solução que atinja um meio termo, que podeaté atender ambas as partes. E o sonho de todo negociador é a estratégia do givers-gain (ganha- ganha), que consiste em um método racional e benéfico para as partes, construindo relações duradouras, o fortalecimento da credibilidade e até o nome no mercado, sendo claramente a mais indicada. 28 É de extrema importância salientar que todas as estratégias devem ser utilizadas de acordo com os interesses, para que se possa ir ao encontro da missão das organizações, as políticas que culminam na cultura organizacional, considerando a legitimidade, a informação, o tempo e o poder, elementos imprescindíveis para que uma negociação se inicie e tenha pleno sucesso. 1.3 Estratégia emocional Embora as negociações respeitem a máxima de que não se trata de pessoas, devemos compreender que os processos são conduzidos por pessoas, que trazem consigo suas verdades, seus valores e crenças, considerando tal ponto se pode compreender que um ponto relevante e pouco discutido na área é a inteligência emocional que deve ser trabalhada durante o preparo do negociador. Figura 3 – Homem expressando diversas emoções Fonte: FeodoraChiosea/iStock.com. Para Daniel Goleman (1995), é preciso compreender o que está por trás de um sentimento (por exemplo, a mágoa que dispara a raiva) e como aprender a lidar com as ansiedades, com a ira, com a frustração e com a tristeza. Diante de tal afirmação, os conteúdos principais para a educação emocional, divididos em quatro aspectos são: 29 1. Autoconsciência: que significa compreensão do sujeito das próprias emoções, possibilidades, limites, valores e motivações. 2. Autogestão: capacidade de gerenciamento das próprias emoções, em forma de contínuo diálogo interno, para clareza mental. 3. Consciência social: capacidade de perceber o que se passa com o outro. 4. Administração de relacionamentos: saber lidar com as emoções alheias, a partir da consciência de suas próprias emoções. A educação emocional é útil para diminuir e controlar as emoções negativas que podem obstruir processos, inclusive os de negociação. Um indivíduo que aprende a controlar suas próprias emoções e desenvolver relacionamentos interpessoais satisfatórios, tem facilidade em realizar um bom networking; nos processos negociais, tem maior facilidade para controlar seus impulsos e ter foco nos interesses a seres contemplados. Alguns teóricos, como Ury, Fisher e Patton (1994), trazem em seus pressupostos que não devemos rejeitar ou aceitar uma posição logo no primeiro momento, sempre considerando-a algo possível, posteriormente procurando os interesses inerentes a mesma. Assim: [...] quando um outro lado expuser sua condição, não a rejeite e nem a aceite. Trate-a como uma opção possível, procure os interesses por trás dela. Busque princípios que ela reflete e pense em meios de aproximá-la. (URY; FISHER; PATTON, 1994, [s.p.]) Diante da afirmação acima, se faz possível compreender a diferença das habilidades para negociar entre uma pessoa que desenvolveu sua inteligência emocional e outra que não busca desenvolver tais soft skills, considerando que nem sempre é fácil fazer concessões ou até mesmo manter uma postura emocional saudável em um processo de difícil resolução. Uma vez que se lida com a negociação desassociando a questão emocional, surge um contexto com base em informações 30 que oferecem clareza ao negociador para que ele possa compreender e atuar em tal processo. Nessa leitura, foi possível compreender os processos que definem os momentos da negociação, buscando analisar o uso de estratégias e técnicas e o que cada uma delas implica em tais processos, detalhando as técnicas de negociação de Harvard, amplamente utilizada com base em princípios. Considerando e elucidando a importância da inteligência emocional para que se inicie e desenvolva um processo negocial, enfatizando a importância da utilização da MACNA (BATNA, em inglês), no caso de fracassos, e a importância para ambas as partes de se manter na ZOPA (Zona de Possível Acordo), a junção de tais conteúdos visa uma base sólida para a construção de habilidades e competências para a realização de processos negociais. Referências FISHER, Roger; URY, William; PATTON, Bruce. Como chegar ao SIM. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1994. GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: A teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro, Objetiva, 1995. LEWICKI, Roy L.; SAUNDERS, David M.; MINTON, Jonh W. Fundamentos da negociação. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. VOSS, CHRIS. Negocie como sua vida dependesse disso. Rio de Janeiro: Sextante, 2019. 31 O perfil negociador: estilos de negociação e processos comunicacionais Autoria: Sofia Lara Todão Szenczi Leitura crítica: CLarissa Maria Palacio dos Santos Objetivos • Identificar os estilos de negociação e comportamento dos negociadores. • Compreender a teoria dos jogos e sua aplicação nas negociações. • Conhecer os processos comunicacionais efetivos e empregá-los nas negociações. • Desenvolver habilidades para construir um roteiro de negociação. • Construir uma negociação ética. 32 1. Com quem estamos negociando Houve um tempo em que o mercado de trabalho buscava colaboradores que possuíam características específicas, e apenas um saber era o suficiente para que se mantivessem em uma empresa, em muitos casos, por décadas. Entretanto, os tempos mudaram e, atualmente, são necessárias soft skills (também conhecidas como habilidades sociais, emocionais e comportamentais) que vão além dos saber técnico, buscando a práxis constante. Esta leitura trará conteúdos que irão cooperar para que se possa compreender como as pessoas negociam de acordo com seus perfis, buscando desenvolver habilidades e competências atreladas à comunicação efetiva para uma negociação de sucesso, pautada na ética e isenta de incertezas. Não somente no âmbito das negociações, mas também no cotidiano, é necessário compreender que existem diferentes estilos de pessoas, o que pode impactar diretamente nos estilos de negociação. De acordo com a teoria de sócio estilos, existem quatro perfis: analítico; assertivo; integrador; e participativo. No quadro a seguir, podemos compreender as características de cada um deles. Quadro 1 – Perfis de sócio estilos Perfil Características Analítico Os indivíduos deste perfil são ligados a processos, normas, detalhistas, desenvolvem um raciocínio lógico, sendo disciplinados e prudentes em suas decisões. Assertivo Tais indivíduos gostam de resultados, dominam as situações, têm decisões assertivas, mantendo o foco e a determinação, o que faz com que sejam impacientes em algumas questões. 33 Integrador Os integradores gostam de unir as pessoas, sen- do compreensivos, visando sempre uma boa con- vivência, buscando manter as tradições e sendo ligados a pessoas. Participativo Este perfil preza pelo otimismo, mantendo um bom clima, tendo a confiança enquanto peça chave, sempre motivado e motivando ao outros, mantém a positividade e sua influência. Fonte: elaborado pela autora. Segundo Chiavenato (2000, p.128), “o homem se caracteriza por um padrão dual de comportamento, tanto pode cooperar como pode competir com os outros”, e as ações dependeram do ambiente em que ele estiver inserido, pois quem entra em uma negociação com base em posições e não interesses, encara a situação como um campo de batalha e não em um âmbito de alinhamento de necessidades a serem sanadas. Para que se desenvolva habilidades e competências para negociar, é imprescindível que haja um entendimento dos perfis citados acima, o que se torna possível a partir do desenvolvimento da inteligência interpessoal, que consiste no modo que um indivíduo interage com outro. Nas organizações possuir tal inteligência coopera para a construção de ambientes harmoniosos, em que se pratica a escuta ativa e constrói-se equipes formadas por protagonistas em suas funções, considerando essa uma habilidade extremamenterelevante para líderes e negociadores. Gardner (1994) traz conceitos que descrevem quais as habilidades latentes quando se busca o desenvolvimento da inteligência interpessoal, possuindo o indivíduo facilidade em sua comunicação, sendo interessado pelas pessoas e causas sociais, atuando como mediador de conflitos e construindo relações duradouras com facilidade e entrega de valor. Considerando tais dados, compreende-se 34 a importância do investimento em treinamentos na área por parte das empresas, uma vez que comportamentos influenciam diretamente em resultados. O fato é que a negociação é um processo orgânico que todos passaram em algum momento, pois todo e qualquer ser humano um dia esteve ou estará diante de uma situação que envolva um tipo de negociação. Lembre-se que cada processo de negociação é único, uma vez que é realizada entre seres humanos com perfis comportamentais diferenciados. Para Martinelli e Almeida (1998), utilizar os estilos de negociação é necessário para que se possa responder a questões fundamentais, que tragam questionamentos sobre comportamentos na negociação, e quais seriam os mais adequados ou mais efetivos, o que pode cooperar para a construção da negociação e durante sua execução. Quando o estilo da outra parte é reconhecido, é possível prever as ações que serão tomadas, tendo os negociadores um estilo primário que é o que acaba definindo sua maneira de negociar seguido de um ou dois estilos secundários, que trará a complementação para saber o que deve ser considerado em tal processo de negociação. Embora existam diferentes estilos de negociação, todos eles amparados por teorias, não se pode concluir que um estilo de negociação é certo ou errado. Na maioria das vezes os estilos são inspirados nas teorias motivacionais de Maslow e MacGregor com bases em necessidades, sendo possível que cada pessoa possua determinada característica marcante em seu estilo de negociar. Outro ponto que não pode ser deixado de lado é que cada um deve conhecer seu próprio estilo de negociar, para que possa potencializar suas qualidades e conhecer também seus pontos fracos que devem ser melhorados constantemente. 35 Figura 1 – Estilos de negociação Fonte: Patcharin Saenlakon/iStock.com. 1.1 Negociando com a Teoria dos Jogos A Teoria dos Jogos consiste em uma teoria matemática que visa compreender como os envolvidos em uma situação buscam os melhores resultados, sendo tais conceitos de extrema relevância nos processos negociais. Embora a teoria tenha sido desenvolvida por Morgenstern e Von Neumann, quem trabalhou sobre ela foi John Nash, conceituando-a como um estudo que analisava as tomadas de decisões de um determinado indivíduo quando os resultados alcançados dependem do que outros indivíduos possam decidir. Sabemos que negociar envolve pessoas e, consequentemente emoções, culminando na construção de relações muitas vezes duradouras. John Nash introduziu, assim, um elemento cooperativo na Teoria dos Jogos em que quando os envolvidos cooperam um com o outro, ambos saem ganhando, pressuposto que ficou conhecido como equilíbrio de Nash. 36 Figura 2 – Teoria dos Jogos Fonte: JantaneeRungpranomkorn/iStock.com. Nas negociações, utilizar a Teoria dos Jogos consiste em uma alternativa para que se haja a construção de relação durante a negociação e que ela possa ser o início de muitos negócios entre os envolvidos. 2. Processos comunicacionais na negociação 2.1 A linguagem corporal no processo negocial Sabe-se que a comunicação vai além da linguagem oral, sendo a linguagem corporal uma forma de comunicação de extrema importância nos processos comunicacionais, abrangendo gestos, postura corporal, expressões faciais, gesticulação, o olhar e a aproximação entre locutor e interlocutor, sendo tal linguagem a primeira forma de comunicação humana. Durante o processo da negociação, é preciso ter atenção em relação à linguagem corporal, uma vez que a insegurança ou posturas agressivas 37 possam ser percebidas pelo outro, causando um distanciamento entre as partes ou até mesmo, dúvidas ou incertezas. Por outro lado, a expressão corporal pode e deve ser utilizada em favor do interlocutor, cooperando para que se possa reforçar a mensagem que está sendo transmitida por meio da linguagem oral. Desse modo, é importante adotar uma postura corporal condizente com a mensagem que está sendo transmitida durante a negociação, considerando pontos essenciais como os códigos de determinados grupos, a cultura das partes negociantes e o cuidado para que se passe as reais intenções e sentimentos. Além disso, é também importante que o negociador saiba ler e compreender a linguagem corporal de seu interlocutor, identificando suas reais intenções e sentimentos, para que assim tenha condições de direcionar o processo negocial e readequar a rota caso seja necessário. 2.2 Comunicação assertiva: negociando com clareza Figura 3 – Reunião on-line Fonte: martin-dm/iStock.com. 38 No dicionário, a palavra assertividade, consiste na “capacidade de ser claro e afirmativo em relação àquilo que se pensa, quer, sente ou faz” (FERREIRA, 2010). Porém, deve-se prestar atenção na confusão frequente que as pessoas fazem entre ser assertivo e ser agressivo, em que muitos se autointitulam diretos sendo, na verdade, grosseiros em suas falas. Quando a assertiva é confundida, muitas vezes acontece o que se chama falha na comunicação, um caminho para negociações improdutivas que podem não alcançar os objetivos propostos, sendo a solução para este fato, um bom preparo e atenção com a comunicação, bem como a maneira como se comunica a mensagem. Você deve se perguntar: Qual seria o perfil de uma pessoa assertiva? Pois bem, uma pessoa assertiva se comunica de maneira calma e natural, mantendo uma posição clara e transparente, fundando suas decisões em análises imparciais, enfrentando o problema e não a pessoa de seu interlocutor, sendo firme com seus valores, porém, flexível quando necessário e sempre justo. Sabe-se que a comunicação subjetiva consiste em expor intenções, sentimentos e valores, sendo a comunicação objetiva a exposição de fatos e dados. Na negociação, uma comunicação é eficaz quando cativa o interlocutor e estabelece credibilidade, o que ocorre por meio da comunicação subjetiva e quando existe a capacidade de informar e argumentar, a partir da comunicação objetiva, uma vez que sejam feitas de modo assertivo. A palavra comunicação deriva do latim communicare, que significa partilhar e/ou tornar comum, máxima que traz a importância de que ambos construam um diálogo que os coloque “na mesma página do livro”, de modo que nenhuma comunicação pode ser feita sem que haja uma conexão mínima entre o emissor e o receptor. 39 Uma técnica muito importante para criar a mencionada conexão é o rapport, que consiste em produzir uma sensação de sincronização entre as pessoas, quando uma mostra interesse na opinião e nos pensamentos da outra, fato que vem para somar em um processo de negociação, uma vez que gera sintonia e empatia entre as partes. O rapport pode ser considerado um espelho, em que o interlocutor se identifica com a outra parte, reconhecendo nela seus próprios comportamentos, gerando maior receptividade e tranquilidade na relação. Tal técnica pode ser aplicada de modo verbal, paraverbal ou não verbal. O modo verbal consiste na utilização de uma linguagem similar à de seu interlocutor; o paraverbal se dá pela mimetização do modo de falar (altura e tom de voz); e o modo não verbal, que está ligado à replicação da postura corporal, sendo todas as definições compreendidas uma vez que o rapport é gerador de pertencimento. Outro ponto de extrema relevância e imprescindível na comunicação é a escuta ativa, que é uma maneira de ouvir e responder ao outro, buscando sempre melhorar a compreensão para que se construa uma confiança mútua, sendo considerada uma habilidade de extrema importância para osucesso da negociação. Para um bom negociador não é suficiente apenas falar e ouvir, é preciso comunicar com assertividade, praticar a escuta ativa e gerar rapport na comunicação para que se obtenha sucesso nas negociações. 2.3 Storytelling nas negociações Pouco se fala de storytelling quando o assunto é construir um roteiro de negociação, portanto, não apenas para roteiros, mas, para toda e qualquer apresentação de ideia ou até mesmo a construção de um pitch, deve existir um framework que garanta que se tenha começo, meio e 40 fim. No âmbito das negociações, compreender como o storytelling pode contribuir para a construção de um roteiro de sucesso, pode ser um grande diferencial frente ao avanço de tais processos. Entende-se por storytelling a arte de contar histórias com propósito, engajando os receptores e os conectando com o assunto que está sendo tratado. Para que um roteiro de negociação seja um roteiro de sucesso, deve possuir os seguintes pontos: 1. Promessa: a promessa consiste em trazer a atenção para o assunto ou situação presente e na negociação, podemos entender como estágio preliminar que cria um âmbito positivo, firmando valores a serem seguidos. 2. Viradas: as viradas definem o caminho que deve ser seguido, onde se define a natureza da negociação, os parâmetros e escopo do negócio. 3. Clímax: podemos considerar o momento em que tudo acontece, e nas negociações é onde de fato ela ocorre, sendo possível ajustar a rota se preciso for. 4. Desfecho: este ponto pode ser o que fará tudo valer a pena, ou até mesmo o ponto em que a negociação se encerra, sendo o momento em que os passos seguintes ficam claros e os termos são fechados. É a assinatura do contrato. Compreendendo tal caminho, pode-se garantir que o negociador chegará preparado para expor o que for necessário para o sucesso da negociação. 41 3. A ética nas negociações Figura 4 – Negociação Fonte: fizkes /iStock.com. Os estudos acerca da ética surgiram inicialmente na antiguidade clássica, contando com Aristóteles como seu percursor em seu livro Ética a Nicômano, tendo também Sócrates sua importância para o surgimento de tal conceito. A ética é uma palavra proveniente do grego ethos que significa, em sua essência, hábito, costume ou caráter, conceitos que para Aristóteles se relacionam com os princípios de areté, que quer dizer virtude eudaimonia, conceito ligado a felicidade. Nas negociações, a adoção de uma postura ética gera confiança entres as partes, considerando que quanto mais uma pessoa utiliza de estratégias e artifícios antiéticos na negociação menos credibilidade ela terá e, consequentemente, as pessoas terão receio de iniciar uma negociação com ela. 42 Diante disso é importante que o negociador esteja atento a pontos relevantes que cooperem para uma negociação ética, sendo eles: o cumprimento das leis, o respeito ao interesse das partes, desenvolver uma negociação justa com base em interesses, evitando exigências descabidas e preservando valores e princípios éticos, independentemente do comportamento da outra parte. Nesta leitura, foram elucidados os processos comunicacionais que podem cooperar com o negociador durante o processo da negociação, trazendo técnicas que cooperam com sua atuação, não colocando um ou outro enquanto protagonista da ação, mas ambos, para que possam negociar com base em interesses mútuos. Referências CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. São Paulo: Makron Books, 2000. FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio da língua portuguesa. FERREIRA, Marina B.; ANJOS, Margarida dos (Coord.). 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010. FIANI, Ronaldo. Teoria dos Jogos: para cursos de administração e economia. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. MARTINELLI, Dante P.; ALMEIDA, Ana P. Negociação e solução de conflitos: do impasse ao ganha-ganha através do melhor estilo. São Paulo: Atlas, 1998. RÍOS, Aníbal S. Negociação e teoria dos jogos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2018. SALEM, Richard. Empathic listening. In: BURGESS, Guy; BURGESS, Heidi (Ed.). Beyond intractability. Boulder: Conflict Information Consortium; University of Colorado: 2003. WEIL, Pierre; TOMPAKOW, Roland. O corpo fala: a linguagem silenciosa da comunicação não-verbal. 56. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. 43 Princípios e técnicas da gestão de conflitos Autoria: Sofia Lara Todão Szenczi Leitura crítica: Larissa Maria Palacio dos Santos Objetivos • Elucidar as definições de conflitos. • Desenvolver habilidades e competências para a resolução de conflitos. • Compreender conceitos acerca do tema que cooperem nos processos negociais. 44 1. Conceitos e definições de conflitos Nesta leitura, será trabalhado um conceito que acompanha o surgimento das civilizações e se faz presente ainda hoje. Seja em um pequeno desentendimento no café da manhã ou uma guerra significativa por territórios, o conflito estará presente. Este material apresenta conceitos e definições que cooperam para o desenvolvimento de habilidades e competências para a gestão de conflitos. Inicialmente, é necessário compreender o termo conflito. No dicionário, as definições de conflito consistem em: falta de entendimento ou oposição violenta entre duas ou mais partes. A expressão vem do latim conflictu, trazendo o significado de choque, embate, reencontro, discussão, desordem, oposição, momento crítico, dentre outras definições que envolvem decisões – fato que corrobora com a máxima de que o conflito é uma constante no desenvolvimento de nossa sociedade. Figura 1 – Conflito Fonte: retrorocket/iStock.com. Embora, atualmente, o conflito seja tido como algo inaceitável, devendo ser evitado, ele se faz presente desde os primórdios das civilizações, 45 considerando que, historicamente, o universo humano é construído por conflitos e conquistas, que resultaram a expansão de muitos povos pelo globo. George Simmel (1983) explica que se trata de uma associação humana em que ocorre o contato que poderá gerar a união entre as partes, um ponto de partida de extrema relevância para que o conflito não seja visto como o fim das relações, uma vez que tal interpretação faz com que seja necessário que as partes se reconheçam. Em âmbito organizacional, o conflito é uma situação perturbadora e muitas vezes, extremamente delicada, deixando de lado o fato de que ele pode ser agente de mudanças e a porta de entrada para inovações. Na gestão de conflitos, é importante que o líder esteja atento a seus colaboradores, em relação às expressões verbais e não verbais, praticando constantemente a escuta ativa e compreendendo os conteúdos dos conflitos. A inteligência interpessoal e emocional são grandes aliadas que facilitam o processo decisório embasado em informações certeiras. Figura 2 – Comunicação Fonte: CurvaBezier/iStock.com. Como citado acima, a escuta ativa deve ser compreendida para que seja utilizada enquanto ferramenta, uma vez que ela consiste em uma 46 técnica da comunicação em que se escuta atentamente o que o outro está dizendo, não apenas com ouvidos, e sim, com os sentidos. Uma vez que os conflitos são inevitáveis nas organizações, o diferencial está na maneira como eles serão administrados. Em outras palavras, é necessário obter controle sobre os conflitos, para tanto, é fundamental manter a calma, tranquilidade e inteligência emocional para que se possa lidar com as adversidades. 2. Como identificar um conflito 2.1 Causas dos conflitos Em relação ao processo de surgimento de conflitos, Robbins (2009) ensina que são cinco os estágios que levam a sua instauração: (1) oposição latente ou incompatibilidade; (2) cognição e personalização; (3) intenções; (4) comportamento; e (5) consequências. A oposição latente ou incompatibilidade, pode ser entendida como a presença de elementos que, apesar de não levarem diretamente ao conflito, criam a oportunidade para o surgimento dele. Tais condições podem ser divididas em três categorias:(a) Dificuldades na comunicação entre as partes, que surgem a partir de ruídos na comunicação, dificuldades semânticas e problemas na compreensão das mensagens; (b) Problemas estruturais, decorrentes de divergências entre os objetivos específicos das diversas áreas da empresa; e (c) Incompatibilidade de variáveis pessoais, tais como personalidade e opiniões. A cognição e personalização é a etapa em que a oposição latente ou incompatibilidade se torna concreta, isto é, quando aqueles elementos de divergência entre as partes se tornam claros e pessoais. Nesta etapa, uma das partes toma consciência da divergência (cognição) e se sente 47 pessoalmente afetada pela situação (personalização), envolvendo-se emocionalmente e experimentando ansiedade, frustração, tensão ou hostilidade. É importante destacar que aqui, usualmente, são definidas as questões do conflito, sendo que tal definição tem impactos diretos nas consequências do conflito. As intenções podem ser entendidas como as decisões de um indivíduo que o levam a agir de uma determinada maneira. No contexto da gestão de conflitos, a compreensão das intenções ganha relevo na medida em que nos ajuda a responder adequadamente a determinado comportamento que nos seja direcionado. A incorreta compreensão das intenções do indivíduo ao praticar uma ação pode levar à instauração de um conflito que, de outro modo, poderia ter sido evitado. O comportamento é a etapa visível do conflito. São as declarações, ações e reações que visam concretizar as intenções das partes envolvidas no conflito. Trata-se aqui de um processo dinâmico, no qual as ações de uma parte promovem a reação da outra parte o que, por sua vez, provoca uma nova ação da primeira parte, e assim sucessivamente. É importante observar que esse ciclo de comportamentos pode levar a um aumento ou a uma diminuição da intensidade do conflito, a depender das intenções das partes. O último estágio do conflito são as consequências produzidas pelo ciclo de ação e reação dos comportamentos. O pensamento cotidiano, usualmente conduz à ideia de que os conflitos são essencialmente negativos. No entanto, o autor aponta que isso nem sempre é verdade. Segundo o autor, os conflitos podem ter o que ele chama de consequências funcionais e consequências disfuncionais. Por consequências funcionais, entendem-se aquelas que promovem o crescimento e evolução do grupo, aumentando a qualidade das decisões, estimulando a criatividade e a inovação. São consequências, em verdade, desejáveis dentro de uma organização, pois promovem 48 a oxigenação de ideias dentro do grupo e a avaliação mais ampla dos pontos que possam envolver uma determinada questão, evitando-se, assim, o marasmo de pensamento que a homogeneidade de ideias promove. Por sua vez, as consequências disfuncionais são aquelas que efetivamente promovem a desintegração do grupo. É a consequência indesejável de um conflito que fugiu ao controle, no qual a oposição latente ou a incompatibilidade se transformam em divergências irreconciliáveis em razão da absoluta incongruência entre as intenções das partes. 2.2 Dimensões e níveis de conflitos A base para a construção de um conflito, geralmente está relacionada a interesses, e o estudioso na área, Dubin (2003), compreende que a estrutura do conflito se divide em três dimensões: 1. Relacionamento versus tarefa: refere-se ao foco que cada um possui durante a disputa. No caso de uma disputa por bens, o foco seria direcionado a bens materiais, e em caso de disputas em relacionamentos, o foco seria em aspectos interpessoais. 2. Emocional versus intelectual: nessa dimensão, o grau de atenção está em componentes afetivos, considerando sentimentos como raiva, ódio, inveja, dentre outros. 3. Cooperar versus vencer: o grau de atenção empregado aqui está relacionado à culpa que compartilham acerca do conflito, considerando que pessoas cooperativas admitem sua parcela de erro e responsabilidade e buscam em conjunto solucionar o problema. 49 Figura 3 – Acordo Fonte: sesame/iStock.com. Os conflitos devem ser compreendidos por níveis, o que coopera para um gerenciamento efetivo e com resultados satisfatórios para ambas as partes, pode-se considerar quatro níveis, sendo eles: (1) intrapessoal; (2) interpessoal; (3) intragrupo; e (4) intergrupo. 1. Intrapessoal: este nível se refere à uma disputa interna, envolvendo apenas um indivíduo, surgindo muitas vezes por ausência de inteligência emocional, estando relacionado a emoções, sentimentos, valores e crenças limitantes. 2. Interpessoal: ocorre entre duas ou mais pessoas, sendo muitas vezes influenciado por personalidades diferentes ou até mesmo perspectivas, expectativas, valores ou culturas advindas de outras organizações em que trabalharam anteriormente. 3. Intragrupo: tal conflito ocorre entre pessoas de um único grupo (equipe), embora todos desejem o mesmo objetivo, acabam discordando da maneira como o mesmo pode ser alcançado. 50 4. Intergrupo: ocorre entre grupos (equipes) distintos dentro das organizações, podendo ocorrer por objetivos diferentes ou até mesmo, falta de entendimento. Reconhecer os níveis de conflito, coopera para a resolução dele, uma vez que o líder deve conhecer sua equipe, fato que em muitas situações otimiza a resolução, sabendo os perfis e de que maneira as situações devem ser abordadas com cada membro. 2.3 Áreas dos conflitos Além de reconhecer os níveis, é de extrema importância compreender as áreas dos conflitos, que se dividem em tradicionais e sociais. Os conflitos de ordem tradicionais são os que possuem pessoas que se reúnem por um mesmo interesse, já os conflitos sociais são as tão faladas negociações, em que é preciso considerar que se trate de uma sociedade evoluída e inovadora. 2.4 Tipos e estilos dos conflitos Em toda e qualquer área, considerando as sensações humanas, inclusive a importância do pertencimento, é correto afirmar que o desconhecido causa medos, muitas vezes desnecessários, que acabam obstruindo os processos, fazendo com que não sejam alcançados os objetivos ou metas definidas. Na gestão de conflitos, ter agilidade de identificar qual tipo e estilo de conflito se trata, pode dar ao mediador um ganho incalculável, inclusive de tempo. São quatro os tipos de conflitos, sendo eles: (1) o latente; (2) o percebido; (3) o sentido; e (4) o manifesto. 51 1. Conflito latente: conflitos não declarados. O grande problema é que por não estarem claros, não são trabalhados pelos gestores. 2. Conflito percebido: são conhecidos pelos envolvidos, mas ainda não foram manifestados abertamente para a busca de soluções, podendo este ser percebido apenas por uma das partes e sendo a fagulha para que um conflito maior ocorra. 3. Conflito sentido: pode ou não ser percebido por terceiros, gerando impactos no time e tensão entre as partes, afetando os envolvidos ao ponto de gerar consequências, para as partes e para a organização. 4. Conflito manifesto: é a etapa que o conflito já está evidente e é percebido com clareza por terceiros, havendo interferências passivas ou ativas na dinâmica e relacionamentos cotidianos. Uma vez que compreendidos os tipos, se deve adquirir habilidades e competência para conhecer os estilos, o que se torna possível tendo conhecimento de suas características e definições. a. Estilo competitivo: o competitivo traz consigo a assertividade impondo seus próprios interesses, sendo utilizado para decisões rápidas, tendo o ganhar como foco, uma vez que não existe solução que seja positiva para ambos os lados. b. Estilo de evitamento: não se trata de uma postura assertiva e nem cooperativa e como o nome já diz, o estilo tem fuga ou negação do conflito. c. Estilo de compromisso: possui assertividade e cooperação, mas precisa que ambos renunciem a algo, considerando que possuem igualdade de poderes. d. Estilo de acomodação: com muita cooperação, funciona quando as partes reconhecem seus erros,mantendo a harmonia e considerando o lado do outro, aqui também as partes podem renunciar a algo. 52 e. Estilo de colaboração: pode ser considerado o mais completo, sendo o mais indicado, utilizando os conceitos da negociação na busca de que todos possam ganhar com a resolução do conflito. 3. Como administrar e resolver conflitos Diante de todos os conteúdos trabalhados, fica a pergunta: E agora, como administrar e resolver os conflitos? Figura 4 – Administrar conflitos Fonte: Eva Almqvist/iStock.com. Embora todo o conteúdo desta Leitura Digital volte-se para tal contexto, devemos compreender alguns conceitos importantes em relação à gestão de conflitos, sendo eles o papel do mediador e a mediação, que podem ser aplicados em conflitos de qualquer porte. O mediador, que em uma organização pode ser um líder, tem como papel ser filtro, cooperando com problemas relevantes e sendo extremamente importância para o bom funcionamento da organização. É importante salientar que ele não tem a função de resolver os conflitos, 53 e sim, estimular os envolvidos a encará-lo de maneira profissional e inteligência emocional, identificando o real motivo do conflito. Sendo a mediação um método alternativo e eficaz da resolução de conflitos que tem a participação de uma terceira parte, o mediador, que exerce sua função com postura neutra e imparcial. Robbins (2005) traz em sua obra técnicas de administração de problemas que podem ser vistas como cruciais, sendo como uma bússola para a resolução de conflitos, destacadas no quadro a seguir: Quadro 1 – Técnicas de resolução de conflitos Técnicas de resolução de conflitos Resolução de problemas. As partes envolvidas no conflito se encontram com foco em identificar o problema e resolvê-lo em diálogo aberto. Metas superordenadas. Consiste em criar uma meta compartilhada que não pode ser atingida sem a cooperação de ambas as partes. Expansão de recursos. Se o conflito é causado pela escassez de um recurso, a expansão dele pode criar uma solução para que ambos sejam contemplados. Não enfrentamento. Fazer como se o conflito não existisse, fugindo dele. Suavização. Destacar os interesses comuns para que se possa mini-mizar as diferenças entre as partes. Concessão. As partes renunciam a algo para que se cheguem a um acordo. Comando autoritário. A liderança impõe autoridade formal para a resolução de conflitos, muitas vezes sem considerar as partes envolvi- das. Alternativas de variáveis humanas. Utiliza técnicas de mudança comportamental, como cur- sos, treinamentos, para que as atitudes sejam revistas e alteradas. Alternativas de variáveis estruturais. Modificações nas estruturas formais das organizações, redesenhando times, recolocando lideranças, dentre ou- tras ações. Fonte: elaborado pela autora. 54 Tais técnicas devem ser utilizadas em conjunto com a compreensão dos demais conceitos, inclusive com a utilização da inteligência interpessoal e da escuta ativa de maneira constante, uma vez que, em todos os setores das organizações, devemos consideram como bem precioso o capital humano que é o motor que faz com que as engrenagens funcionem adequadamente em uma organização, gerando resultados satisfatórios. Foram abordados nesta Leitura Digital conceitos e definições, bem como técnicas de resolução de conflitos, destacando tipos e estilos, bem como suas áreas e causas, para que sejam desenvolvidas soft skills que cooperem para a gestão de conflitos, em seu cotidiano e em sua vida profissional. Referências GIDDENS, Anthony; SUTTON, Philip W. Conceitos essenciais da sociologia. São Paulo: Editora Unesp Digital, 2017. MARTINELLI, Dante P.; ALMEIDA, Ana P. Negociação e solução de conflitos: do impasse ao ganha-ganha através do melhor estilo. São Paulo: Atlas, 1998. ROBBINS, Stephen P. Comportamento Organizacional. Conflito e negociação. 11. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2005. SAPHIRO, Daniel. Negociando o Inegociável. Porto Alegre: Globo Livros,2021. URY, William. Como chegar ao sim com você mesmo: O primeiro passo em qualquer negociação, conflito ou conversa difícil. Rio de Janeiro: Sextante, 2015. 55 BONS ESTUDOS! Sumário Apresentação da disciplina Negociação: conceitos, definições e propósitos Objetivos 1. Negociação: conceitos, definições e propósitos Referências Processos negociais: o trajeto da negociação Objetivos 1. O caminho da negociação Referências O perfil negociador: estilos de negociação e processos comunicacionais Objetivos 1. Com quem estamos negociando 2. Processos comunicacionais na negociação 3. A ética nas negociações Referências Princípios e técnicas da gestão de conflitos Objetivos 1. Conceitos e definições de conflitos 2. Como identificar um conflito 3. Como administrar e resolver conflitos Referências