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INTEGRADO I – FISIOPATOLOGIA – FCF/USP CASOS CLÍNICOS SOBRE PARASITAS INTESTINAIS E SISTÊMICOS Caso 1: Um paciente de 29 anos, sabidamente HIV positivo há ± 06 anos, foi internado no Hospital Universitário por conta de um quadro de diarréia aquosa, com vários episódios de evacuações ao dia, que já duram 1 mês. Referia também, perda de peso acentuada, dor abdominal e flatulência. Foram solicitados vários exames, dentre eles linfometria para células T, PCR quantitativo para HIV e exames para elucidação diagnóstica do quadro de diarréia (pesquisa de parasitas nas fezes). Na investigação laboratorial identificou-se baixo número de células CD4 (<200) e presença de oocistos nas fezes. O paciente iniciou tratamento com azitromicina, tendo apresentado excelente resposta clínica. Vinte dias depois não havia mais indício da presença deste patógeno em amostra de fezes. Considerando apresentação clínica e a resposta ao tratamento responda: 1) Qual o provável protozoário associado a esse quadro clínico? Cryptosporidium parvum ou C. hominis. 2) Quais os danos intestinais provocados por este parasita que levam a estas manifestações clínicas? - adesão do parasita às células do intestino delgado e invasão - infiltração da lâmina própria por linfócitos, macrófagos e polimorfonucleares - permeabilidade epitelial aumentada; atrofia dos vilos e morte celular - má absorção devido a perda da arquitetura intestinal Caso 2: Um paciente procedente da região Amazônica onde permaneceu por vários dias percorrendo algumas cidades do interior dos Estados do Pará e Rondônia, procurou o médico após 20 dias do seu retorno a São Paulo queixando-se de acessos repetitivos de calafrios, febre e sudorese. O exame físico revelou hepatoesplenomegalia discreta. Após exame clínico, o médico solicitou hemograma e exame parasitológico do sangue, os quais acusaram anemia e presença de protozoários no sangue, respectivamente. 1) Qual o provável parasita encontrado no exame parasitológico do sangue? Plasmodium vivax (>80% dos casos) ou P. falciparum. 2) Explique as causas da anemia apresentadas durante a fase sintomática da doença (malária não complicada). Hemólise intravascular, clearence aumentado de hemácias infectadas e não infectadas, diminuição da atividade hematopoética da medula óssea por citocinas pró-inflamatórias. 3) Como deve ser tratada a infecção causada pela espécie mais virulenta deste parasita? A mais virulenta é P. falciparum, portanto deve ser tratada com derivados de Artemisinina (ACT). A Cloroquina não é recomendada devido a ampla disseminação de cepas de P. falciparum resistentes a este fármaco. Caso 3: Um paciente de 53 anos procedente de Barcelos (AM) foi diagnosticado com insuficiência cardíaca na Cidade de Manaus, para onde foi encaminhado com quadro clínico de cansaço aos pequenos esforços, com de 8 meses de evolução. Paciente relatou que morou e trabalhou durante 37 anos na extração da piaçaba no interior do Amazonas. Relatou ter sido picado muitas vezes por barbeiros, referindo, também, ter apresentado vários ”caroços” após as picadas no tronco e extremidades. Identificou o vetor em teste de reconhecimento, numa coleção de Panstrongylus, Rhodnius e Triatoma. Na radiografia de tórax, evidencia-se aumento da área cardíaca. O exame da gota espessa do sangue para pesquisa de protozoários deu negativo e a sorologia (IgG) para T. cruzi deu positiva. 1) Na sua opinião, os sintomas, resultados dos exames realizados e a epidemiologia são sugestivos de qual parasitose e forma clínica? Doença de Chagas – Cardiopatia Chagásica Crônica 2) Explique os mecanismos fisiopatológicos propostos para explicar a gravidade dessa forma clínica. Persistência do parasita (T. cruzi) + mecanismo de autoimunidade. image1.png image2.png