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CapÍtULo 2 – a gestão de pessoas eM UM aMBIente dInÂMICo e CoMpetItIvo 49 total dos negócios da organização seja calculado pelo valor dos clientes mais o valor da organização e o valor de competências, respectivamente, e não apenas pelos ativos tangíveis que formam o arcabouço contábil do capital financeiro.19 Organizações bem-sucedidas utilizam indicadores como eficiência, renovação, crescimento e estabilidade para gerir e monitorar seus ativos intangíveis. Elas perceberam que a GP vem antes, durante e depois da administração de qualquer recurso organizacional, seja capital, máquinas, instalações, etc. 20 Por essa razão, o investimento maior está sendo feito – não em máquinas e ferramentas, mas nas pessoas. Muitas organizações desenvolvem esquemas de educação corporativa e universidades corporativas e virtuais para melhorar a gestão do seu capital intelectual.21 Esse parece ser o melhor investimento para o futuro. avalIaçãO CrítICa: a pesquisa do progep 22 A pesquisa do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas (Progep) da Fundação instituto de Administração (FiA), conveniada à Faculdade de Economia, Administra- ção e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/ USP) sobre o futuro da GP foi feita com uma amostra de formadores de opinião e utilizou a técnica Delphi, bastante usada na previsão de cenários futuros. Nessa metodologia, os consultados trocam informações que são submetidas a diversas rodadas de respostas até que se chegue a resultados considerados satisfatórios pelo próprio grupo. A ideia é identificar quais são as tendên- cias que impulsionarão as mudanças na ARH. Essas novas tendências deverão incidir sobre princípios, filosofias e estratégias da área de RH e que deverão afetar profunda- mente práticas e instrumentos de gestão. Essas mudan- ças se refletem na estrutura, na organização e na forma de atuação da área. Assim, um aspecto importante na confor- mação do modelo de GP é a maneira pela qual a função de RH se organiza e opera. A velha estrutura formal e departamentalizada do RH tradicional não comporta a flexibilidade exigida por processos integrados e estra- tegicamente orientados, tão necessária nos dias atuais. Assim, três tendências despontam fortemente na ARH: 1. Descentralização das decisões de GP para os executi- vos de negócio da empresa. fIgura 19 Constituição do capital intelectual. Capital humano Capital interno Capital externo Estrutura externa Relações com clientes e fornecedores, marcas, imagem e reputação. Depende de como a organização resolve e oferece soluções para os problemas dos clientes estrutura interna Conceitos, modelos, processos, sistemas administrativos e informacionais. São criados pelas pessoas e utilizados pela organização força de trabalho Talentos integrados e conectados por uma arquitetura organizacional dinâmica, por uma cultura organizacional envolvente e por um estilo de gestão democrático e participativo capital intelectual É um dos conceitos mais discutidos recentemente. Ao contrário do capital financeiro – que é basicamen- te quantitativo, numérico e baseado em ativos finan- ceiros, tangíveis e contábeis –, o capital intelectual é totalmente invisível e intangível. Daí a dificuldade em geri-lo e quantificá-lo adequadamente. O capital inte- lectual é composto pela aglutinação de capital interno, capital externo e capital humano, como demonstrado na Figura 19. A GP – mais do que nunca – está agora focada no capital humano e nas suas consequências sobre o ca- pital intelectual da organização. Assim, o campo de influência da GP se estende não somente às “nossas pessoas”, como também à “nossa organização” e aos “nossos clientes”. A GP precisa pensar grande. dICa: nossas pessoas, nossos clientes e nossa organização Existem ativos intangíveis – ainda não mensuráveis pelos tradicionais métodos de contabilidade – e que são identificados como “nossas pessoas”, “nossos clien- tes” e “nossa organização”. Sveiby propõe que o valor 50 parte I – os novos desafIos da gestão de pessoas 2. Fornecimento de novos processos e conhecimento em GP para os clientes internos. 3. Mudança para um perfil de atuação do profissional de RH como consultor interno. Muitas organizações já avançaram bastante nessa direção. Mas ainda há muito que fazer. CasO para dIsCussãO: a Hewlett-Packard 23 A Hewlett-Packard (HP) é uma empresa com profun- da ênfase e dedicação aos assuntos de RH. Em 1990, Pete Peterson, o executivo de RH, tornou-se vice-presi- dente da companhia. Ele foi o responsável por mudan- ças que redefiniram os processos de RH e distribuíram a responsabilidade da GP para os gerentes de linha. Sua primeira providência foi solicitar à equipe de pessoal de âmbito mundial que criasse um “ambiente adequado” capaz de proporcionar o aumento de valor para a em- presa, o fornecimento de serviços de melhor qualidade para os funcionários e a utilização mais eficiente dos recursos humanos. Os membros das equipes de RH ao redor do mundo todo deveriam ser parceiros empre- sariais e tornar suas unidades mais competitivas. Para transformar essa visão em ação, os profissionais de RH receberam quatro metas: 1. O RH deve avaliar, facilitar e melhorar a qualidade da gestão e do trabalho das pessoas e das equipes. 2. O RH deve contribuir para a estratégia empresarial, identificar as implicações dos recursos humanos e facilitar a mudança em consonância com os valores básicos da empresa. 3. O RH deve acelerar o aprendizado individual e orga- nizacional em toda a HP. 4. O RH deve gerir processos associados a pessoas, ou seja, as funções internas ao departamento de RH. Com essas quatro metas específicas em mente, as equipes de RH passaram a se dedicar a quatro papéis diferentes: foco nos processos, foco nas pessoas, foco no futuro estratégico e foco no cotidiano operacional, conforme a Figura 21. Em resumo, as quatro metas da área de RH: 1. Parceria estratégica para a administração das estra- tégias de RH. 2. Especialistas administrativos para a prestação de ser- viços de RH. 3. Defensores dos funcionários para o envolvimento destes. 4. Agentes da mudança para a administração da mu- dança. As definições dos quatro papéis de RH deram aos profissionais da área um claro sentido do propósito e uma definição do valor a acrescentar à empresa. Assim, a HP procura legitimar todos os profissionais de RH sem distinção e não apenas aqueles que trabalham nas ati- vidades estratégicas. Além disso, Peterson, definiu as principais atividades de cada um dos quatro papéis de RH, conforme a Figura 22. A função de RH da HP foi tão bem-sucedida ao al- cance dessas quatro metas que acabou conquistando o prêmio Optimas do Personnel Journal. Nos sete critérios (indicadores) do prêmio, sua avaliação foi a seguinte: •» Vantagem competitiva: os funcionários da HP em âmbito mundial oferecem retroação às metas traça- fIgura 20 A cadeia de valor a partir das pessoas. Pessoas Talentos Compe- tências Capital humano Capital intelectual Resultados CapÍtULo 2 – a gestão de pessoas eM UM aMBIente dInÂMICo e CoMpetItIvo 51 fIgura 21 Aplicação dos papéis da função de RH. Foco nos processos Necessidade do cliente: estratégias empresariais e de RH eficazes Autoridade: 85% da linha e 15% do RH Função de RH: alinhamento Papel do gerente de pessoal: administração das estratégias de RH Competências do gerente de pessoal: »• Conhecimento da empresa »• Formulação de estratégias de RH »• Habilidades para influenciar Necessidade do cliente: eficiência dos processos administrativos Autoridade: 5% da linha e 95% do RH Função de RH: execução de serviços Papel do gerente de pessoal: gerente da função de RH Competências do gerente de pessoal: »• Conhecimento de conteúdo »• Melhoria de processos »• Informatização »• Relações com cliente »• Avaliação das necessidades do serviço Necessidade do cliente: dedicação do funcionário Autoridade: 98% da linha e 2% do RH Função de RH: apoioadministrativo Papel do gerente de pessoal: defensor dos funcionários Competências do gerente de pessoal: »• Avaliação do ambiente de trabalho »• Desenvolvimento da relação entre administração/ funcionário »• Gestão do desempenho Necessidade do cliente: eficiência organizacional Autoridade: 51% da linha e 49% do RH Função de RH: gestão da mudança Papel do gerente de pessoal: agente de mudança Competências do gerente de pessoal: »• Habilidades para gestão de mudança »• Consultoria, facilitação, treinamento »• Habilidades em análise de sistemas Foco no futuro estratégico Foco nas pessoas Foco no cotidiano operacional das pelos gerentes e diretores. A equipe de RH criou um curso de desenvolvimento “O Pessoal Como van- tagem Competitiva” para mostrar os quatro papéis mutáveis do DRH da empresa. O papel de RH começa com a necessidade do cliente: o cliente pode ser a organização inteira, os funcionários ou os gerentes. O papel indica quem tem autoridade, responsabilidade e atribuições para desempenhar funções correspon- dentes a cada papel no modelo. •» Impacto financeiro: o RH economiza cerca de US$ 35 milhões por ano por causa da proporção menor de funcionários no RH em relação ao número de fun- cionários da empresa. Peterson reduziu a proporção de 1/53 para 1/80, mantendo a mesma qualidade elevada de serviços. •» Perspectiva global: a linha direta da HP conecta os profissionais de RH da empresa em escala mundial proporcionando intercâmbio de ideias e práticas. •» Inovação: as equipes de RH ao redor do mundo todo contribuíram para a inovação dos produtos e dos ser- viços da companhia. •» administração da mudança: a HP tem o compromis- so de aumentar a diversidade de sua força de trabalho para incrementar a mudança e a inovação na empresa. •» Qualidade de vida: a HP é considerada uma das melhores empresas do mundo para se trabalhar em razão de seu compromisso e abertura com os fun- cionários. •» atendimento: as equipes de RH criaram diversos sistemas técnicos que continuam aperfeiçoando seus processos de atendimento ao cliente ou consumidor. Questões 1. Qual é a orientação básica da área de RH na HP? 2. Como você avalia as metas específicas de RH na HP? 52 parte I – os novos desafIos da gestão de pessoas 3. Como você avalia os quatro papéis de RH na HP? 4. Qual deles você considera o mais importante? 5. Como você visualiza o RH da HP? 6. Qual é o papel das pessoas na HP? exerCíCIOs 1. Quais são as características organizacionais da Era da Industrialização Clássica? E como era a adminis- tração de pessoas nessa época? 2. Quais são as características organizacionais da Era da Industrialização Neoclássica? E como era a admi- nistração das pessoas nessa época? 3. Quais são as características organizacionais da Era da Informação? E como está sendo feita a adminis- tração das pessoas nesta época? 4. Quais são as megatendências que estão quebrando velhos paradigmas? 5. Quais são as preocupações das organizações quan- to ao futuro? 6. Caracterizar as três etapas da Gestão de Pessoas. 7. Por que se diz que o velho feudo abre suas portas? fIgura 22 Atividades relacionadas com os papéis de RH na HP. administração de estratégias de RH RH participa da estratégia empresarial »• Concebe estratégias de RH ligadas aos objetivos empresariais »• Delibera valores, missão e planejamento empresarial »• É membro da equipe e contribui nas decisões globais »• Participa do processo Hoshin: conduz esforços no hoshin do pessoal da direção »• Participa em forças-tarefas da empresa (ISO 9000) »• Gerencia o planejamento da força de trabalho, avaliação de habilidades, plano de carreira, diversidade, requalificação »• Promove pensamento sistêmico, foco na qualidade Prestação de serviços de RH RH fornece mais serviço, melhor qualidade e maior acessibilidade, o que resulta em custo mais baixo e aumento da satisfação do cliente »• Análise salarial »• Rastreamento de requisição »• Recrutamento e entrevista de candidatos »• Programação e liberação de benefícios »• Reclassificação e promoções »• Manutenção de cadastro e de acordos »• Relatório e análise de dados »• Treinamento e desenvolvimento »• Estratégia de entrevistas envolvimento dos funcionários RH facilita, dimensiona e melhora a qualidade da administração e do trabalho em equipe »• Assume e defende método da HP »• Facilita pesquisas junto aos funcionários »• Promove ambiente acolhedor »• Promove equilíbrio entre trabalho e vida pessoal »• Treinamento gerencial »• Comunicação com os funcionários »• Investigação de questões de acesso »• Análise de avaliação do desempenho »• Ações corretivas com funcionários e gerentes administração da mudança RH se associa aos gerentes de linha para conduzir e facilitar a mudança »• Facilitação da administração da mudança »• Assessora para aumentar a eficácia da organização (análise e diagnóstico, contratação, planejamento da ação, avaliação, acompanhamento) »• Desenho da organização »• Redefinição de sistemas e de processos »• Reorganização e reengenharia »• Análise de competência »• Equipe de longo alcance de desenvolvimento gerencial Foco estratégico no futuro Foco nas pessoas Foco operacional no cotidiano Foco nos processos CapÍtULo 2 – a gestão de pessoas eM UM aMBIente dInÂMICo e CoMpetItIvo 53 fIgura 23 Mapa mental do Capítulo 2 – A Gestão de Pessoas em um ambiente dinâmico e competitivo. as novas características da gP antes agora Concentração na função de RH Apoio no core business da empresa Especialização das funções Gerenciamento de processos vários níveis hierárquicos Enxugamento e downsizing Introversão e isolamento Benchmarking e extroversão Rotina operacional e burocrática Consultoria e visão estratégica Preservação da cultura Inovação e mudança cultural Ênfase nos meios e nos procedimentos Ênfase nos objetivos e resultados Busca da eficiência interna Busca da eficácia organizacional visão para o presente e o passado visão para o futuro e o destino Administrar recursos humanos Assessorar na gestão com pessoas Fazer tudo sozinho Ajudar gerentes e equipes Ênfase nos controles operacionais Ênfase na liberdade e na participação capital intelectual Capital humano Capital interno Capital externo mudanças e transformações na função de gestão de pessoas Relações industriais Administração de recursos humanos Gestão de pessoas capital humano os novos papéis da gP de Para Operacional e burocrático Estratégico e flexível Policiamento e controle Parceria e compromisso Curto prazo e imediatismo Longo prazo Administrativo Consultivo Foco no negócio Foco na função Foco interno e introvertido Foco externo e no cliente Foco na atividade e nos meios Foco nos resultados e nos fins Reativo e solucionador de problemas Proativo e preventivo mudanças e transformações no cenário mundial Era da Industrialização Clássica Era da Industrialização Neoclássica Era da Informação TalentosArquitetura organizacional Estilo de gestão Cultura organizacional talento humano Conhecimento Habilidade Julgamento Atitude Desafios do terceiro milênio Globalização Tecnologia Informação Conhecimento Serviços Ênfase no cliente Qualidade Produtividade Competitividade Sustentabilidade 8. Quais são os desafios do terceiro milênio? E o que a ARH tem a ver com eles? 9. Por que se fala na nova era do capital intelectual? 10. Quais são os novos papéis da função de RH? 11. Quais são as novas características da ARH? 12. Quais são as novas necessidades da ARH? 13. Comentar a respeito das diferenças entre valor pa- trimonial e valor de mercado das maiores empresas norte-americanas. PasseIo Pela InteRnet www.shrm.org www.chiavenato.com www.accenture.com www.pfeiffer.com www.ccl.org www.hrcertify.org www.kenexa.com www.silkroadtech.com www.asis.org www.asis.net www.hrtechnologyconference. com www.haygroup.com www.virtualedge.com www.icims.com www.cpeworld.org www.workforce.com www.allbusiness.com www.worldatwork.com www.worldatworksociety.comwww.abvq.org.br www.outsourcing.com www.abrh.org www.bettermanagement.com www.spiritOntheJob.com www.orgplus.com www.eworkmarkets.com www.ispi.org www.wpsmag.com www.sage.com www.fidag.com www.apg.pt www.cipd.co.uk www.ipm.co.za www.iso.ch www.greatplacetowork.com www.agilent.com www.webex.com www.vuepointcorp.com www.cbtdirect.com www.fastsearch.com www.atg.com 54 parte I – os novos desafIos da gestão de pessoas referênCIas bIblIOgráfICas 1. KIERNAN, M. J. 11 mandamentos da administração do século XXI: o que as empresas de ponta estão fazendo para sobreviver e prosperar no turbulento mundo dos negócios da atualidade. 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