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HIPOPLASIA CEREBELAR E NEOPLASIA CEREBELAR EM CAES E GATOS 1. INTRODUÇÃO Afecções cerebelares são comuns na clinica medica de pequenos animais e geram um conjunto de sinais que incluem hipermetria, alterações posturais (base ampla), tremor de intenção em cabeça e tronco, movimentação espástica e descoordenada. Para diagnostico deve se proceder com exame neurológico, que auxilia na identificação da região afetada, associado a exames complementares como ressonância. As patologias que acometem o cerebelo são variadas, podendo ser aplasia, hipoplasia, abiotrofia, neoplasia, alterações vasculares como infarto vascular e processos inflamatórios e levam a síndrome cerebelar, com os sintomas citados a cima (PALUMBO, 2010). 2. SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso pode ser dividido em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é composto de encéfalo e medula espinhal, enquanto o SNP tem como componentes os nervos, gânglios e terminações nervosas. O encéfalo é composto por três partes distintas, cerebelo, cérebro e tronco encefálico. O cerebelo é um dos três componentes do encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico compõe o encéfalo) e se localiza dorsalmente ao bulbo e a ponte (VIANNA, 2000). 3. CEREBELO Localizado em região dorsal a ponte o cerebelo pode corresponder de 8,30% a 11,01% da massa total do sistema nervoso central (SNC), sendo composto de 2 hemisférios cerebelares e o vérmis. O vérmis é a porção central do cerebelo, realizando a conexão entre os dois hemisférios. O cerebelo é responsável por controlar e coordenar toda a atividade motora da determinada região (cabeça, pescoço, tórax e membros), manutenção do tônus muscular e manutenção do equilíbrio (COUTO, 2015). O cerebelo pode ser ainda dividido em 3 lobos, sendo eles o lobo rostral, lobo caudal e lobo floculonodular. No lobo rostral ocorre a coordenação do tônus e da postura, no lobo caudal acontece a integração dos movimentos voluntários e o lobo floculonodular é uma das estruturas que atua no equilíbrio (VIANNA, 2000). Há diversas patologias que podem acometer o cerebelo, vistas na clínica medica de pequenos animais, que podem ser congênitas ou adquiridas. Entre as possíveis patologias do cerebelo há hipoplasia cerebelar, aplasia cerebelar, abiotrofia, neoplasias, infarto vascular e doenças infecciosas, e no caso de comprometimento dessa estrutura, há um conjunto de sinais clínicos característicos, a síndrome cerebelar. (THOMASINI et al., 2021). 4. SINDROME CEREBELAR Os sinais clínicos do acometimento do cerebelo recebem o nome de síndrome cerebelar. Como o cerebelo atua na regulação do movimento e da coordenação, além de haver uma parte ligada ao equilíbrio (lobo floculonodular) afecções nesse órgão geram sinais como ataxia, resposta exagerada no início do movimento, tremor de intenção, base ampla e nistagmo. A ataxia, no caso da síndrome cerebelar, tende a piorar quando a compensação visual é retirada (MOLARINHO et al., 2014). 5. HIPOPLASIA CEREBELAR A hipoplasia cerebelar é uma alteração congênita e no animal afetado as dimensões do cerebelo se apresentaram reduzidas. A hipoplasia pode se apresentar em diferentes graus e a severidade da sintomatologia clinica depende do quão afetado o órgão foi. Os sinais podem variar de ataxia discreta até completa ausência de coordenação e inabilidade de permanecer em estação. Pode haver tremores de cabeça e nistagmo nos animais afetados. (MOLARINHO et al., 2014). A patologia pode acometer espécies selvagens e domesticas, sendo mais prevalente em gatos, na clinica medica de pequenos animais. Nos felinos o surgimento de hipoplasia cerebral vem sendo associada a infecção uterina por parvovírus felino (FPV), vírus causador da panleucopenia felina. A panleucopenia felina é uma doença que apresenta transmissão vertical e horizontal e no caso de infecção transplacentária, devido a ligação do vírus as células da camada germinativa externa do cerebelo e destruição dessas, há uma queda na taxa de crescimento cerebelar, resultando em hipoplasia. Em exame histológico espera se ver, em um animal com hipoplasia cerebelar a diminuição da camada granular externa e diminuição das células de Purkinje. Nos caninos a hipoplasia cerebelar também está associada a um parvovírus, o agente causador da parvovírus. Em animais muito jovens ou acometidos na vida uterina, a ligação do vírus, tal como nos gatos, na camada germinativa externa cerebelar leva a crescimento reduzido do órgão. Estudos demonstram que a hipoplasia cerebelar em cães pode estar associada a intoxicações também (MINOZZO, 2016) O diagnostico da hipoplasia cerebelar pode ser feito através das evidencias encontradas em exame neurológico, que permite identificar provável local da lesão e extensão da mesma, associado a exames de imagem. Tanto a tomografia quanto a ressonância magnética podem ser utilizadas, mas para a região do cerebelo a RM seria o exame mais indicado. O alto custo dos exames complementares pode constituir um empecilho para o diagnóstico da hipoplasia cerebelar (MOLARINHO et al., 2014). A ultrassonografia craniana, via janela temporal tem sido utilizada como método diagnostico alternativo em cães (CINTRA et al., 2014). Os diagnósticos diferenciais da hipoplasia cerebelar incluem abiotrofia, neoplasia, degeneração, intoxicação e inflamação. A abiotrofia deve ser diferenciada da hipoplasia através de exame histológico, visto que a patologia também leva a dimensões cerebelares reduzidas, porém no caso da abiotrofia os sintomas são progressivos, mesmo que de forma lenta. (VIANNA, 2000). Para a hipoplasia cerebelar não há tratamento, nem para cães e nem para gatos e o prognostico do animal dependerá do grau de acometimento do órgão (THOMASINI., 2021). 6. NEOPLASIAS CEREBELARES Na clinica medica de pequenos animais, as afecções que levam a eutanásia do animal, ligadas ao sistema nervoso central chegam a 7% em cães e até 10% em felinos, e dentre essas patologias há neoplasias que acometem o sistema nervoso central desses animais. No caso de felinos as afecções neoplásicas chegam a 10,3% e nos cães em torno de 5,9% do total das patologias relacionadas ao sistema nervoso central. É comum em animais de meia idade e idosos, raramente ocorrendo em animais com idade inferior a 5 anos (ALBERTI et al., 2021). As patologias neoplásicas podem levar a alterações secundarias, provenientes da compressão, devido ao volume ocupado pelo tumor ou por ocorrência de síndrome para neoplásica (COUTO, 2015). As neoplasias cerebelares são neoplasias intracranianas, que podem ser primarias, ou secundarias, proveniente de metástases. As células neoplásicas alcançam o tecido nervoso através da corrente sanguínea ou por outras vias. Em cães há relatos de casos de linfomas e carcinomas bronco alveolares, nos gatos há relatos de carcinoma mamário identificado em região cerebelar. A presença de neoplasias nesse órgão leva ao surgimento da síndrome cerebelar, que inclui sintomas como ataxia, tremor de intenção e hipermetria. Nos casos de comprometimento intenso do cerebelo pode haver rigidez de descerebelação, que inclui sinais como opistotono, extensão de membros toráxicos, flexão de membros pélvicos, com consciência preservada. O diagnostico de neoplasias cerebelares pode ser feito no exame post mortem via exame histopatológico posterior a necropsia e o diagnostico ante mortem pode ser feito através de exames de imagem, sendo a ressonância o padrão ouro. Exame neurológico pode auxiliar na localização da lesão e predizer sobre o grau de extensão (ALBERTI et al., 2021). A análise de liquido cérebro espinhal de animais com neoplasia intracraniana pode revelar aumento de proteína, leucocitose e raramente presença de células neoplásicas, no caso de tumores espoliativos. (CONCEIÇÃO et al., 2019) O tratamento deneoplasias pode ser feito de forma cirúrgica, mas o local de acometimento dificulta a intervenção. Pode se realizar tratamento sintomático no caso de crises convulsivas. Quando há aumento da pressão intracraniana pode se lançar mão do uso de corticoides e diuréticos para controle da PIC. Quimioterapia não se mostra eficiente, pois o fármaco encontra dificuldades de acessar a região afetada. Radiografia é uma opção terapêutica eficiente, mas o empecilho se encontra no alto custo da técnica. Devem ser instituídos cuidados paliativos para melhorar a qualidade de vida do animal (ALBERTI et al., 2021). 7. CONCLUSÃO Afecções na região de cerebelo são patologias possíveis da clinica medica de pequenos animais e essas patologias levam ao surgimento da síndrome cerebelar e seus sintomas característicos. Os métodos de diagnostico possíveis incluem exames de imagem e exame neurológico e o tratamento ou não do animal dependerá da patologia que o acomete, sendo essa determinante ao prognostico do animal também. 8. REFERÊNCIAS PALUMBO, M. I. P., et al. Doença cerebelar em cães e gatos. Clínica Veterinária, v. 89, p. 36-40, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/137014>. COUTO, C. G. Neoplasias selecionadas em cães e gatos. In: NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina interna de pequenos animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015b.cap. 79, p. 1186-1200. ALBERTI, T. S. et al. Neoplasias do sistema nervoso central de caninos e felinos: estudo de 20 anos. Research, Society and Development, v. 10, n. 11, p. e102101118987, 24 ago. 2021. CINTRA, T. C. F. et al. Aspectos ultrassonográficos do cerebelo e aplicação da ultrassonografia trans craniana no diagnóstico da hipoplasia cerebelar em cães. 2014. CONCEIÇÃO, R. T. et al. Cerebrospinal fluid analysis in dogs and cats with neurological diseases. Acta Scientiae Veterinariae, v. 47, n. 1, 2019. MINOZZO, E. S. Avaliação neurológica, diagnóstica e terapêutica de cães e gatos com síndrome tremor universidade de cuiabá faculdade de medicina veterinária, 2016 MOLARINHO, K. R. Hipoplasia cerebelar em felinos. Pelotas. 2014. THOMASINI, A. Relatório de estágio curricular obrigatório: área de clínica médica de pequenos animais. Universidade de Caxias do Sul. 2021. VIANNA, L. F. C. G. Introdução a neurologia veterinária. Rio de Janeiro: 2000.