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<p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>1</p><p>Meningites</p><p>O que é:</p><p>• É uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o encéfalo</p><p>(cerebelo, bulbo e cérebro) e a medula espinhal;</p><p>Está entre as principais causas de morte por infecção;</p><p>Causadores:</p><p>• Agentes infecciosos (vírus, fungos e bactérias) e agentes não infecciosos (</p><p>traumas, doenças inflamatórias, medicamentos e neoplasias,...)</p><p>Complicações + graves: perda cognitiva e distúrbios neuropsicológicos</p><p>Fatores:</p><p>• Agentes infecciosos; aglomerados; características sócio econômicas e</p><p>meio ambiente (clima)</p><p>o A sazonalidade da doença é bastante característica- verão: +</p><p>meningites virais | inverno: + meningites bacterianas</p><p>Transmissão:</p><p>• De pessoa para pessoa -> vias respiratórias (gotículas e secreções da</p><p>nasofaringe)</p><p>o Por contato íntimo ou contato direto com as secreções respiratórias)</p><p>• Fecal-oral -> em infecções por enterovírus</p><p>• + suscetibilidade: crianças < de 5 anos (princip. <1 ano) e adultos > 60 anos</p><p>Meningite é uma doença que resulta de um processo inflamatório das meninges e</p><p>do espaço subaracnoide, que são as membranas que recobrem o encéfalo e a</p><p>medula espinhal.</p><p>• Nem toda meningite é meningocócica</p><p>• Nem toda meningococcemia é meningite.</p><p>A doença meningocócica (DM) causada pela bactéria Neisseria meningitidis</p><p>(meningococo) e os vírus são os principais responsáveis por surtos e epidemias.</p><p>• A meningite meningocócica possui alta morbidade e letalidade. Entretanto a</p><p>meningite viral é mais frequente que a bacteriana, sendo caracterizada</p><p>geralmente por quadros benignos e autolimitados.</p><p>• Todos os casos suspeitos de meningite devem ser notificados e investigados</p><p>OBRIGATORIAMENTE em 24h, uma vez que a meningite está incluída na Lista</p><p>Nacional de Doenças de Notificação Compulsória. Surtos, aglomerados de</p><p>casos e óbitos são de notificação imediata.</p><p>• Meningite asséptica é o termo que se refere à síndrome clínica de infecção</p><p>meníngea em que não há crescimento bacteriano no líquor. Assim, são</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>2</p><p>causas de meningite asséptica: infecções virais e não virais, fármacos, câncer,</p><p>doenças reumatológicas e metástases tumorais.</p><p>Meningite asséptica: Meningite asséptica é o termo que se refere à síndrome clínica</p><p>de infecção meníngea em que não há crescimento bacteriano no líquor. Assim, são</p><p>causas de meningite asséptica: infecções virais e não virais, fármacos, câncer,</p><p>doenças reumatológicas e metástases tumorais.</p><p>EPIDEMIOLOGIA:</p><p>A meningite bacteriana é um problema de saúde pública mundial, com incidência</p><p>anual de 4-6 casos/100 mil adultos, sendo N. meningitidis e S. pneumoniae</p><p>responsáveis por 80% dos casos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a taxa de</p><p>incidência é 1,4 caso/100 mil habitante/ano, e letalidade de 22,2%.</p><p>FATORES:</p><p>Agentes infecciosos; aglomerados; características sócio econômicas e meio</p><p>ambiente (clima)</p><p>• Algumas etiologias podem cursar com quadros graves, com alta letalidade,</p><p>mesmo com o tratamento adequado, ou ainda apresentar evolução para</p><p>quadros hemorrágicos, que se confundem com infecções como febre</p><p>maculosa, dengue, dentre outras.</p><p>• A sazonalidade da doença é bastante característica- verão: + meningites</p><p>virais | inverno: + meningites bacterianas</p><p>• Meningococo: é o principal responsável por epidemias no Brasil e possui</p><p>vários sorogrupos, sendo o sorogrupo C o mais prevalente.</p><p>• A meningite meningocócica pode ocorrer de forma isolada ou associada à</p><p>meningococcemia, caracterizada pela disseminação hematogênica do</p><p>agente, resultando em vasculite sistêmica e fenômenos hemorrágicos</p><p>fulminantes, sendo a forma mais grave da doença meningocócica. A</p><p>suscetibilidade à infecção é geral, porém, os grupos de maior risco são as</p><p>crianças menores de 5 anos, principalmente as menores de 1 ano, os idosos</p><p>acima de 60 anos e os imunodeprimidos. A mortalidade da doença tem se</p><p>mantido em 18-20% dos casos, chegando a 50% nos casos de</p><p>meningococcemia.</p><p>DOENÇA MENINGOCÓCICA:</p><p>É uma doença contagiosa aguda;</p><p>Clínica variável (infecção leve até forma fulminante)</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>3</p><p>É caracterizada por febre, erupção cutânea petequial e sinais de sepse e/ou</p><p>meningite. Pode evoluir rapidamente para choque séptico, hipotensão, acidose e</p><p>coagulação intravascular disseminada (CIVD).</p><p>• CIVD: quadro clínico no qual pequenos coágulos sanguíneos se formam por</p><p>toda a corrente sanguínea e obstruem pequenos vasos sanguíneos. O</p><p>aumento da coagulação exaure as plaquetas e os fatores de coagulação</p><p>necessários para controlar hemorragias, causando sangramentos excessivos.</p><p>FATORES DE RISCO:</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>4</p><p>• Crianças menores de 5 anos e principalmente menores de 1 ano; segundo</p><p>pico entre 11 e 22 anos e terceiro pico após 65 anos de idade.</p><p>• Associação estatística e não causa efeito com infecção respiratória recente.</p><p>• Aglomeração, tabagismo, contato familiar (500 a 800 vezes maior).</p><p>• Determinantes sociais de saúde (pobreza, trabalho, moradia, etc)</p><p>• Imunidade: vacinas são específicas por sorogrupo e subtipo: é fundamental</p><p>conhecer a cepa circulante para produção de vacina.</p><p>Meningococcemia é a forma mais grave de apresentação da infecção causada</p><p>pelo meningococo.</p><p>Meningite é a mais comum.</p><p>Agente etiológico: Neisseria meningitidis (meningococo), bacilo Gram negativo.</p><p>Reservatório: humanos.</p><p>Transmissão: secreções respiratórias.</p><p>Incubação (é o intervalo entre a data do primeiro contato com o agente infectante</p><p>até o início dos sintomas da doença):3 a 4 dias.</p><p>Transmissibilidade: enquanto houver meningococo na orofaringe. Em 24 horas do</p><p>início do tratamento correto com antibiótico a transmissibilidade cessa.</p><p>Importante: ter em mente que meningite meningocócica e meningococcemia</p><p>podem ocorrer concomitantes ou isoladas.</p><p>ETIOLOGIA:</p><p>BACTERIANA: é particularmente grave e rapidamente progressiva.</p><p>• As bactérias alcançam o espaço subaracnoide e as meninges por meio de</p><p>disseminação hematogênica. Também podem ocorrer a partir de estruturas</p><p>vizinhas infectadas como traumas, principalmente abertos e infecções.</p><p>Bactérias -> Haemophylus influenzae, Streptococcus pneumoniae, meningococo,</p><p>etc.</p><p>• Os principais agentes bacterianos são: Neisseria meningitidis</p><p>(meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo), Haemophilus</p><p>influenzae. Podemos citar ainda outros agentes bacterianos, como:</p><p>Mycobacterium tuberculosis, Streptococcus sp. –especialmente os do grupo</p><p>B, Streptococcus agalactie, Listeria monocytogenes, Staphylococcus aureus,</p><p>Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter sp.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>5</p><p>Dentre os fatores associados à meningite bacteriana podemos citar:</p><p>1. Faixa etária, porta de entrada ou foco séptico inicial;</p><p>2. Tipo e local da infecção no sistema nervoso central (SNC);</p><p>3. Imunidade prévia; situação epidemiológica local.</p><p>-Etiologia de acordo com a faixa etária e fatores de risco:</p><p>• 5 a 50 anos: pneumococo, meningococo.</p><p>• Acima de 50 anos: pneumococo, meningococo, Listeria</p><p>• monocytogens, gram-negativos.</p><p>• Imunossupressão, diabetes, etilismo: pneumococo, meningococo,</p><p>• Listeria monocytogens, gram-negativos entéricos.</p><p>• Pós-neurocirurgia: Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermides,</p><p>bacilos gram-negativos.</p><p>• Fístula liquórica: pneumococo, H. influenzae.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>6</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>7</p><p>VIRAL:</p><p>Vírus -> caxumba, sarampo, HIV, herpes, Epstein-Barr, citomegalovírus, etc.</p><p>• As meningites virais têm distribuição universal e, em geral, evolução benigna,</p><p>baixa letalidade e menor risco de sequelas. São frequentemente associadas</p><p>à ocorrência de surtos, podendo ocorrer casos isolados. A incidência se eleva</p><p>nos meses do outono e da primavera.</p><p>• RNA Vírus: Enterovírus</p><p>(Poliovírus, Echovírus e Coxsackievirus); Arbovírus; Vírus</p><p>da caxumba; Arenavírus (coriomeningite linfocitária); HIV 1; Vírus do sarampo.</p><p>• DNA Vírus: Adenovírus; Vírus herpes simples tipo 1 e 2 – HSV; Varicela-zoster;</p><p>Epstein-Barr; Citomegalovírus.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>8</p><p>FÚNGICA:</p><p>Os principais fungos causadores de meningite são do gênero Cryptococcus, sendo</p><p>as espécies mais importantes a C. neoformans e a C. gattii. Outros fungos menos</p><p>frequentes são: Candida albicans, Candida tropicalis, Histoplasma capsulatum,</p><p>Paracoccidioides brasiliensis, Aspergillus fumigatus. A meningite criptocócica tem</p><p>caráter predominantemente oportunista, acometendo principalmente indivíduos</p><p>com estado imunológico comprometido (Aids ou outras condições de</p><p>imunossupressão). No entanto, a espécie C. gattii pode acometer</p><p>imunocompetentes, residentes em áreas tropicais e subtropicais, com caráter</p><p>epidêmico. Em geral, cursa com comprometimento neurológico importante,</p><p>apresentando evolução grave. Associa-se a elevado risco de complicações, como</p><p>hipertensão intracraniana e de sequelas, como paralisia permanente de nervos</p><p>cranianos, déficit cognitivo e hidrocefalia.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>9</p><p>Viral Bacteriana Fúngica</p><p>Transmissão Meningites virais</p><p>geralmente são de</p><p>transmissão por via</p><p>fecal-oral.</p><p>Nos casos de meningites</p><p>bacterianas, o agente</p><p>etiológico pode atravessar</p><p>a barreira</p><p>hematoencefálica por:</p><p>Acesso direto: fraturas de</p><p>crânio, defeito congênito</p><p>de fechamento do tubo</p><p>neural (espinha bífida,</p><p>meningocele,</p><p>meningomielocele,</p><p>meningoencefalocele) e</p><p>iatrogênica (punção</p><p>liquórica inadequada).</p><p>Contiguidade: otites</p><p>médias, mastoidites ou</p><p>sinusites.</p><p>Via hematogênica:</p><p>ultrapassa a barreira</p><p>hematoencefálica por</p><p>ligação com receptores</p><p>endoteliais,</p><p>lesão endotelial ou em</p><p>áreas mais suscetíveis,</p><p>como o plexo coroide.</p><p>Derivações liquóricas.</p><p>Patogênese A invasão viral geralmente</p><p>ocorre por meio do trato</p><p>respiratório ou do</p><p>gastrintestinal. Apesar de</p><p>existirem meios de</p><p>proteção, como IgA,</p><p>mucosa ciliar na via aérea</p><p>e secreção ácida no</p><p>estômago, algumas</p><p>partículas virais</p><p>eventualmente invadem o</p><p>organismo do indivíduo. O</p><p>meio de entrada dos vírus</p><p>no SNC varia, sendo</p><p>propagados, na maioria</p><p>dos casos, por via</p><p>hematogênica, com</p><p>invasão pelos capilares e</p><p>ruptura da barreira</p><p>hematencefálica ou pelo</p><p>plexo coroide e também</p><p>por meio de nervos</p><p>periféricos ou do bulbo</p><p>olfatório.</p><p>Após a colonização dos</p><p>microrganismos, há uma</p><p>liberação de componentes</p><p>que atingem o endotélio e</p><p>acabam desencadeando</p><p>um processo inflamatório,</p><p>o que causa um edema</p><p>vasogênico, aumentando</p><p>as citocinas no espaço</p><p>subaracnóideo e elevação</p><p>da resistência ao fluxo</p><p>liquórico, aumentando</p><p>assim, a pressão</p><p>intracraniana e causando</p><p>a perda da autorregulação</p><p>cerebrovascular.</p><p>Complicações dos IVAS</p><p>podem evoluir para</p><p>meningite devido a alta</p><p>afinidade com a dura</p><p>máter.</p><p>TRANSMISSÃO:</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>10</p><p>• A transmissão pode ocorrer até 24 horas após o início da antibioticoterapia</p><p>adequada, no caso de etiologias bacterianas.</p><p>Através do contato com secreções respiratórias do portador de agente patogênico</p><p>(inalação de gotículas de secreções de vias aéreas)</p><p>Necessidade de contato íntimo (moradores da mesma casa, pessoas que</p><p>compartilham dormitório, comunicante de creche ou escola, namorado)</p><p>• Meningites virais geralmente são de transmissão por via fecal-oral</p><p>• Período de incubação: 2 a 10 dias, com média de 3 a 4 dias.</p><p>o Para enterovírus entre 7 e 14 dias.</p><p>o Para meningite tuberculosa, a infecção ocorre nos 6 primeiros meses</p><p>de infecção</p><p>• Nos casos de meningites bacterianas, o agente etiológico pode atravessar a</p><p>barreira hematoencefálica por:</p><p>Acesso direto: fraturas de crânio, defeito congênito de fechamento do tubo neural</p><p>(espinha bífida, meningocele, meningomielocele, meningoencefalocele) e</p><p>iatrogênica (punção liquórica inadequada).</p><p>Contiguidade: otites médias, mastoidites ou sinusites.</p><p>Via hematogênica: ultrapassa a barreira hematoencefálica por ligação com</p><p>receptores endoteliais, lesão endotelial ou em áreas mais suscetíveis, como o plexo</p><p>coroide.</p><p>Derivações liquóricas.</p><p>COMO OCORRE A INFECÇÃO (MECANISMO):</p><p>A lise bacteriana e liberação das suas endotoxinas (gram-negativas), ácido teicoico</p><p>e peptidioglicano (gram-positivas) da parede celular, induzem a produção de</p><p>citocinas inflamatórias que aumentam a permeabilidade da barreira</p><p>hematoencefálica, causando edema vasogênico e hidrocefalia através deste</p><p>mecanismo.</p><p>• Por este mesmo mecanismo, há formação de edema intersticial junto com a</p><p>hidrocefalia. Além disso, a migração de leucócitos resulta em degranulação e</p><p>liberação de metabólitos tóxicos que geram edema citotóxico, crises</p><p>epilépticas e até mesmo acidente vascular. A consequência desses eventos é</p><p>o aumento da pressão intracraniana e até mesmo coma.</p><p>Meningites virais: os vírus atingem o SNC por via hematogênica (enterovírus) ou</p><p>neuronal (HSV).</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>11</p><p>• No caso dos enterovírus, ao passarem pelo estômago, são capazes de resistir</p><p>ao pH ácido e prosseguem para o trato gastrointestinal inferior.</p><p>• Outros vírus se replicam na nasofaringe e se disseminam em linfonodos</p><p>locais. Após os enterovírus se ligarem a receptores dos enterócitos, eles se</p><p>replicam em uma célula suscetível, progridem para a placa de Payer (onde</p><p>ocorre replicação mais intensa) e então uma viremia atinge coração, SNC,</p><p>fígado, sistema reticuloendotelial.</p><p>o Acredita-se que o enterovírus atinja o SNC através de junções íntimas</p><p>endoteliais e posteriormente alcance o plexo coroide e o líquor.</p><p>• A infecção causada pelo HSV (vírus herpes simples) atinge o SNC pela via</p><p>neuronal, através do nervo trigêmeo e olfatório; ou ainda, nos casos de</p><p>meningite asséptica, o vírus se dissemina após uma lesão genital primária,</p><p>ascendendo pelas raízes sacrais até a meninge. O vírus pode ainda ficar</p><p>latente nas raízes nervosas do trigêmeo e olfatório, reativando anos depois,</p><p>causando encefalite ou quadros de meningite asséptica.</p><p>MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:</p><p>PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS:</p><p>FEBRE, TAQUICARDIA, CEFALEIA, LETARGIA (INCAPACIDADE DE REAGIR E EXPRESSAR</p><p>EMOÇÕES), OBNUBILAÇÃO (NÃO SE CONSEGUE REAGIR A CERTOS ESTÍMULOS</p><p>EXTERNOS COMO LUZ E CHAMADOS OU RESPONDER A PERGUNTAS, FALANDO COM</p><p>LENTIDÃO E NÃO CONSEGUINDO ARTICULAR PALAVRAS).</p><p>Febre, cefaleia e rigidez de nuca podem estar ausentes em recém nascidos e</p><p>lactentes. A chamada irritabilidade paradoxal, na qual o abraço e o conforto dos pais</p><p>irritam em vez de confortar, sugere meningite bacteriana. Se a meningite se agravar</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>12</p><p>em neonatos e lactentes, as fontanelas do crânio podem apresentar abaulamento</p><p>por causa do aumento da pressão intracraniana.</p><p>Convulsões ocorrem em 40% das crianças com meningite e podem ocorrer em</p><p>adultos.</p><p>Em torno de 12% dos adultos entram em coma.</p><p>A Síndrome Waterhouse-Friderichsen, também conhecida como púrpura fulminans,</p><p>é definida como necrose hemorrágica maciça e aguda das glândulas suprar-renais</p><p>(apoplexia adrenal), no decurso de sepse grave. Oitenta por cento dos casos ocorre</p><p>nas menigococcemias.</p><p>Sinal de Brudzinski -> flexão involuntária da perna ao se tentar fletir a cabeça do</p><p>paciente.</p><p>Josef Brudzinski, pediatra polonês, descreveu este sinal como sendo a flexão</p><p>espontânea de ambas as pernas e coxas em resposta à flexão passiva do pescoço.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>13</p><p>Fotofobia: desconforto visual que acomete pessoas que não reagem bem ou</p><p>conseguem manter os olhos devidamente abertos quando expostos à claridade –</p><p>inclusive a artificial.</p><p>Manobra de Kernig: -> flexão passiva da coxa sobre a bacia, em ângulo reto, com</p><p>dor e resistência à extensão do</p><p>joelho.</p><p>Posicionar o paciente em decúbito dorsal. Promover flexão da coxa sobre o quadril</p><p>em ângulo de 90 graus e em seguida promover a extensão da perna sobre a coxa.</p><p>Quando positivo, observa-se que o paciente tenta interromper o movimento ao</p><p>sentir dor.</p><p>Rigidez de Nuca: Uma sensação de dor ou desconforto no pescoço ao tentar mover</p><p>a cabeça ou virá-la para os lados.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>14</p><p>A apresentação clínica da meningite é variável, desde formas brandas à</p><p>fulminantes.</p><p>O diagnóstico diferencial inclui doenças exantemáticas virais (sarampo, dengue,</p><p>Chikungunya, etc), malária, endocardite bacteriana.</p><p>Sinais de gravidade da meningite: piora da cefaleia, rebaixamento do nível de</p><p>consciência, torpor, convulsões, déficit neurológico focal, confusão mental,</p><p>transtornos pupilares, turvação visual, paralisias de nervos cranianos, bradicardia,</p><p>nistagmo, papiledema.</p><p>-Meningite viral: principal representante enterovírus, associadas ao quadro de</p><p>meningite, são comuns manifestações gastrointestinais (vômitos, hiporexia, diarreia</p><p>e dor abdominal), respiratórias (tosse, faringite) e ainda erupção cutânea. No exame</p><p>físico observa-se um bom estado geral associado aos sinais de irritação meníngea.</p><p>Em geral, cursa com bom prognóstico e a recuperação do paciente é completa.</p><p>Tende a ser autolimitada, a duração do quadro é geralmente inferior a uma semana.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>15</p><p>Meningite causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana: cerca de 40 a 90%</p><p>dos pacientes infectados pelo HIV-1 cursam com a síndrome inicial, caracterizada</p><p>por febre, mal estar, linfadenopatia, artralgia, anorexia, náuseas, vômitos, cefaleia e</p><p>erupção morbiliforme. É possível ainda que tais pacientes apresentem também</p><p>quadro de meningite asséptica: cefaleia, fotofobia, náusea, vômito e rigidez de nuca.</p><p>Podem ainda apresentar encefalopatia e paralisia de nervos cranianos (V, VII e VIII).</p><p>Os sintomas da meningite podem durar algumas semanas, com regressão</p><p>posterior. Caso a infecção por HIV não seja tratada, os sintomas da infecção inicial</p><p>podem retornar.</p><p>-Meningite criptocócica: deve ser sempre considerada em pacientes com AIDS que</p><p>apresentam cefaleia, febre, demência progressiva e confusão mental.</p><p>-Meningite bacteriana: O período de encubação é de 2-10 dias e a apresentação</p><p>clínica pode apresentar-se na forma de 3 síndromes, que não necessariamente</p><p>estão todas presentes.</p><p>• Síndrome toxêmica: Queda importante do estado geral, febre alta, delirium e</p><p>quadro confusional. Sinal de Faget (dissociação pulso-temperatura) pode</p><p>estar presente.</p><p>• Síndrome da Hipertensão Intracraniana (HIC): Cefaleia, náuseas e vômitos.</p><p>• Síndrome da irritação meníngea: Rigidez nucal, sinal de Kernig, sinal de</p><p>Brudzinski e desconforto lombar.</p><p>- Somente 50% dos pacientes apresentam essa tríade. Outros achados são</p><p>convulsões e sinais neurológicos focais. A presença de lesões cutâneas é</p><p>característica da N. meningitidis.</p><p>- A infecção por meningococo pode levar a meningite e meningococcemia, sendo</p><p>denominada como doença meningocócica, que é um problema de saúde pública</p><p>devido ao risco de surtos. 15-20% possuem evolução rápida e muitas vezes</p><p>fulminante devido a septicemia meningocócica, apresentando prostração intensa,</p><p>palidez, sinais de toxemia, exantema e/ou petéquias, sufusões hemorrágicas,</p><p>hipotensão, rebaixamento do sensório, associados ou não a quadro de meningite,</p><p>com risco de evolução para choque, CIVD e óbito.</p><p>Compondo a Síndrome de Waterhouse-Friderichsen.</p><p>- O papiledema é um achado oftalmológico que corresponde a edema do disco</p><p>ótico secundário a aumento da pressão intracraniana, estando presente em</p><p>condições potencialmente fatais. Estas alterações são observáveis à fundoscopia.</p><p>DIAGNÓSTICO:</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>16</p><p>• História clínica.</p><p>• Exame físico.</p><p>• Culturas: LCR, sangue e raspado das lesões cutâneas.</p><p>• Bacterioscopia direta.</p><p>• Aglutinação por látex.</p><p>• PCR.</p><p>Exames Laboratoriais:</p><p>É feito por meio do estudo do líquido cefalorraquidiano, sangue (hemoculturas) e</p><p>raspado de lesões petequiais, quando se suspeitar de meningococcemia e doença</p><p>meningocócica.</p><p>• O diagnóstico das meningites virais também pode ser realizado através da</p><p>urina e fezes (testes moleculares que, normalmente, não estão disponíveis na</p><p>prática clínica.</p><p>Fazer TC de crânio antes da punção lombar se houver, na história ou no quadro</p><p>clínico, indicativos de maior possibilidade de convulsões, rebaixamento do nível de</p><p>consciência, papiledema ou outros sinais de hipertensão intracraniana, pacientes</p><p>imunocomprometidos.</p><p>Indicativos de pior prognóstico: idade avançada, leucopenia, trombocitopenia,</p><p>hemocultura positiva, presença de otite ou sinusite, ausência de rash.</p><p>TOMOGRAFIA: Desvio de linha média, Presença de massa em fossa posterior;</p><p>Apagamento das cisternas basilar e supraquiasmática; Apagamento da cisterna</p><p>cerebelar superior; Apagamento da cisterna quadrigeminal; Hidrocefalia obstrutiva.</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>17</p><p>CONTRAINDICADA PARA FAZER PUNÇÃO: Coagulopatia ou trombocitopenia grave</p><p>(denotadas por sangramento ativo). A punção lombar (se não houver</p><p>contraindicação para tal procedimento) e a coleta de sangue para cultura devem</p><p>ser realizadas antes do início da antibioticoterapia.</p><p>• Outro critério é a contagem de plaqueta inferior a 50.000 e lesões no local da</p><p>punção. Evitar a realização do exame em pacientes com lesões no SNC com</p><p>efeito de massa, devido ao risco de herniação (em especial das tonsilas</p><p>cerebelares) pela formação de pressão negativa no sistema do líquido</p><p>cerebrospinal → paciente comatoso, imunossuprimido, sinais focais e</p><p>papiledema.</p><p>LÍQUOR: Uma vez obtido o líquor, analisar: proteína, glicose (relação soro/líquor),</p><p>celularidade com diferencial, além de bacterioscopia pelo Gram e cultura com</p><p>antibiograma. O líquor normal é límpido e incolor, como “água de rocha”. Nos</p><p>processos infecciosos, ocorre o aumento de elementos figurados (células), causando</p><p>turvação, cuja intensidade varia conforme a quantidade e o tipo desses elementos.</p><p>coroide. O LCR atua como um amortecedor protegendo as estruturas cerebrais e</p><p>medulares, fornece nutrientes essenciais para o cérebro e possui importante função</p><p>na remoção dos resíduos provenientes da atividade cerebrale no equilíbrio da</p><p>pressão intracraniana. Punção lombar entre os processos espinhosos de L3-L4 ou L4-</p><p>L5.</p><p>TRATAMENTO:</p><p>Sem tratamento imediato, a taxa de mortalidade da síndrome de Waterhouse-</p><p>Friderichsen é de cerca de 100%. Mesmo recebendo um tratamento rápido e ideal,</p><p>cerca de 40% dos pacientes com sepse meningocócica não sobrevivem. Em caso</p><p>de coagulação intravascular disseminada, a mortalidade chega a 90%.</p><p>• Antibioticoterapia precoce.</p><p>o Crianças: penicilina ou cefalosporina de terceira geração</p><p>(ceftriaxona).</p><p>o Adultos: cefalosporina de terceira geração.</p><p>• Ressuscitação volêmica.</p><p>• Cuidados intensivos, quando indicados.</p><p>VIGILÃNCIA DAS MENINGITES:</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>18</p><p>Vigilância em saúde age como detetive nas epidemias (quando ocorre um</p><p>aumento no número de casos de uma doença em várias regiões, mas sem uma</p><p>escala global), determinando as causas, agentes, realizando o isolamento das</p><p>pessoas acometidas, realizando quimioprofilaxia, tratamento efetivo e a</p><p>comunicação às autoridades.</p><p>A Vigilância Epidemiológica atua analisando os dados contidos na Lista Nacional de</p><p>Notificação Compulsória de Doenças e Agravos. A notificação compulsória é a</p><p>comunicação obrigatória à autoridade de saúde, realizada pelos profissionais de</p><p>saúde ou responsáveis pelos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados,</p><p>sobre a ocorrência de suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento de</p><p>saúde pública.</p><p>As Secretarias Estaduais de Saúde podem incluir na lista, doenças que sejam</p><p>importantes</p><p>serem notificadas em seu território.</p><p>Doenças e agravos de notificação compulsória: acidente de trabalho, acidente por</p><p>animal peçonhento, coqueluche, Covid 19, dengue, difteria, doença meningocócica</p><p>e outras meningites, zika, febre amarela, óbito infantil e materno, violência</p><p>doméstica e/ou outras violências, violência sexual, tentativa de suicídio, etc. Há o</p><p>preenchimento da ficha de notificação e investigação e a definição de casos</p><p>suspeitos, confirmados ou descartados.</p><p>Funções da Vigilância Epidemiológica:</p><p>• Detectar surtos (aumento repentino e inesperado de casos de uma doença</p><p>numa determinada região, comunidade ou estação do ano) e responder</p><p>prontamente.</p><p>• Dar suporte às equipes assistenciais.</p><p>• Monitorar cepas circulantes e resistência antimicrobiana.</p><p>• Produzir e disseminar informações baseadas em conhecimento científico.</p><p>Funções da Vigilância Sanitária:</p><p>• Definição de caso: suspeito, confirmado ou descartado.</p><p>• Notificação e investigação.</p><p>• Prevenção e controle: evitar casos secundários com isolamento e interdição.</p><p>• Quimioprofilaxia.</p><p>• Imunização.</p><p>• Manejo e controle do surto.</p><p>• Bloqueio vacinal.</p><p>Sistemas de Informação em Saúde:</p><p>Lara Cascaes da Rosa | 5º semestre Medicina (UNISUL)</p><p>19</p><p>SINAN: Sistema de Informação de Agravos de Notificação Compulsória: notificação,</p><p>investigação, encerramento de casos e produção de estatísticas.</p><p>SIM: Sistema de Informação de Mortalidade.</p><p>SINASC: Sistema de Informação de Nascidos Vivos.</p><p>SIH/SUS: Sistema de Informação Hospitalar.</p><p>SAI/SUS: Sistema de Informação Ambulatorial.</p><p>SIAB: Sistema de Informação de Atenção Básica.</p><p>SIS/HIPERDIA: Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e</p><p>Diabéticos.</p><p>Regulamento Sanitário Internacional</p><p>Dispositivo legal internacional, do qual o Brasil é signatário, que ajuda os países a</p><p>trabalharem juntos para salvar vidas que podem ser ameaçadas pela</p><p>disseminação internacional de doenças e outros riscos à saúde.</p>

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