Prévia do material em texto
PRORN PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO EM NEONATOLOGIA ORGANIZADO PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA Diretores acadêmicos Renato S. Procianoy Cléa R. Leone Artmed/Panamericana Editora Ltda. SISTEMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA A DISTÂNCIA Estimado leitor É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora. E quem não estiver inscrito no Programa de Atualização em Neonatologia (PRORN) não poderá realizar as avaliações, obter certificação e créditos. Sociedade Brasileira de Pediatria Rua Santa Clara, 292. Bairro Copacabana 22041-010 - Rio de Janeiro, RJ Fone (21) 2548-1999 – Fax (21) 2547-3567 E-mail: sbp@sbp.com.br http://www.sbp.com.br SISTEMA DE EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA A DISTÂNCIA (SEMCAD®) PROGRAMA DE ATUALIZAÇÃO EM NEONATOLOGIA (PRORN) Artmed/Panamericana Editora Ltda. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670. Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS – Brasil Fone (51) 3025-2550 – Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@semcad.com.br consultas@semcad.com.br http://www.semcad.com.br Os autores têm realizado todos os esforços para localizar e indicar os detentores dos direitos de autor das fontes do material utilizado. No entanto, se alguma omissão ocorreu, terão a maior satisfação de na primeira oportunidade reparar as falhas ocorridas. A medicina é uma ciência em permanente atualização científica. Na medida em que as novas pesquisas e a experiência clínica ampliam nosso conhecimento, modificações são necessárias nas modalidades terapêuticas e nos tratamentos farmacológicos. Os autores desta obra verificaram toda a informação com fontes confiáveis para assegurar-se de que esta é completa e de acordo com os padrões aceitos no momento da publicação. No entanto, em vista da possibilidade de um erro humano ou de mudanças nas ciências médicas, nem os autores, nem a editora ou qualquer outra pessoa envolvida na preparação da publicação deste trabalho garantem que a totalidade da informação aqui contida seja exata ou completa e não se responsabilizam por erros ou omissões ou por resultados obtidos do uso da informação. Aconselha-se aos leitores confirmá-la com outras fontes. Por exemplo, e em particular, recomenda-se aos leitores revisar o prospecto de cada fármaco que planejam administrar para certificar-se de que a informação contida neste livro seja correta e não tenha produzido mudanças nas doses sugeridas ou nas contra-indicações da sua administração. Esta recomendação tem especial importância em relação a fármacos novos ou de pouco uso. 9 PR OR N S EM CA D INTRODUÇÃO Infecção fúngica é um problema crescente em UTI neonatal, com incidência de 1- 1,5% no total de recém-nascidos internados nessas unidades. Porém, essa aumen- ta para 3 - 5% em prematuros de muito baixo peso e atinge até 10% naqueles com peso inferior a 1.000g.1-3 Nas últimas décadas, o importante avanço na tecnologia médica e o desenvolvimento de novos recursos diagnósticos e terapêuticos aumentou a expectativa de vida de pacientes graves com câncer, transplante, AIDS e outros pacientes imunoincompetentes, como os re- cém-nascidos de muito baixo peso, cuja sobrevivência geralmente depende de assistência agressiva e invasiva. Associado a isso, os fungos emergiram como importantes patógenos em in- fecções sistêmicas, constituindo atualmente a quarta causa de infecção hospi- talar de corrente sangüínea em todas as faixas etárias e uma das primeiras cau- sas de sepse tardia em UTI neonatal.2,4,5 Além de freqüente, a infecção fúngica é, potencialmente, muito grave com taxas de mortalida- de de 25–50% e alto risco de seqüelas quando existe comprometimento do sistema nervoso central.1,2 LEMBRAR Professora assistente e doutora do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. Chefe da Unidade Neonatal do HC da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP. LIGIA MARIA SUPPO DE SOUZA RUGOLO INFECÇÃO FÚNGICA PERINATAL E NEONATAL 10 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL OBJETIVOS Com as informações oferecidas neste capítulo, esperamos que você seja capaz de: ■■■■■ conscientizar-se da gravidade da infecção fúngica neonatal; ■■■■■ reconhecer os tipos de infecção e o significado da colonização fúngica; ■■■■■ identificar os fatores de risco para infecção; ■■■■■ saber como investigar e interpretar os recursos diagnósticos; ■■■■■ decidir quando e como tratar, conhecendo a eficácia, as limitações e os riscos da terapêutica; ■■■■■ saber quando suspeitar a infecção fúngica, para diagnosticar e tratar de forma precoce, mas não abusiva; ■■■■■ implementar medidas de prevenção. ESQUEMA CONCEITUAL Agentes etiológicos e manifestações das infecções fúngicas neonatais Transmissão e colonização fúngica Infecção fúngica perinatal e neonatal Malassezia spp. Aspergillus spp. Trichosporon spp. Mucor Cryptococcus Candida Infecção de origem materna Candidíase congênita Diagnóstico Tratamento Candidíase mucocutânea Infecção de origem hospitalar Candidíase neonatal sistêmica Fatores de risco Manifestações clínicas Diagnóstico Tratamento Prognóstico Prevenção 11 PR OR N S EM CA DConsiderando sua prática clínica e as considerações da autora, que elementos confir- mam a gravidade da infecção fúngica neonatal? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ AGENTES ETIOLÓGICOS E MANIFESTAÇÕES DAS INFECÇÕES FÚNGICAS NEONATAIS A maioria das infecções fúngicas neonatais são causadas por fungos oportunistas, destacando- se como o mais importante a Candida albicans, responsável por cerca de 75% das infecções fúngicas em recém-nascidos. Outros fungos oportunistas, como Malassezia, Aspergillus, Cryptococcus, Trichosporon e os zigomicetas, podem causar infecção no recém-nascido, cujo quadro séptico é semelhante ao da Candida. Esses agentes são raros e pouco conhecidos no período neonatal, talvez por isso pos- sam não ser reconhecidos. Apresentam algumas peculiaridades no diagnóstico e na terapêutica que vale a pena conhecer. Dentre esses, a Malassezia tem despertado atenção por sua incidên- cia crescente em UTI neonatal. MALASSEZIA SPP. Os organismos do gênero Malassezia spp. são lipofílicos e colonizam áreas de maior oleosidade na pele, como o couro cabeludo, dorso e tórax. As espécies M. furfur, M. sympodialis e M. pachydermatis estão associadas com doença em re- cém-nascidos. A transmissão pode ocorrer de um paciente a outro pelas mãos dos profissionais de saúde. A colonização com M. furfur é freqüente em recém-nascidos prematuros de UTI neonatal, sendo associada ao uso de curativos oclusivos, antibioticoterapia e internação prolongada. O uso de lipídeos na nutrição parenteral é importante fator de risco para a ocorrência de fungemia nos recém-nascidos colonizados. A infecção sistêmica pode manifestar-se com ■■■■■ letargia; ■■■■■ febre; ■■■■■ bradicardia; ■■■■■ desconforto respiratório; ■■■■■ hepatoesplenomegalia; ■■■■■ convulsões. 12 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL A pneumonite intersticial é freqüente, ocorrendo em aproximadamente 50% dos recém-nascidos com doença disseminada pela M. furfur.6 Têm sido relatados vários surtos de M. pachydermatis em UTI neonatal, manifestan- do-se como infecção de corrente sangüínea, infecção urinária ou meningite.6 A conduta na infecção sistêmica inclui: ■■■■■ suspensão daque não respondem à monoterapia.41 A 5-fluorocitosina não deve ser utilizada isoladamente, pois induz rápido desenvolvimento de resistência. A absorção pela via oral é boa e 90% do fármaco é excretado pelos rins sem ser metabolizado. A dose recomendada varia de 50 a 150mg/kg/dia VO, a cada seis horas. O intervalo entre as doses deve ser aumentado se houver disfunção renal. Os efeitos adversos da 5-fluorocitosina são representados por: ■■■■■ hepatotoxicidade; ■■■■■ supressão de medula óssea (leucopenia e plaquetopenia); ■■■■■ distúrbios gastrintestinais (diarréia e enterocolite hemorrágica). Esta toxicidade geralmente está relacionada a níveis séricos elevados (> 100µg/ml) e é reversível com a suspensão do medicamento ou redução das doses.41 35 PR OR N S EM CA DFluconazol O fluconazol é um derivado imidazólico (triazólico) que atua ligando-se ao citocromo P 450 e inibindo a síntese de ergosterol da membrana celular do fungo. Seu espec- tro antifúngico é mais restrito em comparação à anfotericina B, abrangendo criptococos e Candida (tem atividade reduzida contra Candida glabrata; e Candida krusei apresenta resistência intrínseca ao fluconazol).48 O fluconazol tem duas vantagens potenciais em relação à anfotericina B: ■■■■■ baixa toxicidade; ■■■■■ fácil administração. A absorção pela via enteral é rápida e satisfatória, possibilitando o uso via oral em tratamento prolongado, sem necessidade de acesso vascular. A eliminação é renal, sem metabolização. Atin- ge bom nível nos vários tecidos e fluidos, incluindo sistema nervoso central e olhos. Vários estudos mostram resultados satisfatórios com o uso de fluconazol no tratamento da infec- ção fúngica sistêmica em recém-nascidos, inclusive na meningite por Candida, entretanto, pou- cos estudos foram delineados para avaliar a eficácia do tratamento. Um estudo randomizado, porém, realizado com amostra pequena de recém-nascidos com sepse fúngica, comparou a efi- cácia e segurança do fluconazol versus anfotericina B. As taxas de cura e o tempo de tratamento foram similares nos dois grupos. Com o fluconazol, o tempo de acesso vascular foi menor, os efeitos adversos foram menos freqüentes e seu uso foi considerado mais conveniente.54 O fluconazol é uma boa alternativa para pacientes com impossibilidade de usar anfotericina B e também para candidemia persistente após vários dias de tratamento com anfotericina B. A farmacocinética do fluconazol já foi avaliada em prematuros, o que permite maior confiabilidade e segurança nos esquemas terapêuticos. Recomenda-se a dose inicial de 12mg/kg IV infundida em trinta minutos, seguida de manutenção com 6mg/kg/dose em intervalos que variam conforme a idade gestacional e pós-natal, sendo proposto: ■■■■■ ≤ 29 semanas eassociadas ao aumento da sobrevida de prematuros de muito baixo peso. A incidência crescente e a gravidade das infecções fúngicas invasivas, as elevadas taxas de colonização cutânea e mucosa com Candida que atingem 60% dos recém-nascidos prematuros e doentes, bem como as evidências de que a colonização é importante fator de risco para infecção, motivaram as investigações na busca de medidas profiláticas eficazes e seguras na prevenção da colonização e infecção fúngica sistêmica. Os estudos nesta área concentram-se em dois medicamentos: nistatina e fluconazol. A nistatina por via oral poderia ser uma opção fácil e barata, entretanto, estudo recente de metanálise, realizado para avaliar se a nistatina profilática ou terapêutica diminui a morbidade e mortalidade em pacientes adultos imunodeprimidos, não mostrou benefício quanto à colonização e mortalidade. A comparação entre nistatina e fluconazol mostrou que o fluconazol foi mais eficaz na prevenção de colonização e infecção sistêmica.61 Em recém-nascidos, a nistatina tem se mostrado menos eficaz que o fluconazol no tratamento da monilíase oral.30 Cresce, assim, o interesse pelo uso profilático do fluconazol, que tem sido estudado em prematuros de muito baixo peso. 38 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL Nistatina Fluconazol Vantagens Desvantagens Kicklighter e colaboradores estudaram 103 prematuros de muito baixo peso, randomizados para profilaxia com fluconazol ou placebo durante quatro semanas, e avaliaram a segurança e eficácia do fluconazol quanto à colonização, que foi investigada por meio de cultura retal semanal até os dois meses de idade. A colonização foi significativamente menor com fluconazol (15%) em relação ao placebo (40%), com mínimos efeitos adversos e não houve surgimento de fungos resistentes. Os autores concluem que o fluconazol é seguro e eficaz na redução da colonização fúngica, porém, não recomendam seu uso rotineiro.18 Kaufman e colaboradores avaliaram a eficácia e segurança do fluconazol na prevenção de colonização e infecção fúngica em cem prematuros de extremo baixo peso (menores do que 1.000g) randomizados para profilaxia com fluconazol ou placebo durante seis semanas. A colonização foi significativamente menor com fluconazol (22%) em relação ao placebo (60%), com significativa diferença no risco (OR= 0,38; IC 95%, 0,18-0,56). Infecção sistêmica (com culturas positivas) foi detectada em 20% do grupo placebo, o que não ocorreu com o fluconazol, com significativa diferença no risco (OR= 0,20; IC 95%, 0,04-0,36). Não houve efeitos adversos com o uso de fluconazol, nem mudança no padrão de sensibilidade dos fungos.19 Estes dois ensaios clínicos randomizados, de boa qualidade metodológica, foram submetidos à metanálise,62 que mostrou que, enquanto isoladamente os estudos não evidenciaram diferença significativa na mortalidade, seus resultados combinados foram significativos, mostrando que o fluconazol reduz a mortalidade de prematuros de muito baixo peso durante a internação, com risco relativo de 0,44 (IC 95%, 0,21-0,91) e diferença de risco -0,11 (IC 95%, - 0,21-0,02). O número necessário a tratar foi de nove (IC 95%, 5-50), indicando que, para cada nove recém- nascidos tratados, uma morte é prevenida. Entretanto, o intervalo de confiança 95% foi amplo, denotando variabilidade na estimativa deste efeito, ou seja, o número necessário a tratar para evitar uma morte pode variar de cinco até cinqüenta. Esta metanálise permite concluir que existe evidência de benefício da profilaxia com fluconazol na redução da mortalidade em prematuros de muito baixo peso. Porém, os autores alertam que o prognóstico a longo prazo não foi avaliado e restam ainda muitas questões não esclarecidas que precisam ser investigadas em novos estudos, tais como: ■■■■■ Qual o grupo de prematuros que mais se beneficia com a profilaxia? ■■■■■ Qual a dose e tempo de administração do antifúngico profilático? ■■■■■ Que outros fármacos além do fluconazol poderiam ser utilizados? ■■■■■ Qual o impacto da profilaxia no padrão de resistência dos fungos?62 1. Que fatores motivaram investigações na busca de medidas eficazes na prevenção da colonização e infecção fúngica? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2 Cite as vantagens e desvantagens do uso de nistatina e de fluconazol: 39 PR OR N S EM CA DCONCLUSÃO Assim, ao encerrar este capítulo, deixamos patente a preocupação atual dos especialistas sobre um tópico de importância crescente em neonatologia. Esperamos ter contribuído no sentido de ajudá-lo a identificar as diversas manifestações das infecções fúngicas neonatais, a reconhecer a importância das espécies de Candida como os principais agentes etiológicos, e de atualizá-lo com relação aos recursos diagnósticos disponíveis e dificuldades no diagnóstico clínico e laboratorial. Também esperamos ter aumentado seus co- nhecimentos sobre os benefícios e limitações dos antifúngicos tradicionais e novos, deixando claro que as recomendações aqui apresentadas refletem os padrões atuais e a opinião coletiva de vários autores. Terapêutica e prevenção são aspectos críticos neste tema, que podem mudar com base em no- vas pesquisas. Em breve, teremos novas orientações quanto ao tratamento da infecção fúngica invasiva em recém-nascidos prematuros, bem como quanto ao uso profilático de antifúngicos por via oral em prematuros para prevenir a candidíase sistêmica, pois a Cochrane Library está reali- zando revisão sistemática sobre estes temas.38,63 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Ng PC. Systemic fungal infections in neonates. Arch Dis Child 1994; 71: F 130-5. 2. Saiman L, Ludington E, Pfaller M, Rangel-Frausto S, Wiblin R, Dawson J et al. Risk factors for candidemia in neonatal intensive care unit patients. The national epidemiology of mycosis survey study group. Pediatr Infect Dis J 2000; 19: 319-24. 3. Karlowicz MG, Rowen JL, Barnes-Eley ML, Burke BL, Lawson ML, Bendel CM et al. The role of birth weight and gestational age in distinguishing extremely low birth weight infants at high risk of developing candidemia from infants at low risk: a multicenter study. Pediatr Res 2002; 51: 301A. 4. Edmond MB, Wallace SE, McClish DK, Pfaller MA, Jones RN, Wenzel RP et al. Hospitalar bloodstream infections in United States hospitals: a three-year analysis. Clin Infect Dis 1999; 29: 239-44. 5. Makhoul IR, Sujov P, Smolkin T, Lusky A, Reichman B. Epidemiological, clinical and microbiological characteristics of late-onset sepsis among very low birth weight infants in Israel: A national survey. Pediatrics 2002; 109: 34-9. 6. Toscano CM, Jarvis WR. Epidemiology and clinical aspects of unusual fungal hospitalar infections. Clin updates Fungal Infect 1999; II: 1-7. 7. Bernier V, Weill FX, Hirigoyen V, Elleau C, Feyler A, Labrièze C et al. Skin colonization by Malassezia species in neonates: A prospective study and relationship with neonatal cephalic pustulosis. Arch Dermatol 2002; 138: 220-4. 8. Mahieu LM, De Dooy JJ, Van Laer FA, Jansens H, Ieven MM. A prospective study on factors influencing aspergillus spore load in the air during renovation works in a neonatal intensive care unit. J Hosp Infect 2000; 45: 1-7. 40 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL 9. Groll AH, Jaeger G, Allendorf A, Herrmann G, Schloeser RL, von Lowenich V et al. Invasive pulmonary aspergillosis in a critically ill neonate – case report and review of invasive aspergillosisin the first three months of life. Clin Infect Dis 1998; 27: 437-52. 10.Salazar GE, Campbell JR. Trichosporonosis, an ununsual fungal infection in neonates. Pediatr Infect Dis J 2002; 21: 161-5. 11. Robertson AF, Joshi W, Ellison DA, Cedars JC. Zygomycosis in neonates. Pediatr Infect Dis 1997; 16: 812-5. 12.Coto Cotallo GD, López Sastre JB, Fernández Colomer B. Candidiasis invasiva en el periodo neonatal. Am J Perinatol. (no prelo). 13.Kossoff EH, Buescher ES, Karlowicz MG. Candidemia in a neonatal intensive care unit: trends during fifteen years and clinical features of 111 cases. Pediatr Infect Dis J 1998; 17: 504-8. 14.Benjamin Jr DK, Ross K, McKinney Jr RE, Benjamin DK, Auten R, Fisher RG. When to suspect fungal infection in neonates: A clinical comparison of Candida albicans and Candida parapsilosis fungemia with coagulase-negative staphylococcal bacteremia. Pediatrics 2000; 106 (Pt 1): 712-8. 15.Saxen H, Virtanen M, Caarlson P, Hoppu K, Pohjavuori M, Vaara M et al. Neonatal Candida parapsiolsis outbreak with a high case fatality rate. Pediatr Infect Dis J 1995; 14: 776-81. 16.Baley JE, Kliegman RM, Boxerbaum B, Fanaroff AA. Fungal colonization in the very low birth weight infant. Pediatrics 1986; 78: 225-32. 17.Rangel-Frausto MS, Wiblin T, Blumberg HM, Saiman L, Patterson J, Rinaldi M et al. National epidemiology of mycosis survey (NEMIS): Variations in rates of bloodstream infections due Candida species in seven surgical intensive care units and six neonatal intensive care units. Clin Infect Dis 1999; 29: 253-8. 18.Kicklighter SD, Springr SC, Cox T, Hulsey TC, Turner RB. Fluconazole for prophylaxis against fungal candidal rectal colonization in the very low birth weight infant. Pediatrics 2001; 107: 293-8. 19.Kaufman D, Boyle R, Hazen KC, Patrie JT, Robinson M, Donowitz LG et al. Fluconazole prophylaxis against fungal colonization and infection in preterm infants. N Engl J Med 2001; 345: 1660-6. 20.Rudolph N, Tariq AA, Reale MR, Goldberg PK, Kozinn PJ. Congenital cutaneous candidiasis. Arch Dermatol 1977; 113: 1101-3. 21. Whyte RK, Hussain Z, deSa D. Antenatal infections with Candida species. Arch Dis Child 1982; 57: 528- 35. 22.Darmstadt GL, Dinulos JG, Miller Z. Congenital cutaneous candidiasis: clinical presentation, pathogenesis, and management guidelines. Pediatrics 2000; 105: 438-44. 23.Pradeepkumar VK, Rajadural VS, Tan KW. Congenital candidiasis: varied presentations. J Perinatol 1998; 18: 311-6. 24.Jin Y, Endo A, Shimada M, Minato M, Takada M et al. Congenital systemic candidiasis. Pediatr Infect Dis J 1995; 14: 818-20. 25.Gonzalez de Rios J, Moya M, Gonzalez R, Carratalá F. Candidiasis cutánea congénita: Una entidad para recordar. An Esp Pediatr 1999; 50: 499-500. 26.Almeida J, Beceiro J, Hernandez R, Salas S, Escriba R, Garcia E et al. Congenital cutaneous candidiasis: report of four cases and review of the literature. Eur J Pediatr 1996; 150: 336-8. 27.Glassman BD, Muglia JJ. Widespread erytroderma and desquamation in a neonate. Congenital cutaneous candidiasis (CCC). Arch Dermatol 1993; 129: 897-902. 41 PR OR N S EM CA D28.Whyte RK, Hussain Z, deSa D. Antenatal infections with Candida species. Arch Dis Child 1982; 57: 528- 35. 29.Hoppe JE. The antifungals study group. Treatment of orophariyngeal candidiasis in immunocompetent infants: a randomized multicenter study of miconazole gel vs nystatin suspension. Pediar Infect Dis J 1997; 16: 288-93. 30.Goins A, Ascher D, Waecker N, Arnold J, Moorefield E. Comparision of fluconazole and nystatin oral suspensions for treatment of oral candidiasis in infants. Pediatr Infect Dis J 2002; 21: 1165-6. 31. Weese-Mayer DE, Fondriest DW, Brouillette RT, Shulman ST. Risk factors associated with candidemia in the neonatal intensive care unit: a case-control study. Pediatr Infect Dis J 1987; 6: 190-6. 32. Faix RG, Kovarik SM, Shaw TR, Johnson RV. Mucocutaneous and invasive candidiasis among very low birth weight (less than 1500 grams) infants in intensive care nurseries: a prospective study. Pediatrics 1989; 83: 101-7. 33.Chien L, Macnab Y, Aziz K, Andrews W, McMillan DD, Lee SK et al. The Canadian Neonatal Network. Variations in central venous catheter-related infection risks among Canadian neonatal intensive care units. Pediatr Infect Dis J 2002; 21: 505-11. 34.Salzman BM, Isenberg HD, Shapiro JF, Lipsitz PJ, Rubin LG. A prospective study of the catheter hub as the portal of entry for microorganisms causing catheter-related sepsis in neonates. J Infect Dis 1993; 167: 487-90. 35.Rabalais GP, Samiec TD, Bryant KK, Lewis JJ. Invasive candidiasis in infants weighting more than 2500 grams at birth admitted to a neonatal intensive care unit. Pediatr Infect Dis J 1996; 15: 348-52. 36.Rowen JL, Rench MA, Kazinetz CA, Adams Jr JM, Baker CJ. Endotracheal colonization with Candida enhances risk of systemic candidiasis in very low birth weight neonates. J Pediatr 1994; 124: 789-94. 37.Botas CM, Kurlat I, Young SM, Sola A. Disseminated candidal infections and intravenous hydrocortisone in preterm infants. Pediatrics 1995; 95: 883-7. 38.Clerihew L, McGuire W. Systemic antifungal drugs for invasive fungal infection in preterm infants (Protocol for a Cochrane Review). In: The Cochrane Library, issue 3, 2003. Oxford: Update Software. 39.Makhoul IR, Kassis I, Smolkin T, Tamir A, Sujov P. Review of 49 neonates with acquired fungal sepsis: further characterization. Pediatrics 2001; 107: 61-6. 40.Faix RG. Systemic Candida infections in infants in intensive care nurseries: High incidence of central nervous system involvement. J Pediatr 1984; 105: 616-22. 41.Sanchez PJ. Perinatal infections and brain injury: Current treatment options. Clin Perinatol 2002; 29: 799- 826. 42.Mittal M, Dhanireddy R, Higgins R. Candida sepsis and association with retinopathy of prematurity. Pediatr 1998; 101: 654-7. 43.Daher AH, Berkowitz FE. Infective endocarditis in neonates. Clin Pediatr (Phila) 1995; 34: 198-206. 44.Phillips JR, Karlowicz MG. Prevalence of Candida species in hospital-acquired urinary tract infections in a neonatal intensive care unit. Pediatr Infect Dis J 1997; 16: 190-4. 45.Weisse ME, Person DA, Berkenbaugh Jr JT. Treatment of Candida arthritis with flucytosine and amphotericin B. J Perinatol 1993; 13: 402-4. 46.Johnson DE, Thompson TR, Green TP, Ferrieri P. Systemic candidiasis in very low birth weight infants (less than 1500 grams). Pediatrics 1984; 73: 138-43. 42 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL 47. Reddy TCS, Chakrabarti A, Singh M, Sunit S. Role of buffy coat examination in the diagnosis of neonatal candidemia. Pediatr Infect Dis J 1996; 15: 718-20. 48.Richardson MD, Kokki M. Therapeutic guidelines in systemic fungal infections. 2.ed. London:Current Medical Literature 2001. P. 10-20. 49.Fernandez M, Moylett EH, Noyola DE. Candidal meningitis in neonates: a 10-year review. Clin Infect Dis 2000; 31: 458-63. 50.Rodker UH, Nataro JP, Smith S. Detection of fungemia by polymerase chain reaction in critically ill neonates and children. J Perinatol 2003; 23: 117-22. 51. Bryant K, Maxfield C, Rabalais G. Renal candidiasis in neonates with candiduria. Pediatr Inf Dis J 1999; 18: 959-63. 52.Rex JH, Walsh TJ, Sobel JD, Filler SG, Pappas PG et al. Practice guidelines for the treatment of candidiasis. Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis 2000; 30: 662-78. 53.Patterson TF. Current and future approaches to antifungal therapy. Curr Opin Infect Dis 2000; 13: 559- 61. 54.Young TE, Mangum B. Neofax? A manual of drugs use in neonatal care. 16a ed. Raleich: Acorn Publishing, 2003. 285 p. 55.Driessen M, Ellis J, Cooper PA, Wainer S, Muwazi F, Hahn D et al. Fluconazole vs amphotericin B for the treatment of neonatal fungal septicemia: A prospective randomized trial. Pediatr Infect Dis J 1996; 15: 1107-12. 56.Wainer S, Cooper PA, Gouws HD, Akierman A. Prospective study of fluconazole therapy in systemic neonatalfungal infection. Pediatr Infect Dis J 1997; 16: 7763-7. 57.Linder N, Klinger G, Shalit I, Levy I, Ashenazi G, Haski G et al. Treatment of candidaemia in premature infants: comparision of three amphotericin B preparations. J Antimicrob Chemother 2003; 52: 663-7. 58.Scarcella A, Pasquariello MB, Giugliano B, Vendemmia M, DeLucia A. Liposomal amphothericin B treatment for neonatal fungal infections. Pediatr Infect Dis J 1998; 17: 146-8. 59.Leibovitz E. Neonatal candidosis: clinical picture, management controversies and consensus, and new therapeutic options. J Antimicrob Chemother 2002; 49 (suppl 1): 69-73. 60.Friedman S, Richardson SE, Jacobs SE, O’Brien K. Systemic candida infection in extremely low birth weight infants: short term morbidity and long term neurodevelopmental outcome. Pediatr Infect Dis J 2000; 19: 499-504. 61.Gotzsche PC, Johansen HK. Nystatin prophylaxis and treatment in severely immunodepressed patients. (Cochrane Review). In: The Cochrane Library, issue 3, 2002. Oxford: Update Software. 62. McGuire W, Clerihew L, Austin N. Prophylatic intravenous antifungal agents to prevent mortality and morbidity in very low birth weight infants. (Cochrane Review). In: The Cochrane Library, issue 3, 2003. Oxford: Update Software. 63.Austin NC, Darlow B. Prophylatic oral antifungal agents to prevent systemic candida infection in preterm infants (Protocol for a Cochrane Review). In: The Cochrane Library, issue 3, 2003. Oxford: Update Software. P964 Programa de Atualização em Neonatologia (PRORN) / organizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. – Porto Alegre : Artmed/ Panamericana Editora, 2003. 17,5 x 25; ciclo 1, módulo 1. (Sistema de Educação Médica Continuada a Distância (SEMCAD) 1. Neonatologia – Educação a distância. I. Sociedade Brasileira de Pediatria. II. Título. CDU 612.648:37.018.43 Catalogação na publicação: Mônica Ballejo Canto – CRB 10/1023 PRORN. Programa de Atualização em Neonatologia ISSN 1679-4737 Reservados todos os direitos de publicação à ARTMED/PANAMERICANA EDITORA LTDA. Avenida Jerônimo de Ornelas, 670 – Bairro Santana 90040-340 – Porto Alegre, RS Fone (51) 3025-2550. Fax (51) 3025-2555 E-mail: info@semcad.com.br consultas@semcad.com.br http://www.semcad.com.br Capa e projeto: Tatiana Sperhacke Diagramação e editoração eletrônica: Ethel Kawa Coordenação pedagógica: Claudia Lázaro Processamento pedagógico: Evandro Alves Revisões: Geraldo F. Huff e Evandro Alves Coordenação-geral: Geraldo F. Huff Diretores Acadêmicos: Renato S. Procianoy Professor Titular de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Chefe do Serviço de Neonatologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Diretor de Publicações Científicas da Sociedade Brasileira de Pediatria. Editor-chefe do Jornal de Pediatria Cléa R. Leone Professora Associada do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica-chefe do Berçário Anexo à Maternidade/Serviço de Pediatria Clínica Intensiva e Neonatal/Instituto da Criança/Fundação Médica Universidade de São Paulo. Presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria 121 PR OR N S EM CA D Presidente Lincoln Marcelo Silveira Freire 1º Vice-Presidente Dioclécio Campos Júnior 2º Vice-Presidente João Cândido de Souza Borges Secretário-Geral Eduardo da Silva Vaz 1º Secretário Vera Lúcia Queiroz Bomfim Pereira 2º Secretário Marisa Bicalho P. Rodrigues 3º Secretário Fernando Filizzola de Mattos 1º Diretor Financeiro Carlindo de Souza Machado e Silva Filho 2º Diretor Financeiro Ana Maria Seguro Meyge Diretoria de Patrimônio Mário José Ventura Marques Coordenador do Selo Claudio Leone Coordenador de Informática Eduardo Carlos Tavares Conselho Acadêmico Presidente Reinaldo Menezes Martins Secretário Nelson Grisard Conselho Fiscal Raimunda Nazaré Monteiro Lustosa Sara Lopes Valentim Nilzete Liberato Bresolin Assessorias da Presidência Pedro Celiny Ramos Garcia Fernando Antônio Santos Werneck Claudio Leone Luciana Rodrigues Silva Nelson de Carvalho Assis Barros Reinaldo Menezes Martins Diretoria de Qualificação e Certificação Profissional Clóvis Francisco Constantino Coordenador do CEXTEP Hélcio Villaça Simões Coordenador da Área de Atuação José Hugo Lins Pessoa Coordenador da Recertificação José Martins Filho Diretor de Relações Internacionais Fernando José de Nóbrega Representantes ALAPE: Mário Santoro Jr. AAP: Conceição Aparecida de M. Segre IPA: Sérgio Augusto Cabral Mercosul: Remaclo Fischer Júnior Diretor dos Departamentos Científicos Nelson Augusto Rosário Filho Diretoria de Cursos e Eventos Dirceu Solé Coordenador da Reanimação Neonatal José Orleans da Costa Coordenador da Reanimação Pediátrica Paulo Roberto Antonacci Carvalho Coordenador dos Serões Edmar de Azambuja Salles Centro de Treinamento em Serviços: Coordenador: Mário Cícero Falcão Coordenador dos Congressos e Eventos Álvaro Machado Neto Coordenador do CIRAPs Maria Odete Esteves Hilário Diretoria de Ensino e Pesquisa Lícia Maria Oliveira Moreira Coordenadora da Graduação Rosana Fiorini Puccini Residência e Estágio-Credenciamento Coordenadora: Cleide Enoir P. Trindade Residência e Estágio - Programas Coordenador: Aloísio Prado Marra Coordenador da Pós-Graduação Francisco José Penna Coordenador da Pesquisa Marco Antônio Barbieri Sociedade Brasileira de Pediatria Diretoria 2001/2003 Diretoria de Publicações da SBP Diretor de Publicações Renato Soibelmann Procianoy Editor do Jornal de Pediatria Renato Soibelmann Procianoy Coordenador do PRONAP João Coriolano Rego Barros Coordenador dos Correios da SBP Antonio Carlos Pastorino Documentos Científicos Coordenador: Paulo de Jesus H. Nader Centro de Informações Científicas Coordenador: Ércio Amaro de Oliveira Filho Diretoria de Benefícios e Previdência Guilherme Mariz Maia Diretor Adjunto Roberto Moraes Rezende Diretor de Defesa Profissional Mário Lavorato da Rocha Diretoria da Promoção Social da Criança e do Adolescente João de Melo Régis Filho Promoção de Campanhas Coordenadora: Rachel Niskier Sanchez Defesa da Criança e do Adolescente Coordenadora: Célia Maria Stolze Silvany Comissão de Sindicância Coordenadores: Euze Márcio Souza Carvalho José Gonçalves Sobrinho Rossiclei de Souza Pinheiro Antônio Rubens Alvarenga Mariângela de Medeiros Barbosa Sociedade Brasileira de Pediatria Rua Santa Clara, 292 - Copacabana - 22041-010 - Rio de Janeiro, RJ Fone (0xx21) 2548-1999 Fax (0xx21) 2547-3567 E-mail: sbp@sbp.com.br www.sbp.com.br INFECÇÃO FÚNGICAPERINATAL E NEONATAL INTRODUÇÃO OBJETIVOS ESQUEMA CONCEITUAL AGENTES ETIOLÓGICOS E MANIFESTAÇÕESDAS INFECÇÕES FÚNGICAS NEONATAIS MALASSEZIA SPP. ASPERGILLUS SPP. TRICHOSPORON SPP. MUCOR CRYPTOCOCCUS CANDIDA TRANSMISSÃO E COLONIZAÇÃO FÚNGICA INFECÇÃO DE ORIGEM MATERNA Candidíase congênita Formas de manifestação da candidíase congênita Candidíase cutânea congênita Candidíase sistêmica congênita Diagnóstico da candidíase congênita Tratamento da candidíase congênita Candidíase mucocutânea INFECÇÃO DE ORIGEM HOSPITALAR Candidíase neonatal sistêmica (invasiva) Fatores de risco para ocorrência de candidíase neonatal sistêmica Fatores de risco clássicos Outros fatores de risco de candidíase neonatal sistêmica Manifestações clínicas da candidíase neonatal sistêmica Diagnóstico da candidíase neonatal sistêmica Tratamento da candidíase neonatal sistêmica CASO CLÍNICO Uso de antifúngicos Anfotericina B Preparações lipídicas de anfotericina B Flucitosina (5-fluorocitosina) Fluconazol Prognóstico Prevenção CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASinfusão de lipídeos na nutrição parenteral; ■■■■■ remoção de cateter vascular; ■■■■■ uso de anfotericina B. A pustulose cefálica, também conhecida como acne neonatal, é uma erupção pápulo-pustular no segmento cefálico de recém-nascidos associada à colonização de pele por espécies de Malassezia, especialmente a M. sympodialis. Estudo recente, envolvendo recém-nascidos de termo e suas mães, investigados por exame direto e cultura nos primeiros cinco dias após o nascimento e, três semanas após, evidenciou que a colonização dos recém-nascidos por Malassezia spp., com predomínio da M. sympodialis, inicia-se nos primeiros dias de vida, aumenta nas pri- meiras semanas e está associada à acne neonatal.7 Para a confirmação diagnóstica de infecção por Malassezia, a cultura deve ser obtida em meio especial enriquecido com óleo.6 ASPERGILLUS SPP. A exposição ao ar ou sistema de ventilação contaminados pode desencadear sur- tos de infecção hospitalar pelo aspergilo, ou propiciar que pacientes imunodeprimidos tornem-se colonizados e, a seguir, infectados. Os sistemas de ar-condicionado aumen- tam a concentração de esporos aéreos, havendo necessidade de barreiras físicas efi- cazes e sistemas de filtração do ar para evitar a aerobiocontaminação pelo aspergilo.8 Até o final da década de 1990, cerca de cinqüenta casos de aspergilose haviam sido descritos em recém-nascidos e lactentes com menos de três meses.9 Os principais fatores de risco para doença invasiva incluem: ■■■■■ granulocitopenia ou neutropenia prolongada; ■■■■■ uso de corticóide; ■■■■■ imaturidade imunológica do recém-nascido, principalmente do prematuro. A imaturidade da barreira mecânica da pele do recém-nascido e/ou lesão desta contri- buem para aspergilose cutânea. A seguir, no Quadro 1, vemos as formas de aspergilose e suas características. 13 PR OR N S EM CA D Formas da aspergilose Cutânea primária Período de ocorrência Primeiras semanas de vida, em prematuros muito imaturos. Manifestações Lesões em placas, pápulas, pústulas, abscessos e ulce- rações crostosas. Invasiva pulmonar Disseminada Geralmente no final do primei- ro mês, em recém-nascidos de termo. A maioria dos casos foram rela- tados antes da década de 1980, com predomínio em recém- nascidos de termo, no final do primeiro mês. Todos tiveram evolução fatal. Sintomas de infecção de vias aéreas inferiores e/ou infiltrado radiológico, sendo rara a febre. Por vezes, é diag- nosticada em necropsia. A exis- tência de alguma construção perto do hospital é um fator de risco para esta doença. Sintomas respiratórios e/ou neurológicos. Quadro 1 FORMAS DE ASPERGILOSE E SUAS CARACTERÍSTICAS O sistema nervoso central e o trato gastrintestinal são outros sítios mais raros de aspergilose. O diagnóstico é difícil porque, mesmo na forma disseminada da doença, a cultura geralmente é negativa, sendo às vezes necessário biópsia para confirmação histológica. O tratamento da aspergilose é feito com anfotericina B. TRICHOSPORON SPP. Trichosporon é uma levedura isolada do solo, água estagnada e também faz parte da flora normal da boca, narinas e pele em humanos. T. asahii (anterior- mente designado T. beigelii) é a espécie patogênica mais importante. Existem pou- cos casos descritos em recém-nascidos. Acomete, predominantemente, recém-nas- cidos de muito baixo peso, manifestando-se como sepse fúngica.10 A tricosporonose invasiva é grave e quase sempre fatal. O diagnóstico baseia-se no resultado de hemocultura ou exame histopatológico de tecidos. O fungo pode ser confundido com espécies de Candida não-albicans e, com freqüência, apresenta resis- tência à anfotericina B. Assim, o tratamento é difícil e, embora não haja consenso, o fluconazol é uma op- ção.10 14 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL MUCOR A prematuridade é fator de risco para mucormicose. A contaminação por Mucor pode ocorrer através de adesivos, como esparadrapos e adesivos de monitores. A seguir, ocorre angioinvasão com infarto e necrose tecidual, que, caracteristicamente, manifesta-se como mancha preta na pele ou mucosa. Anfotericina B é a opção terapêutica, mas, no recém-nascido, a doença invasiva em geral é rapidamente fatal.11 CRYPTOCOCCUS Criptococo é raro e grave no período neonatal, sendo relatados casos de transmissão intraparto e também associados a cateter. O quadro clínico é semelhante ao das infecções congênitas, com importante comprometimento do sistema nervoso central. Para o tratamento, recomenda-se anfotericina B e 5-fluorocitosina, pois existe sinergismo desta associação contra o criptococo. Após esta breve apresentação dos diversos fungos que podem acometer o recém-nascido, foca- lizamos, daqui em diante, o fungo mais importante no período neonatal: Candida CANDIDA Candida é o fungo mais importante e preocupante no período neonatal. Na forma de levedura, é saprófita e faz parte da flora endógena normal do trato digestivo e das membranas mucocutâneas. Cerca de duzentas espécies (spp.) de Candida já foram identificadas, porém, poucas causam doença em humanos. A Candida albicans é a mais freqüente em todas as faixas etárias, inclusi- ve no recém-nascido, mas nas duas últimas décadas tem havido alteração nas espécies de Candida responsáveis por infecções hospitalares, com emergência de C. tropicalis, C. parapsilosis, C. glabrata, C. krusei e C. lusitaniae, C. guillermondii, C. spellatoidea.6, 12 No período neonatal, destaca-se o aumento da C. parapsilosis que, às vezes, tem-se mostrado mais freqüente do que a C. albicans.13, 14 Estudos experimentais e relatos clínicos sugerem que a C. parapsilosis é menos virulenta do que a C. albicans; entretanto, a presença de cateter intravascular e infusão de alta concentração de glicose favorecem o desenvolvimento e a maior virulência da C. parapsilosis em relação à C. albicans. Alerta-se também para a alta freqüência de contaminação das mãos de profissio- nais da saúde com C. parapsilosis e baixas taxas de lavagem de mãos antes do contato com pacientes, o que favorece a transmissão horizontal deste fungo em UTI neonatal.15 15 PR OR N S EM CA D Comprometimento do sistema nervoso central Infecção de vias aéreas inferiores Pápulas, pústulas, abcessos e ulcerações Convulsões Necrose tecidual Hepatoesplenomegalia Bradicardia Sintomas neurológicos Malassezia spp. Aspergilo Mucor Criptococo Fungo oportunista Malassezia spp. Aspergilo spp. Mucor Fatores de risco 1. Por que motivo a Malassezia spp., comparativamente a outros fungos oportunistas, tem despertado a atenção? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2. Qual a relação entre colonização por Malassezia spp. e pustulose cefálica? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 3. Como evitar a aerobiocontaminação pelo aspergilo? ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 4. A partir do texto, indique os principais fatores de risco para contaminação pelos se- guintes fungos oportunistas: 5. Quais as diferenças entre Candida albicans e Candida parapsilosis? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 6. Assinale, segundo o exposto no texto, as manifestações clínicas mais freqüentes na infecção fúngica provocada pelos agentes etiológicos abaixo mencionados: 16 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL LEMBRAR 7. De que outras maneiras as infecções provocadas por esses fungos podem se mani- festar? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ TRANSMISSÃO E COLONIZAÇÃO FÚNGICA O recém-nascido pode adquirir Candida por transmissão vertical ou hospitalar e tornar-se colonizado ou infectado. A transmissão vertical ocorre por via ascendente a partir do trato genital materno, durante a gestação ou no nascimento. Durante a gestação, os microrganismos presentes na vagina mater- na podem atingir a cavidade amniótica através das membranas, mesmo que estas estejam ínte- gras, determinando processo inflamatório no líquido amniótico, na superfície fetal da placenta e cordão umbilical. O feto pode ser contaminado pelo contato direto do fungo na superfície cutânea fetal e pela deglutição ou aspiração do líquido amniótico contaminado, resultando na candidíase congênita. A contaminação fetal também pode ocorrer no canal de parto, durante o nascimento, propiciando o desenvolvimento da candidíase neonatal mucocutânea. Como a candidíase vaginal é freqüente, as taxas de colonização fúngica em recém-nascidos, principalmente nos de muito baixo peso, podem ser elevadas já nos primeiros dias de vida. Em estudo de coorte com 146 prematuros de muito baixo peso detectou-se que 39 deles foram colo- nizados nas primeiras três semanas de vida, sendo que 18% já estavam colonizados antes de 24 horas de vida e 48%, durante a primeira semana. Houve predomínio significativo de parto vaginal entre os colonizados. O sítio mais freqüente de colonização foi o reto e C. albicans foi a espécie mais freqüente (61%) seguida pela C. parapsilosis (18%). Dos recém-nascidos colonizados, um terço apresentou candidíase mucocutânea e 7,7% tiveram infecção sistêmica.16 A transmissão hospitalar da Candida é um sério problema em UTI neonatal, onde são relatados surtos de candidemia, e taxas em torno de 30% de colonização nas mãos dos profissionais da saúde e cifras de colonização nos recém-nascidos que giram em torno de 50% ou mais.16-18 Entre cinqüenta prematuros menores do que 1.000g avaliados nas primeiras seis semanas de vida, documentou-se que 60% apresentaram colonização em um sítio e 52% em dois ou mais sítios. Os locais mais freqüentes de colonização foram: reto (54%), pele (48%) e nasofaringe (42%), destacando-se que a colonização retal foi a melhor em predizer infecção sistêmica.19 No Quadro 2, apresentamos uma síntese das formas de transmição da Candidíase. 17 PR OR N S EM CA D Formas de transmissão Vertical Hospitalar Características Contaminação via ascendente a partir do trato genital materno (candidíase congênita) Contaminação no canal de parto (candidíase neonatal mucocutânea) Contaminação através das mãos de profissionais de saúde associada à colonização de recém-nascidos Quadro 2 FORMAS DE TRANSMISSÃO 1. Sintetize o processo que resulta, respectivamente, no desenvolvimento da candidíase congênita e da candidíase neonatal mucocutânea. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2. Analisando sua prática médica, que outras considerações devem ser feitas relativa- mente à transmissão hospitalar da Candida? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ INFECÇÃO DE ORIGEM MATERNA A infecção de origem materna é rara e manifesta-se ao nascimento ou na primeira semana de vida como candidíase congênita cutânea ou sistêmica e candidíase mucocutânea. Candidíase congênita A candidíase congênita é uma doença rara, adquirida intra-útero, manifestada ao nascimento e não parece estar relacionada ao/à: ■■■■■ nascimento por via vaginal; ■■■■■ rotura prematura de membranas; ■■■■■ duração do trabalho de parto; ■■■■■ paridade materna; ■■■■■ uso materno de antibióticos ou corticosteróides.20,21 Entretanto, a presença de dispositivo intra-uterino de contracepção ou circlagem de colo uterino são considerados fatores de risco para a candidíase congênita, especialmente em pre- maturos muito pequenos.21,22 18 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL LEMBRAR Apesar da elevada incidência de candidíase vulvovaginal durante a gestação, acometendo 20 a 30% das gestantes, em menos do que 1% dos casos há infecção placentária com corioamnionite, funisite e, mais raramente ainda, ocorre o comprometimento fetal, que se manifesta no recém- nascido com quadro cutâneo (de bom prognóstico) ou sistêmico (em prematuros extremos e com pior prognóstico).23 A infecção fetal pode causar aborto ou morte fetal. Veja no Quadro 3, os fatores moduladores do risco de infecção. Quadro 3 FATORES MODULADORES DO RISCO DE INFECÇÃO24, 25 Virulência do microrganismo Extensão da contaminação Capacidade de resposta fetal Formas de manifestação da candidíase congênita A candidíase congênita se manifesta de duas formas: candidíase cutânea congênita e candidíase sistêmica congênita. Candidíase cutânea congênitaPor ser rara e pouco conhecida, a candidíase cutânea congênita pode ser subdiagnosticada. Manifesta-se logo ao nascimento ou no primeiro dia de vida, como eritema macular difuso, que evolui com pápulas, vesículas, pústulas e, posterior- mente, extensa descamação. Paroníquia e distrofia ungueal podem fazer parte do quadro dermatológico. A erupção é difusa, mas predomina na parte superior do cor- po, incluindo tronco, pescoço, face e acomete quase sempre as palmas e plantas. Nos prematuros menores do que 1.000g, o quadro é mais intenso com dermatite erosiva e/ou descamação generalizada.25-27 O diagnóstico deve ser considerado no recém-nascido de termo, ou pré-termo, que, no primeiro dia de vida, apresenta dermatite vésico-pustulosa acometendo palmas e plantas, principalmente se houver antecedente materno de vulvovaginite na gestação, uso de dispositivo intra-uterino ou circlagem. O diagnóstico diferen- cial deve ser feito com outros processos infecciosos, como impetigo, herpes, sífi- lis, e também com o eritema tóxico.25 Nos recém-nascidos de termo e prematuros grandes, o acometimento restringe-se à pele, e a evolução é benigna, com resolução das lesões entre o final da primeira e da terceira semanas de vida. Entretanto, prematuros de extremo baixo peso têm alto risco de evoluir para infecção sistêmica e morte.20,22,25 19 PR OR N S EM CA D Candidíase cutânea congênita Rara e pouco conhecida Manifestação no nascimento ou primeiro dia de vida (eritema macular difuso predominantemente na parte superior do corpo) Quadro dermatológico: pápulas, vesículas, pústula, extensa descamação, possibilidade de paroníquia e distrofia ungueal Candidíase sistêmica congênita Grave Manifestação em prematuros de muito baixo peso Quadro clínico: desconforto respiratório decorrente de pneumonia, possibilidade de meningite, candidúria e/ou candidemia Exame macroscópico Cordão umbilical e membranas: possibilidade de evidenciação de lesões patognômicas da funisite por Candida (pequenas placas arredondadas e amareladas que se agrupam em formato de colar no cordão umbilical e, às vezes, se estendem ao redor da inserção do cordão umbilical). Exame microscópico e macroscópico Placenta: possibilidade de evidenciação de corioamnionite fúngica no lado fetal. Continua ➜➜➜➜➜ Candidíase sistêmica congênita A candidíase sistêmica congênita é uma forma grave de candidíase, com mortalida- de em torno de 60%. Ocorre em prematuros de muito baixo peso, principalmente nos menores do que 1.000g. Na maioria dos casos, não há antecedente de bolsa rota e, sim, de dispositivo contraceptivo intra-uterino. A doença pode manifestar-se a partir de um quadro de candidíase cutânea, entretanto, a manifestação mais freqüente é o desconforto respiratório decorrente de pneumonia, sendo que menos da meta- de dos pacientes apresenta lesões cutâneas, o que torna o diagnóstico mais difícil. Também pode ocorrer meningite, candidúria e/ou candidemia.24 Quadro 4 DIFERENÇAS ENTRE CANDIDÍASE CUTÂNEA E SISTÊMICA Diagnóstico da candidíase congênita A confirmação diagnóstica da candidíase congênita é feita pela detecção da Candida spp. em exame direto de esfregaço ou em cultura de aspirado gástrico, mecônio, ras- pado de vesículas da pele ou de lesões no cordão umbilical. A hemocultura é negativa mesmo nos casos de doença sistêmica.28 Quadro 5 EXAMES PARA CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA 20 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL Hemograma Candidíase cutânea congênita: normal Candidíase sistêmica congênita: evidenciação de importante leucocitose com neutrofilia e aumento de formas jovens (com valores maiores do que os habitualmente verificados na sepse bacteriana). A hiperglicemia também é freqüente. Tratamento da candidíase congênita A candidíase cutânea congênita pode ter resolução espontânea ou ser tratada por curto período com antifúngico tópico (nistatina creme, clotrimazol ou miconazol).25 A candidíase sistêmica congênita deve ser tratada de forma semelhante à candidíase sistêmica de origem hospitalar, ou seja, preferencialmente com anfotericina B, sendo o fluconazol a segunda opção. O tratamento antifúngico sistêmico está indicado para os recém-nascidos que apresen- tam, logo após o nascimento, lesões de pele sugestivas de candidíase cutânea congê- nita (lesões semelhantes a queimaduras) associadas a desconforto respiratório e/ou sinais de sepse.22 Candidíase mucocutânea A candidíase mucocutânea, quando se manifesta na primeira semana de vida, é atribuída à transmissão vertical, pelo contato da mucosa do concepto com o fungo durante o parto vaginal. A partir da segunda semana, é considerada de origem hospitalar. Pode apresentar-se como monilíase oral ou dermatite da fralda. Estas afecções são benignas, mas, nos recém-nascidos de muito baixo peso, aumentam o risco para desenvolvimento posterior de candidíase invasiva. O diagnóstico pode ser confirmado rapidamente pelo exame microscópico direto de raspado das lesões suspeitas (pápulas ou pústulas em pele e/ou placas esbranquiçadas na mucosa oral) e também pela cultura de material destas lesões. A monilíase oral pode ser tratada com nistatina (1ml = 100.000 U) procedendo-se à limpeza oral seguida de 1 a 2ml VO quatro vezes ao dia. Entretanto, a recorrência é freqüente e a administração do medicamento, muitas vezes, é difícil. Assim, a preferên- cia atual tem sido o uso de derivados azólicos, seja o gel de miconazol ou o fluconazol na dose de 3mg/kg/dia VO durante sete dias. Com os azólicos, as taxas de cura são significativamente melhores.29,30 Para tratamento da dermatite perineal, as opções são: creme de nistatina ou clotrimazol. 21 PR OR N S EM CA D1. No que se refere à candidíase congênita, quais são os fatores considerados de risco? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2. Qual é a diferença na evolução e infecções fúngicas congênitas nos recém-nascidos de termo e prematuros grandes e nos prematuros de extremo baixo peso? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 3. Que exames estão indicados para a obtenção de confirmação diagnóstica da candidíase congênita e o que eles permitem evidenciar? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 4. Sintetize, em um parágrafo, aspectos a serem considerados no tratamento da candidíase congênita. ............................................................................................................................................................................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 5. Em que circunstância a monilíase oral e a dermatite da fralda representam maior risco para o recém-nascido. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 6. No que concerne ao tratamento da monilíase oral, indique aspectos positivos e/ou negativos do emprego de: Nistatina – ....................................................................................................................................... Derivados azólicos – ....................................................................................................................................... 22 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL INFECÇÃO DE ORIGEM HOSPITALAR Candidíase neonatal sistêmica (invasiva) A candidíase neonatal sistêmica (invasiva) é a infecção fúngica que mais preocupa os neonatologistas, pois, além de ser causa freqüente de sepse tardia, é de difícil diag- nóstico e tratamento, e apresenta mortalidade elevada, geralmente superior a 25%. Acomete predominantemente prematuros de muito baixo peso que têm como fator intrínseco de risco a imaturidade do sistema imune, associada com freqüência a outros fatores de risco, listados a seguir. Fatores de risco para ocorrência de candidíase neonatal sistêmica Fatores de risco clássicos Existem vários fatores de risco para a ocorrência de candidíase neonatal sistêmica. Alguns são clássicos, descritos também em adultos, como: 1. Antibioticoterapia múltipla, de amplo espectro e por tempo prolongado: a inibição do crescimento ou supressão da flora bacteriana favorece a proliferação fúngica.1,31,32 Estudo recente evidenciou forte associação entre o uso de cefalosporinas de terceira geração e ocorrência de candidemia em recém-nascidos.14 2. Presença de cateter intravascular: o uso de cateter venoso é uma prática freqüente em UTI neonatal e significativo fator de risco para infecção hospitalar de corrente sangüínea, seja o cate- ter venoso umbilical, percutâneo ou Broviac. O estafilococo coagulase negativa e a Candida são os principais agentes das infecções relacionadas ao cateter.33 A colonização da ponta do cateter e/ou da pele no local da inserção, bem como a infu- são de fluidos contaminados são os mecanismos de invasão microbiana na corrente sangüínea. A colonização da ponta do cateter é freqüente, favorecendo a ocorrência de embolia séptica e dificultando o tratamento.31,34 3. Uso de nutrição parenteral ou de lipídeo intravenoso: o uso de nutrição parenteral ou de lipídeo intravenoso é fator de risco independente da presença de cateter, pois os fungos são lipofílicos. Soluções com altas concentrações de glicose e lipídeos têm efeito direto, favorecendo o crescimento e multiplicação dos fungos, podendo ainda atuar indiretamente, retardando a ali- mentação enteral, o que propicia alteração da flora gastrintestinal.2,31 4. Presença de colonização por Candida ou episódio prévio de candidíase mucocutânea:35 a relação entre colonização fúngica e doença invasiva tem sido apontada em diversos estudos, principalmente em recém-nascidos de muito baixo peso, sendo que cerca de 30% dos coloniza- dos desenvolvem doença invasiva.16 A colonização endotraqueal aumenta seis vezes o risco de doença invasiva,36 e também tem sido evidenciada associação entre grau de colonização no trato gastrintestinal e manifestação de doença. 23 PR OR N S EM CA D LEMBRAR O papel da colonização do trato gastrintestinal na patogênese da doença sistêmica foi recentemente destacado em estudo de coorte multicêntrico, que investigou os fatores de risco para candidemia em todos os recém-nascidos (de termo e pré-ter- mo) internados por três ou mais dias em UTI neonatal. Foram detectados 35 casos de candidemia, sendo que 43% destes foram precedidos pela colonização gastrintestinal. Embora nesse estudo a colonização não tenha sido fator indepen- dente de risco, a utilização de tipagem molecular permitiu documentar alta propor- ção de colonização gastrintestinal prévia com o mesmo clone que causou a candidemia.2 Outros fatores de risco de candidíase neonatal sistêmica Outros fatores de risco são peculiares do período neonatal, destacando-se: 1. Prematuridade e especialmente o muito baixo peso ao nascimento são considerados os principais fatores de risco para candidíase sistêmica, pois aproximadamente 90% dos recém- nascidos infectados por ela têm peso de nascimento menor do que 1.500g. Recém-nascidos de muito baixo peso ao nascer são considerados imunoincompetentes e apresentam várias limita- ções nos mecanismos imunes, incluindo: ■■■■■ menor função fagocitária de neutrófilos; ■■■■■ menor atividade anticândida dos macrófagos; ■■■■■ menor número de células T; ■■■■■ imaturidade da barreira cutânea, entre outros.1-3,32 Deve-se considerar que o muito baixo peso está fortemente correlacionado à baixa idade gestacional e esta é o melhor indicador da função imune. No estudo de Saiman e colaboradores, a idade gestacional menor do que 32 semanas foi fator independente de risco para candidemia.2 2. Presença de cânula endotraqueal ou traqueostomia. A intubação é um procedimento fre- qüente no período neonatal e importante fator de risco para colonização endotraqueal e candidemia, pois a presença da cânula abole o mecanismo de limpeza mucociliar das vias aére- as. Além disso, a manobra de aspiração da cânula promove a colonização bidirecional envolven- do o trato respiratório e digestivo.2,36 3. Malformação congênita, principalmente do trato gastrintestinal e cardiopatias são fato- res de risco em recém-nascidos maiores do que 2.500g com internação prolongada em UTI neonatal.35 4. Uso de corticosteróides e antagonistas de receptor de histamina subtipo 2 (bloqueadores de H2). O uso de corticosteróide por tempo prolongado, antigamente proposto para o tratamento da displasia broncopulmonar, ou mesmo o uso precoce e de curta duração que esporadicamente tem sido feito no tratamento da hipotensão refratária de prematuros extremos, aumenta o risco de invasão e disseminação fúngica, pois compromete a resposta imune, principalmente a função das células T, e altera a flora intestinal.14,37 Os bloqueadores de H2 têm efeito adverso na função de neutrófilos, além de alterar o pH gástrico, importante barreira de defesa.2 24 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL Antibioticoterapia Presença de cateter intravascular Nutrição parenteral Colonização por Candida ou episódio prévio 1. Descreva as manifestações da candidíase neonatal sistêmica (invasiva). ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................2. Componha o quadro, distinguindo aspectos importantes de cada fator de risco clássi- co: 3. Por que motivo(s) a colonização do trato gastrintestinal pode ser considerada tam- bém um fator de risco? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 4. Por que a prematuridade e o muito baixo peso ao nascimento são considerados os principais fatores de risco do período neonatal? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 5. Explique a relação existente entre os procedimentos citados abaixo e os fatores de risco apresentados no texto: Intubação – ....................................................................................................................................... Uso de cefalosporinas de terceira geração – ....................................................................................................................................... Uso de soluções com altas concentrações de glicose e lipídeos – ....................................................................................................................................... Uso de cateter venoso – ....................................................................................................................................... 25 PR OR N S EM CA DManifestações clínicas da candidíase neonatal sistêmica As manifestações clínicas de infecção fúngica sistêmica podem ocorrer em qualquer momento durante a hospitalização, entretanto, atualmente, têm sido mais precoces, a partir da segunda ou terceira semanas de vida.38 O início geralmente é insidioso e as manifestações são inespecíficas. Alguns recém-nascidos apresentam apenas candidemia, mas, na maioria dos casos de candidíase neonatal (75%), existe comprometimento de dois ou mais órgãos, sendo o quadro clínico da candidíase sistêmica muito semelhante ao da sepse bacteriana. Às vezes, pode ocorrer sobreposição de infecção por bactérias e fungos. Por esse motivo, a suspeita de infecção fúngica deve ser aventada frente ao recém-nascido que, em vigência de adequada terapia antimicrobiana para sepse bacteriana, apresenta cul- turas negativas, mas sem melhora clínica.14,38 Os principais sinais e sintomas da candidíase sistêmica incluem:1,14 ■■■■■ instabilidade térmica, ■■■■■ hipotensão, ■■■■■ deterioração respiratória e apnéias, ■■■■■ distensão abdominal e intolerância alimentar, ■■■■■ sangue oculto nas fezes, ■■■■■ hiperglicemia. Dentre esses sinais, os mais freqüentes são a disfunção respiratória e apnéias, que estão presentes em cerca de 70% dos casos. Em estudo retrospectivo, envolvendo 49 casos de sepse por Candida em UTI neonatal, a hipertermia foi uma manifestação freqüente no início da sepse, presente em 42,8% dos pacientes.39 Vários recém-nascidos com candidíase apresentam sinais de infecção localizada em um ou mais sítios, destacando-se: 1. Pele e mucosas: o acometimento desses locais caracteriza a candidíase mucocutânea, que pode manifestar-se como: ■■■■■ monilíase oral; ■■■■■ dermatite de fraldas (ou candidíase perineal, que é a manifestação mais freqüente); ■■■■■ rash eritematoso com pápulas e pústulas nas superfícies cutâneas úmidas, podendo até evoluir com abscessos cutâneos. Recém-nascidos com candidíase mucocutânea, principalmente os de muito baixo peso, têm risco significativamente maior de desenvolver infecção sistêmica e o uso de nistatina parece não evitar esta evolução.2,32 2. Sistema nervoso central: meningite e/ou abscessos constituem uma das manifestações mais freqüentes, ocorrendo em 25 até 60% dos casos de candidíase invasiva, especialmente nos casos de candidíase disseminada com evolução fatal. O quadro clínico é de sepse, com poucas manifestações neurológicas, porém, mais de dois terços dos recém-nascidos que fale- cem por sepse fúngica apresentam cultura de liquor positiva para Candida.40 26 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL O quadro de meningite e/ou abscessos por Candida é grave, pode evoluir com compli- cações, como hidrocefalia e calcificações intracranianas, tem alta taxa de mortalidade e elevada incidência de seqüelas nos sobreviventes.41 3. Olhos: endoftalmite pode estar presente em 50% dos casos de candidíase sistêmica e o exame de fundo de olho é recomendado para o diagnóstico precoce da doença invasiva. O comprometimento ocular inicia-se com coriorretinite de aspecto algodonoso e turvação do vítreo. A coriorretinite pode provocar neovascularização e está associada a maior incidência e gravidade da retinopatia da prematuridade.42 4. Coração: a infecção por Candida é a segunda causa de endocardite no recém-nascido. Entre- tanto, a endocardite é uma manifestação pouco freqüente da candidíase sistêmica. Sua ocor- rência tem sido atribuída à lesão do endocárdio, ou do endotélio das válvulas cardíacas, cau- sada por cateter venoso central, com formação de trombo que se coloniza com Candida e pode evoluir com endocardite ou embolia pulmonar fúngica. Deve-se suspeitar de endocardite por Candida no recém-nascido com: ■■■■■ quadro séptico; ■■■■■ hepatoesplenomegalia; ■■■■■ petéquias; ■■■■■ abscessos cutâneos; ■■■■■ artrite; ■■■■■ sopro cardíaco. Eventualmente, são detectadas massas fúngicas intracardíacas que se manifestam com insu- ficiência cardíaca ou embolia pulmonar.43 5. Rins: a Candida é o principal agente etiológico de infecção urinária em UTI neonatal. Os recém-nascidos com infecção urinária por Candida freqüentemente apresentam candidemia e são de alto risco para apresentar comprometimento renal caracterizado por bolas fúngicas ou abscessos. Cerca de 40% dos recém-nascidos com candidúria apresentam bolas fúngicas nos rins, com possibilidade de hidronefrose por obstrução uni ou bilateral e até mesmo insufi- ciência renal.44 6. Ossos e articulações: Candida é um dos principais agentes da artrite neonatal. A osteomielite e/ou artrite por Candida são atribuídas a fenômeno tromboembólico associado a cateter vascular, comprometendo predominantemente os membros inferiores. Os sintomas manifes- tam-se com diminuição da movimentação, edema quente e de aspecto fusiforme, associado a alterações radiológicas de osteólise e erosão cortical.45 7. Trato gastrintestinal: na sepse fúngica, pode ocorrer enterocolite necrosante ou formação de abscesso hepático. 1. Considerando sua prática médica e os dados apresentados no texto, que manifesta- ções tornam semelhantes o quadro clínico da candidíase neonatal e da sepse bacteriana? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ................................................................................................................................................................................................................................................................................................................ 27 PR OR N S EM CA D Sítio infectado Pele e mucosa Sistema nervoso central Olhos Coração Rins Ossos e articulação Trato gastrintestinal Manifestações clínicas da candidíase 2. Componha o quadro, indicando as manifestações clínicas da candidíase nos sítios infectados: Diagnóstico da candidíase neonatal sistêmica O diagnóstico de candidíase invasiva requer alto grau de suspeita clínica, devendo ser considera- da a possibilidade de etiologia fúngica no diagnóstico diferencial da sepse tardia, especialmente em relação ao estafilococo coagulase negativa. A investigação deve incluir: ■■■■■ Hemograma: exame inespecífico, cuja alteração mais freqüente é a plaquetopenia, seguida pela leucocitose e aumento de formas jovens. Leucopenia é rara.12 O hemograma pode estar normal em cerca de 40% dos casos no início do quadro.13,39 ■■■■■ Dosagem quantitativa de proteína C-reativa: valores elevados (> 10mg/L) são detectados na maioria dos casos. Destaca-se que o tempo para normalização des- ses exames é geralmente superior a sete dias.12 ■■■■■ Culturas: de sangue, liquor e urina devem ser realizadas sempre na suspeita de infecção sistêmica. Estudos da década de 1980 apontavam baixas taxas de recuperação da Candida nas culturas: ■■■■■ 45% no sangue; ■■■■■ 48% em urina; ■■■■■ 52% no liquor.46 Mais recentemente, com o emprego de novas técnicas de hemocultura como o BACTEC, a cultu- ra bifásica e a lisecentrifugação, a sensibilidade varia de 50 a 80%.1,14 Para que o material receba o adequado processamento laboratorial, é importante especificar, no pedido do exame, que a cultura está sendo solicitada para fungos, lembrando que o crescimento na cultura pode ocorrer em torno de 48 horas, mas também pode demorar mais do que uma semana.47 Um aspecto de atenção quanto à hemocultura consiste no fato de que sua positividade pode ser intermitente. 28 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL LEMBRAR Na presença de cateter venoso central, recomenda-se que a hemocultura seja colhida desse local e também de veia periférica. Devido à demora na obtenção do resultado da hemocultura e por ser freqüente o aco- metimento renal, a cultura de urina e também o exame a fresco podem auxiliar no diagnóstico mais precoce. Recomenda-se que a urina seja colhida por via suprapúbica. A amostra não deve ser obtida de saco coletor, pois leveduras freqüentemente coloni- zam a mucosa do trato geniturinário e a pele da região perineal. Considera-se como critério microbiológico para definição de infecção fúngica duas uroculturas positi- vas para levedura, ou a presença de cristais de Candida na urina. A detecção de hifas (forma filamentosa do fungo que apresenta caráter invasivo) no exame de urina é bastante sugestiva de infecção e orienta para o início da terapêutica, mesmo antes da obtenção dos resultados das culturas.48 O exame do liquor deve incluir, além da cultura, a análise citológica e bioquímica. As alterações citológicas e bioquímicas do liquor não são muito freqüentes, confor- me evidenciado no estudo de Fernandez e colaboradores em 23 recém-nascidos com meningite por Candida. Nesse estudo, a pleiocitose ocorreu em apenas 39% e hipoglicorraquia em 25% enquanto que a cultura foi positiva em 74%, o que alerta para um aspecto importante: exame liquórico normal não exclui o comprometi- mento do sistema nervoso central.49 Culturas de aspirado endotraqueal e de lesões na pele, quando positivas, traduzem coloniza- ção com maior risco de infecção, norteando para maior vigilância e investigação. A existência de colonização em mais do que um sítio ou o alto grau de colonização em um sítio implica risco intermediário-alto para infecção sistêmica.48 Cultura ou exame microscópico direto do “buffy coat” ou creme leucocitário é um bom método diagnóstico com alta especificidade e melhor sensibilidade do que a hemocultura, en- tretanto seu uso é limitado pelo volume de sangue necessário para obtenção do creme leucocitário.47 Exame microscópico direto de raspado de lesões cutâneas, de fluidos corporais ou de biópsias pode possibilitar o diagnóstico rápido. Testes para detecção de antígenos ou de anticorpos não são disponíveis para uso rotineiro. Reação em cadeia de polimerase (PCR), se disponível no serviço, pode ser útil para o diagnós- tico precoce.50 Para localizar possíveis focos de infecção, a investigação diagnóstica de candidíase invasiva deve incluir exames, tais como: ■■■■■ exame oftalmológico para pesquisa de retinite fúngica; ■■■■■ ecocardiograma: é útil no diagnóstico de endocardite ou de massas fúngicas intracardíacas, principalmente nos casos de fungemia persistente; ■■■■■ ultra-som renal e de vias urinárias: deve sempre ser realizado, pois o acometi- mento renal é freqüente. Vários autores recomendam a realização seriada desse 29 PR OR N S EM CA Dexame, pois as alterações ultra-sonográficas podem manifestar-se após uma a seis semanas da detecção de candidúria;51 ■■■■■ raio X de tórax: pode mostrar infiltrado pneumônico inespecífico; ■■■■■ raio X de ossos: na suspeita de osteomielite e punção articular se houver suspeita de artrite; ■■■■■ tomografia computadorizada pode auxiliar na detecção de microabscessos em tecidos profundos, como cérebro, fígado e rins. 1. Que exames devem ser realizados na investigação da candidíase invasiva? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 2. Qual é a vantagem evidenciada pelo emprego de novas técnicas de hemocultura? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 3. Qual o significado da presença de hífas na urina? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ 4. Comente os achados liquóricos na meningite fúngica. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................5. Sintetize, em um parágrafo, a utilidade da inclusão de exames para localizar focos de infecção na investigação diagnóstica da candidíase invasiva. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ Tratamento da candidíase neonatal sistêmica O tratamento deve ser iniciado precocemente ao se diagnosticar infecção fúngica sistêmica e aqui surge um grande problema: o diagnóstico de certeza (culturas positi- vas) é demorado. Esta é uma realidade freqüente na prática diária, referida com fre- qüência na literatura, mas recomendações sobre como proceder são baseadas em es- tudos descritivos ou opiniões de especialistas no assunto, com moderada evidência apoiando seu emprego.52 30 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL Tratamento de candidíase neonatal sistêmica Cuidados gerais Remoção do cateter vascular Estabilização respiratória e hemodinâmica Candidemia relacionada ao cateter: em que não existe comprometimento de outros sítios e, portanto, resolve-se rapidamente após retirada do cateter e início do tratamento antifúngico Uso de antifúngicos12,38,48,52,53 Anfotericina B Preparações lipídicas de anfotericina B Flucitosina (5- fluorocitosina) Fluconazol Candidíase disseminada ou invasiva: quando a candidemia persiste após a remoção do cateter e/ou a Candida é detectada em outro sítio estéril, além do sangue Figura 1 – Esquema de tratamento para a candidíase neonatal sistêmica. Importante que seja feita o mais rápido possível, quando identificada Candida no sangue14 Permite caracterização de duas categorias de doenças O tratamento da candidíase neonatal sistêmica pode ser dividido em três tópicos (Figura 1). Levando em consideração sua prática clínica, comente brevemente o fluxograma apre- sentado na Figura 1. ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ CASO CLÍNICO Veja este caso e pense qual seria sua conduta: RN de idade gestacional 27 semanas, peso de 900g, nascido de parto vaginal com APGAR 1-6. Mãe com bolsa rota há 48 horas, sem outras intercorrências. Intubado logo ao nascimento, recebeu duas doses de surfactante exógeno e foi submetido a cateterismo umbilical e tratado com ampicilina + gentamicina durante sete dias. Estável na segunda semana de vida, recebendo nutrição parenteral, foi extubado e retirado cateter umbilical com dez dias de vida. Apresentou, como única intercorrência, extensa e intensa dermatite perineal, tratada com nistatina. Deteriorou com quatorze dias de vida, apresentando apnéias e hiperglicemia, leucograma normal, plaquetas = 100.000, PCR = 10mg/L; uréia = 40mg/dl; creatinina = 1,1mg/dl; hemocultura (obtida do cateter umbilical no dia de sua retirada) = negativa; cultura de períneo = Candida albicans; urocultura = Candida albicans; cultura da ponta do cateter = estafilcoco coagulase negativa. 31 PR OR N S EM CA DComo você trataria esse recém-nascido? ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ....................................................................................................................................................... ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... Resposta Recomenda-se que recém-nascidos prematuros, de baixo peso ou recém-nascidos com rotura prolongada de membranas que apresentem manifestações clínicas de candidíase cutânea disseminada recebam terapia antifúngica sistêmica, tendo como primeira opção anfotericina B (0,5-1mg/kg/dia atingindo dose total de 10 a 25mg/kg) e como segunda opção fluconazol.52 Para casos de candidíase sistêmica sem manifestação cutânea, o tratamento empírico com anfotericina B deve ser considerado no prematuro, principalmente de muito baixo peso, ou recém-nascido gravemente doente, que apresentam fatores de risco para candidemia e que estão em tratamento de infecção bacteriana sem apresentar melho- ra.14 Outra alternativa é adotar os critérios propostos para terapia empírica no paciente febril com suspeita de candidíase disseminada que incluem colonização por Candida em múltiplos sítios + múltiplos fatores de risco + suspeita clínica.52 Deve-se considerar que a nefrotoxicidade da anfotericina relaciona-se à dose, por isso, alguns autores propõem o uso escalonado das menores doses recomendadas (0,25-0,5mg/kg/dia) nos pacientes que apresentam alto risco de nefrotoxicidade, ou seja, função renal alterada, uso de drogas nefrotóxicas. Entretanto, anfotericina na dose de 0,5 mg/kg/dia tem espectro antifúngico semelhante ao fluconazol. Além disso, em pacientes imunocomprometidos com infecção fúngica sistêmica ou nas infecções por fungos resistentes, o uso de doses baixas de anfotericina pode ter resultado insatisfatório. Assim, nas infecções graves, a dose máxima diária (1mg/kg/dia) deve ser atingida o mais rápido possível e, se ocorrer nefrotoxicidade, duas opções são possíveis: reduzir a dose (o que diminui a eficácia), ou preferencialmente utilizar outra alternativa terapêutica.53 Voltando ao caso do paciente acima citado, você deve ter considerado que ele apresen- ta quadro clínico de infecção sistêmica, vários fatores de risco e alterações hematológicas compatíveis com infecção fúngica, além da detecção de Candida em dois sítios. Portan- to, você deve intensificar sua investigação diagnóstica de candidíase sistêmica (hemocultura, urocultura suprapúbica, liquor, raio X de tórax) e iniciar o tratamento. Nesse paciente, que apresenta Candida albicans e função renal alterada, uma boa opção inicial seria o fluconazol. Porém, se você optou pelaanfotericina B, seria pru- dente o uso de doses escalonadas, com controle da função renal e, se houver piora durante o tratamento, seria melhor mudar para fluconazol ou, se disponível, as prepara- ções lipídicas de anfotericina. 32 INF EC ÇÃ O FÚ NG ICA PE RIN AT AL E NE ON AT AL Candidíase disseminada Candidemia relacionada ao cateter ou infecções leves Meningite por Candida Dose total acumulada 25 a 30mg/kg 10 a 20mg/kg 30mg/kg (no mínimo) Infecção por Candida Uso de antifúngicos Anfotericina B A anfotericina B é o fármaco de eleição, tem amplo espectro de atividade e, embora seja um fármaco tóxico, é melhor tolerado pelo recém-nascido do que pelo adulto. Agente lipofílico do grupo dos polienos, a anfotericina B liga-se ao ergosterol e outros esteróis da membrana do fungo provocando lise celular. Tem ação fungicida ou fungostática, conforme sua concentração sérica e padrão de sensibilidade do fungo. Sua farmacocinética no recém-nascido é pouco conhecida. A anfotericina B é pouco absorvida pela via digestiva, apresenta alta ligação com proteínas plasmáticas e mantém nível sérico terapêutico por 24-48 horas. Por ser organodepositária, principalmente em fígado, baço, rins e pulmões, tem vida média terminal de até quinze dias. Tem baixa penetração no liquor, vítreo e líquido amniótico. A excreção é predominantemente renal e lenta, com apenas 5% de eliminação em 24 horas e 40% após uma semana. A dose diária ideal não está estabelecida. Classicamente, é recomendado iniciar com 0,25 a 0,5mg/kg/dia IV, infundida lentamente em duas a seis horas e, como dose de manutenção, 0,5 a 1mg/kg/dia IV em duas a seis horas, a cada 24-48 horas. Em caso de disfunção renal, o esquema deve ser alterado se houver aumento da creatinina su- perior a 0,4mg/dl, indicando-se, então, suspensão do tratamento por dois a cinco dias. Recentemente, tem sido proposto para o tratamento da candidíase sistêmica e da me- ningite por Candida, a dose de 1mg/kg/dia infundida em duas a quatro horas, sem ne- cessidade de doses escalonadas.41 Em nossa Instituição, temos iniciado com a dose de 0,5mg/kg/dia e mantemos com 1mg/kg/dia, desde que não haja disfunção renal. A anfotericina deve ser diluída apenas com soro glicosado, pois a adição de eletrólitos ou o soro fisiológico provocam precipitação. A concentração máxima para infusão é de 0,1mg/dl e recomen- da-se que a medicação seja protegida da luz. O tempo de tratamento é prolongado, geralmente de quatro a seis semanas, variando conforme a resposta clínica e negativação das culturas. Na candidíase disseminada, a dose total acumu- lada atinge 25 a 30mg/kg, enquanto nos casos de infecções leves ou candidemia relacionada ao cateter, a dose total de 10 a 20mg/kg é suficiente. Na meningite por Candida, recomenda-se atingir no mínimo 30mg/kg, sendo, por vezes, necessária dose ainda maior e, eventualmente, a administração intratecal de anfotericina na dose inicial de 0,01mg, com aumento gradual até 0,1mg, e administrada cada dois a três dias.41 A Tabela 1 sumariza os aspectos apresentados sobre o tratamento. Tabela 1 ESQUEMA TERAPÊUTICO PARA TRATAMENTO DE INFECÇÃO POR CANDIDA 33 PR OR N S EM CA DDurante o tratamento, as culturas inicialmente positivas devem ser repetidas em curto intervalo de tempo (em dias alternados até, no máximo, uma vez por semana) até se mostrarem negativas, sendo recomendada a manutenção do tratamento antifúngico até que todas as culturas permane- çam negativas durante quatorze dias e haja evidência clínica e laboratorial de resolução da infecção. Nos casos de meningite, recomenda-se que a terapêutica seja mantida durante quatro semanas após a resolução de todos os sinais e sintomas, devido ao risco de reincidência da infecção.52,55 Os efeitos adversos da anfotericina são vários e mais do que 40% dos recém-nasci- dos apresentam efeitos colaterais, destacando-se: ■■■■■ Nefrotoxicidade, com diminuição do fluxo sangüíneo renal, da taxa de filtração glomerular e lesão tubular. A alteração da função glomerular é representada por oligúria, aumento de uréia e creatinina. A lesão tubular manifesta-se com hipocalemia decorrente da perda urinária de potássio, podendo também ocorrer perda de sódio, magnésio e acidose tubular renal. ■■■■■ Depressão medular representada por anemia e plaquetopenia. ■■■■■ Alteração das enzimas hepáticas. ■■■■■ Tromboflebite é freqüente. ■■■■■ Febre, tremores, taquicardia, hipotensão, náuseas e vômitos, rash cutâneo, são raros em recém-nascidos. ■■■■■ Arritmias e parada cardíaca podem ocorrer com doses excessivamente altas. Como precaução, durante o uso de anfotericina, recomenda-se: ■■■■■ monitorizar a função renal, eletrólitos e hemograma; ■■■■■ manter nível sérico de potássio superior a 3mEq/L, sendo às vezes necessária a reposição; ■■■■■ evitar o uso de outros agentes nefrotóxicos; ■■■■■ estar atento para a interação de fármacos, lembrando que a alteração renal pode ser agravada pelo uso de diuréticos e que o corticóide piora a hipocalemia causada pela anfotericina. Preparações lipídicas de anfotericina B As preparações lipídicas de anfotericina B apresentam atividade antifúngica semelhante à da anfotericina B, com a vantagem de menor toxicidade e melhor tolerância, permitindo o uso de maiores doses diárias com efetividade e segurança. Essas preparações têm como desvantagem o custo muito elevado.12,38 Representam uma alternativa quando o paciente tem disfunção renal prévia ou apre- senta nefrotoxicidade importante durante o uso da anfotericina B, requerendo suspen- são do tratamento, bem como nos casos de falha com o tratamento convencional. Estudo recente comparou os resultados do tratamento de candidemia com o uso das prepara- ções lipídicas em recém-nascidos prematuros com disfunção renal representada pela creatinina ≥ 1,2 mg/dL versus o uso de anfotericina B naqueles com creatinina