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Autora: Profa. Celia Braga Dalla Colaboradoras: Profa. Angela Maria Pizzo Profa. Christiane Mazur Doi Assessoria e Consultoria em Qualidade: Ferramentas e Certifi cação Professora conteudista: Celia Braga Dalla Graduada em Administração pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul, em 1994, fez MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em 2008, mestrado em Administração em Gestão da Inovação, pelo Centro Universitário da FEI em 2011. Cursa pós-graduação em Coaching Educacional e em Logística na Faculeste EaD. Tem experiência como docente e coordenadora, desde 2012, elaborando planos de ensino em consonância com o projeto pedagógico, atuando na orientação, direção e desenvolvimento do ensino das disciplinas que ministra. Atua como professora em graduação e pós-graduação nas cadeiras de Comércio Exterior, Marketing, Administração, Tecnologia em Negócios Imobiliários, Recursos Humanos, Logística e Secretariado, em aulas presenciais e EaD. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) D144a Dalla, Celia Braga. Assessoria e Consultoria em Qualidade: Ferramentas e Certificação / Celia Braga Dalla. – São Paulo: Editora Sol, 2022. 148 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230. 1. Assessoria. 2. Consultoria. 3. Certificações. I. Título. CDU 658.56 U515.94 – 22 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Profa. Sandra Miessa Reitora em Exercício Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez Vice-Reitora de Graduação Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini Vice-Reitora de Administração Prof. Dr. Paschoal Laercio Armonia Vice-Reitor de Extensão Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades do Interior Unip Interativa Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Vannini Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático Comissão editorial: Profa. Dra. Christiane Mazur Doi Profa. Dra. Angélica L. Carlini Profa. Dra. Ronilda Ribeiro Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista Profa. Deise Alcantara Carreiro Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Louise de Lemos Vera Saad Sumário Assessoria e Consultoria em Qualidade: Ferramentas e Certificação APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................8 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE ................................................................................... 11 1.1 Conceitos gerais .................................................................................................................................... 12 1.2 Disfunções organizacionais .............................................................................................................. 13 1.3 Estudo de caso ....................................................................................................................................... 14 1.4 Etapas das disfunções organizacionais ....................................................................................... 16 2 COMPETÊNCIAS DO CONSULTOR ORGANIZACIONAL ....................................................................... 17 2.1 Desenvolvimento organizacional: responsabilidade da consultoria? ............................. 20 2.2 O consultor como um agente de mudanças ............................................................................. 21 Unidade II 3 DIAGNÓSTICO DE CONSULTORIA .............................................................................................................. 29 3.1 Aplicabilidade da consultoria .......................................................................................................... 29 3.2 Diagnóstico ............................................................................................................................................. 30 3.2.1 Apresentação do consultor ................................................................................................................. 30 3.2.2 Mudança na cultura organizacional ............................................................................................... 31 3.2.3 Motivos para contratar uma consultoria ...................................................................................... 32 3.2.4 Coleta de dados ....................................................................................................................................... 33 3.2.5 Elaborando o diagnóstico .................................................................................................................... 35 3.3 Análise dos fatos................................................................................................................................... 36 3.4 Mapeamento dos processos ............................................................................................................. 37 3.4.1 Análise do gráfico de Pareto .............................................................................................................. 37 3.4.2 Histograma ................................................................................................................................................ 40 3.4.3 Diagrama de causa e efeito ................................................................................................................ 43 3.4.4 Ferramenta 5W2H .................................................................................................................................. 45 3.5 Fase de implementação ..................................................................................................................... 48 3.6 Controle .................................................................................................................................................... 49 4 COMO ENTREGAR UM RELATÓRIO EMPRESARIAL ............................................................................ 51 4.1 Estrutura .................................................................................................................................................. 51 4.2 Sumário executivo ............................................................................................................................... 53 4.2.1 Benefícios do sumário executivo ..................................................................................................... 54 4.3 Como redigir um excelente sumário executivo ....................................................................... 54 4.3.1 Introdução ................................................................................................................................................. 56 4.3.2 Descobertas ............................................................................................................................................... 56 4.3.3 Recomendações ....................................................................................................................................... 57 4.4 Plano de negócios ................................................................................................................................ 59 4.4.1 Estruturação ..............................................................................................................................................à coleta de dados; • a precisão, que é decorrente da comparação dos dados com a realidade da empresa; • a validade, que é responsável pelo grau de atualidade ou pelo grau de obsolescência dos dados coletados. Lembrete O consultor deve ponderar a quantidade de dados que serão levantados e, consequentemente, considerados, porque a base de dados deve ser realista, mas pode ser também numerosa, trazendo, às vezes, dúvidas para o consultor. 3.2.5 Elaborando o diagnóstico O diagnóstico inicia‑se com pesquisas de informações pertinentes, desde que se possa realizar análises consistentes, e há diversas maneiras de consegui‑lo. Muitas empresas publicam relatórios anuais, onde apresentam inúmeras informações valiosas, com notas explicativas e comentários administrativos que indicam seus resultados, assim como as justificativas. É possível também solicitar diversos documentos e sistemas da empresa, que sejam relevantes para análise. É muito importante saber o que deve e o que pode ser levantado por informações nas diversas áreas pertinentes ao processo de consultoria. Como exemplo, podemos mencionar o departamento financeiro, afinal, é de suma importância saber como anda a saúde financeira da empresa contratante e subentende‑se que, como esse departamento faz a gestão financeira, é importante o consultor conhecer seus resultados. Assim, uma estratégia recomendada é analisar o cash flow e as DREs (demonstrações do resultado do exercício). A internet é uma ferramenta muito utilizada na atualidade e de fácil acesso. Nela é possível acessar diversas informações que nos permitem conhecer o contexto da empresa, seu histórico, sua missão, sua visão e valores, seu balanço patrimonial, entre tantas outras informações. Pode‑se utilizá‑la para acessar o próprio site da empresa e, com isso, conhecer inúmeros aspectos internos, como sua 36 Unidade II história, o portfólio dos seus produtos, sua comunicação com os clientes, entre outras informações. Também é possível pesquisar por notícias e anúncios, que dão uma excelente perspectiva dos movimentos relevantes da empresa no decorrer dos anos, assim como seu público‑alvo e como se dá a comunicação com ele. De forma genérica, a internet deve ser utilizada sempre no início do diagnóstico, quando o consultor tem poucas informações acerca da empresa. Outra ferramenta excelente são as entrevistas com colaboradores e gestores. Essa é uma ótima estratégia para se iniciar um diagnóstico empresarial consistente. Entretanto, para que as entrevistas sejam eficazes, é fundamental que o consultor se organize com antecedência, além de se preparar antecipadamente, definindo, dessa forma, perguntas que o auxiliarão no diagnóstico empresarial, de forma a se ajustar ao público a ser entrevistado. Essa ferramenta possibilita a utilização de uma planilha de diagnósticos empresariais para obter orientação. Outro fator preponderante é deixar os entrevistados à vontade para que eles respondam as questões com muita sinceridade. O relatório organizacional refere‑se a um documento que contém a análise, o entendimento e a recomendação de um consultor sobre o problema apontado pelo cliente. Dessa forma, um relatório de análise organizacional que tenha como problema os principais concorrentes da empresa irá investigar os pontos fortes e os pontos fracos desses concorrentes, assim como o benchmarking para auxiliar na resolução de tais problemas (DIAGNÓSTICO…, 2021). Lembrete Os relatórios organizacionais são preparados, geralmente, por consultores experientes para uma empresa ou um cliente que não tem tempo ou expertise para realizar as pesquisas necessárias para redigir tal documento. 3.3 Análise dos fatos Após estar com os dados em mãos, é hora de iniciar a análise de cada ferramenta utilizada e, para tal, é preciso reunir as informações coletadas, podendo apresentá‑las na forma de relatórios, de gráficos, de planilhas e de outros métodos que demonstrem claramente tudo o que foi verificado e, se for o caso, em que sejam apontadas ações corretivas. Compilando‑se as informações, surge o momento de identificar as adversidades, se for o caso. Assim, se for constatado algum problema, deve‑se, consequentemente, investigar as causas raízes, ou seja, descobrir quais são as ocorrências responsáveis pelos problemas e falhas existentes. A dúvida é: o que fazer para identificar as causas? Há algumas ferramentas muito utilizadas na consultoria, tais como a análise do gráfico de Pareto, do diagrama de causa e efeito, do histograma e a da técnica dos cinco porquês (DIAGNÓSTICO…, 2021), entre outros, conforme veremos adiante. 37 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 3.4 Mapeamento dos processos Para se analisar as situações problemáticas nas organizações, há muitas ferramentas que podem auxiliar o consultor. Entre elas, pode‑se destacar o GQT – modelo de gestão da qualidade total, que é uma abordagem gerencial criada por Edwards Deming, no Japão, após a 2ª Guerra Mundial. Ele utilizava uma série de técnicas estatísticas para aumentar a qualidade nos processos de produção. As empresas automotivas japonesas, que até a década de 1970 eram completamente desconhecidas e atualmente são referências em qualidade, desenvolveram, nos últimos anos, novas técnicas que formam as atuais ferramentas de gestão. No GQT, algumas técnicas destacam‑se pelo grau de aplicabilidade no cotidiano das organizações, pois apoiam‑se nos gestores, que executam a análise dos problemas. Algumas técnicas que auxiliam o mapeamento dos problemas são: • gráfico de Pareto; • histograma; • diagrama de causa e efeito; • técnica dos 5W2H. 3.4.1 Análise do gráfico de Pareto Ferramenta utilizada para demonstrar, sempre pela ordem de importância, a contribuição de cada tópico para o efeito geral. Utilizada também para classificar as oportunidades de melhoria. Essa ferramenta é uma técnica gráfica bem simples, onde se classificam os tópicos mais frequentes, assim como os menos frequentes. Essa ferramenta nos possibilita visualizar inúmeros elementos de um problema ajudando a determinar a sua prioridade. O diagrama é sempre representado por barras posicionadas na ordem decrescente, onde a “causa principal” posiciona‑se do lado esquerdo e as “causas menores” são posicionadas, também em ordem decrescente, do lado direito. Cada causa é representada por uma barra, exibindo‑se, dessa forma, as causas relevantes. Essa ferramenta é, de fato, muito eficiente para encontrar e solucionar problemas, pois pode descrever as causas decorrentes do comportamento humano e da natureza em geral, podendo, dessa forma, ser muito poderosa para focar esforços pessoais em problemas potenciais. O método foi desenvolvido por Vilfredo Pareto (1848‑1923), economista, sociólogo e político italiano, responsável pela publicação do princípio de Pareto, como forma de classificar os problemas da qualidade em pontos triviais e pontos vitais. 38 Unidade II A análise demonstrou que a maioria dos defeitos, das falhas e das reclamações e seus custos são provenientes de um pequeno número de causas, dessa forma, se tais causas puderem ser identificadas e corrigidas, é possível eliminar quase todas as perdas, assim, podemos afirmar que é apenas uma questão de prioridade (MARCONDES, 2020). Proporção 80/20 Na prática, 80% dos problemas são resultantes de apenas 20% das causas potenciais. Em outras palavras, 20% dos problemas causam, aproximadamente, 80% das nossas “dores de cabeça”. 350 300 300 250 250 120% Causa 1 Causa 2 Causa 3 Causa 4 Causa 5 Causa 6 Causa 7 Frequência Acumulado Causa 8 Causa 9 Causa 10 99%94% 89%83% 74% 63% 50% 37% 20% 100% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 200 200 150 100 190 160 130 90 80 70 2050 0 Figura 3 – Gráfico de Pareto Fonte: Marcondes (2020). Tabela 1 – Causas ordenadas Ordem Problema Frequência Acumulado 1 Causa 1 300 20% 2 Causa 2 250 37% 3 Causa 3 200 50% 4 Causa 4 190 63% 5 Causa 5 160 74% 6 Causa 6 13083% 7 Causa 7 90 89% 8 Causa 8 80 94% 8 Causa 9 70 99% 10 Causa 10 20 100% Total: 1490 Fonte: Marcondes (2020). 39 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Segundo Marcondes (2017), as principais razões para se utilizar o gráfico de Pareto são: • identifica problemas; • localiza as causas que atuam nos defeitos; • descobre os problemas e as causas; • descobre os erros, as falhas, os gastos e os retrabalhos; • descobre os operadores, os equipamentos e as matérias‑primas; • melhora a visualização das ações; • prioriza as ações; • confirma os resultados de melhoria; • verifica as situações ocorridas antes e depois dos problemas decorrentes das mudanças efetuadas no processo; • detalha as maiores causas em partes específicas, eliminando a causa principal; • estratifica as ações; • identifica os tópicos responsáveis pelos maiores impactos; • define as melhorias de um projeto, tais como as principais fontes de custo e as causas que interferem em um processo de escolha dessas, decorrentes do número de não conformidade. Como fazer um gráfico de Pareto 1. Decidir o tipo de problema que será analisado. 2. Selecionar a metodologia e o período para realizar a coleta de dados. 3. Coletar os dados decorrentes da causa e assunto. 4. Determinar um período para realizar a coleta de dados (horas, dias, semanas, meses). 5. Compilar os dados de acordo com cada categoria. 6. Traçar um eixo na vertical e um na horizontal, ambos do mesmo comprimento. 7. Fazer uma escala de 0% a 100% no eixo vertical da direita. 8. Listar as categorias de frequência, da esquerda para a direita, em ordem decrescente. Observação: colocar os itens menos importantes em uma categoria “outros”, na última barra à direita do eixo. 9. Calcular a frequência relativa e a frequência acumulada de cada categoria (a frequência acumulada será demonstrada no eixo vertical à direita). 40 Unidade II Não é desejável que o tópico “outros” tenha um percentual alto. Caso isso ocorra, é bem provável que os tópicos estejam classificados de forma inadequada, assim, será necessário rever toda a metodologia de classificação. Caso um tópico pareça ter uma solução simples, ele deve ser atacado rapidamente, mesmo que tenha uma importância relativa menor. Isso porque o gráfico de Pareto objetiva a solução eficiente dos problemas, exigindo, dessa forma, que ataquemos somente os valores vitais. Se por acaso um tópico determinado demonstra ter uma importância relativa menor, mas pode ser resolvido mediante medida corretiva simples, ele servirá como um bom exemplo de eficiência na solução dos problemas. Após identificar um problema no gráfico de Pareto, é preciso identificar suas causas para que possa ser resolvido. Dessa forma, faz‑se necessário elaborar um gráfico de Pareto por causas, caso queiramos ter sucesso em algum processo. Pode‑se ainda apontar como vantagens dessa ferramenta (MARCONDES, 2017): • permitir visualizar diversos elementos de um único problema, nos auxiliando a classificá‑los, assim como priorizá‑los; • permitir uma visualização rápida dos 80% representativos; • facilitar o direcionamento dos esforços; • poder ser utilizado de forma indefinida, nos possibilitando introduzir um processo de melhoria contínua nas organizações. 3.4.2 Histograma O histograma é uma das ferramentas da qualidade que demonstra a frequência de ocorrências em um determinado intervalo de classe. É composto por gráficos de barras, que demonstram a variação de um determinado fenômeno. No ano de 1833, André‑Michel Guerry utilizou o histograma para descrever uma análise de dados sobre um crime, popularizando seu uso. Depois disso, os histogramas já foram aplicados para descrever os dados de inúmeras áreas. É uma ferramenta que permite que possamos conhecer todas as características de: • um processo; • um evento; • um lote de produto. 41 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Essa ferramenta nos permite ter uma visão muito ampla das variações de um conjunto de dados e há inúmeras aplicações, como: • verifica a quantidade de produtos em não conformidade; • determina a dispersão dos valores das medidas em peças; • demonstra os processos que precisam de ações corretivas; • possibilita demonstrar a quantidade de ocorrências de um fenômeno em um período determinado. Como fazer um histograma 1. Coletar amostras com um significativo número de dados. 2. Organizar os dados. 3. Determinar o número de categorias assim como o intervalo entre as categorias. 4. Organizar os dados, colocando‑os, de acordo com as categorias, de acordo com o intervalo. 5. Colocar os dados no gráfico, sendo as categorias no eixo horizontal e a frequência de ocorrência no vertical. 6. Verificar e analisar a forma do gráfico. Exemplo de histograma O gestor de fábrica de uma linha de produção precisava checar se a densidade de um produto metálico estava em conformidade. Para tal, ele coletou 80 amostras do produto. Tabela 2 – Amostras do produto 40,90 43,60 41,30 39,90 40,60 39,80 44,20 37,90 40,80 36,60 42,30 43,50 41,00 39,60 41,30 43,50 41,50 43,70 39,90 41,00 41,80 42,30 40,20 39,10 43,20 38,40 41,90 39,20 38,00 40,40 40,10 39,40 38,70 41,30 41,40 40,90 40,30 39,20 39,00 40,70 42,30 40,60 41,20 40,20 40,40 39,50 45,00 39,90 43,40 40,40 41,60 40,60 40,20 42,80 43,70 39,70 41,50 40,10 41,70 41,80 42,90 43,40 43,30 41,90 43,40 41,70 40,00 38,30 42,10 39,30 37,20 43,80 39,60 41,00 42,30 39,20 40,40 35,40 39,20 42,60 Fonte: Grupo Forlogic (2016). 42 Unidade II 30 25 0 5 [35,4, 36,8] [36,8, 38,2] [38,2, 39,6] [39,6, 41] [41, 42,4] [42,4, 43,8] 10 15 20 Figura 4 – Gráfico das amostras Fonte: Grupo Forlogic (2016). Análise do gráfico O gestor notou que as saídas estavam em conformidade com padrão normal: • aproximadamente 80% das amostras do produto analisadas ficaram dispostas próximas do centro; • aproximadamente 20% das amostras apresentaram concentração próxima dos valores mínimos; • nessa amostragem, a maior parte dos produtos estão em conformidade com o padrão esperado; • se o valor entre 35,4 e 36,8 fosse considerado em não conformidade, uma pequena quantidade de produtos estaria em não conformidade, ou seja, fora das especificações planejadas e somente nessa amostragem seriam aplicadas ações corretivas. Entre as vantagens oferecidas na utilização do histograma, pode‑se apontar (GRUPOFORLOGIC, 2016): • é possível ter uma rápida visão de análise comparativa; • é muito rápido e fácil de elaborar manualmente ou com um software, como o Excel; • facilita muito a solução de um determinado problema, principalmente se for identificado em uma série histórica e sua evolução. 43 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 3.4.3 Diagrama de causa e efeito É uma representação gráfica que permite organizar as informações, auxiliando na identificação das prováveis causas de um problema determinado ou de um efeito. Tal ferramenta foi desenvolvida por Ishikawa no ano de 1943 na Universidade de Tóquio. Ele utilizou essa ferramenta para explicar como diversos fatores poderiam estar relacionados entre si e ainda serem comuns, entretanto, o diagrama não tem a propriedade de identificar as causas do problema, ele funciona como um veículo para produzir uma lista das causas presumíveis ou conhecidas, com o máximo de foco possível. O diagrama, propriamente dito, não identifica as causas do problema. Em contrapartida, ele é visto como veículo capaz de produzir, com foco extremo, uma lista das causas presumíveis ou conhecidas, que, potencialmente, contribuem grandemente para o efeito observado. Ele pode ser utilizado: • quando for necessário identificar as causas possíveis de um determinado problema; • para obter uma melhor visualização da relação entre a causa e o efeito; • para classificar as causas, dividindo‑as em subcausas, acerca de um efeito ou um resultado; • para descobrir quais causas estão provocando o problema;• para identificar a relação entre os efeitos e suas prioridades com maior nitidez; • na análise dos defeitos, para identificar: — as perdas, — as falhas, — o desajuste do produto, visando identificá‑lo e corrigi‑lo. Como fazer um diagrama de causa e efeito O diagrama de causa e efeito é elaborado da seguinte forma: • Primeiro deve‑se definir o problema que será analisado de forma objetiva. • Depois é preciso estabelecer e enunciar o problema de forma clara, escrevendo‑o em um retângulo à direita, desenhando‑se uma seta da esquerda para a direita até o retângulo, conforme indicado a seguir: Problema (efeito) Figura 5 – Início do diagrama de causa e efeito Adaptado de: Marcondes (2017). 44 Unidade II • Depois será necessário reunir um grupo de pessoas para realizar um brainstorming (chuva de ideias) sobre as prováveis causas. • Na sequência será preciso classificar as causas descobertas no brainstorming no grupo famílias ou categorias de causas. • Denominam‑se essas famílias ou causas como causas primárias potenciais que precisam ser escritas dentro de retângulos ligados ao eixo horizontal do diagrama, conforme a figura 6. Como exemplo, usamos as causas primárias potenciais (fatores de manufatura) ou seis Ms em uma indústria (matéria‑prima, máquina, medida, meio ambiente, mão de obra e método). Mão de obra Método Matéria‑prima Máquina Medida Meio ambiente Problema (efeito) Figura 6 – Continuação do Diagrama Adaptado de: Marcondes (2017). • Para cada causa primária apontada dentro do retângulo, é hora de identificar as subcausas que a afetam. • Depois é a hora de assinalar no diagrama todas as causas que tenham forte relação com o problema‑efeito, levando‑se em consideração: — a experiência; — a intuição; — os dados existentes. • Para finalizar, escrevem‑se as subcausas secundárias, terciárias etc., conforme indicado na figura a seguir: 45 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Problema (efeito) Mão de obra Máquina Método Medida Matéria‑prima Meio ambiente Causa secundária Causa terciária Causa secundária Causa terciária Causa secundária Causa terciária Causa secundária Causa terciária Causa secundária Causa terciária Causa secundária Causa terciária Figura 7 – Diagrama de causa e efeito completo Adaptado de: Marcondes (2017). Entre as vantagens dessa ferramenta, podemos citar: • trata‑se de uma ferramenta bem estruturada, que visa direcionar os itens para serem verificados buscando‑se checar a identificação das causas; • mesmo existindo um esqueleto para ser preenchido, não existe nenhuma restrição referente às ações dos participantes; • permite‑se ter uma ampla visão de todas as variáveis, interferindo no andamento das atividades, auxiliando na identificação da não conformidade. 3.4.4 Ferramenta 5W2H Essa ferramenta foi desenvolvida na indústria automobilística japonesa no período de condução dos estudos acerca da qualidade. Atualmente, a ferramenta 5W2H é considerada uma ferramenta de qualidade e administrativa, podendo ser aplicada em diversas áreas de negócio e em contextos diferentes nas organizações, desde o planejamento estratégico, organizando e guiando a execução de ações dentro da empresa, até o planejamento de uma viagem de negócios. O principal objetivo do 5W2H é auxiliar no planejamento de ações, já que auxilia a esclarecer questionamento, sanar dúvidas e tomar decisões. Dessa forma, é correto afirmar que sua utilização traz inúmeros benefícios, além de proporcionar maior facilidade na compreensão de fatos e de auxiliar em um melhor aproveitamento de informações. Isso porque o 5W2H auxilia na obtenção de respostas que norteiam cenários, ajudando, assim, a sistematizar e organizar ideias. 46 Unidade II Essa ferramenta é uma espécie de checklist, composto por sete perguntas específicas cujas iniciais de suas palavras‑chave em inglês marcam seu nome. A seguir, demonstraremos as perguntas que compõem o 5W2H: Quadro 1 – 5W2H Palavra em inglês Significado Descrição What O que será feito? Aqui deve‑se determinar a intenção do que se pretende realizar, ou seja, definir e descrever o que será feito de fato. Por exemplo: criação de um ambiente de descanso e de leitura para colaboradores Why Por que será feito? Trata‑se da justificativa para o desenvolvimento do que foi proposto. Por exemplo: para proporcionar uma oportunidade de relaxamento e pausa para melhorar a qualidade de vida dos colaboradores e consequentemente enriquecer suas entregas Where Onde será feito? Definição do local de realização. Pode ser um local físico ou até mesmo um departamento ou setor de uma empresa. Por exemplo: na sala 2 disponível no subsolo da empresa When Quando será feito? O tempo de execução: cronograma e prazos para a execução Who Por quem será feito? Deve‑se definir quem ou qual área será responsável pela execução do que foi definido. Por mais que uma área seja a responsável, uma boa prática é escolher um líder, ou seja, alguém que será encarregado de gerenciar a execução do que foi proposto How Como será feito? Métodos ou estratégias utilizadas para a condução do que foi estabelecido devem ser definidos para que o que foi idealizado seja executado da melhor forma How many Quanto custará? Definição do custo e investimento necessário para a realização do que foi proposto Adaptado de: Napoleão (2018). O 5W2H pode ser aplicado em inúmeros âmbitos, até no dia a dia, para programar atividades em família, como um piquenique no final de semana, por exemplo. Ou seja, ele pode ser utilizado em quaisquer atividades, embora seu principal objetivo seja aprimorar o planejamento de algum questionamento, entretanto, as atividades dessa ferramenta mais comuns são: Quadro 2 – Utilização do 5W2H Atividades do 5W2H Ações Criação de plano de ação 5W2H pode auxiliar na elaboração de plano de ação para resolver um problema ou atingir determinado objetivo ou meta. Um exemplo comum do uso de plano de ação com a ferramenta 5W2H é na tratativa de não conformidades. Após identificar a causa raiz de uma não conformidade, o 5W2H pode ser utilizado sozinho ou em conjunto com outras ferramentas para a elaboração de um plano de ação que seja efetivo para sanar a causa raiz do problema Definição de um processo ou projeto O uso do 5W2H pode funcionar como um guia para identificar e orientar a definição das atividades de um processo ou projeto. A ferramenta auxilia a definir quais são as atividades que o processo ou projeto deveriam ter, por que cada uma das atividades precisar ser executada, onde e quando devem ser executadas, quem é o responsável pelas atividades e pelo processo ou projeto e como essas atividades devem ser executadas Elaboração do planejamento estratégico Visto que o planejamento estratégico trata da definição de objetivos e estratégias da organização, o 5W2H pode ser empregado para planejar e guiar ações estratégicas, dentro da empresa, que possibilitem o aumento da competitividade da organização e o alcance das metas estabelecidas Adaptado de: Napoleão (2018). 47 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO A seguir, vejamos um exemplo de aplicação da ferramenta: Quadro 3 – Utilização do 5W2H Título: Seleção de colaboradores qualificados que permaneçam na empresa Objetivo: Mitigar o risco de perda de mão de obra qualificada Data de elaboração: 02/XX/20XX Responsável Ação 001: Capacitação de recrutadores 5W O quê (What)? Capacitar a equipe de recrutadores Por quê (Why)? Por que recrutadores não estão conseguindo identificar candidatos com o perfil para a empresa Quem (Who)? Colaboradores da área de recursos humanos, incluindo assistentes e analistas de recursos humanos da empresa Quando (When)? A capacitação iniciará no dia 01/XX/20XX e terminará no dia 31/XX/2022 Onde (Where)? A capacitação será realizada no XXX e na empresa através de repasse de informações 2H Como (How)? 1 – Capacitação externa: todos os analistasde RH irão se locomover para a cidade de XXX para fazer o curso de Técnicas de Recrutamento e Seleção, oferecido pelo grupo XYZ 2 – Capacitação interna: os analistas que participam do curso deverão repassar à equipe de assistentes os aprendizados adquiridos Quanto (How much)? Inscrição do curso de Técnicas de Recrutamento e Seleção: R$ 1.000,00 (cada) x 2 analistas = R$ 2.000,00 Locomoção e diária: R$ 350,00 x 5 dias = R$ 1.750,00 Repasse para os demais recrutadores da empresa: R$ 1.500,00 (horas de trabalho dos colaboradores envolvidos no repasse) Total: R$ 5.250,00 Ação 002: Identificação de falhas no processo atual 5W O quê (What)? Realizar no processo atual um levantamento dos gaps no processo de recrutamento e seleção que possam estar ocasionando a alta rotatividade de colaboradores (turnover) Por quê (Why)? Para sanar essas falhas e realizar contratações mais acertadas de colaboradores que se adequem ao perfil da empresa e permaneçam nela Quem (Who)? Analistas e assistentes de recursos humanos da empresa Quando (When)? Iniciará no dia 01/XX/20XX (após a realização do curso de capacitação) e terminará no dia 31/XX/2022 Onde (Where)? No setor de recursos humanos da empresa, mais especificamente no processo de recrutamento e seleção atual 2H Como (How)? Os analistas, com os assistentes, deverão aplicar o conhecimento adquirido por meio da capacitação e por estudos para identificar lacunas e falhas no processo atual de recrutamento e seleção, verificando possíveis pontos de melhoria voltados para buscar profissionais que realmente se encaixam no perfil da empresa Quanto (How much)? Horas de trabalho dos 4 colaboradores envolvidos: R$ 200,00 dia x 5 dias de execução = R$ 1.000,00 (não haverá gastos extras, apenas serão contabilizadas as horas de trabalho dos colaboradores envolvidos) Total: R$ 1.000,00 Adaptado de: Napoleão (2018). 48 Unidade II Como você deve ter observado, o plano de ação apresenta duas ações que fazem uso da ferramenta 5W2H. É importante pontuar, no entanto, que nem sempre é possível utilizar a ferramenta apenas uma única vez, porque, na maioria das vezes, a resolução de um problema precisa de mais do que uma única ação. Aliás, é bem provável que as ações demonstradas no exemplo não sejam suficientes para sanar o problema de perda de mão de obra qualificada da empresa, mesmo porque as ações exemplificadas se referem apenas a uma parte: a de manter os colaboradores na empresa, evitando, dessa forma, o turnover. 3.5 Fase de implementação O consultor promove muitas mudanças na empresa do seu cliente, portanto, ele precisa ter em mente que suas ações deverão ser sustentáveis, dessa forma, as mudanças precisam ser apoiadas pelos colaboradores. Para que isso ocorra, caberá a ele fazer com que os colaboradores compreendam a importância das suas ações para o crescimento organizacional. Ao implementar mudanças na empresa, ele incorre, diretamente, na mudança do status quo, portanto, é preciso que ele tenha cautela. Para implementar as mudanças na empresa, o consultor necessita considerar três fases distintas, visando minimizar impactos negativos. 1ª fase: descongelamento O objetivo do consultor, nessa primeira fase, é garantir subsídios para que ocorra a mudança, considerando a situação atual do cliente com o intuito de definir as mudanças necessárias em termos tecnológicos, culturais e estruturais. Observação As mudanças vêm, geralmente, precedidas da quebra de paradigmas, sendo primordial que o cliente entenda que tal quebra impulsionará a aceitação das alterações vindouras. No descongelamento, o consultor precisa despertar a atenção do cliente em acatar as mudanças, ou seja, ele deverá despertar o interesse do cliente. Assim, os colaboradores tendem a demonstrar maior interesse pelas mudanças se sentirem que serão beneficiados, logo, cabe ao consultor disseminar todos os benefícios que as mudanças trarão para a organização e, consequentemente, para as pessoas nela inseridas. As mudanças somente serão implementadas com sucesso se contarem com o apoio de todos os envolvidos e se eles tiverem: • consciência da sua importância; • desejo de desenvolvê‑las; • comprometimento com o sucesso proveniente das mudanças. 49 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 2ª fase: mudança A segunda fase refere‑se à mudança em si. Nessa fase, teremos a ocorrência do conjunto de ações planejadas pelo consultor, com o aval do cliente. Dessa forma, podemos afirmar que o consultor atuará como um agente de mudanças na implementação das atividades, sendo de suma importância poder contar com o apoio dos colaboradores e dos diversos métodos de controle. 3ª fase: recongelamento Nessa fase, a mudança implementada será efetivamente concretizada. É também nessa última fase que a empresa ajustará o aprendizado acerca dos novos elementos e da sua internalização. Resumidamente, é nela que a organização adere à mudança de fato. Desse modo, o recongelamento tem o objetivo de fazer com que as mudanças passem a ser consideradas um processo diário da organização, e não mais alguma coisa alheia às suas operações. Descongelamento: quebra dos status quo da empresa Mudanças: execução das ações visando dar andamento nas mudanças Recongelamento: consolidação das mudanças na empresa Figura 8 – Fases para amenizar os impactos das mudanças 3.6 Controle O controle refere‑se à última fase do processo de consultoria e tem como objetivo avaliar os aspectos referentes ao planejamento e ao controle da implementação das mudanças. Há diversas formas de se controlar a implementação, tais como WBS, diagrama de precedência/Pert, gráfico de Gantt e COM, entre outros. 50 Unidade II Observação Dificilmente as ferramentas são utilizadas separadamente, uma vez que o papel de uma é o de complementar a outra. Como exemplo, podemos citar o WBS e o Pert: ao iniciar a implementação das mudanças necessárias, o consultor já deve ter definido o objetivo final dessa fase, entretanto, de início, possui a visão geral do projeto que deve ser executado, sendo necessário desmembrar o projeto em proporções passíveis de uma gestão mais precisa. Tal desmembramento é denominado WBS – work breakdown structure. De acordo com Justo (2019), a WBS consiste em uma criteriosa decomposíção da quantidade de processos e das tarefas administrativas e/ou gerenciais necessárias para a conclusão de um projeto. A WBS costuma ser apresentada de duas maneiras, a saber: • sob a forma de um organograma, conhecido como a árvore de decomposição do projeto; • sob a forma de uma relação ou tabela. Implantação da norma ISO 9001 Gerenciamento do projeto Planejamento Preparar workshop de sensibilização Mapear os processos organizacionais Definir a documentação necessária Treinar os auditores internos Reuniões Realizar workshop de sensibilização Validar os processos organizacionais Preparar procedimento de normatização Preparar auditoria Administação Preparar treinamentos de capacitação Preparar politica de qualidade Elaborar procedimentos Realizar auditoria Sensibilizar e capacitar as pessoas Elaborar o manual da qualidade Realizar auditoriasElaborar o sistema de documentação Figura 9 – Modelo de uma WBS para a implantação da Norma ISO 9001 Fonte: Justo (2019). 51 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Observação A fase implementação precisa ser executada após um planejamento bem detalhado de todas as atividades que deverão ser desempenhadas, incluindo‑se a seleção do pessoal necessário e, consequentemente, sua capacitação. Dessa forma, após a fase do planejamento, o consultor irá garantir que tudo ocorra conforme se planejou por meio de inúmeras ferramentas de controle. Nesta fase, leva‑se em consideração o preparo da organização para que aceitem as mudanças implementadas, assim como o processo em si, e nesse cenário, é importante não esquecermos queas pessoas da organização são peças‑chave para o sucesso da implementação, assim como para a sustentabilidade das mudanças implementadas. 4 COMO ENTREGAR UM RELATÓRIO EMPRESARIAL O relatório empresarial nada mais é do que um documento que busca apresentar um resumo das atividades realizadas em uma empresa, informando os dados e os resultados. 4.1 Estrutura A estrutura de um relatório empresarial é composta por: • Sumário executivo: apresenta uma noção geral do documento. • Introdução: explicita o problema que motivou o relatório, apontando o objetivo desse documento. • Descobertas: desenvolvimento do relatório em si, ou seja, é a parte na qual são apresentadas: — as sínteses das atividades; — as observações; — as análises; — os dados; — os números; — os relatos coletados; — os possíveis comentários. 52 Unidade II • Recomendações: esse espaço é utilizado para fazer os apontamentos das medidas interventivas, e aqui pode‑se também indicar estudos pertinentes. Devem ser conhecidas por todos envolvidos no processo, sempre que haja a necessidade. • Referências: indicam os textos, os dados, as informações, os trabalhos, as pessoas e demais fontes que foram utilizadas para se produzir o relatório empresarial. A linguagem precisa ser desenvolvida na variedade‑padrão, com comunicação objetiva e acessível, permitindo, dessa forma, uma fácil compreensão dos pontos mais relevantes. Além disso, o relatório empresarial pode apresentar diferenças, dependendo de seu nível de complexidade e da área para o qual é voltado, como economia, ciência, administração etc. (MATOS, 2021). Figura 10 – Relatório empresarial Disponível em: https://bit.ly/3OystsU. Acesso em: 11 jul. 2022. As principais características do relatório são: • Tamanho: não há um número exato de páginas adequadas ao relatório. Contudo, é importante considerar o fato de que se trata de uma espécie de síntese da atividade realizada. Assim, é preciso evitar descrições, informações e outros detalhes irrelevantes ao seu propósito, bem como evitar uma linguagem rebuscada e prolongada. • Linguagem objetiva: o relatório deve apresentar uma linguagem objetiva, uma vez que será direcionado aos envolvidos no processo de consultoria. Deve apresentar apenas os aspectos necessários, de uma maneira direta e clara, garantindo, dessa forma, compreensão e fluidez. • Variedade‑padrão da língua: o relatório deve apresentar formalidade e utilizar uma variedade‑padrão da língua portuguesa, atentando‑se a tópicos como acentuação, pontuação, precisão vocabular e grafia correta das palavras (MATOS, 2021). 53 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 4.2 Sumário executivo Em um projeto, o gestor tem a possibilidade de planejar, gerir e executar o trabalho da sua equipe, e é muito importante ter diversas informações ao seu alcance, entretanto, quando novos membros ingressam no projeto ou quando alguns participantes de nível executivo solicitam uma visão simplificada desse projeto em andamento, surge a necessidade de apresentar, de forma concisa, os principais pontos do projeto, sem perder, entretanto, seu conteúdo (MARTINS, 2020). Nesse cenário, Martins (2020) afirma que o sumário executivo se refere a uma forma de demonstrar quem são os líderes das equipes, os colaboradores interdisciplinares e os participantes do projeto. É como se tivéssemos em mãos um “discurso de elevador” para os membros que compõem o projeto e não têm a necessidade de se aprofundar em todo os seus detalhes. Dessa forma, os sumários executivos são uma excelente maneira de manter os interessados a par do projeto do gestor e, consequentemente, bem informados. Se os participantes precisarem saber de forma rápida o que o projeto está se propondo a solucionar, o sumário executivo é a forma perfeita de lhes fornecer as informações necessárias (MARTINS, 2020). Saiba mais Quando se prepara um discurso, um grande erro é a prolixidade, que, aliás, deve ser evitada em qualquer situação. No que diz respeito ao discurso de elevador, esse e outros erros não podem sequer serem considerados, já ele deverá durarar poucos segundos. Saiba mais no artigo: DISCURSO de elevador: entenda como funciona. Redaweb, 2021. Disponível em: https://bit.ly/3cAR8jo. Acesso em: 9 jun. 2021. De acordo com Martins (2020), a diferença entre um sumário executivo na gestão de projetos e no plano de negócios é que, enquanto no caso do plano de negócios o sumário é elaborado após sua execução, na gestão de projetos o sumário é elaborado no início do projeto, descrevendo aquilo que ele se propõe a atingir. Como exemplo, podemos citar a elaboração de um sumário executivo pertinente a um estudo ambiental. Nesse caso, compila‑se o relatório com os resultados, inserindo‑se as análises obtidas ao fim do estudo. Já no caso de um sumário executivo na gestão de projetos, é preciso abordar exatamente o que o projeto se propõe a atingir e demonstrar por que as metas são tão importantes. Nos dois tipos de sumário apresentados, temos quatro partes importantes. • É importante iniciar o sumário pelo problema ou pela necessidade que o projeto se propõe a solucionar. Para isso, algumas perguntas precisam ser feitas: — Por que o projeto está sendo realizado? 54 Unidade II — Qual informação, planejamento de produto, feedback do cliente ou outra necessidade está por trás do projeto? • É crucial que sejam definidos os objetivos do projeto e uma provável solução. Assim, pode‑se questionar como o projeto poderá solucionar o problema estabelecido, definindo‑se quais são as metas e objetivos dele. • É necessário entender o valor da solução. Aqui há algumas questões a serem levantadas: — O que poderá acontecer quando o projeto for concluído? — Como ele ajudará e solucionará o problema estabelecido na primeira parte? • É de suma importância encerrar o sumário com uma conclusão sobre a importância do trabalho desenvolvido. Aqui pode‑se repetir por que o problema, e consequentemente o projeto, é tão importante. Nesse ponto é muito útil mencionar qual é o público‑alvo e como a solução poderá resolver o problema e, por fim, nesse ponto devemos incluir outros passos relevantes (MARTINS, 2020). Lembrete Um sumário executivo nada mais é do que um resumo das informações mais relevantes do planejamento do projeto. Ele é importante para apontar pontos relevantes que a sua equipe necessita saber antes de entrar no projeto ou mesmo antes de conhecer o planejamento do projeto. Lembre‑se do discurso de elevador, pois o sumário executivo é utilizado para fornecer informações pertinentes sem que se necessite aprofundar no relatório (MARTINS, 2020). 4.2.1 Benefícios do sumário executivo Para Martins (2020), o sumário executivo foi projetado para os membros da equipe responsáveis por desenvolver o projeto de forma ativa e para os participantes que não fazem parte do projeto, mas que precisam dar uma olhada rápida na busca de respostas importantes sobre o projeto. Dessa forma, um sumário executivo eficaz permite que os participantes tenham justamente uma visão global do projeto e dos pontos mais importantes, sem que precisem se aprofundar em todos os detalhes. Logo, se precisarem de mais informações, eles podem navegar pelas tarefas na ferramenta de gestão do trabalho ou acessar o planejamento do projeto. 4.3 Como redigir um excelente sumário executivo Todo sumário executivo tem quatro partes, conforme dito anteriormente. Para redigir um ótimo sumário executivo, é importante seguir os passos especificados no quadro 4. 55 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Quadro 4 – Como redigir um sumário executivo Passos Descrição Exemplo de sumário executivo 1. É preciso começar pelo problema ou necessidade que o documento se propõe a solucionar No início do sumário executivo, é preciso deixar claro por que o documento, e o projeto que ele representa, é tão relevante. É importante reservar um espaço para definir o problema,incluindo qualquer pesquisa ou feedback obtido pelo cliente, buscando esclarecer por que esse problema é importante para os clientes e por que é importante solucioná‑lo Vamos usar o caso de uma fábrica de relógios como exemplo. O projeto resume‑se em criar um relógio mais simples e barato, que continue atraindo compradores de relógios de luxo, mas que também atraia um novo segmento de clientes Em sessões recentes de feedback do cliente, 52% dos clientes expressaram que precisavam de uma versão mais simples e barata do produto. Em pesquisas com clientes que optaram por relógios da concorrência, o fator preço é mencionado 87% das vezes. Para melhor atender os clientes, bem como para conquistar novos mercados, é preciso desenvolver uma série de relógios que possam ser vendidos a um preço adequado para esse novo mercado 2. Nessa etapa é definida a solução recomendada ou os objetivos do projeto Com o problema definido, é preciso explicar sua solução. Diferentemente de um resumo ou esboço, a solução deve ser prescritiva, ou seja, o leitor deve ser convencido de que a solução é a certa. Não é o momento de debater ideias, é um espaço para corroborar a solução recomendada Como o sumário executivo é criado no início do projeto, tudo bem se todos os entregáveis e marcos ainda não estiverem claramente mapeados. Porém, esta é a chance de descrever, em termos gerais, o que acontecerá durante o projeto Se for preciso ajuda para formular uma visão geral abrangente dos principais entregáveis e do cronograma do projeto, faz‑se necessário considerar a criação de um roteiro do projeto antes de passar para o sumário executivo A nova série de relógios será lançada com preço 20% mais barato do que a opção mais econômica que a fábrica tem no momento, logo haverá espaço para relógios com preço reduzido em 40% ou mais, dependendo do material e do movimento. Para oferecer esses preços, a fábrica adotará as seguintes estratégias: – Oferecer relógios feitos de novos materiais – Utilizar movimento por quartzo de alta qualidade em vez do movimento automático de produção própria – Introduzir opções de pulseira personalizáveis, com foco na escolha pessoal e em flexibilidade em vez do luxo tradicional Vale ressaltar que a qualidade de todos os relógios continuará sendo rigorosamente controlada, com o intuito de manter a velocidade e a precisão de ponta dos produtos que são ofertados 3. Nessa fase deve ocorrer o valor da solução Agora, comece a se aprofundar em como a solução afetará e resolverá o problema definido no início. Quais são os resultados esperados, se houver? É nesta seção que se incluem quaisquer informações financeiras relevantes, riscos do projeto ou benefícios em potencial. O projeto também deve ser vinculado às metas ou objetivos e principais resultados da empresa. Qual é a relação entre o trabalho em questão e os objetivos da empresa? Com as novas ofertas de 20% a 40% mais baratas que a opção mais econômica que era ofertada atualmente, a fábrica espera poder conquistar um espaço no mercado de relógios casuais, sem deixar de lado a marca de luxo. Isso ajudará a fábrica a atingir o objetivo para o exercício de 2022, que é o de expandir a marca. Essas novas ofertas têm potencial de gerar um lucro de mais de 3 milhões de dólares por ano, que ajudará a atingir o objetivo para o exercício de 2022, ou seja, um lucro de 7 milhões de dólares no acumulado do ano Sessões preliminares de feedback do cliente indicam que as opções mais baratas não afetarão o valor nem o prestígio da marca de luxo, embora esse é um risco que precise ser levado em consideração durante a fase de criação. A fim de mitigar esse risco, a equipe de marketing de produtos começará a desenvolver a estratégia de entrada no mercado seis meses antes do lançamento 4. Nessa fase o sumário será encerrado com uma conclusão sobre a importância do trabalho Após tantas informações importantes compartilhadas com os participantes de nível executivo, esta última seção será onde o gestor tem sua chance de orientar como os colaboradores participantes do projeto compreenderão o impacto e a importância do trabalho para a organização. Existe algo que eles precisem absorver do sumário executivo? O projeto proporcionará ofertas mais baratas e variadas, além de permitir que a fábrica entre em um novo mercado e também expandirá a marca de forma positiva. Com a atenção recebida graças a essas novas ofertas e com a demanda prevista por relógios mais baratos, espera‑se aumentar a participação de mercado em 2% ao ano Adaptado de: Martins (2020). 56 Unidade II 4.3.1 Introdução A introdução pode ser encontrada no início de artigos, livros, relatórios, documentos ou outros textos, assim sendo, é muito comum, além de ser um dos elementos essenciais de diversos gêneros de textos. A introdução é a parte que visa explicar o que o documento será, em outras palavras, introduz o texto aos leitores. Ela deve conter algumas informações sobre o documento, como objetivos ou propósitos, declaração de tese e um resumo sobre as questões centrais. Pode ocorrer, em algumas introduções, a definição de termos e conceitos técnicos de maneira a delinear a estrutura de artigos. Ela ainda pode variar de acordo com o estilo do documento que está sendo preparado. A introdução de um livro e a de um ensaio, por exemplo, são muito divergentes uma da outra. O intuito da introdução é ser breve porque se refere, nesse caso, à introdução a um plano de negócios. Deve também ser capaz de vender a ideia, ou seja, despertar o interesse do leitor, fazendo com que ele leia todo o conteúdo, levando‑o a continuar sua descoberta do plano. É importante destacar que um plano de negócios ajuda as pessoas a se aprofundarem em um projeto, podendo ser utilizado para conquistar sócios, financiamentos, além de atrair talentos para a empreitada, aumentando, dessa forma, as chances de sucesso (DIFERENÇA…, [s.d.]). 4.3.2 Descobertas O consultor deverá agendar uma reunião com o cliente para apresentar o diagnóstico, onde serão pontuados os pontos fracos da empresa e as prováveis oportunidades de melhorias. Tal diagnóstico se refere à interpretação dos resultados, correspondendo à parte mais importante do relatório, pois aqui se transcrevem esses resultados, que agora deixam de ser evidências para se tornarem fatos, o que pode levar ao encerramento prematuro da consultoria. Podemos destacar entre possíveis descobertas: • discrepâncias entre os fatos obtidos e os previstos; • comprovação ou refutação das análises, servindo inclusive para verificar a impossibilidade de colocá‑las em prática; • comprovação das provas obtidas para tentar manter a sustentabilidade da teoria, visando determinar sua limitação e mesmo sua rejeição. Nessa fase, apontam‑se se os efeitos teóricos das inúmeras ações e se tais efeitos conseguiram aliviar os problemas diagnosticados. Assim, se as mudanças foram bem‑sucedidas, o consultor deve se perguntar, de forma crítica, se as descobertas impulsionaram ações, rotineiras ou não, e se foram causa de fracasso ou de sucesso. Desse modo, podemos afirmar que as recomendações consistem em indicações de ordem prática e de intervenções, na organização, de acordo com as conclusões das análises. 57 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 4.3.3 Recomendações Podemos definir recomendação como o ato de dizer que algo ou alguém é bom e, portanto, merece ser escolhido. Em um relatório pode ser uma sugestão do que precisa ser feito, mas, em nosso contexto, refere‑se a sugestões adicionadas no relatório empresarial que o consultor deseja que seu cliente implemente para que a consultoria seja satisfatória e alcance os resultados esperados. Assim, as recomendações baseiam‑se nos pontos críticos que o consultor encontrou e nas prováveis indicações de melhoria. A seção Recomendações, de qualquer relatório, é de suma importância porque indica aos colaboradoresda organização as ações que deverão ser implementadas, com base nas evidências reunidas e analisadas no relatório pelo consultor, por isso, precisará ser acionável, extremamente específica e de fácil entendimento, apresentando uma solução para os pontos críticos detalhados no relatório. Quando se inserem recomendações em um relatório, é necessário declarar o que, precisamente, está sendo avaliado. Como exemplo, podemos citar o absenteísmo no cliente, listando as estatísticas sobre esse problema e, na sequência, tecer comentários sobre seu impacto e fazer recomendações de como melhorar esse problema. Para se indicar as recomendações é preciso seguir o formato de uma carta comercial, ou o formato do próprio relatório empresarial, concentrando‑se na descrição do problema que precisa ser corrigido. Como exemplo, podemos citar o problema de turnover (rotatividade de mão de obra) na empresa e, consequentemente, sua dificuldade em contratar e reter talentos. As recomendações são uma parte importante do relatório, pois comunicam diversas informações reveladoras sobre os colaboradores da organização e se vale a pena investir neles, mudá‑los de departamento, investir em uma pós‑graduação ou, ainda, simplesmente dispensá‑los. Para facilitar seu entendimento, trouxemos um exemplo real de um plano de negócios de uma empresa de logística. Vamos lá? Case: Plano de Negócios em uma empresa de logística Sumário executivo A empresa Marvin PK Logistics tem licença‑padrão, devidamente sediada em Miami, Flórida, pertencente ao grupo Marvin e Pascal Kenneth. É uma prestadora de serviços na área de logística, tendo a seu favor sua localização. Visa prestar serviços de qualidade aos seus clientes potenciais, buscando garantir uma boa relação custo‑benefício. 58 Unidade II Produtos e serviços Visa ofertar alguns dos melhores serviços logísticos encontrados nesse segmento, além de buscar produtos, tais como embalagens adquiridos na indústria de logística, com a devida certificação de qualidade. Entre os serviços ofertados aos clientes, destacam‑se: embalagens de carga para transporte, consultoria logística, preparação dos documentos de vendas e embalagens de mercadorias para transporte. Declaração de conceito de visão A visão da Marvin PK Logistics é a de ser líder em logística em Miami, Flórida e outras partes dos Estados Unidos. Declaração de missão A missão da Marvin PK Logistics é que esteja entre as dez maiores empresas de logística das Américas, com sucesso suficiente para vender sua franquia para outras partes do mundo após cinco anos de operação. Estrutura de negócios Para atingir sua visão e missão em tão pouco tempo, visa garantir que seus colaboradores sejam criativos, empenhados, com bons salários, plano de carreira e em um ambiente de trabalho muito favorável. Tendência de mercado Se existe uma palavra que descreve perfeitamente as tendências do setor de logística dos Estados Unidos, essa palavra é desafio. Esse segmento de mercado é muito difícil porque leva tempo até que as pessoas confiem em uma empresa nova e, nesse cenário, até a empresa ser considerada, pode ser difícil progredir, entretanto, uma vez que a confiança seja alcançada, contratos fechados serão mantidos facilmente e novos negócios serão fechados sem esforço. Estratégia de vendas e marketing Para atingir seus objetivos, a empresa traçou algumas estratégias de marketing: garantir a conclusão de transações; ter forte presença online, para efetuar contratações e informar aos clientes potenciais sobre o andamento dos serviços adquiridos, além de informações adicionais sobre o desenvolvimento da empresa e apresentar informações sobre a empresa nas redes sociais e folhetos. 59 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Fonte de capital inicial Para se abrir qualquer negócio, é preciso ter capital disponível, e em uma empresa logística não é diferente. A empresa Marvin PK Logistics conseguiu angariar 70% do valor total necessário para abrir esse negócio, que é de setenta mil dólares, com recursos próprios. Os 30% restantes será financiado por uma instituição financeira. Ligeira vantagem Em decorrência de o pacote de salários, benefícios e plano de carreiras ser um dos melhores ofertados no segmento, certamente atrairá talentos do setor. Adaptado de: Evans (2020). 4.4 Plano de negócios Antes de falar sobre como se estruturar um plano de negócios, é importante conceituá‑lo. Trata‑se de um documento desenvolvido para planejar a estrutura de um novo empreendimento. Esse documento especifica qual é a ideia central do negócio, quais são as pretensões da empresa e quais estratégias serão utilizadas para se alcançar tais objetivos. 4.4.1 Estruturação De acordo com Matos (2011), o plano de negócios também é, muitas vezes, utilizado para se prospectar investidores, apresentando uma análise de viabilidade sólida, de modo que se tenha a rentabilidade esperada, assim como os prazos do retorno do investimento, tais como: • ROI; • PAYBACK; • TIR; • VPL. O plano de negócios deve apresentar, além das análises financeiras, o estudo operacional do negócio e os recursos a serem utilizados para o seu funcionamento pleno. Um fato é óbvio, sem a elaboração desse planejamento, as chances de um novo empreendimento ter sucesso são mínimas. O plano de negócios tem ainda mais uma funcionalidade, ele também é utilizado como um instrumento de medição para empresas estruturadas. Desse modo, a empresa tem como avaliar se está operando adequadamente, podendo, assim, projetar seu crescimento ou se precaver para enfrentamento em períodos de turbulência (MATOS, 2011). 60 Unidade II Além da capa, sumário e sumário executivo, geralmente, um plano de negócios é composto por: • Descrição da empresa: é utilizada para descrever: — a empresa; — seu histórico; — seu crescimento; — faturamento dos últimos anos; — sua razão social; — seus impostos; — sua estrutura organizacional; — sua localização; — suas parcerias; — o portfólio dos seus produtos; — seus serviços terceirizados. • Análise do mercado: nesse tópico, deve‑se demonstrar que a empresa: — conhece bem o mercado; — conhece bem seus consumidores mediante pesquisas de mercado; — sabe como o mercado está segmentado; — conhece as características dos seus consumidores; — conhece o posicionamento dos concorrentes; — sabe qual a sua participação no mercado; — sabe qual é a participação dos seus principais concorrentes; — conhece os riscos inerentes do negócio. 61 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • Elaboração da matriz SWOT: deve ser elaborada para: — analisar o ambiente externo para identificar as ameaças e as oportunidades do mercado; — analisar o ambiente interno para identificar as forças e as fraquezas da organização; — analisar a concorrência. • Análise da sensibilidade do mercado: utilizada para mapear o perfil dos consumidores, assim como as suas preferências. • Produtos e serviços: esse tópico é utilizado para elaborar uma descrição minuciosa dos produtos e/ou serviços da empresa, assim como das suas estratégias, conforme quadro a seguir: Quadro 5 – Produto versus estratégia recomendada Produto versus mercado Estratégia recomendada Produto atual no mercado atual Refere‑se à estratégia de concentração, representando menor risco. Recomenda‑se para mercados que ainda se encontram em fase de crescimento. Nessa estratégia, a empresa necessita maximizar seus ativos de produtos e mercado Produto atual no mercado novo Refere‑se à estratégia de estabelecimento de parcerias com empresas que conhecem o mercado e que já tenham acesso aos canais de distribuição Produto novo no mercado atual Se a empresa tiver como competência essencial o desenvolvimento de novos produtos, utiliza com sucesso a estratégia de criar novos produtos para vender no mesmo canal de distribuição Produto novo no mercado novo Essa é a estratégia de maior risco, porque, mesmo quea empresa encontre um investidor disposto a investir na empresa/produto, a taxa de retorno exigida será alta Adaptado de: Matos (2011). • Plano financeiro: esse tópico deve apresentar todas as ações planejadas da empresa e suas comprovações mediante projeções futuras, como, por exemplo, se a empresa precisa de capital, quando ela precisará e para que propósito. Deve conter: — cash flow (período de três anos); — BP (balanço patrimonial); — DRE (demonstrativo de resultados); — PE (ponto de equilíbrio); — necessidade de investimentos; 62 Unidade II — lucratividade prevista; — prazo de retorno sobre o investimento. • Anexo: contém as informações que o consultor julgar relevantes, assim, não há limites de páginas a serem seguidas. A única informação que não pode faltar é o currículo dos sócios. • Tamanho: não há quantidade exata de páginas ou tamanho ideal para o plano de negócios. O recomendado é escrevê‑lo em concordância com o público‑alvo para o qual se destina. Independentemente do tamanho, do segmento da empresa, dos anexos e da estrutura do plano de negócios, no final, esse documento é praticamente o mesmo. Cabe às empresas fazerem as adaptações e ajustes. O mais importante é que elas entendam o quão importante é o plano de negócios para as auxiliar a alcançar seus objetivos (MATOS, 2011). 4.4.2 Encadeamento lógico Para Siqueira (2003), um processo empresarial deve ser entendido como o modo pelo qual as coisas na empresa devem ser feitas, com seus procedimentos bem definidos e com o acompanhamento de um processo para que seja possível atingir um determinado propósito, seja na forma de um produto ou de um serviço oferecido ao mercado. É importante ressaltarmos que, quando uma empresa mapeia os seus processos, consegue ter uma visão sistêmica de suas atividades, tendo percepção que elas obedecem a um encadeamento lógico dentro dos setores e entre eles, tornando, dessa forma, a execução das tarefas mais eficaz, em busca de melhores resultados. Quando se executa um trabalho de mapeamento e, consequentemente, se realizam as mudanças, nem sempre os processos são seguidos, mesmo que estejam bem definidos, e isso porque as pessoas, muitas vezes, não fazem o estabelecido, o que leva os gestores a se perguntarem por que isso acontece. Pode haver muitas razões para isso, conforme veremos na sequência: • os colaboradores nem sempre são bem treinados para executar os novos procedimentos impostos pelo consultor; • os recursos não são adequados para o desempenho dos novos procedimentos; • os colaboradores não desejam desempenhar as novas funções por serem mais trabalhosas ou por não concordarem com determinadas atribuições; • o nível de relacionamento entre os setores correlacionados com a atividade‑fim não é capaz de proporcionar melhorias na qualidade dos serviços executados; • os colaboradores resistem, naturalmente, aos processos de mudança adotados. 63 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Esses fatos podem acontecer no dia a dia de muitas organizações e acabam se transformando em uma grande dificuldade da gestão. Para evitar esses riscos, os gestores não podem se envolver nas reações dos colaboradores, pelo contrário, devem se focar nos resultados propostos pelo consultor. Nesse cenário, é importante o gestor trabalhar sua equipe para tentar compreender suas dificuldades, suas reações, e, na sequência, para identificar quais são os mecanismos de solução e, em última instância, reformular o processo se for preciso. Muitas vezes, as decisões são de responsabilidade da própria organização, como: • realizar um treinamento adequado para que os colaboradores saibam como executar as novas tarefas, devendo haver pulso dos gestores para implementá‑lo para a equipe. • necessidade de investimento em ferramentas adequadas para as equipes, disponibilizando, dessa forma, recursos mais adequados para o desempenho das novas atividades. Sob esse prisma, é de suma importância que o gestor dê tratativa especial à sua equipe de trabalho, caso contrário, todos os problemas mencionados anteriormente poderão se tornar uma bola de neve. Se o problema da equipe for alguma dificuldade para executar o trabalho, é necessário que o gestor crie melhores formatos para poder solucioná‑los. Caso o problema para não aderirem aos novos processos seja simplesmente porque não querem, sem que haja nenhuma justificativa concreta, o consultor precisará questionar a necessidade de ratificar a não adaptação aos novos processos, substituindo pessoas por outras que se adequem às condições propostas. Se houver discordância com os novos procedimentos, o gestor deverá rever o trabalho, porque talvez a mudança não tenha sido feita em um formato participativo o suficiente para que os envolvidos apresentassem suas opiniões e descontentamentos. Nesse caso, pode‑se recorrer a devidos ajustes no processo, porque, se a resistência ocorrer devido ao relacionamento interno, é vital que se desenvolvam, rapidamente, mecanismos de melhoria. Os problemas apontados têm efeitos desastrosos para a organização, tais como: • colaboradores boicotarem as informações; • os responsáveis promoverem uma caçada aos culpados; • ocorrência de atividades novas mal executadas; • colaboradores desmotivados e turnover. A partir de então surgem algumas dúvidas: • Como o gestor desenvolverá algum projeto nesse clima? • Será necessário recomeçar o projeto? • Será preciso ouvir novamente a equipe? 64 Unidade II • Será necessário realizar pesquisas novamente? • O que poderá ser feito para mesurar o clima interno? Após reavaliar alguns pontos, o consultor deve analisar, discutir e definir algumas correções e mecanismos de melhoria. A resistência à mudança pode se encaixar em todos os questionamentos, isso porque, quando há algo novo, as pessoas resistem, pois, para muitos, é difícil sair da zona de conforto, deixando de fazer seus serviços rotineiros para encarar serviços diferentes dos habituais. O gestor, como agente de mudança, deve ser o responsável por incutir nos colaboradores a necessidade de trabalharem em equipe, até chegarem a um processo mais adequado, cabendo a ele monitorar, realizar reuniões avaliativas e observar o andamento das novas atividades. Dessa maneira, a consultoria juntamente com os gestores do processo e sua equipe trabalharão juntos para assegurar os resultados pretendidos pela organização (SIQUEIRA, 2003). 4.4.3 Público‑alvo O público‑alvo refere‑se ao segmento do mercado que a marca das empresas deseja alcançar. Nesse cenário, as empresas fazem uso de estratégias e campanhas para atingirem apenas o grupo de consumidores que se enquadre em perfis demográfico, comportamental e psicográfico semelhantes. Para tal, é preciso definir o público‑alvo. Mas, em uma empresa que está com problemas e resolveu contratar os serviços de consultoria, quem são as pessoas, ou clientes internos, que participarão desse projeto? De acordo com Ghermandi (2020), há algumas classificações que ajudam a entender quem é público‑alvo nos projetos de consultoria: • Poderá ser interno ou externo, ou seja, o projeto é realizado por consultores que fazem parte do quadro efetivo dos colaboradores da empresa em questão, ou não. • Poderá ser padronizado ou personalizado. Há uma diferença sutil entre um projeto de consultoria personalizado e que atenda às necessidades do cliente e um projeto de serviço pré‑formatado. • Poderá ser especializado ou geral. O projeto especializado tem o intuito de resolver processos específicos ou problemas, enquanto o projeto geral visa analisar a organização como um todo, direcionando sua atuação em diversas áreas ao mesmo tempo. • Poderá ser, ainda, por área, e, nesse caso, a consultoria pode ser feita para muitas áreas da empresa, como setores de vendas, recursos humanos, produção ou vendas. 4.4.4 Apresentação do escopo do projeto Após a definição e a apresentação do escopo do projeto ao cliente, é necessário gerenciaro escopo, de acordo com a evolução do projeto. Nessa fase, é necessário que o consultor estabeleça uma comunicação clara e constante com os stakeholders do projeto, para que tais mudanças sejam 65 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO mais bem aceitas por todos. Para o consultor se antecipar aos problemas no projeto, é preciso que ele se atente: • ao controle e ao cronograma do projeto; • à disponibilidade dos recursos; • às compras; • às aquisições. Dessa forma, é possível que os stakeholders participem de forma ativa do projeto (GHERMANDI, 2020). 66 Unidade II Resumo No início da unidade II, abordamos os serviços de consultoria realizados após a constatação de ocorrência de problemas de uma empresa, quando uma de suas áreas apresenta disfunções ou sinais de que as mudanças são necessárias. Mostramos como um consultor, em um processo de consultoria, aprofunda‑se no problema definido pelo cliente. Dessa forma, é comum ele dispor de todos os dados que coletou durante sua estada no cliente, como os dados oriundos de entrevistas feitas com gestores, executivos e colaboradores, transformando‑os em informações úteis para seu trabalho. Após realizar o tratamento dos dados, o consultor deverá avaliar qual foi a proposta original apresentada na data da assinatura do contrato de prestação de serviços, comparando‑a com a situação atual, depois de efetuar comparações com os resultados advindos de suas pesquisas e da coleta de dados. Vimos, também, como o consultor busca conquistar o apoio dos executivos do seu cliente, principalmente os executivos e os assistentes do departamento de RH, porque, em geral, o fator humano torna‑se mais importante do que o próprio problema em si. Avaliamos outro fator que precisa ser averiguado pelo consultor, que é a fase de descoberta dos fatos que remetam à cultura organizacional, pois o profissional precisará entendê‑la para fazer um bom sumário executivo do trabalho a ser realizado. Depois dessa fase, observamos como deve ocorrer a averiguação do problema e quais são as ferramentas utilizadas para a coleta de dados e para a análise dos fatos. Na sequência, estudamos a análise da situação organizacional, já que, por conta de o ambiente das organizações ser cada vez mais mutável e dinâmico, cabe às organizações estarem mais atentas ao mercado, buscando identificar os pontos fortes, os pontos fracos, as oportunidades e eliminar as ameaças que venham a interferir no desempenho da empresa. Vimos como elaborar o gráfico de Pareto, de causa e efeito e o histograma. Estudamos a fase de implementação das prováveis soluções para os problemas do cliente e as técnicas de apoio à implementação delas. Sabemos que não se trata de uma tarefa trivial, afinal, as consultorias quebram paradigmas, uma vez que o novo e as mudanças assustam os colaboradores no início. 67 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Também estudamos a última fase do processo de consultoria, que tem como objetivo avaliar os aspectos referentes ao planejamento e ao controle da implementação das mudanças. Nessa fase, utilizam‑se todos os dados definidos no planejamento da implementação: a definição do escopo da implementação, a definição das tarefas a serem realizadas, a identificação da qualificação para as tarefas, a idealização de uma estimativa de tempo para conclusão das tarefas, o estabelecimento de deadlines ao longo da implementação, a definição dos detalhes para o plano de trabalho, a revisão e aprovação do plano. Estudamos as diversas formas de se controlar a implementação, tais como o WBS, o diagrama de precedência/Pert, o gráfico de Gantt e o COM. Por fim, buscamos aprofundar o estudo com ensinamentos de como elaborar um relatório empresarial, um documento que busca apresentar um resumo das atividades realizadas em uma empresa. Vimos que ele se estrutura em introdução, descobertas, recomendações e referências. Abordamos o que deve ser projetado pelos membros da equipe responsáveis, e que um sumário executivo eficaz permite que os participantes tenham uma visão global do projeto e dos seus pontos mais importantes, sem que precisem se aprofundar em todos os detalhes. Verificamos, também, como o sumário executivo deve ser apresentado e, por fim, qual é o público‑alvo. 68 Unidade II Exercícios Questão 1. Na fase de levantamento de dados, o consultor dispõe, basicamente, dos instrumentos indicados a seguir: – entrevista; – questionário; – observação pessoal. Em relação à entrevista como instrumento de coleta de dados no processo de consultoria, avalie as afirmativas. I – Na entrevista, em geral, observamos menor resistência à coleta de dados em função do envolvimento que ocorre entre as partes (entrevistado e entrevistador). II – Algumas das vantagens da entrevista residem na possibilidade de o entrevistado tecer críticas e fazer sugestões a respeito do assunto em foco e de o entrevistador obter informações presentes na memória do entrevistado. III – Entre as desvantagens da entrevista, temos a possibilidade da emissão de palpites ou opiniões pouco fundamentadas por parte dos entrevistados. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I, II e III. E) II e III, apenas. Resposta correta: alternativa D. 69 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: segundo Araújo (2006), a entrevista é uma ferramenta muito incentivada por estudiosos no que se refere à coleta de dados, visto que há minimização de resistências devido ao elevado grau de envolvimento que ocorre entre o entrevistado e o entrevistador. II – Afirmativa correta. Justificativa: segundo Araújo (2006), entre as vantagens da entrevista, temos a oportunidade de o entrevistado tecer críticas e propor sugestões a respeito do assunto em questão e a chance de o entrevistador obter informações que estão na memória do entrevistado. III – Afirmativa correta. Justificativa: segundo Araújo (2006), uma das desvantagens da entrevista é a ocorrência de palpites ou de adivinhações, feitos por entrevistados que tenham pouco conhecimento do assunto em pauta. Questão 2. Na fase de levantamento de dados, o consultor dispõe, basicamente, dos instrumentos indicados a seguir: – entrevista; – questionário; – observação pessoal. Em relação à observação pessoal como instrumento de coleta de dados no processo de consultoria, avalie as asserções e a relação proposta entre elas. I – A observação pessoal é uma ferramenta de coleta de dados que não admite o uso conjunto de outros instrumentos destinados ao estudo organizacional, como entrevistas e questionários. porque II – A simples observação pessoal do consultor de aspectos exclusivamente referentes ao fluxo das operações permite que o consultor trace um panorama geral e preciso de toda a organização. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta. 70 Unidade II A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a asserção I. B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a asserção I. C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa. D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira. E) As asserções I e II são falsas. Resposta correta: alternativa E. Análise da questão A observação pessoal é uma ferramenta de coleta de dados usada para subsidiar o estudo organizacional, utilizada em conjunto com entrevistas e/ou questionários. Segundo Araújo (2006), a observação pessoal não deve ser empregada como ferramenta única, visto que não se pode, por meio da simples observação, construir o contorno nítido e definitivo de determinadas situações. 71 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Unidade III 5 APLICABILIDADE Utilizar os serviços de um consultor, ou empresa de consultoria, nas organizações é de extrema importância justamente pelo fatode ele não ter ainda todo o conhecimento necessário para solucionar os problemas no momento que é contratado. Quando o consultor dá início ao diagnóstico, a empresa acredita que, por ele ser neutro, já que ainda não tem acesso a todas as informações, poderá implementar novos métodos e novas ideias para solucionar tais problemas. Os consultores e empresas de consultoria têm, como protocolo, seis deveres universais, conforme discriminado na sequência (SCHEIN, 1969 apud OLIVEIRA; THIELMANN, 2005): • Solucionar: buscar alternativas para as disfunções organizacionais encontradas na empresa usando, para isso, o processo de tomada de decisões. • Organizar: proporcionar todas as possibilidades para que se chegue a um bom funcionamento da empresa. • Inovar: prover as melhores soluções com os menores custos. • Aconselhar: apoiar o empresário na realização do diagnóstico organizacional, por meio de ferramentas, modelos e indicadores de gestão, a fim de orientá‑lo sobre, por exemplo, as atuais tendências de negócios. • Auxiliar: contribuir para o processo de desenvolvimento organizacional. • Diagnosticar: identificar prováveis disfunções organizacionais com o emprego de um instrumento de levantamento de dados. Vários autores destacam o conhecimento como um bem intangível, visto que ocupa um posicionamento de enorme preocupação nas organizações. Nonaka (2000) destaca essa preocupação ao demonstrar a importância da participação das pessoas na definição dos conhecimentos e ao afirmar que os seres humanos são imprescindíveis para a criação do conhecimento, já que novos conhecimentos se originam nas pessoas. 72 Unidade III Segundo Davenport e Prusak (1998), o conhecimento é uma mistura fluida de: • valores; • informação contextual; • experiência condensada; • insight experimentado. Esses itens proporcionam uma estrutura para a avaliação e a incorporação de possíveis novas experiências e informações. O conhecimento tem origem e é utilizado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar inserido nos processos, rotinas, normas organizacionais e nas práticas, também nas atividades desenvolvedoras de conhecimento, apresentando‑se internamente a cada indivíduo, mas também em suas interações. A informação torna‑se conhecimento através de: • Comparação: como as informações relativas a uma situação se comparam a outras situações já conhecidas? • Consequências: quais implicações as informações podem trazer para as tomadas de ações e de decisões? • Conexões: quais são as relações entre o conhecimento adquirido e o conhecimento acumulado? • Conversação: quais os pensamentos de outras pessoas em relação a essa informação? Para que o conhecimento seja reconhecido como tal, isto é, para que seja socialmente aceito, ele deve ter aprovação dentro de termos criteriosamente verdadeiros, em que os fatos serão avaliados formalmente e a partir da apresentação de dados. O conhecimento é decorrente da interpretação da informação e será utilizado para a geração de novas ideias, para resolver os problemas ou para a tomada de decisões, existindo quando uma informação é bem explicada e compreendida por alguém, sendo também o resultado do que foi aprendido e do que já fora experimentado e que ainda poderá ser utilizado novamente em várias situações. Existem vários fatores que levam ao sucesso dos projetos do conhecimento, como: • orientação de uma cultura para o conhecimento; • uma infraestrutura técnica e organizacional; • apoio à alta gerência; • vinculação do valor econômico ou setorial; 73 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • orientação para processos feita com a clareza de visão e linguagem; • estímulo a elementos motivadores não triviais; • níveis da estrutura do conhecimento, assim como múltiplos canais para a transferência do conhecimento. Davenport e Prusak (1998) apontam que o conhecimento existe dentro dos seres humanos, fazendo parte de sua complexidade e da imprevisibilidade. A esse conhecimento, dá‑se o nome de ativos de conhecimento, mas é importante lembrar que eles são intrínsecos de cada ser humano, logo, diverge de pessoa para pessoa, e, portanto, são difíceis de serem identificados. Dessa forma, os autores afirmam que os ativos do conhecimento ainda são vistos como um processo ou ainda como um ativo intangível. Segundo Nonaka e Takeuchi (1997), conhecimento e informação são bem diferentes. O conhecimento diz respeito a crenças e compromissos. Sendo a função de uma atitude, uma intenção específica ou ainda uma perspectiva, ele está relacionado à ação, sempre com um objetivo, ao contrário da informação. Para que uma informação se torne conhecimento, os seres humanos terão que realizar virtualmente um trabalho. Ainda numa visão mais ampla desse conceito, pode‑se destacá‑lo como explícito ou tácito. O explícito é caracterizado por transferência e codificação, estando, assim, nos documentos, na base de dados, de processos e de produtos. Já o conhecimento tácito é difícil de ser codificado pois é subjetivo. Se baseia na interpretação do indivíduo, fazendo parte das ações, dos contextos e das experiências pessoais. É o que se sabe, porém, nem sempre se consegue explicar. Nonaka e Takeuchi (1997) diferenciam o conhecimento explícito e o tácito, apontando que este é altamente pessoal e muito difícil de ser formalizado, dificultando a transmissão e o compartilhamento, encontrando‑se, por isso, profundamente enraizado nas ações e nas experiências de cada indivíduo, como em seus valores, suas emoções, seus desejos ou ainda suas ideais. Já o explícito é expresso em palavras e em números, ficando bem mais fácil de ser comunicado e de ser compartilhado sob a forma de fórmulas científicas, dados brutos, procedimentos codificados ou ainda por princípios universais. Desse modo, é facilmente processado por um computador, podendo ser transmitido eletronicamente ou ainda ser armazenado em um banco de dados. A teoria do processo de criação de conhecimento, desenvolvida por Nonaka e Takeuchi (1997), coloca essa distinção entre o conhecimento tácito e o explícito como pedra epistemológica fundamental, e aponta que o segredo para a criação do conhecimento está na mobilização e na conversão do conhecimento tácito. Sabe‑se que o conhecimento tácito e o conhecimento explícito se complementam mutuamente, interagem um com o outro, por meio de trocas nas atividades criativas dos seres humanos. Para Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento é criado justamente pela interação entre os conhecimentos tácito e explícito, e postula quatro modos diferentes de conversão desses conhecimentos: 74 Unidade III • do conhecimento tácito para o conhecimento tácito: socialização; • do conhecimento tácito para o conhecimento explícito: externalização; • do conhecimento explícito para o conhecimento explícito: combinação; • do conhecimento explícito para o conhecimento tácito: internalização. O compartilhamento do conhecimento tácito é o objetivo da socialização, que, separadamente, se constitui uma forma limitada de criação do conhecimento. Já a facilidade com que uma organização possa alavancar o conhecimento está relacionada diretamente com a eficiência da conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito. A criação do conhecimento organizacional nada mais é que a interação contínua e dinâmica entre os conhecimentos tácito e explícito. Diante do exposto, sabe‑se que a socialização é capaz de gerar conhecimento compartilhado e, sob esse prisma, podemos afirmar que a externalização gera o conhecimento conceitual. Essa combinação dá origem ao conhecimento sistêmico operacional Dentro da organização, o conhecimento não se cria e nem se desenvolve sozinho. Para se criar conhecimento em uma organização é preciso que haja envolvimento da criação do conhecimento individual, se ampliando em comunidades de interação que transpassem seções, divisões, organizações e departamentos. O conhecimento tácito criado e59 4.4.2 Encadeamento lógico............................................................................................................................ 62 4.4.3 Público-alvo .............................................................................................................................................. 64 4.4.4 Apresentação do escopo do projeto ............................................................................................... 64 Unidade III 5 APLICABILIDADE .............................................................................................................................................. 71 5.1 Pesquisa das informações na organização ................................................................................ 76 5.2 A decisão de contratar uma empresa de consultoria ............................................................ 77 5.2.1 Vantagens na contratação .................................................................................................................. 78 5.2.2 Visão imparcial................................................................................................................................................ 78 5.2.3 Foco nos resultados ...................................................................................................................................... 79 5.2.4 Soluções inovadoras .............................................................................................................................. 79 5.2.5 Relação entre custo e benefício ....................................................................................................... 79 5.2.6 Tomada de decisões assertiva ............................................................................................................ 80 5.2.7 Execução de serviços mais ágeis ...................................................................................................... 80 5.3 Etapas de uma consultoria organizacional ................................................................................ 80 5.3.1 Contato e contratação do consultor .............................................................................................. 81 5.3.2 Diagnóstico empresarial ...................................................................................................................... 81 5.3.3 Apresentação da proposta .................................................................................................................. 81 5.3.4 Implementação das medidas ............................................................................................................. 82 5.3.5 Apresentação dos resultados ............................................................................................................. 82 6 CONJUNTO DE COMPETÊNCIAS DO CONSULTOR ............................................................................... 82 6.1 O problema .............................................................................................................................................. 84 6.2 Interação da consultoria com a empresa-cliente ................................................................... 84 6.3 Dilema da consultoria em áreas já estruturadas ..................................................................... 84 6.4 Código de Ética do consultor .......................................................................................................... 85 Unidade IV 7 A BUSCA E O USO DA INFORMAÇÃO ...................................................................................................... 95 7.1 O uso da informação para tomada de decisão ........................................................................ 96 7.2 O impacto da sociedade do conhecimento nas organizações ........................................... 97 7.3 Evolução do conceito de informação e de conhecimento .................................................. 99 7.4 Evolução do conceito da informação ........................................................................................101 7.5 O modelo ISP (information search process) na busca de informação ..........................103 7.5.1 Fases do ISP .............................................................................................................................................103 7.6 Metodologia, resultados e perspectivas ....................................................................................104 7.7 Abordagem Sense-Making Approach ........................................................................................107 7.8 Modelo de uso da informação Choo ..........................................................................................112 8 CERTIFICAÇÕES ..............................................................................................................................................114 8.1 Certificação e entidades certificadoras .....................................................................................115 8.2 Processos e estágios de certificação ...........................................................................................117 8.3 Gerenciamento Lean: modelo de gestão para excelência .................................................117 8.3.1 Como funciona ......................................................................................................................................118 8.3.2 Os cinco princípios ...............................................................................................................................119 8.3.3 Oito desperdícios da manufatura enxuta .................................................................................. 120 8.4 Seis Sigma .............................................................................................................................................122 8.5 Níveis de certificação ........................................................................................................................125 8.5.1 As principais certificações de qualidade .................................................................................... 126 9 APRESENTAÇÃO A consultoria, ou assessoria em qualidade, refere-se a uma estratégia direcionada às empresas que buscam adquirir diferenciação frente à concorrência, mediante diagnóstico, análise, implantação de ações e acompanhamento dos resultados, com o intuito de ampliar mercados e de obter vantagens competitivas por intermédio do aumento do nível da organização interna e controle da administração, o que incorre no aumento da produtividade. Pode-se afirmar que, com essas melhorias, ocorre paralelamente a redução de custos, minimizando também os erros e, consequentemente, melhorando a credibilidade junto aos clientes. Um fato curioso paira sobre a consultoria: ela ainda carrega o estereótipo de autocrata ou ineficaz, principalmente quando os colaboradores que trabalham na empresa que está passando por uma consultoria tiverem tido alguma experiência não produtiva no passado. O maior problema é que alguns consultores, por inúmeros motivos, não demonstram que os colaboradores precisam trabalhar em parceria com seus gestores para que a empresa alcance seus objetivos, desestimulando-os completamente. Dessa forma, é comum tais colaboradores afirmarem: “não falei? Não adiantou nada contratar essa consultoria”. Mas, convenhamos, há consultorias e consultorias. Assim, não basta pessoa estar consultora, ele tem que ser consultora. A consultoria é de suma importância para criar parâmetros e diretrizes para que as empresas se revitalizem e se reergam após momentos de crise. Sendo assim, as oportunidades para certificações ou padrões de gestão fazem total diferença. Empresas que, antes da consultoria, afirmavam categoricamente que “conseguem fazer tudo sozinhas” quebram paradigmas ao perceber que estavam apenas paradas no tempo, e agora podem mudar seu patamar de atuação, com o apoio deacumulado em um nível individual deve ser mobilizado e se tornar amplo dentro da organização, através dos quatro modos de conversão, constituindo‑se, assim, a chamada espiral do conhecimento. Nonaka e Takeuchi (1997) evidenciam que a função da organização dentro do processo de criação do conhecimento organizacional nada mais é do que fornecer um contexto apropriado para que as atividades em grupos se tornem mais propícias para a criação e o acúmulo desse conhecimento em nível individual. Eles pontuam cinco condições em nível organizacional para que se promova a espiral do conhecimento, conforme veremos na sequência. Intenção Visa desenvolver a capacidade organizacional de adquirir, acumular, criar, e ainda explorar o conhecimento. Aqui se encontra a essência da criação do conhecimento organizacional: a estratégia. Conceituar uma visão e estabelecer relação com o tipo de conhecimento que deverá ser desenvolvido para efetivar a implementação será o ponto crítico da estratégia da empresa, para que se consiga associar as tecnologias essenciais à atividade de negócios. 75 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Autonomia Ocorre individualmente, entre todos os membros da organização, que deverão agir de forma autônoma conforme forem surgindo as circunstâncias. Essa postura empresarial irá assegurar que a autonomia seja mais propensa a manter uma maior flexibilidade ao adquirir, determinar o significado e relacionar as informações. Flutuação e caos Essas condições instaladas estimulam a interação entre a organização e o ambiente externo. Quando a flutuação surge numa empresa, ela aparece por meio de colapsos das rotinas, das estruturas cognitivas ou mesmo dos hábitos. Acaba se tornando um processo contínuo de questionamentos e reconsiderações de premissas já existentes, estimulando, assim, a criação do conhecimento. Redundância A redundância no mundo dos negócios se refere à superposição intencional das informações sobre as atividades da empresa e as responsabilidades da gerência, e também sobre a empresa como um todo. Nonaka e Takeuchi (1997) deixam claro que, para criar conhecimento dentro do contexto organizacional, é preciso que um conceito criado por algum indivíduo, ou mesmo por um grupo, seja mostrado para outros indivíduos, mesmo que ainda não precisem do conceito de imediato. Esse compartilhamento de informações redundantes irá promover o compartilhamento de conhecimento tácito, sendo assim, os indivíduos envolvidos conseguirão sentir o que os outros estão tentando expressar. Variedades e requisitos Enfrentar desafios de extrema complexidade impostos pelo ambiente fica mais fácil com a diversidade interna de uma organização. Nesse ambiente de negócios, é necessário que o desenvolvimento de uma estrutura seja mais horizontal e flexível, e que as diferentes unidades sejam interligadas por uma rede complexa de informações. A informação e o conhecimento são fatores essenciais no ambiente competitivo das organizações. Conhecimento não apenas no sentido abstrato, ou mesmo no teórico, mas sim aplicado no dia a dia da empresa: o conhecimento sobre o mercado, os clientes, os processos, a tecnologia utilizada, seus concorrentes etc. Sabe‑se que há a percepção comum de que as informações e o conhecimento são recursos necessários para as organizações, portanto, eles precisam ser administrados em todos seus setores. Porém, é necessário que a empresa utilize inteligência para usar de forma eficiente todas as informações e o conhecimento no processo de tomada de uma decisão. 76 Unidade III 5.1 Pesquisa das informações na organização A palavra informação é derivada do latim informare, que significa dar forma ou aparência, criar uma ideia ou ainda representar algo que foi posto em ordem. De acordo com Drucker (2000, p. 13), a informação é um “dado investido de relevância e propósito”. É um dado isolado, ou mesmo um agrupamento organizado de dados, que é processado por um tipo de tratamento correto e perfeito. Para os autores McGee e Prusak (1994), informações referem‑se a dados coletados, ordenados, organizados, aos quais se atribuem contexto e significados. Seguindo o mesmo padrão de pesquisa, os autores sugerem ainda que a informação é o conjunto de dados úteis utilizados pelas organizações e mesmo pelos indivíduos, que dão subsídios para se tomar uma decisão eficaz. Já para Davenport e Prusak (1998), a informação é uma mensagem, na forma de uma comunicação audível ou visível, assim como um documento, e os dados se transformam em informações pelos seguintes processos: • Contextualização: para que finalidade os dados deverão ser coletados. • Categorização: determinação dos componentes fundamentais dos dados ou ainda as unidades de análise. • Cálculo: os dados deverão ser analisados estatisticamente ou pela matemática. • Correção: quando ocorrerem os erros, eles deverão ser excluídos dos dados. • Condensação: esses mesmos dados poderão ainda ser resumidos de uma forma mais precisa. Barreto (1994) considera a informação um conjunto de estruturas significantes, que tem a competência de poder gerar conhecimento para o indivíduo, a sociedade ou seu grupo. Ela pode ser considerada um dado processado de maneira significativa para o usuário, tendo um valor real ou aferido para a tomada de decisões correntes ou posteriores. O processo de transformação dos dados em informação, na visão de Stair (1998, p. 5 ), ocorre através de “uma série de tarefas logicamente relacionadas, executadas para atingir um resultado definido”. Como já vimos, para McGee e Prusak (1994), a informação abrange os dados coletados, ordenados e organizados, aos quais são atribuídos contexto e significados. Sua função é informar, enquanto os dados não têm essa mesma missão. A informação tem limites, e os dados poderão ser ilimitados. Para os dados tornarem‑se úteis como a informação para uma pessoa com a incumbência do processo de decisão, será preciso apresentá‑los de tal forma que a pessoa consiga os relacionar e possa atuar sobre eles. A informação, no âmbito empresarial, tem o objetivo de habilitar a empresa para que ela alcance seus objetivos pelo uso eficaz dos recursos disponíveis, os quais são representados por tecnologia, pessoas, capital e a informação propriamente dita. 77 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Nem mesmo a tecnologia consegue transformar dados em informação. É necessário que o indivíduo atribua um significado. Se não houver interferência humana, esses experimentos são apenas dados. Nesse sentido, o que chamamos de tecnologia da informação é apenas tecnologia de dados, pois não se trata da compreensão, da comunicação da informação ou mesmo de sua construção. Assim sendo, Spender (2001) destaca que a relação de dependência da informação junto ao ambiente é um sinal, significando que o ambiente está ligado ao sistema em que foi incorporado. A informação é o único recurso que nunca é perdido com o uso ou mesmo com a disseminação. Ela só é perdida quando se torna obsoleta, não se tornando mais necessária. Bartolomé (1999) ressalta que o excesso de dados e uma enorme quantidade de informações adquiridas diariamente geram capacidade de valorizar a tomada de decisões quando se sabe o que é útil e relevante. Já Wurman (1997) acredita que o excesso de informação pode ser um problema em sistemas informatizados, pois as pessoas são limitadas e, em virtude da quantidade excessiva de informação gerada, toda essa exigência pode transformá‑las em pessoas extremamente ansiosas. Por conta dessa ansiedade por informação, o autor acredita que a distância entre compreensão e o que se acha que deva ser compreendido crie uma lacuna entre os dados e o conhecimento. Isso acontece quando a informação não diz o que realmente se precisa saber. O excesso de informação pode causar angústia, dispersando o foco na tomada de decisões. Vários empresários sofrem do que se chama de síndrome de informação,ou seja, eles acreditam que não estão lendo tudo o que julgam ser necessário diante do que é publicado, mesmo que seja impossível abranger essa totalidade (WURMAN, 1997). 5.2 A decisão de contratar uma empresa de consultoria Como mencionado anteriormente, a consultoria nada mais é do que um serviço ofertado por um profissional autônomo ou uma empresa de uma determinada área, tanto para administração profissional quanto para a pública, e tem a finalidade de fazer um levantamento das necessidades das organizações, visando identificar prováveis soluções com recomendações de ações de melhoria. Isso é possível graças ao olhar crítico do consultor externo. Para isso, é de suma importância que ocorra a transparência do cliente, para que ele junte as informações e saiba como proceder em relação às disfunções e o que fazer para promover o crescimento empresarial. Há alguns motivos que impelem uma organização a contratar os préstimos de um consultor, por exemplo, quando necessita de ajuda e os gestores não fazem ideia de como solucionar o problema, ou quando a organização tem dúvidas se contrata funcionários novos ou se investe em processos para melhorar a produtividade. Outro problema que faz com que a organização busque ajuda de uma consultoria é a desmotivação da equipe, que faz com que ela não produza a quantidade necessária para o alcance das metas e da qualidade desejada. Além disso, também há o problema de os administradores não terem sucesso no quesito incentivo do engajamento. Nesse caso, o ideal seria contratar uma consultoria de gestão de pessoas ou de recursos humanos. 78 Unidade III Segundo o Instituto de Defesa da Cidadania e da Transparência – IDCT (POR QUE...,2020), a contínua falta de padronização nas atividades acarreta falhas na organização. Assim, se faz necessário corrigir os processos internos com mapeamento e, consequentemente, proposição de melhorias. Portanto, pode‑se dizer que as funções de uma consultoria organizacional são: • mudança de gestão; • expansão de mercado; • crises financeiras; • revisão de processos; • implementação de projetos; • reestruturação interna. 5.2.1 Vantagens na contratação Já vimos o que é uma consultoria e por que a contratar. Agora veremos quais são os benefícios proporcionados pela contratação de uma empresa de consultoria especialista, ou de um consultor. Certamente não existe uma lista taxativa, e sim uma lista exemplificativa das vantagens em se contratar uma consultoria, conforme veremos na sequência. Saiba mais O IDCT desenvolveu um interessante artigo em que auxilia na compreensão de por que contratar um consultor: POR QUE contratar uma consultoria. IDCT, 22 jan. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3B1a1X5. Acesso em: 1º jul. 2022. 5.2.2 Visão imparcial Uma grande dificuldade dos administradores é conseguir um tempo para se afastar um pouco de suas inúmeras rotinas e atividades para poder avaliar o cenário por outra perspectiva. Sob esse prisma, um profissional experiente tem mais condições de ver o todo de forma mais ampla, para poder discutir detalhes que se relacionam às várias partes do problema. Além do mais, por não ter uma relação direta com a empresa e nem com os gestores e colaboradores envolvidos, o consultor, quando chega à empresa, não tem vínculos firmados, assim, ele preserva sua capacidade de isenção em suas colocações. 79 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Lembrete A posição de quem está chegando para dar consultoria é, de certa forma, privilegiada, uma vez que a pessoa tem possibilidade de avaliar a situação de uma forma fria. Isso ajuda muito na hora de elaborar um diagnóstico isento, assim como também ajuda nos momentos em que é preciso dar os feedbacks necessários. 5.2.3 Foco nos resultados É muito importante que uma empresa de consultoria esteja 100% comprometida com os resultados que oferece para seus clientes. O consultor, por viver basicamente da conquista de metas e de um bom nome no mercado, seja dele ou da empresa em que atua, não pode se dar ao luxo de adotar uma postura morosa e cômoda. Se a consultoria não conseguir proporcionar uma melhora significativa na situação de seus clientes, o consultor ou a consultoria não se sustentará no mercado, uma vez que se trata de uma área totalmente interconectada e competitiva. 5.2.4 Soluções inovadoras As consultorias acumulam muita experiência rapidamente, tendo, assim, a oportunidade de trabalhar em casos dos mais diversos tipos, podendo conhecer novos mercados e novos modelos de negócio. Por ter uma vivência muito ampla em casos diversos, os profissionais de consultoria conseguem colher impressões das ferramentas organizacionais que realmente funcionam e as que não funcionam no corporativismo. Assim, há muito mais conceitos e ideias circulando dentro das empresas de consultoria do que uma empresa jamais teria acesso normalmente. Por isso, novas maneiras de se tratar problemas comuns e soluções inovadoras são bem mais fáceis de serem acessadas pela consultoria. 5.2.5 Relação entre custo e benefício Muitos gestores comumente acham uma consultoria cara, entretanto é muito mais dispendioso manter um negócio com baixa lucratividade e níveis de eficiência também baixos. Quando a empresa enfrenta alguma crise e não contrata especialistas de uma consultoria, ela tem duas alternativas: efetivar mão de obra própria, mas o gestor precisa saber que o barato sai caro, porque essa efetivação inchará a folha de pagamento; ou tomar a decisão de contratar uma consultoria quando for muito tarde. 80 Unidade III 5.2.6 Tomada de decisões assertiva Uma consultoria ajuda as empresas a desenvolver projetos, assim como a tratar de situações pontuais, mas há um outro fator preponderante: uma consultoria tem a responsabilidade de ajudar seus clientes a tomarem decisões muito relevantes, que, quando apoiadas por uma consultoria que considera os recursos disponíveis e analisa o contexto das decisões, visam a sustentabilidade do negócio, buscado gerar diversas possibilidades de melhoria dos resultados em todos os níveis, ou seja, no curto, no médio e no longo prazo. Resumindo, sem a contratação de uma consultoria, tais decisões seriam deliberadas de um modo independente pela empresa, o que poderia vir a ser prejudicial quando consideramos a falta de um referencial externo. 5.2.7 Execução de serviços mais ágeis Pelo fato de uma consultoria acumular experiências que aumentam de acordo com seu tempo de atuação, as soluções para problemas situacionais que necessitam de análise geralmente são bem mais direcionadas, fazendo com que o tempo dispendido seja mais curto, seja na melhoria do processo, seja na resolução do problema. Dúvidas e retrabalhos são minimizados, fazendo com que os serviços não tenham riscos ou atrasos durante as inúmeras etapas do projeto de consultoria. Assim, quando as empresas passam a conhecer melhor as vantagens em se contratar uma consultoria, fica evidenciado que elas podem obter soluções profissionais e definitivas, além de ter resultados geralmente favoráveis para lidarem com diversos problemas, de diversas dimensões (SAKUMA, 2018). 5.3 Etapas de uma consultoria organizacional Qualquer projeto conta com inúmeras etapas para serem implementadas. Como a consultoria também trabalha com projetos, não pode ser tratada de outra forma. Por ser um projeto, há inúmeras etapas que também irão direcionar os gestores das empresas a considerarem conveniente a contratação de um consultor ou uma empresa de consultoria. Podemos afirmar que as empresas que buscam crescimento sustentável e rentabilidade podem pleitear contratar os serviços de um consultor, pois é mediante essa prestação de serviços, tanto na administração de recursos como na tomada de decisões, que os negócios podem contratar mais, vender mais e se tornar referência para um mercado extremamente competitivo. É muito importante lembrar que o consultor, ou a empresa de consultoria contratada,não assumirá a gestão da organização, mas auxiliará os gestores a tomarem decisões assertivas, além de implementar procedimentos eficazes. Assim, todos os passos da consultoria sempre são dados em parceria entre os gestores e os consultores. Ou seja, nada é imposto, nada acontece sem a permissão dos responsáveis pela empresa. Logo, é preciso que os gestores conheçam os passos de uma consultoria, até para que eles possam conversar com seus colaboradores, e, dessa forma, auxiliar o consultor nas diversas etapas que veremos na sequência. 81 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 5.3.1 Contato e contratação do consultor Tudo acontece quando o cliente procura a empresa de consultoria ou o consultor, ou seja, essa é a primeira etapa. O contato pode ser por telefone, por correio eletrônico, ou mediante visita à empresa. Lembrete Após acertarem todos os detalhes acerca das condições da prestação dos serviços, assim como os valores, um contrato bilateral e consensual deverá ser assinado entre as partes para dar início à consultoria. 5.3.2 Diagnóstico empresarial Com a consultoria contratada, o consultor precisa adentrar nas reais condições do negócio, fazendo levantamento de: • dados; • estatísticas; • características; • forças, • fraquezas, • oportunidades, • ameaças. Para tal, realiza‑se uma análise e, consequentemente, traça‑se um diagnóstico. Ou seja, a consultoria examina a empresa para que possa realizar um diagnóstico ou um laudo. 5.3.3 Apresentação da proposta Após a análise e, posteriormente, o diagnóstico, provavelmente a consultoria encontrou diversas lacunas e processos que precisam ser otimizados para que a empresa seja mais: econômica, lucrativa e produtiva. A consultoria apresenta os relatórios aos gestores, para que ambos discutam quais passos serão dados na sequência, após a aprovação do diagnóstico. Deve‑se checar a aprovação dos gestores de cada área, sobre cada tópico. Muitas vezes, os gestores discordam do consultor sobre alguns aspectos, mas, pelo fato de os consultores serem experientes e especializados, devem estar sempre prontos para enfrentar todas as crises que surgirem. 82 Unidade III 5.3.4 Implementação das medidas Após discussão e aprovação dos pontos deficientes que sofrerão intervenção e a discussão das ações que serão implementadas com os gestores e a chefia, é chegada a hora de iniciar a implementação. Nesse estágio, além da definir as diretrizes, o consultor atuará diretamente com os colaboradores para implementar as mudanças para melhoria o negócio. No prazo estipulado, deve ser possível que os colaboradores comecem a sentir as modificações nos diversos setores. 5.3.5 Apresentação dos resultados A administração e a gestão não são, decididamente, ciências exatas, portanto, diversas variações podem acontecer nos resultados. É nessa etapa que os consultores se debruçam sobre tais resultados para apontarem os acertos e corrigirem os erros. Também é nessa etapa que o consultor pode modificar as estratégias erradas para ter mais assertividade. Se for necessário, pode‑se recomeçar, afinal, o mercado é cíclico, ou seja, está sempre em movimento. Portanto, a consultoria precisa se adequar à gestão. Logo, recomeçar os processos de consultoria em caso de erros é extremamente indicado (GUIA…, 2018). 6 CONJUNTO DE COMPETÊNCIAS DO CONSULTOR Um consultor organizacional é responsável pela implementação das mudanças necessárias nos inúmeros departamentos da empresa, assim como também pela análise de seus impactos. Entretanto, há uma ressalva: para poder desempenhar tais atividades, o consultor precisa ter muitas competências relacionadas a: • seus conhecimentos; • suas habilidades; • suas atitudes. Tais competências, conhecidas como CHA, são exteriorizadas pelas características do consultor, que são direcionadas a aspectos administrativos, interpessoais e comportamentais e são necessárias para que ele desempenhe a enorme gama de atividades intrínsecas ao serviço de consultoria. Dessa forma, gerir competências é fundamental. Quadro 6 – Competências do consultor Conhecimento Saber Habilidades Saber fazer Atitude Querer fazer Competência técnica Competência comportamental Fonte: Dutra (2001, p. 63). Os consultores atuarão em diferentes organizações, sabendo que lidarão com adversidades, pois terão que lidar com diferentes culturas organizacionais, que podem ser definidas como o modo de vida 83 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO das organizações e que se referem ao próprio estilo de cada uma, desenvolvido com seus participantes. Assim, a cultura organizacional repousa em um sistema de crenças, valores, tradições e hábitos dentro de um formato aceito e estável de interações com relacionamentos sociais típicos de cada organização. Observação A cultura da organização não é permanente e nem estática, uma vez que sofre alterações com o tempo, de acordo com as condições internas ou externas. Dessa forma, algumas organizações conseguem renovar sua cultura continuamente, mantendo a sua personalidade e integridade, enquanto outras permanecem com sua cultura amarrada a padrões ultrapassados. É preciso mudar a cultura para que ocorra uma mudança organizacional, logo, as organizações precisam se renovar para que possam sobreviver e se desenvolver em um mundo extremamente mutável e isso exige que ocorram mudanças na cultura organizacional. A tarefa básica do desenvolvimento organizacional é criar condições para que a cultura mude e melhore o clima da organização, transformando, assim, o trabalho em uma atividade motivadora e satisfatória. Existe uma enorme influência da liderança nos processos de mudança organizacional, já que o líder busca harmonizar as suas características pessoais, as características pessoais dos subordinados, a natureza da tarefa e, por fim, a situação que envolve a tarefa. Para Schein (1969 apud OLIVEIRA; THIELMAN, 2005), quanto mais o dirigente conseguir adaptar o seu estilo de comportamento de líder com o intuito de atender as situações particulares e as necessidades dos liderados de forma mais eficiente, mais ele conseguirá atingir seus objetivos pessoais e organizacionais. Dessa forma, ele terá que se atentar para todos os fatores citados, para que possa ter êxito na pesquisa das informações na organização. A figura 11 demonstra as etapas do desenvolvimento organizacional. Encerramento Controle e avaliação Implementação das ações Diagnóstico organizacional Elaboração do plano de açãoModelo de DO Figura 11 – Modelo de desenvolvimento organizacional utilizado em consultorias Fonte: Schein (1969) apud Oliveira e Thielmann (2005, p. 113). 84 Unidade III 6.1 O problema O termo problema, nessa situação, tem um sentido muito mais amplo, pois é considerado, para todos os efeitos, a problemática da pesquisa, uma vez que todas as atividades do consultor abrangem inúmeras variáveis organizacionais, exceto o problema em si. Assim, cabe ao consultor dar a devida atenção ao problema. Entretanto, é bom lembrar que ainda não é a hora de ele se aprofundar e tirar conclusões precipitadas para tentar solucioná‑lo, seja para inovação, seja para qualquer outro foco da consultoria. Observação O problema de pesquisa não se relaciona a coisas negativas, pelo contrário, problema denota dúvidas, que levam à necessidade de elaborar uma pesquisa. Dessa forma, o problema de pesquisa é a pergunta que todo pesquisador busca responder enquanto executa o estudo, e no que diz respeito à consultoria organizacional, podemos afirmar que a pesquisa pode ser uma disfunção, uma melhoria ou mesmo a elaboração de um determinado projeto para o cliente. 6.2 Interação da consultoria com a empresa‑cliente Quando um cliente contrata uma empresa de consultoria, cria uma grande expectativa sobre os serviços e, nesse cenário, cabe ao consultor atender a elas durante o planejamento e a execução das ações. 6.3 Dilema da consultoriaem áreas já estruturadas Quando uma empresa contrata os serviços de um consultor, é preciso ter em mente que todas as áreas devem estar estruturadas, dessa forma, demonstraremos o que deve ser feito, a priori, em cada área. Nessa fase, vamos entender uma série de processos internos e as vantagens competitivas que dependem de cada processo. Os elementos centrais de uma cadeia de valor são apresentados no quadro 7. Quadro 7 – Componentes da cadeia de valor Elementos da cadeia de valor Descrição Infraestrutura da empresa Inclui a gerência geral e a rede de relacionamentos da empresa, até mesmo com o governo, além de abranger a qualidade do produto Gerência de RH Afeta a vantagem competitiva em qualquer empresa, devido a seu papel na determinação das qualificações e da motivação dos empregados e do custo de contratação e de treinamento Desenvolvimento de tecnologia Todo o investimento realizado em tecnologia, que estará diretamente associado à otimização do processo de produção e, ao final da cadeia de valores, ao próprio bem ou serviço Aquisição Diz respeito a toda compra de matéria‑prima ou insumos para a produção do bem que será vendido 85 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Elementos da cadeia de valor Descrição Logística interna As atividades relacionadas com o recebimento dos insumos, armazenagem, estocagem e transporte Operações Manipulação da matéria‑prima para transformá‑la em produtos e serviços por meio dos processos internos da organização Logística externa Canal de distribuição do produto Marketing e vendas Oferecimento do produto aos compradores Serviços Agregações de valor ao produto oferecido. Todo o tipo de serviço pós‑vendas (assistência técnica, garantia ou manutenção, por exemplo) Fonte: Bateman e Snell (1998, p. 121). 6.4 Código de Ética do consultor Quando as pessoas se formam, há um juramento solene pelo qual os formandos juram seguir os padrões de condutas e práticas profissionais. Tais padrões visam garantir determinados princípios, atitudes e valores por parte dos profissionais, assim como proporcionar um relacionamento transparente e satisfatório com seus clientes. Figura 12 – Termos associados à conduta ética Disponível em: https://bit.ly/3b4Mslr. Acesso em: 25 jul. 2022. Os quadros a seguir apresentam os principais pontos estabelecidos pelo Código de Ética do consultor. 86 Unidade III Quadro 8 – Sustentabilidade e responsabilidade social Responsabilidade Ação Preservar o desenvolvimento sustentado da sociedade, da qualidade de vida e dignidade do ser humano Cooperar com seu discurso e ações exemplares Contribuir para o aperfeiçoamento da consultoria organizacional Colaborar para a difusão de conhecimentos, habilidades e atitudes que otimizem custos e recursos, melhorem a produtividade e a qualidade, busquem a inovação e a melhoria contínua da qualidade de vida e trabalho e contribuam para o desenvolvimento econômico e social do país Combater atitudes de assédio, preconceito, discriminação e exploração Abster‑se de perpetuar e impedir que sejam adotadas atitudes discriminatórias e ilegais, oriundas de diferenças de etnia, cor, gênero, crença religiosa, necessidades especiais, orientação política, condição financeira, social, intelectual, orientação sexual, idade, condição marital, entre outras formas de discriminação, assim como repudiar e denunciar atividades que envolvam trabalho forçado e trabalho infantil, de acordo com as leis vigentes Adaptado de: Romano e Jacobsen (2014). Quadro 9 – Responsabilidade profissional Responsabilidade Ação Desenvolver serviços de consultoria de maneira íntegra Planejar e executar os serviços de modo cooperativo, transparente, objetivo, preciso e fidedigno, considerando todas as partes interessadas Manter uma boa conduta pessoal Reforçar a idoneidade e a boa imagem do profissional de consultoria perante todos os atos, fatos e notícias de caráter negativo para a atividade profissional, colaborando para respaldar a imagem e a reputação do consultor Manter‑se atualizado e capacitado nas boas práticas de consultoria organizacional Participar sempre de divulgações em diversas mídias, dirimindo dúvidas, opinando e recomendando iniciativas e procedimentos mais adequados em sua área de atuação Garantir o sigilo de informações e a propriedade intelectual Solicitar prévia e expressa autorização para tornar público os assuntos em que se utilizem métodos, técnicas, sistemas ou modelos de exclusiva propriedade e uso de organizações contratantes ou de outros profissionais, conferindo o devido crédito a seus autores e proprietários Manter uma boa conduta profissional Escusar‑se de críticas e comentários desabonadores que envolvam consultores associados e demais colegas de profissão, ou empresas de consultoria, assim como organizações para as quais já tenha prestado serviços Adaptado de: Romano e Jacobsen (2014). 87 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Quadro 10 – Integridade Responsabilidade Ação Oferecer transparência na entrega do trabalho Assegurar, antes do início dos trabalhos, que os escopos, as entregas, os prazos e os custos de serviços de consultoria estejam claros e devidamente acordados com o cliente Não aceitar serviços que não sejam alinhados aos melhores interesses do cliente Ser sempre claro e honesto a respeito de suas qualificações, habilidades e experiência, bem ajustar claramente a compreensão e as expectativas do cliente sobre os resultados esperados Realizar os serviços contratados de forma eficaz e com o devido cuidado e profissionalismo Manter uma comunicação constante com o cliente, fornecendo aconselhamento e orientações que gerem valor e garantindo que os clientes sejam adequadamente informados sobre o andamento dos serviços Garantir a manutenção de condutas alinhadas ao cumprimento das funções Abdicar, recusar e denunciar qualquer desvio de conduta, independentemente da finalidade declarada pelo agente do ato, incluindo, entre outras, o favorecimento desleal Ser justo em relação aos acordos financeiros Recusar qualquer gratificação monetária, comissão ou recompensa material, independentemente da situação, que não seja decorrente da justa e legal remuneração de seu trabalho, conforme acordado em contrato de prestação de serviços Assegurar que os responsáveis por seleções atuem com isenção, competência e sem preconceitos, garantindo igualdade de condições de acesso a qualquer candidato Aplicar, quando participar da contratação de consultores e profissionais, critérios transparentes e adequados à função Manter confidencialidade quanto às informações e atividades referentes ao trabalho nas organizações Impedir a utilização e apropriação indébita dessas informações em benefício de seus interesses particulares ou de terceiros, mesmo após o término dos contratos de consultoria, ressalvada a obrigação de divulgar informações exigidas nos termos da lei Ser transparente na construção de contatos profissionais Abster‑se de convidar funcionários de organizações contratantes, independentemente se forem ativas ou inativas, para considerar proposta de emprego alternativo sem prévia discussão e anuência do cliente Respeitar o Código de Ética do consultor Denunciar sempre qualquer situação que configure infração a este Código de Ética do consultor Adaptado de: Romano e Jacobsen (2014). Quadro 11 – Conflitos de Interesse Responsabilidade Ação Comunicar às partes interessadas, de forma imediata e clara, ocorrências de circunstâncias ou interesses que possam influenciar o julgamento ou os resultados dos serviços de consultoria Declarar todos e quaisquer eventuais interesses envolvidos direta ou indiretamente com os serviços contratados Identificar e divulgar ao cliente quaisquer conflitos de interesse Resolver qualquer conflito junto ao contratante, visando garantir a continuidade da prestação dos serviços Especificar e acordarcom o cliente quaisquer trabalhos a serem subcontratados Garantir que consultores subcontratados cumpram este Código de Ética Adaptado de: Romano e Jacobsen (2014). 88 Unidade III Quadro 12 – Ética digital Responsabilidade Ação Garantir a proteção de dados Cumprir toda a legislação nacional e internacional aplicável referente à privacidade e proteção de dados Guiar‑se por princípios éticos em questões não regulamentadas Buscar princípios baseados em confiança, justiça, respeito, responsabilidade, integridade, qualidade, confiabilidade e transparência, denunciando a apropriação indébita de dados aos órgãos competentes Seguir os princípios da ética digital em todos os processos que tomem decisões informatizadas Garantir que toda a cadeia produtiva envolvida em sua prestação de serviços cumpra as determinações relativas ao tratamento de dados de clientes e parceiros Primar pela clareza na comunicação com as partes interessadas Assegurar o entendimento e a validação de decisões digitais, certificando‑se do envolvimento do cliente e da compreensão das ações tomadas e possíveis consequências Adaptado de: Romano e Jacobsen (2014). Saiba mais Leia o Código de Ética do consultor na íntegra: ROMANO, L. A.; JACOBSEN, P. Código de ética do consultor. São Paulo: ABCO, 2014. Disponível em: https://bit.ly/3Pjr5vL. Acesso em: 12 jul.2022. Observação Uma empresa de consultoria que assume um trabalho sem o devido conhecimento e/ou experiência está assumindo um risco, uma vez que o consultor estaria prestando um serviço cuja qualidade pode vir a afetar, além da sua imagem no mercado, o surgimento de futuros contratos. 89 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Resumo Na unidade III, vimos que a relação entre a consultoria e o cliente acontece desde a negociação e a contratação da empresa que presta a consultoria, o que passa pelo processo de consultoria em si, até chegar à avaliação final dos serviços prestados. Assim, o consultor deve estar pronto para estabelecer uma interação eficaz e contínua com todos os envolvidos. Nesse sentido, o processo de interação exige que o consultor esteja muito bem informado do negócio do cliente e que saiba entender qual é o processo desenvolvido. Enfim, esse profissional precisa avaliar a forma como atuam os executivos do cliente em seu processo decisório. Na negociação da prestação dos serviços de consultoria, o profissional tem que se preocupar com a sua apresentação e com a escolha de um porta‑voz no decorrer do fornecimento das informações, na proposta de soluções e nos procedimentos da fase de implementação. Chamamos a atenção para a responsabilidade do consultor organizacional incumbido da implementação das mudanças necessárias nas inúmeras áreas do cliente. Dissemos que, independentemente da área na qual o consultor está atuando, é de grande valia que ele apresente um conjunto de competências, vindas do acrônimo CHA (conhecimentos, habilidades e atitudes). Após essa discussão, fizemos aprofundamentos em temas relativos ao levantamento de dados, como as fontes de informação, que são divididas em fontes internas e externas. Realizamos uma análise do período em que uma empresa contrata os serviços de um consultor, sendo preciso ter em mente que todas as áreas devem estar estruturadas. Dessa forma, mostramos o que deve ser feito, a priori, em cada área, o que compreende uma série de processos internos. Logo, concluímos que as vantagens competitivas dependem de cada processo. Assim, apresentamos os elementos centrais de uma cadeia de valor. Quando se contrata uma empresa de consultoria, há uma grande expectativa por parte do cliente acerca dos serviços, e, nesse cenário, cabe ao consultor atender às expectativas do cliente com planejamento adequado e execução de ações apropriadas. Estudamos a interação entre o consultor e o cliente, que só é possível por meio do suporte dado aos consultores que estão desenvolvendo os 90 Unidade III processos dentro da organização. Dessa maneira, cabe ao consultor criar um relacionamento sólido com o cliente e com a sua equipe e, para que isso ocorra, ele deve dar atenção às considerações mencionadas anteriormente. Levantamos a questão da ética, segundo a qual os profissionais devem seguir com os padrões de condutas e práticas profissionais. Tais padrões visam garantir determinados princípios, atitudes e valores por parte dos profissionais, como proporcionar um relacionamento transparente e satisfatório com seus clientes. O consultor, em especial, tem uma grande influência sobre o cliente devido, ao impacto de suas ações, além disso tem acesso a uma enorme quantidade de informações do cliente, tendo, também, a possibilidade de promover profundas mudanças na organização em termos de processos, relacionamento com a sociedade e cultura organizacional. 91 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir: O que é CHA? Esse conceito é muito falado nos dias atuais e vem ganhando espaço nas organizações. O CHA é um acrônimo formado a partir de três critérios: conhecimento, habilidade e atitude. O conceito é utilizado pela gestão de pessoas quando se fala em gestão por competência. Antigamente, um profissional era classificado como competente por ter vasto conhecimento teórico sobre a área em que estava inserido, mas isso não funciona mais assim. Ter apenas o conhecimento (o saber), que é adquirido nos treinamentos, nos livros, nas universidades, nas escolas e na vida, não faz a pessoa ser competente em algo. É necessário que os outros dois critérios estejam presentes para consolidar uma competência, de acordo com o conceito CHA. A habilidade é o saber fazer. Resumidamente, é colocar em prática o que se aprende na teoria. Uma pessoa que preenche esse critério já errou, reinventou‑se e tentou várias vezes; assim, tornou‑se hábil em realizar uma tarefa, um processo ou um procedimento. Já a atitude se refere à ação, ao querer fazer. Muitos profissionais detêm o conhecimento adequado e a habilidade necessária, porém decidem não fazer o que deve ser feito. E todos sabemos que, sem a ação, não é possível que as coisas se concretizem. Então, para que alguém valide uma competência, é necessário que esses três critérios sejam preenchidos de acordo com o modelo da organização ou da instituição. Adaptado de: BETELLI, A. O que é cha? Administradores.com, 17 abr. 2019. Disponível em: https://bit.ly/3K2VEnp. Acesso em: 20 maio 2022. Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas. I – Na sigla CHA, C representa o conhecimento, ou seja, o saber adquirido, por exemplo, por meio de avanços acadêmicos, treinamentos, leituras e experiências de vida. II – Na sigla CHA, H representa a habilidade, ou seja, o saber fazer, que reflete a aplicação prática de conhecimentos teóricos. III – Na sigla CHA, A representa a atitude, ou seja, o querer fazer, que se vincula à decisão de efetivamente realizar o que precisa ser feito. 92 Unidade III É correto o que se afirma em: A) I e II, apenas. B) I e III, apenas. C) II e III, apenas. D) III, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: no acrônimo CHA, C representa o conhecimento. Segundo o texto, “antigamente, um profissional era classificado como competente por ter vasto conhecimento teórico sobre a área em que estava inserido, mas isso não funciona mais assim”. Além disso, “ter apenas o conhecimento (o saber), que é adquirido nos treinamentos, nos livros, nas universidades, nas escolas e na vida não faz a pessoa ser competente em algo”. II – Afirmativa correta. Justificativa: no acrônimo CHA, H representa a habilidade. Segundo o texto, “a habilidade é o saber fazer”, ou seja, “resumidamente, é colocar em prática o que se aprende na teoria”. Além disso, “uma pessoa que preenche esse critério já errou,reinventou‑se e tentou várias vezes; assim, tornou‑se hábil em realizar uma tarefa, um processo ou um procedimento”. III – Afirmativa correta. Justificativa: no acrônimo CHA, A representa a atitude. Segundo o texto, “a atitude se refere à ação, ao querer fazer”. Além disso, “muitos profissionais detêm o conhecimento adequado e a habilidade necessária, porém decidem não fazer o que deve ser feito” e “todos sabemos que, sem a ação, não é possível que as coisas se concretizem”. 93 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Questão 2. No livro‑texto, vimos que a consultoria apresenta os seis deveres universais mostrados a seguir: – auxiliar; – diagnosticar; – solucionar; – organizar; – inovar; – aconselhar. Em relação aos deveres citados, avalie as descrições a seguir (SCHEIN, 1969 apud OLIVEIRA; THIELMANN, 2005). Descrição I – Buscar alternativas para as disfunções organizacionais encontradas na empresa usando, para isso, o processo de tomada de decisões. Descrição II – Proporcionar todas as possibilidades para que se chegue a um bom funcionamento da empresa. Descrição III – Prover as melhores soluções com os menores custos. Descrição IV – Apoiar o empresário na realização do diagnóstico organizacional mediante ferramentas, modelos e indicadores de gestão, a fim de orientá‑lo sobre, por exemplo, as atuais tendências de negócios. Descrição V – Contribuir para o processo de desenvolvimento organizacional. Descrição VI – Identificar prováveis disfunções organizacionais com o emprego de um instrumento de levantamento de dados. As descrições I, II, III, IV, V e VI correspondem, respectivamente, aos seguintes deveres: A) Auxiliar, diagnosticar, solucionar, organizar, inovar e aconselhar. B) Organizar, inovar, aconselhar, auxiliar, diagnosticar e solucionar. C) Inovar, solucionar, organizar, aconselhar, diagnosticar e auxiliar. D) Aconselhar, organizar, inovar, auxiliar, diagnosticar e solucionar. E) Solucionar, organizar, inovar, aconselhar, auxiliar e diagnosticar. Resposta correta: alternativa E. 94 Unidade III Análise da questão Conforme dito no livro‑texto, a consultoria tem os seis deveres universais apresentados a seguir (SCHEIN, 1969 apud OLIVEIRA; THIELMANN, 2005). Solucionar: buscar alternativas para as disfunções organizacionais encontradas na empresa usando, para isso, o processo de tomada de decisões. Organizar: proporcionar todas as possibilidades para que se chegue a um bom funcionamento da empresa. Inovar: prover as melhores soluções com os menores custos. Aconselhar: apoiar o empresário na realização do diagnóstico organizacional por meio de ferramentas e modelos e indicadores de gestão, a fim de orientá‑lo sobre, por exemplo, as atuais tendências de negócios. Auxiliar: contribuir para o processo de desenvolvimento organizacional. Diagnosticar: identificar prováveis disfunções organizacionais com o emprego de um instrumento de levantamento de dados. 95 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Unidade IV Muitos seres humanos têm muitos desejos ao longo da vida e, por muitas vezes, veem‑se completamente perdidos, sem saber como tornar seus desejos possíveis, sentindo‑se como se estivessem sem perspectivas para solucionar seus problemas. Se, por um lado, há a busca incansável pelo sucesso, por outro sabe‑se que é necessário traçar planos, de uma forma organizada e, claro, com foco nos objetivos. Quando uma pessoa entende isso, esse fato se torna uma força motriz na busca para alcançá‑lo. É o que a move a batalhar e, por consequência, manter o foco. Assim, quando as pessoas mantêm o foco nos seus objetivos, estão mirando seus desejos, criando caminhos para isso, além de estabelecer um planejamento, organizar suas atividades e persistir nas realizações, para conseguir atingir suas metas e chegar aonde se pretende. É muito importante ter metas, objetivos e foco, ou melhor, manter o foco nos objetivos, pois é isso que dará subsídios para alcançar o que se deseja. Com metas e planos para alcançar, busca‑se por objetivos, levando uma pessoa a um projeto de escalada, cujas conclusões vão ao encontro das realizações daquilo que foi esquematizado. O foco é intrínseco a muitas coisas, tanto no âmbito profissional como no pessoal, e nas certificações não é diferente. É um caminho longo e, por isso, se os envolvidos nesse projeto não tiverem foco, correm o risco de não obterem a tão sonhada certificação. 7 A BUSCA E O USO DA INFORMAÇÃO A vida na era do conhecimento nos permite ter um volume muito grande de informações que fluem em uma velocidade gigantesca e que assumem valores sociais e econômicos muito importantes, todavia, ainda sem que se tenha muito entendimento desses valores, e com alguns questionamentos vindos da sociedade. Nesse cenário, os principais recursos econômicos para que as empresas mantenham a competitividade são, com toda a certeza, a informação e o conhecimento. Porém, o excesso e o bombardeio, cada vez mais crescente, das informações, com tanta variedade e celeridade dos meios de comunicação, estão desencadeando reações de estresse e afetando a eficácia no trabalho, consequência de um quadro de sobrecarga dessas informações, o que pode resultar em desinformação, haja vista que o potencial de captação dos indivíduos, tanto do ponto de vista físico quanto do mental e também psicológico, é restrito. Essas informações, ao serem entendidas e utilizadas como recurso, são vistas com muita preocupação, pois o número de fontes, de veículos e de registros é maior a cada dia, passando a exigir das pessoas que gerenciam essas organizações que sejam cada dia mais eficazes para não ficarem no prejuízo competitivo do mercado. 96 Unidade IV Ao buscar e processar essas informações, torna‑se essencial, em muitos sistemas sociais e também em atividades humanas, a análise dessas necessidades e de como a utilização dessas informações vem se tornando um componente de extrema importância pela pesquisa em áreas como a da psicologia cognitiva, da tomada de decisão, do sistema de informação, da difusão, da inovação e, principalmente, da aprendizagem organizacional. Quanto à literatura voltada para estudos de usuários, existem duas abordagens: a tradicional e a cognitiva. A abordagem tradicional tem como objetivo melhorar as respostas vindas do sistema e dos serviços, tendo a informação como principal foco. A informação é considerada externa, objetiva, algo que existe fora do indivíduo. A informação, no contexto tradicional, existe num mundo considerado ordenado, tendo capacidade de ser descoberta, definida e, ainda, medida. Os principais pontos negativos nessa abordagem se relacionam ao fato de que o conhecimento não é, de forma alguma, absoluto. As pessoas se modificam e a mensagem que é enviada, em geral, não é igual à que foi recebida (MORRIS; FELDMAN, 1994). Por esse ângulo, a abordagem ignora o ser humano como um ser pensante, capaz de criar sua própria realidade e de ter informações internas armazenadas, que serão usadas para obter compreensão das informações externas e das diferentes situações em que se encontra. No entanto, esse comportamento de busca e de uso das informações também é modelado pelo estilo cognitivo. A abordagem cognitiva se adere ao padrão centrado no usuário, levando em consideração a percepção, os sentimentos, a maneira como as pessoas aprendem e as características do comportamento de busca, além do uso das informações. De modo geral, os trabalhos levantados sobre estudos de usuários da informação introduzidos na abordagem cognitiva têm em comum algumas características: têm como foco principal os aspectos cognitivos e os afetivos, interferindo nas buscas e também no uso das informações; dão importância para as experiências individuais e consideram o indivíduo um ser humano ativo e criativo (STAIR, 1998). 7.1 O uso da informação para tomada de decisão De acordo com Davenport e Prusak (1998), toda mudança que ocorreno ambiente de negócios é muito complexa, podendo ser analisada por perspectivas diferentes. A economia, em seu novo formato, está desencadeando diferentes e novas formas para se obter informações e ainda traçar novas estratégias competitivas. Esse novo cenário no qual as empresas atuam hoje pede uma profunda reestruturação em suas condutas para resolver os problemas de gestão e, ainda, um novo jeito de se estabelecer a estratégia a ser traçada pelas empresas para que se mantenham competitivas nesse novo mercado globalizado. Assim sendo, essas informações passam a exercer um papel fundamental, que possibilitará a percepção das mudanças, da melhor forma e com maior rapidez, permitindo que a melhor decisão seja tomada para reconduzir os negócios às novas necessidades. Nesse sentido, um dos maiores desafios tanto para as pessoas como para as organizações é saber identificar e gerenciar a informação proveitosa, em busca de um melhor posicionamento dentro do espaço competitivo em que atuam. A maneira como 97 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO os colaboradores das organizações ficam expostos às informações determina como eles as selecionam e as usam para tomar certas decisões (DAVENPORT; PRUSAK, 1998). 7.2 O impacto da sociedade do conhecimento nas organizações De acordo com Barreto (1994), ao longo da evolução humana, observam‑se incontáveis interferências nas maneiras de se obter informações, que se relacionam com a vontade que o indivíduo tem de fazer mudanças no ambiente em que vive, de deixar suas marcas e expressar seus pensamentos, tendo também a intenção de provar e de melhorar suas condições de sobrevivência, de conseguir o controle da informação e de se perpetuar por meio de suas descobertas. A forma como o indivíduo age para adequar o ambiente às suas necessidades tem papel fundamental na construção dos valores sociais de cada época e na maneira com que cada ser humano vive. O século XX foi marcado pelo surgimento do telefone, do telégrafo, da fotografia, do rádio, da televisão, do cinema e da comunicação via satélite, assim como pela criação da rede de computadores pelo mundo, transformando, inclusive, a maneira como pensamos, como sentimos e a maneira como agimos diante do mundo. O cidadão comum tem para si que esse começo do século pertence ao movimento, à mudança, tanto em extensão quanto em intensidade. Essas transformações que estão incluídas na modernidade vão muito além da maioria das mudanças características dos períodos anteriores. A concepção de mudança, de movimento, neste início do século XXI, é de extrema importância para que se entenda a dinâmica da sociedade e também das organizações. Não são apenas as mudanças que estão acontecendo numa velocidade ainda mais rápida, mas também a maneira como essas mudanças se tornam mais aprofundadas pelo sincronismo entre os acontecimentos e as notícias criadas pela tecnologia da informação. O mundo globalizado está atingindo todas as áreas do conhecimento, uma vez que as ações transcorrem, cada vez mais, em direção à descoberta, em vez de existir no sentido tradicional da instrução (BARRETO, 1994). O progresso da tecnologia da informação tem influenciado demasiadamente o comportamento da sociedade. Há um forte vínculo entre as ferramentas tecnológicas desenvolvidas pelo homem, através do melhoramento do seu conhecimento, e as mudanças em seu comportamento. Foi através da técnica que o homem foi capaz de aperfeiçoar seus utensílios. No início do estágio do desenvolvimento, o utensílio foi uma extensão da estrutura física. Depois, com a chegada das máquinas, a energia do trabalho humano acabou sendo substituída pela mecânica, pela hidráulica, pela elétrica ou ainda pela atômica. Hoje em dia, não devemos ampliar apenas os atributos físicos do ser humano, mas sua inteligência, seu raciocínio, sua memória e sua capacidade mental. Não se questiona o avanço da tecnologia – que atualmente é considerada ciência aplicada, saber ativo e conhecimento hábil – para agir sobre a sociedade e transformá‑la. Ela influenciou, nos últimos séculos, todos os departamentos da vida humana. A informação, como instrumento de socialização, perfaz um papel de extrema importância em sua forma de aplicação, seu entendimento, sua dispersão, a maneira como é interpretada e a transformação 98 Unidade IV de conhecimento, trazendo à tona a tese da influência das informações na competitividade, seja em nível empresarial ou nacional. Esses avanços tecnológicos proporcionam mudanças em toda a economia mundial, gerando um padrão novo dentro da competitividade, no qual a capacidade de produzir novas e importantes informações, com espaços de tempo cada vez menores, é que passará a ser o diferencial competitivo para as empresas e também para os países. Esses desenvolvimentos tecnológicos possibilitam o aparecimento de meios para a propagação da informação e da comercialização de produtos e de serviços, assim como de novas oportunidades de investimento. Em compensação, ameaça a existência de outros setores que não têm mais espaço nessa nova economia. Sendo assim, o mercado fica mais exigente com as organizações, com o uso de novas estratégias de competição, com maior descentralização, com comunicação mútua entre empresa/consumidor/fornecedor, com a intenção de impor unidades produtivas em lugares que detenham maiores vantagens, não importando as distâncias de fronteiras geográficas (BARRETO, 1994). Com essa visão, Barreto (1994) afirma que a informação passa a ser a matéria‑prima principal das organizações. Com grande capacidade de se gerar, processar, tratar, filtrar e, ainda, transmitir a informação, impõe‑se um enorme desafio para as empresas e para as pessoas que nelas trabalham. Todos terão que adquirir competências imprescindíveis para conseguir transformar as informações que estão à disposição e todo o conhecimento individual em ações agregadas de alto valor para serem integradas ao negócio. Toda a aquisição de conhecimento é de suma importância, vindo do processo de aprendizado bilateral, que requer das organizações um treinamento contínuo, assim como o governo deve investir em políticas sociais de conhecimento e em uma política educacional ajustada à realidade. Isso tudo se dá pelo impacto causado pela globalização do mercado, que cobra uma reestruturação mais produtiva, aumentando o fluxo de capitais internacionais e a aceleração da tecnologia. Essa visão nos leva a intensos debates no que diz respeito a esse processo na vida do ser humano. Nessa sociedade de informações, tanto a liberdade de pensamento quanto sua expressão não poderão ser praticadas integralmente sem que seja reconhecido o direito à informação, dado que o saber é que determina o entendimento e quais são as opções da consciência para formar opiniões e raciocinar a respeito dos acontecimentos sociais. A falta da informação faz com que o sujeito se ache destituído de sua capacidade crítica para conseguir avaliar o ambiente comunitário e poder expressar suas convicções. Porém, ele tem o direito de ser informado e também de ter acesso a todas as informações que desejar. Elas deverão ser dadas de maneira correta e precisa (BARRETO, 1994). 99 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 7.3 Evolução do conceito de informação e de conhecimento O conceito de informação relaciona‑se ao conhecimento comunicado, desempenhando papel fundamental na sociedade contemporânea. Seu desenvolvimento e disseminação, com a utilização das redes de computadores, deu‑se após a 2ª Guerra Mundial, quando surgiu uma certa urgência da ciência da informação (CI), caracterizando‑se, assim, como uma disciplina nos anos 1950. Apesar de todo o conhecimento adquirido no decorrer da evolução dos seres humanos, foi o surgimento da tecnologia da informação (TI) e seus impactos globais que transformaram nossa sociedade em sociedade da informação. O fato é que tivemos um grande impacto da TInas ciências naturais e sociais, tornando nossa percepção sobre ela basicamente corriqueira, embora seja um conceito muito controverso. A teoria matemática da comunicação, de Claude Shannon, no ano de 1948, se tornou um marco da utilização da informação em dimensões pragmáticas e semânticas, entretanto, quase que ao mesmo tempo, houve uma redefinição do conceito de modelo de engenharia. Assim, o conceito de comunicação de conhecimento vem sendo designado pela palavra informação, que, à primeira vista, parece um acontecimento linguístico. Para uma ciência como a comunicação da informação, é de suma importância o modo como os seus termos fundamentais foram definidos e, dessa forma, assim como ocorreu em outros campos, na CI há a questão da definição de informação e como tais informações são frequentemente levantadas. É correto afirmar que a informação é um conceito‑chave nas ciências da sociologia, política e economia. Para o autor Webster (1995 apud CAPURRO; HJORAND, 2007), todas as definições de sociedade da informação se pautam em cinco critérios: • tecnológico; • econômico; • ocupacional; • espacial; • cultural. Logo, a tecnologia relaciona‑se com as aplicações da TI na sociedade como um todo. Para Bougnoux (1995 apud CAPURRO; HJORAND, 2007), os conceitos de informação e, consequentemente, da comunicação, se relacionam de forma inversa, uma vez que a comunicação se relaciona com a redundância e a previsibilidade; em contrapartida, a informação relaciona‑se com o imprevisto e o novo. Dessa forma, não existe informação em si ou informação pura, ou seja, a informação sempre se relaciona com algum tipo de ruído ou de redundância, portanto, informar outras pessoas ou a si próprio traduz‑se em selecionar e avaliar as informações que passaremos adiante. 100 Unidade IV Saiba mais O conceito de filosofia da informação é extremamente relevante na mídia de massas, no campo do jornalismo e, obviamente, na CI. Atualmente, o conceito de informação visto como comunicação de conhecimento não se relaciona apenas à visão secular, compreendida como mensagem, inclui uma visão crítica e moderna do conhecimento empírico, compartilhada pelas comunidades científicas. Para saber mais, leia o artigo na íntegra: MATHEUS, R. F. Rafael Capurro e a filosofia da informação: abordagens, conceitos e metodologias de pesquisa para a ciência da informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 10, n. 2, 2005. Disponível em: https://bit.ly/3uFp04Y. Acesso em: 12 jul. 2022. A pós‑modernidade proporcionou inúmeros estilos de mensagens, principalmente no ambiente digital. Para Flusser (1996 apud CAPURRO; HJORAND, 2007), na “comunicologia”, onde a impera a mídia discursiva, há a pulverização das informações. Em contrapartida, na mídia dialógica, de forma inversa, impera a criação de informações novas. Ainda de com acordo com o mesmo autor, há ressalvas por parte dos pesquisadores, uma vez que a mídia discursiva poderá absorver a mídia dialógica e transformá‑la em modelo hierárquico. O autor não vê a internet como uma estrutura de comunicação, para ele, ambas as mídias, a mídia de massa e a internet, podem vir a se fundir em um poder pan‑óptico, entretanto, essa é uma questão que está em aberto, e ainda não se sabe ao certo se ocorrerá tal junção. Braman (1989 apud CAPURRO; HJORAND, 2007) foi o propulsor de uma importante discussão acerca de inúmeros enfoques para definir a informação como ferramenta para os gestores na área da política. Nesse quesito, foram identificadas quatro visões, a saber: • informação como recurso; • informação como mercadoria; • informação como percepção de padrões; • informação como força constitutiva para a sociedade. De acordo com Brown e Duguid (2000 apud CAPURRO; HJORAND, 2007), o mito da informação e a TI seriam capazes, por si só, de formatar uma organização social, não através da informação compartilhada, mas devido à interpretação compartilhada, que é justamente o que mantém as pessoas unidas. Nesse sentido, uma avaliação crítica de Borgmann (1999 apud CAPURRO; HJORAND, 2007) acerca da natureza da informação justifica um equilíbrio novo, cultural e ético, denominado pelo autor de informação tecnológica, natural e cultural. 101 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Por fim, o mesmo autor afirma que a informação tecnológica se refere a um produto que sempre esteve lado a lado do desenvolvimento e que tive início há um século. Para ele, a nossa onipotência e onisciência, com base na tecnologia da informação, atingiram o patamar de controle da informação e da transparência. Dessa forma, não há mais nada para ser descoberto, exceto pelos signos. 7.4 Evolução do conceito da informação Durante os anos 1950, engenheiros, cientistas e empreendedores passaram a trabalhar maneiras de tornar mais acessível o intenso fluxo de informações e de conhecimentos que, desde então, já se formava. Essa preocupação já havia sido apontada por Vannevar Bush, cientista respeitado do MIT e chefe do esforço científico americano no período da 2ª Guerra Mundial. Já nos anos 1960, esse trabalho se tornou uma atividade muito ampla, devidamente organizada e financiada, impulsionando debates sobre as mais adequadas e melhores soluções, a partir da proposição de conceitos, técnicas e sistemas (SARACEVIC, 1996). Segundo Saracevic (1996), foi Moors o responsável por cunhar o termo recuperação da informação, que destacava os aspectos intelectuais do processo de descrição de informações, para além da busca por técnicas, sistemas e máquinas que pudessem ser utilizadas para o bom desempenho de operações. A recuperação da informação, portanto, é uma solução bem‑sucedida abordada pela CI, e que se encontra em pleno processo de desenvolvimento até os dias atuais, uma vez que aborda problemas específicos, que podem ser formulados através das perguntas: • Como descrever a informação de forma intelectual? • Como especificar a busca de forma intelectual? • Quais técnicas, sistemas ou máquinas deverão ser empregados? Ainda que outros problemas, até mais específicos, tenham surgido, esses três problemas apontados continuam primordiais até os dias de hoje e dessas questões surgiram uma enorme variedade de conceitos teóricos, conceitos empíricos, conceitos pragmáticos e numerosas realizações práticas. Há inúmeros exemplos históricos capazes de ilustrar a evolução marcante das técnicas, sistemas e/ou máquinas para recuperar as informações. A imensidão das variedades abrange: • dos cartões perfurados ao acesso online; • dos sistemas não interativos aos sistemas com interfaces inteligentes, que têm a capacidade de transformar a recuperação das informações em um processo extremamente interativo; • as diversas bases documentais para banco de dados de conhecimento; • dos textos escritos à utilização da multimídia; 102 Unidade IV • da recuperação de citações bibliográficas à recuperação de textos complexos; • os sistemas inteligentes capazes de fornecer respostas e elaborar perguntas. O fato é que determinados trabalhos impulsionados pela necessidade de recuperar informações estimularam diversos estudiosos a desenvolverem pesquisas exploratórias de: • fenômenos; • processos; • variáveis; • causas e efeitos; • comportamentos; • manifestações relacionadas. Esse fato conduziu estudiosos a elaborar estudos teóricos e experimentais acerca da natureza da informação, da estrutura do conhecimento e seus registros, do uso e dos usuários. Esses fatores impulsionaram inúmeros estudos acerca do comportamento humano a respeito de: • informação; • interação homem‑computador, enfatizando o lado humano dessa equação; • relevância, a utilidade, a obsolescência e outros atributos referentes à utilização da informação em consonância com métodos de avaliação dos inúmeros sistemas de recuperação da informação; • valor da informação, impacto e economia. Tivemos outro ponto muito significativo: a indústria informacional tinha urgênciano pragmatismo de aplicações empresariais que visavam a recuperação de informações, especialmente o setor responsável pela criação e pela distribuição de dados e serviços online. Assim, a indústria da informação, que teve origem nos trabalhos de recuperação da informação dos anos 1950 e 1960, culminou na urgência dos serviços online nos anos 1970 e nas indústrias da informação nos anos 1980. O trabalho para recuperar informações foi o responsável pelo desenvolvimento de diversas aplicações e, diga‑se de passagem, bem‑sucedidas, nos seguimentos de produtos, sistemas, redes, serviços, entre outros. Assim como a CI, a indústria da informação não se refere apenas à recuperação da informação, mas, de fato, esse é o seu componente mais importante (SARACEVIC, 1996). 103 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 7.5 O modelo ISP (information search process) na busca de informação Esse método foi desenvolvido por Khulthau, e se caracteriza pela análise do comportamento do usuário em três campos de experiência: o emocional, o cognitivo e o físico, que foram estudados a partir do desdobramento de seis estágios: • a iniciação; • a seleção; • a exploração; • a formulação; • a coleta; • a apresentação. Choo (2003), ao corroborar com as ideias do modelo ISP, destaca ainda que tanto a informação como o insight nascem na mente e no coração das pessoas, e afirma que a busca e a utilização das informações são, na verdade, um processo muito dinâmico e socialmente descontrolado, que se desdobra em camadas diversas do que chamamos de contingências cognitivas, que são emocionais e situacionais. Mesmo que os estados cognitivo e emocional, durante o processo da busca, sejam bastante significativos, ainda podem guiar o usuário para que ele aceite ou, ainda, procure por novas informações, relacionando‑as a vivências anteriores, podendo indicar que tipo de sentimento estaria sendo demonstrado, advindo da dúvida, da aversão, da confiança, da satisfação, da incerteza etc. Em várias partes do mundo, e também no Brasil, existem pesquisadores que contribuem com os estudos dos usuários. Carol Collier Kuhlthau, professora, pesquisadora e escritora, contribuiu altamente para que houvesse o entendimento do desempenho dos usuários frente ao modelo de processo para a busca pela informação (ISP), que foi desenvolvido por ela, afetando em muito os pontos de vista dos usuários no decorrer do processo pela busca da informação, sendo esse um dos trabalhos pioneiros para esse segmento. O método ISP focaliza no indivíduo e verifica seus sentimentos durante as etapas, compreendendo o processo pela busca da informação. Ele é dividido em seis etapas, que investigam quais são os sentimentos do usuário ao buscar a informação, e que pode ser a simples satisfação no resultado encontrado. As suas pesquisas incluem também a educação, as questões cognitivas e as afetivas, que são compreendidas nos processos pela busca da informação associada ao usuário. 7.5.1 Fases do ISP Início A busca começa através de uma tentativa de satisfazer, e ainda reconhecer, a necessidade de informação. De acordo com Khulthau (1994), é por esta fase que o usuário passa a buscar informação 104 Unidade IV por tópicos de acesso relativos ao assunto de maior interesse e, portanto, é necessário que se faça a relação desses tópicos com um profissional especializado no assunto. Seleção É preciso reconhecer e identificar os métodos para que se consiga localizar a informação. Nessa fase, o usuário deve adquirir um sentimento otimista, para que suas dúvidas possam diminuir, pois a sua pesquisa é voltada mais à área de seu interesse. Exploração Esse é um processo de muita exaustão, cabendo ao usuário fazer a busca por informações relativas à sua área de interesse, mas, durante esse processo, poderão aumentar as dúvidas em função da quantidade de informações encontradas. Formulação Esse momento tende a diminuir as dúvidas do indivíduo, crescendo o estado de compreensão, e ele passa a adquirir mais confiança, entendendo quais são os limites do seu foco de pesquisa, conseguindo agregar novas informações, passando a analisar se elas são pertinentes ou não à sua pesquisa. Coleta Essa fase se evidencia pela maior interação do usuário junto ao sistema. Aqui, o usuário consegue definir seu foco, selecionar, organizar e ainda juntar somente as informações que forem mais relevantes ao tópico de seu interesse. Apresentação Essa é a fase conclusiva, onde serão apresentados todos os resultados encontrados no decorrer da pesquisa. O usuário irá adquirir sentimentos de conforto e de desconforto, irá se sentir satisfeito ou insatisfeito, o que dependerá muito do produto que foi alcançado. 7.6 Metodologia, resultados e perspectivas Por meio do método ISP, que trata do processo pela busca da informação com foco no usuário, foi possível investigar seu sentir durante a procura informacional, utilizando‑se o método fenomenológico (método da filosofia contemporânea que foi desenvolvido pelo alemão Edmund Husserl no século XX), que objetiva demonstrar os fenômenos, como são experimentados e, ainda, como se mostram na consciência e na compreensão das pessoas. Utiliza‑se a fenomenologia como recurso da entrevista, porque, através dela, pode‑se absorver toda a essência da vivência dos indivíduos, sabendo quais são os pontos em comum a eles e, no caso da aplicabilidade da metodologia de Kuhlthau (1994), identificar quais são os sentimentos que têm mais 105 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO destaque entre os usuários e, ainda, de que forma se manifestam na mente, podendo‑se, assim, ampliar os dispositivos de averiguação arquivística e tentar, dessa forma, sanar ao máximo as dificuldades que surgirão durante o processo pela busca de informação. A abordagem da psicologia procura se aprofundar no modelo ISP, reiterando seu estudo nas fases de aquisição do conhecimento, fundamentando‑se: • na base da teoria construtivista; • nas áreas da filosofia com Dewey; • nas bases do pensamento reflexivo da psicologia com Kelly; • nas bases acerca da teoria do constructo pessoal – PCT; • nas bases de educação com Bruner. Kuhlthau (1994) encontrou e passou a adotar o conceito de estados irregulares do fundamento de Belkin, Oddy e Brooks (1982), quando mostrou a demanda pela informação do usuário e em Taylor (1968), que utilizou a teoria do focus continuum, que foi baseada no conceito do foco da premência das informações que mudam em uma perspectiva sempre contínua e crescente. O modelo information search process (ISP), que foi desenvolvido por Kuhlthau, ficou marcado pelas alterações nos estados físicos (das ações), cognitivos (dos pensamentos) e afetivos (dos sentimentos), levando os usuários a comportamentos que passaram a apresentar reações afetivas bem mais comuns. Quando se aprofundou nos estudos sobre o comportamento de busca de informações, juntamente com as pessoas que utilizam as bibliotecas e os estudantes das universidades, Kuhlthau (1994) conseguiu encontrar padrões habituais nas experiências usadas por essas pessoas. Na visão de Kuhlthau (1994), o modelo ISP tem enorme influência das teorias de aprendizagem de forma mais construtivistas, pois elas ocorrem não pela transmissão, como apontado no modelo comportamental, mas sim por sua construção pessoal e ativa de um novo conhecimento. Ela acredita que, neste modelo, o indivíduo tenha que estar ativamente engajado para que alcance a aprendizagem. Nas pesquisas realizadas em bibliotecas, percebe‑se que alguns princípios se destacam mais no modelo ISP do que em outros modelos tradicionais, como: • o papel ativo do bibliotecário é ajudar na orientação e no auxílio aos usuários no processo de busca de informações; • o professor e o bibliotecário trabalham juntos no processo; • para que a pesquisa na biblioteca se configure dentro da real necessidade de informação, deve haver incentivo e motivação;106 Unidade IV • a pesquisa terá que gerar um produto final: a apresentação poderá ser oral, um artigo que seja adaptável para publicação ou ainda para uma monografia; • nenhum trabalho de pesquisa deverá ser baseado apenas em anotações em sala de aula ou mesmo em apostilas; • é imprescindível que se utilize a coleção encontrada na biblioteca. Lembrete São apresentados seis estágios do modelo para a busca da informação: iniciação, exploração, seleção, formulação, coleta e apresentação. Cada estágio é caracterizado por comportamentos cognitivos, emocionais e físicos. Segundo o modelo ISP, no primeiro estágio, o discente se sente inseguro e perdido por não saber por onde deve começar e nem mesmo o teor da sua pesquisa. Ao se deparar com novas ideias, passa a se sentir confuso e inseguro. Esse sentimento de incerteza poderá acompanhar o estudante nos primeiros estágios, ou até o momento que se dê ênfase ao tema central, que ocorre no quarto estágio. Por isso, Kuhlthau (1994) afirma que, desde o primeiro estágio, é necessário que haja parceria do professor com o bibliotecário, o que será fundamental para o discente obter sucesso no processo. No estágio seguinte, classificado de seleção do tema, o usuário terá que fazer uma busca inicial no catálogo da biblioteca, nas obras de referência, nas estantes, para poder avaliar os possíveis tópicos que se relacionem ao seu trabalho. Ao escolher o tópico, sua ansiedade irá diminuir, pois se sentirá mais otimista com relação às incertezas geradas pela falta de conhecimento e direcionamento. Já no terceiro estágio, classificado de exploração do tópico, o estudante deverá investigar rigorosamente o tópico escolhido (lendo, relendo e avaliando as várias fontes gerais de informações, tais como dicionários, enciclopédias, periódicos e outros), para que possa escolher, entre tantas facetas de uma área ou do tópico, a que possibilite a delimitação do tema ou mesmo a formulação do foco. Por serem muitas as informações encontradas e haver natural diversidade entre elas, em geral, há ansiedade e confusão nos estudantes. São previsíveis e aceitas tais atitudes, por conta da flexibilidade e da interatividade do modelo, permitindo reiniciar e até mesmo repetir os estágios. A possibilidade de avançar ou retornar conforme o ritmo de cada um garante que este modelo venha a ser o caminho necessário e fundamental para que a aprendizagem seja autônoma e duradoura. A formulação do foco, segundo Kuhlthau (1994), no quarto estágio do processo, é o ponto decisivo da busca de informação, porém, nem sempre o usuário consegue atingir esse ponto. Ao se deparar com novas informações ou ideias, ele as compara com as informações recebidas anteriormente, o que pode acarretar críticas sobre elas, gerando dúvida se deverá incorporá‑las ou até mesmo descartá‑las. A esse processo chamamos formulação. Por meio da formulação é que os pensamentos passam da dúvida para a compreensão. 107 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Quando finalmente o estudante consegue delinear os limites de sua pesquisa, ele sentirá um alívio muito grande. Entretanto, quando ele não consegue delimitar sua pesquisa, certamente terá sérias dificuldades para conseguir concluí‑la, pois, como se sabe, a qualidade exprime o final do trabalho, que está relacionada diretamente com a compreensão do problema da pesquisa. 7.7 Abordagem Sense‑Making Approach Das diversas metodologias sobre as quais se tem conhecimento, a mais abrangente, e com inúmeros adeptos ao redor do mundo, certamente é a abordagem conhecida como Sense‑Making Approach. Ela veio à tona no ano de 1983 pela doutora e professora Brenda Dervin na Reunião Anual da Associação Internacional de Comunicação. Segundo Ferreira (1997), a base de conceito do Sense‑Making foi desenvolvida a partir de teorias de ilustríssimos pesquisadores, como: • cognição, de Bruner e Piaget; • teórica/crítica, de Beltran e Rolins; • opressão das ciências, tanto das tradicionais como das alternativas, de Kuhn e Habermas; • teoria da psicologia, de Jackins e Roger; • teoria da comunicação, de Carter. Dervin (1986 apud FERREIRA, 1997) e seus seguidores analisam o crescimento da utilização dessa abordagem nas áreas de: • comunicação; • informação; • biblioteconomia; • educação; • assistência social; • medicina; • psicologia. Tal abordagem vem sendo utilizada em diversos estudos desenvolvidos com amostragens de 20 a 1000 respondentes em pesquisas acadêmicas, projetos encomendados e estudos experimentais. Na prática, essas aplicações abrangem inúmeros contextos, como (FERREIRA, 1996): 108 Unidade IV • as pesquisas de opinião pública acerca da política; • os processos de comunicação dentro da área de saúde; • os estudos acerca da recepção de audiência; • as imagens organizacionais; • a utilização de telecomunicações; • uma variedade de inúmeros níveis analíticos: individual, grupal, comunitário, cultural e organizacional. O Sense‑Making visa evidenciar uma realidade que não é completa e nem constante, pelo contrário, permeia‑se em uma descontinuidade fundamental e difusa, com lacunas. Dessa forma, a busca e a utilização da informação são vistas como atividades construtivistas, sendo então consideradas uma criação pessoal intrínseca ao sentido individual dos seres humanos. Portanto, pode‑se afirmar que a informação não é independente e externa à vontade dos seres humanos, pelo contrário, a informação faz menção a um produto da observação dos seres humanos sobre si mesmos e sobre os outros. De acordo com Dervin (1986), o comportamento dos indivíduos pode vir a ser mais prognosticado a partir da estruturação de um modelo que foque: • as situações de mudança; • a maneira como os indivíduos utilizam as informações de outras pessoas; • o modo como os indivíduos utilizam as informações acerca de si próprios; • a construção de sua realidade; • o direcionamento do seu comportamento. Quando se trata de bibliotecas virtuais e de redes de comunicação, esbarra‑se em uma questão considerada básica: afinal, quem são os atuais usuários dos sistemas de informação e das redes? Quais são suas características? Quando e como estão sendo utilizados? É fundamental saber como projetar estes sistemas e serviços de maneira com que consigam satisfazer efetivamente a atual demanda. Estudos recentes sobre o uso das tecnologias emergentes têm mostrado que a tendência de comportamento desses usuários é buscar, cada vez mais, os diversos serviços, como os: • Interativos: são aqueles que utilizam todos os recursos tecnológicos que estão disponíveis para estimular e promover a participação da clientela, na utilização e na produção e, ainda, na avaliação das informações que serão inseridas nos próprios serviços à disposição das informações que serão oferecidas. 109 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • Personalizados e contextualizados: são serviços comprometidos com determinados grupos específicos de comunidades, que identificam as necessidades mais íntimas, customizam‑nas, ou mesmo personalizam os produtos e os serviços em função das pessoas ou dos grupos, assim como tratam e contextualizam as informações, fornecendo elos de compreensão aos usuários. • Relevantes com valor agregado: vão ao encontro das expectativas e das conveniências do consumidor, ainda muito questionadas por serem de vital importância para a manutenção de constantes diálogos entre o provedor e o consumidor de informações. Esses três aspectos analisados nos levam a pensar no próprio conceito de informação. É importante refletir que, qualquer que seja a informação, só fará sentido ao ser integrada a algum contexto. Toda informação em uma forma isolada é vista como um dado incompleto. Quem passa a lhe atribuir sentido é o indivíduo, a partir das experiências que já vivenciou e de seu interesse no futuro. O ser humano, ao buscar informação, raramente pensa em si mesmo. Muito pelo contrário,um bom consultor. As certificações ou padrões da qualidade diferenciam as organizações e seus produtos ou serviços. Por exemplo, a ISO 9001 classifica a empresa como “empresa classe mundial”, atendendo a normas internacionais. Nesse sentido, uma empresa tornar-se certificada, mesmo que sua concorrência já seja, significa se igualar com ela entre as melhores do país. Entretanto, se nenhuma das duas obtém a certificação, certamente não terão destaque no mercado consumidor nem como prestadoras de serviços. INTRODUÇÃO Este livro-texto aborda o desenvolvimento de consultorias/assessorias em qualidade, apresentando as ferramentas básicas para os processos de organização da gestão, com foco na qualidade e no desenvolvimento de equipes para quebra de velhos paradigmas e estereótipos. Dessa forma, veremos que os consultores podem proporcionar muito mais e que o mercado está apto a atender as necessidades empresariais de forma única. Assim, serão disponibilizadas ferramentas para o desempenho do profissional, seja ele empreendedor ou colaborador da empresa onde já atua ou onde pretende atuar. Traremos cases reais, com soluções cotidianas para que você se habitue às realidades do mercado, seja nas políticas da qualidade ou nas certificações. Dessa forma, a abordagem se tornará mais realista, propondo o desenvolvimento de um raciocínio focado nas soluções empresariais. 10 Veremos, no decorrer deste livro, a fundamentação básica da consultoria e da assessoria, demonstrando quais são os tipos de consultoria e o perfil dos consultores, buscando identificar e, posteriormente, tratar as resistências comportamentais à consultoria. Abordaremos também as características comportamentais do consultor empresarial, assim como os protocolos de análise organizacional, na busca pela identificação do problema, no levantamento de dados, em sua análise, e, consequentemente, na pesquisa de soluções, para elaborar e implementar uma proposta. Daremos a você a oportunidade de conhecer as ferramentas e as certificações na consolidação dos projetos de consultoria, tornando-o apto a compreender e a identificar os diversos aspectos e visões da consultoria e as negociações mais utilizadas nas práticas de suporte empresarial, ofertando inúmeras oportunidades de trabalho, desde situações corriqueiras até situações mais complexas de suporte nas empresas. Desejamos a você um bom estudo! 11 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Unidade I De acordo com Crocco e Gutmann (2005), a consultoria é uma das atividades mais complexas a serem desenvolvidas e uma das menos valorizadas por vários empresários que não identificam a necessidade, muito menos a justificativa, de se contratar um consultor, já que na sua organização, em teoria, eles sempre sabem tudo que está acontecendo. O fato é que, muitas vezes, esse empresário está com miopia organizacional e, por isso, não tem visão para o futuro. Pelo contrário, está vivendo apenas no presente, buscando remediar o passado, sem tempo para planejar o futuro. Ou, sob outro prisma, esse executivo fica vinculado a uma série de vícios do passado que atualmente geram grandes problemas empresariais, trabalhistas e até mesmo para a imagem da sua organização. As organizações menos conservadoras e com gestões mais participativas são mais propícias a contratar uma consultoria organizacional, tanto para que suas estratégias minimizem impactos futuros, como para que possam conter crises que estejam passando no momento no ambiente corporativo (CROCCO; GUTTMANN, 2005). Observação A consultoria facilita a resolução de problemas e diminui os problemas organizacionais. Além disso, pode ampliar as capacidades de gestões estratégicas, posicionando a organização em patamares antes nunca alcançados, apenas pela falta de planejamento e de uma gestão voltada para a qualidade dos seus produtos/serviços. 1 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE Um modo simples de visualizarmos a importância da assessoria e a consultoria em qualidade é pelo seguinte exemplo. Em uma grande empresa uma máquina parou e o pessoal da manutenção tentou resolver o problema com sua equipe interna, mas não conseguiu porque a equipe de manutenção não tinha os procedimentos para tal correção. Com isso, a máquina ficou parada 48 horas, gerando um prejuízo enorme para a produção. No terceiro dia resolveram contratar uma consultoria para sanar o problema. Dessa forma, o consultor identificou o problema na máquina ao chegar e, após consultar seus procedimentos, entendeu as principais causas de sua parada. Em apenas 40 minutos, a máquina estava operando e sem nenhum sinal aparente de que pararia novamente. 12 Unidade I O diretor da empresa, muito satisfeito, solicitou o custo da consultoria prestada e o consultor prontamente respondeu. O diretor retrucou, boquiaberto: “Como é que por 45 minutos tenho que lhe pagar tudo isso?” O consultor calmamente respondeu: “Não foram os 45 minutos. Na verdade, a solução se deu em apenas 5 minutos de serviço, o restante foi focado na análise de riscos assim como no entendimento de que, por falta de um procedimento interno, a máquina ficou parada por 48 horas. Se tivessem tal procedimento, o senhor não teria o gasto com a consultaria e nem teria tido o grande prejuízo que teve na produção”. O diretor, mais que satisfeito com a explicação, contratou o consultor para análise de diagnóstico e implementação de trabalho preventivo em toda a empresa. Saiba mais Você sabe a diferença entre produto e serviço? Tal dúvida pode até parecer simples, mas há diversos motivos para se confundir. Para compreender o significado de produto e de serviço, leia o artigo a seguir: PRADO, D. Drucker’s Daily – 0038 – Diferença entre produto e serviço. Academia Brasileira de Marketing – Abramac, 22 jul. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3Qwvw6r. Acesso em: 3 jun. 2021. 1.1 Conceitos gerais Para Corrêa (2006), no mundo atual, a diferenciação entre produto e serviço é muito mais assertiva. Cabe, no entanto, a ressalva de que que vários produtos têm serviços agregados, o que valoriza ainda mais o produto entregue, e esse fato ocorre em todos os setores econômicos. Para entender melhor, podemos mencionar o agronegócio. Vamos pensar que o produto seja uma máquina agrícola. Nessa aquisição, além do produto, a concessionária pode ofertar diversos serviços agregados, como, por exemplo: • revisão periódica; • contrato de troca das peças que não estão na garantia de fábrica; • substituição da máquina caso ocorra alguma pane. A repartição do produto interno bruto (PIB) em nosso país identifica os seguintes cenários: serviços, agronegócios e indústria. O maior indicador centra-se no agro e nos serviços, pois são eles que compõem os demais setores em aplicações específicas, tornando-se, assim, os maiores fomentadores de capital financeiro dentro dessas divisões. Ambos terminaram o ano de 2019 com 1,3% cada. A figura 1 representa o gráfico do PIB brasileiro atualizado em março do ano de 2020. 13 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Figura 1 – PIB Brasileiro Adaptada de: Tooge (2020). Observação No Brasil, há a evolução do mercado de serviços, e a consultoria é um dos grandes precursores deste cenário de faturamento e empreendimento para os profissionais que buscam ter seu próprio negócio. 1.2 Disfunções organizacionais Disfunção organizacional refere-se a uma função que se realiza na empresa apenas de forma anormal. Assim, podemos afirmar que as funções organizacionais sempre são afetadas por anomalias que podem vir a comprometer o desempenho no todo. De acordo com Oliveira (2002), as disfunções são tipos de anomalias ou de irregularidades que se concretizam nos processos administrativos dentro das organizações, assim, é correto afirmar que elas têm enorme influência na qualidade administrativa dentro das organizações. As disfunções organizacionais podem ser de origem: • comportamental;faz parte de um processo de tomada de decisão, de solução de algum problema ou ainda de alocação de recursos. Qualquer tentativa para tentar descrever os padrões de busca de informação deverá aceitar o indivíduo como centro do fenômeno e ainda considerar suas necessidades, opiniões e problemas como elementos relevantes e influentes, que merecem investigação, para que haja o desenvolvimento de produtos e de serviços, seja em ambiente eletrônico ou não. Tecnologias emergentes passam a oferecer oportunidades para a melhoraria do gerenciamento das informações, dos serviços e da colaboração interna e externa, assim como para o oferecimento de serviços, sempre de acordo com a conveniência dos usuários, oferecendo informações relevantes. Para que isso ocorra, atualmente se exige que o planejamento de toda e qualquer atividade das informações seja feito com base em pesquisas que tenham o indivíduo no centro, a partir de uma perspectiva cognitiva, sempre na busca de interpretar as necessidades das informações, tanto intelectuais como sociológicas. Dervin (1986) afirma que a informação não é considerada uma entidade independente da interação do homem em relação ao mundo, ao ser objeto do seu conhecimento. Esse estudo apresenta as seguintes características: • observar o ser humano sendo construtivo e ativo; • considerar o indivíduo como simultaneamente orientado; • visualizar holisticamente todas as experiências do indivíduo; • focalizar em todos os aspectos cognitivos envolvidos; • examinar as características das pessoas de maneira sistemática; • empregar maior orientação qualitativa. 110 Unidade IV Que informações o indivíduo pensa em encontrar no sistema de informação? Como elas serão usadas? Como o sistema poderá ser projetado, da melhor forma possível, para se preencher as necessidades de informação? Essas dúvidas irão depender exclusivamente do próprio indivíduo, relacionando‑se a seu propósito em buscar informações e ao uso desses questionamentos para transpor as lacunas. Um fato relevante é que os indivíduos terão algumas dificuldades para descrever os padrões na busca de informações, principalmente no que diz respeito a alguns elementos significantes e influentes que precisarão, de qualquer forma, ser investigados. Já no que diz respeito ao desenvolvimento do modelo de Sense‑Making, o momento é considerado como novo, mesmo quando ocorrem repetições passadas. Dessa forma, é de suma importância analisarmos como os indivíduos decifram e elucidam tais momentos. Assim, cabe a nós avaliarmos quais foram as estratégias utilizadas para preencher as lacunas, como esse problema será interpretado e quais as possibilidades de resolução, sendo necessário criar movimentos táticos para esta situação, e, se for preciso, reiniciar uma nova busca de informações. Portanto, podemos concluir que novos passos são dados sempre em cada momento, aliás, ocorrem mesmo quando as ações repetem ações vivenciadas anteriormente. Na visão de Dervin (1986 apud LIRA et al., 2007), tais ações se constituem um novo passo, e, se os indivíduos tiverem a capacidade de reconstruir um significado, impulsionarão a oportunidade de adiantarem um movimento para frente. Logo, ao surgir uma situação‑problema, poderá ocorrer em um movimento bloqueado, e, nesse cenário, os indivíduos poderão encontrar lacunas que os levem a interromper seus caminhos. Essas lacunas são definidas como um estado de conhecimento excêntrico extremamente incerto, ou seja, é uma situação onde um indivíduo tenta entender o contexto como um todo (DERVIN, 1986 apud LIRA et al., 2007). Percebe‑se, pelo exposto, que os indivíduos possam identificar uma necessidade real de informações ao perceber que a existência de uma lacuna entre o estado atual e o desejado incorrerá em uma busca de outra forma para complementar essa necessidade, buscando, assim, as informações a partir de quatro fontes, conforme discriminado na sequência: • informações pessoais; • informações comerciais; • informações públicas; • informações experimentais. Nesse sentido, quando se buscam informações, seus dados são analisados nos termos de um triângulo comumente chamado de situação‑vazio‑uso, e, nesse caso, utilizam‑se quatro perguntas: • O que aconteceu em determinada situação para que o indivíduo se sinta bloqueado? 111 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • O que está faltando na atual situação? • Quais são as dúvidas do indivíduo e suas confusões? • Que tipo de ajuda ele espera receber? Para corroborar com essas suposições, Dervin (1986 apud LIRA et al., 2007) decidiu apresentar uma entrevista na linha do tempo, onde solicitou que cada participante reconstituísse uma situação dentro dos acontecimentos e, na sequência, que apontasse quais passos formariam uma linha no tempo da situação atual, devendo descrever cada passo de forma detalhada: • a forma como viu a situação; • a sensação de vazio; • qual a ajuda desejada. Pelo Sense‑Making, são realizadas entrevistas com o intuito de trazer à tona as necessidades de informações em diferentes categorias dos indivíduos. A partir da menção aos quatro momentos apontados anteriormente, formou‑se a metáfora do Sense‑Making, representada pelas letras SBHG, conforme discriminado na sequência: • situação; • ponte (bridge); • ajuda (help); • gap. Esses momentos da situação‑movimento‑parada podem ser considerados como: • passando o tempo; • esperando; • enrolando; • colocando obstáculos; • achando problemas; • sendo levado; • fracassando; 112 Unidade IV • decidindo; • paralisando; • observando; • mexendo; • desfrutando. Dessa forma, a perspectiva do Sense‑Making nos permite ter um entendimento dos processos de informação/comunicação, contendo como elemento principal o movimento, onde os estados e as entidades se tornam processuais e extremamente dinâmicos, podendo transformar os substantivos para se identificar essas entidades/estados como ações, ou seja, como verbos, indicando, assim, algum tipo de movimento. Esse método que sempre vai à procura do gap, ou mesmo da ponte que fica entre a situação encontrada e a ajuda que se busca, olha para a situação‑problema como um momento em que se deverá tomar uma decisão, e em que as respostas às perguntas vão sempre expressar uma certa confusão, com ideias, emoções, sensações e perguntas, até se chegar às conclusões. O instrumento que servirá de ajuda básica para a pesquisa do usuário no Sense‑Making é a entrevista do micromomento (DERVIN, 1986). A entrevista deverá estar sob o controle tanto do entrevistador como do entrevistado. Nela deverá haver a narração de eventos no tempo, que podem ser ordenados ou desordenados e a expressão de confusões, de emoções, de ideias, de sentimentos, de perguntas e de conclusões. A perguntas podem ser estruturadas como: qual ajuda se teve nesse momento? O que o levou a alcançar essas conclusões? Quais as conexões percebidas por você? Como você poderia ser ajudado neste momento? As perguntas feitas durante a entrevista, diferentemente da pesquisa demográfica, são baseadas na visão de mundo da pessoa entrevistada e, em vez de criticar ou mesmo corrigir, o entrevistador poderá organizar o que deverá falar em situação/gap/ajuda, assim, conseguirá não somente o registro das emoções, como também os elementos para se desenhar uma base de dados sobre as necessidades de tais informações de algum tipo de certa comunidade. 7.8 Modelo de uso da informação Choo O modelo proposto por Choo (2003 apud CAPURRO; HJORAND, 2007) relaciona e, consequentemente, identifica os principais elementos que influenciam o comportamento dos indivíduos ao buscar informações. Esse modelo apresenta três estágios diferentes, a saber: • a necessidade de se obter a informação; • a necessidade de buscar a informação; • a necessidade de utilizar a informação. 113 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO As bases do modelo são apenas as conceituais eapresentam‑se na forma de abordagem cognitiva da criação, buscando demonstrar: • o que significou; • quando foi desenvolvida; • quando foi aplicada. De acordo com o mesmo autor, tais necessidades de obter informações surgem quando os indivíduos reconhecem vazios em todo o seu conhecimento e na sua capacidade de tentar dar sentido às experiências. Nesse estágio, um indivíduo procura, intencionalmente, informações para que altere seu estado de conhecimento. Assim, quando buscam informações, os indivíduos utilizam a mesma informação desde o momento em que a seleciona e a processa, com o intuito de produzir alterações na sua capacidade de vivenciar, de agir e de reagir aos novos conhecimentos. Dessa forma, o modelo visa analisar o ambiente onde a informação será procurada, integrando, assim, o ambiente interno e as informações que serão processadas (estão dentro do indivíduo) e o ambiente externo e as informações que serão utilizadas (estão no ambiente profissional do indivíduo). Ainda nesse estágio, floresce no indivíduo uma compreensão clara sobre a sua incessante busca de informações, que pode sofrer influências de fatores cognitivos, emocionais e situacionais. Assim, pode‑se afirmar que as características dos meios sociais e profissionais podem induzir ou restringir alguns comportamentos de busca de informações, assim como a cultura empresarial, a estrutura hierárquica e o grupo de trabalho podem influenciar as atitudes dos indivíduos no que tange à coleta de informações. Quando o indivíduo consegue utilizar as informações que buscava, ele chega ao estágio final do modelo e isso ocorre porque, quando fez uma seleção e processou as informações, ele acabou adquirindo novos conhecimentos. Dessa forma, o indivíduo transcorre na atuação juntamente com a informação encontrada, tendo a capacidade de responder suas ânsias, conseguindo negociar uma posição para solucionar seu problema, podendo, assim, tomar decisões, dando sentido para a situação. Continuando, o modelo descansa em oito classes para a utilização das informações, conforme veremos a seguir: • esclarecimento; • instrumental; • compreensão do problema; • confirmativa; • factual; 114 Unidade IV • motivacional; • projetiva; • pessoal. O uso das informações é um auxílio que os indivíduos almejam conseguir extrair das informações para, dessa forma, continuar na sua trajetória de vida. O momento em que se buscam informações é capaz de produzir satisfação aos indivíduos, fazendo com que ele apresente um sentimento de confiança, mas, em contrapartida, se a informação obtida não for útil, se sentirá decepcionado e frustrado (CHOO, 2003 apud CAPURRO; HJORAND, 2007). 8 CERTIFICAÇÕES De acordo com as definições constantes na norma ISO 9000:2005 (ABNT, 2015), a qualidade é entendida como “grau de satisfação de requisitos acerca de um conjunto com suas características intrínsecas”, assim sendo, o sucesso de toda e qualquer organização irá depender diretamente de sua capacidade de mobilização e de organização de todos os recursos e também dos meios necessários para manufaturar os produtos ou disponibilizar serviços que satisfaçam as necessidades e as expectativas dos clientes. Sendo assim, a qualidade poderá ser considerada um motor para se alcançar o sucesso de qualquer organização, afirmam Pinto e Soares (2010), e ainda obter o reconhecimento da sua existência, constituindo, dessa forma, um grande fator de diferença na hora da escolha de produtos ou de serviços frente aos seus concorrentes. Nesse cenário, o desenvolvimento de uma cultura de trabalho que se baseie nos princípios da qualidade e, consequentemente, nos seus valores conduzirá à eficácia e a uma melhoria, sempre contínuas, de todos os processos e métodos. Desde a Antiguidade pode‑se verificar alguns dos aspectos que atualmente costumam ser vinculados à qualidade da gestão, como, por exemplo, as técnicas de planejamento, de controle e de organização usadas por outros povos. Além disso, mesmo que o conceito tenha aparecido bem mais tarde, a gestão pela qualidade começou a ser desenvolvida no Japão, na década de 1950, por Ishikawa, que foi considerado o pioneiro. Também foram desenvolvidos por Juran e Deming estudos abrangendo essa área, com o movimento estendido aos Estados Unidos na década de 1980 e, a seguir, à Europa. Juran defendia que a qualidade deveria, sempre, ser entendida como se fosse uma adequação ao uso. Deming já baseava sua teoria na ideia de que a qualidade deveria ser avaliada pelos clientes e ainda teriam que ser avaliados os custos e sua adequação ao mercado (DEMING, 1986 apud SOARES; PINTO, 2010). Ainda na mesma escola de Deming, Shewhart defendia a tese de que existiam duas faces da qualidade. A face subjetiva baseava‑se no conhecimento das necessidades e expectativas do cliente e a face objetiva baseava‑se no desenvolvimento das particularidades do produto (SHEWART; DEMING, 1986 apud SOARES; PINTO, 2010). 115 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Já nos EUA, Philip Crosby defendia a teoria que se baseava no zero defeitos e Armand Feigenbaum defendia os grandes impulsionadores da gestão pela qualidade. Taguchi trouxe uma nova ferramenta do movimento da qualidade desenvolvida no Japão, demonstrando como impulsionar uma gestão pela qualidade baseada no design industrial dos produtos e serviços. A qualidade nos dias de hoje é encarada como a procura por melhoria contínua, em diferentes perspectivas da organização, desde a definição por sua política e pela estratégia usada, até os indicadores financeiros considerados mais relevantes. 8.1 Certificação e entidades certificadoras Para se fazer uma solicitação de credenciamento para que se iniciem as atividades como AC ou como AR (pessoa jurídica), a entidade interessada terá que requerer o credenciamento conforme o DOC‑ICP‑03, que é aprovado pela Resolução do Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (CG ICP‑Brasil), n. 178 de 20 de outubro de 2020, e ainda terá que se submeter à auditoria pré‑operacional pelo IT. Deverão ser atendidos diversos critérios aos candidatos para o credenciamento na ICP‑Brasil, como: • ser órgão ou entidade de direito público ou ainda pessoa jurídica de direito privado; • estar quite com todas as obrigações tributárias e com todos os encargos sociais instituídos por lei; • atender aos requisitos inerentes à qualificação econômico‑financeira de acordo com a atividade que será desenvolvida (BRASIL, 2020). O quadro 13 demonstra a cadeia de entidades credenciadas: Quadro 13 – Certificações e entidades certificadoras Sigla Significado Descrição ICP‑Brasil Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira, que é uma cadeia (ou elos) hierárquica de confiança que viabiliza a emissão de certificados digitais para identificação virtual tanto para cidadãos como para empresas O modelo brasileiro é o de certificação com raiz única. A AC‑Raiz é a primeira autoridade da cadeia de certificação, na ICP‑Brasil a AC‑Raiz é o ITI, que executa as políticas de certificados e as normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP‑Brasil É composta por uma cadeia de entidades credenciadas, formada por Autoridade Certificadora Raiz – AC‑Raiz, Autoridades Certificadoras – ACs, Autoridades de Registro – ARs, Autoridades Certificadoras do Tempo – ACTs, Prestadores de Serviço Biométrico – PSBios, Prestadores de Serviço de Suporte – PSS e, ainda, por uma autoridade gestora de políticas, ou seja, o Comitê Gestor da ICP‑Brasil Observação: as normas da ICP‑Brasil definem que a Autoridade Certificadora Raiz e as Autoridades Certificadoras não têm acesso às chaves privadas dos titulares de certificados digitais 116 Unidade IV Sigla Significado Descrição ITI – AC‑Raiz Na ICP‑Brasil a AC‑Raiz é o ITI, que executa as políticas de certificados e as normas técnicas e operacionais aprovadas pelo Comitê Gestor da ICP‑Brasil Desempenha o papel de Autoridade CertificadoraRaiz – AC‑Raiz Credencia e descredencia os demais participantes da cadeia, supervisiona e audita os processos MP 2.200‑2 Determina que o par de chaves criptográficas seja gerado sempre pelo titular A sua chave privada de assinatura será de seu exclusivo controle, uso e conhecimento AC = Autoridade Certificadora Entidades públicas ou pessoas jurídicas de direito privado credenciadas à AC‑Raiz e que emitem certificados digitais vinculando pares de chaves criptográficas ao respectivo titular De acordo com o art. 6º da MP 2.200/01, as ACs emitem, expedem, distribuem, revogam e gerenciam os certificados, disponibilizando aos usuários lista de certificados revogados e outras informações necessárias, e mantendo o registro de suas operações Para ser uma AC, é necessário apresentar, no mínimo, uma entidade operacionalmente vinculada, candidata ao credenciamento para desenvolver as atividades de Autoridade de Registro AR, ou solicitar o seu próprio credenciamento como AR; apresentar a relação de eventuais candidatos ao credenciamento para desenvolver as atividades de Prestador de Serviço de Suporte – PSS; ter sede administrativa localizada no território nacional; e instalações operacionais e recursos de segurança física e lógica, inclusive sala‑cofre, compatíveis com a atividade de certificação, localizadas no território nacional, ou contratar PSS que a possua Observação: para se tornar uma AR, é necessário estar operacionalmente vinculada a, pelo menos, uma AC ou ser candidata à AC, relativamente às Políticas de Certificados, ter sede administrativa, instalações operacionais e recursos de segurança física e lógica compatíveis com a atividade de registro. Para mais informações, consulte o DOC‑ICP‑03 LCR = Lista de Certificados Revogados É uma lista assinada digitalmente pela autoridade certificadora, publicada periodicamente, contendo certificados que foram revogados antes de suas respectivas datas de expiração A lista, geralmente, indica o nome de quem a emite, a data de emissão e a data da próxima emissão programada, além dos números de série dos certificados revogados e a data da revogação Observação: se o certificado estiver na lista não poderá assinado pelo interessado ACT = Autoridade Certificadora do Tempo É uma entidade de confiança que emite o Carimbo do Tempo É responsável geral pelo fornecimento do Carimbo do Tempo, através de um conjunto de atributos fornecidos pela parte confiável que, associado a uma assinatura digital, prova a sua existência em determinado período PSBio – Prestador de Serviço Biométrico Os PSBios são entidades com capacidade técnica para realizar a identificação biométrica, tornando um registro/requerente único em um ou mais bancos/sistemas de dados biométricos para toda ICP‑Brasil A verificação biométrica do requerente de um certificado digital e a comparação de uma biometria, que possua característica perene e unívoca, de acordo com os padrões internacionais de uso PSS = Prestador de Serviço de Suporte Desempenha atividade descrita nas Políticas de Certificado – PC e na Declaração de Práticas de Certificação – DPC da AC a que estiver vinculado, diretamente ou por intermédio da AR, ou nas Políticas de Carimbo do Tempo – PCT e na Declaração de Práticas de Carimbo do Tempo – DPCT da ACT a que estiver vinculado ou, ainda, nas atividades de PSBio Classifica‑se conforme a atividade prestada entre três categorias: disponibilização de infraestrutura física e lógica, disponibilização de recursos humanos especializados ou disponibilização de infraestrutura física e lógica e de recursos humanos especializados. CG ICP‑Brasil – Comitê Gestor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira De acordo com o Decreto 6.605, de 14 de outubro de 2008, exerce a função de autoridade gestora de políticas de certificação digital Vinculado à Casa Civil da Presidência da República, o comitê é composto por sete representantes governamentais e cinco representantes da sociedade civil, todos designados pelo presidente da República Adaptado de: Brasil (2020). 117 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 8.2 Processos e estágios de certificação Sabe‑se que o cliente é a figura central no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de todos os produtos ou serviços que serão oferecidos, conduzindo ao surgimento e ao desenvolvimento dos chamados sistemas de gestão da qualidade (SGQ), que estabelecem o total comprometimento e o envolvimento da organização nas ofertas de produtos ou serviços com a intenção de alcançar a satisfação e todas as necessidades dos seus clientes. Assegura‑se, assim, com a implementação de tais sistemas, que a organização adote métodos e também mecanismos de controle, de garantia e de melhoria da qualidade em todos os processos. Noção e objetivos Sistemas de gestão da qualidade (SGQ) referem‑se a uma prática, além de uma filosofia de gestão, que se traduz no envolvimento dos trabalhadores dentro de uma organização, em um processo de cooperação, concretizando‑se no fornecimento dos produtos e serviços, visando alcançar a satisfação e as necessidades e expectativas de seus clientes (PINTO; SOARES, 2010). As organizações definem os recursos e atribuem as responsabilidades na área da qualidade com a implementação de um SGQ, visando alcançar a eficácia. Os SGQs mostram claramente a maneira como as organizações demonstram as perspectivas em suas diferentes áreas de trabalho, partindo‑se dos dados que foram recolhidos através das medições dos processos e dos produtos. Pires (2004) aponta como ponto crucial em um processo de implementação do sistema de gestão da qualidade a tomada de decisão, pois é ela que tornará o processo de certificação de um outro sistema, o sistema de gestão da qualidade e ambiente, viável, além de ser consistente, impulsionando uma grande capacidade de evolução. Dessa forma, tem‑se um sistema de natureza muito dinâmica, tornando seu desenvolvimento correlacionado à ideia de uma melhoria contínua, tomando‑se como base as análises de evolução dos requisitos dos clientes. As organizações que tiverem uma visão mais ampla dessa filosofia com certeza estarão mais capacitadas para a implementação eficaz do seu SGQ e assim obterão um maior retorno do investimento que foi realizado, de acordo com Pires (2004). Essa implementação de um SGQ tende a contribuir para atingir determinados objetivos, destacando‑se que a abordagem sistemática das atividades pode afetar a qualidade e, ainda, fornece as evidências objetivas de que a qualidade desejada foi alcançada, conforme aponta Pires (2004). 8.3 Gerenciamento Lean: modelo de gestão para excelência O Lean é um sistema produtivo que tem como principal finalidade o estabelecimento de um alinhamento entre a demanda e a capacidade, não apenas nos dias atuais, mas também no futuro, o que visa proporcionar maiores resultados para o negócio, com retorno desses investimentos em caixa, e cujo ponto de partida é um estudo sobre a demanda. O sistema atua com diversas ferramentas, 118 Unidade IV entre elas, a manufatura enxuta, que se refere a um processo de produção baseado em uma ideologia de maximização da produtividade buscando, ao mesmo tempo, a minimização do desperdício dentro de uma operação de fabricação. Entre os benefícios da manufatura enxuta, podemos destacar: • prazos de entrega; • custos operacionais reduzidos; • melhor qualidade do produto. Essa metodologia, comumente chamada de produção enxuta, baseia‑se em princípios específicos de fabricação que influenciam os sistemas de produção no mundo todo, em diferentes áreas como saúde, softwares e diversos setores de serviços (WHAT IS…, 2020). 8.3.1 Como funciona Seu princípio centra‑se na implementação da manufatura enxuta, buscando a melhora contínua nos processos de produção, visando eliminar o desperdício. Quando as fábricas reduzem o desperdício, a manufatura enxuta consegue entregar valor deuma forma sustentável aos clientes. Pode‑se apontar diferentes tipos de desperdício: • processos; • atividades; • produtos; • serviços que necessitam: — de tempo; — de dinheiro; — de habilidades. Segundo a TWI (WHAT IS…, 2020), itens não necessariamente criam valor para os clientes, mas podem abranger talentos subutilizados, estoques em excesso, procedimentos e processos ineficazes e desnecessários. Dessa forma, podemos afirmar que a remoção de tais ineficiências tende a: • agilizar os serviços; • reduzir custos; • proporcionar economia para produtos específicos; • proporcionar economia para serviços. 119 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 8.3.2 Os cinco princípios Na manufatura enxuta há cinco princípios da manufatura fundamentais utilizados como base para implementação do Lean: • valor; • fluxo de valor; • fluxo; • atração; • perfeição. Valor O valor é determinado pelas perspectivas dos clientes e relaciona‑se com os valores que eles estão dispostos a gastar por produtos e/ou serviços. Dessa forma, presume‑se que o valor é criado por fabricantes e/ou prestadores de serviços que precisam eliminar perdas e minimizar os custos para atender o preço ideal para o cliente e, ao mesmo tempo, maximizar os lucros. Mapeamento dos fluxos de valores Envolve uma análise profunda dos materiais, assim como de outros recursos utilizados na manufatura de produtos e/ou serviços, com o objetivo de detectar desperdícios e otimizar as melhorias. Dessa forma, o fluxo de valores precisa abranger todo o ciclo de vida dos produtos, ou seja, essa abrangência acompanha desde a aquisição de matérias‑primas até o descarte. Todas as etapas do ciclo de produção necessitam ser examinadas, principalmente no que tange aos desperdícios e às coisas que não agregam valor, para que possam ser removidas. Percebe‑se que o alinhamento da cadeia se faz necessário e é frequentemente recomendado como meio para atingir bons resultados nesta etapa. Nesse sentido, pode‑se afirmar que os fluxos de fabricação atuais são mais complexos, exigindo esforços combinados de engenheiros, cientistas, designers, entre outros profissionais. No entanto, tais esforços, somados à fabricação real de produtos físicos, referem‑se a apenas uma parte de um processo de trabalho muito mais amplo. Criação de fluxo Refere‑se à remoção das barreiras funcionais, com o intuito de melhorar os prazos de entrega. Essa remoção visa minimizar problemas nos processos para que se evitem atrasos, visando ainda evitar outros desperdícios. Quando os processos de produção são interrompidos ou são desarmônicos, impactam em custos e geram necessidade de reiniciar o fluxo, ou seja, é preciso que as fábricas garantam um fluxo constante para a manufatura e/ou prestação de serviços. 120 Unidade IV Estabelecimento de um sistema puxado O sistema puxado funciona apenas após o início do trabalho, quando há demanda. Ou seja, o sistema é o oposto do sistema push, que sempre é utilizado com o MRP (planejamento de recursos de manufatura). Esses sistemas determinam, antecipadamente, os estoques, já com definição da produção, com o intuito de atender às previsões de produção e vendas, entretanto, a falta da precisão das previsões pode incorrer em uma produção insuficiente ou excessiva de determinados produtos para atender à demanda. Esse fato pode incorrer na elevação de custos adicionais assim como de armazenamento, de cronogramas interrompidos e de insatisfação do cliente. O sistema puxado incita o envolvimento das equipes, uma vez que elas se movem para novas tarefas assim que as etapas anteriores são concluídas. Dessa forma, as equipes vão se adaptando aos desafios à medida que eles vão surgindo, sabendo que cada etapa do seu trabalho é sempre aplicável na entrega do produto e/ou serviço. Perfeição A busca da perfeição por melhorias contínuas de processo é comumente conhecida como Kaizen, criação de Kiichiro Toyoda, diretor da Toyota Motor Corporation. Dessa forma, pode‑se afirmar que a manufatura enxuta necessita de avaliação e melhoria de processos e procedimentos continuada, com o intuito de eliminar, de forma contínua, o desperdício em um esforço conjunto que visa encontrar um sistema com fluxo de valor perfeito. Entretanto, há uma ressalva. Para que ocorra uma diferença significativa e duradoura, é preciso que o sistema de melhoria contínua seja integrado na cultura das organizações, requerendo medições de métricas, tais como: • prazos de entrega; • ciclos de produção; • rendimento; • fluxo cumulativo. É de suma importância que a cultura de melhoria contínua vise filtrar os níveis estratégico, tático e operacional de uma organização, incorporando todos os membros da equipe, assim como os gerentes de projeto até o nível executivo, para que se crie uma responsabilidade coletiva em que todos almejem a melhoria e a criação de valor. 8.3.3 Oito desperdícios da manufatura enxuta Segundo a TWI (WHAT IS…, 2020), o Sistema Toyota de Produção, em suas análises, detectou oito desperdícios, conforme discriminados a seguir: 121 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • transporte desnecessário; • inventário em excesso; • movimentação desnecessária de pessoas, máquinas ou equipamentos; • espera (pessoas ou equipamentos ociosos); • superprodução de produtos; • adição de recursos desnecessários a um produto ou processamento excessivo; • defeitos que precisam de correção dispendiosa; • talento e engenhosidade não utilizados. Esse último desperdício é sempre destacado por inúmeros praticantes do Lean. Os resíduos são divididos em três tipos específicos, conforme discriminados a seguir. • Mura: tem‑se a desigualdade ou o desperdício como resultado da demanda flutuante, que ocorrem devido a solicitações dos clientes ou de novos serviços, adicionados por uma organização. • Muri: ocorre por sobrecarga ou por desperdício, quando se tenta realizar alguma etapa do processo produtivo em excesso que se relaciona à alocação de recursos, envolvendo pessoas que, se solicitadas, precisam trabalhar muito. Assim, o tempo pode vir a ser desperdiçado quando essas pessoas trocam de tarefas ou quando perdem a motivação em decorrência da sobrecarga. • Muda: esse desperdício relaciona‑se aos processos que não agregam valor, ou que apoiam diretamente uma atividade que também não agrega valor, dessa forma, ela é desnecessária, precisando ser eliminada. Para que o Lean seja reconhecido como a gestão para qualquer sistema produtivo focado na construção de um modelo, é preciso que envolva três grandes diretrizes: • organizar fluxos produtivos; • dominar e melhorar a capacidade; • programar atividades e insumos. Dessa forma, realiza‑se a tradução de tais diretrizes, que estão em concordância com os princípios da mentalidade, embasada no modelo de excelência operacional, o Lean Ágil. Quando se busca a excelência 122 Unidade IV operacional focado em Lean Ágil, encontra‑se, em contrapartida, uma Estratégia de Negócio, que envolve um sistema de gestão integrado com: • metas; • materiais; • equipamentos; • espaço; • instalações; • métodos; • pessoas; • participação de muitas áreas. Percebe‑se a necessidade de comprometimento da liderança em todos os níveis, portanto, a alta liderança torna‑se crucial, além da busca pelo predomínio da cultura de melhoria, que se desenvolve em ambientes que vislumbrem a importância do encerramento do mês do faturamento, que geralmente é alcançado com altos custos operacionais, excesso de investimentos em estoque, além de perpetuação de problemas recorrentes. Assim sendo, não basta fazer Lean, se faz necessário que se desenvolva uma consciência Lean, efetuada dentro de um ambiente onde se busca a excelência operacional, focada na transformação para se alcançar a melhoria de processos e de pessoas, de maneira contínua (BORGATTI NETO, [s.d.]). 8.4 Seis Sigma O Seis Sigma (ou, em inglês, Six Sigma) nada maisé do que uma ferramenta reconhecida internacionalmente, amplamente utilizada para identificar e implementar melhorias nos processos internos das organizações, garantindo menores custos de operação e, consequentemente, aumento dos lucros. O sigma, letra do alfabeto grego, é uma medida de variação utilizada em estatística. Já no universo empresarial, refere‑se à frequência com que determinadas operações ou transações utilizam mais do que os recursos mínimos necessários para satisfazer o consumidor. Em outras palavras, é ela que determina qual é a taxa de desperdício/desvio por operações. Utiliza‑se o Seis Sigma para calcular, por uma fórmula matemática, qual é o nível de desempenho dos processos das organizações sobre os quais se busca obter um diagnóstico. 123 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Origem De acordo com Souza (2020), as ferramentas da qualidade estão presentes nas sociedades ao redor do mundo há muito tempo. Surgiram no ano de 1798, mas foi apenas no ano de 1980 que se criou o conceito de Seis Sigma, uma das principais ferramentas de otimização. Sob esse prisma, os sigmas representam algo perto de uma escala de qualidade, em que: • 1‑sigma: é o nível mais baixo, com enorme quantidade de defeitos e potencial extremo, impulsionando perda nas vendas decorrentes da falta de qualidade. • 6‑sigma: refere‑se ao nível de excelência mais elevado dentro da metodologia, ou seja, apresenta apenas três defeitos em um milhão. Quando se implementa o Seis Sigma, alcançar o seis traduz‑se em chegar à margem de desvio mínima, com um padrão alto de qualidade, que, afinal, é o que os projeto tanto almejam. Entre os ganhos com o projeto Seis Sigma, podemos destacar: • melhoramento da eficiência dos processos internos; • redução dos custos da má qualidade dos processos; • eliminação dos defeitos; • redução do ciclo dos processos; • melhoramento do serviço ofertado ao cliente. Com o Seis Sigma, é possível tomar decisões mais assertivas, em vez de fazer cortes nos custos, arriscando‑se a comprometer a qualidade do produto da empresa ou do serviço. A ferramenta funciona somente após a definição das metas e posterior aplicação de projetos específicos, com o intuito de alcançar essas metas. O sucesso dessa implementação dependerá da mobilização, assim como da participação de toda a organização. Os projetos serão definidos a partir da estratégia DMAIC, conforme disposto a seguir (SOUZA, 2020): • Definir: é necessário definir metas claras para que as melhorias almejadas sejam alcançadas. • Mensurar (o sistema existente): é preciso entender 100% o que e como acontece cada etapa dos processos internos na empresa antes de tentar buscar melhorias. Mediante tal análise, a empresa estabelecerá métricas confiáveis e válidas com o intuito de monitorar o progresso acerca das metas definidas no passo “definir”. • Analisar (seu sistema atual): essa análise visa identificar alternativas para eliminar a lacuna existente entre as metas definidas anteriormente e os números atuais. Há um fator importante: essa análise apenas poderá ser feita quando fundamentada por uma análise estatística e dados sólidos. 124 Unidade IV • Incrementar (seu sistema): significa que a empresa irá melhorá‑lo, e não apenas propor á mudanças estruturais. Dessa forma, a capacidade criativa da empresa para encontrar soluções novas com o intuito de melhorar os processos é um importante diferencial. • Controlar (o novo sistema desenvolvido): nessa etapa, busca‑se garantir que a metas atingidas sejam mantidas a longo prazo. Observação A metodologia Seis Sigma foi desenvolvida na Motorola, em um momento em que a empresa buscava analisar a qualidade no processo de criação de um produto, assim como no próprio produto em si, que era muito importante no contexto momentâneo da empresa. A ferramenta é utilizada para auxiliar os processos do trabalho. Dessa forma, ela é utilizada para: analisar, definir, mensurar e propor soluções. Tudo isso se relaciona com os problemas que podem intervir no desempenho dos profissionais de uma organização. Além disso, o Seis Sigma é também uma excelente estratégia de gestão. A partir dela, a empresa poderá definir como será sua rotina e o que será desenvolvido e implementado para melhorar os processos da organização como um todo (SOUZA, 2020). Observação O Seis Sigma foi uma ferramenta criada a partir da evolução do conceito de qualidade existente no mercado, e, graças a esse conceito amplamente aceito, essa ferramenta se tornou uma das principais utilizadas na atualidade, já que, graças às suas estatísticas, é possível monitorar e controlar a qualidade do processo (SOUZA, 2020). Utilizar essa metodologia é, de fato, muito benéfico para empresas de forma geral. Isso se dá porque, através dela, as empresas podem potencializar seus esforços, alcançando a maior produtividade possível, já que ela melhora demasiadamente a rotina ao mesmo tempo que aumenta a probabilidade de identificar melhorias significativas para o desenvolvimento da organização. Segundo Souza (2020), o Seis Sigma é muito eficiente, entretanto, apresenta ainda algumas outras vantagens, conforme discriminado a seguir: • Eleva sensivelmente o nível de qualidade: os processos se tornam mais eficientes, criando, dessa forma, melhores produtos, gerando maior qualidade no final do processo. • Aumenta de forma significativa a satisfação do cliente e os lucros da empresa: visa otimizar os processos, possibilitando a redução dos custos e, consequentemente, causando impacto de forma positiva no cash flow da empresa. 125 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • Ocorre uma maior retenção de clientes: esse item relaciona‑se com o anterior, pois esse benefício ocorre quando o cliente está satisfeito com o produto ou serviço ofertado pela empresa. • Ocorre menos desperdício de tempo e recursos: visa otimizar os processos da cadeia organizacional que se movem, evitando, assim, qualquer tipo de desperdício. • Reduz enormemente os custos da empresa: pois otimiza os processos e reduz a possibilidade de problemas que geram atrasos, diminuindo desperdícios e, inclusive, custos. • Padroniza os processos: ao olharmos de forma mais crítica para os processos da instituição, é possível desenvolvermos padrões, facilitando, dessa forma, a rotina da equipe para evitar falhas. • Impulsiona o engajamento de equipes de trabalho. O Seis Sigma não se restringe a algumas áreas específicas, mas abrange todos os setores, e também vale para empresas de ramos variados, desde criação de peças até marcas de roupas. Como exemplo de empresas que fazem uso dessa ferramenta, podemos citar a Ambev, a IBM e a Votorantim Cimentos (SOUZA, 2020) Saiba mais Segundo Santos e Martins, “a literatura sugere que o Seis Sigma trouxe contribuições em vários aspectos, tanto no âmbito da gestão da qualidade, como no da gestão estratégica. No entanto, ainda há certa escassez de informações sobre esse assunto no cenário organizacional brasileiro” (2010, p. 42). Para mais informações sobre o assunto, leia o artigo: SANTOS, A. B.; MARTINS, M; F. Contribuições do Seis Sigma: estudo de caso em multinacionais. Produção, v. 20, n. 1, p. 42‑53, jan./mar. 2010. Disponível em: https://bit.ly/3RwAZvh. Acesso em: 14 jun. 2021. 8.5 Níveis de certificação Adquirir certificações de qualidade é uma necessidade das indústrias, sendo considerado um passo natural para aquelas que visam o aprimoramento constante dos seus processos. Dessa forma, certificar a empresa em inúmeros itens torna‑se muito interessante para comunicar facilmente quais são os padrões seguidos por ela. Veremos, na sequência, um panorama dessa temática, indicando as principais certificações de qualidade para a indústria. As certificações de qualidade ISO são muito mais do que um conjunto de normas com reconhecimento em todo o mundo, pois visam alinhar os padrões de qualidade, de questões ambientes,de gestão, entre tantos outros. 126 Unidade IV Lembrete As empresas que têm certificações ganham destaque no mercado, pois ofertam um grande diferencial aos consumidores que escolhem seus serviços. Tais normas objetivam manter um desenvolvimento constante dos processos internos das empresas, de modo que todas as atividades sejam feitas com qualidade e organização. 8.5.1 As principais certificações de qualidade Busca‑se incessantemente pela qualidade dentro da gestão de uma empresa, o que é essencial para garantir que os produtos e serviços ofertados sejam os melhores do mercado, aumentando, dessa forma, a satisfação dos clientes, visando promover o sucesso sustentável da organização. Estruturar os processos da organização embasando‑se nos benefícios das certificações de qualidade ISO certamente é um dos melhores caminhos para se obter sucesso na conquista de bons resultados, e isso ocorre porque, quando a empresa é certificada pelas normas ISO, ela visa se adequar a um padrão de qualidade valorizado e aceito em 164 países. Na sequência, demonstramos as principais certificações de qualidade, assim como seus objetivos. Quadro 14 – Principais certificações da qualidade Certificações da qualidade Descrição Observações 9000:2000 É uma das mais famosas, pois é voltada para o sistema de gestão da qualidade – SGQ das empresas. Nela, há alguns meios de implementar e monitorar técnicas de otimização de processos, para que a administração do negócio seja cada vez melhor A versão vigente da norma ISO 9000 veio de uma revisão dos mecanismos de atribuição do certificado. Trata‑se da busca pela qualidade total e melhoria contínua dos processos de gestão em uma empresa, trazendo orientações sobre a qualidade em todos os processos internos, determinando a conduta certa para o sucesso da empresa, baseada no sistema de gestão da qualidade, contemplando instruções para fazer auditorias de sistemas de gestão 9001 A ISO 9001 é focada na satisfação do cliente final, auxiliando as empresas a desenvolverem maneiras de otimizar o seu desempenho, para alcançarem altos níveis de qualidade A certificação é feita depois de uma auditoria da norma ISO 9001, que garante que a organização vai: – operar com maior eficiência – cumprir todos os requisitos legais e regulatórios – alcançar novos clientes – identificar e solucionar falhas e riscos 127 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Certificações da qualidade Descrição Observações 14000 O grupo de normas ISO 14000 trata de sistemas de gestão ambiental. Segue a mesma estrutura e parâmetros do ISO 9000, mas com foco na responsabilidade ambiental nos processos de gestão As certificações de qualidade ISO 14000 estabelecem diretrizes para implementar com sucesso o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) nas organizações. Com propostas ligadas à sustentabilidade, as certificações dessa família procuram garantir o equilíbrio e a proteção ambiental por meio da prevenção de falhas e problemas que podem vir a afetar a sociedade e a economia Para que uma empresa possa ter o certificado ISO 14000, ela deve se comprometer com a legislação ambiental do seu país. Quando a certificação é adquirida, a organização comprova que está colaborando com a natureza e demonstra esforços para preservar o meio ambiente em padrões mundiais Isso significa não apenas que a empresa concorda com as leis ambientais, mas também que ela está disposta a reorganizar a corporação, adotando padrões que incluem o envolvimento e o treinamento de todos os colaboradores 16001 As empresas detentoras do certificado da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) NBR 16001 atendem aos requisitos relativos à responsabilidade social em seus sistemas de gestão A norma nacional se baseia na diretriz da International Organization for Standardization (ISO) n. 26000, que é diretiva, mas não permite certificação. A ABNT é a representante nacional da ISO e, por isso, é quem cria os padrões e normas para uso interno 17025 Essa ISO envolve processos de certificação de laboratórios de ensaios e de calibração. Esse certificado é a comprovação de que o laboratório realiza suas atividades com precisão, oferecendo resultados fiéis e de alta qualidade Os clientes que contratam uma organização acreditada pela ISO 17025 se sentem mais seguros e satisfeitos 22000:2018 A certificação ISO 22000 tem como objetivo padronizar as práticas de gestão da empresa, visando facilitar o comércio e promover o avanço tecnológico. Trata‑se de um sistema completo para segurança na produção de alimentos. Os fabricantes certificados devem demonstrar a capacidade de controlar perigos relacionados à segurança alimentar A família ISO 22000, além das normas gerais, contém uma série de normas específicas para cada um dos aspectos da segurança alimentar, tais como rastreabilidade na cadeia alimentar e fabricação de alimentos Certificação de Orgânicos Uma empresa que recebe a certificação orgânica em seus produtos indica que a origem de todos os insumos envolvidos na produção cumpre as normas da Lei n. 10.831:2003. Para conseguir o certificado, a empresa deve se abster de usar produtos com agrotóxicos ou de fontes não renováveis FSC FSC é a abreviação de Forest Stewardship Council, o nome da ONG que fornece o certificado Empresas acreditadas com o selo FSC são reconhecidas por realizar manejo florestal ecologicamente responsável Trata‑se de um selo internacionalmente valorizado para atestar o uso adequado de recursos naturais Selo Senaplas O selo Senaplas é concedido às empresas recicladoras, mas é de interesse de qualquer empresa que adquira insumos plásticos reciclados. A certificação é concedida pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) para os recicladores que comprovem a idoneidade de origem dos materiais vendidos Quem adquire produtos de uma recicladora certificada pelo Senaplas consegue atender ao critério da Política Nacional de Resíduos Sólidos na questão da responsabilidade compartilhada Recicladores certificados são a garantia de que o material adquirido pela fabricante é mesmo fruto de reciclagem Uma das formas de se obter as certificações de qualidade que se apliquem ao caso da empresa é buscando a entidade certificadora, pois ela indicará quais são os passos para isso. 128 Unidade IV É preciso quebrar paradigmas, uma vez que a empresa passa por um processo longo para conquistar a certificação e, em alguns casos, é preciso fazer uma verdadeira revolução na cultura organizacional, modificando processos. Apesar de serem muitas as dificuldades, as empresas que se submetem a esse processo, recebem bons frutos desse investimento. As certificações de qualidade provam a seriedade e o profissionalismo das empresas. Afinal, é motivo de orgulho que a indústria seja detentora de certificados reconhecidos para sua área de atuação. Outro ponto importante é a transparência, pois processos e responsabilidades sociais e ambientais fazem parte das exigências dos consumidores, dessa forma, buscar as certificações assegura a sua manutenção no mercado assim como a sua relevância. A seguir, vamos acompanhar um case de sucesso sobre certificação em uma indústria farmacêutica, a primeira a obter a certificação. Estudo de Caso Baxter: primeira indústria farmacêutica a obter a Certificação ISO 50001 De um total de nove empresas participantes, a Baxter Healthcare foi a primeira a realizar a implantação do Projeto de Gestão de Energia para Certificação ISO 50001. A Baxter, que já possuía um sistema interno de gestão de energia (SGEn), conseguiu alinhar os requisitos solicitados pela norma, aprimorando o trabalho que já existia na companhia. A certificação ISO 50001 foi conquistada em tempo recorde e o processo de implantação durou apenas quatro meses. Sistema de gestão e seus benefícios A Baxter Brasil é certificada na ISO 9001, 14001, 50001 (2017) e OHSAS 18001.Com o programa interno de energia, a Baxter Brasil conseguiu minimizar os seus impactos ambientais devido à redução no uso total de energia da planta. Essa abordagem considera não apenas a análise de impactos dos principais usuários de energia, mas o diagnóstico completo de uso de energia de produção. Considerando 2011 como linha de base, a Baxter Brasil melhorou seu desempenho energético e ambiental, com as seguintes ações: — 100% de fontes de energia provêm de fontes renováveis; — diminuição do consumo de água em 24% de receita indexada; — reciclagem de 82% dos resíduos gerados pelas operações; — redução de 31% das emissões de gases de efeito estufa com transporte de produtos. No processo de implementação do projeto, a equipe do SGEn local ficou responsável pelas seguintes iniciativas: 129 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO — plano de negócios; — indicadores; — desenvolvimento de pessoas; — comunicação; — plano de estratégia; — monitoramento regulatório; — aquisição de energia; — endereçamento de qualquer problema relacionado ao SGEn. As etapas para o Projeto de Implantação de Gestão de Energia para Certificação ISO 50001 foram estabelecidas e planejadas para implementar, garantir e suportar o sistema, subdivididas em: — declarar as intenções através da política energética; — definir os limites e escopo do SGEn; — identificar os usos significativos da energia e as variáveis relevantes; — identificar oportunidades de melhoria de desempenho energético; — definir objetivos e metas que suportem a política energética; — elaborar um plano de ação para atender objetivos e metas; — estruturar ferramentas para realizar monitoramento e medição; — realizar as análises críticas e identificar melhoria contínua para o sistema de gestão e desempenho energético. Adaptado de: Estudo... (2017). 130 Unidade IV Resumo Na unidade IV, mostramos a importância do foco na vida dos seres humanos, que estão sempre na busca incansável pelo sucesso. Analisamos como é a vida na era do conhecimento, que nos permite ter um volume muito grande de informações, que fluem em uma velocidade gigantesca, sem que haja um entendimento muito claro desse processo. Observamos questionamentos vindos da sociedade, visto que o excesso e o bombardeio cada vez mais crescente das informações, com tanta variedade e celeridade, estão desencadeando reações de estresse. Com isso, muitas vezes, há perda na eficácia no trabalho, resultante de um quadro de sobrecarga dessas informações, o que, na verdade, pode gerar desinformação. Na busca e no processamento dessas informações, torna‑se essencial a análise das reais necessidades e de como sua utilização vem se tornando um componente de extrema importância na psicologia cognitiva, na tomada de decisão, no sistema de informação e na difusão, na inovação e na aprendizagem organizacional. Vimos que a informação se configura como um aglomerado de dados essenciais, tanto para as organizações quanto para os seres humanos, a partir dos quais ocorre a tomada de decisão de forma eficaz. Em termos organizacionais, vimos que a informação é uma mensagem, em geral, em formato de documento ou de comunicação visível ou audível. Abordamos alguns modelos que têm como característica analisar o comportamento do usuário em três campos de experiência, o emocional, o cognitivo e o físico. Abordamos também o Sense‑Making Approach, um dos métodos que têm um número expressivo de adeptos pelo mundo. Por fim, abordamos o método Choo, que visa relacionar e identificar os principais elementos que podem influenciar o comportamento do indivíduo ao buscar e utilizar as informações. Mostramos a importância das certificações constantes da norma NP EN ISO 9000:2005, em que a qualidade é entendida como o “grau de satisfação de requisitos acerca de um conjunto com suas características intrínsecas” (ABNT, 2015). Mostramos como as organizações definem os recursos e atribuem as responsabilidades na área da qualidade com a implementação de um SGQ, visando alcançar eficácia. Os SGQs mostram claramente a maneira como as organizações demonstram as perspectivas em suas diferentes áreas 131 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO de trabalho, partindo‑se dos dados que foram recolhidos por meio das medições dos processos e produtos. Estudamos o Lean, sistema produtivo que tem como finalidade estabelecer um alinhamento entre a demanda e a capacidade nos dias de hoje e no futuro, a fim de proporcionar maiores resultados para o negócio, com os melhores retornos desses investimentos ao caixa. Falamos sobre o Seis Sigma, ferramenta muito importante no âmbito da qualidade, pois se refere a uma medida de variação utilizada em estatística. Já no universo empresarial, refere‑se à frequência com que ocorrem determinadas operações ou transações, com a utilização que excede os recursos mínimos necessários para satisfazer os consumidores. Finalizamos com as certificações de qualidade, consideradas um passo natural para as organizações que visam o aprimoramento constante dos seus processos. Dessa forma, certificar a empresa em inúmeros itens torna‑se muito interessante para comunicar quais são os padrões seguidos. Visualizamos um panorama dessa temática, indicando as principais certificações de qualidade para a indústria. Esperamos que tenha gostado e esperamos que esse conteúdo agregue na sua vida pessoal e profissional. Até a próxima! 132 Unidade IV Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. De acordo com Kuhlthau (2018, p. 14, tradução nossa), O information search process (ISP) é um modelo em seis estágios da experiência holística dos usuários no processo de busca por informação. O modelo ISP, baseado em duas décadas de pesquisa empírica, identifica três domínios da experiência: o afetivo (sentimentos), o cognitivo (pensamentos) e o físico (ações) comuns a cada estágio. Central para o ISP é a noção de que a incerteza, tanto afetiva quanto cognitiva, cresce e decresce no processo de busca por informação. A autora apresenta a possibilidade de estudar o usuário para além dos questionários de pesquisas quantitativas, anteriormente aplicados, visando conhecê‑lo em profundidade, identificando o seu comportamento em relação à informação, sob os domínios afetivo, cognitivo e físico. Os estágios identificados por Kuhlthau (2018), em seu modelo de comportamento de busca por informação, são iniciação, seleção, exploração, formulação, coleção e apresentação, que acompanharão o usuário desde o momento em que ele identifica uma lacuna em sua base de conhecimento, inicia um processo de busca por informação e usa a informação que atende a seus interesses. A autora acrescenta o fato de que ao longo do processo de uso e de busca da informação, surgem sentimentos variados, como incerteza, apreensão, confusão, confiança e otimismo. A preocupação de Kuhlthau com o processo de busca por informação, entretanto, não a limitou aos estudos de usuários e de comportamento informacional, sendo importante ressaltar a sua atuação no desenvolvimento teórico, conceitual e metodológico da competência em informação. A competência em informação compõe a gama de estudos da ciência da informação e tem sido estudada a fim de compreender o processo que possibilita o indivíduo compreender as suas necessidades de informação e saber buscá‑las, avaliá‑las e usá‑las para suprir tais necessidades informacionais. Fonte: SILVA, C. R. S. et al. Contribuições do modelo de Carol Kuhlthau para a pesquisa sobre comportamento informacional e competência em informação no Brasil. Encontros Bibli: Revista eletrônica de Biblioteconomiae Ciência da informação, Florianópolis, v. 25, p. 1‑14, 2020. Disponível em: https://bit.ly/3PlLBv6. Acesso em: 14 jun. 2022. Em relação ao modelo information search process (ISP), avalie as asserções e a relação proposta entre elas. 133 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTASE CERTIFICAÇÃO I – O modelo information search process (ISP) de busca de informação, originalmente desenvolvido por Kuhlthau, analisa o comportamento do usuário em três campos de experiência: o emocional, o cognitivo e o físico. porque II – Os cinco estágios do modelo ISP são: iniciação, seleção, exploração, formulação e apresentação. Agora, assinale a alternativa correta. A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a asserção I. B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a asserção I. C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa. D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira. E) As asserções I e II são falsas. Resposta correta: alternativa C. Análise das asserções I – Asserção verdadeira. Justificativa: no início da década de 1990, a bibliotecária e pesquisadora norte‑americana Carol Collier Kuhlthau criou o método de busca de informação denominado information search process (ISP). Segundo o texto, “o modelo ISP, baseado em duas décadas de pesquisa empírica, identifica três domínios da experiência: o afetivo (sentimentos), o cognitivo (pensamentos) e o físico (ações).” II – Asserção falsa. Justificativa: segundo o texto, “os estágios identificados por Kuhlthau (2018) em seu modelo de comportamento de busca por informação são iniciação, seleção, exploração, formulação, coleção e apresentação, que acompanharão o usuário desde o momento em que ele identifica uma lacuna em sua base de conhecimento, inicia um processo de busca por informação e usa a informação encontrada que atende a seus interesses”. 134 Unidade IV Questão 2. Leia o texto a seguir. O que é Seis Sigma? O Seis Sigma visa obter o menor nível de variabilidade possível por meio de uma série de ferramentas e princípios. Tudo isso, sempre com base em metas bem estabelecidas para gerar melhorias nos processos de uma empresa. Com esse modelo, analisa‑se o número de defeitos que não agregam ao processo, ao produto ou aos serviços. Assim, o resultado idealizado é atingir uma taxa de, no máximo, 3,4 erros em um milhão de amostras. A origem da filosofia Seis Sigma aconteceu na Motorola no início da década de 1980. Com o objetivo de enfrentar os seus concorrentes, a Motorola precisava fabricar produtos com maior qualidade e preços menores. Em 10 anos, a Motorola teve ganhos financeiros de 2,2 bilhões de dólares. Para isso, o foco direcionou‑se para a real satisfação do cliente. Sendo assim, por meio da redução de defeitos e do aumento de conformidade de processos e resultados, a empresa atingiu seus objetivos. Nesse sentido, o Seis Sigma utiliza inúmeros conceitos matemáticos aplicados ao dia a dia para criar seus princípios e ferramentas. Essa estratégia de gerenciamento e planejamento visa obter resultados de alta performance e ganhos financeiros. Dessa forma, busca diminuir os custos e aumentar a qualidade total, a médio prazo e a longo prazo. O que é sigma? Por convenção, a letra grega sigma representa variabilidade, ou seja, o desvio‑padrão no mundo da matemática e da estatística. Dessa forma, quando falamos de business, há uma adaptação desse nome estatístico, que serve para obter a taxa de desperdício ou o desvio de operação. Assim, os engenheiros utilizam esse método para medir o coeficiente de desempenho dos processos. Portanto, analisa‑se a eficiência dos processamentos por meio de sigmas divididos em faixas de defeitos por milhão. Então, o Seis Sigma é a faixa de análise que garante uma taxa confiável acima de 99,9966%. Tabela 3 Nível de qualidade Defeitos por milhão % de Conformidade 1 Sigma 691.463 30,85% 1,5 Sigma 500.000 50% 2 Sigma 308.537 69,15% 3 Sigma 66.807 93,32% 4 Sigma 6.210 99,38% 5 Sigma 233 99,97% 6 Sigma 3,4 99,9966% 135 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Onde utilizar a metodologia Seis Sigma? Por mais que seu uso inicial venha do setor industrial de larga escala, a metodologia Seis Sigma possui uma ampla área de atuação. Com isso, podemos fazer uma análise voltada para a produção de produtos, a execução de serviços ou até mesmo para a gestão e o planejamento corporativo. Além disso, as ferramentas do Seis Sigma podem aparecer tanto em ramos diferentes quanto em setores distintos de uma mesma empresa. Isso é muito comum quando se trabalha com o CEP (controle estatístico de processo). Dessa forma, as famosas cartas CEP podem ser adaptadas visando à gestão de qualidade da empresa. Com os objetivos e metas bem estabelecidos, com base na otimização de processos e redução de custos, a metodologia Seis Sigma tem uma adaptação muito grande em diversos ramos. Para isso, é importante entender os principais problemas de um determinado setor ou segmento e, a partir disso, buscar resolvê‑los. Adaptado de: SEIS sigma: o que é e como aplicar. EPR Consultoria, 5 maio 2021. Disponível em: https://bit.ly/3K1ZP32. Acesso em: 22 maio 2022 Com base na leitura, avalie as afirmativas. I – Com a aplicação do método Seis Sigma, pretende‑se atingir confiabilidade de 99,9966%, que corresponde à taxa máxima de seis erros em um milhão de amostras. II – Com o uso de métodos matemáticos e por meio da diminuição da frequência de defeitos e da elevação do nível de conformidade de processos, o Seis Sigma visa reduzir custos e aumentar a qualidade total. III – Em virtude de suas bases repousarem na matemática e na estatística, o Seis Sigma tem sua aplicação limitada ao setor industrial, que produz em larga escala. É correto o que se afirma em: A) I, apenas. B) II, apenas. C) III, apenas. D) I e II, apenas. E) I, II e III. Resposta correta: alternativa B. 136 Unidade IV Análise das afirmativas I – Afirmativa incorreta. Justificativa: segundo o texto, “o Seis Sigma é a faixa de análise que garante uma taxa confiável acima de 99,9966%”. Conforme pode ser visto na tabela do texto, esse percentual de confiabilidade corresponde a, no máximo, 3,4 erros por um milhão. Além disso, é dito que “o resultado idealizado é atingir uma taxa de, no máximo, 3,4 erros em um milhão de amostras”. II – Afirmativa correta. Justificativa: no texto, é dado o exemplo da Motorola, que “por meio da redução de defeitos e do aumento de conformidade de processos e resultados, a empresa atingiu seus objetivos”. É dito que, “em 10 anos, a Motorola teve ganhos financeiros de 2,2 bilhões de dólares” e “para isso, o foco direcionou‑se para a real satisfação do cliente”. O Seis Sigma “busca diminuir os custos e aumentar a qualidade total”, em médio prazo e longo prazo. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: segundo o texto, “por mais que seu uso inicial venha do setor industrial de larga escala, a metodologia Seis Sigma possui uma ampla área de atuação”. Assim, “podemos fazer uma análise voltada para a produção de produtos, a execução de serviços ou até mesmo para a gestão e o planejamento corporativo”. 137 REFERÊNCIAS Textuais ABNT. NBR ISO 9000. Provê os conceitos fundamentais, princípios e vocabulário para sistemas de gestão da qualidade (SGQ) e provê os fundamentos para outras normas de SGQ. Rio de Janeiro: ABNT, 2015. ANDRADE, F. Consultoria empresarial: comentários sobre a fase de levantamento de dados. Administradores.com, 29 jun. 2010. Disponível em: https://bit.ly/3NVGVuU. 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No entanto, no mês de maio de 2006, um dos funcionários apresentou uma lesão causada por esforço repetitivo e precisou se afastar por trinta dias de licença médica, acarretando um transtorno no departamento, visto que a supervisão não tinha observado que este funcionário fazia duas vezes mais lançamentos que os outros dois funcionários, fato esse observado após solicitação da gerência por um levantamento de dados referente a uma determinada atividade executada por cada indivíduo no período de um ano. Isso levou o departamento a uma crise, com reclamações dos associados pelo atraso na execução dos serviços, o que poderia causar sérios problemas à entidade e aos associados. Durante esse período de afastamento, outro funcionário mudou seu padrão de comportamento, passando a agredir colegas e a maltratar os associados e pessoas que vinham em busca de informações. Apesar da contratação temporária de mais dois funcionários, o mesmo não melhorou seu comportamento e o fato final foi o desrespeito que teve com a sua supervisão quando esta solicitou que fizesse um determinado serviço e, na presença dos demais funcionários, disse que não o faria. Apesar da crise no departamento, a gerente determinou a sua demissão. Remanejou-se uma funcionária que conhecia o serviço do departamento e em três dias o trabalho foi regularizado. Por fim, tornou-se procedimento da supervisão acompanhar o desempenho individual de cada um dos membros das equipes de trabalho, administrando possíveis conflitos internos e garantindo os resultados pela organização. Entretanto, não se pode deixar de elaborar uma análise do caso do ponto de vista do comportamento e estrutura organizacional: 15 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • Houve falha na alteração da estrutura organizacional para o autogerenciamento, com ausência de observação da cultura organizacional antes de implementar a mudança. • Foram relatadas ausência e omissão da supervisão, que não observou o que ocorria no departamento e o desempenho de cada funcionário. • Faltou integração dessa supervisão ao grupo, pois deveria estar preparada para contornar situações de conflito previsíveis como esta. • Houve falha na observação do profissional que não trabalha bem sob pressão ou com conflitos, característica do trabalho que exige agilidade. • O funcionário que estava sobrecarregado deveria ter avisado a supervisão do ocorrido. • Percebeu-se dificuldade na relação entre líder e subordinado, que, talvez em função da autogestão, pode ter dado impressão de poder a todos e assim houve desrespeito à supervisão. • O remanejamento de funcionário de outro departamento que já conhecia o serviço deveria ter sido o primeiro recurso, antes da contratação de funcionários temporários, pois este tipo de contratação envolve treinamento, o que não aliviou a tensão do departamento, pois o funcionário em questão precisou ensinar o temporário e consequentemente as outras pessoas que se dirigiam ao mesmo. • O fato de ser contratado um funcionário de fora da empresa e que não conhecia a rotina, pode ter permitido que aumentasse ainda mais a necessidade de poder do funcionário e suas atitudes agressivas. • O processo de demissão do mesmo deveria ter sido o último recurso, pois pelo tempo de casa, talvez pudesse desempenhar melhor em outro departamento. Deveria observar seu histórico, mas como houve desmoralização da supervisão frente a todos os outros funcionários, foi o recurso necessário para que a situação fosse normalizada. • O desenrolar da situação de crise demonstra com clareza que mudanças intempestivas e sem acompanhamento eficiente é uma via fácil para a ocorrência de disfunções organizacionais. Fonte: Valera (2018). É nítido que a empresa teve falhas na comunicação, além de omissão dos dirigentes e da ausência da supervisão no que tange aos inúmeros problemas desse departamento em questão. Outro problema grave foi a inobservância da cultura da empresa ao fazer mudanças drásticas na estrutura organizacional. A meu ver, essa empresa precisa, não apenas observar a comunicação interna, mas melhorar a relação entre o líder e os seus subordinados e aprender a fazer diagnósticos dos problemas, visando fortalecer suas relações. 16 Unidade I 1.4 Etapas das disfunções organizacionais Podemos dizer que nas organizações há serviços em diversas etapas. Dessa forma, fica mais fácil entendermos como podemos identificar operações, fluxos e procedimentos em cada modelo organizacional, não importando se voltado a produtos ou a serviços, ou se há a intersecção de ambos (produto mais serviço agregado). Se toda essa estrutura funcionasse perfeitamente, não haveria necessidade de a empresa contratar nenhuma consultoria de qualquer gênero, pois a organização estaria rodando de forma síncrona, não existindo nenhuma disfunção organizacional. Lembrete Vários produtos têm serviços agregados, o que valoriza ainda mais o produto entregue, e esse fato ocorre em todos os setores econômicos. O papel da consultoria é procurar identificar as disfunções nas organizações, para que se possa implementar ações de prováveis melhorias para se minimizar, ou até mesmo eliminar, tais disfunções, que podem ser identificadas com os seguintes serviços: • diagnóstico para avaliação da organização; • orientações sobre as disfunções para a organização decidir se vai ou não atuar nos aspectos sugeridos; • apoio de especialistas em gaps encontrados em atividades; • desenvolvimento de políticas organizacionais e estratégicas; • implantação de novas metodologias; • certificações gerais ou específicas para a organização. Segundo Foguel e Souza (1995), nas consultorias, elaboram-se os aspectos mais relevantes para as organizações e, com isso, há uma relação direta com os colaboradores, que precisam estar engajados para que tudo possa ocorrer a contento para obter êxito no serviço prestado. A consultoria tem um rol de atividades essenciais que são: • diagnosticar; • auxiliar; • organizar; • aconselhar; • solucionar; • inovar. 17 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO 2 COMPETÊNCIAS DO CONSULTOR ORGANIZACIONAL De acordo com Nunes (2008), o conceito de competência começou a ser utilizado na Idade Média para definir, nos tribunais, as pessoas que tinham conhecimento para julgar ou apreciar uma ação e, no decorrer do tempo, passou a ser utilizado para qualificar as pessoas que tivessem condições de realizar determinados trabalhos. Passando para o mundo corporativo, o termo foi associado às habilidades técnicas, como, por exemplo, saber fazer algo bem. O fato é que a competência passou a ser não apenas saber fazer, mas saber por que fazer. Em outras palavras, “ter vontade de fazer e, principalmente, fazer” (NUNES, 2008). Ainda segundo Nunes (2008), a competência é separada em três dimensões: conhecimento; habilidade e atitude (CHA). Ela ainda se divide entre organizacional e pessoal. • Organizacional: refere-se ao que a organização possui, de fato. • Pessoal: relaciona-se à habilidade do profissional agregada ao nível de atitude e prontidão. O profissional de consultoria competente deve estar atualizado no mercado e nas atividades que irá exercer, bemcomo ter conhecimento das normas com as quais irá atuar. Por exemplo, ao atuar em um processo de consultoria para uma empresa que gostaria de se certificar na ISO 9001, o consultor deveria ter o curso mínimo da atualização ISO 9001: 2015. As metodologias modernas utilizadas pelos especialistas de recursos humanos, desde a tradicional CHA – conhecimento, habilidades e atitudes –, que gera os perfis profissionais necessários para cada uma das atividades cotidianas nas organizações, também se aplicam às competências de um consultor profissional, que irá atuar diretamente no processo e na condução dos colaboradores da organização. As competências mais comuns de um consultor são: • comunicação; • resiliência; • organização; • análise; • ética; • integração; • empatia. Segundo Chiavenato (1991), o capital humano é a peça fundamental para o sucesso de qualquer organização, ainda mais no papel de consultor. As atribuições e as expectativas geradas em torno desse profissional são enormes, com isso, sua dedicação para as atividades que lhe foram demandadas é 18 Unidade I de extrema importância. Assim sendo, seu resultado deve ser único tanto no processo desenvolvido quanto na formação dos seus sucessores que, ao término da consultoria, darão continuidade ao processo, melhorando todas as etapas para as quais foram destinados, alterando-as, implantando-as ou ajustando-as para impulsionar o desempenho organizacional. Segundo Crocco e Guttmann (2005), na consultoria empresarial, o consultor deve ter como competência o foco na relação consultor-cliente, mantendo sempre a ética como carro-chefe de suas ações na organização, com isso, o relacionamento profissional se sobressai e a consultoria terá maior chance de ser eficaz, e não apenas eficiente. Em um passado não muito remoto, tínhamos consultores com perfis autocratas, ásperos, intransigentes e muitas vezes até arrogantes, já que se colocavam em um patamar de superioridade perante a todos os colaboradores da organização, e muitas vezes até a alguns gestores, que deveriam ser aliados dessa consultoria. Desse modo, no decorrer das atividades, consultor e gestor se tornavam adversários profissionais, e muitas vezes o consultor era diretamente boicotado devido a sua forma de agir, o que atravancava o alcance dos resultados. Um case que demonstra um cenário próximo é o da Polaroid. A empresa de máquinas fotográficas de revelação instantânea, detentora da patente, internamente não aceitava nenhuma relação de consultoria, pois entendia que tinha pessoas competentes e não precisava olhar para o futuro, uma vez que “eles eram o futuro”. Vimos que não eram, pois as máquinas digitais chegaram e a Polaroid até tentou sobreviver, mas já era tarde, pois havia se chocado com a famosa miopia de mercado. Lembrete A miopia organizacional ocorre quando se acredita que existe domínio sobre tudo que acontece na organização, descartando, dessa forma, a necessidade de se contratar um consultor. Case Polaroid Não faltavam à Polaroid ideias, recursos ou oportunidades para emplacar no ramo de fotografia digital. Sendo por décadas a líder mundial em fotografia instantânea, a empresa tinha uma grande marca, engenheiros e cientistas brilhantes, além de uma vasta rede global de marketing e distribuição. A ascensão da fotografia digital não pegou de surpresa a Polaroid, que foi uma das primeiras empresas a investir na área, no início dos anos 1980. Tampouco perdeu para novatas mais ágeis. Quem bateu a Polaroid foram rivais antigas e estabelecidas, como Kodak e Sony. Qual foi o erro? Embora praticamente monopolizasse a fotografia instantânea, a Polaroid percebeu logo de cara que o mercado de fotografia digital seria diferente. Haveria intensa competição, por parte não só de empresas tradicionais do setor fotográfico, como também de grandes fabricantes de aparelhos eletrônicos e de computadores. Contudo, ela não percebeu até que ponto seus engenheiros estavam acostumados a um longo ciclo de desenvolvimento 19 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO de produtos e a períodos de 20 anos de proteção para patentes. Além disso, os processos de produção na Polaroid eram verticalmente integrados; a empresa fazia quase tudo sozinha. Só que sua capacidade de produção não seria de grande serventia ao mercado digital, no qual a Lei de Moore regia os custos e a capacidade de um novo componente vital: o microprocessador. Além disso, o forte da Polaroid era a ótica, a captação de imagens e a tecnologia do negativo – não o processamento de sinais eletrônicos digitais, o software e o armazenamento de imagens. Diante disso, a empresa teve de investir pesado para se estabelecer no mercado da imagem digital. Ainda assim, a Polaroid decidiu entrar no espaço digital como integradora. Usou os frutos da pesquisa realizada internamente para fabricar produtos inéditos, de alta qualidade, como sempre fizera. Só que os primeiros itens digitais da Polaroid eram caros e não pegaram. O sistema de geração de imagens digitais a laser Hélios, por exemplo, visava substituir a impressão convencional por raio X. Consumiu milhões de dólares em investimento, mas nunca emplacou. Lançado em 1993, o negócio foi vendido em 1996, ano em que a Polaroid lançou sua primeira câmera digital, a PDC-2000. Tecnicamente sofisticada e voltada, sobretudo, para fotógrafos profissionais, a PDC-2000 fora projetada ainda como uma plataforma para entrada no mercado de consumo. Contudo, custava no varejo entre US$ 2.995 e US$ 4.995, enquanto o preço de outras câmeras digitais à venda era inferior a US$ 1 mil. A Polaroid só entrou de fato no mercado de consumo em fins de 1997, cinco anos após o lançamento dos produtos das adversárias. A Polaroid poderia ter utilizado suas vantagens de outra forma. Poderia ter concentrado a pesquisa e as verbas em tecnologias digitais cruciais, terceirizado a produção das câmeras digitais e licenciado a terceiros seus softwares de processamento de imagens. Com isso, teria sido possível lançar câmeras digitais de alta qualidade a preços baixos. Como a marca ainda era forte e a empresa tinha boas relações com varejistas, clientes comerciais e consumidores, a Polaroid poderia ter ganhado uma forte posição no mercado, e sem investir tanto. Mas não. A abordagem escolhida retardou a chegada de suas câmeras digitais ao mercado e tornou seu preço proibitivo. Quando finalmente percebeu o erro, era tarde demais. Em 1998, a Polaroid descontinuava o PDC-2000 e virara uma orquestradora. Pela primeira vez em sua história, terceirizava a produção: mandou fabricar as câmeras digitais em Taiwan, adicionou um punhado de recursos e vendeu o resultado com sua marca. A Polaroid foi a primeira a vender câmeras digitais na Wal-Mart e sua fatia de mercado nos EUA saltou de 0,1% em 1999 para 10,4% em 2000. Contudo, era incapaz de cobrar caro por uma marca então ultrapassada por várias outras. Acuada pela queda na venda de filmes instantâneos, pela incapacidade de gerar lucros satisfatórios na divisão digital e pela demanda crescente de investimentos em tecnologia, a empresa viu seu tempo se esgotar. A opção pela abordagem errada em relação à inovação foi um erro fatal para a Polaroid, que, em outubro de 2001, entrou com pedido de concordata. Adaptado de: Ragazi (2021). 20 Unidade I Exemplo de aplicação A partir do caso apresentado, deixaremos aqui, caro discente, algumas questões para sua reflexão: 1) Você consegue identificar os gaps dos profissionais da Polaroid? 2) Você consegue identificar as competências dos profissionais que estão destacadas? 3) Em quais momentos um consultor ou uma consultoria poderia ter ajudado a evitar a concordata? 4) Você, como consultor, teria agido em que momento para não perder a liderança? 2.1 Desenvolvimento organizacional: responsabilidade da consultoria? A escola de administração científica levantou uma preocupação com relação aos elementos estruturais e estáticosde uma organização. Foi a partir daí que surgiram os primeiros estudos organizacionais e algumas dúvidas: • O que seria uma correta divisão de trabalho? • As responsabilidades deveriam ser impostas a quem? • O departamento de produção deveria se reportar diretamente ao presidente ou a uma estrutura organizacional relacionada ao produto, que envolva outras funções? • Qual seria a maneira correta de se estruturar esse controle? • Quantas pessoas devem existir nessa estrutura? • Quem deveria ser responsabilizado por essa estrutura? Qual a hierarquia a ser seguida? As organizações enquadram-se em sistemas abertos, existentes em ambientes instáveis, mas que, para sobreviver como uma organização, precisam conservar estabilidade, devido às pressões desintegradoras geradas em tal ambiente. Dessa forma, as sociedades desenvolveram uma estrutura social, com leis, tradições e cultura, como uma forma de se estabilizar. Nesse sentido, é correto afirmar que as organizações desenvolvem e necessitam conservar sua estrutura e cultura (SCHEIN, 1969 apud OLIVEIRA; THIELMANN, 2005). A partir dessa teoria comportamental, cientistas sociais e consultores de empresas produziram uma abordagem mais dinâmica, democrática e participativa do desenvolvimento planejado dessas organizações, que recebeu o nome de desenvolvimento organizacional (DO). O desenvolvimento organizacional surge, então, como pensamento administrativo em um momento de grandes mudanças no ambiente organizacional. Tais mudanças não seriam explicadas pelos pensamentos administrativos 21 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO existentes até aquele momento. Exigia-se um novo modelo de gestão para explicar e para auxiliar o desenvolvimento das organizações, assim, a partir daí, o desenvolvimento organizacional surgiu como um tipo de programa planejado, envolvendo a organização de forma global (SCHEIN, 1969 apud OLIVEIRA; THIELMANN, 2005). Esse modelo de desenvolvimento organizacional baseia-se em quatro variáveis básicas (ambiente, organização, grupo e indivíduo), que funcionam de forma interdependente. 2.2 O consultor como um agente de mudanças Quando usamos a palavra mudança, nos referimos à transição de uma situação para outra diferente ou, ainda, a uma passagem de um estado para outro. Dessa forma, podemos compreender mudança como ruptura, perturbação, interrupção ou transformação (CHIAVENATTO, 2014). Esse modelo de mudança organizacional envolve algumas etapas distintas e surge de forças de diferentes partes da organização, que podem ser: • Forças exógenas: forças externas que surgem do ambiente, como mudanças de valores na sociedade, novas tecnologias, outras oportunidades ou mesmo limitações do ambiente. • Forças endógenas: forças internas que surgem das necessidades de mudança estrutural e comportamental, devido à tensão organizacional nas atividades e nas interações. Forças ambientais Competição, clientes, fornecedores, governo, concorrentes Missão, objetivos, planos, projetos, disfunções Necessidades de mudanças Diagnóstico de mudanças Implementação de mudança Forças internas Figura 2 – Atuação das forças ambientais e das forças internas Fonte: Chiavenato (2004, p. 377). Quando há uma forte influência dos valores e das crenças no comportamento, ocorre, em contrapartida, um reforço e uma confirmação desses mesmos valores. Dessa forma, a melhor maneira de se promover a mudança cultural é atuando sobre o comportamento organizacional, pois a motivação deve ser baseada em causas intrínsecas (FREITAS, 1991). 22 Unidade I Observação Para que ocorram mudanças comportamentais, é preciso que haja uma mudança nas justificativas do comportamento dos indivíduos. Se apenas os motivos externos forem trabalhados, como, por exemplo, o sistema formal e os incentivos, os indivíduos não conseguirão se desapegar dos padrões de crenças e de seus valores anteriores, dessa forma, faz-se necessário trabalhar os motivadores externos. De acordo com Sathe (1985 apud FREITAS, 1991), os indivíduos que resistem aos processos de mudança precisam ser removidos mediante demissão ou transferência para uma filial. Isso é necessário porque a saída consiste em um grande instrumento na mudança cultural, já que as demissões ou transferências limpam a companhia, fazendo com que as pessoas que ficarem tenham menos racionalizações, que podem atrapalhar e dificultar as mudanças. Deal (1982 apud FREITAS, 1991) afirma, ainda, que algumas normas podem prejudicar esse processo de mudança, funcionando como barreiras. Assim, elas podem ser identificadas e modificadas. Geralmente, normas prejudiciais são: • achar um culpado para os problemas; • soluções simplistas como forma de resolver mais rápido os problemas; • promessas que não podem ser cumpridas; • soluções baseadas em relacionamentos de perde-ganha. Saiba mais Em meio à globalização e à competitividade, empresas precisam inovar e implementar mudanças organizacionais bem-sucedidas. Para tal, é importante se atualizarem sobre o que acontece no ambiente organizacional e entender o porquê da resistência às mudanças, assim como quais ferramentas os gestores deverão utilizar para administrá-las. Quer saber mais? Leia o artigo na íntegra: SOUZA, P. T. S.; TEIXEIRA, M. C. Resistência à mudança como fator restritivo ao desenvolvimento organizacional – Estudo de caso em um laboratório de análises clínicas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, ano 1, v. 8, p. 107-143, set. 2016. Disponível em: https://bit.ly/3zKcmTS. Acesso em: 6 jun. 2022. 23 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Observação As mudanças, principalmente no que tange aos aspectos culturais, podem provocar sensações ou até mesmo sentimentos de perda e de dor, o que poderá gerar um certo desconforto psicológico, fazendo com que as pessoas reajam negativamente, agarrando-se ao passado ou ao presente para negar a perda. Algumas empresas organizam rituais com o intuito de ajudar as pessoas a se acostumarem com as perdas ocasionadas pelas mudanças, modificando seus significados ao transformar antigos em novos, visando estimular o comprometimento dos indivíduos com a organização, dentro do ambiente organizacional de mudanças. Nesse sentido, um líder deve: • ser criativo; • inovar as funções; • desenvolver novas e diversas maneiras de executar as tarefas; • distribuir funções para tornar a organização mais eficiente, para que assim se consiga adaptação com maior facilidade. Comprometer-se com a mudança cultural significa aceitar a nova forma de se ter controle sobre sua conduta (DEAL, 1982 apud FREITAS, 1991). Leia a seguir as observações de uma executiva de recursos humanos, após passar por um projeto de change management em uma multinacional líder de seu segmento, que contava com uma equipe formada por profissionais de diferentes países. As três etapas da mudança O fator humano, no contexto das mudanças e transformações, envolve três agentes principais. Em primeiro lugar, os clientes, que mudam seus hábitos e preferências e se sentem atraídos por atributos e benefícios ofertados pelas marcas e seus produtos – consumidores já existem, demonstram expectativas e estão ávidos por novas experiências. Na sequência vem o empreendedor, conectado não apenas ao seu segmento e mercado, mas às mudanças de hábito e de consumo, local, regional e global. Buscar mudanças focando a eficiência parece não ser mais suficiente para o change management contemporâneo. Decisões de empreendedores, neste tema, estão voltadas para a revisão do modelo de negócio, do core business, do portfólio e da marca. 24 Unidade I Já os colaboradores, que são funcionários e/ou parceiros do negócio, são consumidores e facilitadores deste processo. Parecem já saber, de antemão, o que está por vir. Estão dentro e ao lado da empresa. Podem ser também os maiores opositores do movimento de change management, quando não ocompreendem ou quando há a percepção de não serem considerados no processo. Para integrar os interesses e as necessidades desses públicos, em prol da mudança, destaco três etapas principais: 1ª etapa: construção de uma visão de mudança que possa ser alinhada entre as lideranças e compartilhada com todos os envolvidos (inclusive clientes). 2ª etapa: mobilização dos agentes de transformação, com iniciativas que envolvam a equipe interna, os parceiros e também os clientes, que precisarão movimentar suas expectativas e esforços na direção da mudança. 3ª etapa: reconhecimento dos resultados. Mensurar os resultados de cada conquista na direção da mudança e comunicar de maneira transparente aos envolvidos, para que recebam orientação e reconhecimento por seus esforços, tendo compreendido e se engajado nas etapas anteriores. Quais são os aspectos humanos Esse ciclo precisa ser constantemente revisitado pela liderança. As três etapas podem girar na velocidade necessária à mudança de cada organização, de maneira mais acelerada e até lenta, desde que se levem em consideração os seus aspectos humanos. Mas, quais são eles? Referem-se ao quanto as pessoas compreenderam e criaram vínculo racional e emocional com a mudança (engajamento, afetividade), ao quanto o conhecimento e as habilidades das pessoas estão sendo utilizadas para produzir mudanças (esforço, capacidade) e o quanto as pessoas são reconhecidas por seus esforços (reconhecimento, resultado). O projeto de change management citado no início levou em consideração: o perfil conservador do segmento, a diversidade cultural dos envolvidos e a necessidade de comunicar e mobilizar a comunidade altamente vinculada ao negócio e a sua economia. E o mais importante: a coragem para compartilhar seus dilemas e envolver pessoas na construção e na execução das mudanças. Poderíamos adicionar aos métodos utilizados nos cases a palavra comportamento, que melhor representaria o fator humano das transformações. Fonte: Wessling (2019). 25 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Resumo Por meio dos conteúdos estudados na unidade I, pudemos observar que consultoria é considerada uma atividade complexa e pouco valorizada por diversos executivos. No entanto, isso se configura no que chamamos de miopia organizacional. Vimos, também, a diferenciação entre produto e serviço. Adentramos na temática das organizações e da sua prestação de serviços, assim como nos diversos aspectos relativos à venda de seus produtos. Vimos como podemos identificar as operações, os fluxos e os procedimentos em cada modelo organizacional, não importando se for produzido um produto, se for prestado um serviço ou se tivermos a intersecção de ambos (produto mais serviço agregado). Checamos a origem da palavra competência e suas modificações ao longo do tempo. Vimos que, no meio corporativo, o termo foi associado às habilidades técnicas, como, por exemplo, “saber fazer algo bem” e que passou a ser compreendida como “saber por que fazer”. Em outras palavras, “ter vontade de fazer, e, principalmente, fazer”. Avaliamos, também, outros itens muito importantes para o desenvolvimento da disciplina, como o capital humano, que é considerado peça fundamental para o sucesso de qualquer organização, principalmente se o aliarmos ao papel do consultor. As expectativas geradas em torno desse profissional são enormes, já que sua dedicação às atividades que lhe foram atribuídas são de grande valia, pois, ao buscar resultados, o consultor é o único indicado para a atividade desenvolvida no processo e, além disso, fica envolvido com a formação dos seus sucessores, que darão continuidade às atividades ao término da consultoria. Dessa forma, é correto afirmar que, na consultoria empresarial, o consultor deve ter como competência o foco na relação consultor-cliente, agindo sempre com ética. Com isso, o relacionamento profissional sobressai e a consultoria terá maior chance de ser eficaz, e não apenas eficiente. Fizemos uma análise do consultor como um agente de mudanças e discutimos a respeito do desenvolvimento organizacional. Por fim, estudamos como algumas empresas organizam rituais, com o intuito de ajudar as pessoas a se acostumarem com perdas, procedendo a ressignificação do antigo para o novo. Com isso, visa-se estimular o comprometimento dos indivíduos com a organização dentro do ambiente organizacional de mudanças. Nesse contexto, vimos que um líder deve ser criativo, inovar as funções, desenvolver novas e diversas maneiras de executar as tarefas e distribuir funções para tornar a organização mais eficiente e facilmente adaptável às mudanças. 26 Unidade I Exercícios Questão 1. Leia o texto a seguir. Diferença entre produto e serviço Você sabe a diferença entre produto e serviço? Para muitas empresas, essa dúvida pode parecer trivial, mas há motivos para se confundir. Entre clientes, essa distinção pode nem parecer tão importante, mas para uma empresa, existe uma grande diferença. No livro Práticas da administração de empresas, Peter Drucker desenvolve aquele que deveria ser o comportamento de todas as empresas. Por exemplo, muitas empresas fazem a seguinte pergunta para definir o modelo de negócio: “qual é o nosso produto?”. Contudo, essa pergunta está errada. A maneira correta de questionar é: “o que as pessoas estão comprando da nossa empresa?”. O que é produto Produto é tudo aquilo capaz de satisfazer a um desejo ou a uma necessidade. O mais importante de um produto é o serviço que ele presta. Isso significa que não é somente o que o negócio diz dele, mas, também, o que está implicado por sua concepção, sua embalagem, sua distribuição, seu preço, sua qualidade e sua garantia. Um produto é a síntese do que o vendedor pretende e do que o consumidor percebe, como roupas, carros, alimentos etc. O que é serviço Pode-se dizer que um serviço é tudo aquilo que vai além de um bem material. Por esse motivo, os serviços são, na maioria das vezes, subjetivos. O serviço é realizado quando uma ou mais atividades atendem a demandas sem envolver mercadorias, como transporte, educação, refeições, serviços de telefonia etc. Fonte: PRADO, D. Drucker’s Daily – 0038 – Diferença entre produto e serviço. Academia Brasileira de Marketing – Abramac, 22 jul. 2021. Disponível em: https://bit.ly/3Ak7V3O. Acesso em: 3 jun. 2021. Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as asserções e a relação proposta entre elas. I – O produto é uma mercadoria colocada em determinado mercado com o objetivo de satisfazer a um desejo ou a uma necessidade do consumidor, que se limita à sua própria condição física e exclui a percepção experimentada por quem o adquire. porque II – O serviço não decorre da posse de uma mercadoria comprada pelo consumidor, ele envolve atividades que são produzidas ao mesmo tempo em que são consumidas. 27 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Assinale a alternativa correta. A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a asserção I. B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a asserção I. C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa. D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira. E) As asserções I e II são falsas. Resposta correta: alternativa D. Análise das asserções I – Asserção falsa. Justificativa: segundo o texto, “produto é tudo aquilo capaz de satisfazer a um desejo ou a uma necessidade”. No entanto, o produto não se limita à sua própria condição física, nem exclui a percepção experimentada por quem o adquire: “o mais importante de um produto é o serviço que ele presta” e “um produto é a síntese do que o vendedor pretende e do que o consumidor percebe”. II – Asserção verdadeira. Justificativa: segundo o texto, “um serviço é tudo aquilo que vai além de um bem material”. Além disso, “o serviço é realizado quando uma ou mais atividades atendem a demandas sem envolvermercadorias”. Questão 2. No livro-texto, vimos que o processo de mudança organizacional começa com o surgimento das forças exógenas e/ou endógenas. Em relação a esse tema, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I – As forças exógenas correspondem às forças externas, que provêm do ambiente, como, por exemplo, o uso de novas tecnologias e as mudanças nos valores da sociedade. porque II – As forças endógenas dizem respeito às forças internas e que geram necessidades de mudanças em termos comportamentais e estruturais, oriundas da tensão organizacional nas atividades e nas interações. 28 Unidade I Assinale a alternativa correta. A) As asserções I e II são falsas. B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a asserção I. C) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a asserção I. D) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa. E) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira. Resposta correta: alternativa C. Análise da questão A asserção I refere-se corretamente ao conceito de forças externas ou exógenas. A asserção II refere-se corretamente ao conceito de forças internas ou endógenas. No entanto, não observamos qualquer relação de causa e efeito entre as asserções. Logo, embora as asserções I e II sejam proposições verdadeiras, a asserção II não é uma justificativa da asserção I. 29 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Unidade II 3 DIAGNÓSTICO DE CONSULTORIA 3.1 Aplicabilidade da consultoria Os serviços de consultoria sempre são realizados a partir de uma constatação feita pela própria empresa, quando uma de suas áreas apresenta disfunções ou quando há sinais de mudanças necessárias. Ressalva‑se que é comum a decisão por uma consultoria pelo fato de a empresa não ter a capacidade de resolver tais problemas devido à falta de conhecimento especializado. Assim, imaginando que uma organização constate a necessidade do serviço de um consultor, seu problema é devidamente apresentado para a empresa de consultoria, ocorre uma negociação e o negócio é fechado, incorrendo, dessa forma, na contratação dos serviços de consultoria pelo cliente, e, consequentemente, na assinatura consensual e bilateral do contrato. Após essa etapa, deverá ser iniciado um estudo para que ocorra o entendimento profundo do problema. Não se deve começar o trabalho antes dessa prévia, pois já aconteceu de alguns consultores iniciarem o serviço tão logo tivessem assinado o contrato e terminaram por cometer um erro gravíssimo; começar a trabalhar sem saber ao certo a gravidade do problema a ser resolvido pode acarretar erros e avaliações errôneas. Por conta dessa complexidade, é necessário que os consultores fiquem a par do verdadeiro foco da atividade de sua consultoria, pois, como se sabe, em algumas situações, o verdadeiro problema não aparece até que outros subproblemas emerjam nas áreas administrativas mais específicas. Desse modo, eles precisam ser examinados e analisados para evitar que apareçam distorções sobre eles. Para focar em suas ações, o consultor organizacional deve sempre ter em mente que ele desenvolverá um projeto para seu cliente e que, para isso, precisa respeitar algumas etapas, estabelecer métodos e elencar técnicas, para que haja um desempenho correto do serviço a ser prestado. O consultor necessita sempre se aprofundar no problema definido pelo cliente. Dessa forma, ele precisa dispor de todos os dados que foram coletados durante sua estadia no cliente e de entrevistas com os gestores, executivos e colaboradores, transformando‑os em informações úteis para seu trabalho. Após elaborar o tratamento dos dados, o consultor deverá avaliar a proposta original apresentada na data da assinatura do contrato de prestação de serviços, comparando‑a com a situação atual, após a análise das pesquisas e coletas de dados. 30 Unidade II 3.2 Diagnóstico Diante desse cenário, e com as informações coletadas, será preciso comprovar se há necessidade de redefinir o problema apontado originalmente. Será que as mudanças propostas serão mesmo necessárias? Se sim, será possível mudá‑las? Quais alternativas se apresentam mais viáveis nesse momento? Por fim, se for comprovada a necessidade de uma redefinição, o cliente aceitará assinar um adendo contratual com um novo cronograma e custos adicionais para dar continuidade ao projeto? É o que veremos no diagnóstico, análise dos fatos, mapeamento dos problemas, fase de implementação e controle. Durante o diagnóstico, o consultor deve estruturar e planejar seu trabalho com o intuito de desenvolver sua melhor distribuição e organização. Dessa forma, o diagnóstico organizacional divide‑se em duas etapas distintas: a descoberta dos fatos e a análise dos fatos. Os consultores deverão elaborar um diagnóstico mediante as análises e o reconhecimento da situação da empresa. Certamente, essa é uma das fases mais importantes do processo de consultoria, e, consequentemente, do sumário executivo, uma vez que norteará as ações das etapas posteriores. Portanto, podemos afirmar que o objetivo dessa fase é desenvolver uma ideia clara e correta da situação, caso contrário, corre‑se o risco de, ao chegar no final de todo o processo de consultoria, concluir que o problema foi definido erroneamente, desperdiçando‑se, dessa forma, todos os esforços e recursos utilizados. A definição do problema deverá vir após: • a apresentação do consultor na organização; • as mudanças na cultura organizacional; • os motivos para contratar uma consultoria. Veremos esses tópicos na sequência. 3.2.1 Apresentação do consultor De acordo com Weiss et al. (2011), o papel do consultor é melhorar consideravelmente as condições dos seus clientes, pois são eles que autorizam o pagamento de seus honorários, através do seu próprio orçamento, assim, podemos chamá‑los de compradores econômicos. Portanto, os clientes são os compradores, não a organização e, por fim, os clientes são seres humanos, e não apenas uma entidade inanimada. O consultor é um profissional que visa melhorar as condições dos seus clientes, mediante transmissão de conhecimentos, habilidades, competências, comportamentos, experiências, conselhos, conteúdos e outros fatores singulares, em um período predeterminado. Dessa forma, o consultor torna‑se, na visão do cliente, um parceiro do comprador, e, assim, ambos devem especificar, de comum acordo, os parâmetros dos serviços. O consultor, geralmente, fornecerá capital intelectual na forma de propriedade intelectual. 31 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO Observação Os melhores consultores geralmente cobram seus honorários com base no valor agregado (ad valorem). Por tudo isso, é muito importante apresentar o consultor que ficará interno na empresa. Desse modo, será necessário informar a todos os colaboradores, via e‑mail ou intranet, a presença do consultor, evitando, entretanto, muitas informações, ou seja, as informações deverão ser breves no que se refere ao foco do estudo, informando aos interessados as credenciais do consultor, bem como a necessidade da colaboração de todos. É preciso lembrar que o serviço de consultoria também poderá ser prestado nas filiais. Há ainda um outro fator que necessita ser considerado, o estabelecimento de um sistema de apoio para o consultor. A organização precisará disponibilizar um espaço físico para ele, ou seja, o consultor precisará de uma sala, assim como uma pessoa responsável por agendar reuniões e disponibilizar o devido acesso aos arquivos, quando for o caso. Por fim, é fundamental que o consultor tenha informações transparentes para a realização dos seus serviços. Em uma consultoria é preciso estabelecer uma relação inicial com a estrutura de poder, e para que isso ocorra será necessário construir uma aproximação saudável, assim como uma rede de apoio com os executivos da organização. Outro ponto preponderante referente à estrutura depoder se relaciona diretamente com a ideia de autoridade. Nas organizações, comumente se estabelecem dois tipos de autoridade: a formal e a informal. A autoridade formal tem a ver com a hierarquia dos cargos na pirâmide organizacional, enquanto a autoridade informal se baseia exclusivamente na ideia de poder, não tendo nenhuma relação obrigatória com a hierarquia ou com os cargos (THIELMANN; OLIVEIRA, 2005 apud ARAÚJO, 2006). Observação É importante termos em mente que, em um ambiente de trabalho, é comum que um supervisor seja mais influente do que um gerente, ou que um operário seja um excelente formador de opinião. Isso nos leva à conclusão de que um operário pode vir a ser mais influente do que um supervisor, devido aos laços construídos nas próprias relações de trabalho. 3.2.2 Mudança na cultura organizacional Quando uma organização realiza uma consultoria, é preciso ter em mente que um dos maiores desafios é a mudança cultural, aliás, um dos maiores desafios dos idealizadores da cultura, por se tratar de um processo gradativo, longo e difícil, isso porque a mudança cultural é mutável em um processo de consultoria. Dessa forma, entende‑se por mudança cultural um novo rumo, ou um novo jeito de fazer 32 Unidade II as coisas, baseando‑se em novos valores, rituais e símbolos. Assim, podemos afirmar que os objetivos da mudança cultural são uma estrutura melhor, visando garantir que não haja perdas. Há três fatores que devem ser considerados para enfrentar a mudança cultural: • a consciência dos colaboradores sobre outros modos de operação; • o comprometimento dos colaboradores; • a aderência da organização às mudanças. Saiba mais A mudança cultural ocorre em virtude de processos radicais nas organizações, e uma consultoria é um desses processos de mudança, além disso, tais processos podem ser fomentados por agentes externos à empresa, tendo responsabilidade de auxiliar os executivos e os profissionais nas tomadas de decisões. Aprofunde‑se no assunto com a leitura de: OLIVEIRA, D. P. R. Manual de consultoria empresarial: conceitos, metodologia, práticas. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2010. 3.2.3 Motivos para contratar uma consultoria O principal motivo para a contratação dos préstimos de serviço de um consultor é a tentativa de solucionar uma necessidade ou um problema na organização. Logo, é de suma importância saber exatamente este motivo. A consultoria pode apontar soluções necessárias para que a empresa melhore, uma vez que o trabalho de um consultor pode: • agregar mais conhecimento ao negócio; • aportar expertise adquirida em anos de atuação no corporativismo, permitindo, assim, que a empresa obtenha mais agilidade e melhores resultados; • trazer à tona um olhar externo, permitindo que a organização questione acerca de uma análise mais crítica, isenta de vínculos emocionais; • aprimorar soluções aos desafios existentes no dia a dia; • alcançar resultados com maior rapidez. 33 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO É importante ressaltar que a organização pode até ficar insatisfeita com o serviço se ela mesma não souber sua necessidade real. Assim, o consultor deverá identificar os problemas para dar um diagnóstico para as soluções, daí a importância de saber o que a empresa quer solucionar. Na sequência, veremos os motivos para se contratar um consultor, segundo o Sebrae (2018). • Velocidade: as empresas podem tratar das situações críticas, entretanto não será com a mesma velocidade de uma pessoa de fora mais experiente. • Conhecimento: as empresas não têm o know‑how para lidar com determinadas situações. • Credibilidade: o trabalho das empresas pode vir a precisar de uma validação no mercado, pois a avaliação e a ajuda de um consultor experiente trazem mais segurança aos parceiros, aos clientes e aos investidores. • Custos: é importante ressaltar que as empresas podem realizar o trabalho sozinhas, entretanto, um consultor pode fazê‑lo por um valor mais acessível. Pode não parecer, mas esse fator é preponderante quando lembramos que são atividades esporádicas. Observação As consultorias abrangem três níveis de trabalho no seu cronograma, e todos demandam tempo. Temos os níveis estratégico, tático e operacional. No caso do nível estratégico, trabalhamos com longo prazo, assim, no que diz respeito às projeções da receita, o consultor precisará considerar, em média, um prazo de dois a três anos, sendo esse período o suficiente para que ele estabeleça um padrão sólido para as receitas da empresa. 3.2.4 Coleta de dados A consultoria é composta por fases distintas: • levantamento das necessidades do cliente; • apresentação da proposta; • fechamento do contrato; • levantamento e coleta de dados; • análise e elaboração do diagnóstico; • proposta de ação e/ou intervenção; • fechamento do projeto. 34 Unidade II Na fase de coleta de dados, há inúmeras ferramentas que podem ser utilizadas pelo consultor e, nesse cenário, ele precisará estabelecer quais serão as mais adequadas. A fase de levantamento de dados é primordial, pois é nela que se inicia, de forma efetiva, o trabalho do consultor. Para tal, ele precisa conhecer, de forma específica, a real situação que o cliente apresentou. Assim, é de suma importância que o consultor saiba ouvir seu cliente, direcionando as questões mais pertinentes para facilitar seu trabalho. É importante sinalizar, no entanto, que o cliente pode oferecer barreiras nos questionamentos, cabendo ao consultor tentar quebrá‑las. Para verificar as práticas organizacionais – e, nesse sentido, tais práticas referem‑se aos costumes, hábitos, e políticas internas –, a avaliação do clima organizacional é de suma importância, porque o consultor precisa observar se há problemas de relacionamento entre os funcionários. Nessa fase, cabe a expertise profissional do consultor, porque ela visa facilitar a escolha do método mais adequado para se elaborar o levantamento de dados. Ainda nessa fase, é possível perceber quais são as variáveis responsáveis por causar interferência, negativa ou positiva, na situação proposta. Assim, o consultor pode investigar quais são os funcionários que podem colaborar ainda mais para o clareamento das ideias. Por fim, antes de definir quais serão os métodos de coleta de dados, é importante que o consultor conheça o clima organizacional, como maneira de facilitar seu trabalho. Há inúmeros métodos de coleta que podem vir a ser utilizados pelo consultor, tais como: • entrevistas; • questionários; • reuniões; • relatórios; • fontes externas, como notícias da imprensa e dados de instituições como IBGE, Ipea, associações comerciais etc. Para um bom levantamento de dados, é preciso clareza de que apenas alguns aspectos serão considerados, ou seja, nem todos os dados serão necessários, assim, é preciso avaliar quais tipos de dados poderão ser aproveitados, e isso dependerá da percepção do consultor sobre os problemas apontados pelo cliente. Outro fator a ser considerado é a repetição da coleta de dados, que dependerá do nível de estabilidade da empresa para produzir tais informações, afinal, quanto mais rotineira for a atividade, maior será a frequência da sua apuração. De acordo com Andrade (2010), a sequência da escolha dos dados que serão levantados pode ser influenciada por diversos critérios, assim, priorizamos: 35 ASSESSORIA E CONSULTORIA EM QUALIDADE: FERRAMENTAS E CERTIFICAÇÃO • a eficiência, pois tem uma dependência muito forte nos custos e no tempo necessários para se elaborar o levantamento, assim como a formação das informações; • a objetividade, pois demonstra, não apenas a clareza, mas também a precisão dos dados levantados; • a comparabilidade, mediante comparativo com dados identificados em determinadas fontes referenciais, que podem ser dados de mercado, dados de séries históricas, entre outros; • a abrangência, pois é ela que vai indicar qual o grau de amplitude e o grau de profundidade referentes