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Evolução da Gestão de Pessoas Ao propor uma breve revisão da história da Evolução das abordagens da Gestão de Pessoas nas organizações, é importante destacar que não se pode absolutizar uma classificação do processo evolutivo. A história não é feita de cortes bruscos onde, por exemplo, até o dia x de um determinado ano se pensava de determinada forma e a partir do dia X+1 se começou a pensa de outra forma. Isso se aplica para toda sociedade. Em determinada época, considerava-se a escravidão algo normal, embora provavelmente sempre houvesse pessoas que não concordavam com a prática. Aos poucos, foi mudando a concepção até a abolição da escravatura. Mas, tudo mudou com a abolição da escravatura? Não. Se pensarmos bem, ainda hoje se encontram situações de escravidão em relações trabalhistas. Na Teoria das Organizações e da Gestão de Pessoas especificamente também não é diferente: os conceitos são modificados aos poucos. Por isso, não podemos afirmar que em determinada data todos os trabalhadores tinham certos tipos de condições de trabalho e em outras datas, outras condições. Esta imprecisão quanto ao momento em que determinada prática dá espaço para outra, nos leva a tratar o histórico da evolução de RH mais como momentos de conceitos, concepções diferentes sobre como devem ser estabelecidas as relações trabalhistas entre empregados e empregadores, do que como datas em que as coisas mudaram. Antes de tratar especificamente da história mais recente da evolução da teoria das organizações e da Gestão de pessoas, é interessante destacar que a evolução de tecnologias é um fator que incrementa significativamente os processos organizacionais e a máquina a vapor e a eletricidade foram descobertas importantes em termos de mudança de recursos produtivos na nossa sociedade, levando grande parte das pessoas da fabricação artesanal e da agricultura para a fabricação em grandes organizações fabris. Neste sentido, a Revolução Industrial iniciada na Inglaterra, por volta de 1730, foi um marco importante na mudança dos processos produtivos, que impactou também as relações de trabalho na sociedade. Além do uso de máquinas, deve se destacar a divisão do trabalho como conceito que passa a ser adotado. Ambos permitem um grande incremento na produtividade da época. Chamamos atenção para as condições de trabalho da época, a jornada de trabalho, em muitos casos era de 14 horas diárias ou mais e, muitas vezes, a jornada era de segunda a segunda. Falando das Teorias das Organizações, pode-se verificar que a Administração das Empresas começa a ser tratada mais formalmente e com uma perspectiva científica em um período que pode ser classificado como Clássico, ou da Administração Científica, que inicia no final do século XIX, e tem como maiores expoentes: Frederick Taylor, nos Estados Unidos, e Henri Fayol, na França. Administração Científica A Administração Científica tinha como objetivo atribuir cunho científico às atividades administrativas das organizações da época. O destaque deste período é o modelo de produção chamado mecanicista - características marcantes de divisão e determinação científica de cada elemento do trabalho. Taylor prescreveu a divisão do trabalho como forma de implantar um sistema de produção com resultados produtivos mais significativos. Os objetivos principais são reduzir a amplitude das atividades de cada um dos trabalhadores, fazendo com que cada um faça a menor parte possível de cada uma das atividades produtivas. Esta prática tem um impacto direto na gestão dos trabalhadores. Pensemos bem, quais são as vantagens de estabelecer atividades bem simples e super especializadas (em uma perspectiva de limitação de atividades)? Como esta perspectiva impacta a gestão de pessoas da época? Especialização: Ao estabelecer que a pessoas faz um trabalho extremamente simples, especializado, você tem facilidade em encontrar e treinar a mão-de-obra. Para apertar um parafuso, por exemplo, o treinamento é simples e a princípio qualquer pessoa, mesmo sem nenhuma instrução formal consegue realizar a atividade. Neste contexto, só é necessário encontrar uma pessoa disponível para o trabalho e que aceite a remuneração proposta para executar a atividade. Separação entre quem planeja e quem executa o trabalho: Não envolvia, no processo de planejamento das atividades a serem executadas e como, as pessoas que executavam o trabalho. Uma das características marcantes é a separação entre planejamento e execução das atividades. Os trabalhadores do chão de fábrica eram alocados para executar as atividades e não participavam nos processos de pensar as atividades. Outro conceito importante que se aplica à época e que tem relação direta com a forma como gerenciavam as pessoas é de homem econômico, ou seja, que na relação de trabalho o importante é remunerar de forma adequada o trabalhador e o resto se resolve. Acreditava-se que havendo o pagamento da pessoa as outras questões estariam equacionadas desde que houvesse uma definição clara do que a pessoa faria no processo produtivo. Podemos dizer que a proposta era pagar e alocar a pessoa para apertar parafusos e que isso em grande parte resumia a relação trabalhista. O gestor das pessoas precisaria conseguir pessoas para trabalhar, ensinar o básico, apertar parafuso, e pagar pelo serviço. É claro que não se pode afirmar que tudo nesse período e nessa forma de trabalho é negativo. Pensem bem, organizar o trabalho, definir os movimentos mais práticos e eficientes em um processo é importante. Ainda hoje, percebemos que muitos trabalhos seriam melhor executados se alguns dos conceitos desta época fossem aplicados. Quantas vezes observamos as pessoas executarem suas tarefas de forma totalmente errada, sem usar conhecimentos básicos sobre materiais e execução de atividades? A proposta de Taylor era constituir processos produtivos com movimentos definidos de forma a serem objetivos, exatos, que os equipamentos para a execução das atividades fossem adequados e que as pessoas fossem escolhidas de forma a colocar a pessoa certa no lugar e atividade certa. Nesta perspectiva, quando precisamos que algo pesado seja deslocado por uma pessoa, devemos alocar para a atividade alguém forte e de porte físico adequado. Neste sentido, podemos afirmar que se é necessário carregar um caminhão com pedra brita, precisa-se de uma pá razoavelmente pequena e ao contrário,se for carregar um caminhão com bolinhas de isopor, o melhor é ter uma pá grande, pois o volume é grande, mas o peso pequeno. Sugiro que vocês leiam o livro Princípios da Administração Científica de Taylor. Há muitas percepções interessantes que podem ajudar empresas brasileiras a melhorar a performance. Além destes gestores, devemos destacar as contribuições de Henry Ford para os processos produtivos. Ford destacava a importância de: - diminuir os custos, - produzir em massa, em grande quantidade, - usar tecnologia capaz de desenvolver ao máximo a produtividade dos operários, - oferecer boa remuneração; - reduzir a jornada de trabalho; - Trabalho especializado (uma única tarefa). Estes conceitos e práticas estruturaram empresas durante muitos anos, incrementando a produção, mas também gerando problemas, principalmente aos funcionários. Por isso, deve-se fazer a devida crítica à época e aos conceitos que embasavam a gestão. O trabalho repetitivo e limitado tende a condicionar a pessoa e não favorece seu desenvolvimento como sujeito. O condicionamento que emana da repetitividade é facilmente observável em trabalhadores que ficam o dia todo executando um mesmo serviço. Desta forma, por exemplo, pode acontecer que uma telefonista, estando em casa, atenda ao telefone e naturalmente faça a saudação da empresa: “Empresa XYZ, boa tarde”. Se por um lado a Administração científicatrouxe grandes avanços para a Gestão de Empresas e na produtividade das empresas, ela também trouxe perspectivas alienantes ao ser humano. Deve-se destacar ainda que a jornada de trabalho diária era bem superior ao que costumamos ver hoje. Ou seja, o funcionário recebia sua remuneração pelo serviço e os gestores, na maioria, consideravam que o mesmo deveria trabalhar o tanto quando a empresa precisava, não havendo preocupação com a saúde ou qualidade de vida do funcionário. As práticas de organização e produção do período da Administração Científica geraram ganhos de produtividade, mas ao mesmo tempo, geraram problemas de saúde e conflitos entre gestores e trabalhadores. Os diversos questionamentos sobre os processos produtivos levaram à definição de novas concepções que podem ser classificadas como Movimento ou escola das Relações Humanas. Escola de Relações Humanas “O movimento de valorização das relações humanas no trabalho surgiu da constatação da necessidade de considerar a relevância dos fatores psicológicos e sociais na produtividade.” (GIL, 2001:19) Boa parte das contribuições deste movimento se deve às iniciativas de um psicólogo americano chamado Elton Mayo, que fez diversos estudas na fábrica da Western Electric em Hawthorne, Chicago. Mayo começou suas pesquisas tentando identificar a influência da iluminação na produtividade, em acidentes e fadiga. Mas, observou que sempre que havia uma alteração na iluminação, os trabalhadores aumentavam a produção, independentemente de aumento ou diminuição da luminosidade. Os funcionários, sabendo que estavam sendo pesquisados, aumentavam a produção sempre que havia alteração na iluminação da fábrica. Com isso, Mayo não pode tirar conclusão sobre a iluminação e sua relação com produtividade. No entanto, a postura dos trabalhadores levou a outras pesquisas que indicaram a importância dos fatores psicológicos e sociais na produtividade. Mayo observou que, mais do que fatores externos como iluminação, as questões de grupo, de relações pessoais e do pertencimento ao grupo eram elementos que interferiam efetivamente na produtividade. É comum que as pessoas, quando em um grupo, acompanhem o ritmo uns dos outros no processo produtivo. Desta forma, pertencer a um grupo que trabalha rapidamente tende a fazer com que a pessoa trabalhe rapidamente, de forma a fazer parte mais efetiva do grupo, para ser reconhecida pelas outras pessoas como alguém que segue os mesmos princípios e dedicação. Vamos imaginar uma sala de aula: se o costume do grupo é manter silêncio durante a aula, a entrada de um novo aluno tende a manter esta característica. O novo aluno provavelmente vai adotar a mesma postura de ficar em silêncio na sala, mesmo que ele pessoalmente seja inclinado a conversar durante as aulas. O contrário também pode acontecer. Um aluno que costuma ficar em silêncio em sala de aula, poderá começar a conversar e achar isso natural se for colocado em uma sala em que a turma costuma conversar bastante, até mesmo porque sempre haverá alguém conversando com ele, demandando que ele responda e converse. Na Escola de Relações Humanas, ao se constatar que as relações de grupo são grandes definidores da produtividade, passou-se a uma maior valorização das relações humanas no trabalho. Daqui surge uma nova concepção, percepção sobre as pessoas, a de que o homem é um ser social, “Homo Social”em substituição ao “Homo Economicus” da Administração Científica. A nova percepção da ação e da influência do grupo social na ação das pessoas despertou novos estudos na gestão. “Assim, temas como comunicação, motivação, liderança e tipos de supervisão passaram a ser também considerados na Administração de Pessoal.” (GIL, 2001:19) Há diversos pesquisadores da época que merecem ser estudados, destacamos, Follet, Roethesberg, Dickson, Leovitt e Mc Gregor. Quem quiser saber mais sobre esta época, estes são autores possuem contribuições interessantes para a compreensão da ação humana nas organizações. Se na Administração Científica poderíamos dizer que o Gestor de Pessoas assumia um papel que mais lembra um capataz que chama uma pessoa para executar o trabalho, paga-a pelo serviço e a dispensa, Nas Relações Humanas, o Gestor de Pessoas precisa ampliar seu papel e se preocupar com outras demandas das pessoas – precisa cuidar do indivíduo e das suas relações com o grupo. Este período chama a atenção para diversas questões do comportamento nas organizações e leva ao desenvolvimento de teorias mais amplas como o behaviorismo (em torno de 1945), que mostra a importância de elementos como a liderança e a motivação nos espaços organizacionais. Com a ampliação dos estudos sobre as pessoas e seu comportamento nas organizações, observou-se a importância das Relações Informais. Autores como Simon, Mc Gregor, Argyris e Likert chamaram a atenção para as relações informais que aconteciam e influenciavam as ações das pessoas nas organizações, mas que eram razoavelmente ignoradas pelos gestores de pessoas. Neste momento, podemos perceber, que o Gestor de Pessoas, que tinha uma atribuição operacional, se valoriza um pouco mais nas organizações assumindo um papel mais tático, de gerência. Deixa de ser alguém que contrata, paga e demite, para ser alguém que gerencia as pessoas, acompanhando suas relações e seus grupos nas organizações. Relações Industriais Na Evolução histórica da Gestão de Pessoas, além do período da Administração Científica e de Relações Humanas tratadas no primeiro vídeo, podemos acrescentar um período classificado como de Relações Industriais. Este período pode ser identificado pelo aumento do poder dos sindicatos dos trabalhadores, principalmente nos EUA, que acontece depois da Segunda Guerra Mundial. As indústrias cresciam muito e os sindicatos ganhavam cada vez mais força, principalmente nos Estados Unidos. Aumento do poder dos trabalhadores - por volta de 1950 – e o posicionamento dos mesmos que indicavam para a insuficiência das ações de empresas que muitas vezes só se preocupavam em recrutar, treinar, fazer os registros de acordo com a lei, remunerar e desligar. Este período se caracteriza por algumas mudanças na Administração de Recursos Humanos, que precisa ser: - Menos legalista; - Mais preocupada com as condições de trabalho; - Conceder benefícios diversos aos funcionários; - Negociar com as entidades representativas dos trabalhadores, os sindicatos ou outras formas de organização dos trabalhadores. Um Filme que representa bem a evolução da influência e poder dos sindicatos é F.I.S.T. (1978, com Silvester Stallone), que trata da trajetória do Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros (Federation InterState Truckers - F.I.S.T.). Mostra como o sindicato reagiu a uma época em que as empresas e seus patrimônios eram protegidos pela polícia e as manifestações e greves dos trabalhadores facilmente gerava confronte com a polícia e mortes de pessoas. Embora em diversos outros momentos a organização dos trabalhadores e suas manifestações tenham gerado ganhos nas condições de trabalho, como a redução da jornada de trabalho de 16 para 8 horas, havia muitas questões nas relações de trabalho que mereciam maior atenção. A organização dos trabalhadores em sindicatos permitiu uma ação mais eficaz nas negociações das condições de trabalho, que embora já tivessem melhorado, não podiam ser consideradas adequadas para as novas percepções sobre a dignidade ou razoabilidade dos espaços organizacionais. As novas demandas, em sociedades mais industrializadas e trabalhadores mais conscientes das suas possibilidades, da importância do trabalho que executavam e da força da mobilização do grupo, fizeram com que as organizações começassem a dar respostas a novas demandas dos trabalhadores. Para atender ao novocontexto, foi necessário mudar os setores que cuidavam da gestão das pessoas e das suas relações com as organizações e com outros setores como sindicatos, governos e órgão regulamentadores. “A seção de pessoal deu origem ao departamento de relações industriais e alterou o perfil requerido de seus dirigentes” (GIL, 2001:20). A Gestão de Pessoas amplia suas atribuições e, em alguns casos, organizações criavam dois setores: um para cuidar de processos de Gestão de Pessoal (focado em contabilizar (salários, horas), ... controlar (faltas e atrasos) e remunerar) e outro para cuidar de questões legais e sindicais que surgiram nessa época. Pode-se observar que embora houvesse um avanço na Gestão de Pessoas e demandas dos trabalhadores começaram a ser atendidas com mais frequência, o perfil da gestão ainda era de visão tecnicista e burocrática. Precisamos destacar que as conquistas desta época ainda repercutem muito nas condições de trabalho que temos hoje. Os sindicatos possuem importância muito grande nas condições de trabalho que temos hoje. Ainda não são boas? Seriam piores sem a ação dos sindicatos. Se pensarmos bem, uma jornada de 8 horas de trabalho ainda é muito grande, significa que um terço do nosso dia é dentro da empresa. Se considerarmos os deslocamentos, o horário de almoço, que costuma ser próximo à empresa, e outros fatores, muitas vezes, ficamos em torno de 12 horas em função do trabalho. Isso se não houver uma tarefa de casa que levamos ao sair do ambiente de trabalho. Considerando que a pessoa deveria (deveria, né!) dormir 8 horas por dia, sobram quantas horas para viver? Para estudar? Para conviver e aproveitar as coisas boas da vida? Os gestores das organizações e principalmente os Gestores de Pessoas precisam se perguntam sobre a Qualidade de Vida que é oferecida às pessoas nas organizações. O que podemos observar é que as pessoas costumam ter pouco tempo para pensar sobre sua própria vida, para se qualificar, para aproveitar questões culturais, para conviver com familiares e amigos. Certamente todos sabem como é difícil trabalhar o dia todo e ainda estudar. Será que nossa forma de organizar a sociedade é adequada? Será que nossa jornada de trabalho é razoável? Os sindicatos, em outra época, eram as organizações que davam força ao coletivo dos trabalhadores para melhorar as condições de trabalho. Como podemos melhorar as condições de trabalho no atual contexto social? Quem vai lutar pela melhora nas condições de trabalho? Como vai fazê-lo? Concluindo os comentários sobre esta fase da evolução da história da Gestão de Pessoas, devemos destacar que o período chamado de relações industriais demandou atenção especial das organizações para novas demandas dos trabalhadores e para a negociação das condições de trabalho. Conquistas desta época ainda hoje tem repercussão importante nas nossas condições de trabalho. Administração de Recursos Humanos O período subsequente, anos 1960 em diante, pode ser classificado como Administração de recursos humanos. Este termo, embora possa ser aplicado para referenciar uma época na evolução histórica da Gestão de Pessoas que teoricamente já passou, é ainda amplamente usado nas organizações e na academia. É comum falarmos em Administração de Recursos Humanos, ou chamar o setor, ou área funcional das organizações que cuida das pessoas como setor de Recursos Humanos. Então, para ficar claro: 1) Há setores de Gestão de Pessoas, ou Recursos Humanos, em empresas; 2) Em muitas universidades ou faculdades de Administração se nomeia as disciplinas que cuidam da Gestão de Pessoas como Recursos Humanos; 3) há uma época histórica que chamamos de Administração de Recursos Humanos. “Começa-se a falar em Administração de Recursos Humanos na década de 1960, quando essa expressão passou a substituir as utilizadas no âmbito das organizações: Administração de Pessoal e Relações Industriais” (GIL, 2001:20). A época chamada de Administração de Recursos Humanos é marcada pela introdução de conceitos da Teoria Geral dos Sistemas de Ludwig von Bertalanffy (1901-1972) à gestão de pessoal. A Teoria Geral dos Sistemas busca evidenciar as semelhanças entre as ciências. Quando você tenta perceber as diferentes ciências como sistemas, elas possuem em comum características de sistemas, até porque a teoria é bastante ampla. Na prática, as diferentes ciências são bastante diferentes entre si e necessitam de métodos diferentes para serem adequadamente estudadas. O que caracteriza a Administração de Recursos Humanos é a adoção do enfoque sistêmico. Ou seja, pensar a Administração dos Recursos Humanos em diversas dimensões, como um sistema que possui diversos subsistemas, que interagem e se influenciam para atingir os objetivos organizacionais. Ao mesmo tempo em que a Administração de Recursos Humanos possui diferentes subsistemas, ela faz parte de um sistema maior que é a organização. Neste sentido, as práticas de RH precisam ser pensadas dentro de um contexto maior, precisam pensar nas pessoas, na organização e no meio ambiente. A visão sistêmica incorpora algumas Características à gestão de RH 1) interdependência das partes (subsistemas: treinamento, seleção, etc.) 2) ênfase no processo 3) probabilismo (não é algo exato, prescrito) 4) multidisciplinaridade (psicologia, medicina, sociologia, economia) 5) concepção multicausal (um fenômeno pode ter diversas causas – a produção é influenciada pela tecnologia, pelas habilidades do funcionário, pela motivação) 6) caráter descritivo (descrever X prescrever) 7) caráter multimotivacional (a pessoa é motivada por diversos fatores: ambiente de trabalho, formação, perfil da chefia, tecnologia usada) 8) participação (a participação das pessoas em decisões passa a ser considerada importante) 9) abertura 10) ênfase nos papéis (o que se espera da pessoa em relação à empresa, aos colegas e ambiente) É importante destacar que, neste período, muitas organizações passam a ter Gerentes de Recursos humanos ou Gerentes de Relações Humanas (GRH). Na Década de 60 - a função de Gerente de Recursos Humanos ganha força nas organizações. – Ela ganha diversas sub- áreas que passam a lhe dar uma abrangência muito maior, mas o foco de ação ainda é em nível técnico-operacional. Já na Década de 80 surgem as primeiras diretorias de RH. O RH ganha importância nas organizações. Administração Estratégica de Recursos Humanos (Gestão de pessoas) Uma quinta fase neste processo evolutivo da Gestão de Pessoas pode ser chamada de Administração Estratégica de Recursos Humanos – (recentemente a nomenclatura “Gestão Estratégica de Pessoas” foi adotada por muitos autores e poderia ser definida como uma sexta fase). Este período tem como ponto importante a perspectiva de compreender melhor as demandas das pessoas como elementos fundamentais na estruturação das organizações e na performance destas. É um período em que se passa a dar maior importância ao planejamento das demandas organizacionais em relação a pessoas – o perfil de profissionais necessários para que a empresa consiga realizar seus objetivos. Este período é denominado de Gestão Estratégica por causa da influência que o advento do planejamento estratégico exerceu/exerce nas atividades de Gestão de Pessoas, dos anos 1990 até hoje. Nesta época, nós observamos que surgem diversos nomes/classificações diferentes nas questões relacionadas a pessoas. Ouvimos diferentes nomes – Gestão de Pessoas, Gestão de Talentos, Gestão de Parceiros, Gestão do Capital Humano, Gestão do Capital Intelectual – para as práticas de Gestão de Pessoas. O que estes termos têm em comum? Todos pensam em novas formas de tratar e de considerar as pessoas nas organizações. Todos buscam uma valorização da contribuição das pessoas para os resultados das organizações. O que nos levou a esta percepçãoda importância das pessoas na organização? Em termos históricos, em meados da década de 1980 acontece uma intensificação da globalização da economia, uma evolução significativa das comunicações e meios de deslocamento, o desenvolvimento tecnológico se torna mais rápido e significativo, aumenta a competitividade entre empresas e observamos que acontece uma mudança na compreensão das demandas das pessoas, etc. Em termos organizacionais, surgem novas experiências de gestão: - reengenharia (confusão com demissão de pessoas), - terceirização (transferir atividade da empresa para outras empresas), -downsizing (diminuição do tamanho da organização – corte de pessoas). São épocas de grandes mudanças: surgem novos valores pessoais e organizacionais, desenvolvimento rápido de tecnologias informacionais, empresas virtuais, cultura corporativa e muitas outras mudanças que passam a integrar os desafios da Gestão de Pessoas. Dentro deste novo contexto, como fica o PESSOAL? Neste período, diversos questionamentos sobre a forma como vinha sendo realizada a Administração de Recursos Humanos nas Organizações são feitos. Quando olhamos a visão sistêmica, que deu base para o período anterior, em teoria, podíamos esperar que as pessoas fossem compreendidas de uma forma mais ampla e suas demandas fossem melhor acolhidas. Era de se esperar que as pessoas fossem vistas sob seus diversos aspectos e demandas, fossem vistas de uma forma sistêmica. Mas, na prática, elas eram percebidas, principalmente, na perspectiva de uma peça no processo de produção organizacional. Uma peça razoavelmente complexa e com muitos desdobramentos, que precisava ser bem administrada para dar os resultados esperados. Fazendo uma análise crítica dos termos Recursos Humanos, pode-se encontrar indicativos do que pode estar errado. Em Administração, quando falamos de recursos, o administrador pensa em aproveitá-los, usá-los ao máximo. O objetivo é fazer com que eles deem o melhor e maior retorno possível. Assim, por exemplo, o ideal é que uma máquina, que é um recurso, funcione 24hs por dia, todos os dias da semana para que se possa usá-la o máximo possível, diluindo o custo do preço dela em uma quantidade maior de produção. Quando pensamos em Recursos, o objetivo sempre é maximizar seu uso, seu aproveitamento para obter o máximo de rendimento possível. Desta forma, será que ainda se deveria tratar as pessoas da organização como recursos, que devem ser aproveitados ao máximo? Aliás, qual é o máximo quando se fala em uma pessoa? A perspectiva de Recursos costuma levar ao esgotamento das pessoas, a estresse, insatisfação com a organização, etc. Os críticos propõem “que as pessoas sejam tratadas como parceiros da organização. Passariam a ser reconhecidas como fornecedoras de conhecimentos, habilidades, capacidades e, sobretudo, o mais importante aporte para as organizações: a inteligência” (GIL, 2001:23). A Administração Estratégica de RH dá ênfase à retenção de pessoas e descentralização das responsabilidades de Gestão de Pessoas, ou seja, todo gestor é gestor de pessoas. Como resultado da descentralização, surgem práticas como a terceirização de algumas atividades de RH, como recrutamento, seleção, pagamentos, etc. No Brasil Novo cenário brasileiro: alta velocidade de mudança, qualificação contínua, empregos transitórios, entre outros. Tonelli, Lacombe e Caldas (2002) destacam o ambiente competitivo que surge em decorrência da abertura da economia, das privatizações e do fortalecimento da empresa privada. Na Gestão de Pessoas, políticas e práticas de gestão por competências e maior valorização das contribuições das pessoas para as organizações. Resumo esquemático De 1978 aos anos 90: • Abertura Política – Fortalecimento Sindical; • Surgimento de novas tecnologias administrativas; • ARH > Planejamento Estratégico> Orientação para o negócio. Dos anos 90 em diante: • Globalização Econômica, Cultural, etc; • Novas tecnologias eletrônicas, mecânicas e administrativas – levando ao desemprego estrutural; • Novas relações de emprego e trabalho – mudança do perfil do profissional de ARH. Dos anos 2000 em diante: • Demanda por profissionais mais qualificados. • Aumento da formação • Maiores oportunidades de trabalho • Crescimento econômico • Diminuição do desemprego (já mudou, novamente) • Valorização salarial (mudou também) • Trabalhadores estrangeiros • Maior presença feminina nas organizações. • Aumento da demanda de mão-de-obra qualificada • Cursos específicos para algumas organizações • Valorização das engenharias (diminui novamente) “Verifica-se em algumas organizações a tendência para reconhecer o empregado como parceiro, já que todo processo produtivo realiza-se com a participação conjunta de diversos parceiros, como fornecedores, acionistas e clientes.” (GIL, 2001:23) No entanto, o caminho para o reconhecimento efetivo do papel fundamental dos trabalhadores nos resultados organizacionais ainda é longo. Bibliografia: GIL, A. C. Gestão de Pessoas: enfoque nos papéis profissionais. São Paulo: Atlas, 2001.