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LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 1 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 2 ÍNDICE APRESENTAÇÃO 7 AULA 1: PENSAMENTO ADMINISTRATIVO 8 INTRODUÇÃO 8 CONTEÚDO 8 EVOLUÇÃO 8 ATIVIDADE DE TRABALHO 10 MODELOS DE GESTÃO: ANTIGOS X NOVOS 10 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: SURGIMENTO DAS MÁQUINAS 12 REDESCOBERTA DO SER HUMANO 15 MOMENTO ATUAL 17 PERFIL DO GESTOR MODERNO 18 MECANISMOS DE GESTÃO 19 PROCESSOS NAS ORGANIZAÇÕES 20 FUNCIONAMENTO DOS PROCESSOS 20 APRENDA MAIS 26 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 26 REFERÊNCIAS 28 AULA 2: CULTURA ORGANIZACIONAL 29 INTRODUÇÃO 29 CONTEÚDO 29 PRIMEIRAS PALAVRAS 29 IMPORTÂNCIA DO FATOR HUMANO 30 CULTURA DA SOCIEDADE 30 CULTURA DENTRO DO AMBIENTE EMPRESARIAL 32 ATIVIDADE PROPOSTA 1 34 CAÇADOR DE TENDÊNCIAS 34 CLIMA ORGANIZACIONAL: EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 35 MODELOS DE GESTÃO: ANTIGO X CONTEMPORÂNEO 36 PESQUISA DE CULTURA E DE CLIMA 37 PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO 38 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 3 DISTORÇÕES DE CONTEÚDO: RUÍDOS DE COMUNICAÇÃO 40 MODELOS DE COMUNICAÇÃO 41 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 43 REFERÊNCIAS 44 AULA 3: NEGOCIAÇÃO – GESTÃO DE CONFLITOS 45 INTRODUÇÃO 45 CONTEÚDO 45 CONFLITO E NEGOCIAÇÃO 45 VISÃO POSITIVA DO CONFLITO 46 CAUSAS DOS CONFLITOS 47 NÍVEIS DE CONFLITOS 47 TIPOS DE CONFLITOS 49 CONSEQUÊNCIAS DOS CONFLITOS 50 ORGANIZAÇÕES E CONFLITOS INTERPESSOAIS 51 CONFLITOS E NEGOCIAÇÃO 52 ETAPAS DO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO 53 HABILIDADE DO NEGOCIADOR 55 ERROS PASSÍVEIS DE NEGOCIAÇÕES 55 DICAS PARA A NEGOCIAÇÃO 56 PRINCIPAIS ESTILOS DE NEGOCIADORES 58 ATIVIDADE PROPOSTA 59 REFLEXÃO 59 APRENDA MAIS 60 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 60 REFERÊNCIAS 63 AULA 4: TRABALHO EM EQUIPE 64 INTRODUÇÃO 64 CONTEÚDO 64 RELAÇÕES PESSOAIS 64 COMO SE DARÃO AS RELAÇÕES PESSOAIS? 65 DIFERENÇA ENTRE EQUIPE E GRUPO 66 EQUIPES DE ALTA PERFORMANCE 68 VANTAGENS DAS EQUIPES DE ALTA PERFORMANCE 68 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 4 PILARES DO TRABALHO EM EQUIPE 69 CONFLITOS E RELACIONAMENTOS PESSOAIS NA ORGANIZAÇÃO 71 AÇÕES DO GESTOR 72 APRENDA MAIS 76 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 76 REFERÊNCIAS 78 AULA 5: LIDERANÇA FORMAL E INFORMAL 79 INTRODUÇÃO 79 CONTEÚDO 79 CONCEITOS DE LIDERANÇA 81 LIDERANÇA E PODER 82 O LÍDER IDEAL 84 PARA REFLETIR 85 CINCO QUALIDADES PARA O EXERCÍCIO DA LIDERANÇA E GERENCIAMENTO PARTICIPATIVO 85 LIDERANÇAS FORMAIS E INFORMAIS 87 LIDERANÇA E PROCESSO NO TRABALHO 88 O LÍDER E A DELEGAÇÃO 90 APRENDA MAIS 92 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 92 REFERÊNCIAS 93 AULA 6: FUNÇÕES DA LIDERANÇA 94 INTRODUÇÃO 94 CONTEÚDO 94 FUNÇÕES DA LIDERANÇA. CARACTERÍSTICAS DO LÍDER 94 O MUNDO DO TRABALHO HOJE 96 LIDERANÇA E DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL 98 FUÇÕES DAS LIDERANÇA 100 OS SETE HÁBITOS 101 APRENDA MAIS 102 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 102 REFERÊNCIAS 103 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 5 AULA 7: ESTILOS DE LIDERANÇA 104 INTRODUÇÃO 104 CONTEÚDO 104 MODELOS DE LIDERANÇA 104 ESTILOS GERENCIAIS 105 LIDERANÇA SERVIDORA 107 PAPEL DO LÍDER SERVIDOR 109 LIDERANÇA SITUACIONAL 110 BINÔMIO TAREFA-RELACIONAMENTO 112 DIFERENÇAS ENTRE CHEFIA E LIDERANÇA 114 O QUE OS LÍDERES PRECISAM APRENDER 115 APRENDA MAIS 116 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 116 REFERÊNCIAS 118 AULA 8: MODELO DE LIDERANÇA COACHING 119 INTRODUÇÃO 119 CONTEÚDO 119 INTRODUÇÃO 119 COACHING 120 TIPOS DE COACHING 123 MENTORING 123 O LÍDER-COACH 124 APRENDA MAIS 127 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 127 REFERÊNCIAS 128 ANEXOS 129 ANEXO 1: UM ANTIGO COLEGA 129 CHAVES DE RESPOSTA 130 AULA 1 130 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 130 AULA 2 130 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 6 ATIVIDADE PROPOSTA 1 130 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 130 AULA 3 131 ATIVIDADE PROPOSTA 131 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 131 AULA 4 132 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 132 AULA 5 132 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 132 AULA 6 133 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 133 AULA 7 133 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 133 AULA 8 134 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 134 CONTEUDISTA 135 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 7 Liderança e processos de gestão - Apostila Apresentação A boa relação do gestor com sua equipe vem sendo o grande diferencial para o sucesso das empresas contemporâneas. Nesse cenário, a retenção de talentos está condicionada ao ambiente proporcionado pela empresa e pelas oportunidades de crescimento nela existentes. Dessa forma, considerado como figura central do referido processo, o gestor assume importância estratégica na condução de sua equipe e deve possuir sólida formação para se transformar em agente de desenvolvimento e estimulador de potencial. Nesta disciplina, discutiremos sobre os estilos de liderança presentes nas empresas e os modelos de comunicação e negociação necessários à gestão de conflitos dentro da cultura organizacional. Sendo assim, esta disciplina tem como objetivos: Identificar estratégias para a negociação e a comunicação nas empresas; Utilizar os estilos de liderança de modo adequado; Gerenciar equipes de alta performance. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 8 Aula 1: Pensamento administrativo Introdução Nesta aula, você saberá como as correntes de pensamento predominantes em diversas épocas influenciaram a forma de pensar dentro das empresas, gerando mudanças na gestão de pessoas. Todas as organizações possuem processos e precisam entendê-los para aperfeiçoá-los constantemente. Logo, a partir da compreensão dos macroprocessos organizacionais, você terá condições de analisar os processos internos de cada realidade empresarial e de redesenhá-los – quando necessário. Objetivos Reconhecer as fases do pensamento administrativo e sua correlação com a evolução do pensamento da humanidade; Identificar como o pensamento administrativo e a evolução dos modelos de gerenciamento estimularam a valorização das pessoas dentro das empresas; Explicar como os macroprocessos são desenhados e como estão divididos nas organizações. Conteúdo Evolução Todos nós sabemos que a capacidade de evoluir é inerente à condição humana. Isso justifica nossa busca incessante por melhores condições de vida, o que tem provocado grandes alterações no cotidiano de cada indivíduo. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 9 No ambiente empresarial, não poderia ser diferente: a forma de gerir as pessoas sempre se modifica. Através deste estudo, identificaremos como essas transformações ocorreram simultaneamente aos movimentos que dominaram o pensamento humano em diversas épocas da história. Durante esse percurso, duas características se destacaram no progresso do pensamento administrativo, levando-nos às seguintes conclusões: A evolução não é linear Isso significa que o referido processo evolutivo não aconteceu em uma curva crescente, sempre em direção à melhoria. A evolução apresentou momentos altos e baixos, além de diversas fases de avanços e retrocessos. A partir desse movimento contínuo, experimentamos novos modelos de gestão para, depois, restabelecer os antigos. A evolução não é excludente Essa característica demonstra que podemos admitir a existência simultânea – no mesmo período e local – de modelos administrativos diferentes e, por vezes, contraditórios. Essa é a essência do pensamento dialético1. Em outras palavras, um modelo não precisaeliminar o antecessor para ser válido e provar sua eficácia, pois consegue mostrar sua funcionalidade mesmo quando outros ainda são aplicados. 1 Pensamento dialético Debate de ideias em que um posicionamento é defendido e contradito logo depois, como uma oposição de forças (antítese) que tendem a se dissolver em uma solução (síntese). Esse processo ocorre por meio do diálogo e da discussão. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 10 Atividade de trabalho Em um período anterior à Revolução Industrial, a sociedade era agrária, e a maioria dos trabalhadores vivia no campo. O local de trabalho era sua própria casa ou a fazenda, o que permitia a convivência muito mais próxima com as famílias. Em muitos casos, inclusive, toda a família trabalhava unida na preparação da terra para o plantio e a colheita. Mas, nessa época, os nobres e o clero não trabalhavam, pois a atividade laboral era considerada de pouco prestígio e sem muito glamour. O conceito de que o trabalho enobrece o homem é muito recente na história do pensamento. Atenção Fazendo uma analogia desse período com a atualidade, podemos comparar tais trabalhadores com os profissionais de hoje: aqueles que praticam home office2, mantendo contato com a empresa para a qual prestam serviços pelo computador. Modelos de gestão: antigos X novos Na fase da história a que nos referimos anteriormente, não havia muita mobilidade social, e era raro uma pessoa conseguir furar esse bloqueio. 2 Home office Expressão inglesa que significa trabalho realizado em casa. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 11 Havia, dessa forma, certa predestinação em relação ao futuro dos indivíduos no âmbito profissional: filho de artesão era artesão, filho de soldado era soldado e filho de rei era rei. Em um cenário com essas características, que funcionou por milênios, como podemos entender a ferramenta de gestão de pessoas? Evidentemente, não havia necessidade de requinte ou de preocupação com os cuidados a que estamos acostumados hoje em dia. O modelo de gestão da época resumia-se apenas à coerção e era praticamente centralizado na figura do capataz que, de modo geral, não possuía formação alguma para liderar ou compreender aspectos mais subjetivos do ser humano. Atualmente, ainda encontramos muitas situações semelhantes a essa. Você já deve ter assistido a reportagens sobre empregados libertados de trabalhos em que eram tratados como escravos ou em situação de cárcere privado. Esses exemplos comprovam o que afirmamos anteriormente: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 12 Os antigos modelos de gestão ainda estão presentes no mundo contemporâneo e convivem com aqueles mais modernos. Esse modelo de gestão também pode ser visto na obra do pintor modernista Cândido Portinari, em sua obra de 1934 - O Café, onde o capataz aparece de forma coerciva numa liderança imposta. Revolução Industrial: surgimento das máquinas Com o início da Revolução Industrial, o mundo passou por uma mudança radical: o homem foi substituído pelas máquinas. Essa revolução impactou tanto a humanidade que nunca mais fomos os mesmos – as máquinas de hoje, por exemplo, são motivo de empolgação. Com a introdução das máquinas nas fábricas ou empresas, o trabalho de 5 ou 10 homens, agora, era feito por um equipamento que funcionava sem parar, não pedia aumento de salário tampouco faltava por algum motivo. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 13 Isso chamou a atenção de muitos gestores, que se entusiasmaram com a possibilidade de otimização do trabalho. Tanto foi assim que, para conseguir um emprego, o homem deveria se igualar à máquina, transformando-se em uma peça da engrenagem. Como consequência disso, vários trabalhadores passaram a adoecer de forma precoce e deixaram de manifestar sua individualidade. Afinal, esse tratamento os reduzia a meros objetos que podiam ser descartados quando não oferecessem o retorno desejado ou substituídos rapidamente quando apresentassem algum defeito. Galeria de vídeos Sem dúvida, o mais emblemático registro dessa situação encontra-se eternizado nestas cenas do filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 14 O período de surgimento das máquinas caracterizou-se por um pensamento administrativo voltado para os seguintes modelos de trabalho: Modelo taylorista Desenvolvido por Taylor 3 , esse modelo foi marcado pelo controle do trabalhador e a repetição mecânica de movimentos minuciosamente estudados. Modelo fordista Para Ford4 , as tarefas deveriam ser simples, a fim de facilitar a linha de produção, ou seja, o trabalhador não precisava pensar muito. Esse indivíduo representava mais a mão de obra do que um ser reflexivo com ideias ou desejos de crescimento profissional. Com esse trabalho fatigante e sem prazer em que se baseavam tais modelos, chegou-se a afirmar que o único objetivo do trabalho era o salário e que nada mais interessaria ao trabalhador. 3 Frederick Taylor Engenheiro norte-americano que revolucionou todo o sistema produtivo no início do século XX ao introduzir o conceito da chamada Administração Científica – base sobre a qual se desenvolveu a atual Teoria Geral da Administração. Preocupado em estudar o tempo das ações humanas nas fábricas, Taylor acreditava na possibilidade de redução dos tempos mortos e dos movimentos desnecessários do operador, o que ampliaria as condições de otimização de qualquer processo de trabalho. Adaptado de: http://www.infoescola.com/biografias/frederick-taylor/. 4 Henry Ford Defensor da ideia de Taylor, Ford era adepto da racionalização do trabalho e foi o responsável pela introdução da linha de montagem: processo que permitia a circulação de peças sobre uma esteira até os postos de trabalho de cada operário, que adotava movimentos reduzidos e precisos na realização da tarefa atribuída a ele. Disso resultou o conceito de automação do trabalho. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 15 Mas a utilização das máquinas para fins bélicos nas primeira e segunda grandes guerras mundiais fez com que muitos filósofos e pensadores de vários lugares do mundo se questionassem quanto ao uso e à importância dessas invenções. Afinal, o próprio conceito de homem estava ficando em segundo plano. Por isso, era necessário reverter esse quadro. Guardadas as proporções, nossa espécie começou a renascer. Redescoberta do ser humano Após a Revolução Industrial, os estudos sobre a importância do relacionamento humano se multiplicaram e a humanização do trabalho começou a ganhar um corpo teórico. Nessa fase, as pesquisas sobre motivação do trabalhador e os aspectos da liderança se destacaram. Uma dessas pesquisas ocorreu em uma fábrica de Western Electric, situada em Chicago, que contratou uma equipe de pesquisa de Harvard afim de averiguar a influência das condições da luminosidade na produtividade de seus funcionários. Depois de diversas formas de análise a conclusão que pôde extrair foi que não era a luminosidade que influenciava no aumento da produtividade e sim o grau de integração social entre os funcionários que fazia subir o nível de produção, ou seja, a pesquisa demonstrou a importância do fator psicológico na produtividadee como o relacionamento entre os diversos níveis hierárquicos estimula o sentimento de pertença de um grupo e de uma organização. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 16 Essa pesquisa ficou conhecida como experiência de Hawthorne. Atenção Esse período deixou grandes conquistas para o trabalhador. Conquistas essas que são mantidas até os dias atuais. O combate ao rigor excessivo da liderança, a preocupação com o ambiente físico do trabalho, a organização de treinamentos para o trabalhador (educação para o trabalho), o estímulo à autonomia, e a consciência do prazer e da autorrealização com o seu trabalho são vitórias antigas que respiramos nos ares contemporâneos. A evolução no pensamento administrativo dessa época foi provocada pelos reflexos da organização do trabalhador em classes. As empresas se viram obrigadas a se relacionarem com movimentos organizados que lutavam por interesses coletivos. Sendo assim, novas técnicas foram desenvolvidas para a condução de negociações e para gerenciar conflitos que, não raro, chegavam à paralização total das atividades empresariais. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 17 Os direitos trabalhistas adquiridos trouxeram estabilidade aos empregados de muitos países e provocaram ajustes na forma de administração de empresas. Como resultado, a relação capital-trabalho se modificou, o que implicou a aprendizagem constante de ambos os lados. Momento atual Finalmente, considerado como eclético e mais flexível, o pensamento administrativo da atualidade tem como proposta conciliar os dois grandes modelos anteriores. Se pudéssemos fazer uma síntese dessa proposta, diríamos que se trata de respeitar as diferenças, admitindo que os desafios ainda são enormes. Mas, apesar das desigualdades e dos problemas diversos ainda presentes no cenário atual, seu foco está em extrair de cada um dos modelos citados o que há de melhor. Em outras palavras, o modelo contemporâneo de gestão propõe utilizar o estado da arte de cada um de seus antecessores. Diante de um cenário constantemente mutável, o pensamento administrativo de hoje deve estar pautado na capacidade de prontidão e de competência do gestor em propor mudanças sempre que necessário. Galeria de vídeos LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 18 Assista ao vídeo “Empresas modernas têm mudanças no ambiente e nas rotinas de trabalho”. Após assistir ao vídeo sugerido, você deve ter percebido que a capacidade para atuar no mercado de hoje envolve muito mais do que apenas ter uma boa formação. Atualmente, espera-se que o profissional apresente diversas competências, não tendo seu perfil de trabalho totalmente definido. Ele deve ter domínio técnico (competências técnicas) aliado ao lado relacional (competências comportamentais). Ou seja, de nada adianta ter competências técnicas e dominar muito bem determinadas funções se não consegue trabalhar em equipe ou se não é escolhido para formar uma dupla em determinado projeto. Além disso, cultura geral, domínio de línguas, capacidade de adaptação e comprometimento com a organização são exigências cada vez mais comuns para profissionais com desejo de carreira profissional. Perfil do gestor moderno Vivemos, atualmente, em um mundo globalizado que ultrapassa barreiras. Com o advento da tecnologia – cujo intuito é eliminar as distâncias –, acabamos nos tornando profissionais mais exigentes em relação à qualidade de vida e às possibilidades de crescimento dentro das organizações. Esse nível de exigência 5recai sobre aqueles que se encontram em posições de liderança. Diante desse cenário, cabe ao gestor moderno preparar-se para fazer frente ao novo perfil que dele se espera, pensando em um futuro incerto. 5 Nível de exigência Entre as exigências mais comuns voltadas para profissionais da área de negócios, estão: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 19 Ter a capacidade para atuar no mercado de hoje envolve muito mais do que apenas possuir uma boa formação. Esse profissional precisa apresentar diversas competências – sejam estas técnicas ou comportamentais –, articulando-as umas com as outras. Até porque de nada adianta dominar muito bem determinadas funções se não é possível trabalhar em equipe. Com a competição cada vez mais acirrada e um consumidor mais crítico e consciente de seus direitos, pequenos detalhes no gerenciamento organizacional podem significar o ganho ou a perda de importantes negócios. Mecanismos de gestão Para atrair e manter profissionais talentosos dentro das empresas, os gestores modernos devem utilizar as mais recentes ferramentas de gestão e liderança. O foco desses mecanismos está no relacionamento do seguinte binômio: Como práticas eficazes para manter a motivação do trabalhador em início de carreira, podemos citar a valorização da inteligência emocional e o empowerment 6 . Evidentemente, nada disso acontece em um mundo perfeito. Cultura geral; Domínio de línguas; Capacidade de adaptação; Comprometimento com a organização. 6 Empowerment LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 20 O nível de estresse nunca atingiu um patamar tão alto – afinal, jamais se exigiu tanta perfeição dentro de prazos cada vez menores. Além disso, muitas pessoas associam suas noções de felicidade ao sucesso profissional. Por essa razão, o gestor precisa transformar-se em um agente de desenvolvimento humano, pautando sua gestão nas estratégias que potencializam performances, sem deixar de lado os PROCESSOS. Processos nas organizações Quando estudamos a forma como as empresas são gerenciadas, entendemos o motivo de tanta atenção aos processos: são eles que garantem a essência de um empreendimento e seu resultado positivo. Os processos organizam as atividades previstas pela empresa e possibilitam que os funcionários visualizem cada etapa da cadeia desenhada para FAZER O NEGÓCIO ACONTECER. Nem sempre, essa segmentação de tarefas é de simples compreensão, o que tem obrigado as organizações a se debruçarem, continuamente, em estudos permanentes de melhoria de processos. Veja, a seguir, em um nível macro, como funcionam os processos empresariais e entenda cada uma de suas etapas dentro de uma sequência sistêmica. Funcionamento dos processos Dentro de uma organização, os processos dividem-se em três grandes dimensões, quais sejam: Palavra de língua inglesa que significa empoderar, ou seja, dar poder ao colaborador para que tenha autonomia e se sinta mais comprometido com seu trabalho. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 21 De forma bem resumida, qualquer empresa é concebida com estas finalidades: ser útil e apresentar soluções que contemplem as necessidades de seus clientes. Muitas dessas soluções, inclusive, são expostas antes mesmo da solicitação dos consumidores. Quando ampliamos nosso olhar sobre cada uma dessas dimensões, começamos a depurar suas sutilezas e a entender a importância das relações estabelecidas entre elas. Disso resulta a importância do gerenciamento por processos! Ao utilizar a ferramenta de gerenciamento de processos, não basta às empresasapenas verificar se parte deles funciona muito bem, porque outro segmento pode deixar a desejar. Todos devem estar comprometidos uns com os outros. É por isso que o gestor deve propor a interface entre as atividades da organização e agir como facilitador para os realinhamentos necessários. Subdividindo os processos em elementos mais detalhados, chegamos ao seguinte desenho: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 22 1 - Atenção ao foco do cliente Atualmente, mais do que focar no cliente, devemos atentar para onde ele direciona suas intenções. Essa é uma tendência do gerenciamento moderno que distingue um processo do outro por sua qualidade. Esse pequeno detalhe faz a grande diferença: o cliente reconhece que o esforço da empresa está concentrado em entender exatamente sua demanda através de SEU ponto de vista, e não da visão de mercado. Esse rapport 7deve ser franco e natural, de modo que possamos sentir cada situação como verdadeiros consumidores. Quando consegue atingir esse padrão de atendimento, a organização incorpora tal postura como traço de sua cultura. A demanda do cliente deve ser analisada por completo, pois só dessa forma entenderemos exatamente o que ele necessita. É possível, por exemplo, sugerir algumas ideias de demandas desconhecidas pelos consumidores. Geralmente, essas soluções causam maior impacto positivo. 7 Rapport Palavra francesa que significa acolhimento. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 23 Portanto, saber ouvir os discursos explícitos ou implícitos do cliente é o ponto central de um bom atendimento. A qualidade desse serviço é representada pela percepção do consumidor quando sente que sua demanda passa a ser, também, NOSSA demanda. 2 - Planejamento O planejamento é a etapa crucial de todo e qualquer processo. Trata-se do momento em que analisamos a conjuntura organizacional, definindo as possibilidades e os caminhos mais viáveis de concretização das atividades. Muitas vezes, essa fase é negligenciada em empresas cujas culturas são imediatistas. A consequência é o retrabalho e a surpresa com custos não previstos. Poderemos evitar esse quadro se planejarmos as tarefas com riqueza de detalhes, fazendo um levantamento de todos os cenários possíveis com foco no futuro. Um planejamento bem feito inclui as demandas do cliente e a viabilidade de soluções para determinados problemas. Para tal, devemos: Definir metas claras; Verificar quais são os recursos necessários8 para atingi-las; 8 Recursos necessários Entre os meios necessários para a realização de um projeto, podemos destacar: A quantidade de recursos humanos; Os recursos materiais; O aporte financeiro. Esses dados formam a matéria-prima do orçamento – como, por exemplo, o prazo de entrega e a faixa de preço final para o cliente. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 24 Identificar, previamente, os riscos envolvidos no processo; Considerar a gama de variáveis externas que podem comprometer o acordado com o cliente. Finalmente, essa etapa é concluída com a elaboração do Plano de Ação – quando definimos O QUE, POR QUE, QUANDO, COMO, ONDE será feito e POR QUEM será gerenciado. 3 - Gerenciamento do processo Este é o momento em que o gestor pode – e DEVE – mostrar toda a sua competência, efetivando, de modo empreendedor, aquilo que foi planejado. Sua preparação para gerenciar e executar qualquer projeto dentro de uma organização deve-se basear em uma única palavra: FLEXIBILIDADE. Considerando que as mudanças ocorrem com uma velocidade cada vez maior, muito do que foi planejado e orçado dentro de um contexto específico pode necessitar de novos cálculos e ajustes para garantir sua manutenção. Essas variáveis não controladas9 pela organização podem ser previstas no planejamento, mas isso não impede que o gestor realinhe, com frequência, os processos da empresa. Um gestor bem preparado deve praticar duas ações: Monitorar o andamento do projeto 9 Variáveis não controladas Como exemplos de imprevistos a que as empresas estão sujeitas, podemos citar: A demissão voluntária de profissionais-chave; O atraso por parte de fornecedores na entrega de insumos importantes; A alteração de marcos regulatórios em virtude de mudanças governamentais etc. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 25 Esta ação pode ser concretizada através de indicadores bem definidos que são analisados por procedimentos frequentes de follow up10. Quando isso acontece, as pequenas variações de rumo são rapidamente detectadas e logo corrigidas. Aplicar o plano B Esta alternativa não é fruto de atitude intempestiva ou de lampejos de sorte. Afinal, algumas situações podem ocorrer sem que todas as variáveis tenham sido mapeadas e previstas no planejamento – mesmo quando este é bem elaborado. Nesses casos, o gestor deve ter perspicácia suficiente para agir com velocidade e com a intensidade correta, redirecionando o curso do trabalho. 4 - Entrega de resultados A entrega de resultados representa o coroamento de todo projeto: é quando garantimos a qualidade do que foi encomendado no prazo definido. Trata-se do momento em que a empresa fornecedora tem a chance de encantar o cliente com uma entrega acima de suas expectativas. Essa superação tem produzido a fidelização de consumidores exigentes que, além de aguardarem pelo acordado, esperam algo a mais por parte do fornecedor. Muitas vezes, a entrega ocorre antes do previsto, em um prazo mais curto. Em outras ocasiões, esse serviço diferencial se apresenta em forma de garantia maior do produto ou de assistência técnica estendida. 10 Follow up Expressão inglesa que significa fazer o acompanhamento. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 26 O importante é oferecer ao cliente uma surpresa agradável! 5 - Fator humano Finalmente, chegamos ao fator humano. Toda a linha do processo de trabalho que apresentamos anteriormente só é possível porque existem PESSOAS que lhe dão o suporte necessário. Esses profissionais formam o verdadeiro diferencial para o sucesso de qualquer projeto. Ao longo desta disciplina, você entenderá a importância do ser humano dentro das organizações e o motivo pelo qual as empresas estão buscando cada vez mais humanizar o ambiente de trabalho, valorizando os indivíduos que nelas atuam. Aprenda Mais Conheça o Blog Para quem quer passar e leia o post sobre a Natureza e evolução do pensamento administrativo encontrado no Material Complementar. Exercícios de fixação Questão 1 Analisando a evolução do pensamento administrativo, é INCORRETO afirmar que no período do surgimento das máquinas: a) Foram criadas as teorias sobre motivação. b) A única finalidade do trabalho era o salário. c) A simplificação do trabalho especializava o trabalhador. d) O trabalhador não deveria pensar muito, mas ser alienado. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 27 e) Os equipamentos representavam a perfeição, e o homem deveria imitá- los. Questão 2 O mundo atual dos negócios exige que os profissionais possuam condições de alto desempenho no trabalho, além do convívio adequado em equipe. Essas competências são, respectivamente, denominadas:a) Específicas e globais b) Empresariais e sociais c) Trabalhistas e emocionais d) Técnicas e comportamentais e) Organizacionais e relacionais Questão 3 Todas as empresas possuem processos desenhados para otimizar seu trabalho. Entre as opções a seguir, assinale aquela que aponta a sequência CORRETA de macroprocessos que devem ser realizados em prol dessa melhoria contínua: a) Identificação da demanda, planejamento e entrega do produto. b) Atenção ao foco do cliente, planejamento e entrega de resultados. c) Planejamento, gerenciamento do processo e entrega de resultados. d) Gerenciamento do processo, elaboração da solução e planejamento. e) Identificação da demanda, elaboração da solução e entrega do produto. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 28 Referências CARBONE, Pedro Paulo (org.). Gestão por competência e gestão do conhecimento. 3ª ed. – Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 29 Aula 2: Cultura organizacional Introdução Nesta aula, trataremos da cultura organizacional e de suas influências na rotina das empresas. Além disso, enfatizaremos a importância do clima organizacional para a fidelização de talentos e a promoção da qualidade de vida no trabalho. Para identificar cada uma dessas particularidades no mundo corporativo, é preciso realizar pesquisas internas, cujos resultados auxiliam na definição de ações estratégicas de melhoria. Tal discussão também fará parte deste estudo. Por fim, apresentaremos os modelos e processos de comunicação, destacando as comunicações vertical e horizontal dentro da empresa. Objetivos: Demonstrar como a cultura organizacional se estabelece dentro da empresa e afeta todos os seus processos; Reconhecer a importância do clima organizacional como agente de retenção de colaboradores; Identificar os processos de comunicação e seus elementos. Conteúdo Primeiras palavras Como sabemos, a cultura de uma empresa define sua forma de agir e de se apresentar ao mercado. É ela que, muitas vezes, desperta o interesse de um talento em participar de determinado processo seletivo. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 30 Afinal, quem não deseja trabalhar em uma organização cuja cultura valoriza o profissional e incentiva o desenvolvimento de todos os seus colaboradores? O clima empresarial, por sua vez, reflete o prazer de se trabalhar nesse lugar e faz com que o ambiente seja estimulante e, ao mesmo tempo, acolhedor. Mas quais são os aspectos que envolvem a cultura e o clima organizacional? Nesta aula, daremos destaque a essas singularidades dentro do mundo corporativo. Importância do fator humano Provavelmente, você já ouviu que as PESSOAS são a “alma” do negócio! Esse ditado se fundamenta no fato de que o ser humano tem sido o grande agente de mudança tanto da sociedade quanto das empresas. Portanto, podemos concluir, sem receio, que o sucesso de um empreendimento está vinculado ao diferencial proporcionado pelos indivíduos que o conduzem. São eles que põem em prática aquilo que foi planejado. Em outras palavras, de nada adiantará um excelente desenho de processos organizacionais se o fator humano não estiver comprometido com ele. Para que possamos entender esse fenômeno, devemos analisar em que contexto tudo isso acontece. Disso resulta a importância do estudo da cultura organizacional! Cultura da sociedade Se pararmos para observar o meio social em que vivemos, entenderemos que a cultura dos povos se constitui por sua produção subjetiva e objetiva. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 31 Veja, agora, em que consiste cada um desses aspectos: Produção subjetiva Como subjetiva, entendemos a produção mental do pensamento humano, ou seja, tudo aquilo que representa a cultura de um povo. São exemplos de produções subjetivas: Crenças; Lendas e histórias; Leis; Ideias; Valores e padrões de comportamento etc. Produção objetiva Como objetiva, entendemos a produção externa à consciência do homem – aquela que independe de suas preferências individuais, mas se configura como uma convenção. São exemplos de produções objetivas: A arte e o artesanato; O vestuário e a alimentação; O mobiliário; As instituições; As máquinas e as construções etc. A cultura organizacional importou esses termos dos estudos da cultura da sociedade e passou a utilizá-los na análise da dinâmica empresarial. Sendo assim, os conceitos de ritos, tabus, mitos e crenças podem ser vistos como elementos organizacionais e considerados quando há necessidade de preparo de diagnóstico de empresas. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 32 Veja, a seguir, como esses modelos de produção se aplicam ao ambiente organizacional. Cultura dentro do ambiente empresarial Ao considerarmos a cultura organizacional, devemos levar em conta que a empresa está inserida dentro da sociedade e que é influenciada por ela. Por isso, o modelo empresarial nos permite identificar as mesmas formas de produção de cultura que apresentamos anteriormente, mas com características específicas. Vejamos: Subjetividade da cultura organizacional A produção de subjetividade organizacional diz respeito às normas e aos valores que regem a rotina administrativa da empresa. É isso que possibilita a organização da hierarquia e de sua rede de relações dentro do ambiente corporativo. Tais regulamentos organizacionais definem o que é certo e errado, normal e anormal, e quem será digno de promoção – por ter agido dentro das normas – ou de punição – por tê-las burlado. Esses traços de cultura da empresa devem ser bem entendidos por todos que dela fazem parte, sob pena de haver grande chance de ruído de comunicação ou frustração pelo não entendimento das normas vigentes. Objetividade da cultura organizacional A produção de objetividade organizacional está relacionada aos instrumentos e processos 11utilizados para se trabalhar na empresa. 11 Instrumentos e processos No grupo de instrumentos e processos relativos à cultura da empresa, estão: As máquinas; LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 33 Esse aspecto também expressa muito da cultura da organização e deve ser observado quando queremos entender como ela funciona. Isso pode ser percebido, por exemplo, pelas seguintes características: • Decoração de diversos ambientes corporativos, em que há modelos de cadeiras específicos para níveis hierárquicos diferentes; • Vagas exclusivas no estacionamento da empresa. Atenção É comum iniciarmos a análise da cultura de uma organização a partir de sua procedência. No caso das multinacionais, por exemplo, devemos considerar seu país de origem. Já no caso das empresas nacionais, precisamos identificar o Estado em que sua matriz está localizada, pois é de lá que partem suas orientações gerais. Isso ajuda a entender o funcionamento das corporações e a melhor forma de intervenção em seu ambiente – quando necessário. Os equipamentos; O layout ou disposição do mobiliário; A forma como o trabalho é dividido; Os recursos materiais; A linguagem específica, ou seja, os termos técnicos; Os cronogramas etc. LIDERANÇAE PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 34 Material complementar Para saber mais sobre a noção de cultura dentro das empresas, leia o texto: Cultura organizacional. Atividade proposta 1 Agora que você já aprendeu um pouco sobre a cultura organizacional, vamos realizar uma atividade! Assista ao vídeo A metáfora dos cinco macacos e, em seguida, faça o que se pede: Analise a formação de uma cultura, traçando um paralelo entre a experiência realizada com os macacos e a realidade empresarial em que se demitem pessoas e se integram as admitidas. Caçador de tendências Como vimos na atividade proposta anteriormente, além da cultura interna das empresas, também devemos atentar para a importância das modificações na cultura geral que acontecem nas sociedades e podem influenciar os negócios da corporação. Trata-se de tendências e alterações de hábitos que devem ser identificados antes que os produtos e serviços da empresa fiquem defasados. O profissional que vem assumindo esse segmento chama-se Chief Culture Officers (CCO) – Diretores de Cultura – ou coolhunter – caçador de tendências. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 35 Focados nas rápidas modificações de traços na cultura, esses profissionais têm a função de decodificar as tendências da moda, da música, do cinema, enfim, os comportamentos da sociedade, a fim de atualizar os traços culturais da empresa – seus valores e sua imagem. Tudo isso tem importância tanto para fidelizar clientes quanto para transformar a empresa em uma organização atraente capaz de captar e conseguir reter talentos. Clima organizacional: exercício de fixação Se a cultura de uma empresa é associada a sua personalidade, o clima organizacional representa sua emoção. Em outras palavras, o grau de felicidade de uma organização é medido pelas emoções dos trabalhadores que nela atuam – afetadas diretamente pela atmosfera predominante no ambiente corporativo. Quando esse clima é bem diagnosticado, podemos verificar o nível de motivação dos colaboradores e de sua satisfação em fazer parte daquela empresa. Dessa forma, é possível obter um retrato não apenas dos sentimentos de cada profissional mas também de cada segmento organizacional que merece ser investigado. Vamos ver um exemplo? Suponha que determinada empresa de grande porte esteja preocupada com o nível de produtividade de seu pessoal, que vem caindo ao longo dos últimos meses. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 36 Material complementar Para saber mais sobre a noção de clima no ambiente empresarial, leia o texto: Abordagens teóricas e dimensões empíricas do conceito de clima organizacional. Modelos de gestão: antigo X contemporâneo Antigamente, a empresa era considerada como império da racionalidade: local em que o trabalhador devia anular-se emocionalmente. Essa concepção respaldou muitas campanhas motivacionais fundamentadas na individualidade que estimulavam a luta pelo poder, o conflito e a desunião. O sucesso da empresa era, então, definido pela lei da sobrevivência. Mas não havia atmosfera social nem profissional que suportasse, por tanto tempo, um ambiente de trabalho como esse. Se toda empresa visa à melhoria de seu desempenho, de seus lucros e de sua imagem no mercado, como pensar em desenvolvimento sem considerar o clima organizacional como indicador de êxito? Por isso, a preocupação com a saúde de seu cliente interno, ou seja, com o bem-estar do trabalhador, começou a fazer parte do escopo das organizações. Veja, agora, como se deu a evolução dos modelos de gestão quanto ao entendimento do fator humano no mundo corporativo: GESTÃO ANTIGA - Modelo econômico A recompensa monetária bastava para motivar o profissional. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 37 GESTÃO CONTEMPORÂNEA - Visão humanista O empregado passa a ser visto como sociável e suscetível ao grau de satisfação proporcionado pelo ambiente de trabalho. Em outras palavras, a relação direta entre satisfação e produtividade virou um FATO e tornou-se, logicamente, interesse de estudo dos gestores. Por sua vez, a identificação do clima dentro das organizações – quanto ao nível de prazer e de satisfação do funcionário – deixou de ser um aspecto incompatível com a seriedade do ambiente empresarial para ser estimulado como forma de agir sobre a performance desse trabalhador. Pesquisa de cultura e de clima A identificação dos traços de uma cultura ou do clima organizacional deve ter como objetivo a produção de material estratégico para a tomada de decisão. Portanto, qualquer erro nesse diagnóstico pode levar a empresa a uma direção equivocada. A forma de reduzirmos esse risco está na realização de PESQUISAS internas de satisfação. Com a aplicação de adequados instrumentos e perguntas bem elaboradas, é possível extrair, em todos os níveis, a percepção que os colaboradores possuem da empresa. A partir do mapeamento e da interpretação desses dados, podemos montar o PLANO DE AÇÃO que oferecerá respostas aos empregados. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 38 Um dos aspectos mais delicados das pesquisas internas a que nos referimos está na prontidão da resposta por parte da empresa ao sinal de insatisfação destacado pelos colaboradores, que pode contemplar uma série de temas12. A demora quanto à prática de ações que atuem sobre esses pontos pode provocar a perda de credibilidade no processo e aumentar o descontentamento diagnosticado. Mas há uma forma de a empresa manter os funcionários satisfeitos diante da cultura e do clima organizacional: basta sustentar a comunicação entre seus pares! Processos de comunicação O ato de comunicação13 é utilizado, há muito tempo, pelas empresas. Os processos que o envolvem são constituídos pela dinâmica produzida por elementos bem definidos dentro um sistema que, em sua essência, conduz a informação às pessoas. 12 Temas Entre os temas investigados pelas pesquisas de satisfação das empresas, estão: Ambiente físico; Modelos de recompensa e reconhecimento; Ambiente psicológico; Relação com chefia; Satisfação com benefícios; Orgulho em fazer parte da empresa; Comunicação; Divisão de responsabilidade; Participação na tomada de decisão; Delegação; Autonomia no trabalho; Exercício da criatividade etc. 13 Comunicação Do grego communis que significa comum. Trata-se da tarefa de tornar conhecido algo comum por meio do intercâmbio de informações. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 39 Esses elementos podem ser divididos em: Elementos básicos Elementos mais específicos Emissor Quem emite a mensagem. Mensagem Conteúdo transmitido. Canal de Comunicação Meio utilizado para essa transmissão. Receptor Quem recebe a mensagem. Emissor Quem emite a mensagem. Mensagem Conteúdo transmitido. Codificadores Aqueles que põem a mensagem no código adequado para ser enviada. Canal de Comunicação Meio utilizado para essa transmissão. Receptor Quem recebe a mensagem. Decodificadores Aqueles que traduzem o conteúdo do código ao receberem a mensagem. Feedback Sinais que retroalimentam quem emitiu a mensagem, informando se ela foi entendida. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 40Atenção Apesar de toda a tecnologia de ponta e de toda a literatura a respeito desses processos, ainda encontramos muitos problemas de comunicação em todos os diagnósticos realizados sobre esse tema. Distorções de conteúdo: ruídos de comunicação Logicamente, os processos de comunicação nem sempre ocorrem de forma linear e eficaz. Em grande parte, o que percebemos está filtrado por distorções do conteúdo transmitido. Essas distorções acontecem pelos ruídos de comunicação, ou seja, interferências oriundas de fatores externos14 ou internos15. Veja o nível de concentração das informações percebidas pelos indivíduos dentro das organizações: 14 Fatores externos Como exemplos de fatores externos aos processos de comunicação, podemos citar as informações que chegam simultaneamente ao ambiente de trabalho, as falhas no canal de comunicação etc. 15 Fatores internos Como exemplos de fatores internos aos processos de comunicação, podemos citar: Os estados emocionais do receptor; Os bloqueios por preconceitos; O cansaço etc. Fatores subjetivos e não verbais 53% Percepção pelo corpo. 38% Percepção pelo tom da voz. Palavras ditas Percepção de apenas 7%. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 41 Em virtude da elevada chance de ruídos, os processos de comunicação tornam-se mais complexos. Isso expõe o cuidado que a empresa e os gestores devem ter ao enviar mensagens a seus colaboradores. Modelos de comunicação Os modelos de comunicação utilizados dentro das empresas devem ser analisados a partir das seguintes direções de conteúdo: Vertical descendente A direção vertical descendente configura a comunicação hierárquica dentro da organização. Por isso, ela acontece de cima para baixo e permite à autoridade enviar ordens e determinações aos colaboradores. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 42 Sabendo que a mensagem pode ser enviada de várias formas – escrita, oral ou não verbal –, o que importa, nesse caso, é como seu conteúdo está sendo entendido pelos receptores. Vertical ascendente A comunicação que segue a direção vertical ascendente ocorre de baixo para cima e quantifica as possibilidades de que dispõe um colaborador para ser ouvido por seus gestores ou pela alta gestão da empresa. Nesse caso, cabe ao gestor identificar que canais são disponibilizados para esse fim e qual é sua real eficácia. Afinal, quantas mensagens importantes são transmitidas pelos trabalhadores, mas não chegam aos níveis mais elevados da organização? Além disso, esses conteúdos podem ser distorcidos por profissionais de níveis intermediários. Horizontal ou lateral As mensagens que seguem uma direção horizontal ou lateral são aquelas que acontecem entre pessoas ou equipes do mesmo nível. A transmissão desse tipo de conteúdo está mais livre das comunicações hierarquizadas e pode facilitar o trabalho, mas também atrapalhá-lo. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 43 Nesse caso, cabe ao gestor atentar para qualquer indício de distorção da mensagem, estimulando que a comunicação seja instrumento para favorecer a troca ou o feedback. Em outras palavras, é necessário utilizar, prioritariamente, canais que permitam a percepção quase imediata das reações do interlocutor. Exercícios de fixação Questão 1 Assinale, entre as opções a seguir, aquela que NÃO apresenta um dos elementos dos processos de comunicação: a) Ruído e receptor b) Emissor e receptor c) Mensagem e feedback d) Receptor e mensagem e) Canal de comunicação e emissor LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 44 Questão 2 A produção de cultura organizacional segue o mesmo modelo da cultura geral, ou seja, ocorre de forma subjetiva e objetiva. Dentro do ambiente empresarial, são exemplos de produção subjetiva: a) Layout e logo b) Regras e normas c) Mobiliário e decoração d) Formulários e processos e) Maquinário e ferramentas Questão 3 Ao aplicar uma pesquisa de clima, a empresa deve entender que o principal fator de sucesso está na prática de ações que atuem sobre os pontos de atenção identificados. A demora dessa atitude pode provocar diversos problemas, tais como: a) Dificuldade para analisar os resultados. b) Reconhecimento de que o colaborador está certo. c) Aceitação quanto à impossibilidade de executar ações. d) Necessidade de preparo de orçamento detalhado. e) Perda de credibilidade no processo e aumento da insatisfação diagnosticada. Referências TEIXEIRA, Gilnei Mourão. Gestão estratégica de pessoas. Rio de Janeiro: FGV, 2006. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 45 Aula 3: Negociação – gestão de conflitos Introdução Saber conduzir situações de conflito é uma qualidade muito importante e essencial para empresas e pessoas. Essa capacidade é propulsora de inovações. Afinal, é dos conflitos que surgem oportunidades de mudança de grupos sociais e possibilidades de desenvolvimento pessoal e profissional dos indivíduos. Nesta aula, vamos aprender a agenciar e a gerenciar conflitos, entendendo as caraterísticas da atividade de negociação. Objetivos: Diagnosticar a negociação e o conflito nas rotinas empresariais; Empregar a negociação e a gestão de conflitos com vistas ao alcance de metas; Descrever o gerenciamento de conflitos a partir de seus tipos e de suas especificidades. Conteúdo Conflito e negociação “Um processo de negociação bem conduzido não faz somente um vencedor, mas gera condições de satisfazer todas as pessoas envolvidas com os resultados atingidos.” Fonte: Sayed, 2003. Observe a charge ao lado. Ela é caricata e não condiz com a afirmação de Sayed, tendo em vista que a suposta mesa de negociação – representada por uma faca – é uma verdadeira armadilha para os trabalhadores. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 46 Casos como esse geram conflitos dentro do ambiente empresarial! Os conflitos permeiam a existência humana desde os tempos mais remotos. O interesse nos gêneros do vizinho, em suas armas, na caverna mais privilegiada sempre foram motivos de ataques, invasões, saques etc. Com o advento da linguagem e dos processos da civilização, a diferença de interesses passou, então, a ser negociada, levando-se em conta as vantagens para um e outro lado. Mas o conflito não é, necessariamente, ruim, negativo ou improdutivo, como muitos pensam. Trata-se de uma oportunidade para repensarmos situações, reavaliarmos possibilidades e refazermos planos. Vamos entender melhor esse conceito? Visão positiva do conflito Na gestão empresarial, o conflito16 é praticamente inevitável, mas essencial para o sucesso das organizações. Vamos conferir por que ele é tão importante. Embora considerado desagradável em muitas circunstâncias, o conflito também pode apontar para direções positivas. Afinal, ele é capaz de: • Energizar uma situação estagnada que impede melhorias; • Ajudar a romper paradigmas; 16 Conflito Relação social com funções positivas para a sociedade, desde que sua potencialidade destrutiva e desintegradora possa ser mantida sob controle. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 47 • Aperfeiçoar rotinas viciadas e improdutivas etc.Enfim, o conflito é o momento de alçar novos voos em direção a melhorias organizacionais tão almejadas. Mas antes de identificarmos como é possível tratá-lo dessa forma, vamos conhecer quais são as causas e consequências dos conflitos, os níveis em que se enquadram e a tipologia atribuída a eles. Causas dos conflitos Uma boa administração dos conflitos deve levar em conta sua origem e seus desdobramentos. Como possíveis causas dos conflitos, podemos citar: Frustração pessoal com pessoas que compartilham os mesmos ideais e que, em determinado momento, tomam direções diferentes. Temperamentos e personalidades que, se não forem trabalhados em seu cotidiano, serão fontes de agressões, descontentamentos e competições desnecessárias. Metas diferentes dentro do mesmo setor organizacional, que podem gerar insatisfação com colegas, superiores e clientes. Percepções distintas que podem gerar conflitos, até porque analisamos o mundo de acordo com nossos modelos mentais – que são diferentes. No ambiente de trabalho, isso é motivo de desentendimentos e de inimizades. Níveis de conflitos Como vimos anteriormente, os conflitos podem ser causados por inúmeros motivos. Justamente em função disso, eles se enquadram dentro dos seguintes níveis: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 48 Discussão Este nível representa o início de qualquer conflito. Trata-se do momento em que as partes lançam ideias diferentes e tentam fundamentá-las. Debate Neste nível de conflito, há a participação do lado emocional das pessoas. Trata-se do momento em que as tentativas de convencer a outra parte tornam-se mais evidentes. Façanhas Neste nível de conflito, as partes começam a desvalorizar os argumentos uma da outra, destacando, em excesso, suas posições. Imagens fixas Este nível de conflito inclui argumentos baseados na imagem preconcebida que as partes formam com relação às demais. Neste momento, a emoção não permite a clara percepção do outro. Loss of face Neste nível de conflito, a teimosia domina as partes, fazendo com que não aceitem os argumentos uma da outra – o que justifica a nomenclatura loss of face17. Por isso, muitas vezes em nome do orgulho, o conflito é mantido a qualquer custo. Estratégias Neste nível de conflito, há uma visível distorção no processo de comunicação, e ameaças e punições aparecem claramente. 17 Loss of face Expressão de origem inglesa que, em sentido figurado, significa ficar com a cara no chão, ou seja, ficar em situação penosa ou vexatória – como a de quem prometeu e não pôde cumprir. Adaptado de: Dicionário Aulete online. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 49 Frieza Neste nível de conflito, aparecem sentimentos de destruição e nenhuma solidariedade com o outro. Perda do controle O foco deste nível de conflito é a autopreservação e a preparação instintiva para a luta. Agressões declaradas Neste nível de conflito, materializa-se a agressão que pode causar sérios danos às partes envolvidas. Atenção É possível aplicarmos essa descrição nivelada a qualquer tipo de conflito. Se reconhecermos, rapidamente, as motivações para as desavenças, poderemos transformá-las em conhecimento mútuo e sublimar a agressividade em pactos de civilidade. Tipos de conflitos Já sabemos que o conflito está por toda parte, mas podemos aprender a manipulá-lo em benefício próprio e de todos os que estão a nossa volta. A identificação do tipo de conflito a que, possivelmente, estamos sujeitos nos auxilia a administrá-lo e a otimizar as relações organizacionais. Vamos conhecer algumas dessas espécies: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 50 Latente Muitas vezes, o conflito nem é percebido e não costuma ser declarado, mas aparece como um pequeno incômodo com o outro – que é facilmente descartado. Percebido Neste caso, há a percepção do conflito, mas ele ainda não é exposto. As partes o conhecem, entretanto, ainda usam ferramentas racionais para lidar com ele. Sentido Neste caso, a emoção se manifesta no conflito. Este é o momento de parar e conversar. Manifesto Este é o conflito aberto e percebido, inclusive, por terceiros. Trata-se de um grave tipo de conflito que deve ser trabalhado com a máxima urgência em benefício das partes e da organização. Consequências dos conflitos Como dissemos anteriormente, os conflitos podem gerar diversas consequências, não necessariamente apenas consequências negativas. Vamos conhecê-las? Podem desviar a atenção das metas reais estabelecidas questionando grupos de trabalhos e mobilizando-os para novas mudanças desejadas. Podem tornar a vida das partes sem valor, especialmente os que costumeiramente perdem nas negociações, o que interfere em suas relações pessoais e profissionais. Podem favorecer a percepção cristalizada dos envolvidos, como é comum nas instituições. Se por um lado existem os estereótipos LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 51 genéricos referentes às categorias profissionais, dentro de cada organização, além dos tipos que fazem parte de sua cultura individual, como seus heróis, mitos, tipos ideais, começam a surgir seus “perdedores”, “ganhadores”, “culpados” e “inimigos”. Esses aspectos citados muitas vezes são considerados negativos, o que realmente são, mas, ao mesmo tempo, podemos enumerar outras consequências dos conflitos, apontando para direções diferentes, vamos vê- las? Podem ser fatores de socialização, quando colocam os novos participantes da equipe envolvidos em causas que nunca participaram antes. Desenvolvem o equilíbrio das relações de poder, uma vez que na resolução de conflitos, ganhadores diferentes se evidenciam. A formação de alianças é facilitada para uma determinada negociação, mas também fomentam a formação de alianças para proporcionar mais poder em conflitos específicos. Os conflitos sempre são úteis, positivos ou negativos que sejam, pois desempenham um papel importante para a evolução e transformação das organizações e das pessoas. Para se lidar com conflitos é necessário o conhecimento de trabalho com grupos, gerir preconceitos e tentar alinhar as expectativas e desejos das partes. Organizações e conflitos interpessoais Dentro das organizações, os conflitos podem ocorrer entre dois ou mais membros de uma equipe. Como já mencionamos, suas causas são variadas e incluem temas como valores, sexualidade, papéis não aceitos, condição financeira, entre outros. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 52 A cena ao lado destaca alguns desses conflitos, quais sejam: • Hierárquicos: conflitos com a autoridade participante da equipe ou outra pertencente à organização que acontecem em função da discordância de normas, de estilos de liderança, de avaliações não reconhecidas etc.; • Pessoais: conflitos decorrentes de crenças, valores e expectativas diferentes, apadrinhamentos, competições com colegas de equipe etc. Para cada uma dessas manifestações de natureza conflituosa, cabe sempre a negociação de conflitos18! Veja, a seguir, como lidar com esse processo. Galeria de vídeos Assista ao vídeo “Homens de honra” Conflitos e negociação O processo de negociação deve ser entendido como uma arte, cujos pilares incluem: CRIATIVIDADE + INTUIÇÃO + SENSIBILIDADE Trata-se do momento de aprendizado e aperfeiçoamento.Por isso, os bons negociadores utilizam a perspicácia para ouvir as partes, ponderar suas decisões, e equilibrar vantagens e desvantagens para cada um dos envolvidos. 18 Negociação de conflitos Ciência ou estudo aprofundado que busca o equilíbrio entre as partes que o formam. Alguns autores descrevem as técnicas mais variadas de negociação de conflitos de acordo com sua natureza e intensidade. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 53 O processo de comunicação está profundamente inserido no contexto de qualquer negociação. Para que ela seja eficiente, é importante que os pontos a serem negociados estejam definidos e bem fundamentados em suas reivindicações. Sendo assim, em todas as negociações, devemos levar em conta: A identificação dos aspectos comuns entre as partes; Os interesses implicados; O foco centrado na busca de soluções; A determinação dos benefícios das partes envolvidas. Fonte: BIRA & CLÁUDIA. Charges Pró-EMIA. São Paulo, 2010. Etapas do processo de negociação Toda negociação passa por etapas importantes a serem observadas. Entretanto, não devemos entendê-las como rígidas e imutáveis. 1. Definição dos objetivos O primeiro passo no planejamento de cada negociação é determinar os objetivos. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 54 Precisamos saber o que queremos e o que o outro quer, sejam: • Resultados ótimos; • Resultados reais; • Prioridades inegociáveis. 2. Preparação A boa preparação é fundamental para a negociação de sucesso. Essa fase inclui a definição de metas, o conhecimento das exigências da outra parte, as técnicas de negociação e a relação pós-negociação. 3. Início Um ambiente favorável reduz tensões desnecessárias, o que facilita a busca do consenso. 4. Desenvolvimento A negociação deve sempre se basear em um planejamento preexistente, a fim de que os argumentos sejam fundamentados em fatos reais, e não em suposições ou emoções. 5. Selo ou acordo Este é o momento de repassar toda a negociação e listar as exigências de ambas as partes. Por isso, a paciência é muito importante nesta fase, que inclui: • O resumo do acordo; • A revisão dos benefícios; • A checagem dos mal-entendidos; • A documentação dos resultados e dos compromissos assumidos; • A elaboração do cronograma para as próximas etapas – se necessário. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 55 6. Avaliação Nesta fase, verificamos os pontos favoráveis e desfavoráveis da negociação, avaliamos as técnicas utilizadas e comemoramos a conquista de resultados – quando pertinente. Habilidade do negociador Dentre as descrições de muitos autores, citamos algumas habilidades requeridas do negociador, quais sejam: • Comunicação direta e eficaz, podendo usar metáforas – se necessário; • Justiça, responsabilidade, integridade, autodisciplina e confiança; • Interesse no aperfeiçoamento constante; • Aptidão para ouvir com paciência e análise; • Foco no lado racional; • Habilidade para lidar com as diferenças; • Persuasão no uso da linguagem corporal e gestual. Por sua experiência no assunto, Márcio Miranda também nos dá algumas sugestões quanto às habilidades do negociador. Assista ao vídeo ao lado e confira seus conselhos. Erros passíveis de negociações Apesar de bem intencionados, aqueles que conduzem as negociações podem cometer e estar sujeitos a alguns equívocos, tais como: • Negociar com pessoas despreparadas; • Não ser flexível nas posições; • Descontrolar-se; • Não ter argumentos para as proposições da outra parte; • Não respeitar limites e metas; • Não estar suficientemente preparado e se arrepender depois; • Assumir erros de outros; LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 56 • Valorizar minúcias em detrimento do todo; • Não administrar o conflito e fugir dele; • Descumprir prazos ou combinações; • Desrespeitar diferenças; • Falar muito e ouvir pouco; • Não usar a empatia; • Utilizar linguagem de difícil compreensão; • Desvalorizar os resultados obtidos. Mas é possível evitar esses erros! Veja, a seguir, algumas dicas para dar prosseguimento ao processo de negociação. Dicas para a negociação Veja, agora, algumas orientações para os momentos que antecedem a negociação e para o decorrer desse processo. ANTES DURANTE Procure responder às seguintes perguntas: Lembre-se sempre de: Com quem vou negociar? Ouvir com atenção; Qual é sua escolaridade? Ter argumentos de manobras para as propostas oferecidas; Qual é seu nível intelectual? Recusar compromissos, caso não concorde com seus termos; O que vou falar e como o farei? Tomar cuidado com concessões em demasia no começo; Que postura é mais eficaz? Nunca fechar todas as portas; De que forma entenderão a comunicação? Demonstrar reciprocidade de condições nas propostas; Como poderei ser interessante para a outra parte? Trabalhar com agenda para otimizar o tempo da reunião; Quais serão as resistências e como lidar com elas? Não responder impulsivamente às perguntas, que devem ser analisadas cuidadosamente; Nunca desvalorizar a outra parte; Não interromper o interlocutor; Não deixar a reunião passar de duas horas sem pausas para um café. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 57 Objeções mais comuns Muitas vezes, as negociações são permeadas por dificuldades ou resistências impostas pela outra parte. A esses obstáculos damos o nome de OBJEÇÕES. Em função de sua natureza desafiadora, devemos encará-las como oportunidades para o crescimento profissional do negociador. Vamos conhecer as objeções que ocorrem durante o processo de negociação: Objeções ao produto ou serviço – Quando a outra parte acredita que seu produto ou serviço não está de acordo com suas necessidades. Nesse caso, há indecisão para marcar entrevistas. Exemplo: “Nesse momento, não estamos interessados.” Objeções de adiamento – Maneira de a outra parte evitar discussão naquele momento. Esta é a objeção mais comum que precisa ser superada. Afinal, se o assunto for colocado de lado, será muito provável que o envolvido na negociação nunca mais concorde com o que você quer. Exemplo: “Envie-me mais informações. Eu vou pensar sobre o assunto.” Objeções de preço – Neste caso, a outra parte acredita que seu preço é muito alto, embora não encontre nada de errado em seu produto ou serviço. Exemplo: “Não estamos em condições de arcar com estas despesas.” Objeções pessoais – A outra parte pode ter passado, anteriormente, por alguma experiência desagradável com um tipo de negócio semelhante ao seu. Exemplo: “Da última vez que marquei com alguém para realizar este serviço, o indivíduo chegou com um atraso de duas horas ou não cumpriu o combinado”. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 58 Principais estilos de negociadores Todas as teorias e todos os modelos de negociação são fundamentados no estudo do comportamento humano – especialmente em situações de conflitos. Seja para negociar a ida ao cinema ou o fim de uma guerra, a base da proposição é a mesma: a solução de um conflito e a adequação das necessidades de ambas as partes. Essas teorias não tentam classificar o homem, mas sim entender como sua conduta pode potencializar os processos de negociação com vistas a resultados satisfatórios. Vamos ver, agora, algunsestilos próprios de negociadores: Catalisador Negociador criativo, cheio de ideias, flexível e empreendedor. Seu perfil é dinâmico e inovador. Em determinadas situações, mostra-se quase como um visionário. Embora considerado por outros como pouco preparado e sonhador, possui enorme capacidade de persuasão. Apoiador Negociador que valoriza muito o ser humano e tenta entender a fundo as necessidades do outro, o que o torna digno de muita confiança para a outra parte. Sua desvantagem é a falta de assertividade e de posicionamento firme. Controlador Negociador rápido nas decisões e assertivo. Ele tenta virar o jogo para seu lado e valoriza em excesso suas condições. Por isso, pode ser visto como insensível e desinteressado quanto aos pontos de vista do outro. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 59 Analítico Negociador que explora ao máximo o interesse e as condições do outro. Ele analisa com detalhes as proposições e pode ser visto como excessivamente minucioso e sem visão global do tema tratado. Atenção Nenhuma das características listadas é melhor ou pior do que a outra. O importante é que o bom negociador as conheça e saiba aplicá-las quando a situação exigir comportamentos distintos. Atividade proposta Leia o texto Um antigo colega (Anexo1) e responda: Se você fosse o diretor da Empresa X, como ajudaria Pedro a entender a situação vivenciada por ele? Justifique sua resposta com base na análise do tipo de conflito a que o texto se refere. Reflexão A situação que avaliamos na Atividade proposta pode ocorrer em qualquer ambiente de trabalho. Por isso, precisamos estar aptos a lidar com o inesperado e a negociar conflitos. Para auxiliá-lo nessa tarefa, sugerimos que siga a filosofia de trabalho do famoso consultor e coach 19Abraham Shapiro: 19 Coach Palavra de origem inglesa que significa treinador ou instrutor – aquele cujo objetivo é encorajar e motivar seu cliente a atingir uma meta através de novas técnicas que facilitem seu aprendizado. Adaptado de: http://www.significados.com.br/coaching/. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 60 Não deixe que seu tempo de empresa lhe faça insensível a ponto de se esquecer de seu tempo sem empresa! Aprenda Mais Conheça a página so SEBRAE e leia a matéria sobre Como melhorar sua empresa no link abaixo: http://www.sebrae.com.br/momento/quero-melhorar-minha-empresa/comece-por- voce/negociacao Exercícios de fixação Questão 1 Aponte a característica que NÃO faz parte de um processo de negociação: a) Busca de acordo e de consenso. b) Realização de intervalo em alguns casos. c) Habilidade na utilização de critérios subjetivos. d) Existência de, pelo menos, duas partes envolvidas. Questão 2 Leia o texto a seguir: Para cada situação, há um taco certo Por Hugo Bethlem20 As negociações são uma parte crítica da dinâmica do varejo – fazemos um número cada vez maior delas todos os dias em uma velocidade crescente. Cada negociação mexe com os estoques, com a logística e com as margens. Nós nos relacionamos com cerca de 5.000 fornecedores. 20 Diretor executivo comercial do grupo Pão de Açúcar. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 61 Por essas razões, nossas negociações precisam ser padronizadas tanto quanto possível. Não podemos deixar que cada comprador tenha uma abordagem ou um objetivo diferente, ou que meu estilo pessoal dite o do grupo. Também não podemos abrir mão da ética e da transparência – todas as condições envolvidas precisam ser absolutamente claras. A partir de então, surgiu a decisão de criar um estilo corporativo de negociação, com base no qual estamos treinando nossos profissionais. No treinamento, mostramos que eles devem se orientar não pelo emocional ou pela força, mas pelo planejamento. Sem planejamento, você não tem tempo para conhecer melhor quem está do outro lado e não consegue partir para a negociação munido de todas as informações necessárias. Mas treinar não significa criar comportamentos mecânicos. Os contextos mudam, e o negociador precisa saber escolher as ferramentas adequadas a cada caso, como se fosse um jogador de golfe selecionando o taco certo para aquela jogada. Fonte ROSENBURG, Cynthia. A arte do aperto de mãos. Revista Exame.com. Disponível em: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0790/noticias/a-arte-do-aperto-de-maos- m0052279. Acesso em: 02 out. 2013. Considerando as orientações descritas no texto, avalie as afirmações seguintes. I. A criação de um estilo corporativo de negociação na empresa descrita pauta-se em estabelecer convicções éticas e promover treinamentos. O objetivo é fazer com que os negociadores optem por decisões racionais baseadas na identificação das questões em pauta na negociação e em LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 62 sua priorização, na construção de um leque de acordos alternativos, e no desenvolvimento de estratégias e táticas. II. A analogia entre o jogador de golfe e o negociador aponta para a ideia de que não existe um padrão ideal para aplicarmos ao comportamento do negociador. No entanto, é possível estabelecer estilos que, de certo modo, resultam em encaminhamento da negociação em consonância com os valores e objetivos organizacionais. III. A questão ética priorizada pela organização descrita foi um motivo importante para a implementação do treinamento em negociações na referida empresa. No entanto, sabemos que é impossível promover um treinamento em ética, pois a ética de um negociador corresponde a sua ética pessoal. Considerando as orientações do texto, assinale a opção que apresenta a(s) afirmação(ões) CORRETA(S): a) I b) III c) I e II d) II e III e) I, II e III Questão 3 O papel de uma negociação conduzida nos princípios éticos consiste em: a) Ceder para conquistar a outra parte e tornar o processo mais fácil da próxima vez. b) Obter as vantagens desejadas, sabendo que a outra parte também obteve o que quis. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 63 c) Utilizar o poder de persuasão para fazer com que uma das partes concorde com a outra e faça o que deseja. d) Desistir do processo quando o outro sugere ganhos não pensados que beneficiam a ambos, mas por vias duvidosas. e) Focar ao máximo no interesse de uma das partes, desqualificando a outra, a fim de obter ganhos para a empresa em que a primeira trabalha. Referências REIS, Ana Maria Viegas (org.). Desenvolvimento de equipes. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 64 Aula 4: Trabalho em equipe Introdução Nesta aula, trataremos da gestão de equipes. Vamos aprender a diagnosticar o seu nível através da análise do seu desempenho técnico e da sua integração interpessoal. Também vamos discutir os conceitos de grupo, equipe e time, entendendo quando podemos perceber uma equipe de alta performance. Relacionaremos a noção de capacitação técnica conjugada à qualidade do aspecto emocional do grupo. Objetivos: Entender os aspectos do relacionamento humano quando em empresas; Compreender as características dos grupos e equipes; Entender como funciona uma equipe de alta performance; Identificar tipos de conflitos nas equipes; Descrever as ações do gestor numa equipe. ConteúdoRelações pessoais A constante competição nas organizações pode gerar por muitas vezes, disputas desnecessárias que tornam seu clima pesado, individualista ao extremo e favorável para o desenvolvimento de comunicações equivocadas, mal elaboradas e fora de contexto. As pessoas podem ser classificadas erroneamente como incompetentes, uma vez que por falta de treinamentos e informações, podem não corresponder às metas almejadas pela organização. Ao mesmo tempo, outras, podem ser ditas competentes, ainda que não o sejam tanto assim, mas por suas “boas relações” e/ou indicações, possam assim parecer. Esta ambiguidade gera um péssimo clima organizacional e disputas entre as equipes, tornando o trabalho desagradável e, até mesmo, insuportável. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 65 Empresas são formadas por pessoas que se relacionam de uma forma ou outra, participantes de grupos distintos e gerenciadas por chefes em cada um de seus setores. O estilo da gerência vai determinar, neste cargo, o tipo de liderança em exercício naqueles grupos. A palavra em questão é o COMPROMETIMENTO, mas não podemos falar de comprometimento sem falar de consciência. Não existe comprometimento certo ou errado, o que existe é consciência. Podemos classificar em dois grupos os indivíduos que formam os times das empresas: Grupo I - Foco na qualidade de vida e sonhos de futuro. Grupo II - Foco maior na ambição materialista e pressa de “vencer na vida”. Atenção Não há certo ou errado nesta classificação. Importante frisarmos a maneira como cada um deles busca seus objetivos. Pode ser através do esforço desmedido, da ética, do comprometimento, de caminhos tortuosos, do egoísmo ou da solidariedade. Não nos cabe aqui fazer uma análise detalhada sobre cada um destes grupos, mas sim, inseri-los num contexto maior, as Relações Pessoais no Trabalho. Como se darão as relações pessoais? A raiz para o estudo das relações pessoais são os próprios participantes destas relações, em última instância, o indivíduo. Indivíduo este que carrega sua história, seus sonhos, necessidades, forças e fraquezas. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 66 Quais seriam então os pontos importantes de estudo para compreendermos o desenvolvimento das equipes? Podemos citar três pilares como a base para esta compreensão: Valores São o que acreditamos na vida. A partir de nossa formação de valores escolhemos nossa carreira, nossas companhias, moldamos nossos sonhos, definimos nossos preconceitos e “liberalidades”, elegemos tal indivíduo como importante para nosso trabalho, religião, filosofia de vida e muito mais. Modelos Mentais São os formadores de nossas crenças. Enraízam-se em nós desde a mais tenra infância e reforçam-se muitas vezes na adolescência. Com eles criamos nossos modelos de liderança, de relacionamentos, trabalho, diversão, entendimento político e cultural etc. Necessidades São nossa “mola impulsionadora” visceral. Vão desde as necessidades fisiológicas até as de auto-realização, como desenvolvidas por Maslow em sua “Pirâmide das Necessidades Humanas”. Diferença entre equipe e grupo Grupo Pode ser considerado um conjunto de pessoas objetivando um mesmo fim, porém, sem interdependência evidente de seus participantes. Por exemplo, um grupo de pessoas esperando atendimento na fila do banco. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 67 Numa empresa, com ruídos na comunicação, o desenvolvimento de uma equipe fica prejudicado, e as pessoas acabam trabalhando individualmente e não rendendo tanto quanto poderiam se trabalhassem como equipe. "TODA EQUIPE É UM GRUPO, MAS NEM TODO GRUPO É UMA EQUIPE" Equipe Ao contrário do grupo, a equipe, além de ter um mesmo objetivo, possui interdependência de seus membros e, muitas vezes, conta com uma liderança outorgada ou imposta. Segundo Sylvia Vergara, "para que um conjunto de pessoas se torne uma equipe é preciso que haja um elemento de identidade, elemento de natureza simbólica, que una as pessoas, estando elas fisicamente próximas, ou não". De acordo com esta assertiva, uma equipe é mais que uma junção de pessoas meramente no aspecto físico. Existe uma identidade grupal emocional, simbólica ou outra, que os faz agirem em “harmonia” em direção ao objetivo proposto. Assim, podemos resumir as diferenças entre grupo e equipe traçando um paralelo: Grupo Equipe Foco na ação individual Foco na ação coletiva Satisfação própria em 1º lugar Satisfação com a realização dos colegas da equipe Valorizam problemas Valorizam os desafios Duram por apenas um “compromisso” Desejos de continuidade Preferem o conforto Trabalham para superar desafios e conflitos Informações e comunicações fundamentadas em dados, fatos e análises muitas vezes não conectadas Comunicação na equipe também utiliza do afeto como ferramenta LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 68 Equipes de alta performance Dois fatores são importantes para o bom funcionamento das equipes: Empatia Capacidade de observar os fatos com o olhar do outro e, assim, entender como este outro percebe o mundo. Este “mundo” pode ser o momentâneo de uma situação ou, ainda, uma visão de futuro ou interpretação do passado. Simpatia A capacidade de respeitar e aceitar o outro, mesmo com diferenças evidentes. Para que isto aconteça, a palavra “respeito” deve ser a tônica das relações. Seja numa organização empresarial ou organização informal, a constituição das equipes passa necessariamente pelo recrutamento e seleção, especialmente seleção. Tendo em mãos os objetivos, os desafios e as metas a serem alcançadas, devemos analisar o perfil de virtuais candidatos a comporem a equipe. Observamos o perfil intelectual, emocional, social e, em alguns casos, a disposição física. Equipes sem liderança são fadadas ao fracasso. São como um grupo de pessoas desorientadas tentando alcançar um objetivo sem as ferramentas e regras necessárias. O tema da liderança será mais explorado em aulas futuras. Vantagens das equipes de alta performance Equipes convivem com tarefas e desafios, o que torna menos pesado para cada um, individualmente, arcar com todos os desafios propostos. Há muitas vezes um senso de parceria e divisão das responsabilidades, diminuindo assim a competição interna. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 69 Ao mesmo tempo, uma otimização do tempo é observada, o que torna a empresa mais competitiva “lá fora”, no mercado. Dessa forma, equipes produtivas são identificadas por algumas caraterísticas: São proativas; São criativas e ousadas nas tomadas de decisões; Aceitam as diferenças individuais como fontes de conhecimento e aprendizado para o desenvolvimento de atividades e processos; São regidas por disciplina, mas ao mesmo tempo, são flexíveis e estão constantemente reavaliando seus métodos de trabalho. VALE A PENA TRABALHAR EM EQUIPE? Equipes de alto desempenho certamente responderão a esta pergunta com um sonoro “SIM!”. Fundamentam sua resposta nos seguintes argumentos: A equipe agrega valores aos meus próprios valores; As decisões são mais ricas de resultados pelo pensamento e ação em conjunto; A competitividade é maior frente aos concorrentes com práticas cristalizadas de gestão; Equipes conseguem tornar o ambiente de trabalho prazeroso, leve e motivador para o trabalho. Pilares do trabalho em equipe Compromisso Devehaver um senso de responsabilidade e foco na interdependência entre os membros realizadores dos trabalhos. Confiança Estímulo ao desenvolvimento de cada um, sentimento de reciprocidade, abandono do medo ao se cometer erros. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 70 Comunicação Deve ser aberta e clara, sem duplo sentido, documentada, sempre que possível compreensível para quem recebe e objetiva. Envolvimento Uma “roda” de conhecimentos deve ser acionada, assim como seu compartilhamento, respeito mútuo, análises em conjunto e comemorações quando pertinente. Todas as equipes têm seu próprio ciclo e podem durar mais ou menos tempo em função dos objetivos propostos. Podemos dividir o ciclo de vida de uma equipe em três fases, a saber: Anomia: É o início de quase todas as equipes. Caracteriza-se por uma falta de identidade como equipe, sem os pilares antes citados que a tornam “uma equipe”. Papéis ainda não definidos, metas não tão claras, afetos recolhidos e sentimento de dúvida quanto à sua estruturação. Heteronomia: Começam as diferenciações e a necessidade da formação de uma liderança para a solidificação da identidade da equipe. Afloram as simpatias pessoais e desenvolve-se o “perigo” da formação de panelinhas com filosofias diferentes de trabalho e compreensão dos fatos. Autonomia: Há a maturidade comum às equipes eficientes. Os papéis não são tão rígidos e o conhecimento transita abertamente por entre todos os membros. A falha de uma ação ou processo não é culpa exclusiva de um indivíduo, em muitos casos pode ser compartilhada e colocada no rol dos aprendizados para o futuro. No entanto, mesmo em equipes de alto desempenho acontecem problemas. Cada autor classifica os problemas encontrados pelas equipes à sua própria LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 71 maneira, ainda assim, podemos apontar três principais problemas redutores de sucesso. São eles: Excesso de individualismo Resultados “ótimos” costumam nascer de esforços conjuntos no mundo do trabalho. Indivíduos com um “ego muito grande” tem a tendência a não ouvir. Este comportamento, altamente prejudicial, é baseado na falta de experiência com trabalhos em grupos e deve ser desestimulado. Resistência às decisões da equipe, por parte de alguns membros, também prejudicam seu bom funcionamento. Antipatia A “cara amarrada”, o ar de superioridade e desdém, favorecem o afastamento de quem assim se comporta. Nenhuma equipe tem seu funcionamento eficaz com interrupções na cadeia dos relacionamentos do grupo. Devem ser estimulados os comportamentos de ajuda, solidariedade, paciência, amizade, respeito e bom humor. Morar numa caverna A palavra de ordem no mundo do trabalho atualmente é network, relacionamentos. Deve-se incentivar o diálogo, as conversas informais quando possível e o conhecimento inter-membros das equipes. Aquele que fica sozinho, com pouco ou nenhuma comunicação, pode estar deixando de contribuir para a otimização do trabalho, inclusive em seu próprio benefício. Conflitos e relacionamentos pessoais na organização Os conflitos mais comuns que podemos identificar e transportar para as organizações são os seguintes: INTRAPESSOAIS: Conflitos internos, desafios emocionais de cada um. INTERPESSOAIS: Conflitos com outras pessoas. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 72 INTRAGRUPAIS: Conflitos dentro de um mesmo grupo de trabalho ou outros grupos. INTERGRUPAIS: Conflitos entre grupos de trabalho ou outros grupos. As causas dos conflitos podem ser as mais variadas possíveis. No caso do conflito intrapessoal, a causa pode ser a família, o próprio trabalho, decisões existenciais, relacionamentos afetivos e outras. No conflito interpessoal predominam as diferenças de opinião entre duas ou mais pessoas. O conflito intragrupal tem como origem as diferenças de pensamento entre membros da equipe, sentimentos negativos com a liderança, não aceitação de normas e outras. O conflito intergrupal caracteriza-se por posturas antagônicas entre suas filosofias de trabalho, metas, valores estabelecidos e tantas outras. Ações do gestor A comunicação é a principal ferramenta para o gestor atuar diante dos possíveis conflitos. É através dela que cada membro pode se expressar e o gestor pode equalizar informações de modo eficaz. As palavras, gestos, ideias, posturas etc., são sinais que expressam sentimentos e percepções que podem ser de grande riqueza quando traduzidas adequadamente. Portanto, a comunicação permite a criação de redes formais e informais pelas quais as informações e conhecimentos são passados e as decisões tomadas. A comunicação influencia diretamente a qualidade do relacionamento interpessoal, contribuindo para um maior ou menor grau de interação entre os membros da equipe e de troca com o ambiente externo. Refere-se também à maneira como os membros lidam com os conflitos que surgem no seu cotidiano. O conhecimento dos membros da equipe é, também, uma das principais ferramentas ao alcance do gestor para administrar seus desafios, rotinas e resultados. Esse conhecimento tem proporcionado que o gestor consiga atingir LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 73 a motivação do seu pessoal através dos incentivos certos. Sendo a motivação intrínseca, cabe ao gestor saber incentivar cada profissional da sua equipe da maneira que o estimule corretamente. Dizer que acredita, acenar com perspectiva de bons resultados no trabalho do funcionário, elogios e, em alguns casos, prêmios específicos, são exemplos de incentivos que provocam motivação. Dessa forma, para que o incentivo seja eficaz é importante que o gestor conheça individualmente cada um de sua equipe: traços de personalidade, vontades, gostos etc. Importante não só incentivar os que “acertam” com mais frequência, como também, fazer aos demais, acreditar em seus potenciais, vivê-los no dia a dia e, contemplarem com satisfação os resultados alcançados. Não é muito fácil manter a motivação nas equipes, principalmente com a pressão e as cobranças, muitas vezes exageradas, que vivemos no trabalho cotidianamente. Pessoas com perfis adequados às funções, remuneração justa e com normas estabelecidas, reconhecimento profissional, perspectiva de crescimento profissional e canais de comunicação abertos e eficientes, também são agentes motivadores de qualquer equipe. Mesmo sem existir uma fórmula perfeita, alguns pontos são consenso quando o assunto é motivação de equipes: Incentivar o compartilhamento do trabalho e acompanhá-lo em todas as suas etapas; Avaliar se a satisfação ao fim de um trabalho se deve ao “se livrar” deste trabalho, ou, ao alcance da meta proposta; Reconhecer, elogiar, dizer palavras que fortaleçam a crença no próprio potencial; LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 74 Ouvir com atenção sem interromper, mesmo que você “ache” que sabe onde a conversa vai chegar; Delegar, como forma de mostrar confiança na capacidade da equipe; Comemorar sempre que possível, os resultados alcançados. Portanto, os funcionários esperam que os líderes sejam capazes de promover a confiança entre os membros da equipe, que seja orientador, ouvinte, motivador, disciplinado e flexível, adaptável às mudanças e, em especial, que mostre com exemplos, o caminho para a realização dos objetivos. Podemos visualizar algumas dicas para que isto ocorra, abaixo: Valorizar a inovação em detrimento da rotina; Investir na confiança e determinação, nãovalorizando o medo; Fazer do tempo um aliado produtivo no trabalho; Investir também em seu próprio potencial, para que melhore continuamente e sirva de exemplo para a equipe; Usar a comunicação de forma eficaz, clara, objetiva e esclarecedora; Ser verdadeiro nas proposições, respeitando os limites individuais, Assim, o líder motivador consegue fazer com que a equipe enxergue potenciais adormecidos. Consegue despertar o gosto por atividades não tão atraentes para muitos. Suas alegria, olhar de certeza e determinação cativam, contagiam e servem de exemplo incentivador para a equipe. O líder motivador desenvolve talentos sabendo que, enquanto faz isto, desenvolve o seu mais e mais ao mesmo tempo. Terá uma equipe de alto nível onde os papéis, em boa parte das vezes, serão apenas “burocráticos”. Outra ferramenta de gestão é a avaliação de desempenho. Ela é uma ferramenta que “mede” a relação entre potencial pré-avaliado e a realização concreta e os resultados no trabalho. Pode ser feita também através da utilização de outros métodos, como a observação direta, avaliação 360º, dinâmicas, etc. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 75 Ela serve, dentre outras coisas, para auxiliar no autoconhecimento, incrementar as relações pessoais no trabalho, subsidiar planos de treinamentos, avaliar processos de remuneração, promoções e transferências, e fornecer dados para programação e realização de benchmarking. Em última instância podemos dizer que o rendimento de uma organização está diretamente vinculado ao desempenho das suas equipes. A competência organizacional é resultado das competências das equipes que a compõem. Outro tema dentro de equipes de alta performance é a administração do tempo. Administrar tempo é dirigir o comportamento para a execução de prioridades. Na instituição, além da organização das rotinas individuais, temos ferramentas que auxiliam a otimização do tempo. Uma delas é o fluxograma, ferramenta essencial para a resolução de problemas encontrados em processos industriais, gerenciais e outros. Outra ferramenta utilizada para a administração do tempo é a Matriz G.U.T, que significa: Gravidade, Urgência, Tendência. Um dos grandes problemas que as pessoas percebem na administração do LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 76 tempo é não saber diferenciar estes três elementos, que são totalmente diferentes entre si. GRAVIDADE - vai definir o grau de importância para a solução dos problemas que se apresentam Na escala comumente utilizada, usamos uma medida que vai de 0 a 5. Quanto maior a avaliação, maior a urgência em reparar a falha ocorrida. URGÊNCIA - determina o tempo para a solução do problema apresentado. Urgência 5, significa que o problema deve ser corrigido imediatamente, caso contrário, pode gerar resultados catastróficos. Urgência 1 significa importância pequena sem maiores consequências. TENDÊNCIA – determina a consequência da solução ou não, a tempo, do problema apresentado. Um problema com urgência 2, não tem a gravidade tão evidente, o que faz com que sua solução possa ser adiada. Portanto, ao líder cabe conhecer as ferramentas de administração do tempo e gerenciá-las da melhor forma possível. Importante também que toda a equipe conheça as gravidades de situações que podem acontecer em seus próprios setores. Desta forma poderão, de forma autônoma, avaliar as necessidades de intervenção, promovendo o fluxo de trabalho eficaz e com menos atropelos que em setores administrados de forma amadora. Aprenda Mais Leia o artigo da revista Exame sobre Equipes de alto desempenho. Exercícios de fixação Questão 1 Quais seriam os pontos importantes para a compreensão do funcionamento de uma equipe de trabalho? LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 77 a) Análise histórico-política das organizações. b) Análise de seus valores, crenças e necessidades. c) Estilo de liderança, tipo de remuneração e comunicação interpessoal. d) Posição na hierarquia da empresa. e) Verificação do histórico da produtividade anual. Questão 2 Os conflitos intragrupais, tão comuns nas organizações, são fruto de diversas diferenças. Às vezes encontramos diferenças de crenças, filosofia de vida, valores, formas de trabalhar, dentre outros. Considerando um grupo que esteja vivenciando esse tipo de conflito atualmente, como seus participantes devem agir? a) Procurar os gerentes de outros grupos e relatar sua situação. b) Tentar negociar as diferenças dentro do mesmo grupo. c) Solicitar a intervenção do RH em todos os grupos para promover o esvaziamento dos conflitos. d) Evitar discutir sobre o problema, pois ele se resolve com o tempo. e) Focar no trabalho, pois é para isso que todos foram contratados. Questão 3 Anomia, heteronomia e autonomia são conceitos que descrevem: a) Os tipos de comportamentos assumidos por um líder. b) Os ciclos pelos quais passam as equipes. c) Tipos de conflitos comuns à grupos. d) Ciclos de autoridade das lideranças. e) Falhas comuns das lideranças. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 78 Referências CAVALCANTI, Vera Lucia (org.). Liderança e motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 79 Aula 5: Liderança formal e informal Introdução Nesta aula, abordaremos o estabelecimento da liderança. Conceitos de liderança e seus tipos. Trataremos da liderança formal e informal, suas diferenças e utilização prática. Veremos, finalmente, os conceitos de poder e autoridade no contexto organizacional e como o gestor deve gerenciar cada um deles. Objetivos: Analisar a formação da liderança e sua diferença do poder; Compreender o gerenciamento do poder dentro das empresas; Compreender a liderança formal e informal na prática organizacional. Conteúdo Iniciando a conversa Shutz em 1978, como descrito no site http://www.diferencialbr.com.br/, afirma que: Toda liderança está associada a grupos determinados e, que estes grupos, passam por fases até seu amadurecimento e funcionamento autônomo. É importante que o líder tenha familiaridade com estas fases, para que possa transitar com eficácia nos momentos de conflito e transições comuns aos grupos, Vamos utilizar aqui os conceitos de inclusão, controle, afeição e despedida no que se refere ao desenvolvimento de treinamentos de equipes. Na fase de inclusão devemos agir de forma ativa no sentido de estimular o treinando a participar dos momentos iniciais assim como ficarmos receptivos à todas às dúvidas e inseguranças pessoais que aparecem neste momento com relação ao líder, aos colegas e ao grupo como um todo. Na fase de controle, quando o grupo está seguro de seu ritmo e seu próprio potencial de trabalho, LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 80 devemos estimular o debate e maiores participações para que os treinandos não se cristalizem em seus modelos de participação e pontos de vista e fiquem abertos às trocas que sempre estão acontecendo. Na fase de afeição o líder deve incentivar, reconhecer e elogiar cada vez mais as participações para que o círculo de trabalho do grupo crie uma identidade maior. É o momento mais delicado, pois é agora que a confiança no líder se solidifica e deve ser correspondida. Na fase de despedida o líder deve deixar um canal aberto para a comunicação após o término do treinamento, assim como auxiliar quem tem dificuldades em suas participações, e, estimular muito o espíritoempreendedor de cada um para utilizar em seus trabalhos e em suas próprias vidas. Se o líder agir de forma centralizada e autoritária vai impedir as manifestações espontâneas de insegurança, afeto e dúvidas que sempre aparecem em sua equipe. Vai também provocar a união de muitos membros do grupo no sentido de desmotivar os outros. Isto se dá pois vão mandar mensagens de crítica ao líder nas avaliações, o que iria provavelmente contaminar todos os outros futuros participantes. O resultado seria possivelmente muitas falhas em processos e uma péssima imagem da empresa para seu time de colaboradores. Quando o líder age colaborativamente já conhecemos os resultados: o grupo fica muito participativo, aberto a participações, sem medo de se expor, tranquilo que suas inseguranças serão bem recebidas e trabalhadas e, finalmente, cria-se um clima de amizade e respeito que é fundamental para o bom resultado de participação, conhecimento e mudanças para todos, líder e equipe. Na fase de "contra-dependência", o grupo está buscando sua identidade e, nesta etapa, o líder deve estimular o conhecimento dos participantes entre si. À este respeito, exercícios de "proximidade" são de muita importância para o estabelecimento de relações subgrupais dentro do próprio grupo maior. Esta busca de identidade do grupo é inerente a qualquer tipo de grupo. Cabe ao LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 81 líder observá-la e participar quando conveniente. O líder deve estimular sempre os comportamentos da autonomia e ao mesmo tempo "construções em conjunto" para solidificar as participações no ambiente do treinamento e possibilitar um resultado mais satisfatório para todos. Conceitos de liderança Os conceitos de liderança são inúmeros, assim como os autores que escrevem sobre o tema. Vamos ver algumas definições? “Liderança é um Processo de influência pelo qual os indivíduos, com suas ações, facilitam o movimento de um grupo de pessoas rumo a metas comuns ou compartilhadas.” HOUSE & PODSKOFF “Liderança é a realização de uma meta por meio da direção de colaboradores. O homem que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades especificas é um líder.” PRENTICE “Liderança é o processo de conduzir as ações ou influenciar o comportamento e a mentalidade de outras pessoas. Proximidade física ou atemporal ano é importante nessa definição.” MAXIMIANO “Liderança é o uso da influência não coercitiva para dirigir as atividades dos membros de um grupo e levá-los à realização dos objetivos do grupo.” JAGO Ao analisarmos os conceitos de liderança, vamos nos deparar com a descrição, comum a todos os autores, que líder é a pessoa que “conduz grupos”, LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 82 “organiza tarefas”, “resolve problemas”, “orienta e motiva no trabalho”, e tantas outras. Liderança e poder Liderança e poder costumam caminhar juntas. No ambiente organizacional competitivo e, ao mesmo tempo, que busca harmonia das relações, ser líder não é tarefa nada fácil. É preciso uma boa dose de equilíbrio, isenção de julgamentos, paciência e vontade de conhecer e aprender sobre o indivíduo e suas relações. O conceito de poder, no sentido burocrático, está associado ao cargo de chefia, o que não implica que esta chefia saiba exercer a liderança como uma de suas atribuições. Podemos dizer que chefia é cargo, ao passo que liderança é perfil. Vejamos as charges de Dilbert que representam bem a posição de poder da liderança. Para representar a posição do perfil de liderança, Gandhi é um exemplo perfeito. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 83 Mohandas Karamchand Ghandi foi um líder espiritual e pacifista indiano. Nasceu na cidade indiana de Bombaim, no ano de 1869. Estudou Direito em Londres, formando-se advogado. Ao retornar para a terra natal, tornou-se membro do Supremo Tribunal de Bombaim. Em 1914 começou uma campanha pela paz entre hindus e muçulmanos, que viviam em conflito. Atuou contra o domínio britânico na Índia, defendendo a criação de um estado autônomo. Em função destas posições foi preso várias vezes pelos britânicos. Gandhi era contra a violência, cultivando as formas pacíficas de protesto como, greves, passeatas, retiros espirituais e jejuns. Foi uma das principais figuras no processo de independência da Índia. No capítulo 10 – Liderança, qualidade e gerência do ser humano, da monografia de Gestão da qualidade total, de Ricardo Alexandre de Oliveira Mendonça, Gerenciar é exercitar a capacidade de fazer com que outras pessoas se sintam motivadas para executar ações e superar obstáculos na busca de um objetivo. Ao contrário da antiga crença de que o líder já nasce feito, os modernos conceitos da administração defendem que não basta reunir determinadas características de personalidade para ser um bom líder, como também alguém que não as traga de berço não está fadado a jamais ser um bom líder. O ideal é que a técnica possa ser associada a uma habilidade nata, mas, desde que alguém se proponha a trabalhar sua forma de atuação, é perfeitamente possível tornar-se um bom líder através da aprendizagem de técnicas de gerenciamento e da adoção de atitudes coerentes com o papel que se espera de um líder. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 84 O líder ideal Apresentar o perfil ideal sobre qualquer função sempre é arriscado, pois esse perfil deve estar contextualizado no tempo e no espaço. Como já vimos que esses fatores vêm se modificando com muita rapidez, a sua definição corre grande risco de ficar obsoleta em pouco tempo. Entretanto, nos parece que algumas macro-áreas vêm se mantendo constantes quando se investiga o perfil de um líder que é identificado como de alta performance. Essas áreas se dividem em competências mais focadas na razão e as mais focadas na emoção. Também podemos dividi-las em focadas no trabalho e focadas nas pessoas. Dentre as competências necessárias ao líder atual, podemos destacar: Competências Técnico-Operacionais Compreendem o conjunto de conhecimentos, habilidades e destrezas técnicas necessárias à realização de um processo de trabalho. Competências Cognitivas São aquelas capazes de contribuir para a excelência profissional, à medida que proporcionam a habilidade de aprender a aprender, pensar estrategicamente e introduzir melhorias no processo de trabalho. Competências Organizacionais Proporcionam aos profissionais a capacidade de organizar o trabalho, estabelecer métodos próprios, gerenciar seu próprio tempo e espaço de trabalho. Competências Relacionais Objetivam níveis ótimos de relacionamento interpessoal, que facilitem o entendimento e a solução simplificada de problemas, buscando o diálogo, negociação, argumentação e questionamento. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 85 Competências Sociais Definem-se pela capacidade de transferir conhecimentos da vida cotidiana para a esfera do trabalho e vice-versa, fazendo com que toda e qualquer atividade profissional, seja antes de tudo, uma prática social. Competências Comportamentais Relacionam-se às habilidades pessoais duráveis: iniciativa, motivação, vontade de aprender, curiosidade, abertura às mudanças e outras. Para refletir “Como gerente você é pago para estar desconfortável. Se você está confortável, é sinal seguro de que você está fazendo coisas erradas.” Peter Drucker Galeria de vídeos Assista ao vídeo Quem mexeuno meu queijo. Cinco qualidades para o exercício da liderança e gerenciamento participativo A melhor forma de gerenciamento é aquela que, em vez de se preocupar em gerenciar pessoas, preocupa-se mais em gerenciar com pessoas. É o que chamamos de Gerenciamento Participativo. A seguir apresentamos cinco regras simples a serem seguidas para tornar essa missão mais fácil, a que denominamos “As Cinco Qualidades Básicas do Gerenciamento Participativo”: 1. CONHECIMENTO o mais exaustivo possível do que está acontecendo em sua equipe; LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 86 2. DISCIPLINA INTERNA de modo que possa agir com convicção a respeito de normas e ordens, em lugar de sentir-se coagido externamente por uma disciplina que você não aceita; 3. BOM RELACIONAMENTO afetivo com pares, subordinados e superiores; 4. PRUDÊNCIA, que o leva a agir com cautela quando não tem suficiente experiência na tarefa que tem em mãos; 5. INTERESSE CONTÍNUO e permanente em aprimorar seus conhecimentos técnicos e equilíbrio emocional e mental. Também temos três grandes aliados que nos permitem atingir estas metas, se lhes dermos a devida atenção, são eles: As normas da empresa e as ordens superiores; o tempo, devidamente administrado e planificado; a colaboração como único estilo fundamental de uma chefia, seja com superiores, pares ou subordinados. Via de regra a equipe é o espelho da chefia, e esta consegue estabelecer procedimentos de forma mais eficaz através de ações concretas do que por meros discursos. A máxima conhecida para esse efeito é a de que “as pessoas seguem as pernas e não a boca de seus dirigentes”. Daí que se as normas forem valorizadas pelo gerente, que não só exige seu cumprimento pela equipe, mas também se submete a elas, se o tempo do gerente é administrado de forma a colocar-se disponível para a equipe e fazer frente as suas responsabilidades, e se adota uma postura de permanente colaboração, produzir-se-á uma forte tendência a ter tal comportamento imitado pela equipe. O somatório de suas ações pode ser traduzido por coerência! O gerenciamento participativo estimula o potencial de integração, acelera a resolução de problemas, valoriza e aproxima todos os membros da equipe, promove a sinergia, ou seja, o aumento do potencial global da equipe e desenvolve a qualidade e produtividade de todos os setores da empresa. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 87 Atualmente temos conhecimento da melhoria, inclusive dos resultados financeiros da empresa, quando é utilizado o Gerenciamento Participativo. O gerenciamento participativo elimina doenças crônicas do sistema gestão de resistência a mudanças, especialização exagerada, interdependência, falha no máximo uso do talento, colisões entre as expectativas do empregado e a habilidade dos gerentes de lidar com elas. Lideranças formais e informais “Quando o trabalho está feito e a tarefa cumprida, espera-se que um bom líder diga: – nossa equipe foi quem fez." Lao-Tsé, há mais de mil anos. Podemos definir como liderança formal aquela exercida por um chefe constituído pelo poder organizacional (uma promoção, por exemplo). A liderança informal surge de forma diferente daquela definida por outros. Ela surgida espontaneamente e, normalmente a decorre de indivíduos com temperamento expansivo, com talento para agregar os demais. Eles influenciam decisões e, muitas vezes, podem se tornar fonte de conflito quando entram em rota de colisão com a liderança formalmente constituída. Vejamos então como Marilsa Tadeucci, define as diferenças entre autoridade formal e liderança. Autoridade Formal Liderança Fundamenta-se em leis de comum acordo que criam figuras de autoridade dotadas do poder de comando. Fundamenta-se na crença dos seguidores a respeito das qualidades do líder e do seu interesse em segui-lo. O seguidor obedece à lei incorporada na figura de autoridade, não à pessoa que ocupa o cargo. O seguidor obedece ao líder e à missão que ele representa. A lei é o instrumento para possibilitar O líder é o instrumento para resolver LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 88 a convivência social. problemas da comunidade. A autoridade formal é limitada no tempo e no espaço geográfico, social ou organizacional. Os limites definem a jurisdição da autoridade. A autoridade é limitada pelo grupo que acredita no líder ou precisa dele. Os limites da liderança definem a área de influência do líder. A autoridade formal é temporária para a pessoa que desempenha o papel de autoridade. A liderança tem a duração da utilidade do líder para o grupo de seguidores. A autoridade formal inclui o poder de forçar a obediência às regras aceitas para a convivência. Os líderes têm o poder representado pela massa que o segue. A autoridade formal é atributo singular. A liderança é produto de inúmeros fatores. Não é qualidade pessoal singular. Liderança e processo no trabalho Sabemos que os aspectos comportamentais determinam em muito o estilo de liderança utilizado na condução das equipes. Não podemos colocar em segundo plano, além dos aspectos comportamentais e das rotinas diárias, atribuições de gestão que o líder deve dispensar especial atenção. O estilo de liderança adotado, seja qual for, deve ser motivador, atuante, esclarecedor, comprometido, participativo e determinado. Por exemplo: será que o líder seria capaz de subir em uma escada e trocar uma lâmpada na frente de seus funcionários? O que acha de tirar uma teia de aranha que nem a faxineira viu, ou ainda, pegar um pano para limpar a roupa de alguém que derramou água ou café por distração! “As palavras motivam, mas o exemplo arrasta”, já dizia o sábio ditado. E quais seriam estas atribuições de gestão que o líder deve dispensar especial atenção? Metas As metas da empresa e na equipe, para serem viáveis poderiam seguir os seguintes tópicos: serem realistas, compartilhadas, específicas, flexíveis e despertarem um sentido pessoal de realização em quem está envolvido com LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 89 elas. Independente do tipo de liderança adotada, persuasiva, bem humorada, analítica ou outro estilo, o mais importante é que encontremos a maneira mais funcional de gerenciarmos nossas equipes para que sejam conectadas e eficientes. Recrutamento Como é feito o recrutamento dos novos talentos necessários? Na própria empresa ou fora? Qual a maneira de atraí-los? Seleção Como é feita? Quem seleciona e quais são os critérios? Os perfis já estão definidos? Você já formatou a “cara” que sua equipe terá? A seleção e os instrumentos nela utilizados devem gerar resultados que fortaleçam a marca da empresa assim como a agilidade dos processos internos e o diferencial no atendimento ao cliente. Treinamento Quem treina quem? O treinamento é só burocrático ou também motivacional? As necessidades de treinamento são metodicamente pesquisadas tanto na equipe quanto a partir dos resultados e imagem que a empresa passa para o mercado? Normas As normas estão bem definidas e são respeitadas por todos? Hierarquia, disciplina, horários, linguagem, processos, etc. Funções Todos conhecem as rotinas e processos de suas funções? Elas são bem definidas para que não haja “jogo de empurra”? Todos sabem o quê fazer, quem fazer, quando fazer? A quem recorrer quando há um problema? LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 90 Comunicação Estas pequenas dicassão muito importantes para uma comunicação eficiente e sem confusões desagradáveis: informações documentadas, claras e visíveis, comunicação objetiva e esclarecedora, aspectos da voz e muita atenção na forma como as mensagens são emitidas e entendidas. Gerenciamento de conflitos Administrar interesses, ouvir e se fazer ouvir observar estados emocionais, respeitar espaço pessoal e profissional, evitar “picuinhas “ são posturas éticas e participativas que ajudam a manter o bom astral na equipe. Gerenciamento do tempo Atas de reunião claras, tempo estabelecido para reuniões, delegação funcional, "voos rápidos”, planejamentos detalhados, responsabilidades definidas, cobrança de resultados Reconhecimento profissional O reconhecimento profissional é uma necessidade humana e um forte elemento de motivação que aumenta o comprometimento, aumenta a qualidade da equipe e impulsiona os resultados. O líder e a delegação Além do exposto, a função gerencial tem na delegação uma de suas mais importantes ferramentas. Seu objetivo é promover a descentralização das decisões, aproximando-se de onde acontecem as ações. Significa transferir poder e responsabilidade para o subordinado, cabendo a quem delega a adoção de um enfoque em resultados. Isto significa dizer que, com a delegação, a preocupação do Gerente tem que ser com o que precisa ser feito, ficando a cargo do executante o como. A forma como a execução é LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 91 conduzida para se chegar aos resultados desejados, se levada dentro de princípios éticos, é da competência de quem executa. O deslocamento real do poder, power shift, só acontece quando existe respaldo para as ações delegadas, ou seja, quem delega respeita a decisão tomada por quem recebeu a delegação. Delegar é aproximar as decisões das ações, com enfoque em resultados. O como fazer pertence ao subordinado. A delegação só é efetiva quando obtém respaldo por parte da chefia. Atenção Um fator imprescindível para o sucesso da delegação é a avaliação da pessoa para quem se delega. Não se trata puramente do fator confiança no caráter destas pessoas. Boa parte dos gerentes comete o erro de delegar responsabilidades para pessoas que consideram “confiáveis” em termos de lisura e lealdade, e negligenciam o aspecto mais importante: o da competência para tomar decisões acertadas. Isto pode atingir proporções incontroláveis se levarmos em consideração que um incompetente bem intencionado pode às vezes, promover ações mais danosas do que o faria um desonesto competente. Este, pelo menos para se preservar, tomaria precauções que o outro sequer levaria em conta na hora de agir. O antídoto para evitar uma delegação desastrosa é a capacitação das pessoas para quem se delegará responsabilidades. Muito frequentemente gerentes, no afã de demonstrar reconhecimento pelas pessoas que se empenham na LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 92 equipe, acabam transformando excelentes técnicos em péssimos líderes, simplesmente porque executar bem é completamente diferente de fazer acontecer. Aos líderes compete fazer as coisas acontecerem através de um cuidadoso processo de educação e treinamento. Esta preparação não só elimina o medo de decidir, por parte do subordinado, como provê confiabilidade em suas decisões por parte da chefia, pela certeza de que haverá convergência para as metas a serem perseguidas. Para que a delegação funcione satisfatoriamente é necessário obedecer a alguns requisitos básicos. Assim, antes de efetivar a transferência de poder, é necessário que o gerente observe alguns preceitos fundamentais: 1. Só delegue autoridade e responsabilidade a quem tenha capacidade. 2. Reserve tempo para tirar dúvidas dos funcionários durante o processo de delegação. 3. Não confunda delegação com atribuição de tarefas. 4. Só delegue o que puder controlar, definindo com os subordinados como será este controle. 5. Aproveite eventuais erros para treinar os subordinados. 6. Atribua inicialmente uma pequena escala de autoridade na delegação. 7. Promova motivação, treine e estimule a iniciativa dos subordinados. Aprenda Mais Leia o artigo sobre Como desenvolver lideranças formais em informais que se encontra no Material complementar. Exercícios de fixação Questão 1 As boas práticas de liderança: a) Estimulam aptidões que desenvolvem a competitividade das empresas. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 93 b) Se alinham somente às necessidades internas da organização. c) São fontes de dados para pesquisas sobre o tema. d) Desenvolvem relacionamentos afetivos duradouros. e) Promovem grande interação grupal. Questão 2 A eficiência de uma equipe de trabalho está relacionada: a) Ao quanto ela agrada os chefes. b) À produtividade, resultados alcançados e da satisfação da equipe. c) Ao estilo da liderança. d) Ao modelo de cultura organizacional. e) À capacidade de produção e entrega. Questão 3 O desenvolvimento do comportamento “liderança” está associado: a) Aos estudos sobre o tema b) À observação, prática, perfil e atitude para tal. c) Às situações de urgência em que uma liderança se faz necessária. d) À relação estabelecida entre o líder e seus gestores. e) Ao perfil esperado de liderança naquela cultura. Referências CAVALCANTI, Vera Lucia (org.). Liderança e motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 94 Aula 6: Funções da liderança Introdução Nesta aula, você compreenderá a importância da liderança pelo aspecto do profissional que lidera. Abordaremos a as funções da liderança: administrativa e psicológica. O impacto da liderança na produtividade da equipe e a sua relação com o clima organizacional e a fidelização do colaborador. Também discutiremos as características do líder e seu papel dentro da equipe. Objetivos: Identificar o cenário do mundo do trabalho contemporâneo; Compreender como as lideranças se inserem nesse cenário e como se posicional para nele atuar; Entender quais as funções da liderança dentro de uma equipe. Conteúdo Funções da liderança. Características do líder Nos últimos tempos, a discussão sobre a globalização e os avanços tecnológicos tem se tornado mais frequentes e acalorados. Ambos os assuntos têm sido colocados como causas do aumento da taxa mundial de desemprego, e consequências calamitosas são apontadas. A substituição de mão de obra humana por máquinas dá-se há mais de um século e, desde então, gera ansiedade e protestos. É um processo irreversível e inevitável. Os avanços tecnológicos ocorrem cada vez mais rapidamente e com impacto mundial – vide o avanço da rede de informação Internet. A globalização não leva, necessariamente, ao desaparecimento do emprego, mas a um reposicionamento diante do mercado de trabalho, à medida que LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 95 cargos são substituídos por máquinas e computadores, outros são criados para dar conta de projetos, desenvolvimento e manutenção de novos equipamentos e programas. É, portanto, um rearranjo baseado na capacitação profissional. A queda de barreiras políticas acelerou ainda mais o processo de globalização. O fluxo de comunicação entre as pessoas de diversos países aumentou de maneira tal que se torna muito difícil exercer um controle sobre ele. A consequência mais imediata e visível foi o aumento da competitividade entre asempresas no âmbito mundial. Se antes era possível garantir a manutenção no mercado de determinado produto através de medidas políticas, mesmo que a qualidade ou o preço não fossem atraentes, hoje a globalização da economia determina um novo padrão de qualidade e produtividade. As empresas precisam repensar sua produção, seus conceitos e políticas para permanecerem no mercado. Investir em tecnologia, para fornecer produtos melhores e mais baratos, tornou-se medida de sobrevivência. A velocidade das mudanças de mercado exige uma agilidade cada vez maior por parte das empresas e de seus empregados. As adaptações do processo econômico sempre geram crises com prognósticos sombrios, mas também produzem soluções: na concorrência internacional, vence quem se adaptar melhor. O termo “transnacionalidade” já tem sido empregado para designar empresas e produtos que tiram partido das características de várias partes do mundo – com preço e qualidade da mão de obra, conhecimento tecnológico, custo de matéria-prima e taxas de imposto. A origem não interessa tanto quanto a qualidade e baixo custo. Grupos multiprofissionais ou equipes autogerenciáveis são criados para a execução de determinado projeto e existem enquanto este durar, atuando dentro da empresa ou sendo enviados a qualquer parte do mundo. Já foi dito que a única barreira que fica entre países e empresas é a competência. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 96 Alianças estratégicas cada vez mais se apresentam para aumentar a rapidez de competitividade das empresas. Os países, que insistirem em manter suas fronteiras fechadas, perderão a competitividade, já que tem pouco acesso a capitais e variedades tecnológicas. Investimentos em educação e capacitação profissional tornam-se prementes para o desenvolvimento econômico do país, sob o risco de sobrarem apenas empregos de baixa remuneração e qualificação. Uma reformulação dos conceitos de trabalho e emprego fez-se, então, necessária. A estabilidade, no emprego, deu lugar à empregabilidade e capacidade gerencial, nas quais o profissional aprimora-se e investe em suas qualificações e em recursos para se manter e crescer no mercado de trabalho. O mundo do trabalho hoje Uma das mudanças mais importantes que ocorreram no ambiente de negócios nestes últimos anos foi, sem dúvida, a absoluta ruptura nos padrões tradicionais da estruturação de uma carreira profissional nas empresas e organizações. Até mesmo nos países desenvolvidos, o emprego vitalício passou a ser uma mera ficção. É evidente, entretanto, que empresas continuarão a existir e mesmo as grandes organizações ainda terão muito tempo de vida e espaço no jogo dos negócios do mundo, quer criando confederações de pequenas empresas ou, simplesmente, pela descentralização. As organizações continuarão responsáveis por uma boa parcela do PIB mundial, mesmo perdendo terreno, relativamente, para as pequenas e médias empresas. Desta maneira é importante que ainda se discuta durante um bom tempo a questão crucial: que estratégias devemos usar para garantir uma efetiva escalada na nossa vida profissional nestes novos tempos? Alguns caminhos para a valorização da carreira podem ser apontados: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 97 Esqueça as corridas desenfreadas; a partir de agora o que realmente vale é não só o que você sabe, mas também a sua habilidade em usar este conhecimento. O conceito de carreira deve ser substituído pelo de teia (web): nele, você procura conhecer um número cada vez maior de pessoas e estabelecer inúmeras conexões que lhe permitam adquirir mais experiências e habilidades. Na verdade, uma teia pode ser desfeita a qualquer momento e construída do zero em outro lugar. Ela é flexível e expansível. O conceito vertical é substituído por uma malha dilatável de círculos de influência. O sentido evolutivo tradicional de uma promoção é substituído por uma direção multidisciplinar e multidirecional, com as pessoas navegando de um projeto para o outro e de um time para o outro. A ideia de que ao ser promovido você está automaticamente “alinhado” para um trabalho maior e melhor não existe mais. A primeira regra de ouro destes novos tempos: ame o que você faz. Se o que você faz não desperta este sentimento, você não será fabuloso o suficiente para competir com aqueles que trabalham desta forma. A pergunta-chave a ser feita é: que tipo de trabalho realmente me levará ao estado de apaixonado? “Nunca pare de estudar novas tecnologias e habilidades gerenciais” deve ser considerada a segunda grande regra. Procure dentro de seu ambiente as oportunidades que certamente existam, atuando o máximo possível como um empreendedor. É fundamental, nestes próximos tempos, que cada um procure desenvolver as suas próprias oportunidades. Neste novo panorama, os aumentos salariais vão estar mais ainda dissociados de títulos e do número de pessoas que se reportam a você. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 98 Liderança e desenvolvimento empresarial Qualidade é a satisfação total do cliente. Satisfação quer dizer bem estar, contentamento, e nestas circunstâncias, o Gerente deve ter sua atenção permanentemente voltada para atingir tal objetivo, proposta esta que igualmente deve se estender a todas as pessoas da empresa. Não existe outra forma hoje em dia de prover a manutenção da clientela e, por conseguinte, garantir a sobrevivência e o crescimento da organização. Com a disseminação dos modernos conceitos de qualidade em todo o mundo e o consequente estabelecimento de padrões internacionais, percebe-se um aumento contínuo e global do nível de exigência dos clientes. O mercado consumidor não é mais o mesmo que comprava o produto ou serviço mais barato. Ele hoje quer aliar as melhores condições de preço, prazo e qualidade. Os fornecedores, em contrapartida, buscam cada vez mais aprimorar os seus processos de acordo com referenciais consagrados pelo mercado mundial, estabelecidos sob a forma de certificações, prêmios e sistemas de gestão pela qualidade adotados pela grande maioria dos países. Tais ações de incentivo para a qualidade, como o próprio nome indica, se pretendem mostrar como estímulos para que as organizações busquem a excelência em seus processos de atendimento as novas exigências do mercado consumidor, mas funcionam também como “filtros da Qualidade”, que protegem as organizações eficazes contra os maus competidores. O maior exemplo disto é o momento que estamos vivendo no Brasil em relação ao processo de certificação ISO. Com o aumento cada vez maior de empresas certificadas, inicia-se um processo em cadeia em que, aquela que obteve a certificação dos seus próprios processos, para preservar esta qualidade interna, busca certificar-se de que seus fornecedores a estarão suprindo com insumos que lhe permitirão manter este padrão sem dificuldade. Assim, passa a exigir também destes a certificação para que permaneçam em LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 99 sua carteira de fornecedores, e a adotá-la como pré-requisito para admitir os novos. Assim, pouco a pouco, vai se estendendo a rede de organizações que passam a compor um dileto corpo considerado de excelência em produtos e serviços. Na mesma proporção crescem as dificuldades das que não obtém a certificação, ou porque não acreditaram nas barreiras que o mercado lhes poderia impor, ou porque não conseguiram cumprir os requisitos exigidos pelas normas internacionais. Traduzindo tudo isso em miúdos, a mensagem que os sistemasde qualidade estão passando é a seguinte: “Se você não consegue fazer melhor do que fez até agora, pelo menos não atrapalhe os que conseguem.” Outro fator que vem acontecendo com frequência cada vez mais acelerada é a inclusão de novas normas pelos organismos internacionais como a ISO; nem bem as empresas assimilaram a série ISO e há anos já se começou a falar e a praticar a ISO-14000, já conhecida como a “ISO verde”. Esta norma trata dos aspectos de proteção ambiental nos processos produtivos. O que isto pode representar de ameaça para as organizações? É, no mínimo, um sinal de que a barreira anterior das ISO já está se tornando acessível demais para as empresas, e é necessário criar novas, que aumentem o grau de dificuldade para sua superação. Ainda que nos pareça paradoxal, uma vez que a Qualidade visa eliminar o desgaste com melhores resultados, este contínuo aumento de dificuldade obedece a uma regra básica da própria qualidade, que é o princípio da melhoria contínua. Melhorar continuamente os processos significa ser, ao mesmo tempo, agente e paciente das mudanças que o mercado experimenta em sua dinâmica, é alimentar a espiral da Qualidade num processo permanente de aumento do seu próprio padrão de exigência: uma “barreira” é estabelecida, as organizações se preparam para LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 100 superá-la, o mercado passa a exigir de acordo com este novo parâmetro, que força as empresas a atingir um estágio superior, que com algum tempo entra na rotina e “zera para todo mundo.” Aí é preciso criar uma nova barreira, ainda mais difícil de ser superada, e o processo se repete, mas num patamar cada vez mais alto de exigência. Fuções das liderança Muito se tem escrito e falado sobre as funções da liderança. Autores descrevem roteiros para o líder, mas todos concordam em alguns pontos. São eles: Direção O líder através de suas ações faz com que as pessoas saibam para onde estão indo, torna a missão e os objetivos claros e focam seu tempo e energia na consecução destes objetivos. Motivação É função do líder criar um ambiente motivador no trabalho. Suas ações devem apontar para o comprometimento de todos e a formação de um time eficiente, focado na otimização de processos e resultados. As ações de motivação podem variar do reconhecimento profissional e propostas de aperfeiçoamento, até o aumento de benefícios e recompensas por etapas atingidas. Neste ponto cada organização tem sua própria filosofia de trabalho. Orientação O líder deve dar feedback às ações da equipe, encorajando-a a, sempre mais, superar desafios que se apresentam. Deve deixar clara a direção tomada e LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 101 acompanhar a jornada de todos, auxiliando, mediando e motivando em todas as fases dos processos. A visão pragmática define liderança como a relação entre líder e equipe, de maneira que o comportamento da liderança influencia a todos. Nesta visão também é postulado que só existe liderança se existirem equipes e/ou indivíduos dispostos a aceitar esta liderança. Os sete hábitos Uma ferramenta para a liderança eficiente. Os sete hábitos são conceitos desenvolvidos por Stephen Covey e atualmente usados como referência por líderes para o desenvolvimento e aprimoramento de seu potencial, criatividade e organização profissional. 1. PROATIVIDADE: Autonomia e visão pessoal. 2. DETERMINAR OBJETIVOS : Autodomínio. 3. COMEÇAR COM O MAIS IMPORTANTE: Definir prioridades. 4. PENSAMENTO NOS RESULTADOS: A busca de realização 5. OUVIR E SE FAZER OUVIR: Empatia e comunicação esclarecedora 6. SINERGIA: Cooperação e espírito de grupo. 7. PLANEJANDO O TRABALHO E A VIDA: Otimização do tempo e capacidade de produção. Muitas vezes o líder é comparado ao camaleão. Isto se dá pela sua necessidade de adaptação constante às equipes, que podem assumir identidades diferentes em função de rotatividade, faltas, aposentadorias, afastamentos do trabalho, novos desafios sugeridos pela administração maior e muito mais. O desenvolvimento de hábitos saudáveis e funcionais como sugere Covey, é um caminho testado e aprovado por vários gestores ao redor do mundo com resultados surpreendentes para quem ainda acha que amadorismo na gestão e liderança podem funcionar. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 102 Aprenda Mais Leia a matéria de Cintya Faccioli sobre Teorias de liderança que se encontra no material complementar. Exercícios de fixação Questão 1 Quais das características compõem o rol de fatores importantes para uma boa liderança? a) Orientação, direção, motivação. b) Sugestão, subjetividade e incentivo de melhorias nos subgrupos c) Orientação e motivação completa para processos de seleção para futuros líderes. d) Garantia de motivação total durante todo o tempo. e) Avaliação constante com punição para quem estiver fora do padrão. Questão 2 Dentre os fatores geradores do processo de perda de poder na chefia podemos destacar: a) A meritocracia, que promove pessoas desqualificadas sem levar em consideração, muitas vezes, a formação e o conhecimento de novos candidatos à chefia. b) Funcionários altamente qualificados ocupando cargos que pouco exigem de suas competências. c) Erros técnicos e administrativos constantes, comprometendo a imagem e a confiança que a chefia passa para a organização. d) Excesso de comportamento amistoso com subordinados. e) Atenção específica a um colaborador em detrimento dos outros. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 103 Questão 3 Dentre as mudanças que ocorreram nas últimas décadas quanto aos conceitos de chefia e liderança, podemos afirmar que: a) O distanciamento entre chefes e funcionários se manteve estável, com exceção de empresas que trabalham diretamente com o ser humano, como academias de ginástica, escolas, restaurantes e hospitais. b) Empresas cujo trabalho é essencialmente técnico e operacional, continuam relegando as relações entre funcionários e chefias à um segundo plano. c) Independente do objetivo da organização, podemos perceber que a aproximação entre chefias e funcionários tendeu a aumentar, o que inclusive é tema de estudos nas universidades. d) Cada gestor passou a receber orientações explícitas das empresas sobre qual estilo utilizar. e) O foco do trabalho da equipe está se voltando para o trabalho individual, complementado pelas ações da chefia, quando necessário. Referências CAVALCANTI, Vera Lucia (org.). Liderança e motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 104 Aula 7: Estilos de liderança Introdução Nesta aula, abordaremos os estilos de liderança focando a primeira classificação dessa prática: autocrático, democrático, burocrático e liberal. Vamos aprofundar cada um desses estilos mostrando seus pontos fortes e fracos, assim como, o momento adequado de utilizá-los. Abordaremos, também, a abordagem da Liderança Situacional e, finalmente, a Liderança Servidora. Obejtivos: Reconhecer as fases do pensamento administrativo e a sua correlação com a evolução do pensamento da humanidade; Compreender como o pensamento administrativo e a evolução dos modelos de gerenciamento estimularam a valorização das pessoas dentro das empresas; Entender como os macroprocessos são desenhados e como estão divididos nas empresas. Conteúdo Modelos de liderança Agora teremos a oportunidade de apreciar dez modelos de liderança encontradosmuito frequentemente nas organizações que ficaram conhecidos como “Os Dez Estilos Gerenciais”. Através de sua análise podemos identificar suas características mais marcantes, além das vantagens e desvantagens de sua adoção. Aos gestores é indicado que analise cada estilo para que possa desenvolver o seu próprio. Isso significa dizer que, via de regra, o estilo pode ser construído com características combinadas de vários modelos. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 105 Não se deve esquecer, também, que nenhum gerente permanece o tempo todo dentro de um estilo apenas. Ele sofrerá interferências ambientais, tais como a própria cultura da organização e também deverá se adequar ao nível de maturidade das pessoas que gerencia. Cada funcionário desse gerente poderá exigir um determinado estilo de liderança, e consequentemente, o bom senso, aliado à sensibilidade no trato com pessoas e mais o conhecimento de técnicas de gerenciamento, irão norteá-lo quanto a forma mais adequada de exercer sua liderança. Estilos gerenciais Autocrático Frase Chave: “A liderança sou eu”. Vantagens: Afirma a autoridade através do mando. Desvantagens: Gera desmotivação, porque tolhe a criatividade, cerceia liberdade e lidera através do desrespeito e da manipulação. Democrático Frase Chave: “Eu respeito a maioria”. Vantagens: Todos os funcionários são consultados, informados A decisão é pela maioria. Desvantagens: Se presta à manipulação de líderes e parte de dois falsos conceitos: a) A maioria tem razão. b) As minorias não tem vez. Aristocrático Frase Chave: “Só a cúpula pode liderar” Vantagens: Visto que quem manda sabe mais, há uma certa parcela de segurança nas decisões. Desvantagens: Possibilidade de manipulação dos funcionários por parte dos mais bem informados e com mais poder. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 106 Situacional Frase Chave: “A cada situação uma solução”. Vantagens: Decidir o que convém, segundo o que a ocasião exige. Desvantagens: Só anda a metade do caminho: decide o que convém a cada situação, mas o líder não participa e não compartilha suas decisões com os funcionários e seus representantes. É uma forma mais sutil do estilo aristocrático ou autocrático. Deixar fazer Frase Chave: “Homens livres não criam problemas” Vantagens: Permite a liberdade criativa e dá responsabilidade própria ao funcionário. Desvantagens: Sem comando nem direção. Permite a anarquia na empresa com graves conflitos internos. Diplomático Frase Chave: “Entender-se bem com todos a qualquer preço”. Vantagens: Todos estão à vontade, não há tensões nem conflitos internos, durante um tempo, e existe um bom entendimento com outras empresas. Desvantagens: Falta comando e os problemas ficam sem solução, pois o interesse da liderança está centrado no relacionamento. Há esquecimento do comando e da administração. Omisso Frase Chave: “Prefiro não dar opinião” Vantagens: Não há tensões na empresa que tenham sido provocadas pelas decisões das lideranças. Desvantagens: Não há acompanhamento de objetivos. As soluções são sempre adiadas. Gera, geralmente, a lei do mais forte. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 107 Robô Frase Chave: “Liderar é só razão. Sentimentos à parte” Vantagens: Mecanismo de defesa utilizado para que o líder só faça o que quer. Rigidez total. Desvantagens: Faltam Comando e Liderança autênticos. Gera desconhecimento e vingança. Protetor Frase Chave: “A bondade está acima da justiça” Vantagens: Em certos aspectos a boa vontade dos funcionários é motivada com respeito as lideranças. Desvantagens: Permite que pessoas incorretas se aproveitem da proteção que recebem ou dão. Não deixa o funcionário crescer. Falta comando nas horas difíceis. Democrático participativo Frase Chave: “Nós administramos junto com vocês, na base da lealdade, respeito e honestidade. Vantagens: Tem todas as vantagens dos outros estilos gerenciais. Desvantagens: Existe o perigo da fraqueza humana. No entanto, Discute, escuta dos funcionários os reais problemas, aceita críticas em termos de realidade. Faz concessões úteis, sem abandonar suas próprias responsabilidades. Ocupa seu próprio espaço sem fechá-lo e sem invadir o espaço dos outros. Liderança servidora “Quase nada acontece sem um sonho. E para que algo grande aconteça, deve existir um grande sonho. Por trás de um grande êxito, encontra-se um sonhador com grandes sonhos. É preciso muito mais que um sonhador para que se converta LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 108 em realidade. Mas o sonho deve existir em primeiro lugar” Greenleaf, 1970 “Um chefe é alguém que administra, que é capaz de fazer as coisas. Ele pode planejar, orçar e resolver problemas. Mas isso não significa que ele é um bom líder. Porque um líder é alguém que consegue inspirar e influenciar pessoas à ação e à excelência. Administração é o que você faz, liderança é quem você é. A pessoa que você é que inspira.” James Hunter Greenleaf, a partir da observação da insatisfação de estudantes americanos com suas universidades, pôde perceber a falta de comprometimento social destas com a massa de alunos e, com a sociedade, em geral. Não havia uma preocupação entre construir conhecimento entre a universidade e a sociedade. À esta “ponte”, deu o nome de “servir”. Seu conceito era de que as organizações dispõem de um capital intelectual e social muito grande, os quais devem ser utilizados na formação mais humana e solidária de seus gestores. Conhecido como “romântico e sonhador” seu conceito se desenvolveu, anos mais tarde, e, atualmente, é tema de estudos e práticas organizacionais de gestão em todo o mundo. Inicialmente, o artigo “Liderança do Servidor”, influenciou algumas gerações de gestores. James Hunter, com a publicação de seus livros “O líder servidor” e o “O monge e o executivo”, trouxe junto com Greenleaf esta discussão para a américa latina. O líder servidor não está preso à formalidades burocráticas, ele se envolve profundamente com o trabalho do grupo, sendo um elemento norteador de ações, potencializando a independência e autonomia da equipe e seus membros. Com suas ações consegue promover um grande impacto na vida dos indivíduos e seu questionamento é de que como o “servir” pode contribuir para o desenvolvimento de todos. Prega a liderança servidora, comunitária, superando em muito as posições individualistas, tornando a LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 109 competição saudável e a transformando num elemento motivador para o crescimento da organização. Comprovadamente, em grupos com sentimentos positivos de inclusão e compartilhamentos, os resultados tendem a ser mais rápidos e maiores do que em outros. É fundamental ressaltar que nenhuma gestão funciona “de verdade”, sem o gerenciamento de processos, elaboração e realização de rotinas, admissões, demissões, advertências e suspensões. A liderança servidora mantém os processos organizacionais em funcionamento pleno e deixa ao alcance de todos um canal de comunicação, relacionamento e aprendizado. Atenção As tradicionais listas de “as melhores empresas para trabalhar”, da revista Fortune, costumam classificá-las por seu faturamento e outras avaliações subjetivas. As empresas que trabalham com a liderança servidora crescem a cada ano e são dia a dia mais admiradas. Elas não perdem o faturamento em função de uma gestão mais humanizada. Dentre elas podemoscitar a South West Airlines, Wallmart, Nestlé, Marriot e outras do mesmo porte. Papel do líder servidor As necessidades de mudanças nas organizações em função de novos comportamentos do mercado, dos indivíduos e da tecnologia, fazem com que tenham seu funcionamento impulsionado diariamente por grande pressão. Os líderes devem se adaptar às mudanças e cobranças exigidas e passar as novas visões para suas equipes. As próprias organizações, de acordo com esta assertiva, devem se tornar impulsionadores de mudanças no presente para fundamentar um futuro que acontece a cada novo dia. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 110 Os aliados do líder servidor, além de sua própria filosofia do “servir”, são os processos comuns a todas as organizações, assim como suas ferramentas de análise, avaliação e monitoramento. O líder servidor não deixará de usar o fluxograma, deixará de respeitar o organograma, continuará se atualizando em conhecimentos teóricos e técnicos, continuará lutando por melhorias das mais variadas naturezas na organização, enfim, o líder servidor tem as mesmas características de um bom profissional com o aspecto diferenciado de sua filosofia de conduta pessoal e conduta de equipes. Segundo James C. Hunter, em seu livro ‘Como se tornar um líder servidor ‘ é necessário ter em mente alguns princípios para conseguir ser um líder servidor: Paciência; Gentileza; Humildade; Respeito; Altruísmo; Perdão; Honestidade; Compromisso. Liderança situacional A liderança situacional é uma teoria da liderança empresarial que combina uma variedade de estilos gerenciais com a finalidade de atender a pessoas diferentes dentro da mesma organização. É oposta a visão tradicional do líder, que pode empregar as mesmas táticas de liderança em toda a organização. Nesta perspectiva, o líder será livre para dar mais ou menos ênfase em uma determinada tarefa. Embora seja destinada a proporcionar adaptabilidade, podemos enumerar quatro estilos da liderança situacional, cada um customizado para obter a maior produtividade de cada funcionário ou equipes. O líder situacional é adaptável e contorna os problemas rapidamente. Em momentos de crise, este LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 111 tipo de liderança do gestor, é de fundamental importância para a manutenção do bom funcionamento dos processos da organização. De acordo com Hersey e Blanchard, podemos dividir a liderança situacional em quatro estilos distintos: Delegar Ocorre quando o funcionário precisa aprender alguma tarefa. Neste momento o líder supervisiona a atividade, dirige para as ações corretas e desenvolve a confiança do aprendiz para, posteriormente, executá-la sozinho. Determinar Neste estilo o líder contribui com ideias e sugestões, de maneira que o funcionário se sinta motivado para conhecer e executar tarefas de sua alçada, ou novas. Compartilhar Aqui o líder estimula o funcionário a buscar conhecimentos e segurança para execução das tarefas. Ele não supervisiona nem dirige, mas fica disponível para apoiar quando necessário. Persuadir Ocorre quando o líder conhece o potencial e habilidades do funcionário. Estes normalmente são pessoas com muita experiência e autonomia, o que lhes permite ter liberdade para escolher qual o melhor caminho para a execução das tarefas. O líder mantém um contato pequeno, mas está à disposição para o que for necessário. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 112 Atenção Paul Hersey e Ken Blanchard criaram a teoria sobre liderança situacional, instituindo um modelo de como liderar de forma eficaz. Segundo tal teoria o líder deve pautar sua forma de liderança de acordo com o comportamento/maturidade do seu colaborador. Assim, para cada nível de maturidade (tipo de comportamento) deverá haver uma forma respectiva de agir do líder, tal como vemos no esquema. Binômio tarefa-relacionamento De acordo com o perfil do funcionário e o tipo de situação que se apresenta, o líder age da maneira que achar mais apropriada. Seguindo o mesmo padrão de compreensão, os autores Hersey e Blanchard propuseram que podemos identificar a necessidade do líder se adequar ao momento (situação) vivenciado pelo subordinado. Trata-se, portanto, de pautar as ações e o estilo do líder conforme a situação vivenciada pelo profissional a ser liderado. Veja a tabela demonstrativa dos aspectos de eficácia e ineficácia da liderança, de acordo com o postulado dos autores. Podemos perceber em diversas LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 113 organizações que sucessos ou falhas podem advir do diagnóstico adequado ou inadequado relativo à combinação do binômio tarefa-relacionamento. HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth H. Psicologia para administradores: a teoria e as técnicas da liderança situacional. São Paulo: EPU, 1986. Tarefa Alta - Relacionamento Alto Há um foco no gerenciamento por objetivos e, simultaneamente, são usadas ferramentas de orientação, cobrança e comunicação eficiente com o funcionário. Ponto positivo: Visto como alguém que satisfaz às necessidades do grupo estabelecendo objetivos e organizando o trabalho, mas também oferecendo um alto nível de apoio socioemocional. Ponto negativo: Visto como alguém que usa mais estruturação do que o necessário para o grupo e que muitas vezes não parece ser sincero nas relações interpessoais. Tarefa Alta - Relacionamento Baixo É o estilo de liderança cujo foco maior é na tarefa a ser realizada. A integração e o relacionamento com o funcionário é pequena, apenas cordial. Ponto positivo: Visto como tendo métodos bem-definidos para atingir os objetivos que são úteis aos subordinados. Ponto negativo: Visto como alguém que impõe métodos aos outros; às vezes visto como desagradável e interessado só em resultados de curto prazo. Tarefa Baixa - Relacionamento Alto Há uma maior preocupação com o relacionamento com a equipe do que com a rotina dos processos. Ponto positivo: Visto como alguém que tem confiança implícita nas pessoas e que está interessado principalmente em facilitar a consecução dos objetivos delas. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 114 Ponto negativo: Visto como interessado principalmente em harmonia; às vezes visto como não disposto a cumprir uma tarefa se esta implicar no risco de romper um relacionamento ou perder a imagem de uma pessoa boa. Tarefa Baixa - Relacionamento Baixo Há o entendimento que a equipe é autônoma e conhece bem os processos da organização. Não há comprometimento real com os resultados nem com o funcionamento da dinâmica da equipe. Ponto positivo: Visto como alguém que delega adequadamente aos subordinados as decisões sobre como fazer o trabalho e oferece pouco apoio socioemocional quando o grupo não precisa muito disso. Ponto negativo: Visto como alguém que oferece pouca estruturação ou apoio socioemocional quando isso é necessário aos membros do grupo. “Para um liderado considerado como imaturo o líder deverá adotar um comportamento mais diretivo (orientação para a tarefa) para que os liderados sejam produtivos. Todavia, o fato de um líder possuir um comportamento de tarefa alto e um baixo relacionamento não significa que sua relação com o liderado será pautada por um clima de animosidade. Mas sim, que o líder dedicará mais tempo direcionando o liderado do que oferecendo um apoio sócio-emocional”. HERSEY; BLANCHARD, 1986 Diferençasentre chefia e liderança Chefia é cargo e liderança é perfil. Esta é uma das maiores diferenças entre as duas posições na gestão. É perfeitamente possível e, à cada dia, encontramos mais gestores (chefes), com o perfil de liderança muito desenvolvido. Também encontramos líderes sem vinculação alguma com cargos de chefia; são pessoas naturalmente com este perfil e que podem influenciar de diversas maneiras o funcionamento das equipes. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 115 Ambos devem possuir conhecimento e visão da organização, seu negócio, seu relacionamento com o mercado, seus processos seletivos. Devem ter postura, aparência, hábitos adequados e vontade de vencer. Como se fosse possível separar completamente uma posição de outra, vamos enumerar as diferenças mais comentadas na literatura sobre o tema. LÍDERANÇA CHEFIA Suporte e aconselhamento Ordem e determinação Inspiração Imposição Espírito de equipe Foco individualista Foco nos indivíduos Foco nos processos e tarefas Visão de futuro Apego ao passado Valores, pessoas e missão Resultados e estatísticas O que os líderes precisam aprender Devem aprender que a verticalidade ainda existe, mas os atuais modelos de gestão prezam pela horizontalidade no relacionamento com as equipes. Isto é visível inclusive fisicamente nas grandes organizações, onde a disposição das salas de trabalho e das mesas dos funcionários são baixas, todos podem se olhar e falar com facilidade. Embora o e-mail seja uma das formas mais de comum de comunicação hoje nas empresas, o canal para a aproximação é muito valorizado. Devem aprender, também, que pessoas e processos organizacionais são processos diferentes e, cada um, funciona à sua maneira. Máquinas não precisam de diálogo, de reconhecimento e nem de aprendizado. Devem aprender que as organizações estão evoluindo com uma velocidade impressionante nos tempos atuais e que a seleção de suas equipes, deve levar LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 116 em conta, a elaboração prévia de perfis funcionais. Este perfil funcional deve contemplar aspectos de conhecimento técnico, teórico e, principalmente, a dimensão do capital intelectual e emocional de cada um dos candidatos a membro das equipes. Devem aprender que cargos de poder, como chefias, foram feitos para disseminar o conhecimento e facilitar o entrosamento e a fluidez das equipes. Posições de poder devem potencializar o crescimento das equipes, assim como trazer resultados mais que satisfatórios para as organizações, se assim, o momento do mercado o permitir. Finalmente, devem aprender que o conhecimento não é estático, ao contrário, é muito dinâmico e permeia várias áreas teóricas e da vida. Neste sentido a busca de atualização e aprimoramento com treinamentos e estudos, é de suma importância para se manter na organização um capital intelectual de alto nível, responsável por sua competitividade, imagem e seriedade no mercado. Aprenda Mais http://liderancaservidora2.blogspot.com.br/ Exercícios de fixação Questão 1 Qual das afirmativas abaixo é a CORRETA? a) Chefes e líderes desempenham o mesmo papel dentro das organizações. A diferença é que o líder, além de chefe, alcança o lado emocional dos indivíduos, levando-os posteriormente quando líderes, a adotarem a postura da liderança servidora. b) Chefes são responsáveis por supervisionar rotinas e líderes são responsáveis por desenvolver comportamentos organizacionais. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 117 c) O engajamento necessário das equipes ao cumprimento de metas da organização depende fundamentalmente dos fatores: motivação, salário, reconhecimento, crescimento na carreira e relacionamentos com pares, subalternos e superiores. d) A liderança situacional baseia-se no pressuposto de que a hierarquia determina o tipo de abordagem. e) A liderança situacional entende que o conflito está na falta de maturidade das equipes. A partir deste pressuposto o líder deve entender suas causas e contorna-los da melhor maneira possível. Questão 2 A liderança servidora é fundamentada nos princípios da solidariedade, conhecimento das necessidades das equipes e desenvolvimento da motivação para resultados mais produtivos pelas equipes. Sobre isto é correto afirmar que: a) A liderança servidora funciona melhor em organizações com grande número de funcionários. b) Não importa o número de funcionários, liderar servindo é uma habilidade que pode ser aplicada à quantas pessoas forem necessárias. c) Determinados tipos de organizações, como as que envolvem atividades de risco para as equipes, não respondem adequadamente aos princípios da liderança servidora. d) Liderança servidora e liderança situacional são antagônicas e não devem conviver juntas na mesma organização. e) A mediação, como uma das características da liderança situacional, deve ser entendida como a capacidade de gerenciar interesses opostos. Questão 3 LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 118 Liderança é um conceito estudado desde há muito tempo nas universidades e organizações. Podemos dizer que a liderança servidora sempre existiu, embora não tivesse sido categorizada então nos meios acadêmicos. Sobre esta afirmação assinale a alternativa errada: a) Todo chefe companheiro, mesmo não conhecendo teorias gerenciais, é um líder servidor. b) Independente do perfil, quase todos os chefes podem se tornar líderes servidores em maior ou menor escala. Para isto, devem fazer cursos sobre o tema, estudar muito e treinar o novo comportamento em suas equipes. c) A liderança servidora torna o clima organizacional menos submetido à pressões, faz com que o ambiente fique mais leve e ajuda a tornar as relações das equipes mais saudáveis e produtivas. d) A vontade de ajudar e participar da dinâmica das equipes é uma das características da liderança servidora. e) A gestão participativa é uma filosofia administrativa em muitas empresas. Isto não quer dizer, necessariamente, que haja a liderança servidora nestas organizações. Referências CAVALCANTI, Vera Lucia (org.). Liderança e motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 119 Aula 8: Modelo de liderança coaching Introdução Nesta aula, trataremos do estilo de liderança mais atual: líder-coach. Apresentaremos as diferenças do modelo coaching para o modelo mentoring, demonstrando as suas práticas. Trabalharemos as competências necessárias para o líder-coach e a sequência desse estilo na relação com seus liderados. Objetivos: Compreender o estilo de liderança denominado de líder-coach; Compreender os modelos de coaching e mentoring; Entender as competências do líder-coach. Conteúdo Introdução Liderança é um conceito muito debatido e, possivelmente, pouco compreendido ainda nos dias de hoje. Líderes são feitos, ou nascem? Por que as pessoas escolhem seguir certos líderes, mesmo quando ele pode ser muito prejudicial? Competências de gestão e liderança são sinônimos? São todos os gerentes, líderes e vice-versa? E por que esses líderes têm estilos tão radicalmente diferentes? Ghandi e Patton foram grandes líderes, mas seus estilos não poderiam ter sido mais diferentes. Ghandi utilizava o conceito da não-violência, enquanto Patton liderou um exército empenhado na destruição física do inimigo. Uma assertiva que todos concordam é a que diz: líderes precisam de seguidores. Assim sendo, o Coachinge o Mentoring aparecem como instrumentos que transitam pelas práticas organizadas na área de Recursos Humanos para desenvolver líderes de equipes. Consideradas como ferramentas inovadoras de LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 120 gestão, muitas vezes “mexem” com os modelos de gestão dos líderes mais tradicionais. Portanto, podemos dizer que o Coaching e o Mentoring são aliados importantes quando os gestores necessitam oferecer suporte às melhoria de performance de suas equipes. Coaching Coaching é um processo de colaboração e relacionamento que ajuda as pessoas a fazer mudanças positivas e desejadas em suas vidas, ao longo de um período relativamente curto de tempo, por meio de acompanhamento pessoal, conversas poderosas e significativas. É uma parceria que incentiva os indivíduos a produzir resultados, em suas vidas pessoais e profissionais. No Brasil começou a se destacar como técnica de mudanças nos anos 2000. Hoje muitos cursos livres e cursos de especialização adotam o coaching como disciplina de destaque em suas grades de ensino. O coaching possui fundamentação teórica baseada em quatro pilares. São eles, a Psicologia Positiva, a Metodologia Socrática, a Teoria Sistêmica e a Psicologia Sociocultural. Em sua essência, o coaching é uma técnica para ajudar as pessoas a descobrir como podem atingir suas metas, sejam metas organizacionais ou pessoais. Ajuda, também, na descoberta do que realmente querem na vida e como podem percorrer o caminho para alcançá-lo da forma mais autêntica e pessoal. Podemos dizer que coaching é um processo de descoberta pessoal e/ou profissional, que para acontecer, é necessária a presença de dois personagens, o coach e o coachee. Coachee é a pessoa que se submete ao processo de coaching. Via de regra, o coachee tem uma ou mais questões a tratar e juntamente com o coach, promove estratégias e prazos para atingir as metas no tempo determinado. Ao contrário da psicoterapia, por exemplo, ao coach não foca LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 121 nos problemas ou obstáculos que se apresentam no caminho do coachee, mas como ele fará para superá-los. Importante ressaltar que a solução sempre vem do coachee e não cabe ao coach emitir opinião ou sugerir alternativas. O coaching se utiliza mais da experiência do diálogo socrático, da maiêutica, do que outros métodos de investigação. Isto significa que seu foco, ou melhor, o foco do coach, é provocar no coachee a investigação do seu mundo interno para buscar as referências ou para a criação de estratégias para as mudanças desejadas. Cabe ao coachee formular suas próprias respostas a partir dos horizontes que vislumbra nas sessões. Sua construção é constantemente adicionada de informações, vivências e soluções que incorpora nos encontros, nas tarefas e nas reflexões que faz. Ele deve tentar “arrancar” de dentro de si estas respostas, como propõe a maiêutica socrática. Seu novo cabedal de referências vai se descortinando à medida que mergulha na experiência do coaching. O coach por sua vez deve ter muito cuidado para não se investir de um papel de terapeuta, especialmente se tiver formações e prática na área. Ele deve esquecer as ferramentas de sua formação original ao máximo e, só utilizá-las, caso sejam de valor e adequadas para o processo. Importante também ao coach que fique atento aos próprios sentimentos durante os encontros. Não é difícil se sensibilizar com situações dolorosas e deixar a técnica em segundo plano, em detrimento da criação de um companheirismo, ou amizade desnecessárias e improdutivas para o coachee. A confusão de papéis e sentimentos descaracteriza todo o processo e pode destruir o trabalho começado com capricho e disciplina. Cabe ao coach pesquisar e valorizar com o coachee os recursos que este dispõe para as mudanças que pretende. O coach usa as ferramentas e referenciais teóricos que julga necessários e satisfatórios para seu trabalho, LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 122 desde que não descaracterize o processo de coaching e se torne qualquer outra coisa. Ele não ensina ou dá explicações como nos treinamentos tradicionais; tampouco dá uma resposta caso haja dificuldades por parte do coachee. Cabe ao coachee por sua vez aprender a desenvolver seu potencial para atingir suas metas. Podemos dizer que ao passar pelo processo de coaching, o indivíduo terá ferramentas para fazer um “autocoaching” sempre que necessário. Sua capacidade de perceber e pensar os próprios recursos ficou mais aguçada após a experiência. Quando se vir numa situação em que seja necessário atravessar sozinha uma ponte desconhecida, saberá fazê-lo sem grandes dificuldades. A prática nos mostra que o processo de coaching ultrapassa o período contratado e se insere na vida do indivíduo como uma poderosa ferramenta para reflexão e pesquisa de soluções. Ele pode inclusive adaptar e ensinar o método aos filhos, parentes e amigos em geral, como nos contam informalmente depois do processo terminado. A ferramenta num contexto não “oficial” pode ser utilizada de maneira superficial, porém funcional, para a exploração e busca de resposta para situações familiares, afetivas e de qualquer outra natureza. Esta talvez seja uma das benesses que o coachee leva de “brinde” do processo. Por se tratar de uma prática recente de relação profissional o coachee deve buscar previamente informações sobre este tipo de trabalho. Deve também buscar informações sobre o profissional que pretende contratar para o processo. Para tanto pode solicitar uma entrevista inicial para que se conheçam e investiguem mutuamente o conteúdo a ser explorado. Em resumo podemos dizer que os treinamentos se utilizam de técnicas e ferramentas que têm a função de instruir o treinando em alguma habilidade específica. O coaching por sua vez se utiliza de técnicas e ferramentas que tem a função de induzir o indivíduo a pensar de forma mais ampla, conhecer e LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 123 utilizar mais seu arsenal de recursos e obter a resposta para o que deseja por si próprio. Tipos de Coaching Os bons resultados produzidos pelo processo de coaching fizeram emergir uma série de publicações e cursos voltados para o assunto. De maneira geral temos duas áreas onde o processo de coaching atua com mais intensidade: Coaching Pessoal Lida com questões pessoais como relacionamentos, carreira, projetos e sonhos, vida financeira, etc. Coaching Organizacional Promove o potencial da organização com o objetivo de aumentar o desempenho das equipes, otimização de processos e autonomia dos indivíduos. Para que possamos realizar o trabalho de coach é necessária a formação prévia e, para que este trabalho seja ainda mais eficiente, que passemos pelo processo como coachee, aquele que se submete ao processo de coach. Mentoring Todos nós temos a necessidade de uma visão ampliada, que está fora da nossa vida normal e experiência profissional. O poder do mentoring é criar uma oportunidade de colaboração entre duas pessoas, para a realização de metas e resolução de problemas, em outras palavras, proporcionar a visão ampliada da realidade. Em português, mentor pode ser definido como um conselheiro de alguém inexperiente, e mentoring como supervisão ou monitoria, ou seja, um orientador que aconselha e aponta direções. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 124 Importante frisar que o coach não aconselha nem orienta; este sim é papel do mentor, que age como alguém inspirador paraas mudanças pretendidas. Muita confusão ainda se faz com práticas que visam desenvolver pessoas. As ações de coaching e mentoring são confundidas com programas de terapia e consultoria. Veja, abaixo, essas diferenças. Coaching Mentoring Terapia Consultoria Foco no futuro e no desenvolvimento do potencial Profissional com muita vivência organizacional Foco nas disfunções do cliente (conscientes ou não) Alta formação técnica em sua área profissional Provoca a evolução do estado atual para o estado futuro (melhoria) Atua na mesma área de mentorado Sua base de ação está no passado ou no presente Foco no desenvolvimento organizacional Construção do Plano de Ação Orienta e aconselha sobre carreira e evolução profissional Identifica sintomas para chegar às causas Fornece ferramentas para a organização Curto prazo (três meses) Indica caminhos para se desenvolver Prazo mais longo Faz intervenções quando necessário O Líder-coach Cada vez mais o coaching vem sendo utilizado para subsidiar as ações de líderes que desejam estimular o potencial de suas equipes. Esse estímulo requer que o líder possua habilidades específicas e que as utilize nos momentos corretos. Ou seja, devem ser aplicadas nos momentos onde o líder deseja provocar a autonomia e o empowerment de seus subordinados e os mesmos já dominem as informações básicas para elaborar respostas e construir algumas estratégias. Caso contrário, o indicado seria utilizar o mentoring de forma a garantir que alguns caminhos fossem apresentados pelo líder e servissem de início para que os liderados construíssem um plano de ação. Vamos ver algumas habilidades necessárias ao líder-coach: LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 125 1 - CRIAR UM CLIMA ABERTO E DE APOIO PARA A CONVERSA Procurar desenvolver a confiança, incentivando comunicações abertas e de duas vias; Respeitar a individualidade do coachee. Ele pode ou não ter um estilo similar; Ser paciente se o coachee parece desfocado. Importante auxiliá-lo a se concentrar apresentando e discutindo opções. 2 - DEMONSTRAR BOA CAPACIDADE DE OUVIR. A maioria de nós precisa melhorar nossa habilidade de escuta, já que temos a tendência a falar mais do que ouvir e interromper as pessoas mais do que deveríamos. Fazer perguntas abertas para obter do coachee respostas descritivas e explicativas; Confirmar o entendimento do que foi falado pelo coachee e continuar o diálogo 3 - FORNECER FEEDBACK CONSTRUTIVO Fazer elogios e críticas construtivas sobre como melhorar. Sempre se concentrar em comportamentos que podem ser alterados (não traços de personalidade!), e comportamentos que são apropriados dentro da organização / área / ambiente. Deixar o coachee definir as metas iniciais e, em seguida, dar feedback. Ajudar o coachee a fazer metas específicas e realistas com prazos; acompanhar as pequenas vitórias e fornecer incentivos constantes. Aceitar a possibilidade de eventualmente não superar barreiras com o coachee e pensar em novas estratégias. Considerar e discutir formas adicionais para o coachee para obter conselhos e informações que ele ou ela precisa. Sugerir mentores/colegas quando for o caso e tentar ajudá-lo a aumentar sua rede de contatos. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 126 Como consequência do estímulo provocado pelo processo, alguns resultados são verificados nos subordinados. Dentre eles, podemos destacar: Autoconhecimento Desenvolvimento de técnicas para o auxílio na superação de dificuldades, melhorias de competências profissionais e qualidade de vida Possibilidade de melhorar a qualidade das parcerias Desenvolver competência para melhor performance Ter mais habilidade para usar tipos diferentes alternativas Motivar com mais foco nos resultados Planejar com maior nitidez Vamos ver um caso prático do líder-coach: Adaptado de: http://www.blogsgradual.com.br/espacodela/2010/03/17/coaching- %E2%80%93-estudo-de-caso-1/ Este caso é de uma jovem executiva que tinha um objetivo bem definido: melhorar sua postura profissional na questão comunicação para gerar melhores resultados. Ela será identificada por Senhora A. Esse objetivo foi levantado durante as primeiras conversas com seu gestor que utilizou o modelo líder-coach. Aplicando técnicas e ferramentas, como por exemplo, a metodologia socrática, a Senhora A chegou à conclusão que melhorar sua comunicação traria muitos benefícios em sua carreira e, por consequência, para sua vida de forma geral. Falta definir o prazo para se estabelecer uma meta completa. Ela definiu que queria atingir seu objetivo em seis meses. A meta estava completa. Depois disso, Senhora A passou a pensar em como atingir essa meta. Criou muitas oportunidades para se expor a situações que a fizessem experimentar, aprender e evoluir em sua habilidade de comunicação. Como tarefa, ela LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 127 passou a fazer apresentações para a sua equipe, trazendo para as conversas com o líder-coach o seu aprendizado em cada tarefa. Melhorava em alguns pontos e fazia algumas simulações com seu gestor de forma a estar cada vez mais preparada para os momentos cruciais. A técnica de ensaiar com alguém orientando é muito poderosa e antecipa o momento onde será colocada à prova. Ao final de seis encontros, a Senhora A se sentia segura em fazer apresentações e deu por concluído o processo. Cabe ressaltar que a Senhora A foi uma excelente coachee, pois assumiu que a responsabilidade de buscar um melhor desempenho também era tarefa dela. Isso é uma condição fundamental para o êxito do processo. Aprenda Mais Leia a reportagem O líder coach e sua importância corporativa da revista Abril que se encontra no material complementar. Exercícios de fixação Questão 1 O que é coaching? a) Processo de liderança que incentiva comportamentos adequados nas organizações. b) Ferramenta gerencial que motiva a autodescoberta. c) Reunião motivacional entre líder e funcionário. d) Processo de mudança realizado utilizando as competências técnicas de um coach. e) Processo de mudança utilizando a relação interpessoal com um mentoring. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 128 Questão 2 O trabalho do líder-coach é: a) Ensinar caminhos para as mudanças pretendidas. b) Ouvir com atenção os relatos do coachee. c) Diagnosticar as necessidades do coachee e apontar soluções. d) Planejar em conjunto as metas pretendidas e acompanhar o trabalho para sua realização. e) Acompanhar o coachee em suas realizações profissionais. Questão 3 Dentre as habilidades do coach assinale a alternativa ERRADA: a) Criar um clima aberto e de apoio para a conversa. b) Demonstrar boa capacidade de ouvir. c) Fornecer feedback construtivo. d) Avaliar o coachee por suas não realizações. e) Estabelecer uma relação de confiança desde o começo do trabalho. Referências BEHNKEN, S. P. Coaching e educação corporativa. In: Starec, C.(Org.). Gestão da Informação, Inovação e Inteligência Competitiva. Rio de Janeiro, Ed. Saraiva, 2012. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 129 Anexos Anexo 1: Um antigo colega Você é um diretor de uma Empresa e lhe chega o seguinte caso: Pedro é um antigo funcionário da Empresa, com 10 anos de casa. Durante os quatro primeirosanos, trabalhou exclusivamente num setor e seu desempenho era satisfatório, quando, então, este setor foi totalmente reformulado. Seus serviços foram informatizados e realizados pela internet, gerando extinção de cargos e redução de pessoal. Pedro, a partir de então, tem estado trabalhando em vários setores, porém não consegue firmar-se em nenhuma posição. Seus supervisores pedem seu remanejamento ou sua dispensa, alegando não apresentar bom desempenho. Ele não consegue aprender o serviço e não tem motivação. A situação tornou-se mais grave, pois se alastrou pela Empresa e não há mais nenhum setor que queira recebê-lo. Sentindo a gravidade do problema, Pedro lhe procurou, por ser seu velho amigo e também antigo na Empresa, para tentar manter-se no emprego. Você lhe deve um favor, pois ele lhe ajudou num problema há muitos anos que poderia ter comprometido a sua imagem diante de todos os funcionários. Durante a conversa, Pedro informou que, após sua primeira transferência, jamais foi treinado ou orientado quando assumia um novo cargo. Ninguém lhe dava atenção. Entregavam-lhe o serviço e ele tinha que aprender sozinho. Embora se esforçasse muito, não era capaz de superar sozinho suas dificuldades. Além disso, cada vez que era remanejado, nunca lhe perguntavam se ele aceitava aquele trabalho, ou se tinha condições para desempenhá-lo. Também nunca lhe disseram porque mudaria de função ou setor. Queixou-se que só foi elogiado uma vez por todos esses anos. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 130 Chaves de resposta Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 – A Justificativa: O surgimento dos estudos sobre motivação ocorreu na época de redescoberta do ser humano. Questão 2 – D Justificativa: São as competências focadas nos aspectos técnicos e nos aspectos atitudinais. Questão 3 – E Justificativa: Após identificar as necessidades do cliente devemos elaborar as soluções e, finalmente, entregar o que foi desenvolvido. Aula 2 Atividade proposta 1 Exercícios de fixação Questão 1 – A Justificativa: O ruído interfere na comunicação, mas não é considerado como um de seus elementos. Questão 2 – B Justificativa: Dizemos que é subjetivo quando a produção está basicamente na mente das pessoas. Ou seja, não está materializada em objetos ou processos. Questão 3 – E Justificativa: Sem ações reais após a pesquisa os profissionais perdem a confiança na empresa e potencializam a insatisfação. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 131 Aula 3 Atividade proposta O conflito faz parte do processo de crescimento de todo ser humano. Por isso, não devemos vê-lo apenas pelo lado negativo. Entretanto, no caso de Pedro, as mudanças foram sendo implementadas sem que ele se preparasse para elas. Seu gestor não apresentou propostas de desenvolvimento para municiá-lo de ferramentas que o ajudassem a desempenhar suas novas funções. O conflito, então, foi instaurado: aquele que é SENTIDO pelo colaborador, que põe toda a sua emoção na conversa com o diretor, e MANIFESTO, porque é aberto e declarado para toda a organização. Nesse caso, não houve negociação com o funcionário – ele apenas foi submetido às imposições de seu ambiente de trabalho. Agora, a empresa não dispõe de uma solução para enquadrar o colaborador em seus setores. Isso aconteceu porque não foram tomadas medidas de precaução para lidar com a situação. Nunca se esqueça: as ações preventivas devem ser SEMPRE priorizadas. Exercícios de fixação Questão 1 – C Justificativa: Quanto mais critérios objetivos forem utilizados, mais o foco permanecerá no tema, e não nas pessoas. Questão 2 – C LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 132 Justificativa: O item III está incorreto, pois o tema ética pode ser conteúdo dos treinamentos oferecidos aos negociadores. Questão 3 – B Justificativa: A negociação ética baseia-se no princípio do ganha-ganha – quando ambas as partes se sentem realizadas e satisfeitas. Aula 4 Exercícios de fixação Questão 1 – B Justificativa: Esses pontos são a base para se entender os comportamentos utilizados dentro de uma equipe. Questão 2 – B Justificativa: Visando a harmonia da equipe a negociação deve ser sempre a estratégia usada. Questão 3 – B Justificativa: Considerados com etapas “evolutivas” de um grupo, os ciclos indicam em qual momento essa evolução se encontra. Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 – A Justificativa: A liderança deve potencializar sua equipe de forma a transformá- la em uma das estratégias para a empresa atingir suas metas. Questão 2 – B Justificativa: A conjugação dos fatores objetivos – resultados – com os fatores psicológicos – prazer no trabalho – formam a combinação da equipe de alta performance LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 133 Questão 3 – B Justificativa: Essa competência inclui características pessoais com a prática – habilidade – do seu exercício. Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 – A Justificativa: A liderança conjuga fatores focados no trabalho – orientação e direção – com fatores relacionais que produzem motivação nas pessoas. Questão 2 – C Justificativa: A liderança inclui um fator muito importante: confiança. Ao perdê-la o gestor entra num processo de desgaste. Questão 3 – C Justificativa: A era do capataz acabou. A liderança de hoje deve ser vista como um agende de desenvolvimento das potencialidades da equipe em prol de metas comuns. Aula 7 Exercícios de fixação Questão 1 – C Justificativa: A combinação dos fatores objetivos com os subjetivos é que promovem o envolvimento de um profissional com a empresa. Questão 2 – B Justificativa: Liderar servindo significa se preocupar em como ajudar para melhorar o trabalho de quem está abaixo na hierarquia. Isso independe do número de liderados. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 134 Questão 3 – A Justificativa: Utilizar o estilo da liderança servidora é mais do que apenas ser companheiro dos subordinados. Aula 8 Exercícios de fixação Questão 1 – D Justificativa: Estando no gerúndio, coaching indica um movimento. Esse movimento é em direção à meta e, para isso, utilizamos um planejamento. Questão 2 – D Justificativa: ao utilizar o estilo coaching o líder deve estimular que o subordinado encontre suas próprias respostas aumentando, assim, sua autonomia. Questão 3 – D Justificativa: o foco do coach sempre deve estar no positivo e nas potencialidades. LIDERANÇA E PROCESSOS DE GESTÃO - APOSTILA 135 Conteudista Sérgio Paulo Behnken Mestre em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho e em Psicologia Clínica pela Federação das Faculdades Celso Lisboa (FFCL), formado em Coaching pelo Instituto Internacional de Coaching e em Líder- Coach – Coaching Clinic – pela Pro-Fit/Corporate Coach University, e graduado em Psicologia pela FFCL. Atua na área de Psicologia, com ênfase em Recursos Humanos, trabalhando, principalmente, com os seguintes temas: educação corporativa e aprendizagem organizacional, coaching, treinamentos comportamentais, motivação, indicadores de performance em Recursos Humanos (RH), qualidade de vida no trabalho e desenvolvimento de potencial. Possui experiência em Gestão de Unidades de Negócios (UEN) em três campi da Universidade Estácio deSá (UNESA) e na Coordenação do curso de Psicologia da mesma instituição. Além disso, foi Gerente do setor de RH da Fundação João Goulart, na Prefeitura do Rio de Janeiro, e Diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ). Atualmente, é psicólogo, coach e consultor organizacional, sócio-diretor da Potencial PSI – Desenvolvimento do Potencial de Pessoas e Organizações – e membro da Associação Brasileira de Psicologia Organizacional e do Trabalho (SBPOT). Atua, também, como professor de Liderança e Gestão de Pessoas na Fundação Getulio Vargas (FGV) e de Psicologia e Gestão de Recursos Humanos nos cursos de Graduação e Pós- Graduação da UNESA. Exerce, ainda, a função de avaliador do Ministério da Educação e Cultura (MEC), além de ser coautor de livros na área de Gestão Estratégica da Informação. Currículo Lattes: lattes.cnpq.br/9529303154696604 Atualizado em: 14 de Outubro de 2013