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Pancreatite (05/09) · Anatomia: O pâncreas se localiza no inicio do duodeno mais exatamente na 1 curvatura, altamente confundivel com gorduras abdominais e a nível ultrassonográfico o percebemos quando esta alterado ou pela topografia de “ferradura” (coloração parecida com a do pulmão) · Funções: Órgão misto de dupla função: · Exócrina: · Enzimas digestivas, sem elas não tem decomposições de proteínas (principalmente) e absorção de nutrientes · Endócrina: responsável pelo controle da glicemia · Insulina · Glucagon · Pâncreas Exócrina: Lança suas secreções (enzimas digestivas) para luz intestinal – fora, só o pâncreas endócrino - insulina e o glucagon que lança a nível circulatório, sistêmico (dentro). · Amilase · Lipase · Protease · Ativação inapropriada dentro das células acinares – auto digestiva A inflamação acontece quando começamos a ter uma estase - algum processo anormal que produzem essas enzimas de maneiras inativas, porque se não elas iram digerir o próprio pâncreas, quando temos a ativação no local inapropriado começamos a ter digestão dele sendo muita das vezes incontrolável e levando a falência. · Doença do pâncreas exócrino: · Pancreatite aguda · Pancreatite crônica · Fibrose do órgão, quando temos o tecido inflamado que vai ser transformado em tecido fibroso. Um exemplo é o que acontece com o hepatócitos, os protetores hepáticos conservam sua função e a Cilimarin atua como um inibidor da fibrose hepática, impede que os hepatócitos se tornem tecido não ativo · Tumores · Abcessos · Insuficiência hepática exócrina (IPE) ou síndrome de má absorção · Epidemiologia: como ocorre · Pancreatite aguda é uma doença comum em cães, fêmeas e machos castrados tem maior risco de desenvolver a pancreatite aguda que os machos sexualmente intactos, segundo o professor os hormônios esteroides pode está um pouco relacionado a isso · A idade de maior ocorrência entre a meia idade a idosos, isso não significa que é exclusivo nesses indivíduos · Raças tipo terrier (Schnauzer miniatura, Cairn Terrier); Poodle miniatura e Lhasa Apso apresentem risco potencial de pancreatite · Acredita-se que o estilo de vida principalmente em relação a dieta e exercícios sejam determinantes e não a raça, ou seja, animal que come muito, engorda e não faz exercícios tem muito chances de desenvolver pancreatite que os outros indivíduos · Definição: · Resultado de uma autodigestão secundária a uma ativação inapropriada das enzimas digestivas da glândula, o qual eram para serem lançadas a nível duodenal, porem se ativaram ainda dentro do pâncreas, o destruindo e causando inflamação, necrose... isso é um acontecimento que ocorre junto com a pancreatite · Etiologia: · Nutrição (obesidade), Hiperlipoproteinemia (pacientes com muita gordura e proteína na dieta), · Fatores Genéticos (raça); · Fármacos, Toxinas, Hipercalcemia; · Obstrução de Ducto; Se observarmos anatomicamente o ducto colegado e o saco da vesícula, o ducto pancreático se liga ducto colegado é vai até o intestino, então cálculos biliares que tiverem obstruindo mais distalmente, vai obstruir o ducto pancreático levando a pancreatite · Refluxo Duodenal, Traumatismo Pancreático e Isquemia Pancreática; · Pós-esplenectomia; ou seja, cirurgias onde fazemos a retirada do baço, e realizamos a manipulação cirúrgica excessiva daquela região acaba causando uma inflamação no pâncreas · Por complicações hepáticas (organomegalias, fígado aumentado podem levar a alterações) · Causas gerais: fatores predisponentes · Animais obsessos · Fêmeas (mais comum) e em machos castrados · Dieta rica em gordura · Raças · Drogas · Furosemida em uso exagerado · Diuréticos tiazídicos, · Sulfonamidas, · Tetraciclinas – doxiclinas usadas para combater Erlichia Não pode ser administrada com derivados do leite, pois a tetraciclina tem afinidade com o cálcio se aderindo, passam de maneira intacta a nível intestinal sendo eliminada junto com as fezes não realizando sua ação · Clorpromazina, · Brometo de potássio, controle de convulsão associado ao fenobarbital, gadernal · Estrogênio , · Quimioterápicos Esses medicamentos devem ser usados na dose correta, mas quando temos um paciente que faz uso desses medicamentos e apresentam sinais clínicos compatíveis de pancreatite é mais um reforço para fortalecer a suspeita clinica · Uremia, isquemia, infecção generalizada (ex: PIF) · Hiperlipidoproteinemia, hipocalcemia · Trauma abdominal · Procedimentos cirúrgicos – excesso de manipulação e icterícia, · Causas específicas em gatos: · Infecções por trematóideos · Peritonite infecciosa (PIF) é um percursor da pancreatite, pois irrita todo o pâncreas e região abdominal · Toxoplasmose, porém não temos certeza se é um fator predisponente · Sinais clínicos: · Anorexia · Vômitos de brandos a extremamente severos · Ptialismo e lambedura dos lábios, acometendo mais os felinos · Depressão bastante intensa · Dor abdominal – localiza no quadrante cranial direito ou generalizado (abdômen inteiro), é um dos principais sintomas necessitando de um exame complementar · Posição de alívio (posição de prece) quando a dor é localizada. Posição de prece: animal com as patas traseiras elevadas e as dianteiras abaixadas · Febre · Hipovolemia; Hipotensão · Taquicardia · Desidratação muitas das vezes severa · Choque · Diarréia sanguinolenta (ou não) · Pancreatite aguda: · Inflamação do pâncreas de início súbito · Pode ser: · Edematosa: Formação de edema/congestão intersticial, se tornando mais fácil visualiza-lo na US pelo aumento pancreático, pode produzir um leve exsudato inflamatório composto por neutrófilos e linfócitos, isso pode sair do pâncreas e cair na cavidade abdominal levando a peritonite · Edema intersticial · Leve exsudato inflamatório composto de neutrófilos e linfócitos · Leve fibrose intersticial (dentro do parênquima) e alguma necrose podem estar presente · Pode recidivar e resolver sem causar maiores mudanças patológicas. · Hemorrágica/necrosante - mais grave · Destruição do parênquima pancreático por necrose e hemorragia. · Infiltrados inflamatórios iniciam de maneira esparsa e se amplificam mais tarde. · Os vasos sanguíneos ficam necrosados por extensas áreas levando ao óbito do animal, por não ocorrer circulação sanguínea no pâncreas · A necrose invade tecido conectivo e gorduroso e também a gordura abdominal, causando uma peritonite severa seguido de óbito por choque · Sinais clínicos: · Depressão · Anorexia · Vômito · Dor abdominal · Hematoquezia – fezes com sangue · Melena · Icterícia · Taquipnéia · Dificuldade respiratória · Choque · Febre ou hipotermia · Desidratação · Mucosas hiperêmicas – mucosas toxemicas · Taquicardia · Efusão abdominal, principalmente se for um pancreatite inflamatória · Arritmia · Glossite, pois ocorre a inflamação da língua ficam espessa · Achados laboratoriais: · Leucocitose · Neutrofilia · Linfopenia · Eosinopenia · Hemoconcentração devido a desidratação · Proteínas elevadas · Amilases elevadas Segundo a literatura · Lipases elevadas No pâncreas exócrino o que não temos são essas enzimas aumentadas... · Uréia N ou elevada · Creatinina N ou elevada · Glicose elevada · Cálcio diminuído · Eletrólitos variáveis · ALT elevada · GGT elevada · Fosfatase alcalina elevada · Lipídeos elevados · Tratamento: · Remoção da possível causa de base, começou por um trauma, uma inflamação... Ex: Foi realizado uma cirurgia de corpo estranho estomacal, no pós-cirurgico o animal começa a sentir muita dor abdominal na parte cranial, apresentando sinais clínicos como depressão, vomito, letargia, choque nos levando a acreditar em um quadro de pancreatite edematosa, sendo necessário tratar o processo inflamatório. Qual tratamento realizar? Usar antibióticos mais como um preventivo e corticoides para controlar os processos inflamatórios, pois o antibiótico vai servir para evitar infecções secundárias já que o corticoide vai inibe a produção das células de defesa, sendo um método farmacologicamente errado, masclinicamente correto · Restaurar e manter o volume circulatório, necessitando está na fluidoterapia para não desidratar · Intravascular e a perfusão pancreática · Reduzir a secreção pancreática, tendo uma dieta baixa em proteínas · Aliviar a dor com um bom analgésico · Administrar as complicações que podem vir acontecer como gastrite, fezes com sangue... · Fornecer suporte nutricional a base de calorias – carboidratos e alguns aminoácidos · Suporte nutricional nutrição parenteral – veia (soluções de 3-4,5% de aminoácidos e misturas eletrolíticas a 10- 20%) A alimentação enteral existe a de lipídeos e a de glicose, porém ter cuidado com o fornecimento da glicose em animal com pancreatite, sendo necessário fazer a dosagem, pois caso esteja alta não é indicado realizar tal alimentação · Fluidoterapia 24h · Mensurar o balanço eletrolítico: potássio, sódio, cloro, bicarbonato e cálcio · Analgésicos: · Cloridrato de meperidina, morfina, · Tramadol ou tatarato de butorfanol (0,5 – 1 mg/kg a cada 6 h) · Antibióticos – cefalosporinas (cefalexina de 25mg/kg de 12/12h) · Albumina para manter o fluxo sanguíneo · Administração de colóides (dextran 70 ou hetastarch 6% ) · Glicose (se indicado) · Corticoídes (Auto-imune) -o indicado é sempre usar, ex: Dexametasona (injetável) · Controle do vômito: ex: Cerenia · Ondansetrona · Maropitam · Omeprazol · Rações especiais de baixa caloria - gordura · Low fat · Hills I/D · Suplementação de enzimas Se a situação for a nível pancreático crônico, vamos ter a deficiência de enzimas, assim temos que lembrar que quando ele começar a se alimentar ele não conseguir digerir e absorver o conteúdo causando uma diarreia e como um dos tratamentos é indicado o uso de suplementação de enzimas pancreáticas sendo administrada junto a alimentação, se será continuo ou não vai depender do animal – pâncreas · Cirurgia – remoção de todo material necrótico, não se realizando esse procedimento no pâncreas edematoso · Pós-operatório importante, sendo indicado ficar na UTI · Prognóstico: · Surtos repentinos graves: desfavorável, pois uma hora pode necrosar é não ter mais o que fazer · Leves sem complicações: favorável, quando se trata de uma pancreatite inicial, sem muita manipulação, pouca inflamação · Recidivantes: não se recupera · Eutanásia · Pancreatite crônica · É resultado da continuidade do processo inflamatório com mudanças irreversíveis e permanente perda (parcial ou total) das funções endócrinas e exócrinas da glândula. Quando conseguimos controlar o quadro, porém ficou com alguma “problema”, exemplo diabético – alteração endócrina ou ficou com IPE (insuficiência hepática exócrina) se tornando um animal dependente de enzimas... · Pode ser: · Recorrente: provas de laboratório alteradas, sintomas · Persistente: destruição do parênquima pancreático, dependendo de quais funções foram destruídas, endócrina ou enzimas · A pancreatite Crônica Recorrente leva a Síndrome de Insuficiência Pancreática Exócrina (mau digestão) e/ou Endócrina (Diabetes Mellitus) · Sinais clínicos: Síndrome de insuficiente pancreática exócrina – deficiente de enzimas digestivas · Depressão · Anorexia · Apetite depravado, come muito, mas não digere e acaba defecando muito, ficando com fome e fazendo a coprofagia · Transtornos digestivos brandos · Coprofagia · Anemia · fezes cinzas ou amarelas (99%), · aumento do volume fecal (95%), · defecação maior que três vezes por dia (90%), · perda de peso e caquexia (90%), · flatulências constantes (88%), · diarreia (77%), · coprofagia (61%), · polidipsia (51%), · vômitos (38%) · e problemas cutâneos (14%) · Diagnóstico: · Anamnese, sinais clínicos e exames físicos · Métodos complementares · Raio x não é indicado · Biopsia ser feita de maneira cuidadosa · Ultrassom é muito utilizado · Laparatomia exploratória – técnica meio drástica · Laboratoriais (lipase, amilase) · Excreção fecal de gordura (fezes gordurosas) · Teste de turbidez do plasma, quando o sangue decanta no tubo vemos o plasma de cor amarelada e turvo – gorduroso · Digestão de gelatina em tubo e de filme radiográfico. · O teste da digestão de filme radiográfico é prático e de resultado rápido, podendo ser realizado na própria clínica veterinária. Nesse teste a atividade proteolítica fecal está diminuída devido a observação da não depuração da gelatina do filme · Teste da tripsina fecal, pode ser realizado com filme de Raio-X ou solidificação da gelatina · Tripsina presente = Normal; clareamento do filme de raio-x tornando-o transparente · Apenas o clareamento do filme = Tripsina ausente · Teste com baixa sensibilidade e especificidade, pois pode vir a ter erros · Usado como triagem: rápido, fácil realização e barato · Não ocorre solidificação da gelatina = Tripsina presente · Há solidificação da gelatina = Tripsina ausente Resumindo: Pega o filme do raio x (parte preta) e corta em tiras, em um tubo de ensaio colocamos fezes do paciente e outro tubo com fezes normal, misturando ambos com soro, em seguida imergimos a tira e esperamos. Caso a tira de raio x (pode ser meio gelatinosa) esteja transparente é sinal que tem enzimas digestivas presentes - normal, se clarear pouco com algumas falhas e sinal que as enzimas estão ausentes · Exames laboratoriais: · Lipase · Sensibilidade 73%; especificidade 55% · Amilase · Sensibilidade 62%; especificidade 57% · Lipase pancreática canina (cpli) – teste rápido, existindo o de felino e o de canino · Especificidade 83% · Exame microscópico: testes inespecíficos · Pesquisa de fibras musculares · Pesquisa direta em técnicas de flutuação · Pesquisa de gordura fecal (quantidade de gordura nas fezes) · Coloração com Sudam III · Pesquisa direta em técnicas de flutuação · Pesquisa de amido fecal · Coloração com Lugol (coram-se de azul escuro a preto dependendo da quantidade) · Cuidado com talco de luvas de procedimentos que podem dar um falso positivo · Diagnóstico por tripsiogênio –TLI · Teste recomendado e definitivo para insuficiência pancreática exócrina (bom, prático e fidedigno) · Espécie – específico · Coletar após jejum de 12 horas (gatos) · Resultados abaixo dos valores esperados(deficiência de enzimas) · Cães: 5 a 35 ug/L (↓ 2,0 ug/L = IPE) · Gatos: 12,0 a 82,0 ug/L (↓ 8,0 ug/L = IPE) · Repetição dos testes de 2 a 3 meses, para ver como está a recuperação · A pancreatite normalmente aparece em cães, mas seu diagnóstico é difícil porque os pacientes com esta doença nem sempre apresentam sinais clínicos específicos, além do desempenho limitado dos testes de diagnóstico tradicionais. · O cPLI e fPLI sérico é altamente sensível e específico para diagnosticar pancreatite em cães e gatos respectivamente. Ao contrário das atividades séricas da lipase, a concentração de cPLI sérico não é afetada pela insuficiência renal ou administração de prednisona. · Lipase específica (lipase imunorreativa ou cPLI) : · Específico para felinos e caninos · Não tem influência em animais com IR · Radioimunoensaio (Universidade do Texas, EUA) · Kit idexx (ELISA) espécie específico · Maior custo · Sensibilidade 82% cães e 67% (54% brandos e 100% graves) gatos 95% cães e 91% (77% assintomáticos e 100% animais doentes) gatos. Teste: <200ug/l: (normal) a concentração de soro está no intervalo normal 201 – 399ug/l: (elevado e precisa repetir) o paciente pode ter inflamação no pâncreas ou doença pancreática inflamatória e a concentração de soro no Spec cPL® deve ser reavaliada. Se há sinais clínicos, trate-os adequadamente e realize diagnósticos adicionais para investigar outros diagnósticos. Repita o Spec cPL® após 1-2 semanas. Se o cão é assintomático, refaça o teste após 3-4 semanas >400ug/l:(confirmação)consistente com inflamação no pâncreas ou doença pancreática inflamatória · Tratamento: da pancreatite crônica · Terapia prolongada recomendada, é evitar refeições gordurosas. · Evitar excesso de proteína e evitar rações muito proteicas, porque não vai conseguir digeri-la, sendo indicado rações maissimples · Administração de enzimas pancreáticas · Diagnóstico de Neoplasia pancreática exócrina · Adenocarcinoma (raro) · Sintomas clínicos: · Letargia, anorexia e perda de peso · Sinais: · Pancreatite, obstrução do ducto biliar extra-hepático ou IPE · Diagnóstico: · Resultados laboratoriais inespecíficos · Ultrassonagrafia