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Emulsão Produto cárneo emulsionado é um produto de massa cárnea com características de uma emulsão (produto de massa �na, feito em cutter ou emulsi�cador). Emulsão é uma mistura estável de dois líquidos imiscíveis devido a presença de um agente emulsionante. Podem ser de dois tipos: ➔ Óleo em água (O/A) ◆ fase dispersa: óleo ◆ fase contínua: água ◆ ex: leite ➔ Água em óleo (A/O) ◆ fase dispersa: água ◆ fase contínua: óleo ◆ ex: manteiga obs: a fase contínua está presente em maior quantidade que a fase dispersa. Na emulsão há a manutenção das gotículas dispersas na fase contínua. Para que isso aconteça, requer energia (para quebrar a tensão interfacial) ou então é necessário um agente ativo de superfície (emulsi�cante, de caráter anfótero, que possui porção hidrofílica e porção hidrofóbica). Emulsão cárnea ➔ é do tipo óleo em água ◆ fase contínua: matriz de �bras de tecidos muscular e conectivo, suspensas num meio aquoso ◆ fase dispersa: gorduras ➔ a carne não é uma emulsão verdadeira por dois motivos: ◆ os glóbulos formados são maiores que 50 micrômetros (emulsão verdadeira é de 5 a 10 micrometros) ◆ para ser emulsão, é necessário ter dois líquidos, e na carne é água e gordura O agente emulsi�cante presente na carne são as proteínas mio�brilares. Elas são responsáveis por cerca de 97% da capacidade de retenção de água da carne e por cerca de 75% da capacidade emulsionante da carne. As proteínas sarcoplasmáticas têm uma contribuição modesta na emulsão. As proteínas estromais (tecido conectivo) têm pequena participação na emulsão (gelatinizam com a temperatura e acabam retendo água, que favorece a formação do FPI e da matriz). Então, na emulsão cárnea temos: ➔ matriz: água, proteínas, sais, etc ➔ glóbulos: gordura ➔ �lme proteico interfacial (FPI): proteínas na interface Estabilidade da emulsão A quebra da emulsão é o reagrupamento das partículas dispersas de gordura, tornando a gordura visível. A estabilidade depende de alguns fatores: 1. tipo de carne usada: a. rica em colágeno ➞ menor estabilidade da emulsão (poucas proteínas mio�brilares) 2. quantidade de proteína mio�brilar: a. quanto maior a quantidade, maior a estabilidade da emulsão b. depende de: i. concentração de sal/força iônica (maior que 0,6 M) - quanto maior for a extração das proteínas, mais disponíveis elas �cam ii. pH (maior que 5,2) - quanto mais afastado do ponto isoelétrico, maior é a solubilidade e extração das proteínas 3. tamanho das partículas de gordura: a. quanto menor for o diâmetro das partículas, mais estável é a emulsão b. no entanto, se os glóbulos de gordura forem muito pequenos, é necessário mais quantidade de proteínas solúveis (pois aumenta a área super�cial) 4. quantidade de gordura: a. a estabilidade da emulsão cresce com o aumento da quantidade de gordura adicionada até um máximo i. é até um limite máximo pois a carência de proteína gera quebra da emulsão ii. baixa quantidade de gordura gera excesso de proteínas➞ textura borrachenta 5. tipo de gordura: a. gorduras poliinsaturadas tendem a produzir emulsões com menor estabilidade ➞ ocorre pois esse tipo de gordura tem menor ponto de fusão, então se liquefazem mais rapidamente, o que aumenta a pressão interna dentro do glóbulo ➞ pode levar à quebra da emulsão 6. velocidade de cuterização (no cutter): a. velocidade muito alta pode aumentar muito o número de gotículas de gordura, o que aumenta a necessidade de proteína b. as velocidade mais altas também aumentam a extração proteica obs: antes da adição de gordura, a velocidade de mistura deve ser rápida para garantir máxima fragmentação do tecido muscular e maior extração de proteínas. Após a adição da gordura, a velocidade do cutter deve ser reduzida, para evitar excessiva fragmentação de gordura. 7. temperatura da massa no cutter a. a trituração aumenta a temperatura da massa ➞ pode ocorrer fusão das gotas de gorduras encapsuladas, o que causa expansão dentro dos glóbulos e aumento da pressão interna ➞ possibilidade de desnaturação proteica devido a menor coesividade e elasticidade do �lme protéico, que aumenta a susceptibilidade à ruptura 8. cozimento: a. coagulação da matriz proteica ocorre ntre 60 e 90ºC i. temperatura maior que 90%ºC e UR acima de 90% ➞ efeito térmico muito alto ➞ quebra da emulsão b. o ideal é fazer cozimento escalonado de 60 a 85ºC i. 55ºC e 80% UR ii. 80ºC e 75% UR Cuterização 1. colocar no cutter, previamente resfriado, carne magra congelada em pequenos blocos (retalhos) 2. adicionar gelo e os ingredientes (fosfato, sal, etc), exceto a gordura 3. triturar a massa em alta velocidade até a temperatura de 8ºC (favorece a extração proteica) 4. reduzir a velocidade e adicionar a gordura congelada e cortada em cubos (evita a particularização excessiva da gordura) 5. trituração até a temperatura crítica de 15ºC Produtos Emulsionados Mortadela É um produto cárneo emulsionado, obtido de carne bovina e/ou suína, miúdos e vísceras comestíveis (estômago, coração, língua, fígado, rins, miolos e medula), pele e tendões. Pode ou não ser acrescido de gordura, água e CMS, e adicionado de sais de cura, condimentos e constituintes não-cárneos �namente triturados. Para fazer mortadela de carne de ave pode utilizar miúdos de aves (fígado, moela e coração). ● Matéria prima: carne congelada, toucinho em cubos e congelado (a gordura da papada é preferencial pois tem menor ponto de fusão ➞ permite cuterização com uma temperatura um pouco mais alta) e água ou gelo ● Pré-moagem: a carne e o toucinho são moídos e congelados separadamente ○ sem a pré-moagem é necessário usar pequenos blocos de carne congelada e gordura em cubos diretamente no cutter ● Cuterização é a trituração da massa e é onde ocorre a formação da emulsão; a temperatura deve ser menor que 15ºC (ideal é 12ºC) ● Mistura: em misturadeira a vácuo por 3 a 5 minutos; remoção de ar da massa; adição do toucinho, para haver formação de olhaduras ● Embutimento: a vàcuo e feito em bexiga ou tripa arti�cial ● Cozimento: através de estufa ou imersão; deve ser escalonado (o produto é considerado cozido apenas quando atinge a temperatura interna de 73-75ºC) ● Defumação: temperatura menor que 90ºC para evitar quebra da emulsão ● Resfriamento: proporciona um choque térmico; pode ser feito por aspersão ou imersão por cerca de 5 minutos até atingir a temperatura ambiente nas peças ● Estocagem: preferencialmente e, câmaras frias, mas algumas mortadelas �cam em temperatura ambiente Salsicha É um produto cárneo industrializado, obtido da emulsão de carne de uma ou mais espécies de animais de açougue, podendo utilizar vísceras e outros miúdos autorizados para o consumo humano, embutido em envoltório natural ou arti�cial, ou processo de extrusão, e submetido a processo térmico adequado. Processos alternativos (que não são feitos na mortadela): tingimento, geralmente com urucum, depelagem e defumação. ● Matéria-prima: semelhante a da mortadela ● Embutimento: feito em embutideiras acopladas a equipamentos que torcem e formam gomos (de 9 a 12 cm); os gomos são pendurados em engradados ● Choque-térmico: feito com água em temperatura ambiente e depois com água gelada por 5 minutos; o choque-térmico muito brusco pode causar enrugamento dos gomos ● Depelagem: é a remoção da tripa arti�cial (celulose); é feita em equipamentos ● Tingimento: é feito um banho de extrato de urucum (por 2 min) e depois um banho de ácido fosfórico e sal (1% por 1 min) para �xação da cor ● Enlatamento: salmoura com ascorbato de sódio 0,05% para evitar a mudança de dor do produto ● Esterilização: o tempo temperatura depende do tipo de produto e do formato/tamanho da lata