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Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem Apresentação O ensino de Língua Portuguesa, na atualidade, requer bem mais que ensinar gramática. Embora seja extremamente importante, ela não deve ser a única abordagem. Há uma lacuna entre os modos de ensinar e aprender Língua Portuguesa, especialmente no que se refere à produção escrita de gêneros textuais argumentativos, que ainda segue modelos tradicionais de escrita, baseados em uma determinada ordem tipológica. Desenvolver métodos inovadores para o ensino de Língua Portuguesa é um desafio na demanda de capacidades e competências relacionadas a escrita, leitura e oralidade que possam auxiliar os sujeitos no domínio dos objetos que precisam ser aprendidos por eles no letramento escolar. Sob a perspectiva de Mikhail Bakhtin, um dos maiores pensadores do século XX, nos livros de Língua Portuguesa, as produções escritas de textos argumentativos devem ser ensinadas por meio da abordagem enunciativo-discursiva de gêneros discursivos, e não se utilizando apenas de uma tipologia textual, como a narração, descrição, argumentação, etc. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as contribuições de Bakhtin para o exercício pedagógico do ensino de Língua Portuguesa. Além disso, você vai conhecer metodologias voltadas à prática linguística bem como aspectos práticos da perspectiva enunciativo-discursiva. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir as contribuições de Bakhtin para a prática pedagógica do ensino de Língua Portuguesa. • Identificar as metodologias que possam contribuir de modo eficiente para a prática linguística• Planejar aulas com base na perspectiva enunciativo-discursiva.• Infográfico O gênero textual abarca a prática de diversas estratégias de leitura e produção textual como sistema metodológico propício a atingir o objetivo do ensino de língua, que é desenvolver a capacidade comunicativa do estudante por meio do processo de interação verbal. Assim, a produção textual é uma atividade indispensável para o ensino-aprendizagem, pois é por meio dela que o aluno pode produzir uma mensagem capaz de expressar um sentido comunicativo. Neste Infográfico, você vai ver mais detalhadamente as etapas e a estrutura da produção textual. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/60987d60-9cda-416b-95fa-6dfb3749007e/919bd171-2aa5-463e-bd1a-0b6ca2585d9e.png Conteúdo do livro Aprender a ler, no sentido de letramento, presume o desenvolvimento da consciência sobre a linguagem e sua competência para realizar ações e interagir no meio social. A leitura e a escrita podem desenvolver indivíduos alfabetizados e letrados. Como o professor pode planejar e executar suas aulas para contribuir efetivamente nesse processo? No capítulo Aula de Português na perspectiva enunciativo-discursiva da linguagem, da obra Prática pedagógica e metodologia do ensino de Língua e Literatura, base teórica desta Unidade de Aprendizado, você terá acesso a propostas metodológicas para o ensino das práticas de linguagem – leitura, produção de textos e análise linguística – com exemplos de atividades realizadas em diferentes níveis de ensino. Boa leitura. PRÁTICA PEDAGÓGICA E METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA E LITERATURA Cleusa Maria Pasetto Stochero Aula de português na perspectiva enunciativa- -discursiva da linguagem Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Discutir as contribuições de Bakhtin para a prática pedagógica do ensino em língua portuguesa. Identificar as metodologias que possam contribuir de modo eficiente para a prática linguística. Planejar aulas com base na perspectiva enunciativa-discursiva. Introdução O aprendizado da linguagem oral e escrita é um dos eixos básicos da educação, e é tarefa do professor ensinar o aluno a falar, ler e escrever. De acordo com Bakhtin (2002), é a relação dos sujeitos com a língua que determina a enunciação e marca materialmente a presença da subjetivi- dade, ou seja, do “eu” no discurso. Ele sugere um estudo da linguagem como atividade comunicativa, não apenas comprometida com forma ou classificação, mas também com categorias comunicativas formadas por gêneros de diferentes setores da atividade humana. Ainda hoje, os trabalhos de Bakhtin são primordiais para o enten- dimento de como ocorre a produção de significados no exercício dos discursos no dia a dia. Para ele, a linguagem é uma prática social cotidiana que envolve a práxis do relacionamento entre sujeitos. Essa prática é parte integrante do sentido do dizer. Neste capítulo, você vai estudar as contribuições importantes da teoria bakhtiniana para os estudos linguísticos. Essa teoria ainda serve de base para a reestruturação e a produção de novos conceitos para os estudos da linguagem. Com este estudo, você vai conhecer metodologias para a prática linguística e a importância do processo de produção enunciativa em língua portuguesa. 1 Enunciação, dialogismo e gênero do discurso Segundo Bakhtin (2002), o pensamento não pode ser considerado anterior à existência, nem dela estar separado. Por isso, o mundo da cognição e o mundo da vida estão inscritos um no outro e infl uenciam-se mutuamente. Assim como nosso pensamento se forma em determinado tempo, em determinada cultura e em relações sociais concretas, também a linguagem se manifesta no interior. Sua exteriorização é apenas uma tradução, é uma atividade mental que constrói a expressão, formando e propiciando sua orientação. Conforme Bakhtin (2006, p. 114), “[…] não é a atividade mental que organiza a expressão, mas, ao contrário, é a expressão que organiza a atividade mental, que a modela e determina a sua orientação”. Nesse contexto, a língua é um sistema estável e passivo (léxico, gramática, fonética), o que equivale a dizer que a linguagem é uma habilidade inata, porque o indivíduo já nasce com a aptidão de expressar o pensamento que é concebido na sua mente. A capacidade de exteriorizar esse pensamento dependerá da habilidade de cada pessoa para organizá-lo. Se um indivíduo não consegue se articular com racionalidade, não é capaz de pensar. Portanto, assume-se que existem normas que precisam ser seguidas para alcançar uma ordem coerente do pensamento e, é claro, da linguagem. Enunciação Bakhtin (2003) defendia a necessidade de uma teoria linguística da enuncia- ção como único modo de ter a compreensão real das formas sintáticas. Na sua concepção, as análises sintáticas dos elementos do discurso constituem “[…] análises do corpo vivo da enunciação, uma vez que, as formas sintá- ticas são as que mais se aproximam das formas concretas da enunciação” (BAKHTIN, 2003, p. 139), além de estarem ligadas às condições reais da fala. Ele passou a estudar as formas sintáticas, que reproduzem, no interior de um discurso, o discurso de outros via discurso relatado e suas variantes, discurso direto, discurso indireto, etc. Desse modo, criticou quem propagava a singularidade de um dos elementos em detrimento do outro: o formalismo contra o ideologismo ou conteudismo. A enunciação seria o elemento de convergência entre a forma e o sentido, Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem2 formada como substância da língua. Com isso, o autor superou a oposição forma-conteúdo e une a experiência social à organização linguística. Para Bakhtin (2003), a linguagem é uma prática social que tem na língua a sua realidade material, compreendida não como um sistema abstrato de formas linguísticas separado da sua realização na fala, mas como um processo de evolução permanente, constituído pelo fenômeno social da comunicação verbal, realizada por meio da enunciação, que é a sua verdadeira substância. Seu real foco não é o sistema, mas a linguagem comouso e interação social. A enunciação pode ser compreendida como o momento do uso da linguagem, método que envolve não apenas a presença física de seus componentes, mas também o tempo histórico e o espaço social de comunicação, ou seja, do con- texto. Ela é produto da interação social, pois não nasce de um sujeito individual; é o resultado da comunicação dos seres humanos organizados socialmente e do contexto da situação social em que aparece. O autor salienta que a interação social sempre se dá entre a tríade: o falante, o ouvinte e o tema do discurso. Princípio dialógico Para Bakhtin (2003), a essência de toda a linguagem é o dialogismo, já que a vida é naturalmente dialógica, e viver signifi ca participar de um diálogo. O diálogo é a ideia central nos estudos bakhtinianos. Segundo o autor, a língua não está sozinha na mente do falante em um sistema subjetivo de normas, mas se constitui em uma atividade social utilizada entre participantes da comunicação, ou seja, a enunciação. O significado de diálogo para Bakhtin (2003) é como uma regra geral de um acordo solidário e coletivo. A enunciação é de natureza social e prevê a participação do eu e do outro no ato enunciativo, mesmo que esse outro seja o falante no ato de pôr a língua em uso. Enunciado e gêneros do discurso A produção do discurso envolve o autor, o destinatário e todas as outras vozes que já nele vive, pois o diálogo é o acontecimento do encontro e da interação com a palavra dos outros. Bakhtin (2003) defi ne os gêneros como elementos culturais e históricos, confi gurações recorrentes e expressivas de interagir em conjunto, que coordenam e estabilizam nossas relações na sociedade. Os gêneros fazem parte de nossa vida nos mais variados contextos sociais em que atuamos. São defi nidos por sua estrutura composicional (o modo de organizar 3Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem o discurso), estilo (escolha de meios linguísticos) e conteúdo temático (domínio de sentido de que se ocupa o gênero). Bakhtin (2003) explica que, para o indivíduo, os gêneros são de caráter normativo, não criados por ele, mas dados a ele. São, portanto, de natureza sócio-histórica. As variações, em termos de composição, estilo e conteúdo, verificam-se nos diferentes gêneros, acontecem conforme as circunstâncias, com a posição social e o relacionamento dos interlocutores do discurso. Os gêneros são exatamente os enunciados devidamente organizados em função das possibilidades ou dos campos de atividade humana, do processo discursivo. Veja seguir a explicação de alguns conceitos importantes para compreender a teoria bakhtiniana (BAKHTIN, 2003). Objeto de estudo bakhtiniano: exercício da linguagem humana por parte dos indivíduos. Linguagem: prática social que tem na língua a sua realidade material. Língua: unidade concreta da linguagem por meio de seu uso durante a interação. Palavra: signo ideológico, que carrega valores culturais, expressando pontos de vista e divergências entre opiniões. Enunciação: momento de uso efetivo da linguagem. Dialogismo: princípio característico do funcionamento da linguagem, em que se encontram presentes várias instâncias enunciadoras (relação do eu com o outro no discurso). Para Bakhtin (2003), portanto, a linguagem é dialógica. Os significados das palavras se desenvolvem no contexto de diálogos entre pessoas diferentes. A unidade básica de significado na linguagem é a palavra, ou o que ele chama de enunciado (e não a sentença). O termo enunciado implica que uma palavra adquire significado à medida que é falada, no contexto de entender e responder ao enunciado de outras pessoas. 2 Metodologias para a prática linguística A língua institui-se como um sistema de sinais orais ou escritos que os indi- víduos de uma sociedade utilizam como instrumento de comunicação, cada um do seu modo. A língua não é um código, mas um modo de interação, de atuar na sociedade. Por isso, uma proposta efi ciente para o ensino da língua deve abarcar não só o desenvolvimento de capacidades essenciais para as Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem4 práticas de leitura e escrita, mas também a fala e a escuta compreensiva em situações públicas de uso, como a aula (NEVES, 2003). O ser humano, ao nascer, não sabe falar. Ele aprende por meio da interação social com a língua falada das pessoas do seu convívio familiar. Quanto maior e melhor o nível de conversação no ambiente em seu entorno, melhor será o desen- volvimento linguístico oral da criança. No entanto, é na escola que ela aprende os ensinamentos da norma culta da fala e da escrita. Segundo Neves (2003, p. 25): É a escola, em geral, o único espaço em que a criança terá suporte para entrar equilibradamente na posse de conhecimentos que lhe possibilitarão adequação sociocultural de enunciados, em que ela terá suporte para transitar da competência natural do coloquial (mais distante, ou menos distante, do padrão) para uma posse mais ampla e segura que lhe permita adequar seus enunciados, nas diversas situações de interação. A língua desenvolve-se, primeiramente, na forma oral. Só depois é que se desenvolve a escrita. No entanto, a escrita não representa a fala, nem é dela derivada de maneira direta. A fala exige cooperação e envolvimento direto por ser uma produção interativa. Quando falamos, usamos não só a voz, mas também o corpo, pois fazemos gestos, maneios de cabeça e entoações. Para dominar a língua materna é necessário compreender as diferentes concepções de linguagem como um fenômeno sociocultural e dinâmico que se concretiza na interação (NEVES, 2003). A sociedade humana não se constitui sem a linguagem, assim como a língua não é gerada fora das relações sociais. Não há uma forma única e predeter- minada de linguagem. Ela ocorre da necessidade de comunicação entre os humanos e desenvolve-se a partir dessa necessidade. Língua e linguagem são compreendidas como uma forma de ação, pois têm como função primordial permitir o jogo da fala (NEVES, 2003). O ensino de língua portuguesa, por muito tempo, esteve voltado para métodos tradicionais de ensino de línguas. Esse método visava trabalhar a língua fazendo uso de palavras e expressões fora do contexto linguístico. Nesse modelo, o aluno fica submetido ao uso de regras e a um grande número de formas gramaticais, sem ter acesso a termos de linguagem oral, por exemplo. Isso mecaniza a utilização dos recursos da língua e, desse modo, o aluno não consegue elaborar textos adequados e apropriados a cada situação de interação em que ele se encontra. No entanto, em 1998, surgiram novas diretrizes, destacando que o ensino de língua portuguesa deve servir para desenvolver criatividade, comunicação e expressão dos alunos. Com isso, passa-se a pensar o ensino das linguagens 5Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem como uma prática interativa de comunicação. A alternativa para atender a esse objetivo passa a ser o uso do texto em sala de aula, exigindo um trabalho conjunto entre escola e aluno no processo de interpretação de diferentes textos. Desse modo, o aluno pode se tornar um cidadão crítico frente a realidade. É função da escola desenvolver no estudante a competência de dominar a linguagem falada e escrita considerando a norma culta da língua, permitindo a esse aluno a capacidade de fazer uso da linguagem escrita para evoluir e aprender individual e coletivamente (BRASIL, 1998). Uma pessoa que tem a capacidade de distinguir o que são letras e símbolos, que sabe identificar o que são formas de comunicação escrita e falada, que faz uso desses instrumentos da linguagem para se comunicar é uma pessoa considerada alfabetizada, inclusive aquelas que sabem minimamente expor ou reconhecer palavras, escrever seu nome ou se comunicar por um bilhete. Podemos, então, considerar a alfabetização como um processo de ensino e aprendizagem dos elementos da escrita. Jáo conjunto de práticas sociais de escrita e leitura que determina os modos privilegiados de atuar e produzir na sociedade de cultura escrita, tanto em ambientes sociais quanto em outros ambientes escolares, refere-se ao letramento. Se a alfabetização se encarrega de ensinar/aprender a ler e a escrever, o letramento enfatiza não somente o saber ler e escrever, mas o hábito da leitura e da escrita. Mesmo que essas duas ações pedagógicas se diferenciem no seu fazer, elas se complementam, de forma que ensinam a ler e escrever em ocorrências das práticas de leitura e escrita, tornando o estudante letrado e alfabetizado. Aprender a ouvir, falar, escrever e ler passou a ser os quatro eixos básicos que caracterizam o ensino de língua portuguesa, possibilitando ao aluno en- tender a linguagem como elemento essencial de comunicação dentro e fora da escola. Se dirigido para as práticas diárias, o ensino de linguagem contempla de maneira mais efetiva às necessidades da aprendizagem, desenvolvendo competências linguísticas, discursivas e estilísticas, transformando o estudo do texto bem mais motivador que o gramatical (BICALHO, 2014). Ao observar o cotidiano, percebe-se que as pessoas estão em constante situação de interação, com a família, amigos e desconhecidos. É certo que falamos bem mais do que escrevemos, por isso, verifica-se a necessidade de estudar a oralidade como base para entender o funcionamento da escrita. Embora a fala e a escrita sejam formas de uso da língua, elas apresentam características próprias. Ambas são fundamentais, pois são duas modalidades de organizar o discurso e interagir, sem que uma seja mais importante que a outra. São práticas discursivas que não concorrem entre si. Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem6 As modalidades falada e escrita têm especificidades na produção do enun- ciado, o que permite reconhecer marcas de escrita e marcas de oralidade. Veja no Quadro 1. Fonte: Adaptado de Botelho (2018). Modalidade falada Modalidade escrita Forte dependência contextual. Pouca dependência contextual. Pouco planejamento ou simultâneo à produção da fala. Possibilidade de planejamento cuidadoso. Fluxo fragmentado e mudanças abruptas. Fluxo não fragmentado e contínuo. Coesão por meio de recursos paralinguísticos. Coesão por meio de conectivos, estruturas sintéticas, etc. Predomínio de frases curtas, ordem direta. Períodos longos com muita subordinação. Presença de elementos de conversação aberta. Forte influência das conversações. Quadro 1. Comparação entre as modalidades falada e escrita A língua falada e a língua escrita são dois modos de representação da mesma língua, pois quando falamos ou escrevemos remetemos a aspectos relacionados à organização linguística. Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista (LAJOLO; ZILBERMAN, 1982, p. 59). O ensino de língua portuguesa tende a desenvolver no aluno capacidades de escrita e oralidade, para que ele possa ser competente na compreensão de textos orais e escritos e no uso da palavra na participação social. O desenvolvimento da oralidade pode ser feito com a escuta e a produção de textos orais, dos mais simples aos mais complexos, permitindo ao aluno o domínio progressivo dos gêneros que são produzidos por meio da linguagem oral. 7Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem Aprender a ler não é apenas aprender os códigos dos sinais gráficos (isso é alfabetização). Aprender a ler, no sentido de letramento, implica no desen- volvimento da consciência sobre a linguagem e seu potencial para realizar ações e interagir no meio social. Ler é, portanto, um processo ativo, depende da interação entre texto e leitor. A leitura tem por função social formar o sujeito como um leitor crítico, criativo e autônomo. Há diferentes tipos de leitores, que, segundo Kato (2007), podem ser: o leitor que faz mais uso do seu conhecimento prévio do que da informação efetivamente dada pelo texto; o leitor que é vagaroso, pouco fluente e tem dificuldade de sintetizar as ideias do texto por não saber o que é importante; e o leitor maduro, aquele que tem um controle consciente e ativo do seu comportamento. Ninguém lê sem um objetivo. Quando tem, claramente, um objetivo, o leitor dificilmente abandonará a leitura até que encontre a solução para o que procura. Saberá selecionar de diferentes materiais aquilo de que precisa e descartará o que não contribuirá para alcance de seu propósito. Gêneros textuais e modos de organização do discurso Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) recomendam a prática de escuta e leitura de textos de diferentes gêneros textuais de que o aluno precisa para participar efetivamente da sociedade, em diferentes âmbitos, como literários, jornalísticos, publicitários, didáticos (BRASIL, 1998). Segundo Durante (1998): Para que os educandos tenham o domínio da leitura e escrita das várias modalidades de texto de uso social, faz-se necessário propor situações de aprendizagem que contemplem o trabalho com as funções, tramas e caracte- rizações linguísticas do texto. (Kaufman & Rodrigues, 1993). É a partir dessa análise (lendo, ouvindo, comentando, reescrevendo, escrevendo, revisando, discutindo, analisando, etc.) que os educandos constroem conhecimentos para a elaboração, compreensão e análise de diferentes tipos de textos, ou seja, fazendo uso deles de forma organizada e sistematizada. Os gêneros textuais são, segundo Bakhtin (2003), tipos relativamente estáveis de enunciados que as pessoas utilizam no seu dia a dia para interagir na sociedade nos mais diversos contextos. De acordo com o autor, […] se os gêneros do discurso não existissem e nós não tivéssemos seu domínio e se fosse preciso criá-los pela primeira vez em cada processo de fala, se nos fosse preciso construir cada um de nossos enunciados, a troca verbal seria impossível (BAKHTIN, 2003, p. 302). Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem8 São exemplos de gêneros textuais: receita culinária, bilhete, lista de com- pras, carta comercial, carta pessoal, notícia jornalística, bula de remédio, inquérito policial, resenha, edital de concurso, bate-papo por computador, telefonema, etc. Cada gênero textual constitui-se a partir da combinação de um ou mais desses modos de organização, com características e objetivos definidos. A escolha de um determinado gênero discursivo depende em grande parte da situação de produção, ou seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são os locutores e os interlocutores e qual é o meio disponível para veicular o texto. Sobre gêneros textuais, Koch e Elias (2006, p. 55) afirmam que: Todas as nossas produções, quer orais, quer escritas, se baseiam em formas- -padrão relativamente estáveis de estruturação de um todo a que denominamos gêneros. Longe de serem naturais ou resultado da ação de um indivíduo, essas práticas comunicativas são modeladas/remodeladas em processos interacionais dos quais participam os sujeitos de uma determinada cultura. Trata-se de uma metodologia de trabalho que permite o estudo da língua circunscrito na ampliação da competência comunicativa dos alunos. O objetivo é explicitar as marcas linguísticas inerentes aos diferentes modos em que se organizam os diferentes gêneros textuais que circulam na sociedade. Já a tipologia textual está relacionada a elementos característicos de um todo comunicativo, que é o gênero. Marcuschi (2007) considera a existência de cinco tipologias: argumentativa, narrativa, injuntiva, descritiva e expositiva. As tipologias são como uma parte que constitui os gêneros e nãocomo um texto em si. No momento em que trabalhamos com gêneros textuais, estamos também desenvolvendo conhecimentos que se referem às tipologias. O uso da linguagem não acontece por meio das tipologias, mas sim pelos gêneros. Modos de organização do discurso O discurso se organiza em uma espécie de sequência (ou tipo textual) teo- ricamente estabelecida pela natureza linguística de sua composição (aspec- tos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas, etc.) e pela função desempenhada no texto. As categorias são narração, descrição, exposição, argumentação, injunção e diálogo (SILVA, 2007). Dentre as estratégias de ensino possíveis, está a proposta que permite que cada gênero textual seja abordado como uma simetria de recursos, de acordo com as necessidades de interação e do contexto. Trata-se de uma metodolo- 9Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem gia de trabalho que permite o estudo da língua delimitada na ampliação da competência comunicativa dos alunos. O objetivo é trabalhar com as marcas linguísticas específicas dos diferentes gêneros textuais que permeiam na sociedade. Essa proposta de ensino da língua portuguesa tem em sua essência a lei- tura, a análise linguística e a produção textual. Considerando isso, a proposta metodológica envolve: a construção e a desconstrução de textos, além da identificação dos efeitos de tais alterações; o reconhecimento dos recursos linguísticos específicos dos diferentes modos de organização do discurso; a observação dos procedimentos que dão coesão e coerência, assim como o uso do vocabulário de maneira criativa e dinâmica; a relação entre classe e função das palavras e expressões no nível da frase; a ampliação de frases por meio de processos de coordenação e subordinação. É preciso considerar três principais fatores ao planejar a leitura em sala de aula (BARBOSA, 2001). Veja a seguir. Diversidade: os diferentes gêneros textuais exigem diferentes conheci- mentos do leitor, pois os textos são escritos de variadas formas, a leitura é feita de maneira distintas e com diferentes propósitos. Continuidade: para formar um leitor é preciso garantir que o aluno leia com continuidade no tempo e tenha frequência aos textos. Progressão: quando fizer o plano de leitura, o professor deve considerar que os alunos precisam progredir enquanto leitores. Isso significa pensar no que já leram e no que precisam avançar. É importante desafiá-los. Para saber mais sobre os gêneros do discurso, leia a tese de Jaqueline Peixoto Barbosa intitulada “Trabalhando com os gêneros do discurso: uma perspectiva enunciativa para o ensino de língua portuguesa”. Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem10 3 Planejamento de aulas na perspectiva enunciativa-discursiva Durante muito tempo, a gramática normativa predominou nas práticas de ensino de língua atreladas a métodos tradicionais. No entanto, hoje o professor deve considerar práticas pedagógicas que possibilitem ao aluno acesso aos diferentes recursos de produção de sentido disponíveis no sistema linguístico. Desse modo, o usuário da língua pode comunicar-se de modo efi ciente nos mais diversos contextos sociais. O educador deve sim ensinar-aprender gramática, pois o conhecimento da estrutura da língua, de seus princípios (regras) de combinação e de suas terminologias é essencial para adquirir a habilidade de optar por recursos apropriados para ler e escrever com competência. No entanto, o ensino dire- cionado apenas para a teoria gramatical já não é eficaz. Sobre análise linguística (AL), Mendonça (2006, p. 208) argumenta: O que configura um trabalho de AL é a reflexão recorrente e organizada, voltada para a produção de sentidos e/ou para a compreensão mais ampla dos usos e do sistema linguísticos, com o fim de contribuir para a formação de leitores-escritores de gêneros diversos, aptos a participarem de eventos de letramento com autonomia e eficiência. O aluno pode aprender a identificar e nomear as partes que constituem uma frase ou memorizar as classes de palavras, mas essa é apenas uma das muitas etapas que ele precisa vencer para alcançar o letramento. Principal- mente, porque atualmente pode-se dominar as regras da gramática normativa até mesmo sem a interferência de um professor. Há livros, videoaulas e sites que explicam detalhadamente os aspectos básicos de fonética, morfologia e sintaxe. O grande desafio para o aluno é saber como, quando e onde precisa introduzir esse conhecimento gramatical ao necessitar interpretar ou escrever um texto. É nesse momento que o trabalho de um professor pode auxiliá-lo. É no momento de articular teoria e prática de leitura e de escrita, que o professor se faz necessário. No que se refere ao ensino da análise linguística, há duas perspectivas: uma tradicional, sustentada por tendências pedagógicas liberais, e outra interacionista, que se integra mais a tendências pedagógicas progressistas. No interacionismo a aquisição do conhecimento é um processo construído pelo indivíduo ao longo da sua vida. Os dois mais importantes teóricos dessa vertente são: Jean Piaget, construtivista, que se dedicou ao estudo do de- 11Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem senvolvimento cognitivo, e Lev Seminovitch Vygotsky, que trata de uma abordagem histórico-cultural do desenvolvimento humano (GUIMARÃES, c2020, p. 28-32). No ensino da língua portuguesa, é preciso ter habilidades de uso da língua. O desenvolvimento dessas habilidades linguísticas não ocorre espontanea- mente, elas precisam ser ensinadas sistematicamente. É necessário buscar a formação de usuários competentes comunicativamente, ou seja, ter como objetivo a formação de educandos capazes de usar a língua de maneira ade- quada a cada situação de interação comunicativa. Para isso, é necessário ter conhecimento teórico (descritivo e explicativo) sobre a língua, a fim de desenvolver a habilidade de análise de fatos da língua e competências para ensinar teoria gramatical ou linguística (ANTUNES, 2003). Por muito tempo, o ensino de produção da escrita em língua portuguesa ficou restrito a três tipos de texto: narração, descrição e dissertação. A con- sequência dessa metodologia é um grande número de alunos que não tem compreensão da língua materna escrita, principalmente quando participa de avaliações fora do contexto escolar. Além disso, o espaço de sala de aula deve valorizar o processo de interlocução, priorizando o aspecto interativo textual, por meio de estudos, discursos e análise sobre a real possibilidade de unir a teoria e a prática. É necessário, para a produção textual, que o educando saiba: sobre o que, com que objetivo, para quem, quando e como se escreve. O aluno deve também observar as etapas de planejamento, produção e revisão, ou seja, planejar, escrever e reescrever (ANTUNES, 2003). A aprendizagem compreende o desenvolvimento do educando como um todo: inteligência, afetividade, padrões de comportamento, relacionamento familiar, social, desenvolvimento da coordenação motora, capacidades ar- tísticas, comunicação, etc. O processo de ensino-aprendizagem, para ser adequadamente compreendido, precisa ser analisado de tal modo que articule as dimensões humana, técnica e político-social. Na dimensão humana, o processo de ensino-aprendizagem acontece por meio de um relacionamento interpessoal muito forte entre alunos, professo- res e direção. Assim, forma-se um clima afetivo, responsável pelo sucesso ou fracasso da aprendizagem. Na dimensão técnica, o processo de ensino- -aprendizagem se dá pelo conhecimento das estratégias e técnicas didáticas. A aprendizagem é intencional, ou seja, orientada por objetivos a serem alcançados por seus participantes. Na dimensão político-social, o processo ocorre quando se estabelece relação entre o que se faz na escola e a realidade social mais ampla. Pretende que as crianças e osadolescentes se eduquem para serem membros participantes da sociedade, contribuindo para o seu progresso e Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem12 desenvolvimento. O trabalho do professor deve basear-se em criar condições para que os estudantes desenvolvam capacidades e habilidades intelectuais (CANDAU, 1983, p. 14). Na aprendizagem, é preciso planejar e produzir dispositivos e sequências didáticas. Cabe ao professor orientar o rumo do conhecimento, que é coletivo. O educador não deve agir como aquele que transmite o saber, nem como guia que apresenta a solução para o problema, mas deve criar situações e dar o apoio necessário no processo de aprendizagem. Para aprender, as crianças e os adolescentes precisam ser envolvidos em atividades de certa importância e de certa duração. O principal estímulo para a participação dos alunos em um projeto é a criação de um produto. Esse produto ou desafio pessoal e coletivo pode ser um anuncio em um jornal, um espetáculo ou um livro para a comunidade local. O professor precisa administrar o progresso da aprendizagem, mobilizando outras competências mais específicas, como administrar situações-problema, nortear as diversidades de cada turma, criando mecanismos como atribuição de tarefas autocorretivas, emprego de programas interativos, organização de oficinas. É preciso ampliar o aprendizado para além da sala de aula, envolver os alunos em suas competências, otimizar o tempo e gerar o desejo de aprender, explicitando a conexão com o saber e o sentido do trabalho escolar, além de desenvolver no aluno a capacidade de autoavaliação. Por fim, é emergencial que o educador faça uso das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC), transformado as formas de comunicação, trabalho, decisão e pensamento. A escola e os professores não podem abdicar de fornecer ao aluno uma formação em tecnologias. É importante utilizar editores de texto, colocar materiais para estudo à disposição em rede, utilizar dicionários digitais, organizar apresentações em Power Point e projetá-las para os alunos, explorar potencialidades didáticas dos programas, como programas educativos e objetos de aprendizagem, além de comunicar-se a distância por meio de e-mail, WhatsApp, fórum, sites, chats, blogs, etc. 13Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem Ao trabalhar com os alunos os diferentes gêneros textuais, você deve primeiro abordar as formas de escrita e a função social do texto. Por exemplo, você pode trabalhar em sala de aula a carta do leitor. Neste caso, deve discutir com os alunos a função social dessas cartas e a forma como são escritas, reunindo elementos para que eles escrevam uma carta que será enviada ao jornal. É importante desafiá-los a identificar as características do gênero e o propósito, além de planejar o que vão escrever de forma clara e breve. Você deve ainda disponibilizar elementos de comparação e análise e questioná-los sobre o gênero utilizado, para que compreendam bem as suas especificidades. ANTUNES, I. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 2003. BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem: problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. 12. ed. São Paulo: Hucitec, 2006. BAKHTIN, M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 5. ed. São Paulo: Hucitec, 2002. BARBOSA, J. P. Trabalhando com os gêneros do discurso: uma perspectiva enunciativa para o ensino de língua portuguesa. 2001. Tese (Doutorado) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2001. Disponível em: http://www.leffa.pro.br/tela4/ Textos/Textos/Teses/jacqueline_barbosa.pdf. Acesso em: 24 maio 2020. BICALHO, D. C. Habilidades linguísticas. In: GLOSSÁRIO Ceale: termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. Belo Horizonte: UFMG, 2014. Disponível em: http:// www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/habilidades-linguisticas. Acesso em: 24 abr. 2020. BOTELHO, J. M. Entre a oralidade e a escrita um contínuo tipológico. Juiz de Fora: UFJF, 2018. Disponível em: http://www.ufjf.br/projetodeoralidade/files/2018/06/OLE-ENTRE- -A-ORALIDADE-E-A-ESCRITA-um-continuum-tipologico-BOTELHO-Jos%C3%A9-Mario- -.2.pdf. Acesso em: 21 maio 2020. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros cur- riculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília, DF, 1998. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues. pdf. Acesso em: 24 maio 2020. Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem14 CANDAU, V. M. A didática em questão. Petrópolis: Vozes, 1983. DURANTE, M. Alfabetização de adultos: leitura e produção de textos. Porto Alegre: Penso, 1998. GUIMARÃES, S. Conhecimentos pedagógicos. [S. l.]: Nova Concursos, c2020. Disponível em: https://www.novaconcursos.com.br/blog/pdf/errata-sedu-es-pedagogo-conhe- cimentos-pedagogicos.pdf. Acesso em: 21 maio 2020. KATO, M. A. O aprendizado da leitura. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2007. KOCH, I. G. V.; ELIAS, M. V. Ler e compreender: os sentidos do texto. 3. ed. São Paulo: Contexto, 2006. LAJOLO, M.; ZILBERMAN, R. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Ática, 1982. MARCUSCHI, L. A. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, A. P.; MACHADO, A. R.; BEZERRA, M. A. (org.). Gêneros textuais e ensino. 5. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. p. 19-36. MENDONÇA, M. Análise linguística no ensino médio: um novo olhar, um outro objeto. In: BUNZEN, C.; MENDONÇA, M. (org.). Português no ensino médio e formação do professor. São Paulo: Parábola, 2006. p.199-226. NEVES, M. H. M. Que gramática ensinar na escola? São Paulo: Contexto, 2003. SILVA, S. R. Gênero textual e tipologia textual: colocações sob dois enfoques teóricos. Campinas: Unicamp, 2007. Disponível em: https://www.unicamp.br/iel/site/alunos/ publicacoes/textos/g00003.htm. Acesso em: 21 maio 2020. Leituras recomendadas AIUB, T. (org.). Português: práticas de leitura e escrita. Porto Alegre: Penso, 2015. BAKHTIN, M. O discurso no romance. In: BAKHTIN, M. Questões de literatura e de estética: a teoria do romance. 6. ed. São Paulo: Hucitec, 2010. p. 71-210. BAKHTIN, M. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 276-326. FIORIN, J. L. Introdução ao pensamento de Bakhtin. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2018. KOCH, I. G. V. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2012. MARCUSCHI, L. A. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro: Lucerna, 2007. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola, 2008. (Educação Linguística, v. 2). TRAVAGLIA, L. C. A caracterização de categorias de texto: tipos, gêneros e espécies. Alfa, v. 51, n. 1, p. 39-77, 2007. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/ view/1426/1127. Acesso em: 23 maio 2020. 15Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun- cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. TRAVAGLIA, L. C. Um estudo textual-discursivo do verbo no português do Brasil. 1991. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1991. Disponível em: http://www.ileel.ufu.br/travaglia/sistema/uploads/arquivos/tese-travaglia.pdf. Acesso em: 23 maio 2020. Aula de português na perspectiva enunciativa-discursiva da linguagem16 Dica do professor Os gêneros textuais e a tipologia textualpermitem fundamentar o processo de ensino- aprendizagem de Língua Portuguesa, uma vez que são recursos que colaboram de modo significativo para o desenvolvimento da linguagem. Na Dica do Professor, você verá uma proposta como práxis linguístico-pedagógica para professores de língua materna que possibilita ampliar as ações pedagógicas no processo de ensino- aprendizagem. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/a63d6a8980e1d565f90795d95435bb9e Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Pensadores na Educação: Jean Piaget Este vídeo fala sobre a construção do conhecimento de acordo com as teorias de Piaget. Com foco no papel da natureza e da cultura no processo de desenvolvimento de um indivíduo, as pesquisas de Piaget com crianças na concepção do conhecimento são presentes até hoje. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. O lugar do texto e do discurso em teorias enunciativas e discursivas Neste artigo você verá uma reflexão sobre as noções de discurso e texto sob o viés da Linguística da Enunciação e do Discurso. É uma sugestão de leitura que pode contribuir para o seu aprendizado. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Coleção grandes educadores Lev Vygotsky Com a pedagoga Marta Kohl de Oliveira, você vai ter a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as teorias de Vygotsky e sua contribuição para a educação. https://www.youtube.com/embed/MwKEO2pkLP8 http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/P.2358-3428.2018v22n44p189/13263 Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/T1sDZNSTuyE