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1 
,, 
~ ~ MOTIVAÇAO E EMOÇAO 
IUM C• A H-lflJ UA-
tn~po 
Ect.10t;..I -------------
Nidun.> 
O GEN J Grupo Editorial Nacional - n1aior plataforn1a editorial brasllelra no segn1ento 
cientlfico, téalico e profissional - publica conteúdos nas áreas de ciências humanas, ex.atas. 
jurldicas, da saúde e sociais aplicadas, além de prover serviços direcionados à educação 
continuada e à preparação para concursos. 
As editor-.is que integram o GEN, das mais respeitadas no 01ercado editaria~ conmuíram 
catálogos inigualáveis. com obras decisivas para a formação acadêmica e o aperfeiçoamento 
de várias gerações de profissionais e estudantes, tendo se tornado sinôn.in10 de qualidade 
e seriedade. 
A niissão do GEN e dos núcleos de conteúdo que o compõern é prover a 1nelhor informa-
ção cientllica e disrribuJ-la de maneira flexível e con\'l'Diente, a preços justos, gerando 
beneficias e servindo a autores, docentes. livreiros, fundonârios. colaboradores e acionistas. 
Nosso comportamento ético !ncondlcionaJ e nossa responsabilidade social e ambiental 
são reforçados pela natureza educacional de nossa atividade e dão sustentabilidade ao 
crescimento continuo e à rentabilidade do grupo. 
QUARTA EDIÇÃO 
,..., ,..., 
MOTIVAÇAO E EMOÇAO 
JOHNMARSHALL REEVE 
u ,,iversity o/ Iowa 
Tradução 
Luís Antônio Fajardo Pontes 
Mestre em Educ-.i~o pela Uni,-er..idade Federal de Juiz de Fora (UFJF) 
Stella Machado 
Pós-graduação e Especialização cm lnglês-T raduç-jo 
Universidade FcderJI de Juiz de Foru (UFJF) 
Revisão Técnica 
Maurício Canton Bastos 
Doulor em Psicologia pela Uni ver~id.Jde Federal do Rio de Janeiro ( UFRJ) 
Professor do Curso de Psicologia da Universidade Estácio de Sá (UNESA) 
Professor do Curso de Psicologia d.! Universidade Veiga de Almeida (UVA) 
Nei Gonçalves Calvano 
Doulorem Psicologin pela Univcrsid.Jdc Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Anteriormente Professor Adjunto do Institulo de Psicologia d.! Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) 
Coordenador do Curso de Psicologia da Universidade Estáeio de Sá (UNESA) 
O autor e a editora eropenh3ram-se pál'II citar adeqwidúmente e dar o devido credito n todos 
os detentores dos direito. au1orols de qualquer material utilil.ldo nes1e livro. dispondo-
se n pos.rveis acertos cn.~o. inadver1idamen1e, a idenúlicaç!lo de algum deles 1enh:i sido 
oroiúdn. 
Nlio é responsabiHdade da editoro nem do auto,- a ocorrência de evencunis perdas ou danos 
a ~oru. ou bens que tenhrun origen1 no uso tkstn publicaç!lo. 
Apesar dos melhores esforços do autor. dos Ltlldutores. do editor e dos revisores. é inevitável 
que ,wjrun erros no texto. A,sí rn. ,!o b.!m- vinths ns comunic-.içõe, de usuáriO!> sobre cooa,'-6~ 
ou suge>1õei. ref~otes ao cootetldo ou ao nfvel pedagógico que auxiliem o aprimoramento 
de edições futuros. Os 001nent.1nos dos leitores podein ser encwninhado6 à LTC - Lin-os 
Técnicos e Cientfficos Editora pelo e-maíl foJeconosco@grupogen.com.br. 
UNDERSTANDING MarJVATION ANO 8.1ITTION. Fourlb Edilion 
Copyright O 2005, John \Valey & Sons. lnc. 
Ali Rights Reserved. Authorized trnnslntion from the Eoglish lnnguage edition 
publi,hed by John Wiley & S011>, Joc. 
Direitos exclusi~·0s para a Jf11g1111 ponuguesa 
Copyright O 2006 by 
LTC - Livros Técnicos e Cientillcos Editora Ltda. 
Umn editora lntci,'11nte do GEN I Grupo Editorial Nadonal 
Reser. :idos todos os díreitos. É proibida a dupHcaçllo ou reprodução dt?j;'(e volume. no todo 
ou em parte. sobqWIL,:quer formas ou por quaisquer meios (eleU'Õoico. meclinico. gravaç.lo, 
f01oc6pia.. distribuiçllo na i111eroet ou outros). sem pennissrlo expre.,;.sa da editora. 
Tr.i,·e.~sn do OuvidoL 11 
Rio de Janeiro. RJ - CEP 20040-0-!0 
Tels.: 21-3543-0770 / 11-5080-0770 
Fax: 21-3543-0896 
foleconosco@grupogen_eo,u.br 
www.grupogen.oom.br 
Editoruç3o Elell'Ônic~ UNtO~ TASK 
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE 
SINDICATO NACIO:--IAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ. 
R257m 
Reeve, Johnmarshall 
Motivaçoo e l!DIOÇilo / Johnman.hall Re<!ve : traduçllo Luís Antônio Faj:irdo Puntes. SteUa 
Machado : revi,llo técnica Maurício Canton Bastos. Nei Gonçalves Calv311o. - [Reimpr.t . 
• Rio de Jnneiro : LTC, 2019. 
Traduç1io de: Underswnding ,110ti,1ation and e,notion. 4th ed 
lndui bibliografia 
ISBN 978-SS-216-149-1-4 
1. ~1otiwção (Psicologia). 2. En10Çõe.. 3. Per..onalidade e emoçllo. • • Personalidade e 
nlOlivaçllo. L Tflulo. 
06-1701. CDD 153.8 
CDU 159.947 
PREFÁCIO 
Bem-vindo à idade de ouro da moúvação e da emoção. Jamai,, 
nos seus 100 anos de estudo fonnul, essa área foi mais interes-
sante do que boje. Todos os meses. aparecem novas e importantes 
descobertas nos periódicos acadêmicos e muitas delas encontram 
acolhida na imprensa popular. Todos os anos, novos acadêmicos 
unem-se ao que já foi estudado em lermos de moúvaç-:io e emo-
ção. Assim sendo, há mais pessoas interessadas em compreender 
a moúvação e a emoção, e o que elas estão descobrindo vem se 
moslrJndo de interesse e importância na vida da.~ pc.-.soa.~. 
Não era o que acontecia apenas vinte anos atrás. O campo 
estava estagnado. Mas alguma coisa mudou nos anos 1990. Apa-
receram idéias criaúvas, surgiram novas teorias, as aplicações de 
mudança de vida tomaram-se óbvias e proliferou o número de 
pessoas intert.-ssndas cm compreender e aplicar a moti\,:ição e a 
emoção. Toda essa atividade produziu uma quantid.1de enorme 
de conhecimentos novos e esses avanços abrir.un novas áreas de 
aplicnç-lo no lar, no trabalho. na práúca de esportes e exercícios 
e na assi.~tência à saúde e ao bem-estar das pessoas. Lendo este 
livro hoje. você está acompanhando a onda intelectual do que foi a 
explosão do novo interesse pelo estudo da motivação. Isto significa 
que este é o melhor momento possível p:ira se fat.er um curso de 
mot:ivaçãoecmoç.lio. Se você tivesse feito esse mesmo curso há 10 
ou J 5 anos, a área não lhe teria oferecido material tão interessante 
e tão significativo como agora. Espero que e~te livro ajude você a 
identificm:. nessa área, aquilo que tllllto nos entusiasma. 
Neste livro você encontrará algumas das informações mais 
úteis cm psicologia e na vida. A moúvação trata doi. esforçoi.. 
das vontades. dos desejos e das aspiraçõe., humanas - tanto as 
buas como os esforços e a ,·ootade daqueles com quem você se 
preocupa, como seus futuros alunos, empregados e seus próprios 
filhos. O estudo da motivação diz respeito a todas as condições 
que e:ú.~tcm dentro da pessoa e dentro do ambiente e da culturJ 
que explicam "por que queremos o que queremos" e "por que 
fazemos o que fazemos". 
Até chegar ao fim do livro, espero que você se sinta à vontade 
com o estudo da moti,,:ição cm dois níveis. Primeiro: na teoria. 
a compreensão da moúv-Jçào e da emoção fornece respostas a 
perguntas como: "Por que ela fez isso?", "Como isso funciona'?'" 
e "De oade vem o sentido de 'querer'?". Segundo, na pr.ític-J, 
a compreensão da motivação e da emoção fornece meios parJ 
o desenvolvimento da nrte de motivar tanto a si mesmo como 
aos outros. Cada capítulo procura fornecer respostas concrel::ts 
a pergunta.s como: "Como motivar a mim mesmo?" e ·'Como 
moúvar os outros?" 
Supus no leit.or algum conhecimento básico. t.al como um 
curso de introdução à psicologia. O público-alvo do li,·ro são 
alunos dos últimos períodos dos cursos de graduação do depar• 
lamento de psicologia. Escrevo também para alunos de outras 
disciplinas, principalmente porque as pesquisas sobre a motiva• 
ção cm si alcançam muitus áreas de estudo e aplicação. Entre 
ela., esuio as :irens de educação, saúde. aconselhamcnlo. clínica. 
espo.rtcs. industrial/organizacional cdc negócios. O livro conccn• 
lrJ•se na motivação humana. e •ão na n1olivação não-humana. 
Inclui alguma, experiências em rJtos. cães, e macacos scrvirJID 
como participantes na pesquisa, mas as i nformaçôcs respigadas 
desses estudos são sempre enquadradas na a• áJisc da moúvação 
e da emoção humanas. 
O QUE HÁ DE NOVO NA QUARTA EDIÇÃO 
O que há de novo na quarta ediçãoé também o que há de novo 
no campo da motivação. Desde a terceira ediç1ío, o estudo da 
moúvaç-:io veio se c.,pandindo. se diversificando e atraindo mui-
tos novos aliados. Es..~ c rescimento tem trazido consigo muita., 
novas perspecti,,:is teóricas e áreas de aplicação. A terceira edi-
ção destacou-se pelo número enorme de novas idéias que apre-
sentava, inclusive metas de realizações, esforços pessoais. tipos 
de motivação extrínseca. intenções de implementação. capacita-
ç.lio pessoal. o inconsciente não-freudiano, e assim por diante. A 
novidade na quarta edição é um esforço conjugado parJ expandir 
mais essas idéias teóricas cm aplicaçÕC.\ práticas, especialmente 
nas áreas de educação, trabalho. terapia, espones e em casa, 
incluindo a criação de filhos. 
Cada capítulo apresenta um boxe que aborda um interesse 
esi,ecífico. Por exemplo, o boxe do Capítulo 3 usa as infonna-
çôes sobre o cérebro motivado e emocional para se compreen-
der como os medicamentos antidepressivos atuam para aliviar a 
depressão. O boxe do Capítulo 8 usa informações sobre rncrn.s 
para apresentar um programa progressh'O de estabelecimento de 
metas que possam ser aplicada., a muitos objeti,'Os diferentes. 
No fim de cada capítulo, apresentamos várias leituras recomen• 
dadas. São arúgos que representam sugestões para estudos pos-
teriores. Selecionamos essa.~ lciturJS a p:lrtir de quatro critérios: 
( 1) enfoque representando o que 6 mais importante no capítulo; 
(2) tópico que: apela para um público amplo: (3) tamanho curto: 
e (4) metodologia e anáJise de dados fáceis de ler. 
AGRADECIMENTOS 
Há muitas pessoas que falam através das páginas deste lh•ro. 
Muito do que escrevemos surgiu de conversas com colegas e da 
leilurn que fizemos de seus trabalhos. Recebemos ajuda de tantos 
colegas que parece impossível agradecer aqui a todos. Mesmo 
assim. gostaríamos de tentar. 
Nossa primeira expressão de gratidão é parJ com todos os 
colegas que. formal ou casualmente, intencional ou inadvertida-
mente. sabedores ou não. partilharam suas idéia., cm nossa., con-
versas: Roy Baumcsitcr. Daniel Bcrlyne. Virginia Blankenship, 
Jerry Burgcr. Ste,•cn G. Cole. Mihaly C,ikszcntmihaJyi. Richard 
dcCharms, Ed Dcci, Andrew Elliot. Wendy Grolnick. Alice lscn, 
vi Prefácio 
Carroll lzard, Richard Koestner. Randy Larsen. \Vayne Ludvig-
son, David McClelJand. Henry Newell, Glen Nix, Brad Obon. 
Dawn Robinson, Tom Rocldin. Richard Ryan, Carl Rogcrs, Lynn 
Smilh-Lovin. Richard Solomon. Silv:m Tornkins. Roben Valle-
rand e: Dan Wcgncr. Consideramos cada um dc.,;sc.s colaboradores 
um colega. comungando interesses e divertindo-se no esforço de 
compreender as lutas bUlllllll:is. 
Nossa segunda cxprossiío de gr.iLidiio 6 para com aqueles que 
eitplicitamcnte doaram tempo e energia para a revisão dos pri-
meuos esboços des te livro. incluindo Sandor B. Brcnt. Gustavo 
Cario. Robert Emmons. VaJcri Fanncr•Dougan. Ecldic Harmon• 
Jones. Waync Harrison, Carol A. Hayes. John Hinson, Mark S. 
HoycrL Wcslcy J. Ka~prow. Nonnan E. Kinncy. John Kounios. 
Robert Madigan. RandaJI Mania, Michael f\1cCall, Jim ~1cMar-
tin, James J . Ryan. Peter Senko,vskL Michae l Sylvester, Ronald 
R. Ulm e A. Bond Woodruff. 
Nossa terceira expressão de gratidão 6 para com os colegas 
que forneceram comentários e sugestões valiosas para esta edi-
ção: Dcbora R. Baldwin. University of Tcnncssec; Herbert L 
Colston, Univcrsity of\Visconsin-Parkside: Richard Dienstbicr. 
Univcrsityof Nebra.ska; Todd M. Frceberg. Univcrsity ofTennes-
sec; Teresa M. Heckcrt, Truman Statc Univcrsity; August Hoff-
man, Califomia State Univcrsity Northridge; Kr.Jig L. Schell, 
Angelo State Univcrsity; Henry V. Soper. California State Univcr-
sity Nonhridgc; e \Vcslcy \Vhite, Morchead Statc Univcrsity. 
Somos sinceramente gr.itos II todos os alunos com quem tive-
mos o pr.izer de trabalrutr durante anos. Foi lá no lthac-.i College 
que nos convencemos de que nossos alunos queriam e necessi• 
Lavam de um livro como este. Em sentido bem real. redigimos a 
primeira edição para eles. Os alunos de que hoje nos ocup:J.mos 
são os que estão conosco rui Iowa University. em Iowa City. P..ira 
os leitores familiarizados com as primeiras edições, esta quana 
edição apresenta um tom decididamente mais prático e aplicado. 
Esse equili'brio vem em parte de nossas conversas diárias com 
alunos. Cada capítulo agora apresenta tanto o que os pesquisa-
dores cm motivação sabem quanto o que os alunos consideram 
ser o que mais \'llle a pena aprender. 
Sem dúvida. lthaca é importante para nós porque foi nessa 
bela cidade do norte do Estado de New York que ficamos conhe-
cendo Deborab Van Paten. da Wiley (então Harcoun College 
Publishcrs). Debor.ih foi tão responsável quanto nós por fuz.cr 
este livro se tomar realidade. Embora já se tenham passado 
quinze anos. ainda desejamos expres.<;ar quanto lhe somos gra-
tos de coração. Débora .. Os profissionais da Wi ley foram mara-
vilhosos. Todo!> na Wiley têm sido um recurso v-.Jlioso e uma 
fonte de satisfação, especialmente Annc Smith, Ryan Flahive. 
Deepa Chungi. Christine Cordeie. Katc StewarL Lisa Gee. Karin 
Kinchcloc e Trish McFaddcn. 
Somos es pecialmente gratos , pelo conselho, pela paciência, 
pela assistência e pela orientação fornecidas. a Lili DcGrasse. 
minha cditor-.1 de psicologia. Obrigado. 
- Johru11arshal/ Reere 
Comentários e Sugestões 
Apesar dos melhores esforços do autor. dos tradutores, do editor 
e dos revisores. é inevitável que !>wjam erros ao tc:xto. Assim. são 
bem•\'Índas as comunicações de usuários sobre correções ou suges-
tões refefl'Dtes ao oooteúdo ou ao nível pedagógico que auxiliem 
o aprimoramento de edições futuras. Os comentários dos leitores 
podem ser ene.aminhados à LTC - Livros Técnicos e Científi-
cos E.ditora Ltcla .. uma editora integrante do GEN I Grupo Edi-
torial Nac ional, no endereço: Travessa do Ou vi dor. 11 - Rio 
de Janeiro, RJ - CEP 20040.0W ou ao endereço eletrônico 
ltc@grupogen.com.br. 
Para Richard Troelstmp, que,,,,. aprese,rcou à psicologia. 
Para Edwi11 Gu1hrie, que 111e despertou i,11eresse pela psicologia. 
Paro S1e,•e11 Cole. que foi 111eu 111e111or e 111e 111otii:011 a abraçar esta 11wravill1osa profissão. 
Material 
Suplementar 
Este .livro conta com materiais suplen1entares, restritos a docentes. 
O acesso ao material suplementar é gratuito . Basta que o professor se 
cadastre e,n nosso site (ww";.grupogen.com.br), fuça seu logü, e clique em 
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Caso haja alguma mudança no sistema ou dificuldade de acesso, entre em 
cont:ito conosco (gendigital@grupogen.com.br). 
*** * ~ -º----_., GEN I lnfo~o Onflne 
CEN-10 (GEN I Inforn,ação Online) é o an,biente virtual de aprendiiagen1 do 
GEN I Grupo Editorial Nacional, maior conglomerado brasileiro de editoras do ran10 
cientifico-técnico-pro~ional, composto por Guanabara Koogan, Santos, Roca, 
AC Farmacêutica, Forense, Método. Atlas. LTC, E..P.U. e Forense Universitária. 
Os materiais ~uple,nentares ficam disponíveis para acesso durante n vigêncio 
das edições aluais dos liYros a que cks correspondem. 
SUMÁRIO G ERAL 
CAPÍTIJLO 1 
CAPÍ111LO 2 
CAPÍTULO 3 
CAPÍTULO 4 
CAPiTIJL05 
CAPÍTIJLO 6 
CAPÍTULO 7 
CAPtruL08 
CAPITUL09 
CAPÍTIJLO 10 
U\"TROOUÇÃO 1 
A M OTIVAÇÃO SEGUNDO AS P ERSPECTIVAS 
HlsrôRJCA E CONTOfPORÂNEA 14 
O CÉREBRO EMOCIONAL E M 011VAOO 28 
PARTE I N ECESSIDADES 4 3 
NECESSIDADES FlSIOLÔG ICAS 45 
N ECESSIDADES P SICOLÔGJCAS 64 
M CJT'IVAÇÃO INTRÍNSECA E OS T IPOS DE 
M CJT'IVAÇÃO ExrRINSECA 82 
NECESSIDADES SOCJAJS 103 
P ARTE II COGNIÇÕES 125 
METAS 117 
CRENÇAS PEssoAIS DE CONTROLE 145 
0 SELF E SEUS E N!'RE}.,AMENTOS 166 
CAPÍTULO 11 
CAPÍTULO 12 
CAPiTULO 13 
CAPfrULO 14 
CAPÍTULO 15 
CAPfrULO 16 
PARTE ill EMOÇÕES 187 
,mJR.E2A DA EMOÇÃO: CINCO QUES1ÕES 
l'ER.\1AN€\'TES 189 
AsPECTOS DA E MOÇÃO 208 
PARTE IV D IFERENÇAS INDIVIDUAIS 231 
CAitACTERisTICAS DE f'ERsONALIOADE 233 
M <mVAÇÃO INCONSCIENTE 246 
M OITVAÇÃOPARA O C RESCIMENTO E 
PslCOLOGI,\ PoSITIVA 261 
CONCUJSÃO 278 
R EFERÊNCIAS B !BUOGRÃFICAS 288 
LISTA DE CRÊOITOS 346 , 
L'IDICE 349 
SUMÁRIO 
PREFÁCIO V 
CAPÍTULO I L,'TROOUÇÃO 1 
Duas Permanentes Qucst5cs 2 
O q11t' Causa o Co1npona1nt'11to? 2 
Por qul! o Co111ponru11l!nto Varia dl! 
/Jue11sidade? 3 
Temas Essenciais 4 
Motfros lnten1os 4 
E1•e11tos Extenros 5 
As Expressões da Motivação 5 
O Co111pona111ento 5 
A Fisiologia 6 
O Aluo-Relato 6 
Tema., para o Estudo da Motivação 7 
A Morh'<lção Beneficia a Adaptação 7 
Os !>101i1•0s Din!cio11a111 a Atenção 7 
Os !>fo#l'os Varia111 "º Tt'111po e h,jlu,:nciam 
o F/1Lr:o do Co,11portm11e11to 8 
Existe111 1ipos d,: Motil'açôo 8 
A Motivnção l11c/11i Ta,110 as Tf!1ulindas de 
Aproxin10ção Quanto as de Afasta111ento 9 
Os Esr11dos sobll Mo1ivação Rt've/0111 
Aquilo que as Pessoas Q11ere111 10 
É Preciso Haver Si111açôe.f Faroráveis para 
que a Motivação Flollsço 10 
Não Há Nada tão Prático co1110 1m1a Boa 
Teoria l l 
Juntando as Peças: Uma Estrutura para se 
Entender o Estudo da Motivação 12 
Resumo 13 
CAPÍTULO 2 A MOTIVAÇÃO SEGUNDO AS PERSPECTIVAS 
HlsTóRJCA E CONTEMPORÃXEA 14 
As Origens Filosóficas dos Conceitos 
Moti\-acionais 14 
A Vontade: A Primeira Grande Teoria 15 
Instinto: A Segunda Grande Teoria 16 
lmpub;o: A Tcrcci.rn Grande Teoria 17 
A Teon·a do ln1p11/so de Fre11d J 7 
A Teoria do hnpulso Segundo Hui/ 18 
O Declínio da Teoria do ltnpulso /9 
Os Anos Posteriores à Teoria do /Jnpulso J 9 
O Surgimento das Mini teorias 20 
A Nat111rJJ Ativa da Pessoa 2 I 
A Re1•0/11çiio Cog11iti1•a 21 
A Pesquisa Aplicada e de Re/evd11cin Social 21 
A Era Contemporânea das Míniteorias 23 
O Re1on10 dos E!irudos da !11otivaçiio nos 
Anos 199025 
Conclusão 26 
Resumo27 
Leituras par.i Esrudos Adicionais 27 
CA.PiTUI..O 3 0 CÉREBRO tl10CIONAL E Nl<:mVADO 28 
O Cérebro Emocional e Motivado 29 
Três Princípios 29 
Olhando Dentro do Cérebro 31 
A Aproximação \1-rsus a Evitação Geradas 
no Cérebro 32 
Hipotá/a,,,o 32 
Ft'úe Prosencefálico MediJJi 33 
A111ígdala 34 
Circuito Sep10-Hipocan1pol 34 
Fon11açtio Reticular 35 
Cénex Pri-Frontal t' Afeto 35 
As Vias dos Neurotransmissores no Cérebro 38 
Dopa111úu.i 38 
A Liberação de Dopa,11ina e a Antecipação 
da Recompt'11sa 38 
A Biologia da Reco111pe1isa 39 
A Dop0111ina e a Ação !11oth·ada 39 
O Mundo em que o Cérebro Vive 40 
A Moti1•açtio Não Pode Ser Separada do 
Con1exto Social em que Está Inserida 4() 
Nn11 Se111pre Te111os Consciência da 
Bast! J.fotivacio110l do No.rso 
Con1pona111e1110 41 
Conclusão 41 
Rcsumo42 
Leituras para Estudos Adicionais 42 
PARTE J ECESSIDADES 4 3 
CAPiTUl..04 NECESSIDADES FISIOI.ÓGICAS 45 
Necessidade 4ó 
Os Fundamentos da Regulação 47 
Necessidade Fisiológica 47 
h11puLço Psicológico 47 
Homeostast! 47 
·• Feedback" Negati1•0 48 
.. l11p111.r" Mríltiplo.v .. 011tp111s" M1lltiplos 48 
Meca11isJ11os J111ra-Orga11(s11iicos 49 
!11eca11is111os Extra•Organlrmicos ./9 
Scde49 
Regulação Fisiológica 49 
Fomc5 I 
Apetite dt' Cuno Prazo 5/ 
Equilíbrio d,: Energia de L-011go Pnr._o 52 
h,jl11ências A111b1e111ais 53 
XÜ Swnário 
Sexo 56 
Regulação Fisiológ,ca 56 
Métrica Facial 57 
Roteiros Sex11ais 58 
Orie,uação Sexual 60 
Bast- El'oll1cionista da iWotivação Sexual 61 
As Falhas de Auto-Regulação das Neces.'iidades 
Fisiológicas 62 
Resumo 62 
Lei turas para Estudos Adicionais 63 
CAPfTuw 5 NECESSIDADES PstCOLÓGICAS 64 
Necessidades Psicológicas 65 
A Estn(J11ra da Nt-cessidade 65 
U111a Abordagen, Organís:n,ica do 
1',fotil'ação 65 
Autonomia 67 
Apoiando o A11to11omia 68 
Apoia11do a A11to110111ia Mon1t-11to a 
Mo111e11to 70 
Beneficiando 11111 Esrífo !,foti,•acional de 
Apoio à A111011on1ia 7 J 
Dois Exemplos 71 
A Competência 73 
E1n•o/1•e11do Con,pe1ê11cin 7 3 
Apoiando a Con1petência 76 
Relacionamento com os Outros 77 
E1rvolve11do o &lacio11a111e11to: Interação 
COIII os 01ll ros 77 
Sa1isf~e11do os Relacio11m11e11tos: a 
Percepção do Vínc11/o Social 77 
huer11ali::nção 78 
Juntando as Peças: Contextos Sociais que 
Envolvem e Satisfazem as Necessidades 
Psicológicas 78 
Co111pro111isso 79 
O que Dá Qualidade ao Nosso Dia? 79 
Vitalidade 81 
Resumo 81 
Lei turas para Estudos Adicionais 81 
CAPfTuw 6 M anvAÇÃO INTRINSECA E OS T IPOS DE 
ManVAÇÃO ExTRÍNSECA 82 
M ativações I nrrínsec-a e Ex trí nscca 84 
Moti1•açiio h11rúiseca 84 
!.101i1·ação Extrú1seca 85 
Tipos de A101i1•ação Extrínseco 85 
lnecali,•os e Conseqüências 85 
!11ce11tivos 85 
O que É unr Reforço? 86 
Conseqiiências 87 
Os Custos Ocultos da Recompensa 89 
Reco111peri.ra Esperada e Reco111pe11sa 
Tangí1•e/ 91 
hnplicações 9 J 
Benefícios do l11centi,·o e da Recompensa 92 
Teoria da Avaliação Cogniúv-J 93 
Dois Exe111plo.f de E1•e111os Co111roladores e 
lnfon11ati,·os 96 
Os Benejicios dos Facilitadores da 
,\i/otii•ação ln1ri1iseca 96 
Teoria da Autodctcnninução 97 
7iJXJS de J\1oti1•ação Ex1rú1seca 98 
Juntando as Peças: l\llotivando os Outros 
a P-.uticiparem de Atividades 
Desinteressantes 99 
Resumo 102 
LciturJS para Estudos Adicionais 102 
CAPÍTIJLO 7 N ECESSIDADES SOCIAIS 103 
Necessidades Adqu_iridas 104 
Quase-/l.1ecessidades /().J 
Necessidades Sociais /05 
Co,110 as Necessidades Sociais ,Woti1•a111 o 
Con1pona,ne1110 /06 
Realização 106 
Onge11s da Necessidade de Reali::t1ção 107 
O Modelo de Atkinson 108 
O Modelo das Di11t11nict1s de Ação 109 
Comfições que E1rvoh·e111 e Satisf~n1 a 
Necessidade de Reali;.ação / I I 
Meros de Reali:ação J II 
/111egrando as Abordagens Clássico e 
Co11temporâ11ea da Moti1-ação para a 
Reali:t1ção I 12 
A1otii·ação de Eví1ação e Ben,-Eslar //4 
Teorias Implícitas J 14 
Afiliação e lntin1idade 117 
As Condições que E,,voli•e111 as 
Necessidades de Afiliação e de 
/11ti111idade l I 8 
Poder 120 
Condições que E,n,ol1·e1n t' Satisfa:.e111 a 
Necessidade de Poder 120 
O Padrão de l'.1otil'o de Liderança 122 
Resumo 123 
LciturJs para Estudos Adicionais 124 
P ARTE II COGNIÇÕES 125 
CAPtrut.o 8 METAS 127 
A PerEpcctiva Cognitiva na Moúv-Jção 128 
Planos 12K 
,~101ivação Correti~·a 129 
Discr<'pâ11cia I 10 
Dois Tipos de Discrepância J 30 
l\1ctas 131 
Dese111pe11ho I 3 I 
Afetas Difíceis e Específicas Apri1nora111 o 
Dese111pe11ho J 32 
Feedback 133 
/icei 1ação da !,,f eta 134 
Críricas 134 
O Estabelec-i111e1uo de Meias de Lo11go 
Pra:o 135 
E:rforço.r Pes.roais J 36 
lnLcnçêics de lmplcmcnuição 137 
Simulações Me111als: Co11ce111rw1do-se 11.a 
Ação 137 
Fonn11la11do as Intenções de 
/J11ple111enração / 39 
Busca de w11a Mera: Começ011do /40 
Busca de 111110 Meta: Persisrindo e 
Ter,11it1a11do 140 
Auto-Regulação 140 
Dese11vol1·endo "'"ª A1110-Reg11/ação Mais 
Co111pete111e 142 
Rc.~umo 143 
LeiLuras para Estudos Adicionais 143 
CAPlnrl.O 9 CRENÇAS PEssOAIS OE CONTROLE 145 
l\'1olivação pill':l se Exercitar o Controle 
Pessoal 146 
Dois Tipos de Expectariva 146 
Auto-Eficácia 147 
As Fontes da A1110-Eficácia /4S 
Efei1os do Auto-Eficácia sobn- o 
Con1porra111e1110 149 
Dotação de Poder 15 I 
Dotando as Pessoas de Poder: Progra111a de 
Modelage111 de Do111ú1io 152 
Crenças Pessoais de Controle 152 
Orientações Motil•acio11t1is de Domínio 
i·ers11.r Ori1trrtações Mori1•t1cionais de 
Desamparo J 52 
Desamparo Aprendido 153 
A Aprendi:age111 do Desan1poro J 54 
Aplicação a Hr1111a11os 155 
Co111po11e111es J 56 
Efeiios do De:rC1n1paro 15 7 
Desan1paro e Depn'ssâo 158 
Esrilo E:rplicariro 159 
Críticas e Explicações Altema1iras 160 
Teoria da Reatância l 62 
Rea1fJ11cia e Desanrparo 162 
Juntando as Peças: A Esperança 163 
Resumo 164 
Leituras para Estudos Adicionais 165 
O Sclf 167 
O Proble111t1 co111 a A11to-Esrilna /68 
AutoconcciLo 169 
A11to-Esquen,as 169 
Propriedades Mori,·acio11ais 
dos A1110-Esque111as 169 
Self Consis1e111e J 70 
Sel1·es Possíi·eis 17 J 
sumário xili 
Dissonância Cognitiva 173 
Sit11ações E.tci1m11es da Disso11â11cia 174 
Processos Moti1·acio11ais S11bjace111e.r à 
Disson.i11c-ia Cogniti1•a 175 
Teoria da Auropercepção 176 
Identidade176 
!'Clpiis 177 
Teoria do Controle do Afeto 177 
Energia e Din-ção 178 
Por q11e as Pessoas se Au1overijicm11 179 
Agcnciamc.nto 180 
O Sei[ co11w Ação e Desenvolvi111e1uo 
Interno /81 
A111oconcordâ11cia 182 
Resumo 184 
Leituras pard Estudos Adicionais 185 
PARTE ili EMOÇÕES 187 
CAPÍTULO 11 N ATUREZA DA EMOÇÃO: 
CINCO Q UESTOES P ER.M.ANE.,'TES 189 
O que É un1a Ernoçâo? 190 
Relação entre E111oção e Motivação /9 1 
O que Causa a Emoção? 192 
B10/ogia e Cognição 193 
Vísão do.r Dois Si.rte111as 194 
O Problen,a da Gali11ht1 e do Ovo 195 
Ai/odeio Abmnge111e da Biologia e da 
Cog11ição 195 
Quantas Emoções ExisLcm? 195 
Perspec1i1·a Biológica /96 
Perypectii•a Cognitiva 196 
Co11ciliação da Questão dos Nú11wros 197 
E,11oções Básicas 198 
Qual a Utilidade das Emoções'? 201 
F11nções de Enfre11ta1ne11to 201 
Funções Sociais 202 
Por q11e Te111os &noções 202 
Que Diferença Há cnlre Emoção e Humor? 204 
H1m1or Cotidia110 204 
Afeto Positê1·0 205 
Rcsumo206 
Lciluras para Estudos Adicionais 207 
CAPITULO 12 AsPECTOS DA EMOÇÃO 208 
Aspectos Biológicos da Emoção 208 
Teoria de James-w11ge 209 
Perspec1i1·a Co11te111porá11ea 209 
Teoria Difen!nciat das E,11oções 21 J 
Hipótese do Feedback Facial 212 
Teste da Hipótese do Feedback Facial 213 
Aspectos Cognilivos da Emoção 216 
Avatiação216 
Avaliação Complexa 217 
Processo de Avatiaçãn 2 /9 
Conhecirne1110 das E1noçõe.r 221 
xiv Su1nário 
Atribuições 223 
Aspectos Sociais e Culturai.~ das Emoçiies 124 
l11teraçâo Sociaf 225 
Socialimção E111ocio11al 226 
!.1anejando as Emoções 227 
Ded1dlldo lde111idades a Partir de 
De11101utroções E111ocio11ais 227 
Rcsumo228 
Leituras para Estudos Adiciona.is 229 
PARTE IV DIFERENÇAS lNDMDUAIS 231 
CAPITUl.o 13 CARACTER[STICAS DE PERsONAUDADE 233 
Felicidade 234 
Extroi'ersão e Felicúlade 235 
Neuro1icis1110 e Sofri111ento 235 
Os Extro~·ertidos São Gera/J11e11te Feli:es. 
os Ne11rórico.r São Geramrenre 
lnfef~es 236 
Ativação 236 
Dese111penho e Emoção 236 
Esti11utlação /11s11ficie111e I! S11bati1•ação 237 
Estinutlação Excessiva e S11perativaçâo 238 
Credibilidade da Hipótese do U /Jn•ertido 238 
811:rca de Sensações 238 
Intensidade do Afeto 240 
Controle 241 
Percepção de Controle 241 
Ciclos de A111oco11ftm1ação de E11gajm11n1to 
Alto e Baixo 242 
Desejo de Controle 243 
Resumo245 
Leituras paru Estudos Adicionais 245 
CAPÍTULO 14 McmvAÇÃO lNCONSaE.,i"E 246 
Perspectiva Psicanalítica 246 
O que É Psica11a/ítico Passa a Ser 
Psrcodi11âI11ico 247 
Teoria do ln.rtinto Dual 247 
hrrp11lso 011 Desejo? 
Teoria Ps1codi11â111ica Conte111porâ11ea 248 
O Inconsciente 149 
O l11co11scie11te Fre11dia110 249 
O l11co11sciente Não-Freudia,10 250 
Psicodinfunica 251 
Repres.rõo 251 
Supre.,são 252 
O /d e o Ego Existem Real111e111e? 253 
Psicologia do Ego 253 
Dese11vol1•ir11e11to do Ego 253 
Defesa do Ego 254 
Efectfincia do Ego 256 
Teoria das Relações Objetais 257 
Críticas 259 
Resumo 160 
LciLur.is par.i Estudos Adicionais 260 
CAPmJLO 15 ManvAÇÃO PARA O CRESCIMENTO E 
PSICOLOGIA PoSITIVA 261 
Holismo e Psicologia Positiva 26'> 
Holis1110 262 
Psicologia Positil'a 263 
Auto-Atualiz.açiio 263 
Hierarquia de Necessidades Huma11as 263 
Necessidades por Defici€11cias 264 
Necessidades de Cresci1ne11to 264 
Pesquisas sobre a Hierarquia de 
Necessidadex 264 
Encorajando o Cresci111e11to 265 
Tendência Atualiz.anlc 265 
E,11ergê11cia do Self266 
Colldições de Valor 267 
Co11gnté11cia 268 
O lndi,·íduo de Fu11cionan1ento l11tegral 268 
OricnLações de Causalidade 268 
Busca de Cresci mcnlo 1•ersus Busca de 
Validação 270 
Como os Relacionamentos Apóiam a Tendência 
Atualizante 27 1 
A11.xilia11do os 0111ros 272 
Re1acio11w11e1110 co111 os Outros 272 
Uberdade para Aprender 272 
A11todefi11ição e Definição Social 273 
O Problca1a do Mal 27 3 
Psicologia Positiva e Saúde Mental 274 
Oti111isn10 274 
Significado 275 
Críticas 27 5 
Resumo276 
Lcitur.is para Estudos Adicionais 277 
CAPÍTIJLO 16 CONCLUSÃO 278 
Compreendendo e Aplicando a Motivnçã.o 278 
E:rplictu1do a i\,fotil•ação: Por qtll.' F~e111os 
o que Fa~errros 279 
Prt!l•endo a Moti,,ação: Jde11tificando 
A111ecede1ues 279 
Aplicando a Mori,.açâo: Resolrrção de 
P roble111as 2 79 
Motivando a Si Mesmo e nos Outros 280 
A1otii•a11do a Si lt1es1110 280 
A1oth·a11do aos 011tros '281 
Feedback: O Esforço poro Motivar a Si 
Mes1110 l' aos Outros Está Indo Be111 ou 
Mal28J 
Projetando lntcrvenções Moti\'acionais 283 
Quat/'o Es111dos de Caso 283 
Quatro Histórias de Êxito 284-
REFERÊNCIAS 81BLIOGRÁF1CAS 288 
LISTA DE CRÉDITOS 346 
ÍND1CE349 
~ ~ 
MOTIVAÇAO E EMOÇAO 
Capítulo 1 
Introdução 
DUAS PERc\.iANENTES QUESTÕES 
O tiue Causa u Comporuuuento'! 
Por que o Componamertto Varia de ltuen,id.ade? 
TEMAS ESSE."'ICIAJS 
Moth•os Internos 
Evento, Externos 
AS EXPRESSÕES DA MOTIVAÇÃO 
O Componamento 
A FtSiologia 
o Auto-Relato 
TEMAS PARA O ESTUDO DA MOTIVAÇÃO 
A M01ivação Benelicia a Adap1açio 
O que é motivação? O que é c moçiio? Um motivo para você 
ler este livro é, oatur.tlmcntc, encontrar respostas para essas 
perguntas. Porém, c.omcce essa jornada fazendo uma pequena 
pausa para dar suas próprias respostas a essas duas questões. 
ainda que cm uma forma preliminar c experimental. Uma boa 
idéia talvez seja anotar suas definições em um caderno ou nas 
margens deste livro. 
PorJ definir motivação e emoção. observe que primeiro é 
preciso c.,;colher um nome com o qual você deve começar sua 
definição (algo como: ·'moti vação é um __:•). A motivação é 
um desejo? um sentimento? um modo de pensar'? um sentimento 
de esforço? uma necessidade. ou um conjunto de necessidades? 
um processo. ou um conjunto de processos? Mais adiante. o te,~to 
oferece urna definição quanto à qual quase todos os estudiosos 
da motivação estão cm acordo (veja a seção Temas Es.scnciai.~)-
Pouoo depois. oferece-se uma definição definitiva de emoção 
(veja a subseç-ão Motivos Internos). À medida que você for avan-
ç::mdo aa leitura deste livro. as sua.,; definiç&s irlio aumentar em 
sofisticação até o ponto cm que você se tomará cada vez mais 
apto a explicar todo o espectro de fenômeno!. motivacionais, 
bem como de aplicar com succ.~~o os princípios da motivação 
em sua própria vida 
Entretanto. a jornada partt se compreender o que vem a ser a 
motivação e a emoção pode ser longa. Por isso. faça de novo uma 
pausa e. antes de Ludo, pergunte-se por que trilhar esse caminho. 
Por que ler estas páginas? E o que leva você a fozer essas indaga-
ç&s em sala de aula? E por que J)lliS3.í noites cm claro. meditando 
Os ~folivos Diteciorllllll u Aleoçilo 
Os Motivos Variam no Tempo e Influenciam o Fluxo do 
Compona,nenco 
Existem Tipos de Moúvaçllo 
A t.1otivaç-Jo Inclui IJllltO a. T end.!ocia. dt Aproximaçllo qlllllltO 
a., de AfulllJllentO 
O, Estudos sobre 11,foci vaçilo Re~·elao1 Aquilo que as Pes.,,oa~ 
Querem 
É Preciso Haver Situaçõe. Favoro,eis paro que a Motivação Floresça 
Não Há Nada tão Pr-.1tic-o como uma Boo Teoria 
JUNTANDO AS PEÇAS: UMA ESTRUTURA PARA SE 
ENTENDER O ESTUDO DA MOTIVAÇÃO 
RES~IO 
sobre as questões referentes à motivação human.n? Considere 
dois motivos que justifiquem esta jornada. 
Em primeiro lugar, aprender motivação é bastante interes-
sante. Poucos tópicos descpertam e envolvem nossa imaginação. 
Qunlqucr coisa que no.~ diga quem somos, por que queremos o 
qucqucrcmo..,;e de que modo podemos melhomrnos.,;as vidas, é 
algo que se reveste de intew..se para nós. E igualmente nos inte-
ressa saber quem são as outras pc.=as, por que elas querem o 
que querem e de que modo elas podem melhorar suas vidas. Ao 
tenumnos explicar o porquê das atitudes das pessoas_ podemos 
empregaras teorias da motivação para aprendermos sobre tópicos 
UÚ!. como a natureza humana: os esforços para a realização de 
conquistas e para a obtenção de poder. os desejos de sexo bioló-
gico e intin1idade psicológica: as emoções. oomo o medo e a 
raiva; o cultivo do talento e a promoção da criatividade; o desen-
volvimentode interesses e o aperfeiçoamento de competências; 
e o estabelecimento de planos e de metas. 
Em segundo lugar. poucos tópicos têm tantn utilidade para 
nossa vida como este. A motivação é importante por si só. e 
toma-se ainda mais importante em função da sua capacidade 
de prenunciar certas manifestações da vida com que nos preo• 
cupamos ba~tante. como. por exemplo. a qualidade de nossos 
desempenhos e o nosso bem-estar. Nesse sentido, aprender sobre 
a motivação é algo extremamente prático e que vale a pena ser 
feito. Também pode ser muito útil saber de onde vem a moti-
vação. por que às vezes ela se altera e outras vezes não, cm 
que condições ela aumenta ou diJninui. quais de seus a~pectos 
2 Capfrulo Um 
podem ser mudados e quws não podem. e que tipos de moti vaçào 
produzem en voh•imento e bem-estar. e que tipos nlio produzem. 
Ficando a par desses assuntos. podemo.~ aplicar nossos conheci• 
mentos a situações com que nos clepar.unos quando. por exemplo. 
tentamos motivar empregados. treinar atletas. aconselhar clientes. 
criar rtlhos. orientar alunos ou mudar nossas próprias maneiras 
de pensar. de sentir e de n05 comportar. Na medida em que um 
estudo como esse nos infonna sobre como melhorar nossa \'Ída 
e também a vida de outras pcssoa.s. terá valido a pena empre-
endermos es.sa jornada para con1preender o que vem a ser a 
motivação. 
O estudo da motivação nos proporciona tanto a compreensão 
teórica de como funcionam a motivação e a emoção quanto o 
conhecimento prático que nos permite conquistar objetivos 
considcr.idos importantes. Um exemplo dis.so são os exercícios 
físicos. 
Pense por um momento: por que uma pessoa quer fazer cxcr• 
cícios fisicos? De onde lhe vem motivação para isso? Terão as 
pessoa.~ mais motivação para se exerci lar cm certas condições do 
que em outro.~? É possível fazer algo par.i aumentar a motivação 
de l.llllft pessoa pCLra se exercitar? E no caso de um indivíduo 
detestar atividade fis ica. poderá ou tru pessoa ser capaz de fazê.lo 
mudar de idéia, convertendo-o cm um verdadeiro entusiasta do 
exercício'I O próximo parágrafo trata de exercícios físicos, mas 
também poderia se referir 11 motivação subjacente a quase qual-
quer outra atividade - estudar, aprimorar um talento. aprender 
a ler. tocür piano, fonnar-se em uma faculdade. comer menos. 
aprimorar um saque no ténis. e assim por diante. 
Por que ficar dando voltas e mais voltas cm uma pista de 
corrida. pular sem parar numa aula de aeróbica. Lentar se mover 
sobre uma máquina que não leva a lugar algum. caminhar com 
pressa por um parque ou dar várias voltas nadando cm uma 
piscina? E o que leva você a correr quando você sabe que seus 
pulmões correm o risco de sofrer um colapso por falta de ar? 
Ou por que pular, se você sabe que seus múscul05 podem se 
distender e romper-se? E por que tirar uma hora do dia para cami-
nhar quando você não está di5posto a fazer isso ou quando seus 
compromissos não o permitem? Por que se exercitar. quando a 
vida nos oferece tuntos outras coisas interessantes par.i fazer? 
Na Tabela 1.1. mencionam-se treze diferentes razões baseada.~ 
no motivação para se exercitar. Quem poderá dizer quais dessas 
razões são válidas e quais não o são? O objeúvo das pesquisas 
sobre motivação é inv<:litigar um fenômeno (assim como os cxcr• 
e leios físicos) e coCL-.lruir teorias e testar hipóteses que expliquem 
como a motivação funciona de modo a produzir o fenômeno cm 
questão. Por exemplo. se um pesquisador motivacional decide 
concentrar sua atenção nas razões pelas quais as pessoas se excr• 
citam fisicarnentc. ele bem poderia fazer algumas ou todas as 
.seguintes perguntas: As pessoas se exercitarão mais quando esta• 
bclecem uma meta? Será verdade que a aúvidade física alivia o 
estresse. reduz a depressão, proporciona um sentido de rcal~çiio 
ou dá uma certa "embriaguez"'? Caso qualquer um desses efeitos 
seja verdade. então cm que condições isso acontece? Ao ser vali-
dada pela.~ pesquisas. uma hipótese possibilí ta tanto uma melhor 
compreensão do fenômeno (isto é. um aumento do conhecimento 
teórico) quanto in.siglrts sobre como obter soluções factíveis para 
problemas que afetam nossa vida e a vida deoutr.is pessoas (isto 
é. um ganho de conhecimento prático). 
DUASPE~IANENTESQUESTÕES 
O estudo da motivação procur.i fornecer as melhores respostas 
po.~sJ veis para duas questões fundamentais: 
1. O que causa o comportamento? 
2. Por que o comportamento vario de intJ:nsidadc? 
O que Causa o Comportamento? 
A primcir.i questão fundamental da motivação é: "O que c~usa 
o comportamento?" Ou. dito de outra maneira, "Por que essa 
pessoa fez isso?"' Observamos o comportumcnto dos indivíduos. 
mos não podemos enxergar a causa ou causa.~ subjacentes que 
produziram tal comportamento. Às vezes vemos nas pessoas 
um grande esforço e persistência (ou tnmbém o contrário disso). 
mas as razões pelas quais e las agem assim continuam forn de 
nossa observação. A motivação existe como campo cientifico 
para rcspondCT a essa questão. 
Para e,c,plicar realmente a questão "O que causa o compor-
truncnto?", precisamos expandir e...sa indagação geral cm uma 
série de cinco perguntas específicas: 
• Por que o comportamento se inicia? 
• Uma vez começado. porque o comportamento se mantém 
no tempo? 
• Por que o comportamento se direciona para algumas metas. 
ao mesmo tempo que se afasta de outras? 
• Por que o comportamento muda de direção? 
• Por que o comportamento e.essa? 
No estudo sobre motivação, não basta perguntar por que uma 
pessoa pratica um esporte, por que uma criança lê livros, ou por 
que um adolescente se recusa a contar no coral. Paro chegarmos 
a uma oomprcensão mais sofisticada de por que as pcS!.oos fazem 
o que faz.cm. também é preciso nos perguntar. por exemplo. 
sobre os fatores que levam os atletas a iniciar SUJlS ati\ridades. 
O que os faz se esforçarem hora após hora, dia após dia, me.ses 
após meses? E por que eles pnujcam um dctemlinado esporte 
e não outro? E o que os faz treinar quando poderiam. digamos. 
estar batendo papo com os amigos? E o que faz um atleta dei.xar 
de praticar o esporte por um dia. ou pela vida toda? Podem-se 
fazer essas mesmas perguntas sobre as crianças e seus hábitos 
de leitura: por que elas começam esse hábito? Por que conti-
nuam a ler após a primeira página? E após o primeiro capi• 
tolo? E por que escolheram um determinado livro e não outro 
da me_~ma pr.itclcira? Por que pararam de ler'? Continuarão a ler 
nos próximos anos? Para tomar um exemplo pessoal. façamos a 
seguinte pergunta: o que fez você começar a ler este livro hoje? 
Você continuará a kr até o frnal deste capítulo? E até o final do 
livro? Se você parar antes do fim. em que ponto irá interromper 
a leitur.i, e por que furií isso? Ou. após ler este livro. que outro 
livro você lerá. e por quê'.' 
A primeira questão pcnnanente da motivnção - "O que 
causa o comporta.mentor' - pode. portanto, relacionar-se com 
Tabela 1.1 Razões Motivacionais para se fazer Exercício físico 
Por que se Exercitar? 
Para nos divertirmos 
Desafio pessoal 
Para atender às expectativas que os 
outros têm de nós 
Para cumprirmos uma meta 
Porque é algo que nos é de utilidade 
Por ser algo que ficamos animados a fazer 
Para satisfazer nossos próprios padrões de 
excelência 
Para obtermos a satisfação de ter um 
trabalho bem-feito 
Busca de sensaç.ões 
Bom humor 
Diminuir sensações de culpa 
Atenuar o estresse e a depressão 
Encontrar amigos 
Fome de Motivação 
Motivação intrínseca 
Fluência 
~totivação extrínseca 
Meta 
Valor 
Possível existência de si 
Esforço na realização 
Conslatação da própria 
competência 
Processo oponente 
Afeto positivo 
lntrojeção 
Controle pessoal 
Socialização 
a maneira como a motivação afeta o início, a pers istência, a 
n1udança na direção de tneta e a eventual cessação do co1npor-
tamento. Pode-se tratar dessas perguntas como uma grande 
questão, ou co1no cinco questões inter-relacionadas. Seja con10 
for, o pri1neiroproblerna essencial e1n uma análise rnoLi vacional 
do comporta1nento é compreender de que 111odo a motivação 
participa, influencia e ajuda a explicar o fluxo co1npo1ta1nental 
de un1a pessoa. 
Por que o Comportatnento Varia de 
Intensidade? 
A segunda questão fundamental da motivação é: "Por que o 
con1portamento varia de intensidade?" Uma outra maneira de 
fazer essa mesma pergunta seria: "Por que às vezes a von tade é 
forte e persistente, enquanto que, outras vezes, diminui paula-
tinainente até desaparecer por cotnpleto?" O con1po1ta1nento 
varia de intensidade, alé1n de se alterar tanto e111 u111 1nes1no 
indivíduo con10 entre diferentes indivíduos. A idéia de que a 
motivação pode variar em um único indivíduo significa que, 
e1n urn 1no1nento, tuna pessoa pode estar bastante engajada e1n 
cerra atividade, enquant.o que, enl outro rno111ento, pode ficar 
passiva e des interessada. A idéia de que a motivação pode variar 
entre os indivíduos significa que, mesnio diante de situações 
iguais, algun1as pessoas pode1n ativmnente se engajar na situação, 
Inlrodução 3 
Exemplo 
As crianças se exercitam espontaneamente - correndo, 
pulando, perseguindo umas às outras, e fazem isso pelo simples 
prazer que essas atividades lhes dão. 
Os atletas chegam "no limite" quando otimizan1 sua capacidade 
de vencer desafios. 
Atletas iniciam un1 programa de exercícios por detenninação do 
técnico. 
Corredores quereni saber se conseguem correr um quilômetro e 
meio em 6 minutos ou menos. 
As pessoas se exercitmn para perder peso ou fortalecer o coração. 
Ao ver os outros se exercitarem, as pessoas têm vontade de fazer 
o mesmo. 
Esquiadores de.scem a momanha em alta velocidade, na tentativa 
de superar seu melhor tempo. 
' . -A 111ed1<la que os aLletas l'azem progressos, aumenla sua sensação 
de competência e eficiência. 
Uma corrida vigorosa dá ao atleta uma sensação de embriaguez 
(que é um reflexo da dor que eles experimentam). 
Um tempo bom pode animar os atletas, fazendo-os exercitar-se 
espontaneamente com mais vigor, o que os mantém cm 
incessame atividade sem que saibam exatamente por quê. 
As pessoas se exercitam porque pensrun que é isso que elas 
precisain1 de.ven1, ou são obrigadas a fazer piu-a se sentirem betn 
consigo mesmas. 
Após um dia estressante, as pessoas procuram uma academia, 
que, parn elas. é um ambiente controlável e estruturado. 
lvluitas vezes, os exercícios são um evento social, um tempo. 
simplesmente dedicado a se divertir com os amigos. 
enquanto outras pessoas podem se mostrar passiva~ e desinte-
ressadas . 
E1n un1 n1esn10 indivíduo, a 1notivação varia co111 o tempo. E, 
quando va1ia, o co1nportainento també1n se altera, pois a pessoa 
pode fa7.er uni es rorço maior ou menor, e sua persistência pode 
se n1ostrar 1nais forte ou 1nais frágil. Por exemplo, há dias en1 
que u111 en1pregado trabalha co1n rapidez e eficiência, enquanto 
que, e111 outros, 1nostra-se desanitnado. U111 dia, u111 estudante 
den1onstra ter entusiasmo, esforça-se por conseguir excelência 
nos resultados em direção a uma meta bem definida; entretanto, 
no dia seguinte, o mesmo estudante pode parecer desatento, 
fazendo apeuas o 1ní11Ílno de trabalho possível e evitando desafios 
acadêmicos. Por que uma mesma pessoa, em u1n determinado 
momento, aparenta uma motivação forte e persis1.enLe, enquanto 
em ouu·o fica apática, é algo que necessita ser explicado. E por 
que um trabalhador teve um born desempenho na segunda-feira, 
mas não na terça? E por que as cri anças disseram não estar com 
fo1ne de 1nanhã, n1as recla1nan1 por conúda à tarde? Sendo assim, 
o segundo proble1na essencial e1n un1a análise motivacional de 
comportamento é compreender por que o co1nportamento de 
u1na pessoa varia de intensidade de acordo com a hora, o dia, 
ou o ano. 
A 1uotivação varia de fonna d iferente nas pessoas. Todos 
nós compartilhan1os rnuitas das rnesrnas rr10Livações básicas (p. 
ex., fome, nec-essidade de afiliação, raiva), porén1 é certo que as 
4 Capfrulo Um 
pessoas diferem quanto ao que as motiva. Alguns motivos podem 
ser relntivamente fortes par.i uma pessoa e relativamente fracos 
par.i outr.i. Por que certas pessoa_~ V1 vem à caça de emoções. 
envolvidas em uma contínua busca por estímulos fortes. como 
correr de motocicleta. enquanto outras procuram evitnr scasa-
çõcs. achando que os estímulos fortes siio mai.~ uma fonte de 
irritação do que de prazer? Em um concurso. por que algumas 
pesso:is cliligcntemcntc se esforçam para vencer. enquanto outr:is 
pouca importiincia dão à vitória. estando mais interessadas em 
fazer amigos? Hã pessoas que se irritrun com cxtrclllJl facilidade. 
enquanto outras ro1ramente se penurbam. A rel>-peito dos motivos 
pelo;, quais cx.istem grandes diferenças individuais, os e,tudo;, 
de motivação investigam de que modo essas diferenças surgem e 
que implicações elas têm. Dessa forma, um outro problema moti-
vncional a ser resolvida é reconhecer que os iadi,ríduos diferem 
quanto ao que os motiva. e e,:plicar por que alguns indivíduos se 
en,·olvem intensamente cm um tipo de componamcnLo, enquanto 
outros, não. 
TEMAS ESSE CIAIS 
Para e,:plicar por que as pcssoos fazem o que fazc1n, necessi-
tamos de um;i teoria da motivação. O objetivo de uma teoria é 
ex.plicar o que dá ao comportamento a sua energia e a sua direção. 
A energia de um atleta vem de :ilgum tipo de moLi ,·o, e é também 
algum motivo que faz um estudante ded icar-se a um objetivo 
cm particular, e não a outro. O es1udo da ,nori\·ação refere-se 
aos processos que fornecem ao comportan1e1110 sua energia e 
direção. A energia implica que o co1nponamcnlo é dotado de 
força - podendo ser relati,•amcntc forte, intenso e persistente. A 
direção quer diz.er que o componamcnto tem um propósito - ou 
seja. que é direcionado ou orientado p:tr3 alcançar um detcrmi-
nndo objetivo ou resultado. Cabe à teoria explicar quais são os 
processos motivacionais e também como eles funcionam par.i 
encrgizar e direcionar o comportamento do indivíduo. 
Os processos que energizam e direcionam o comportamento 
de um indivíduo emanam tanto da;, forças do indivíduo como 
do seu ambiente. como mo~'tr:l a Figura 1. 1. Os motivo~ são as 
e:1:periências internas - necessidades. cognições e emoções -
que cnergiuun as tendências de aproJtimação ou de afastamento 
do indivíduo. Os eventos e,:tcmos são os incentivos ambientais 
que atraem ou repelem o indivíduo em relação a um curso parti-
cular de ação. 
lotivos Internos 
Um motivo é um processo interno que energiza e direciona o 
comportamento. Portanto, trata-se de um termo geral para se 
identificar o campo comum compartilluido pelas necessidades. 
cognições e emoçõc:s. A diferença entre um motivo e uma neces-
sidade. cognição ou emoção é simplesmente o nível de análise. 
Necessidades, cognições e emoções são nada mais que tipos 
específicos de motivos (veja a Figura 1. 1 ). 
As necessidades são condições internas do indivíduo que são 
essenciais e acces.~árias à manulcnçllo da sua vida e à promoção 
de seu crescimento e de seu bem•cstar. A fome e a sede exem-
plificam duas ncocssidades biológicas que surgem das exigên-
Moth :açiio 
1 
1 
~lol'.hos lnLccmos E,·cntns Extc:mos 
1 
1 1 
N=icl3clcs Cogniçõces Emoções 
Flguru l.J Hlernrqula das Quatro Fontes de Motl vaç3o 
eia.~ que o corpo requer de comida e de água. ambas as quais 
são essenciais e nccc.çSMias pam a manutenção da vida. para o 
crescimento e o bem-estar do indivíduo. Já a competência e o 
pcrtencimcnto c.,empli ficam duas necessidades psicológica~ que 
surgem das wgências para que o próprio indivíduo se adapte 
bem :io seu ambit:nle e estabeleça boas relações interpcs.~oais. A 
competência e o pcnencimenlo são tanto essenciais como neces-
sários para a manutenção do bom c.,tado psicológico e para o 
bem•e5tar e o crescimento do indivíduo. As neces.~idades servem 
ao organismo. e o fazem gerando vontades. desejos e esforços 
' . . . ; 
que mouvam quwsquer componamentos que SCJam necessn•rios para a manutenção da vid:i e a promoção do bem-estar e 
do crescimento do indivíduo. A Parte I discute os tipos espc• 
cfficos de necessidades: as necess idades biológicas (Capítulo 
4). as necessidades psicológieas (Capítulo 5) e as necessidades 
soci:iis (Capítulo 7). 
As cognições referem-se aos eventos mentais. tais como as 
crenças. as e:1:pcct:itivas e o autoconccito. As fontes eognitivas 
de motivação relacionam-se no modo de pensar do indivíduo. Por 
exemplo. quando e.\1.Udantcs. atleta~ ou vendedores ocupam-se de 
sua tarefa. eles têm cm mente algum plano ou objetivo, alimentam 
cel'Uls crença_,; sobre suas próprias habilidades. alimentam e,:pec• 
tativas de sucesso ou de fraca.,;so. possuem maneiras de c,:plicar 
um bom ou um mau resultado e têm uma compreensão do que 
eles são e qual é o seu papel nn sociedade como un1 todo. Na 
Parte II discutiremos as fontes cognitiva_~ específicas da moti-
vação: planos e objetivos (Capítulo 8), Cltpcctaúvas (Capítulo 
9) e o sclf1 (Capítulo I O). 
As emoções são fenômenos subjetivos, fisiológicos. funcio• 
n::ús. apressivos e de vida curta. que orqucslrnrn a maneiro como 
re:igin1os adaptativamente aos eventos importantes de nossas 
vidas. Ou seja. as cmoçõe.<; org-.inizam e orquestram quatro 
aspectos inter-relacionados da e,:pcriência: 
• Sentimentos - descrições subjeti,•a.~ e verbais da e,:pcri-
ência emocional. 
• Prontidão fisiológica - como nosso corpo fisicamente se 
mobiliza para atender à~ demandas situ:icionai;,. 
1 ~tlllll=llltl!< o l'.Cm10 ui/ lendo cm nslll que. n3 fuer31ara psicntóg1C1 llllduzula. 
está nbsomdo pc,los profis.sl<l031< d~ Pstcolog1• e in:as afins. (N .R. T.) 
• Função- o que especificamente queremos realizar neste 
momento. 
• Eitpressão - como comunicamos nossa experiência 
emocional a outros. 
Ao orqucstr.ir esses quatro aspectos da experiência em um 
padrão coerente. as emoções nos permitem reagir adaptativa• 
mente aos eventos importantes de nossas vidas . Por exemplo, 
quando nos defrontamos com uma ameaça ao nosso bem-cslllT. 
sentimo-nos amedrontado~. nosso batimento cardíaco aumenta. 
temos vontade de fugir e os m(tsculos do canto dos lábios se 
contraem., de uma maneira que os oulrOs indivíduos podem .reco-
nhecer e responder à nossa experiência. Outras emoções, tais 
como a raiva e a alegria. também apresentam padrões coerentes 
similares que organizam nossos sentimentos. nossa prontidão fi~;o. 
lógica_ nossas funções e expressões de uma maneira que nos possi-
bilita enfrentar com sucesso as circunstáncias que se apresentarem.. 
A Parte W deste ljvro discute a natureza da emoção (Capítulo 11 ). 
bem como os seus diferente.,~ aspectos (Cnpftulo 12). 
Eventos Externos 
Os eventos externos são incentivos ambientais que têm a capaci• 
dade de cncrgizar e direcionar o comportamento. Por exemplo, 
oferecer tlinbciro c-0mo incentivo à tomada de uma ação é algo 
que freqUcn1erncntc cnergiza o comportamento de aproximação. 
ao passo que um odor desag,adável costuma cnergizar um afn.~-
tamcoto de cviLação def-c:nsiva. O incentivo (dinheiro. odor) 
adquire a capacidade de energizar e direcionar o co1nporta• 
meato na medida cm que sjnal.iza que um determinado compor-
tamento poderá produzir conseqüências de recompensa ou de 
punição. Dessa maneira, os incentivos precedem o compona-
mcnto e funcionalmente levam a pessoa para mais peno dos 
eventos externos que lhe prometem cxpe.ri ências agradáveis. ou 
funcionalmente afastam a pessoa de eventos externos que lhe 
prometem experiências desagradáveis. A partir de uma perspec• 
tiva mais ampla. o~ eventos c.1tcmo, incluem não só os estímulos 
ambientais específicos. mas também situações mais gerais. tais 
como aquelas que surgem na sala de aula. na família e no local de 
trabalho. E, cm nível ainda mais amplo. também incluem forças 
sociológicas. como a cultura. O Capítulo 6 ~cute o modo como 
os incentivos e os contextos sociai~ mais !lrnplos se agregam à 
análise do comportameruo moúvado. 
AS EXPRESSÕES DA MOTIVAÇÃO 
Além da identificação dos problemas permanentes da motivação 
e de seus temas essenciais, resta-nos ainda uma outra taref!l 
introdutória - a saber. c.s-pecificar de que modo a motivação se 
ex.pressa. Em outras palavras, de que modo você consegue dizer 
a alguém que está, não está ou está um pouco motivado? De certa 
maneira. é possível dizer que todas as pessoas estão motivada.\. 
de modo que essa quest;io poderia ser reformulada da seguirue 
n1a.neira: como podemos informar a intensidade da motivação 
de unu outra pessoa? É necessário também indagar: como é 
possível informar a qualidade da motivação de uma outra pessoa? 
Por exemplo, à medida que você observa o comportamento de 
lnttoduçilo 5 
duas pessoas - digamos . de dois adolescente.~ que jogam uma 
partida de tênjs -, corno consegue saber que uma delas está mais 
motivada que a outra? Como saber se o que um dos jogadores 
demonstra é maior qualidade de motivação que o outro? 
Emtcm duas llll1lleirns de inferir motivação cm outra pessoa. 
A primeira delas é observar n.~ manifestações comportamentais da 
motivaç".io. Por exemplo, para infcrirmosqueJoãoestácom fome. 
observamos se ele está comendo mais depressa que de costume. 
se está mastigando com m-Jis força. se está falando de iguarias 
enquanto come. ou se está ll'OC'ando o respeito a certa.~ conven• 
ções sociais pela possibilidade de se alimentar. O comportwncnto 
mais r.í.pido, intenso C' determinado de João implica que algum:i 
força o está encrgizando e d irecionando a se alimentar. A segunda 
maneira de inferir a motivação é observar atentamente os note• 
cedentes que. segundo se sabe. conduzem a estados motivacio• 
nais. Por exemplo. depois de ficar 72 horas privada de alimento, 
uma pessoa fica fruninta. Quando recebe uma ameaça, a pessoa 
sente medo. Quando vence uma competição, o vencedor sente-se 
competente. A privação de comida leva à fome. a percepção de 
uma ameaça leva ao medo, e mcn.~agcns objetiva_~ de realização 
IC\'am a uma scnsaç5o de competência. Quando conhecemos os 
antecedente.~ da motivação de uma pessoa, aiio temos necessi-
dade de inferir a motivação a partir do seu componamento. Ou 
seja. é possível dizer por antecipação qual é o estado motiva• 
cional da pessoa, podendo-se fazer isso com uma boa dose de 
confiança. pelo menos na medida em que perccbem05 que a 
pessoa ficou !>CID comer, foi ameaçada ou acaba de ganhar um 
campeonato. Entretanto, nern sempre é possível conhecer esses 
antecedente.~. Às \?ezes, é necessário inferir a motivação a partir 
das expressões do indivíduo - do seu compo.rtamcnto, da sua 
fisiologia e do seu auto-relato. 
O Comportamento 
Há sete aspectos do comportamcato que citprcssam a presença, 
a intensidade e a qualidade da motivação (Alkinson & Birch, 
1970, 1978: BoUes. 1975; Ekmao & Fricsen. 1975): o esforço, 
a latência. :i pcrsistênci~ a escolha. a probabilidade de resposta., 
as expressões faciais e os gestos corporais. Esses sete aspectos 
do comportamento, mostrados na Tabela 1.2. fomeccm ao ob!>er-
"ªdor dados que lhe pernútem inferir a presença e a intensidade 
da motivação do sujeito obser\'ado. Quando no compona1ncnto 
se constata a presença de um intenso esforço, de mna pequena 
latência, uma grande persistência. uma alta probabilidade de 
ocorrência., urna gr-.mde expressividade facial ou gestual, ou 
quando o indivíduo persegue uma meta ou objeto especifico ao 
mesmo tempo que deixa de perseguir outros, tudo isso constitui 
evidências que nos permitem inferir a presença de um motivo 
relativamente intenso. Por outro lado. quando no comportan1enlo 
se observa uma participação apática. uma longa Latência. UJllll 
pequena persistência, ama baixa probabilidade de ocorrência. 
um nível mínimo de expressões faciais e gesruais. ou o indi-
víduo persegue um objetivo ao mesmo tempo que também se 
dedica a um outro. tudo isso são evidências que nos permitem 
inferir que o moúvo está ausente ou, pelo menos, é relativamente 
fraco. O termo "cngajaincnto"dá muito bem um senso geral de 
quão inteo.~a é a motivação da pessoa. O engajamento refere-se 
6 Capfrulo Um 
Tnbela I .2 Expres.ões Comportrunentais. d:i Molivaçllo 
E,forço 
L:uência 
Per..~tência 
Escolha 
Quantid:ide de energia empregadn na 1entativa de execução de uma tarefa 
Tempo dur.ime o qual uma pessoa adia ,ua resposta apó> 1er sido inicialmente exposta a um esúmulo 
Tempo deconido entre o ittício e o fim de um:i resposta 
Qu:u1do ;;e está diante de dua, ou m:iis possibilidades de ação, mostra-se preferência por uma delas. em 
detrimento dn.,; denws 
Probabilidade de resposrn 
Expressões faciais 
Nllmero (ou porceruagemJ de oca,iões ein que se verifica uma resposrn orieiu:ada para u1n delerminado 
objetivo. quando ocorrem diversas oponunidades diferentes para o componam.emo ocorre, 
Movin-.entos faciais. como torcer o llllriz. le\!llnlOJ' o lábio superior e baixar u,n pooco ª--' sobrancelhas (p. ex .. 
nunm express.~o fadai de desgosto) 
Sinais corporoi s Sinais corpotni,. tal, como posmro, mudanças no apoio do ~ e movi meiuos de perna,,. braços e m1lo., 
(p. ex., fiCM com os punhos cerrados) 
à intensidade e à qualidade emocional do envolvimento de uma 
pessoa em uma atividade (ConneU & Wellborn, 1991; Slrinner 
& Belmont 1993). referindo-se aos aspectos tanto do compor• 
lamento quanto emocionais. tais como o fato de que em um 
estudante engajado percebe-se não só ba.-rumtc esforço, persis-
tência. atenção. etc .. mas também um tom emocional positivo 
(p. ex~ alto interesse. baixa an.~iedade). durante as atividades 
que ele realiza. 
A Fisiologia 
Quando as pessoas e os animais se preparam para realizar 
diversas atividades. os si~tcn1as nervoso e endócrino produzem 
e )jberam diversas suh.~tâncias químicas (p. ex. , neurotransmis-
sores. hormônios). que fornecem sustenlllção biológica para os 
estados moLivacionais e emocionais (Andrea.,;si, 1986: Coles. 
Ponchin & Porges, 1986). Por exemplo. ao fa1.er um discurso, o 
or"J.dor pode e,'l;perimentar diversos graus de estresse emocional, 
e essa sensação manifesta-se fisiologicamente por meio de um 
aumento das catccolaminas plasmática.~ (p. ex., da adrenalina; 
Bolm-Avdorff et al .. 1989). Para mensur.ir essas altcrnçõcs 
neurais e hormonais. os pesquisadores se valem de exames de 
sangue. de saliva, de urina. bem como de uma grJnde quan-
tidade de medidas psicofisiológicru. que envolvem complexo~ 
equipamentos eletrônicos. com o propósito de observar a :1Livi-
dade neural do cérebro (p. ex .. EEG. ou eletroencefalograma). 
Ut ilizanrlo essas medidas. os pesquisadores da motivação moni-
Tabela L3 Expre,:.õe Psi<:ofisiotógicns da Motivaç1!o 
toram o batimento cardíaco, a pressão sanguínea, o taxa respirJ• 
tória. o diàmelro da pupila. a condutância da pele, o conteúdo do 
plasma sanguí nco, e outros índices do f uncionamcnto fisiológico 
da pessoa. com o objetivo de inferir a presença ou intensidade de 
estados emocionais e motivacionais subjacentes. Os seis sistemas 
corporais de excitnção que expr=m a emoção e a motivação 
são o sistema cardiovascular, o sistema plru.mático. o sistema 
ocular. o sistema cletrodénnico. a atividade musculocsquclética 
e a atividade ccrebr.it conforme listados na Tabela 1.3. 
O Auto-Relato 
Uma lcrccirn maneir.i de coletar dados paro inferir a presença. 
a intensidade e a qualidade da motivação é simplesmente fazer 
perguntas. Em uma entrevista ou questionário, é comum as 
pessoas informarem sua motivação. Por exemplo, para avaliar a 
ansiedade de seu entrevistado, o entrevistador pode lhe perguntar 
quão ansioso ele fica c-m determinadas situnçõcs, ou então pedir-
lhe que relate sinlomas relacionados à ansiedade, t:ais como sentir 
uma indisposição csto1nacal ou ter pensa.n1entos de fr.icasso. 
Os questionários apresentam algumas vantagens. São fáceis de 
aplicar. podem ser respondidos por várias pessoas 110 mesmo 
tempo e têm a versatilidade de tratar de informações especí-
ficas (CarL~mith, Ellswonh & Aroru.on. 1976) . .Entretanto. os 
questionários tnmbén1 apresentam certas armadilhas., que podem 
levantar algumas suspeitas quanto à sua utilidade. Por exemplo. 
muitos pesquisadores reclamam da fnJtn de correspondência entre 
Auvidade cardiovascular A atividade do coraçllo e dos \'3.'iOS sangll(noos Olllnenta qunndo se está dianle de 1nreías diffcelç ou 
de.afiadoras, ou de incentivos atraenh!:S. 
Ali \'idade ptasmJltica 
Ati\'id.lde ocular 
Ali\•idade eletr0dér1niea 
Ali\·idade esquelética 
Atividade cerebral 
Substãneiru. t'()ntida., rui corrente sanglllnea. parliculaunente ru. catecolamina.,, !ai... como epintltina e 
norepinefrina. reguladoras da reoç"'.JO que preparo o i1l<li, fd110 para a llllll ou a fuir.1.. 
Co,nportame1110 oculJlr - tamanho Lia pupila. freqUé:ncia de piscndelà!> e do,, mo,•imento,. oculares. 
O tam3nho da pupila ten.1 relaçllo oom o nfvel de ali vidade meu1nl: piSClldelas Ítl\ oi uni.ária., exprel.sam 
alterações nos eMados cognitivo:.. além de pontos de u-an,,içll.o no nuxo de ptoeéssatuento da informação: 
e os n\OVitnentos laterais dos oU>OS aumentam de rrequ~ncia durante o pensame1110 reflexivo. 
Alterações elétricas na super1lcie da pele, como DO!. nio1oe11Los em que a pesi,oa sua. &lfnwlo, novo;,., 
emotivo,-. am~açadores e capazes de prender a atençllo evocam todos 111na atividade eletrodétt11ica para 
exprimir runeoça, a\ersilo e significância dos estin1.ulos. 
Atividade mu.cular. tal como ocorre com as expressões faciais e os gestos corpornis. 
Atividade de \'árias panes do cerebro. tais como o córtex e o si~1ema Umbico. 
o que as pessoas dizem que fazem e o que elas de fato fazem 
(Quattronc. 1985: Wickcr, 1969). Além disso. também existe 
uma falta de correspondência entre a maneira como as pessoa.~ 
dizem que se sentem e o que a atividade psicofisiológica delas 
indica que elas podem estar sentindo (Hodgson & Rachman. 
1974: Rachman & Hodgson. 1974). Em virtude disso. o que as 
pessoas dizem sobre seus motivos às vezes não equivale ao que 
suas expressões comport:uncntn.is e fisiológicas sugerem. Por 
exemplo. que conclusão se pode tirar de alguém que verbaJ-
mcntc informa estar sentindo pouca raiva. quando essa pessoa 
apresenta uma pronta latência para agredir, uma rápida acele-
ração no batimento cardíaco e tem o cenho franzido? Em virtude 
dessas discrepâncias, quem pcsqui.~n n motivnção gemlmcntc 
confia e se baseia nas medidas comportamentais e fisiológicas. 
mas desconfia da..~ medida.~ de auto-relato. e só se baseia nelas 
de modo conseivador. Ponanto, as medidas de auto-relato são 
utilizadas principalmente para confirmar a validade das medidas 
comportamentais e fisiológicas. 
TEMAS PARA O ESTUDO DA MOTIVAÇÃO 
O estudo da motivação abrange un1a ampla gama de suposições. 
hipótese.~. teoria.<.. constatações e domínios de aplicação, como 
será visto nos próximos capítulos. Mas o estudo da motivação 
também tem alguns temas unificadores. que integram todos esses 
elementos cm um campo de estudo coerente. o qual inclui os 
seguintes pontos: 
• A motivaç.'io beneficia a adaptação. 
• Os motivos direcionam a atenção. 
• Os motivos variam no tempo e influenciam o fluxo do 
comportamento. 
• Existem Lipos de motivaç-:io. 
• A motivação inclui tanto as tendências de aproxin1ução 
quanto as de afa.."1alneato. 
• Os estudos sobre n motivação revelam aquilo que as 
pessoas desejam. , 
• E preciso haver situações fa,•oráveis para que a moti\fação 
floresça. 
• Não há nada Lão prático como uma boa teoria. 
A Motivação Beneficia a Adaptação 
As pessoa.~ são complexos sistemas adaptativos. e isso é 
importante. visto que os ambientes cm que vivemos estão em 
contínua mudança. Por exemplo. as ofertas de emprego crescem 
e decrescem. as oportunidades educ.acionais surgem e desapa-
recem. as relações melhoram e pioram, uma lcmporada espor-
tiva aumenta e diminui de intensidade. a saúde das pessoas sofre 
crises e se rccuper.1. e assim por diante. A motivação beneficia a 
adaptação paru essas circu.nstSncias de con.-.tante mudançaporque 
o estado motivacional permite à., pessoa.~ serem sistemas adapta-
tivos complexos no sentido de que. sempre que ocorrem discre-
pâncias entre as demandas momcntti.• cus e o nosso bem-estar. 
experimentamos estados motivacionais que prontamente nos 
levam a tomar ações corretivas. 
Se as pc.•,soas ficam hora.~ sem comer ou se o suprimento 
de alimento é escasso, a fome aparece. Quando aumentam os 
lnttoduçilo 7 
pr.izos dos compromissos. o estresse aumenta. Quando uma 
pessoa ganha o controle sobre um problema difícil. um sentido 
de competência surge. Portanto, um tema que sempre aparecerá 
neste Livro é o de que os estados moúvacionais (p. ex., fome. 
estresse. co1npetcncia) fornecem meios-chave f)'dl1l os indivíduos 
serem bem-sucedidos ao enfrentarem as incvitávci, exigências 
da vida. Sem os estados motivacionai~. as pessoas rapidamente 
perderiam un1 recurso vital no qual se baseiam para se adaptar e 
manter o seu bem-estar. Qualquer pessoa que tente perder peso. 
escrever um poema original ou aprender uma língua cstrnngcir.1. 
sem primeiro estabelecer a motivaçiio. rapidamente perceberá 
que a motivação beneficia a adaptação. A lição que aprendemos 
disso é que a motivação nos preparo e nos permite perder peso, 
atuar criativamente e aprender habilidades complexas. 
Quando a motivação diminui, a adaptação pessoal fica 
prejudicada. As pe.-.soas que se sentem impotentes ao tentarem 
controlar seu próprio destino tendem a desistir rapidamente 
quando desafiadas (Petcrson, Maicr & Scligman. 1993). A 
sensação de desamparo destrói a capacidade que as pessoas tên1 
de enfrentar os desafios da vida. Os indivíduos que costumam 
ser espezinhados. c-0agidos e controlados pelos outros tendem a 
se tomar emocionalmente pros trados e insensíveis às esperanças 
e aspirações próprias de suas necessidades psicológicas internas 
(Dcci. 1995). O fato de ser controlado por outros destrói o capa-
cidade do indivíduo de gerar motivação dentro de si mesmo. Por 
outro lado, quando os estados motivacionais forem fortes e deter-
minados. a adaptação ~soai ílorcscc. Quando. por exemplo. 
as crianças cslâo excitadas com a escola, quando os 1r.1balha• 
dores tên1 confiança em sua própria capacidade e quando os 
atleta..~ propõem a si mesmos desafios mais e mais runbiciosos. 
seus respectivos professores, supervisores e rrcinadorcs podem 
contar que havera sucesso na adaptação de seus subordinados ao 
ambiente que lhc.s é único. Os indivíduos que têm alta qualidade 
motivacional se adaptam bem e prosperam: e os indivíduos com 
insuficiência rnoti vacional fracassam. 
Os l\1otivos Direcionam a Atenção 
Os ambientes exigen1 constantemente nossa atenção. e o fazem 
cm uma profusão de maneiras. Por exemplo. o simples ato de 
dirigir um carro por uma estrada obriga-nos a fazer diversas 
coisas-encontrar nosso destino, cooperar com os outros moto-
ristas, evitar bater nos outros veículos. ouvir e responder ao que 
nossos passageiros dizem. não derramar o café que porventura 
estejamos bebendo, e nssim por diante. De modo semelhnnlc. 
um universitário deve sin1ullaneamente obter boas notas, manter 
suas velhas amizades, alimentar-se de forma saudável, adminis-
lrJr com eficiência seu tempo e seu dinheiro, fazer plano.~ para 
o futuro. lavar suas roupas, desenvolver seus dotes artísticos. 
manter-se informado sobre o que se pa~sa no mundo, e açsim 
por diante. Quem nos pode dizer se nossa atenção c.~tá voltada 
para uma direção ou para outra? Muito desse "dizer'· relaciona-
se com os nossos estados motivacioaai~. Os motivos chamam. 
e às vezes exigem. a nossa atenç-ão. fazendo-nos ater a aspectos 
específicos do ambiente em detrimento de outros. 
Os motivos afetam nosso modo de agir porque dircc.ionam 
nossa atenção com o propósito de selecionar detenni.nados 
8 Capfrulo Um 
Tnbela I.4 Co1no a., Mouvo, lnfluendam o Comportruneiuo de UJn Aluno Senllldo à Mesa de &rodo 
E,..emo Mouvodo Ação Relacionada com Urgência do M 01.ivo 
Ambiental Excitação o MOli\'o Relevante Conseguindo Swtus de Atenção 
Livro lnteres.se Ler o capfwlo • 
Refrigerante Sede Tomar a bebida • 
Vozes conhecidas Afiliação Con,ersar com os amigos ••• 
Dor i.le cabeça Evitar a dor Tomar um analgéMCO ...... 
Falmde sono Descanso Deitar-se e cochilar * 
Perspecti,'3 de competição Realizaç5o Esrudac •• 
Obscn,çio: ru, qu:ut:1 colnn:,_ o n6mcro d< asteriscos n,pn:s,,nm • intcns.id!lldc do .-i,·o eh excitoçiio_ lJm l>Slmsco "'P"""Dlll o m::ús b,mm nfrcl d< mtros,d:ide. 
cnquanio qoc Cl"'-"O lbl<'ri>cos rcprc.<cntam o nfrcl mais al10. 
comportamentos e ações. e de relegar outros. Uma ilustração de 
como os motivos prendem nossa atenção e determinam nosso 
co,nportamcnto aparece na Tabela 1.4. As quatro colunas desta 
1.abela listam. da e.~qucrdo para a direita. (a) os diversos aspectos 
do ambiente. (b) um motivo que o evento ambiental costuma 
suscitar. (c) uma direçõo da ação apropriada paro esse motivo e 
(d) uma prioridade hipotética ou sentido de urgência para cada 
direção da ação. conforme determinada pela inten.--.idade do 
motivo subjacente. Embora sejam possíveis seis direções da ação. 
a atenção do indivíduo niio está dividida igualmente entre cada 
uma delas, porque a intensidade dos motivos que estão associados 
a elas varia (como se nota pelo número de asteriscos na última 
coluna à direita). Uma vez que o interesse, a sede e o dcsc-mso 
não são premcnte.'I naquele instante em particular (um .L'lterisco). 
sua inLensidade é fraca e insuficien Le para chamar a atenção do 
indivíduo. Já o motivo para evitar uma dor de cabeça é altllmentc 
premente (cinco asteriscos). sendo. ponanto. forte candidato a 
ch:un:u- a atenção e direcionar o comportamento do indivíduo. 
fazendo-o tomar um analgésico. A dor. a.'lsim como muitos outros 
motivos, tem uma habilidade intrínseca para prender, manter e 
direcionar nossa atenção (Bollcs & Fanselo\V, 1980; Eccleston & 
Crombez, 1999). Portanto, os motivos influenciam o comporta-
mento prendendo nossa atenção, fazendo-nos interromper nossas 
ocupações. distraindo-nos de fazer outra.'I coisas e impondo-nos 
prioridades sobre o nosso comportame11to. 
Os Motivos Variam no Tempo e Influenciam o 
Fluxo do Comportamento 
A motivação é um processo dinâmico - que está sempre 
mudando. ora aumentando. ora dimintündo - e não um evento 
discreto ou uma condição estática Não só a força da motivação 
fica constantemente subindo e descendo. n1as também a cada 
inst:mJe especifico a.~ pessoas nutrem uma profusão de diferentes 
motivos. Nutrir uma profusão de motivos é importante paru a 
adaptação porque as circunstâncias e as situ::ições silo complexas. 
e as pessoas precisam ser motivacionalmcnte complcxa,o; par.i 
se adaptarem. Geralmente. um moúvo se destaca como o mais 
forte e apropriado para uma dctcrm.inada situ:içào. ao mesmo 
tempo que os outros ficam relaúvamente subordinados (isto é. 
um motivo domina nossa ::ucnç-lo, enquanto os outros ficam rela-
tivamente dormentes. como na Tabela 1.4). Em gcr.11, o motivo 
mais forte exerce a maior influência sobre nosso componamento. 
mas cada um dos motivos subordinados pode se tornar dominante 
caso as circunstância~ ,e alterem, exercendo inces.s:mtemenlc sua 
iníluência sobre o nuxo do comportruncnto. 
Como ilustração disso. imagine uma típica taTefa de estudo. 
em que um estud:mtc senta-se à mc_~a com um livro nas mãos. O 
objetivo do estudante é ler o livro. um n1otivo relativamente forte 
ne,sa ocasião, vi!>to que ele terú em breve que fazer uma prova. 
Nosso estudante então estuda durante uma hora. mas du:r:mte 
esse tempo pode ocorrer que sua curiosidade já esteja satisfeita. 
que o cansaço se mani ÍC$LC e que diversos motivos subordinados 
-tais como fome e desejo de se juntar aos colegas - comecem 
a aumentar de intens idade. TaJvcz um cheiro da pipoca vindo 
do cômodo vizinho tenha entrado em sua sala, ou talvez a visão 
de um amigo próximo passando no corredor tenha aumentado 
seu motivo de estar con1 amigos. Se este último motivo cresceraté assumir um nível dominante, enlào o estudante mudará seu 
comportamento, largando o li vro e indo se cncontr.ir com os 
amigos. 
A Figura 1.1 mostra um fluxo contínuo de componamcnto em 
que wna pessoa realiza um conjunto de tres procedimentos. X. 
Y e Z (p. ex .. estudar. comer e socializar-se; Atkinson, Bongon 
& Price. 1977). A figura representa graficamente as mudanças 
de intensidade de cada um desses três motivos. que produzem o 
fluxo observado de componamenlo. No instante 1. o motivo X 
(estudar) é o dominante. enquanto que os motivos Y e Z encon-
tram-se relativamente s ubordinados. Já no instante 2. o motivo 
Y {comer) suplantou cm intensidade o motivo X. enquanto o Z 
permaneceu subordinado. E no instante 3. o motivo Z (estar com 
amigos) tomou-se o dominante. passando a exercer sua inllu• 
ê ncia no fluxo do comportamento. No geral. a Figura 1.2 ilustra 
que (a) as intensidades dos motivos variam con1 o tempo; (b) 
durante todo o tempo atuam nns pessoas diversos motivos de 
diferentes intensidades, cada qual tendo a capacidade de chamar a 
atenção e de participar do fluxo de comportamento, dependendo 
das circunstância.~ apropriadas: e (e) o.~ motivos não são algo que 
a pessoa tem ou não Lcm: na venlade eles crescem e decrescem. 
à medida que mudam a.'I circunsrancias. 
Existem Tipos de Motivação 
Para aJgumas pessoas. a motivaç-:io é um conceito unitário. O 
aspecto-chave da motivação é a sua quantidnde ou nível de inten-
sidade. Partindo--se desse ponto de vista popular, a única pergunta 
lnttoduçilo 9 
ComportaJ11t11lo 
ObsttVlldo X Y ZX Y ZX Y X 
- - --,1- - - r - 1- - r -- - - -,- -;t--1----r-• 
Fone: 
Força 
do Motlwo 
o l 2 3 ,( 6 7 
Moe Ivo X 
Motl•,oY ------- l l ot h-o 2 
8 9 
Ttmpo ----• 
Figura 1.2 O FIUJto do Comportamento e w, Alterações na FOl'Ço de Seus Moti\'OS Subjacentes 
Fontr. Adaptado de Co111utlv~ Control "Í Action. de O. Bin:h. J. \V. Atbnsoo e K. Bongort. em B. \Vcner led.). Co91Ji1i1•~ v;,.... of Human ~fotfrtJlion lpp. 7l-lW). 
1974. Nova Yort: Ac:idemk Pr,,ss. 
que se deve fazer sobre a motivação é "quanto?" Ou seja. consi-
derada como um constructo unitó.rio. a motivação varia desde 
inexistente, passando por pouca. moderada. até alLa ou muito alta. 
Ao me.~mo tempo. os profission:us envolvidos com problemas 
de motivação (professores. gerentes. treinadores) seguem essa 
mesma linha para tratar da permanente questão: "De que maneira 
é possível aumentar a motivação de meus alunos. empregados 
ou atletas?'' 
Por outro lado, diversos teóricos desse assunto sugerem a citis-
tência de importantes tipos de motivação (Ames. 1987: Ames & 
Archcr. 1988: Atkinson. 1964: Condry & Stokkcr. 1992; Dcci. 
199211). Por exemplo, a moth•aç.io intrínseca é diferente da 
n1otivaçâo eitlrinseca (Ryan & Dcci. 2000a). A molivação para 
aprender é diferente da motivação para fa7.cr (Amos & Archer. 
1988). E a motivaçuo para se atingir sucesso é diferente da moti-
vação paro se e1<itaro fracasso (EJ]iot, 1997}. Em outras pal:ivrn.~. 
os seres humanos são motivacionalmente complexos (ValJerand. 
1997). 
Observe um allcta treinando. um nlu:no estudando, um empre-
gado trabalhando e um médico cuidando de um paciente. e você 
vera vwiaçõcs na intensidade da motivação de cada um. Mas uma 
observaç.'io iguaime_nte imponante a ser feita é perguntar-se por 
que eada um de..,;.,;e.s indivíduos executa essas rarefa.,; específicas. 
Ater-se aos tipos de motivação é importante porque alguns desses 
tipos proporeionam experiências m::tis elevadas. desempenhos 
mais favorávci.~ ou resultados psicologicamente mais gralifi-
e.:intes do que outros. Por exemplo, os estudantes que aprendem 
cm decorrência de uma motivação intrínseca (provocada pelo 
seu próprio interesse ou curiosidade) demonstram mnis criati-
vidade e mais emoçuo positiva do que aqueles que aprendem 
a partir de uma motivação extrínseca (provocada por ameaças 
físicas ou pela imposição de pra7.0S a serem cumpridos: Deci & 
Ry:in. 19&7 ) . Quando desejam alcançar um objetivo. os estu-
dantes cuja meta é obter o sucesso ( .. Meu propósito é conseguir 
um A") apresentam um desempenho cnom1cmcntc superior ao 
de estudantes igualmente capa.zes. mas cujo objetivo é evitar 
o frac~so ("l\1cu propósito é não tir.u- um F'; Elliot.. 1999). 
Frcqilcntcmcnle - numa escola cm que htí muitos alunos, em 
um hospital em que há muitos médicos. ou em uma equipe de 
allctas esforçados - as pessoas não diferem muito quanto a seu 
níve l de motivação; em vez disso, podem variar quanto ao tipo 
- ou qualidade - des.'1:1 motivação. 
As emoções também mostram que os moti1•os variam não só 
de intensidade. mas também de tipo. Por exemplo. uma pe.,;.,;oa 
que está sentindo muita raiva campana-se de maneir:i bastante 
diferen te de uma outra que sente muito medo. Ambas estão alta-
mente motivadas. e se a pergunlll ··quantor· é importante. •·que 
tipo?" (de emoção) igualmente o é. Sendo a.,;.sim, uma análise 
motivacional completa do comportamento responde a ambas as 
perguntas: "quanto?" e "que tipo?" Provavelmente a experiência 
já dc,•c ter ensinado a você a importlincia da pergunta "quanto?"; 
os próximos 15 capíLulos irlío ilustrar o fato de que a pergunta 
"que tipo?" t:unbém é igualmente importante. 
A Motivação Inclui tanto as Tendências de 
Aproximação quanto as de Afastamento 
Em gc.ral, as pessoas pressupõem que estar motivado é melhor 
do que não estar. De fato, as duas perguntas que se fazem com 
maior freqüência quanto à motivação são: "De que modo cu 
consigo motivar a mim mesmo para fazer melhor (ou mais)?" e 
"Como poderei motivar outra pessoa para que ela faça melhor 
(ou mais)?" Em outras palavras., como é possível conseguir mais 
motivação do que agora se tem. seja para si mesmo. :seja para 
os outros? É claro que a motivação é um estado que as pes..<;0a.~ 
tentam obter tanto para si própria.~ quanto para outras. 
O problema é que às vezes a moti vaçiio não é nada agradável. 
Na realidade. vários sistemas motivacionais são aversivos por 
natureza - a dor, a fome, o sofrimc.•10, o medo. desavença.~. a 
ansiedade. a pressão. o desamparo. e a.,;.,im por diante. Os cstndos 
emocion:us de fato nos fazem aproximar-nos das oportunidades 
ambientais e melhorar nossas vidas, e temos muitos m• ti vos para 
i.,so (p. eJt.. interesse. esperança. alegria. motivação p:ira re-.ui7.ar. 
au10-ntuali.U!çào). Entretanto, outros estados emocionais f37.Cm• 
nos evitar as .situações avcrsivas. de ameaça ou de ansiedade. 
Há motivos que prendem nosso interesse. como a ansiedade e 
a tensão. que essencialmente nos 1iraniZllm. a té que façamos 
com eles o que lhes é devido. ajustando nosso compon:unento 
10 Capíu1Jo Um 
de acordo com as circunstiincins. E nesse caso. mais freqüente• 
mente do que nunca. vale a observação de que "qu:into maior a 
initação. maior a mudança" (Kimble, 1990. p. 36). 
Os seres humanos são animais curiosos. intrinsecamente moLi• 
vados e conlinuamcn1c em busca de sensações. sendo dotados de 
objetivos e de planos que lhes permitem vencer desa.fios. dcscn• 
volver relações de afeto com seus scmolhan1cs, serem incenti• 
vados de maneira positiva. aprimorar-se e crescer psicologica• 
mcnle. Entretanto, também é verdade que as pessoas são cstrcs• 
sadas, frustradas, inseguras, coagidas, amedrontadas, magoadas, 
deprimidas. além de cs1arcm sempre se deparando com situa• 
ções que gostariam de evitar. Também é freqüente. e talvez até 
normal, que as ~soas experimentem esses estados n1otivacio-
nnis e emocionais positivos e negativos ao mesmo tempo. Par.i 
obter uma adaptação ótima. os seres humanos dispõem de um 
repertório moti\'acional que inclui tanto os moth·os aversivos, 
baseados na evitação. quanto os motivos positivos. baseados na 
aproximação. 
Os Estudos sobre Motivação Revelam 
Aquilo que as Pessoas Querem 
Além de revelar o motivo de as pessoa.~ quererem algo. o estudo 
da motivação também revela qual é de fato o seu desejo -
mostr.indo literalmente o conteúdo da natureza hun1ana. Osfatos essenciais da motivação e da emoção dizem respeito às 
nossas esperanças, nossos anseios, nossas vontades. nossas 
necessidades e nossos te1nores. São questões como saber se a~ 
pcsso:.L~ são essencialmente boas ou más, mlturalmcntc nLi vas ou 
passiva.\. cordiais ou agressivas. altruístas ou egocêntricas. se são 
livres para escolher ou se agem sob a determinação de prc.,;sõcs 
biológica.'!. e se traz.em ou não dentro de si tendências que lhes 
pcrmi tem crescer e auto-realizar-se. 
As teorias da motivação reve lam o que existe de igual entre 
os esforços que todos os seres bunmaos fazemos, com vistas a 
identificar os pontos em comum entre as pes.was de diferentes 
cullUJ'llS. diferentes experiências de vida e diferentes dot:ições 
genéticas. Todos nós expcrimentnmos necessidades fisiológic:is 
tais como a fome. a sede. o sexo e a dor. Todos nós herdamos 
condiçõc.'I biológicas. como o temperamento e os circuitos 
neurJis no cérebro, para o prazer e a aversão. Todos nós com par• 
tilhamos um pequeno número de emoções bá.~icas. e sentimos 
essas emoções nas mesmas condições, tais como o medo diante 
de uma ame.iça e o sofrimento diante da perda de algo ou alguém 
que nos é caro. Todos nós interagimos com o que nos cerca 
por meio de uma mesma plêiade de ncc~dadcs, à medida que 
exploramos nosso ambiente, dcsenvoh·emos nossllS competên-
cias, aperfeiçoamos nossas habilidades e estreitamo;. vínculos 
com quem amamos. Todos somos hedonistas (buscamos o prazer 
e evitamos a dor). dando a impressão de estarmos sempre em 
busca de diversão. bcm-estnr e crescimen!o pessoal (Seligman 
& Csikszentmihalyi. 2000). 
E,;sas teorias também revelam a.'I motiv.~s que siio apreen-
didas por meio da experiência- motivos que niúdamenteestão 
for.ido domínio da natureza humana. Por exemplo, por meio de 
nossa.~ experiências pessoais e únicas. adquirimos crenças de 
habilidade. expectativas de desempenho. maneiras de explicar 
nossos sucessos e nossos fracassos. valores. aspir.ições pessoais. 
o sentido de self. e ass:i m por diante. E,;.sas manerra.'I de cncrgizar 
e direcionar nosso comportamento provêm de forças ambientais. 
dcscn,•olvimcntais, sociais e culturais (p. ex .. iaccntivos. reforça• 
dores. modelos de papéis. possíveis s~lv~s de Ífill)ir.tção social. 
papéis cultur:ú.'1) . Portanto, o estudo da motivação nos informa 
qual parte da vontade e do desejo deriva da natureza humana. e 
qual parte provém da aprendizagem pcssoaJ. socinl e cultural. 
, 
E Preciso Haver Situações Favoráveis para que a 
Motivação Floresça 
Não se pode separar a motivação de um indivíduo do contexto 
social em que ele se situa. Ou seja. a motivação de uma criança 
é fonemcntc aíctfilla pelo contexto social determinado por seus 
pais, e a motiv-.içâo de um estudante é fortemente afetada pelo 
contexto social oferecido pela escola. O mesmo se pode dizer da 
motivação dos atletas. que são afetados por seus técnicos. dos 
pacientes, afetados pelos médicos. e dos cidadão~. influenciados 
pela sua cul tura. Em relação à motivação de crianças. estudantes. 
atletas. e as!.im por diante. os ambientes podem ser vantajosos e 
favoráveis, ou podem $Cí negligentes e prejudiciais. Os indivíduos 
inseridos em contextos sociais que os apóiam e que favorecem 
suas necessidades e seus esforços apn:senta1n m,úor vitalidade 
e maior crescimento pessoal, prosperando mais que aqueles que 
estão imersos cm um ambiente de desamparo social e frustr.ição 
(Ryan & Deci. 2000a). Reconhecendo o papel que os contextos 
sociais dc.~empenh:un na motivação e no bem-estar, os pesquisa• 
dores motivaciomüs procuram aplicar os princípios da motivação 
com vistas a fazer a motivação florescer nos indivíduos. 
Este livro enfatiza quatro áreas de aplicação: 
• Educação 
• Trabalho 
• Espones e Exercício físico 
• Terapia 
Em lermos educacionais. urna compreensão da motivação 
pode ser aplicada para promover maior participação do aluno 
em sala de :1ula. pa:ra estimular a motivação que faça o aluno 
desenvolver seus talentos, como no música. e para informar aos 
professores de que modo obter cm sala de aula um ambiente favo• 
rável, que satisfaça às necessidades e aos interesses dos alunos. 
No tn1balho. uma con1precnsão da motivação pode ser aplicada 
à melhoria da produti ~idade e da satisfação dos trabalhadores, 
a construir crenças confiantes e de recuperação rápida. a evitar 
o estresse e a estruturar tarefáS que lhes ofereçam aí veis ótimos 
de desafio, de variedade e de relacionamento com os compa• 
nhciro.,;. Nos cspones. pode-se aplicar a compreensão da moLi• 
vaçào ao problema de identificar as r.uões pela.~ quai.~ os jo,•cns 
participam de ntividadcs físicas. a planejar programas de cxer• 
cícios que promovam uma adesão a longo prazo dos atletas, e 
a prediz.cr os efeito.,; sobre o desempenho exercidos por fatores 
tais como a competição interpessoal. a avaliação do desempenho 
e o estabelecimento de metns. Em terapia. uma compreensão da 
motivação pode ser utilizada para melhorar o bem-estar mental 
e enux:ional. para cultivar um senso de otimismo. favorecer o 
amadurecimento dos mecanhmos de defesa, explicar o par.idoxo 
de por que os esforços para se obter controle mental podem t:iío 
freqüentemente sunir efeito contrário, e avaliar o papel que as 
rclaçõc~ interpessoais de boa qualid:lde desempenham nn moli• 
vaç-jo e na saúde mental. 
À medida que obser.•a pais. professores. gerentes. técnicos e 
terapeutas tentnndo motivar seus filhos. alunos. lrabalhudores. 
atletas e pacientes. você notará que nem todas as tentativas de 
motivação são bem-sucedidas, e que realn1ente existe uma arte 
de motivar os outros. O mesmo pode ser dito das tentativas de 
;.e moúvar a você mesmo. Por exemplo. dê-se o tr.1balho de 
monitorar as emoções ex.pressas por crianças, c.-.tudantc. .. , traba• 
lhadores. atletas e pacientes, à medida que são motivados por 
outros. Quando as pessoa., se adaptam com sucesso e seus cstndos 
motivacionais florescem, elas expressam emoções positivas. tais 
como alegria, esperança. interesse e otimismo. Porém quando 
são dominados por seu ambicnie e seus estados moti vacionais 
se confundem. os indivíduos passam a expressar emoções nega• 
tiva.~. tais como lristezn. dcscspcr.mça, fru.~tração e eslreSSC. Nos 
próximos capítulos. uma boa pane do texto será dedicada às apli• 
caçõcs práticas e à arte de motivar a si mesmo e aos outros. 
N@@ Por que Fazen1os o que Fa=e,nos 
Perg11n1a: Por que es;;o ,nrormnçào é impot1an1e? 
Rnpc;sta. Eln no., toma aptos a realmente explicar por que as 
p.!..OO.., Cazem o que fazem. 
Ex plit'llr a moúva,;i!o - por qire lli, pei,soo,, flll<!m o que fàlem 
- ~o é algo fádl. Há uma ,n,rfode de pos,frcís teorias rno1ivado-
n.ii, ('"Ele rez is~o porque __ ~). mm. o problema é que muitos dn.~ 
lt!Orii, propo,.ta, pelo, indivíduo\ par-a explicilr por que ru. pcs~ro,. 
f:lh!m o que fazem potkin nilo .e mo,trur d<: muiw ulilidaili!. 
Quando con, en_o com as pes,;oas no dia-a-dia. oo qW11tdo na 
pl'Íml:'.ira .,enuna de aub p.;rgunto 30!. meus alunos sobte ~= teoria.,, 
moúvaeionais. oo quando leio no, jatnaL, coluM:> de aconselhJl. 
n:iento p,.ieoló!lico. as teoria., 4 ue áS pessoa.~ :ldown com inalor 
freqOl!ncia sào: 
• AUl~-Utllll 
• lncencho., 
• Recompensa., 
• Elog1os 
No Lopo dn li;,ta d4.,!>ll., rooría.~ poptlUll'C!, rui nlOll ,'l!Ç&> figura o 
"aumento da au10-estuna ... A , 1soo da nuto-e~w1111 soo como algo do 
úpo "Encorure Utna ru:tneit-.1 de a. pes.o:i,, õureru ~feitas con,ígo 
mesmas. i.! tntllo bo:is coisas eo!lli.!Ç(ltllo a acoruecer·. ''Elogie ai. 
pe,,oo,.. rcoompense-as. cu111prunente-a.,. ofereça-lho pequeno, 
pn.'l.ente,, ou troféus: dê-Ih~, alguma L-erteia de que ela, .ão impor-
lJlllte.\ e que dia., ,uai, feli2el. ,irJo.'" O problentl dhS:t estroté~ 
é que el:i ~imple;,menie esul erruda. e tl3o há qua.lqtll!r e, ídência 
emp!ricn que a sU>lente (Baume.is!J:r e1 ai .. 2003). Por exemplo. os 
p,icólogo;. educacionah rotilleir-,unente <..-O!Wa1311'1 queo awne,uo 
da auto-esú,na dos e,1udantes ni\o pro, oca aumento lle sua realí-
UIÇOO ac:itlêmica lMlltsh. 1990; Scl!cier & Krou.L, 1979: Sbaal\'Ü. 
& Hagt\.el, 1990). Um ex-pre,iden1e da Associação Americana de 
Psioolog,in ( A PA} chegou a concluir que "quase rulo há co11'1Jl1açôes 
Não Há Nada tão Prático como uma Boa Teoria 
ln1agine de que maneira você responderia a uma pergunta moti• 
vacional como: '"O que faz João estudar tanto e por Unto tempo?'· 
Para responder a isso. você precisaria começar com uma análise 
de senso comum (p. ex .. "João estuda demais porque tem uma 
altí:..~ma auto-estima.") Além disso. você poderia se lembrar de 
uma situação similar a partir da sua própria experiência. quando 
você umbém se esforçou muito. e poderia gcner.i.lizar essa expe• 
riêncla para esta situação particular (p. ~ "A última vez que 
estudei tanto assim foi porque eu tinha uma prova muito impor-
tante no dia seguinte.") Uma tcrccir.i estnttégia seria encontr.ir 
uma especialista nesse assunto e inquiri-la (p. ex .• uMinha ,,jzinha 
é uma professora experiente. de modo que vou lhe perguntar 
por que ela acha que João esuí estudando tanto.") Todos esses 
recursos são legítimos. informalivos e ajudam-nos a resolver 
questões motivacionais: porém, outro importante recurso para 
se responder a esse tipo de questão é uma boa teoria. 
Uma teoria é um conjunto de v:uiávcis (p. ex .. auto•cficáci:i, 
metas. esforço) e a.~ rclaçôe.~ que supomos existir entre elas (p. 
ex .. uma fone crença na auto-eficácia incentiva as pessoas a esta· 
beleccrem metas. e, feito isso, as metas incenlivam a promoção 
de que n amo-e.,tinu <eJll c:ipaz de produzir o que quer que seJa" 
(Selígman. citado em Azar. 1994, p. 4). , 
Obviruneiue, a au10-1.>s1Jlllll tem seu valor. E absurdodeseJar ulllll 
b:ii.u rutto-e,úui-a a BlguénL Ma,. o problen1a é que a autô-ê,lim.1 n1io 
é uma variá,-el musal lll3S s[U'l wn ef..-110 - um refie.to de coino e,lá 
no;;sn vida. ou >eJa. um barlilnetro do na.so bem-estar. Quruido nossa 
vid3 est.1 bein. a nuto-e,1Ín13 ~ e quándo est:1 oul. n nuto-estiJ.rui 
cai. Enu-euuuo. i;,.,,o é muito Llifer.iote de ili2er qll<! n nutu-e,tima 
cWJ/la melhora da nos.a ~ida. A falha lógica deM! eofilidemr a auto-
estitlu como utna f onie de moth ação :i.semclha-se ao dito popull1t Jt 
"COIOCM o carro na fi'enle IIOl, bois~. A. llUIO-bÚOU é l1lllá ex~,oo. 
não UJJl.1 cnu,a <la mou,·:iç-Jo. Ela é o carro. o.lo o, bois. 
Se a n10úv:i,;ão não provém d" uin reservatóriovísí\'el de elevada 
auto-estima. enlllo de onde elo \·em? De que ,naneira a., pessoa., 
conseguem .e sair bem em suas 1enrati\'as de esiudar mais. de come-
çarem a .e exercitar fisícameme, reverter maus hilbítos. resi,tir n 
tem.içõe,, ou dominar unpubo, e .ipeti ies. Laí, oonio uso abusivo de 
álcool ou de comida. de fulllllr.jog;u-. compr.irengredír'? Para melhor 
compreendemlO', as fonces de moei vução que iníluenciiun nosso 
componamen1od.i wn:11nancir-.icuusnl, de~víenlO> um pouco nossa 
atenção da nuro-estima para a.~ teorias qu.e aparece,n na Tabelo 1.5. 
H.ll nessa., 1e0< i~ e, íd!neíos emplri~ ~bre como nheror a ,nnneir.l 
de as pe;.soàs pen.arem. senul'l!ln e se componttrelll. Algumas de$sa., 
1eorias g,r-.101 e111 torno das nere;.sidade, do!. 1ndi, filuo.: otllJ".l!. relà-
cion:lJll.,e no culú vo de mudo;. olimi,w e nni.mado, de pensrunento 
(eogni~): 001ro> esuibelecem a., coniliçôe~ re\,po~\'eil. pe.lu., 
emoçõe.-. pchiti\'n.,: e ouu-"-, ainda referem-.e li udminls1r.1Çllo criie. 
ciosa de incentivo,, e roru;equo'!nci:li. Portanto., oll.llldo oo pro,érbio. 
recooiendàmo, ao leitor que leve a au1~tinui de volu paro seu 
lug,ar ,ecundário. deix:mdo que a p:1.tte principnl seja ocupada pela.~ 
nova., toorias da moti\'llçilo (ba.~ada,, na,, nect'S,Jdndes. nns oogni-
çõel,. n.ii, e1noçôe!, e no, incentivos do,, indivíduo,,. que explicain a 
causa de suas aurudes). 
12 Capíu1Jo Um 
Tnbela 1.5 Vln1e e Quatro Teooru. para o Esrudo da Mouvaçllo e da E,noçJo (com Suas Respectivas Referência., Bibliogr-.l!ica.) 
Teoria da Motivoção 
Moth•aç:lo por realiz.ação 
Exciiação 
Alribuiçilo 
Oi,,.-onància cognitiva 
Avaliaçito cognitiva 
Emoções diferencia,, 
lmpulso 
Dinflinica da ação 
Motivaçào e competência 
Desenvolvimenio do ego 
Expc,c1ativa x valor 
Hipótese do feedback facial 
Experiência rnáxima 
E,1abeleci1ne1110 de ,netas 
De.amparo aprendido 
Processo opone n1e 
Afeto positivo 
Psicodinânúca 
Rearância 
A u10-r~allz~"ão 
A Ulodetenninaçllo 
Aulo-êficlcia 
Busca de sen...ações 
Es= e enfren1amen10 
de grandes esforços). As teorias tnmbém fornecem uma estrutura 
conceituai para a interpretação das observações comportamen-
tais, funcionando como pontes intelectuais que unem as questões 
aos problemas motivacionais, fornecendo respostas e soluções 
satisfatórias_ Com uma teoria molivacional cn1 mente, o pesqui-
sador aborda uma questlío ou problema do seguinte m.odo: uBcm. 
segundo a teoria do estabelecimento de metas, a razão pela qual 
João estucln tanto e por tanto tempo é porque ... ~ À medida que 
voei avançar pelas páginas de cada capítulo e se familiarizar com 
cada uma das teorias motivacionais. considere sua utilidade para 
responder às questões que mais lhe interessam. 
A Tabela 15 apresenta 24 teorias motivacionais que serão 
mencionada.~ nos próximos capítulos. As teorias aqui figurnm 
por dois motivos. Em primeiro lugar. a listn apresenta a idéia 
de que o cerne de uma análisr molivacional de comportamento 
são as sua~ teorias. Em vez de um :írido e abstraio domínio de 
cientista..<;. uma boa teoria é a ferramenta mais pr".ú:ica e utilizável 
para a resolução de problema.~ com que se dcfron1am estudantes, 
professores. tr.ihalhadorcs. empregadores. gerentes. alletas, trei• 
nadores. pais, tcrnpeutas e pacientes. Pamfrn..~cando Kun Lewin. 
não há nada tão prático quanto uma boa teo.ria. que pode servi r 
como um guia útil para a resolução de um problema_ 
Em segundo lagar. a lista das teorias pode servir como um 
meio de monitorar a sua crescente familiaridade com o estudo 
contcmporl neo da rnolivaçiio. É provável que agorJ você só 
possa reconhecer algumas das teorias listadas na tabela. mas 
você vcrú sua familiaridade com elru. aumentar a cada !>emana_ E 
d:iqui a alguns meses. você se sentirá mais à vontade com todos 
os 24 nomes que aparecem na Tabela J .5. quando experimen-
Refe,inc,as paro l nformnções Adiciono is 
Elliot (1997) 
Berlyne ( 196) 
Weifler ( 1986) 
1 Iarmon-Jones e Mills C 1999) 
Deli e Ryan (1985a) 
12.ard ( 1991) 
Bolles (1975) 
Alkínoon e Bireh ( l 978) 
Haner ( 1981) 
Loevinger ( 1976) 
Vroom (1964) 
Lnird (1974) 
Csikszenm\ihalyi ( 1997) 
Locke e L.11ha,n (2002) 
Peterson. Mruere Sehgmnn (1993) 
Solomon e 1980) 
L-= (1987) 
\Vcslin ( 1998) 
\Vortman e Brehm (1975) 
Rogers (1959) 
Ryan e Deci (2000a) 
Banduro (1997) 
Zuckerruru1 (1994) 
LazaruJ. (199 1 a) 
tará a confiança de ter adquirido uma comprcensiio sofisticada 
e complel:a de motivação e emoção. L~to porque compreende-
se o que seja motivação quando se compreendem as teorias da 
motivação. 
JUNTANDO AS PEÇAS: UMA ESTRlITURA 
PARA SE ENTENDER O ESTUDO DA 
l\10TIVAÇÃO 
Uma maneira de integrar as questões permanentes. os fatos essen-
ciais e expressões da motivação está resumido na Figura 1.3. As 
condições antecedentes afetam a condição do motivo subjacente 
do indivíduo_ e os aumentos e diminuições dc.~sa condição do 
motivo criam uma sensação de "'querer", que se expressa por 
meio do comportumenlo ativo e direcionado para a meta. bem 
como por meio da fisiologia e do auto-relato. 
Tome cm COIL~idcração uns poucos cllcmplos ilustrJtivos. 
Algumas horas de privação de alimento v:ondição antecedente) 
provocam uma subseqüente queda no nÍ\•el ele glicose no plasma 
{alteração da necessidade fisiológica). que na consciência será 
representada como uma scnsaçiio de fome e um sentido de querer 
comer. sensações cs.~as que energizam e direcionan1 o comporta• 
mcnto prestes a aparecer, o fisiologia e o auto-relato. Da mesma 
mnncira.receber um elogio por um trabalho bem-feito {condição 
antecedente) fol1alccc uma pcrrcpção de competência que esLi -
mula um sentido de querer melhorar. que inten.sifica o compor• 
lamento de persistência, acalma a fLsiologia e inspira auto-
relatos como .. Isso é bom". Assim também. uma ameaça pessoal 
En"'8i:mçllo e Dil'f!Cfonanrt>nto: 
• Compot'QJTICfllO 
Condiçõc:s - U11,oênda - Sentido de ' Antt"CC'dcntcs ' do MoU\'D - 'Quatt" . 
• Fislotogb 
/ ·• ~ 
Ntt=ld:uks C..ognl\'ÕCS ~ 
Figuro 1.3 Esquetna para se Compreender o Estudo da Motivaçllo 
(condição antecedente) pode fazer surgir o medo (emoção) e 
daí uma sensação de querer fugir e de proteger a si mesmo. um 
sentido que prenuncia o comportamento da pessoa (fazendo-a 
correr), a fisiologia (aumentando seu batimento cardfuco) e o 
auto-reluto (preocupação. nervosismo). 
O resumo apresentado (Figura 1.3) ilustra o modo como os 
psicólogos moLivaeioruús respondem a essas questões pcrma• 
nentes. Ou seja, o modelo identifica as condições em que os 
motivos aumcntrun c diminuem de intensidade (à medida que 
são influenciados pelas condições antecedentes), iluslra o objeto 
do estudo da motivação (necessidades. cognições. emoções) e 
mostra de que maneira as mudanças na motivação se manifestam 
(comportamento. fisiologia, auto-relato). A maneira como todos 
esses processos trabalham juntos para explicar um fenômeno 
motivacional específico é o dever de uma teoria. Por exemplo, 
o propósito essencial de cada uma das teorias listadas na Tabela 
1.5 é explicar como o modelo mostrado na Figura J .3 funciona 
cm relação a um motivo particular (p. ex .. realização, excitação. 
atribuição). 
RESUMO 
A jornndn para se compreender a motivação e a emoç-J.o começa pela 
pennanent.e pergunt:i "0 que cousa o comportamento'!' Essa pergunlJI 
geral coovida-nos a fazer indagações que constirue,n os problernas 
essenciais a Sc."retn re..;olvidos pelos estudo,. motivaciona.is: o que dá 
,nfcio ao componamento? O que ,nruttém o con1portanll!llto ao longo 
do tempo? Por que o compottamen10 se orienlJI em direção o deter• 
,ninados íln.~ enquanto se afasta de outros? Por que o comportamento 
1nuda de direção? Por que o comportamento cesso? Quais são a.~ forças 
que detenrunam a intensidade do componamenio? Por que. em de1er-
1ninado momento. uma pessoa tem um tipo de comportamento e,n uma 
determinada s,ruação. ao passo que. em OUll'O momento, ela se compona 
de ni:meira diferente? Quai• são as diferença., motivacionais entre o;, 
indivíduos e de que ,nodo surgem essas d,ferença.fl 
O objeto de e,wdo da moti voçào preocupa-se com os processos que 
energium e direcionam o compona.menm. Os quatro processos capazes 
• AUlo,Rcl.110 
de dar força e propósito ao comportamento - ou seja. sua ene:rgio e 
direçl!o - ,.;1o ru. neee,.,idade,,. ru. Cllgniçôe,. ru. emoçôe, e eventos 
e:nemos. A., nece,..icwdes são as condições inú!rnas ao indivíduo que 
,.;1o e;,senei:tis e neces.driàs para ã munutençílo da vida e p:;ro o ere,ci. 
mento e o be1n-e,tar. A!. cognlções sllo o, el'ento, mentai--. tai, como 
as crença.,. ru. expc!etath a.~ e o autoconceito, que repre...enUIJll maneira, 
permanentes de pens:ir. A~ etnoções "110 fenõmenos;.ubjetivos, fisioló-
gico,. func:ionrus. expressivos e de vida curto que organi2am os senti-
nleiaos. a fisiologia. o propó,ito e a expressão. fazendo oom que o 
iJldiv!duo l'espooda oouentemente 11:.. condições :unbienrais. tab. como 
uma ameaça. Os eventos externos são os incentivos wnbientais que 
e,ies-gizam e direcio,1aiu o comportrunento para aqueles eventos que 
assinalam conseqOências ~itiva., e o afa,llll:n daqueles que assinalam 
conseqoências a,ersiviL'>. 
Tanto por meio de Sll(I presença quanto por sua intensidllde. a moti• 
vaçJo pode se expressar de ttês m1111eiras: pelo c01nportamento. pela 
li.siologia e pe lo :iuto-relato. Os sete aspectos do con1portwnento moti-
v:tdo incluem o esforço. a l:.ttência. a per&iscênetn. a escolha. a proba-
bilidade de re,;posta. a.~ expre.<iSões faciais e os sinais corporaL~. Os 
e;1ndos psicof1.~iológioo, expres.-.am a atividade dos .sistenllb nervo,o 
cenirol e hormonal. fornecendo dados que nos permitam inferir sobre 
as bases biológica., da motlvaçflo e da einoção. A.~ avallaçõe.~ dos auto-
relatos men.,uram o, e~tados nlOlivacionais por meio deentrevb!Jl., ou 
de questionirios. Todas essa.~ três expressões podem ser útei, p:;r:t se 
inferir 11 motivaç-lo. ma,. os pesquisrulores baseirun-se mab o:i. medidas 
compo<UUlentãls e fisiológica;.. e ltlCJlOS no;, auto-relatos.. 
O estudo da motivaç-lo inclui oito temns. que slio os ,eguintes: {I) 
a moti\'aç-lo benef,cia a ndapiaç-Jo: (2) os motivos afetatn o compor-
làinento. direcionando a atenç-.Jo: (3) a inlen.\idade da mollvoçúo ,,:iria 
com o 1e1npo e inllueocin o fluxo do componameruo: (4) e~istem dffe. 
rente, tipos de rnotivaçoo: (5) a moti\'açllo inclui 1ru1to as tendêJJC:Ías 
de: aproximação quanto a;, de afasta[llenlO; (6) os estudos tnociv:lcio-
na.is revelarn o <jUe as~ de:sej:un: (7) para llore.cer. a rnoti"aç-Jo 
neces,ilu de condições favoráveis e (S) uão b1'i nada !Ao prático quanto 
unia boa teoria. Esses princípios são intportantes porque fornecem uma 
perspectiva geral que unifica os diversos pressuposcos, hipó<e.~s. pers-
pectivas. tllorias. achados e aplicações dos c:,çtudos moti,-aciona.is em um 
campo de estudo prático. imeressruue e coerente. A FigW'll 1.3 apresenta 
uma est.rutw-a gemi p:;ro a oornpreeMJo do fenômeno motivacional. que 
será u-a1J1da nos próxitnos c:ipírulos. 
Capítulo 2 
A Motivação Segundo as Perspectivas Histórica 
e Contemporânea 
, 
AS OR1GENS FILOSOFICAS DOS CONCEI I OS 
MOTIV ACIONA IS 
A VONTADE: A PRJMElRA GRANDE TEORIA 
INSTINTO: A SEGUNDA GRANDE TEOR1A 
IMPULSO: A TERCEIRA GR.Al'lDE TEORIA 
A Teoria do Impulso de F.-eud 
A Teoria do lmpul~o Segundo Hull 
O Declf n,o da T eotia do I mpul~o 
Os Anos Posteriores ~ Teoria do !Jnpulso 
T alvcz você já tenha vi.~to o filme De Vo/UJ para o Fttturo. estre• 
Indo por Michael J. Fox. O protagonista dessa história pilota um 
c-arro que funciona como UJllll máquina do tempo capaz de u-am,. 
portar se1L~ p;IS.'i3gciros de volta à década ele 1950. Se pegássemos 
uma carona nesse carro. poderínmosdcixarMichacl J. Foxaodaodo 
de skate nas ruas de sua c idade e vivendo sua aventura. enquanto 
visitaríamos uma universidade local para ver como eram os cursos 
sobre motivação dados no ensino superior daquela época. 
Além das meias soquete e do.~ cortes de cabelo engraçados 
das estudantes. o que aos ch::unaria a atenção cm 11m curso 
11niversitário sobre esse assllnlO seria a falia de um livro-te:xto. 
O primeiro livro-texto sobre motivação veio surgir npeallS cm 
l 9ó4(Cofcr & Appley. 1964). Outro item o nos chamar a atenção 
seria a ementa da disciplina. A folha mimeografada da ementa 
mencionaria tópico.~ como a teoria do impulso, o incentivo e o 
n:forço. impulsos adquiridos. conflito e emoção. Mas. por mais 
que procurnssc1nos na cmenla., não encontraríamos nada de real-
mente interessante sobre como aplicar a motivação- não haveria 
nada sobre motivação na.,; escolas. na psicologia c.~portiva. no 
LrJbalho. no tratamento da obesidade e na aplicação de dietas, 
nas crenças de controle pessoal, e assim por diante. Eatre1aa10, o 
curso provavelmente incluiria conceitos psicanalíticos e de auto-
nttmlização - com llrnll semana de estudos dcdic-Jd:i a Freud e 
outra a Maslow. Também haveria uma scrnuna dedicada a ativi• 
dades de laboratório. Cnda altlao ficaril! com llm rJlO. no q ua1 
c.studaria efeitos de manip11lações. como. por exemplo, a influ• 
ência que um período de 24 horas de privação de alimento excr• 
O SURGl1'1ENTO DAS MINITEOR.lAS 
A Natureza Ativa dtJ P~,oa 
A Revolução Cogni1iva 
A i><.'!>qui;;a Aplicada e de Relevância Social 
A ERA CONTEMPORÂNEA DAS Mli'llTEORlAS 
O Reoorno do., Estudos da Moúvação nos anos 1990 
CONCLUSÃO 
RESUJ\10 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIONAIS 
cerin sobre a velocidade da cobaia ao correrparJ uma caixa cheia 
de sementes de girassol. E. após entrar novamente na máquina do 
tempo de De Lorean e retornar ao presente, você provavelmente 
concordaria cm que o estudo da motivação mudou e se aperfei-
çoou mais ainda do que os cortes de cabelo e a moela. 
AS ORIGENS FILOSÓFICAS DOS 
CONCEITOS MOTIV ACIONAIS 
E se nossa 1ccnología de ficção científica fizesse você voltar 100 
anos no tempo, você simplcsmcnlc não encontraria nenhum curso 
de motivação. uma vez que esses cursos (e também o próprio 
campo da motivação) têm uma história recente - de menos de 
um século. 
As r.tízcs do estudo da motivação devem suas origens aos 
antigos gregos - Sócrnle..,;, Platão e Aristóteles. Platão (que foi 
discípulo de Sócrnles) propôs que a motivação surgia de uma 
alma (ou mente, ou psique) disposta segllndo uma hierarquia 
tripartida. 'o nível mais primitivo. encontrava-se o aspecto do 
apetite da alma.. que contribuía para os apetites corporai.~ e os 
desejos. tais como a fome c o SCJ(O. 'o segundo nível, situava• 
se o aspecto competiLivo, que contribuía para os padrões social-
mente referenciados. como a sensação de honrJ e de vergonha. 
No nível mais elevado eslava o aspecto calculista. que contribuía 
para llS capacidades de tomada de decisão. tais como a razão e 
a escolha. Paro Platào. esses três aspectos diferentes da :i.lma 
motivavam diferentes domínios de comportamento. Além disso. 
cada aspecto superior tinha a capacidade de regular os motivos 
dos aspectos inferiores (p. ex .. a r-.u:ão poderia controlar o apetite 
corporal). É interessante notar que a descrição que Platiío fez da 
motivação antecipou bastante bem a psicodinâmica de Sigmund 
Freud (p. ex.. vcjn o Livro IX de Plllliío, pp. 280-281 ): de rnancim 
simplificada. o aspecto apetitivo de Platão corresponde ao id de 
Freud, o ~-pccto competitivo. ao superego. e o aspecto calculista. 
ao ego (Erdclyi. 1985). 
Aristóteles endossou a idéia da alma tripartida e hierarquica-
mente organizada de Platão (apctitiv:i._ competitiv:i e calculista). 
embora preferisse utilizar uma tenninologia diferente (nutritiva. 
~nsível e racional). O aspecto nutritivo era o mais impulsivo. 
irracional e animalesco. que contribuía para n.~ ncccssid:idcs 
corporais urgentes relacionadas à manutenção da vida. O aspecto 
sensível tnm.bém se relacionava com o corpo. mas regulava o 
prazer e a dor. Já o componente racional da alma era único aos 
seres humanru.. uma vez que .'>e relacionava com as idéias e o 
intelecto. caracterizando a vontade. A vontade funcionava como 
o aivcl mais elevado da alma. que se valia da intenção. du escolha 
e do que é divino e imonaL 
Séculos depois,, a ps:ique tripartida dos gregos reduziu -se a um 
dualliimo - as paixões do corpo e a rnz.'io da mente. Essa alma 
de duas partes ooascrvou a natureza hierárq1üca dos gregos, já 
que fazia a distinção principal entre o que cr-.i físico, irracional. 
impulsivo e biológico (o corpo) e o que era imlltcrial.. raeionaL 
inteligente e espiritual (a mente). O fmpcio por trás dessa rein• 
terpretação deveu-se prinei palmente ao compromisso intelectual 
da época com as dicotomias motivacionai~. wis como paixão 
contra razão. o bem contra o mate natureza animal contra alma 
humana. Por exemplo, Tomás de Aquino sugeriu que o corpo 
fornecia os impulsos motivacionais irracionais e baseados no 
pr-.izer. ao passo que a mente era a responsável pelas motivações 
racionais e baseadas na vontade. 
Na era pós-renascentista. o filósofo francês René Descartes 
prestou uma nova contribuição a esse dualismo entre mente e 
corpo, fazendo uma distinção entre os aspectos pas.<;ivo e ativo 
da motivação. O corpo era um agente mecânico, semelhante a 
uma máquina, e molivneionalmcntc passivo. enquanto a vontade 
era um agente imaterial. espiritual e motivacionalmentc ali vo. 
Como uma entidade física. o corpo possuía necessidades de 
nutrição e respondia ao ambiente de maneira mecànica, através 
de seus sentidos. seus reílcxos e sua fisiologia. Por outro lado, 
a mente era uma entidade pensante e espiritual possuidora de 
uma vontade dorada de um propósito. A mente controlaria o 
corpo; o espírito governaria os desejos corporais. Essa distinção 
er-.i muito importante. uma vez que ditou as regras para o estudo 
da motivação durante os 300 anos seguintes: o que era preciso 
para compreender os motivos passivos e reativos era uma análise 
mecânica do corpo (p. ex •. o estudo da fisiologia); e o que era 
preciso para entender os motivos ali vos e intencionais era uma 
análise intelectual da vontade (p. ex., o estudo da filosofia). 
A VO T ADE: A PRIMEIRA GRANDE 
TEORIA 
Para Descartes, a principal força moti vacional era a vontade. 
Descartes pensava que. se houvesse condições de entender a 
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 15 
vontade. seria possível compreender u motivação. Segundo ele, a 
vontade inicia e direciona a ação: cabe a ela decidir se e quando 
agir. Já as necessidades oorpor.tis. as paixões. os prazeres e as 
dores criam impulsos à ação. mas esses impulsos só excitam a 
vonrn.de. A vontade é uma faculdade (ou poder) que a mente. 
agindo no interesse da virtude e da salvação e exercendo seu 
poder de escolha. tem par-.1 controlar os apetites corpor-ais e 
as paixões. Ao atribuir os poderes exclusivos da motivação 
à vontade. Descartes proporcionou à n1otivação sua primeira 
grande teoria. 
A expressão ··grande teoria" será utilizada aqui e ao longo de 
todo e!>te capítulo com o propósito de conotar uma teoria que 
tudo engloba, ou seja. um modelo geral que procurJ explicar 
todo o e.çpcctro da ação motivada - por que nos alimentamos. 
bebemos. trabalhamos. competimos, tememos certas coisas. 
lemos. nos upci.xonamos, e assim por diante. A afirmativa de 
que •·a vontade motiva todas as ações" é uma grande teoria da 
motivação. du mesma maneira que "o amor ao dinheiro é a raiz de 
todos os males" é uma grande teoria do mal. Ambas identificam 
uma causa única. que tudo abrange e que explica plenamente um 
fenômeno (toda a motivação, todos os males). 
A esperança de Descartes erJ que. uma vez entendida a 
vontade, inevitavelmente também se compreenderia a motivação. 
Ponanto. u compreensão da motivação reduziu-se e tomou-se 
sinônimo de compreensão da vontade. E cm decorrência disso. 
os filósofos empenharam enorme energia no esforço de compre• 
ender a vontade. Fizeram-se alguns progres.'iO<i, Lnis como II iden-
tificação dos n.tos de vontade como sendo escolha.~ (ou seja. a 
decisão sobre se se deve agir ou não: Rnnd. 1964). esforços 
(ou seja. a criação de impulsos para n.gir; Ruckmick. 1936) e 
resistências (ou seja, a abnegação ou a resisiênciu à 1cn1açào). 
Entretanto, no fim de tudo isso. dois séculos de análises filosó-
ficas produziram resull:idos dcsapontadores. A vontade mostrou-
se uma faculdade mental malcomprecndida, que de alguma 
maneira surgia de um amoruoado de capacidades inatas. sensa-
ções ambientai~, experiências de vida e reflexões sobre si própria 
e sua., idéias. Além disso, urna vez surgida a vontade, de alguma 
maneira ela se contcmpl:iva de intcnQâcs e propósitos. E também 
se constatava que algumas pessoas demonstravam Ler maior força 
de vontade do que outras. 
Para resumir essa longa história, os filósofos constataram que 
a vontade é algo tão misterioso e dificil de explicar quanto a 
motivação que supostamente ela gcru. Esses pensadores nada 
descobriram da natureza da vontade. nem das leis pelas quais 
ela operava. Essencialmente, foi como se os filósofos estivessem 
fabricando mais obstlÍculos par-.i si próprios, multiplicando o 
problema que eles estavam tentando resolver. Ao utilizar a 
vontade. eles agora tinham que expli~r não só a motivação, 
mas também o agente n1otivador - ou seja. a vontade. Como 
se pode ver. o problema s.implesmenle duplicou. Por essa razão. 
os pesquisadores envolvidos com a nova ciência da P."icologia, 
que surgiu nos anos 1870 (Schultz. 1987). viram-se cm bu.~ca deum princípio motivacional menos n1istcrioso. E de fato cncon• 
traram um. não dentro da filosofia. mas dentro da fisiologia - o 
instinto. 
Porém. antes de deixarmos a discussão histórica da vontade. 
consideremos que os psic61ogos eontcmporJneos reconhecem 
16 Capíu1Jo Dois 
que a mente (a vontade) com efeito pensa. planeja e forma intcn• 
çõcs que precedem a ação. Mas. se não é a vonLade que está 
produzindo o pensamento e o planejamento. de onde então esses 
dois provêm? Em outras palavras. como as pessoas resistem à 
tenlllçiio (Mischcl, 1996), mantfm seu esforço (Lockc & KrL~tof. 
1996), exercitam o autocontrole (Miscllcl & Mischcl. 1983). 
controlam i,eu pcn.~amento (Wegner. 1994), formam inten• 
çõcs de agir (Golhvitzer. 1993) e concentr.im sua atenção na 
tarefa que têm à mão {Rand. 1964)? Considere duas explica-
ções. Primeiro, observe como as crianç:1..~ conseguem eonccn-
trar a força de vontade de que necessitam para retardar a grati• 
ficação e resistir a uma tentação (Mischel. Sboda & Rodriguez. 
1989: Pallerson & Mischel, 1976). Em um experimento, uma 
criança da pré-escola está sozinha sentada a uma mesa sobre a 
qual há um doce tcntndor. O pesquisador propõe então à criança 
uma escolha - um doce agora ou d ois doces se ela conseguir 
esperar 20 minlltOl>. Em vez de invocarem a força de vontade (ou 
seja. a abnegação, a determinação severa de algo). os pesquisa• 
dores constalllram que o meio pelo qual as crianças conseguiram 
resistir à tcnt:içiio e retardaram sua gratiJic:içiio foi convertendo a 
ci,-per.i frustrante em algo mais lolerável e divertido (p. ex., brin• 
cando com um jogo, cantando ou mei,,no rir.indo um cochilo). 
As crianças que usarnm css:J..~ estratégias resistiram à tentação. 
enquanto as que não usaram cais estratégias agiram impulsiva-
mente (comeram logo o doce que estava disponível). Em outro 
exemplo, wiiversitários fizeram um teste. enquanto pesquisadores 
tentavam predizer quão b.!m ou mal elei. se sairiam (Locke & 
Kristof, 1996). Os pc~uisadorcs registrn.ram o objetivo de c:ida 
estudante (a nota que pretendiam tirar) e os métodos de estudo. 
Os estudantes que tinham planos claros e métodos eficazes de 
estudo tivcr.im bom desempenho. enquanto os estudantes que 
não tinham objetivos e possuíam métodos de estudo superficiais 
tiveram mau desempenho. Portanto. objetivos e estratégias. e não 
a força de vontade pessoal. produziram um desempenho eficaz. 
Logo, no estudo contemporâneo da motivação. os pesquisadores 
deixaram de lado os modelos gerais da motivação como "força de 
vontade", especificando. em vez disso, os processos psicológicos 
que eles podem mais rapidamente relacionar ao comportamento 
das pcs.soas. Ou seja, os pesquisadores estudam os processo.~ 
mentais mensuráveis, lJlis como planos, metas e estratégias. 
cm vez dessa coisa misteriosa chamada vontade (Golhvitzcr & 
Bargh, 1996). 
INSTINTO: A SEGUNDA GRANDE TEORIA 
O determinismo biológíco de Charles Darwin exerceu dois 
principais efeitos no pensamento científico. Em primeiro lugar, 
forneceu à biologia sua mais importante idéia (a evolução). E, 
ao fazê-lo. o determinismo biológico fez com que os cientistas 
se afasta.<;scm dos conceitos motivaciooais mentalísticos (p. ex .. 
a vontade). passando a se aproximar dos conceitos mecanicistas 
e genétic~. Em segundo. o determinismo biológico de Darwin 
acabou com o dualismo homem-animal que dominava os estudos 
motivacionais anteriores. Em vez disso. ele introduziu questões 
tais como a maneira como os animail> lllilizam seu_~ recursos (ou 
seja. a motivação) para se adaptnr às dcmand:J..~ mais importantes 
de um dado ambiente. Para O<'l filósofos anteriores, a vontade 
era um poder mental exclusivamente humano. e a quebra da 
d&tinção entre motivação humana e motivação animal foi ainda 
mais uma razão para que a vontade deixasse de constituir uma 
grande explicação do comportamento motivado. 
Para Darwin, muito do comportamento animal parecia ser 
algo não-aprendido. automatizado e mec.anicista (Daf'vin. 1859. 
1872). Com ou sem experiência. os anúnais se adaptam a seu.s 
ambientes principais: os pássaros con.çtroem ninhos, as galinhas 
chocam seus ovos. os cães caçam coelhos. e os coelhos fogem 
dos cães. Para explicar e.'ISe comportamento adaptativo aparen-
temente predeterminado. Darwin propôs o ins1into. 
O feito de Darwin foi que seu conceito motivacional Linha 
condições de explicar o que a vontade dos filósofos não consc• 
guia - ou seja. de onde a força motivaciooal provém em 
primeiro lugar. Os instintos surgem de uma subsl.ância física. 
de uma dotação genética. Os instintos são fisicamente reais: eles 
e.ústem nos genes. Os animais têm dentro de si uma substância 
material que os faz. agir segundo uma maneira específica. Com 
isso. o estudo da motivação deixou o campo da filosofia e entrou 
no campo da.~ ciências naturais. 
Dada a presença do estímulo apropriado. os instintos 
expressam-se por meio de rcílcxos corporais herdados - o 
pássaro constrói o ninho. n galinha choca os ovo.ç e o ca.c.horro 
caça. tudo isso porque cada um deles tem um impulso genc-
Licruncntc dotado e biologicamente exciLado para f:izcr isso. 
Essencialmente, os pensadores motivacionnis do século XIX 
retiraram a porção inanimada do dualismo filosófico ( ou seja. 
a alma racional) e manlivcr.im o que restou - os únpctos, os 
impulsos e os apetites biológicos. 
O primeiro psicólogo a popularizar a teoria instintiva da moti-
vação foi \Villiam James { 1890). James baseou-se bastante no 
clima intelectual criado por Darwin e seu.s contemporâneo.~ parJ 
alribllir aos seres humanos :i dotnção de um grande número de 
instintos rISicos (p. ex .. o ato de sugar. a loco1noção) e mentais 
(p. ex .. a imitação. o brincar, t1 sociabilidade). Tudo o que era 
preciso para tr.iduzir os instintos cm um oomponamcnto dire-
cionado para uma meta (ou seja. motivado) era a presença de 
um csLímulo apropriado. Os gatos caçam r.llOS, fogem de cães e 
evitam o fogo simplesmente porque biologicamente eles devem 
fazer isso (ou seja. porque um rato traz ao gato o instinto de 
caça. o cão lhe traz o instinto de fuga. e as chamas lhe trazem 
o instinto de proteç.ão). Ou seja. a visão de um rato (ou de um 
cachorro. ou da.,;; chamas) ativa no gato um oonjunto complexo 
de reílexos herdados que gera impulsos par.i ações específicas 
(p. e,c .. caçar. correr). Por meio do instinto. os animais herdam 
uma natureza dotada de impulsos para agir e os rcílexos ncces• 
sários para produzir essa ação i ntenciona.l. 
A afeição, ou mesmo compromisso dos psicólogos por c.o;..,;a 
grande teoria da n1oúvaçào cresceu r.ipidamente. Un1a gerJção 
depois de James, \Vi.Iliam McDougall ( 1908. 1926) propôs uma 
teoria do instinto que incluía os instintos de exploração, de lata. 
de proteção materna das crias. e a.\sim por diante. McDougall 
considcr.iva os instintos como sendo forças molivacion:ús 
irracionais e impulsivas. que orientavam a pessoa em direção 
' a uma determinada meta. E o instinto que " f:iz seu possuidor 
perceber e atentar para os objclos de uma certa classe, expe-
rimentar uma excitação emocional de uma determinada qunli-
< 
dade ao perceber esse objeto. e agir em relação ao objeto de 
modo particular. ou, pelo menos. experimentar um impulso para 
essa ação"' (McDougall, 1908, p. 30). Portanto, os instintos (e 
as emoções a eles associadas) explicavam o atributo do dire-
cioruuncnto para uma meta, algo tão facilmente pc.rccptívcl no 
comportamento humano. Em muitos aspectos. a doutrina instin-
tiva de McDougall foi paralela às idéias de James. Entretanto. 
a g, ande diferença entre as duas cm o fato de que a doutrina de 
McDougall sustentava de maneira um tanto extrema que. sem os 
instintos, os seres humanos scri:un incapazes de inieiarqualqucr 
ação. Sem esses "motores primários", os seres humanos seriam 
como massa~ inertes. corpos sem quaisquer impulsos para a ação. 
Em outras palavra~. toda a motivação humana deve sua origem 
a um conjuntode instintos geneticamente dotados (ou seja. uma 
grande teoria da motivação). 
Após os pesquil,;ldores terem adotado o in..~tinto como uma 
gr.inde teoria da motivação. a tarefa seguinte foi identificar 
quantos instintos os seres humanos possuem. Porém. a partir 
desse ponto. o processo rapidamente saiu de controle. A doulrina 
do instinto tomou-se irremediavelmente especulativa, à medida 
que diferentes listas de instintos foram aumentando até fornecer 
6.000 tipos diferentes ( Bernard. 1924: Dunlap. 1919). Na pr:ítica 
de compilar as listas de instintos, reinava a promiscuidade inte-
lectual: .. se o indivíduo sai com seus companheiros. então está 
sendo ativado pelo 'instinto de m:madn': se sai sozinho, o que 
está em ação é o 'instinto anti -social': se fica girando os pole-
gares. é o 'instinto de girar O!> polegares': e se não giraº" pole-
gares, é o 'instinto de não girar os polcg:u-cs'" (Holt. 1931 , p. 
428). O problema aqui é a tendência a confundir a nomeação com 
a explicação (p. ex .. dizer que as pessoas são agressivas porque 
elas têm o instinto de serem agressivas). Confundir nomeação e 
explicação é algo que nada acrescenta ao e.atendimento da moti-
·ação c da emoção. 
Além disso. constatou-se que a lógica s ubjacente à teoria 
instintiva era c.ircuJar ( Kuo, 1921; Tolman, 1923). Considere a 
ex.plicaç:io de como o instinto de lutn motiva os atos de agressão. 
A única evidência de que as pessoas possuem o instinto de luta 
é o falo de elas às vezes se comportarem agressivamente. Para 
o teórico. esse é o pior tipo de circularidade: a causa c.~plica o 
comportamento (instinto .... comportamento), porém o con1por-
tamcnto é a evidência de sua própria causa {comportamento-> 
instinto). O que está faltando aqu_i é um modo independente 
de determinar se o instinto rcaJmcnte existe. Un1a maneira de 
detern1inar isso é criar dois animais muito semelhantes (p. ex .. 
animais dot:idos de instintos similares) de modo a oferecer-lhes 
diferentes experiências de vida, para e ntão esperar até que esses 
animais atinjam a fosc adulta, e verificar se seus comportamentos 
.são c.o;scnciaJmentc ~ mesmos. Se os instinios dirigem o compor• 
lamento. então dois animais geneticamente equivalentes devem 
se comportar essencialmente da m=:i maneira. a despeito 
da.~ diferenças entre suas experiências e s uas circunstâncias de 
\'ida Quandoº" pesquisadores realizaram experimentos desse 
tipo sobre o instinto maternal cm r.itos (Bin:b, 1956) e sobre o 
instinto de utilização das mãos (destros ou canhotos) cm seres 
humanos (\Vt11.,;oo. 192-'), os r.uos e os humanos comportarnm-
sc de modos que rcíletiam suas diferentes experiências (cm vez 
de seus instintos similares). 
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 17 
O conceito de instinto surgiu para preencher a lacuna do que 
é a motivaç5o. e de onde ela provém (Beaeh, 1955). O romance 
da psicologia com a teoria instintiva começou com uma aceitação 
calorosa. mas acabou com uma negação categórica. 1 Da mesma 
maneiro que antcriom,cnte abandonou a vontade, :i psicologia 
também abandonou o instinto. e viu-se então cm busca de um 
conceito molivacional subslitutoque explicasse a natureza inten-
cional do comportamento. 
IMPULSO: A TERCEIRA GRANDE TEORIA 
O conceito motivacional que surgiu para substituir o iru.tiruo foi 
o impulso (introduzido por Woodworth, 1918). O impulso surge 
da biologia funcional. segundo a qual a função do comporta• 
' me.alo está a serviço das necessidades corporJ.is_ A medida que 
ocorrem os desequilíbrios biológicos (p. ex., falta de alimento ou 
de água), os animais experimentam esses déficits de neces.sidade 
biológica psicologicamente como ''impulso". Portanto. o impulso 
motiva qualquer comportamento que sirva às necessidades do 
corpo (p. ex.. eon1er, beber. aproximar-se). As duas teorias do 
impulso mais amplamente aceitas forJm propostas por Sigmund 
Freud (1915) e Clark Hu_ll ( 1943). 
A Teoria do Impulso de Freud 
Freud. que estudou fisiologia. acreditav-.1 que todo comportamento 
é motivado. e que o propósito do comportamento seria servir à 
satisfação de necess idades. Sua visão do sistema nervoso cm de 
que as exigências biológicas (p. ex., a fome) serian, constante e 
inevitavelmente condições recorrentes que produziriam acúmulos 
energéticos dentro de u n, sistema nervoso que funcionaria cn1 tomo 
de uma tendência herdada de manter um nível baixo e constante 
de energia (Freud. 1915). Ao mesmo tempo que tcnta,·a mantr ) 
baixo e constante o nível de energia. o si~tema nervoso seria pcrpc 
tuamenle :tfastado desseobjeúvo pela emergência e recmcrgênci11 
das exigências biol6gic.as. Cada acúmulo de energia pcnurbaria 
a estabilidade do sistema nervoso e produziria um desconforto 
1 A psicologia cootcmpomru:a rüo m.:us utdizn o insumo paro c-xplic.ar a com• 
plcxidadc do c:omponmncnlo bum11110. Nilo obstanlc. a propo.<íçilo de que os 
nn1nuis nlo,.hum3JllJS aprcseru:tm poo.rõc..~ de compontuncnto coruwcntcs. niio-
aptondidos e csu:ttolíptcm é u11111 obscrvaçao mcg.ã,-.1. As. abclh:is con,u-ocm 
ci'lulas hcx,gnmns_ as mJ1Chos do cspna•11oto al>Cwn os poxcs do cotomç-:ia 
,crmclha. e o,~....,,,. consuocm mnoo.- O• psicólogos roatcmporinc:os (mu 
c.<p:.-llllmcnlC os ctolo~<las) admii, m que cs.<es atos cstcJ'COUpado< podem ser 
ambufdo:, = fnsuntos OO<lanmwL Como J1UJ1CScscrc,-cu bâ mau de wt1séallo: 
-o Cato de que os insumos L ... J c.,.-lCm cm umu coorme escala no remo anunal 
f a lgo que nllo =s.<Jla de qualquer comprova.Jo- (181JO. p. 383}. Ao lllill= 
o Lermo "lnsunr.o-, os etologtSla.s (Eibl-1:lbesfeld~ 1989; Lorenz, 1965; Molu. 
J 965) fol2m agora dc csll'utlJmS ncuroruu. b=ladas quc nJo •ão modifit'lllbs 
pdo ambt<!flte durante o desenvol,1mcnto do ser \<i-Yo_ Ewu cstrutcnu neuronais 
hcrcL\das geram. não padrões gcrru.< dc componamrnro. ma,, ,,m frações paru· 
cul3= de compon;tmentD< <.i111J>C1omlmcn1c cspcdficos. rt'fercntcs • -plldrocs 
fixos dr oçfu>º'. A mudanç,I de foco do insuato dt, causa do compomancmo com• 
plexo para 1::111,sa d3S fn,ç&:s de c,omponamcnto (padri:1es fixo. de ação) mosuou 
ser um comprmnbSo tcónm confonávc.L POI" outro Lu:lo. mesmo sendo tcorie3 .. 
mente vnntajo.o. esse romprom15so nitidamente e,idcnciou o dcclimo de m:ii• 
uma gruade tcona. U= cxpllc3ção que se ,·ale de fraç&:s de romportanrnto 
ou fniçõcs de motn-ação simplesmente mo é t<~pu de c,piic.,r plen:Lmcntc nem 
o compon.uncnto nem • moll\'açlio. 
18 Capíu1Jo Dois 
psicológico (ou seja. ansiedade). Se o acúmulo de energia crcs• 
cesse excessivamente. poderia mesmo ameaçar a saúde física e 
psicológica. Portnnto. o impulso surgia como um tipo de sinaJ de 
emergência para que se Loma.sse algwna providência. O comporta• 
mcnLO continuaria até que o impulso ou a exigência que o motivou 
fossem satisfeitos. Em outras palavras. o comport:unento scrária 
às necessidades corpor.ús, e a ansiedade (impulso) aluaria como 
um tipo de intermediário para assegur.ir que o componamcnto 
ocorrcs...c no tempo certo e conforme o necessário. 
Uma maneira de entender a visão freudiana da energia do 
si.~Lemn nervoso (ou seja. a llõido) é por meio da analogia com 
um sistema hidráulico no qual n energia (cm forma de um fluxo 
de água consLantc) aumenta continuamente. À medida que os 
impul~os corporais conúnuam a acumular energia. a exigência 
ans iosn de descarregar essa energia vai se tomando cada vez maís 
imperima e eficaz (caso contr.irio. a água ir:í tr.insbordar). Quanto 
mais alia for a energia psíquica, maior será o impulso para agir. 
O comportamento adaptativo acalma temporariamente o impulso. 
ma~ o constante acúmulo da energia do sistema nervoso sempre 
rctornu (ou seja a afluência de água no sistema nunca termina). 
Freud (19 15) resumiu sua teoria do impulso como tendo 
quatro componentes: fonte. ímpeto. propósito e objeto. A fonte 
d o impulso é um déficit corporal (p. ex .. a falta de alimento). O 
impulso é dotado de um ímpeto (força) que tem o propósito da 
satisfação.a qual é a remoção (por meio da satisfação) do déficit 
corporal ~ubjacenlc. Pnr.i alcançar esse propósito. o indivíduo 
experimenta a ansiedade cm um nível psicológico. e é essa ansie-
dade que motiva a busca comportamental por um objeto capaz 
de remover o déficit corpor.il. A sati.\fação do déficit corpor.il 
acalma o impulso/ansiedade. Após essa introdução, pode-se 
representar a teoria freudiana do impulso da seguinte maneira: 
1-·onle do Ím peto do Objetivo do Propósl to do 
Impulso - Impulso ... Impulso - Impulso -
Déficit 1111.in,idade do Objeto runbiental Sntisfaç.'lo pela 
Corpornl desconforto cap:12 de sati;f::izer remoç11odo 
p;ioológico o déficit oorpornl déficit corporal 
(nn,,iecbde) 
A despeito de sua criatividade, a teoria cio impulso de Freud 
se ressentiu de pelo menos três críticas: (J ) uma relativa superes-
t.imação da contribuição das forças biológicas p-.ira a motivação 
(e. com isso. uma relativa subestimação de fatores relacionados à 
aprendizagem e à experiência); (2) um ex= de confiança nos 
dados retirados dos estudos de casos de indivíduos portadores de 
Lrnnstomos (e. com isso. urna falta de confiança nos dados prove• 
nientes de pesquisas expe:rimcnlaiscom amostrJS representativas): 
e (3) idéias que não são cientificamente (ou seja, experimental• 
mcnle) testáveis (p. ex .. como é po~ível criar um teste empírico 
sobre o fa10 de as pessoas possuírem ou não impulso para a agres• 
sividadc"?). Por outro lado, nenhuma dessas três crítica.s se aplica à 
segunda grande Lcoria do impulso. proposta por Clark HuU. 
A Teoria do Impulso Segundo Hull 
Para HuU ( 1943. 1952). o impulso é uma fonte de energia agru-
pada e composta de todos os déficit.s/distúrbios experimentados 
momenLaneamcnLe pe lo corpo. Em outras palavras. as nccessi-
dades particulares de alimento. água, sexo. sono. e assim por 
dia.nle. são concenLradas para constilufrem uma necessidade 
corporal total. Pal"'.t Hull. assim como para Freud, a motivação (ou 
seja. o impulso) tem uma base puramente fisiológica. e a neces• 
s:idadc corporal constitui a fonte última da motivação (tendo-se 
com isso uma oulra grande teoria da motivação). 
A teoria do impulso de HuJJ tem um aspecto notável que 
nenhuma outr.i teoria anterior da motivação apresentou - ou 
seja. a de que a motivação pode ser prevista antes de ocorrer. 
Tanto com o instinto quanto com a vontade, era impossível 
dizer a priori quando e se uma pessoa c.~Lnri.a ou não motivada. 
Porém. se um animal é privado de alimento. ágaa. seJ10 ou sono. o 
impulso irá incvit.avelruCJlle crescer proporcionalmcnle à duração 
dessa pri vaçiío. A motivação é rcsponsá~·el pelas condições :tnle• 
cedentes do ambiente. O impulso é uma função monotonica-
mentc crescente da necessidade corporal total. e esta. por sua 
vez. é uma função monotonicarnente crescente do número de 
horas de privação. O falo de que o impulso pode ser conhecido 
a partir das condições ambientais antecedentes marcou o início 
de um estudo cie111íftco da motivação. isso foi assim porque. se 
conhecermos a)> condições ambientais que criaram a motivaç.lio. 
poderemos manipular (e predizer) os estados motivacionais no 
laboratório. Também é poss! vel explorar os efcit05 do c.~Lado 
moti vacionaJ manipulado sobre um grande número de ~'ulLados 
(p. ex., desempenho, esforço. bem-estar). 
O impulso surge de uma ampla faixa de distúrbios corporais. 
que incluem a fome, a sede, o sexo. a dor, a respiração, a rcgu• 
lação da temperaturn, a micção. o sono. a atividade corporal a 
consLruçâo de ninhos e o cuidado com os filhotes (Hull. 1943. pp. 
59-60). Uma vei; surgido. o impulso energiza o comportamento 
( Bolles. 1975). Porém. embora enc,gize o comportamento. o 
impulso ni'io o direciona. É o hábito, e não o impulso, que dire• 
ciona o comportamento. Como um contemporâneo disse: ··o 
impulso é um cnergiz.ador. não um guia" (Hebb, t955, p. 249). Os 
hábitos que guiam o comportamenlo provêm da aprendizagem. 
e a aprendizagem ocorre como conseqüência do reforço. As 
pesquisas de Hull levaram-no a demonstrar que. se uma resposta 
é seguida rapidan1entc de uma redução no in1pulso, ocorre uma 
aprendizagem e, com isso. o hábito é reforçado. Qualquer resposta 
que diminua o impulso (p. ex .. comer. beber. copular) produz um 
reforço, e o animal aprende qual resposta produz a redução de um 
impulso nes.~ situação particular. Para mostrar como o hábito e 
o impulso (ou seja, a aprendizagem e a motivação) produzem o 
comportamento. Hull ( 1943) elaborou a seguinte fórmula: 
,E,= ,H,xD 
A vari.á,•el ,E, é n intensidade do comportamento (E significa 
"potencial excitatório") na presença de um determinado estímulo. 
/ir é a íorça do hábito (ou seja. a probabilidade de ocorrência 
de urna rcspo~111 redutora do impulso diante de um determinado 
estímulo). D é o impulso (driv~).1 Os a.~pcctos observáveis do 
'Os $Ub,;cntos ser sii;níficnm snnwlus e r,spmut l"<"Slimulo" e "rcspos1:11··1. e 
informam que J{, rcf m:•sc a wna dctcmunod:I rcsp,:Ml~ IUI presença de um deter· 
m1rodo estímulo. De modo scmclh.mtc. OS$llh!<.Tllos IISSOC1.100S • ,E, rcfcran-
á "cnc'SJ"" potcnc,.al da rcspo,ta o• prcscnço dc!isc estimulo c:s.podfico. 
comportamento - correr, persistir etc. - são representados 
por .Er As variáveis )I, e D referem-se às causas subjacente, 
e inobscrváveis do com.portamento. O sinal de multiplicação é 
irnportnnte no ,entido de que o comportnrncnto só ocorre quando 
o hábito e o impulso estão em níveis não-nulos. Em outr.i.s pala-
vras. na ausência de impuL~o (D= O). ou na ausência de hábito 
(H = 0). não h:í potencial excitatório (E= 0). 
Posteriormente, HuU (1952) amp)jou seu sistema comporta• 
mental par.i além de lf x D, a fim de incluir uma terceira causa de 
comportamento: a motivação do incentivo. abreviada como K.3 
Além das propriedades motivacionais de D, o valor do incentivo 
exercido por um objeto-alvo (sua qualidade, sua quantidade, ou 
ambas) também energiza o animal. Afinal de contas, as pessoas 
cm ger.tl trabalham com mais empenho por US$50 do que por 
USSJ. Ao reconhecer que a motivação pode provir tanto de fontes 
interna.~ (D) quanto de fontes externa.~ (K), Hull ( 1952) propôs 
a seguinte fórmula: 
,,E,= )l,xD xK 
Tanto D quanto K são termos motivacionais. A principal dife-
rença enLre eles está em que D origina-se de uma estimulação 
interna ,<ia distúrbios corporais, enquanto K origina-se de uma 
estimulação externa via qualidade do incentivo. 
A teoria comportumental de Hull granjeou enorme popula• 
ridadc. Em seu apogeu. sua teoria do impulso foi uma das mais 
populares teorias da história da psicologia. Apesar de obviamente 
essa afirmativa parecer exagerada. considere três ocorrência~ 
históricas que a jui,tificam. Em primeiro lugar. aproximadamente 
metade de todos os artigos publicados nos principah periódicos 
de psicologia do início dos anos 1950 {p. ex .. no Psyc:hological 
Review e no Jour11al o/ Experi111e111al Psyd1o logy) fazia refe-
rência ao livro de Hull de 1943. Em segundo. enquanto livros 
sobre motivação er.im praticamente inexistentes em rnc.-ido-'> 
do século XX. dez anos depois eles se tomariam lugar-comum 
(Atkinson, 1964; Bindra. 1959; Bro\vn. 1961: Hall, 1961; 
Llndzey, 1958: ~4adsea, 1959: MeClellan<l 1955; Maslow. 
l 954; Old~. 1956: Pcters, 1958: Staccy & DcMnrtino. 1958; 
Toman, 1960: Young. 1961). Em terceiro lugar. nos anos 1950. 
a Amcricnn Psychological Association (APA) solicitou a seus 
membros que 6:zes.sem uma lista das personalidades mms impor-
tantes da história da psicologia (até meados do século XX). O 
resultado da pesquisa está mostrado na Tabela 2. 1. Observe os 
dois nomes no topo dn I istn .. 4 
'Por acaso, ,e você se pc,rxuntarporquc • moovoçio de incentivo foi ~viam 
cm inglfs por K cm vez dc/(dc illNnlrl'tl.omod,o cb550c: queK n,mdc Kcanclh 
Spcncc (Wcu,e~. 1972). Spcncc convcnoo, Hull dll neccs.si<bdc de se incorponr 
" .-i,·oção de lDC'CllUvo n SC'IJ siskma comportamcntul. Além daso, I c.-ru usado 
paraoutra ,•mruivcl. inh1llwM l1n1btçiio). que llào >eni dJScull<la aq,,1. 
4 No ah orttcr do têrolo XXL • tislll dos psicólogos cminen~ al1crau-sc b:acan11: 
(H3ggbtoom ct nL :!002). Em 2002. S1gaumd Fn,ud tm,ia cnído para o 3° lugor. 
c.-oqW111toCl.in: Hull c:al• pano 21•. Os de>. nomes mai, 1mponan10 segundo• 
lislll. do pnmr1m para O drdma. <m uma rdaçio 'fllr aprcscnm vnno,s P"'JW• 
sadon:, d;i motJvoçào. silo: B. F. Slaoncr. Jam Ptagc,L S1gmuod Freud. Albert 
Bandur:i. Lcon Fes11ngcr. Cml Roger>. Stanley Sch!ldlter. Ncat Miller. Edward 
Thoradik< < Abraham M•lilow. 
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 19 
Tabela 2.1 Os Dez Mrus lntportantes Nomes da PsicoJogla. 
Segundo unta Classilicaçllo de Meado, do Século XX 
1. Sigmund Freud 
2. Clark Hull 
3. \Vllhehn \Vundt 
4 . l\•an Pavlov 
5. John \\latson 
6. Edward TilOl'lldike 
7. William James 
8. Max \Vertbei mcr 
9. Edward Tolmru1 
10. Kurt Lewin 
O Declínio da Teoria do Impulso 
A toorin do impulso - tanto nn vcrslio frcudiuna quanto na versão 
huJliana - baseava-se em três pressupostos fundarnentai.s: 
L O impulso emerge de necessidades corporais. 
2. A redução do impulso é reforçada e produz a aprendi-
zagem. 
3. O impulso cnergiza o comportamento. 
Ao longo dos anos J 950, testes empíricos desse;, três pressu-
postos revelaram muitos pontos de apoio, mas também alguns 
motivos de preocupação. Em primeiro lugar. alguns motivos 
existem com ou sem necessidades biológicas correspondentes. 
Por exc1nplo. as pessoas anoréxicas não comem (e não querem 
comer). a despeito da exi~tência de uma forte necc...sidadc bioló-
gic:i de fazê-lo (Klicn. J 954 ). Portanto, é possível que a moti-
vação surja de outras fontes que não os distúrbios corporais. Em 
segundo lugar. frcqficnlemcntc a aprendizagem ocorre sem n 
correspondente experiência da redução do impulso. Por exemplo. 
ratos famintos aprendem mesmo quando seu comportamento de 
comcr é reforçado pela recompensa de sacarina não-nutritiva 
(Shcffield & Roby. 1950). Uma vez que não representa qual-
quer benefício nutricional, a sacarina não pode reduzir o impulso 
{ ou seja, não serve às necessidades do corpo). Outras pesquisas 
mostr.ir.im que a aprendiz.agem ocorre apó~ a indução do impubo 
(ou seja. ocorre um aumento do impul.so; Harlo,,v, 1953). No 
final. ficou claro que. para a aprendizagem ocorrer. n redução do 
impulço não era nem necessária nem suficjcnte (BoUcs, 1972). 
Em terceiro lugar, as pesquisas reconheceram a imponâacia das 
fontes externas (não-fisiológic-.is) de motivação. Por exemplo, 
uma pessoa que não está neccssariamcnteoom sede podec~pe-
rimentur um motivo bastante forte par.i beber ap6s ter provado 
(ou visto. ou cheirado) sua bebida favorita. Hall acrescentou a 
motivaç.ão de incentivo (K), ma.~ a questão importante é que os 
moti\•os surgem mais do que l>implesmentc a partir da fisiologia 
corporal. Para e~plicar fenômenos motivacionais como comer, 
beber e ter relações sexuais. tomou-se claro que os pesquisa-
dores ncccssiwvam concentrar ao menos parte de sua atenção 
nas fontes externa.~ (ambientais) de motivação. 
Os Anos Posteriores à Teoria do lmpuJso 
Os anos 1950 e 1960 representaram uma tr.insição no c.~tudo da 
motivação. No início dos anos 1950. as teorias moti vacionais 
20 Capí1ulo Dois 
donünantes eran1 consideradas grandes teorias, sendo historica-
mente fundainentadas e bem conhecidas. A teoria do unpulso era 
a princ ipal perspectiva relati va à motivação (Bolles, 1975; Hull, 
1952). Nesse 1neio de século, outras teorias 1notivacionais impor-
tantes incluíam a teoria do nível 61in10 de excitação (Hebb, l955; 
Berlyne, 1967), a teoria dos centros de prazer no cérebro (Olds , 
1969), a teoria dos conflitos de aproxi111ação-cvitação (Miller, 
1959), a teoria das necessidades universais (tvlurray, 1938), a 
teoria dos 1notivos condicionados (Miller, 1948). e a teoria da 
auto-atualização (Rogers, 1959). À medida que o estudo da moti-
vação progredia e novos achados apareciain, tornou-se claro que, 
para haver progresso, era preciso que a área extrapolasse as fron-
teiras de suas grandes teorias. Nos anos que se seguiram à teoria 
do unpulso, aparcceran1 de fato teorias alternativas, que tentaran1 
se in1por como as novas grandes teorias do 1no1nento. Poré111, 
os psicólogos n101ivacionais estavam simplesmente ganhando 
inrorrnações demais para se restringirem a u1na grande teoria. 
Para investigar seus novos achados, os psicólogos rnotivac io-
nais dos anos 1970 co1neçarain a adotar nliniteorias ela 1noti-
vação (Den1ber, 1965). A próxilna seção discutirá essas 111ilüte-
orias. Porém, será útil fazer aqui uma pausa para considerarmos 
os dois princípios 1notivacionais que, nos anos 1960, surgiram 
con10 possíveis substitutos teóricos cio i1npulso para co1npor wna 
grande teoria da rnotivação: o incentivo e a e xcitação. 
Considere1nos o incentivo, que é u111 evento externo (ou estf-
nndo) capaz de energizar ou dil"ecionar u111 con1portainento de 
aproximação ou de evitação. Segundo a teoria de redução do 
impulso, as pessoas são rr10Livadas por meio de seus in1pulsos, 
que as "empurram" em direção a determinados objetivos (p. e x., 
a fon1e cinpurra a pessoa a explorar seu runbicnte c111 busca de 
alilnento). Já as teorias n1otivacionais cio incentivo dize1n que 
as pessoas são motivadas pelo valor mcentivador de diversos 
objetos presentes en1 seu a111biente, que as "atrae111" e1n direção 
a esses objetos (p. ex. , a visão de lnna torta de 1norangos faz a 
pessoa se aproximar da n1esa). Observe que, nesse caso, a moti-
vação primária não é a redução do impulso, mas, ao contrário, o 
au111ento e a 1nanutcnção do contato com os estfrnulos inccnti-
vadores. As teorias do incentivo surgidas nos anos 1960 funda-
ment.almente tentava111 explicar por que as pessoas buscavam 
os incentivos positivos e evitavam os incentivos negativos . 
Essenciahnente, o foco dessas teorias era o K, e não o D, de 
Hull, e elas adotar:un o conceito de hedonisn10, que essencial-
mente postula que os organismos se aproximam de s inais de 
prazer e evita111 s inais ele dor. Por rneio da aprcndizage111, as 
pessoas fonnan1 associações (ou expectativas) de quais objetos 
no ambiente são gratificantes - sendo, portanto, merecedores de 
aproximação - e quais outros objetos infri ngem dor - sendo, 
portanto, rnerecedores de evitação. As teorias do incentivo apre-
sentavain três novas características : (1) novos conceitos n1oti-
vacionais, tais c.01no os incentivos, (2) a idéia de que os estados 
motivacionais poden, ser adquiridos por meio da experiêocia e 
(3) tuna descrição ela 111otivação que salienta as alterações que 
oco1Tem de momento a momento (unia vez que os mcentivos 
a,nbientais pode,n variar de u,n rnon1en10 para outro). 
Considere1nos agora a excitação. A crescente insatisfação 
con1 a teoria do i.1npulso foi contrabalai1çada por un1 crescente 
interesse pela teoria da excitação. O achado que assentou as 
bases pru·a essa transição proveio da descoberta neurofisiológica 
de um sistema ele exci tação no tronco cerebral (Linds ley. 1957; 
Moruzzi & Magoun, 1949). As idéias centrais eram as de que 
(!) os aspectos do an1biente (o grau a que eles são esti111ulantes, 
novos, estressantes) afeta111 a 111aneira de o cérebro ser excitado 
e (2) as variações no nível de excitação apresentam uma relação 
curvilínea (que tên1 a fonna de uni U invertido) co1n o compor-
tamento. Ou seja, os ambientes não-estimulantes geram baixos 
níveis de excitação e emoção, tais co1110 o tédio: j á a,nbientes 
un1 pouco 1nais estinn1lantes geratn níveis ótiluos de excitação 
e e1noções, ta is como o interesse; e ainbientes extremarnente 
estimulantes gerarn excitações e emoções con10 o medo. O níve l 
de excitação tenui11ou sendo entendido como algo "sinônilno de 
urn estado geral de in1pulso'' (Hebb, 1955, p . 249): as pessoas 
prefere1n u111 nível ótiluo de excitação, evitando seus níveis muito 
baixos ou 1nuito a ltos. Observe então o que aconteceucom a 
teo.ria do in1pulso - que íoi reinterpretada de un1a maneira que 
a afastou de s uas raízes biológicas, levando-a para a época da 
ncuropsic.ologia e da cognição. No fim dos anos 1960, os psicó-
logos motivacionais daquele período pode1iam se concentrar nas 
necessidades biológicas (ilnpulso), nos mcentivos ambientais ou 
nos estados cerebrais de excitação. 
Co111 a crescente i11satisfação e1n relação à teoria do in1pulso, 
tornou-se cada vez 1nais evidente que qualquer grai1de teoria 
era simplesmente incapaz de arcar sozinha con1 todo o ônus 
de explicar a motivação (Appley, 1991). E1n sua tentativa de 
cobrir todo o espectro dos fenôtnenos 1notivacionais, o panonuna 
conte1nporâneo dos esn1dos da rnotivação é agora caracterizado 
por uma enorrne diversidade de teorias ("1niniteorias"), e não por 
um consenso qualquer em torno de tuna única grande teoria. 
O SURGIMENTO DAS MINITEORIAS 
Diferente1uente das grandes teorias que explicam todo o espectro 
da 1notivação, a~ miniteorias limitam sua atenção a 11111 fenõ1neno 
1notivacionaJ específico. As nüniteorias busca111 co1npreender ou 
investigar u1n(a) determinado(a): 
• Fenõ1neno rnotivac ional (p. ex., o fluxo da experiência) 
• Circunstância que afeLa a motivação (p. ex., a retroalimen-
tação ele u111 fracasso) 
• Grupos de pessoas (p. ex., extrove1tidas, crianças, traba-
lhadores) 
• Questão teórica (p . ex., "Qual é a relação entre cognição 
e en1oção '1") 
Uma miniteoria explica parte. porén1 não Lodo o comporta-
mento 1notivado. Sendo assiln. u111a teoria n1otivacional de reali-
zação (tuna rniniteoria) surgiu para explicar por que as pessoas 
respondern a padrões de excelência, e por que algumas pessoas 
den1onsLram ter entusiasmo e a pro xi mação e agern co111 método, 
ao passo q ue outras de1nonstran1 ru1siedade e evitação diante 
desses padrões. A teoria motivacional de realização não consegue 
explicar unia grande p:ute da ação 111otivada, 1nas, por outro lado, 
presta nina boa contribuição à exp licação de u1na interessante 
fatia da ação 1notivacional. A lista a seguir identi lica algumas das 
nüniteorias (con1 uma referência básica) surgidas nos anos 1960 
e 1970 com o objetivo de .substituir as grandes teorias cnfr.ique• 
cidas do impulso. do incenti vo e da excitação: 
• Teoria moúvacional de real ização (Atkinson, 1964) 
• Teoria atribucionru da motivação de rrolização (\\lciner. 
1972) 
• Teoria da dissonância cogniúva (Fcslinger, 1957) 
• M otivação dos efeitos {\Vhitc. 1959: Hartcr. 197&a) 
• Teoria da expectativa x valor (Vroom, 1964) 
• Teoria do fluxo (C.sikszen1mibalyi, 1975) 
• Motivação intrlnscca (Dcci. 1975) 
• Teoria do estabelecimento de metas (Locke. 1968) 
• Teoria do desamparo aprendido {Seligman. 1975) 
• Teoria da reatância (Brehm. 1966) 
• Teoria da auto-eficácia (Bandura, 1977} 
• Auto-esquemas (Marlcus. 1977) 
Três tendências históricas explicam por que o estudo da moti• 
vação deixou paro trás a tradição das grandes teorias c m favor 
da~ miniteorias. Em primeiro lugar. os pcsquisudores moti• 
vacionais reavaliaram a propriedade da idéia de que os seres 
humanos são inerentemcnle passivos. A próxima seção discutirá 
essa tendência. Em segundo, a motivação. como lodo o campo da 
psicologia, tomou-se acentuadamente cognitiva.. Essa tendência 
veio a ser conbceida como a revolução cognitiva. E. cm terceiro 
lugar. os pesquisadores motivacioaais tornaram-se cada vez mais 
interessados nos problemas e nas questões aplicadas e social• 
mente relevantes. Além dess~ tendênciru. bü,16ricas, o primeiro 
jornal dedicado cxclll.'>ivamcnle ao tópico da molivução s urgiu 
em 1977. M orivario11 and E1notio11. Esse jornal focnliwu quase 
toda a sua atenção na explor.ição empírica das miniteorias moú-
. . 
vac1on::us. 
A Natureza Ativa da Pessoa 
O propósito da teoria do impulso era explicar como um animal 
passava de inativo a ativo (Wcincr. 1990). Em meados do século 
XX. supunha-se que os animais (inclusive os seres humanos) 
crMll natur.tlmcnte inaúvos, e que o papel da motivação seria 
excitá-los. fazendo com que, de passh'os. eles passassem a ser 
ativos. Com efeito. "moLi,•ar'' significa M1novcr". Dessa forma, 
o impulso. como lodos os constructos motivacionais anteriores. 
explicava o motor instigante do comportamento. A título de ilus-
tração. uma definição comum para motivação cm meados do 
século XX er.i: "o processo de excitar a ação. sustentar a atividade 
cm pmgres!,O e regular o padrão de alividadc" (Young. 1961. p. 
24). A motivação er.i o estudo da energização dos pa~sivo.s. 
Já os psicólogos da segunda metade do século XX pensavam 
de maneira bastante diferente. Eles enfatizariam o fato de que as 
pessoas estão sempre conseguindo e fazendo algo. A~ pessoas 
são inerenlemenle :uivas. estando sempre motivadas. Segundo 
um drn; proponentes da natureza ativa das pe-~soas, " uma teoria 
motivacional bem fundada deve [ ... 1 supor que a motivação é 
constant.c. incessante, flutu:1nte e complexa. e que é. uma carac• 
tcrística quase universal de praticamente qualquer processo que 
envolva interesse do organismo" (Maslow, 1954. p. 69). Talvez 
nas c rianças, mais do que cm quaisquer outros seres. isso seja 
mais evidente: •'elas pegam os objetos. sacodem-nos. cheiram-
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 21 
nos. colocam-nos na boca. atir.un•nos para longe e estão sempre 
perguntando ·o que é isso?' Sua curiosidade é infindáver· (Deci 
& Ryan. 19&5:i, p. 11 ). 
Na revisão das teorias motivacionais que fizeram em meados 
dos anos 1960, Charles Coferc Mortimcr Applcy ( 1964) divi• 
diram as teorias motivaciona.is da época entre aquelas que supu• 
nham que ~ organismos eram passivos e conservadores de 
energia e aquelas que supunham que os indivíduos eram ativos 
e que buscavam o crescimenlo. O número das teorias de orien• 
tação passiva era dez vezes superior ao das teorias de orientação 
ativa. Entretanto. as teorias ativas começaram a se propagar. Nos 
dias de boje. as idéias sobre 3 motivação e a emoção aceitam a 
premissa da cxislência do organismo ativo, tratando bem pouco 
das motivações ocorrida., por déficit (p. ex., redução na tensão. 
homcostnse, equilibrio) e bem mais das moúvaçõcs por cresci• 
meato (p. ex~ criatividade, competência. significados pessoais 
possíveis. auto-alualização; Appley. 1991; Benjamin & Jones, 
1978; Rapaport, 1960; \.\lhitc. 1960). O estudo da moúv3ção 
é hoje o estudo do direcionamento do propósito nas pessoas 
increntcmenlc ativas. 
A Revolução Cognitiva 
Os primeiros conceitos moLivacionais - impulso. exciLação. 
homcostasc - fundamentavam-se na biologia e na fisiologia. 
Portanto, muito do pensamento sobre a motivação era moldado 
em uma herança e uma perspectiva bio16gica!>. Os estudos 
contemporâneos da motivação continuam a manter essa nliança 
com a biologia. a fisiologia e a sociobiologia. EnLrctanto. no 
início dos anos 1970. o Zi-irgeisr (uclirna intelectual") da psico• 
logia pa.s.sou decisivamente a ser cognitivo (Gardncr, 1985; Segai 
& Lnchman, 1972), e a revolução cognitiva tomou conta da área 
da motivação da mesma maneira que fez com prJticamcntc todas 
as outras áreas da psicologia (D' Amalo. 1974: Dembcr. 1974). 
Os pesqui...adores da motivação comoçaram a complementar 
seus conceitos biológicos com os conceitos que enfatizavam 
os processos mentais internos. Alguns desses coni.truclos moti-
vacionais mcntalisúcos incluem os planos (Miller, G111:mtcr & 
Pribram. 1960). as metas (Locke & Latham. 1990). as c,;pecla-
tivas (Seligman. 1975), a.s crenças (Bandura, 1977). as atribui• 
ções (\Vciner. 1972) e o auloconoeito (Markus, 1977). 
A revolução cognitiva exerceu dois outros efeilos sobre o 
pcnsamenlo referente à moú,,aç5.o. Primeiro. as discussões intc• 
lectuais sobre a moúvação enfatizaram os constructos cognitivos 
{ou seja. as expectati vas. a.~ metas). deixando de cofntiznr os 
construclos biológicos e ambientiis. Essa~ disCll.o;sõcs allernram 
a imagem que a psicologia fazia dofuncionamento humano. 
deixando-a " humana cm vez de mccilnica" (McKcacbic, 1976. 
p. 831). Essa passagem ideológica dn mecânica para a dinâmica 
(Cnrver & Schcier. 1981. 1990; Markus & Wwf. 1987) íoi muito 
bem captada no título de um dos mais populares textos motiva-
cionais daquela época. Tf~ories of Morivario11: Fro111 i\!ecftOJUS111 
to Cagnitio11 (\Vciner. 1972). Uma rcvi.'>ào dos estudai. moli• 
vacionais realizados a partir dos anos 1960 e 1970 mostra um 
acentuado declínio de experimentos q ue manipulam estados 
de privação cm ratos, acompanhado por um igunlmcntc acen• 
illado aumento nos experimentos que manipulam a retroalimen• 
22 Capítulo Dois 
taçâo que acon1panhava o sucesso ou o fracasso no desen1penho 
humano (Weiner, 1990). O planejamento experimental não é 
rnui to di ferente, mas é inegável o fato de seu foco ter passado a 
se concentrar ern pessoas, em vez de animais. 
a se concentrar etu problen1as e questões aplicadas e de relevância 
social. Taiubém passaram a ter contato mais freqüente com os 
psicólogos de outras áreas, tais como os da psicologia social, da 
psicologia industrial/organizacional, da psicologia c línica e de 
aconselha111ento, e assin1 por diante. No geral, a área tornou-se 
menos interessada em estudar, por exemplo, a fome corno fonte 
do impulso, e 111ais interessada e111 estudar as 1notivaçõcs que se 
encontra111 por trás do con1er, da dieta, da obesidade e da bulinlia 
(Rodin, 1981; Taubes, 1998). 
Segundo, a revolução cognitiva veio co111ple111entar o en1er-
gente movimento do humanisrno. Os psicólogos humanistas cri ti -
cavaiu as teorias 1noti vacionais don1inantes nos anos 1960 con10 
sendo decididaiuente não-hu n1ai1as. Os hun1anistas resistu:am a 
utilizar a metáfora da 111áquina. que apresenta a 111otivação de 
urna nianeira determinista, como sendo uma resposta a forças 
biológica~ incômodas, a destinos desenvolv irnentais (p. ex., 
experiências trau1uáticas na infância), ou a conu·oles exercidos 
pelo ambiente ou pela sociedade (Bugental, 1967; \.Verthein1er, 
1978). As idéias de Abraham Maslow e Carl Rogers (Capítulo 
15) expressam a nova compreensão que a psicologia tern dos 
seres hurnanos con10 seres inerente rnente ativos, cognitiva-
mente flexíveis e 1uotivados para o crescüuento (Berlyne, 1975; 
Maslow, 1987; Rogers, 1961). 
A Pesquisa Aplicada e de Relevância Social 
Uma terceira importante a lteração que aj udou a iniciar a era 
das rn initeorias foi o fato de que os pesquisadores voltarain 
sua atenção para questões relevaJ1tes à solução dos problemas 
1uotivacionais enfrentados pelas pessoas e1n sua vida d iária 
(McClellancL ·1978) - no trabalho (Locke & Latharn, 1984). na 
escola (\Veiner, 1979), ao enfrentarem o estresse (Lazarus, 1966), 
na solução de problen1as de saúde (Polivy, 1976), na luta conu·a 
a depressão (Selig111an, 1975), e assüu por diante. À tnedida que 
estudavam menos os animais não-humanos e mais as pessoas, os 
pesquisadores descobri ram uma riqueza de exemplos de mo1.i-
vação que ocon-em naturalmente fora do laboratório. Em função 
disso, os pesquisadores rnotivacionais começararn cada vez mais 
A ênfase na pesquisa aplicada e socialmente relevante fez com 
que os estudos 1notivacionais contemporâneos assu111issem tun 
tipo de papel de "Johnny Appleseed"5, e1u que os pesquisadores 
1uoti vacionais saíran1 ele seus laboratórios para fazer perguntas 
do tipo "O que causa o con1por1an1ento?" nas mais diversas áreas 
de especialização da psicologia. As novas alianças motivacionais 
con1 outros ca1npos da psicologia podem ser ilustradas na Figura 
2.1, que n1ostra explicita111ente co1110 a 111otivação se relaciona 
co1u os outros cursos ele psicologia que o leitor possivelmente 
j á fez ou fará. Ou seja, parte do conteúdo dos cursos de psico-
logia social, da psicologia da personalidade e da psicologia da 
educação é certa1nente motivacional. En1 virtude dessa superpo-
sição, às vezes é difícil dizer onde o estudo da cognição acaba 
e onde o estudo da 111otivação co111eça (Sorrentino & 1:-liggins, 
1986), ou onde o estudo da percepção aca ba e onde o estudo da 
motivação começa (Bindra, 1979). As tênues frontefras entre a 
n10Livação e seus campos atins em ge.ral sugerem a existência 
de tuna crise de identidade no estudo da ,notivação; por outro 
5Lllcralmcntc. "Joãozinho Planlador de Maçãs". apelido de um sujeito chamado 
John Chapman, que, nas primeiras décadas após a independência dos EUA. 
perambulou pela costa leste do país plantando macieiras e estimulando os outros 
a fa.1..erem e, mesmo. O nome pa.s-sou então a se apl icar a qualquer pessoa que se 
loma adepla ou propagandisw entusiasta de uma causa. (N. T.) 
,,,,,.-- ----..... /,----- .......... 
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I \ 1 
1 Soda] / Desenvolvimento / -----, ~ / -----,,,,,. ..... ,,,,-, ,,,,,,,,. ..... 
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/ 1 ndustriaJ/ \ ' .J 1 &lucadonal 
1 Ocganizacional / 1 / 
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_'_,__ _.,.,,, Motivação e Emoção ',_~ ----~ ✓ 
- ·- - - v-- -,,,,,. ..... , ~ ífi .... 
✓ , Respostas Pro\'enienres de Areas Espec 1cas, ✓ , 
1 \ q ue R<:spon(lém a esrns Qu<:SlÕ<:S 1
1 
\ 
( Personalidade ) Fundamentais: 1 Cognitiva ) 
, 1 • O que causa o c:omport.amcnto? , / 
' ....._ ., "( • Por que o comportamento ,~u•ia cm '·, ,.,,,,. / 
...,_ I --- - -/ -- - - - - ~ , intensidade? ,,,,,. ~ --, 
/ ' / ' 
I \ I \ 
1 Clínica \... .,. / Fisiológica 1 
\ l- :::.-- - - - -- \ I ' ,,,,,. -...... ,,,,,..- -..... / 
' / "Ç"7" ' / .._ I \ '\.. _.,. -----~ \ ,--- -\ Aconselhamento I Saúde 1 
\ I I 
' ✓ , / ..... ,.,,. ..... ,.,,. ------ - -----
Figura 2.1 Relação entre o Estudo da l\llotivação e as Áreas de Especialização da Psicologia 
lado. na prática. a ausência de fronrciras bem definida~ facilira 
a troca de idéias e estimula uma exposição a diferentes perspec-
tivas e metodologias (Feshbach. 1984), incluindo aquelas vindas 
de fora da psicologia (p. ex .. a sociologia: Turner, 1987). Como 
conseqüência disso. os esludos contcmporàncos da motivação 
ganharam uma riqueza. um inrercsse e uma viLalidadc especiais 
(McNally. 1991). 
A ERA CONTEMPORÂNEA DAS 
MINITEORIAS 
Thomas Kuhn ( 1962. 1970) descreveu a história da maioria da.~ 
ciências enfatizando o falo de que uma cena disciplina Lanto faz 
progressos conlínuos quanlo desconlínuos. Quando ocorre um 
progresso conlínuo, os panicipantes realizam progressos lenros. 
incrementais e cumulativos. à medida que novos dados vão sendo 
acrescentados e vão suplantando os velhos dados. e as novas 
idéia.,; se somnm e suplantam :is idéias antigas. Por oulro lado. 
quando ocorre um progresso desconlínuo. aparecem idéias radi-
cais que riv::tlizam (e não mais se somrun) com as idéia.ç antigas. 
Se a.~ idéias r-.s.dicais ganharem aceitação, há uma rápida e drás-
tica alteração no modo de pensar dos pesquisadores. fazendo 
com que os antigos modelos caiam cm desuso para dar lugar 
aos novos modelos. 
A Tabela 2.2 mostr.i u visão desenvolvi mental de Kuhn. Em 
seu estágio pré-paradigmático. os estágios primitivos de uma 
disciplina começam a se cnr:úz.ar à medida que os participanlcs 
vão formulando diferentes questões. utilizam métodos diferentes, 
tentam resolver problema..~ diferente.-., sugerem diferentes solu-
ções e , basicamente. discordam e discutem bastante entre sL Já 
no estágio paradigmático, os ?articipantes da disciplina conse-
guem alcançar um consenso sobre o que constilui sua eslrUtura 
teórica e metodológica comum. E...sa esirutura compartilhada 
(um "paradigina") possibilita que cada conlribuinte compre-
enda os métodos e problemas da disciplina da mesma maneir-.1. 
Com isso. os participantes têm condições de trabalhar colcti va-
mcntc, o que os faz ganhar cm uma compreeas5o cada vez ma.is 
deLulhada e apurada da sua área de intcrc..,;sc. EntrcLanto. com 
o tempo as limitações e as inadequações do paradigma aceito 
tomam-se evidentes. à medida que vão surgindo anomalia.~ que 
não podem ser explicadas com o paradigma então endossado. 
A l\1olh•:içilo Segundoas Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 23 
bso faz com que toda a área experin1ente um dC5COnforto geral. 
Em conseqüência. surgem novos i1r.sigl11s e novas descobcnas, 
e esses rnsights e descobertas faz.cm surgir um novo modo de 
pensar ("um paradigma"). Munidos desse novo modo de pensar. 
os pesquisadores rcnninam por chegar a um acordo sobre um 
novo e apcrfeiço-Jdo paradigma, cm um processo que geralmente 
engloba várias gerações de cientistas. Por exemplo. dois casos 
clássicos de mudança de paradigma ocorreram com a revolução 
copcmicana. que sub~1:ituiu as antigas idéias do geocentrismo. 
e com a teoria einsteiniana da relatividade geral. que substituiu 
a gcomclria euclidiana. Com essas mudanças. a astronomia e a 
física ficaram para sempre alteradas. 
Como disciplina.. o c.~rudo d• motivação tem participado 
da ascensão e da queda de Lrês principais modos de pensar: a 
vontade. o instinto e o impulso. Cada um desses conceitos moti-
vacionais ganhou ampla aceitação. mas. à medida que novos 
dados for.llD surgindo, constatou-se que cada um desses conceitos 
era bastante limiLado para produzir mais progressos, e isso fez 
com que, no final. cada um deles fosse substituído por uma 
idéia mais nova. radical e aperfeiçoada. Atualmente. o estudo 
da motivação encontra-se em meio 3 era das mini teorias, e os 
três avanços recentes ( ou seja. a natureza ativo da pessoa. a revo-
lução cognitiva e a pcsqui.~a socialmente relcvanLC) que há pouco 
reviswnos explicam por que a era das minitcorias acabou se 
mostrando mais produtiva do que a era da teoria do impulso entre 
nós. Outra tendência dos estudos motivucionais contemporâneos 
é o afastamento que essa área vem experimentando das ciências 
naturais e sua aproximação das ciências sociais. Enlretanto, essas 
atuais e~pccializ.ações, debates e discordância.~ têm produzido 
nos estudos motivacionais uma "crise de identidade". 
Nessa "•crise de identidade" que acompanhou a Lran..~içlio da 
teoria do impulso para a er.s. atual das minitoorias, houve conse-
qüência.~ boas e más. No lado ruim, a motivação perdeu o trono 
que tinha como talvez a mais importante disciplina da psicologia 
para ser relegada a um tipo de área de estudo de segunda classe. 
E.'ISC dc.~lronamcato da motivação foi tão severo que. em certa 
medida. a área sofreu um colapso que durou uma década e meia. 
Entretanto, o c.~tudo da moti vaçào não dcsaparcccu. As ques-
tões que delínem a motivação. discutidas no Capítulo 1. perma-
necem. E. cm vez de desaparecer. os especialistas motivacio-
oais se dispersaram para praticamente todas as outras áre.ls da 
Tabela 2.2 Esboço do D.!senvolvimen10 Típico de wna DL~pUna Científica 
1. Pré-parndigrnitico 
2. Pari:,digmálico 
3. Cri~e e revoluç1lo 
~- No, o paradigma 
Floresce wua nova ciência. cujos participante, n~o compattilhwn UJna 1nes1nll linguage,n oo um m~10 
conhecimento bá,,co. S11o Creqoentes o;. debates sobre quais de\'eriam ser os métockx, os problenias e 
as soluções da dlsdplina. 
~ C:ic,;ões pré-paracllgmálicas se fundem em um consenso ,obre o que oonstirul o, método,., o, problema,, 
e ru. soluçõe1. da di!.clplina. E.-se com,enso é ch;lJll;lclo de parodlgma. O.. partidpant~ que con1partílbam 
desse parndigma acumulam conhecimento e razern avanços c:on,idernveis. 
Surge wnn nnoma.lJJI que nilo pode ,er explic-.ida pelo t.'Onsensofpar.:tdigma exh1eote. De,encudeia-se entilo 
uin choque enrre a velha maneira de pen.1.ar (que nlio con.segue ~plicar a anomalia) e a nova maneira de 
pensar (que consegue explicá-la). 
A no,•a m:lllilira de pensar prt)duz um progresso que modifica a disdpUna. Ao chegar a u111 oovo consen.<,0. 
o,, panic:iparues ,e 01abili2.am em un1 oovo paradi!_tma (oo novo estágio paradigm:\tico). O progre,.o retoaia. 
e com ele são feitos novos O\'MÇO,, coosi<lenheh_ 
24 Capíu1Jo Dois 
psicologia. Sem o uso de conoeitos motivacionais. os teóricos 
da aprendiz.agem. os p~icólogos da personalidade, os psicólogo;, 
sociais. os clínicos e outros eram incapazes de explicar todos os 
tipos de comportamento que tentavam entender. Em outras pala-
vr:1s: os demais campos da psicologia precisavam de rc.<;postas 
para suas questões motivacionais. E o que emergiu disso foram 
as teorias da motivação social (Pittman & Heller. 1988). da moti-
vação fisiológica (Stellar & Stellar. 1985). da motivação cogni-
ti,•a (Sorrcntino & Higgins. 1986), da motivaçEo no desenvolvi-
mento (Kagan, 1972). e assim por diante. Além disso. também 
surgiram teorias motivacionais ~-pccíficas a domínios particu-
lares de aplicação: teorias que c.~plicam a moti,•ação relacionada 
ao ato de fazer dieta e, de se embebedar (Polivy & Herman. 1985). 
ao trabalho (Lock.e & Lalham. 1984. 1990: Vroom. 1964). aos 
esporte.~ (Robcrts. 1992: Straub & Williams. 1984), à educação 
(Weiner, 1979). e assim por diante. Por volta de 1980, os psicó-
logos rnotivacionais estavam em liter.ümcnte toda., as áreas da 
psicologia. enqWlnto investigavam as bases motivacionais da 
cognição. da interação social, da saúde, da personalidade. da 
educação, e daí por diante. 
Nos anos 1960, o estudo da motivação basicamente entrou 
em colapso. Os conceitos motivacionais foram postos de lado, 
enquanto a disciplina era dominada pelos beba,~oristas, que viam 
a motivação como algo que aconte,ce fora da pessoa (em fom1a de 
incentivos e reforçadores). E quando as força.~ internas li pc;,soa 
eram reconhecidas. elas eram tidas como forças fisiológicas, 
inconscientes ou subconscientes. Em função disso. estudar nessa 
época os aspectos conscientes da motivação era algo, por a'i.Sim 
dizer, proibido (Lock.c & Lalham. 2002). O estudo da motivação 
necessitava de teorias que cxplica<1scm como as pes.= inten• 
cionalmente regulam seu próprio comportamento. Felizmente. 
cm outra.~ área.,;, os psicólogos não-motivacionais desejavam 
saber a mesma coisa. Ou seja. veio a se constatar que a.<; questões 
sobre a motivação er-.im significantes e relevantes para pratica-
mente todas as áre~ da psicologia. Portanto. os pesquisadores 
motivacionais estabeleceram uma série de alianças com outra.,; 
áreas, formando assim uma rede dispersa de pesquisadores que 
compartilhavam uma mesma preocupação e compromisso com 
as questões e problemas relevantes do ponto de vista motiva-
cional Foi na<; especialidades da psicologia - ps icologia social. 
psicologia educacional, psicologia industrial/organizacional, etc. 
- que se criaram as teorias sobre como as pessoas iatcncional-
mente regulam seu compon amento. 
Diante desse presente uestado de cri.,;e", h:í duas maneira.,; 
de conceitualizar os estudos contemporâneos da motivação. A 
prime.ira delas é basicamente admitir que a área da motivação é 
jovem. imatura e basicamente arr.iigado a um estágio pré-para• 
digmáticodc 100 anos de duração (veja a Tabela 2.2). Em vez de 
existir em fonna de uma disciplina própria e bem-estabelecida, o 
estudo contemporâneo da motivação depende das aJ innças desta 
com outros campos da psicologia. como mostr.i a Figura 2.1. A 
Figura 2.1 também aprese ata Wllll superposição intelectual entre 
o núcleo dos estudos motivacionais e e.,;ses dez campos afins. 
A título de ilustração, observa-se que a psicologia educacional 
estuda como os estudantes aprendem e como os profc.,;sores os 
ajudam a aprender (Renninge:r. 1996). Corno a motivação afeta 
a maneira como os estudante.<; estudam. e como os professores 
afetam a motivação dos estudantes para aprender. o campo 
da motivação é relevante para a psicologia educacional. Esse 
interesse mútuo é mostrado em fonna de círculos superpostos. 
mostrados na Figura 2. 1. e manifcsm-se nas pesquisas reali-
zadas pelos psicólogos educacionais, que fazem perguntas como 
"Qual é o papel do interesse na aprendizagem?" (Ainley, Hidi & 
Bcmdorff, 2002) e "De que modo o elogio de um professor afeta 
a motivação dos alunos?" (Hcnderlong & Lcpper, 2002). 
Uma segunda maneira de concci tualiz.ar os estudos contempo-
râneos da motivação pode ser vistana Figura 1.1 (do Capítulo 1 ). 
E.•,sa figura identificou o 355unto dos c.,;tudos motivacionais em 
tomo de quatro constructos: necessidades, cognições. emoções 
e eventos externos. Todos os pesquisadores da motivação cnfa-
tizan1 a contribuição de um ou mais de-Sses constructos para 
explicar a energia e a direção do comportamento. Por exemplo. 
no estudo das necessidades. alguns teóricos argumentam que 
"o estudo da motivação bumana é o estudo das necessidades 
humana.,; e dos processos dinâmicos relacionados a c_,;sas neces-
sidade.,;" (Dcci. 1980, p. 31). Já os teóricos motivacionais preo-
cupados com a emoção argumentam que " a.,; emoções constituem 
o sistema motivacional primário" (Tomkins, 1970, p. 101). Eum 
estudo cognitivo da motivação supõe que "a,; crenças[ ... ] das 
pessoas determinam seu nível de motivação" (Bandura. 1989. p. 
1176}. Outros teóricos concentram-se nas propriedades motiva-
cionais de eventos externos. enfatizando-se para uma análise de 
como os eventos ambientais energizam e direcionam o compor• 
lamento (Bnld\\~n & Baldwin. 1986: Skinner. 1953). 
A organização dos capítulos deste livro reflete cs..\a última 
conccitualização do estudo motivacional. Ou seja. um capítulo 
cobre as maneiras como as necessidades motivam o compor-
tamento. outro capítulo trata de como as cognições motivam 
o comportamento, e as.,;im por diante. Essa é uma observação 
crítica a fazer. pois revela que quem es tuda a molivação e a 
emoção reconhece que os fenômenos motivacionai<; incrente-
mente possuem vários níveis (Driver-Lino. 2003). Ou seja, é 
possível entender um estado morivacional em nível neurológico. 
cm nível cognitivo, em nível sociaL e assim por diante (veja o 
Boxe 2). Reconhecer que a motivação e a emoção siio inercn-
temente fenômenos de vários níveis significa que essa árc:i de 
estudo necessariamente inclui suposições contradit6rias, métodos 
variados e diferentes formas de compreensão dos fenômenos. 
Uma boa maneira de concluir essa análise da motivação como 
sendo uma disciplina cm desenYolvimento é fazer uma revi~ão 
das atuais definições de molÍ\'3Ção e emoção. Essas definições 
estão aqui repetidas do Capftulo 1: 
M otfração: ref tre-sc aos processos que dão no comportamento 
sua energia e sua direção. 
O tenno procusos íaz reconhecer que os pesquisa-
dores da motivação não chegaram a um acordo sobre se 
os motivos são essencialmente necessidades. cognições. 
emoções ou reações a eventos ambientais. Ponanto. o 
uso desse termo é uma confissão involuntária de que o 
estudo contemporâneo da motivação é multiparadigmá-
lico, encontr.lndo-se, por oonscqUéncia. cm um estágio 
pré-paradigmático de desenvolvimento. 
Enioção: fenômeno subjetivo. fisiológico. func ional. cxprcs• 
sivoe de vida curta. que orquestra a maneira como reagimos 
adaptaúvamente aos eventos importantes de nossa vida. 
A exprllSsào subjerivo.fisiológico.funcio11al, eJ.Pressivo 
roc.onhece que os pesquisadores da motivaçã.o compre-
endem as emoções observando-as a partir de diferentes 
pontos de vista. Portanto, essa expressão é outrn confissã.o 
involuntária de que os estudos contemporâneos da emoç-ão 
apresentam vários níveis e. por conseqüência. também se 
encontram cm um estágio pré-parJcligmático de desenvol-
vimento. 
Admitir que os estudos motivacionais encontram-se em um 
estágio pré-paradigmático de desenvolvimento poderia soar 
como algo pejorativo. Afinal . qualquer disciplina gostaria de 
ver a 5Í mesma como madura, avançada, paradigmática e coesa 
(como a física). e não como imatura, lenta, pré•parndigmática e 
B<>XE:? As Muitas Vo:es no Estudo da Mo1ivaçiío 
Pegunta: Por qut e_,,'-ll infonnnçno é impoiunte? 
Respn.ira. Par.- que i,e per~eb.1 Lodo o espectro de voze.. panic:i-
panies do esforço de compreender o mouvaçAo. 
Os fenómeno,. moti \'acionai, l.ào evento. oomplexos que exhtem 
eru divenos 11hci,, Cp. ex_ neurológico. cognitivo. ,ociül. :u11bienllll). 
Enu-eu11110. ru prática. a maioria das tentali,•as de expli.:ar ulllJI 
exp,e_riêncta moth ...cional b3l.eia-.e em UJllll única per.;pectiva. Por 
exemplo. qWU1do wn adolescente pei ele interesse pelll escola. o pai 
ou a mãe (ou 11tu pe,quisador) getalmerue ;..li à pnx.uJ a Mda .. expli-
caçilo paro a diminwçào do inieresse. As pessoa, tendem 3 ~o-
U1er a primeit3 idéill r.lZOável e s111hf:uória que lhe, \'CID à meote. 
Elltremn10, uma outra maneiro de perL.;.'U' .obre a 1ll0llvaçãoc! tornar-
se consciente de wna an1pla gama de pos.,i\'ei, ídé,as. para entoo 
seleciottar aquela, gue melhor i.e adeqUe:m a uma experiência em 
p::.tticular. 
l\1uitas ,ozes pott1c1pam dos discussões :.obre oses1Udos contem-
poruneos do mot1\'11Çâo. da., qurus. ,ele s3o paniculwmente ,mpor-
rante,,. 
PetspeCtÍ\'O: 
C1.11nponamem.al 
F'Lçiológ.ica/ 
neurológica 
Cognitiva 
Cogni Ih o-,ocial 
( COI nir.iJ) 
Evolucionruia 
llumani~to 
Os n101i,os são de origem ... 
locentivos e recomperuas :unbientais CP- ex.. 
dillbeiro) 
Atividade eerebr:11 e bonnonal (p. eL, fome) 
E\'eLH°' merua~ e modos de pensar (p. ex .. 
metus) 
Maneiras de pensar após uma uposiç;lo a 
ouu-os indi, !duo.. uis como aquele, que 
desempetth:im papéis modelares (p. ex .. 
possí\ eh >1gnificado-. pes.<o:usJ 
Dota~ gemfuca de cada indivíduo 
(p. ex .. exu-oversào) 
Encor.ijamenio do po1encíal humano 
(p. e:1._ illllo-l11Uali2'lçllo) 
Vilb mental ,nconsciente (p. ex .. ans,ooade) 
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 25 
dividida (como a motivação: Driver-Linn. 2003). Dessa forma. 
os estudo.o. motivacionais exi"tem como um "trabalho intelectual 
em progresso". 
O Retorno dos Estudos da Motivação 
nos Anos 1990 
A partir de 1952. a Universidade de Nebra.'ika passou a convidar 
os mais proeminentes teóricos molivacionais da época a se 
reunirem :mualmcnte em um i.;mpósio sobre motivação. No 
primeiro ano desse encontro. entre os participantes estavam 
Harry Harlo,v. Juclson Bro,vn e Hobart Mowrer (nomes célc• 
bres nos e!itudos da n1otivação). No ano seguinte. John Atlcinson 
e Leon Festinger apresentaram artigos. o mcsm.o ocorrendo no 
terceiro ano com Abraham Maslow. David McClelland. James 
Olcls e Julian Rotter(de novo. Lodos eles pesquisadores famosos 
no c.'>ludo da motivação). O simpósio logo se tomou um ~'"l.lces..w. 
A liculo de ilustroção. considere como é ~(\·cl Ler a melhor 
compreemilo e explic::içiio dJl ,notivnçilo ,exWll. Os h<lh:1v1orota., 
apontàln para :i p3fte do t!e,,ejo que depende do grau n que :i outra 
pessoa é Cllr.lente e 1en1 a capacidade de reforçar 1?,,Sll lllr.lÇào lt,11:a 
J~ os p,1cofi,1ologista., aponta111 pnra :l parte do deseJO que depende 
dll líberoç.lo de dopaminu no sistema lfntbioo dO cérebro. O. cogni-
tivi,ta< tlCl'eSCenlllJn que o desejo provém de expectai"•~ ,nl!IA,, 
\'alore;,. e,,quemns e crença, ,obre o que é e o que nllo é po,.,ível. 
o., pe."'lui_~rei, cognitivo-sOl."ia4 ajuntam qut! nos= crença~ e 
expectat1\as surgem das uueroçôes com 05,ootro,. l!U,como OOS.'>US 
colega~ e :1., pe,.~oa,, que poro nós repre.,enlllm modelos de p:ipel 
culrur-.tl$. Os evolucioru.<;tas diwn que os h01nens e n,, mulheres 
têm diferen1c,;estra1ég1as de aca.wamento e que, portonto. dcseJrun 
encontrar di.feren1es qualidade;. etn um parceiro. o~ humanisra.< 
snlíentum a ~Jode;ejo q~deri,a d:t oponunitlnd.ede panicípar 
de u.,na rela~o íntima e promotora de cresdmen10. E o~ ps-kruiah5to.s 
ocrescenmm (lllê desejamos relnç&s com as pe~-oa., que <,e enqua-
drnm nos 1101,,o.s pnmeiros vínculos e do modelo meolal ei1raí~ 
na ,nrnnc,n a respeito de quão próx.,mo de uin ideal mmânuco o 
parceiro de\'<? .e si1Uru-. 
Quando ouvi mos 1 odn.ç essas ,·ozes que paniciprun da discussão 
sobre lllOlivaçNo. re,1101, a impre,são de eswnno, diante tanlo de um 
ponto íMe quanto de un, pomo fraco. Quanto ao ponto fraco. pode-
riamo.'l ter o impres-<:lo (correta) de que a motivaçào nGo parece ser 
unt cainpo de estudo bo.l:ido- ou seja. ela eslá dividida em espe-
ciolídades. e ninguém parece chegar a um acordoque no, penn,1.i 
compreender e explicar o que ,-ão a motivaç..o e a elll()Çâo. Quanto 
oo pon10 rone. .entretwno. , t1noo que ,;e gw1ha a oponunidade de 
juntar mais peças do quebrn-cabeça. Pesqui.s:tdores de diferen1es 
pei-!.pectÍ\11.~ fazem diferentes'l pergunta, liObre a moth'l!Ção. rnu1ta:. 
d!IS quais poderirun .er unpensá\ei, o nó,, c.bo noo tivessem ,ido 
ronnulod,1s por mejo de perspecti,•:ti que no< s.ào pouco fan1iliares. 
É prováYel que você noo ache t~ o.s respos1a:. ~a1i,fa16ria.,. n1a,; 
uma compreens.lo profunda e .ofislicada d:t moti vaç.lo e da emoçlo 
e<uneça primeiro colocando todo o conhecime,uo llisponível sobre 
a llleSll. pru-a enulo .eledonar aquelJS idéia,, que i..10 mais empiri-
camente defensáveis e pessoalmenle utilizúYeis. 
26 Capítulo Dois 
passando a dese111penhar lllll papel de liderança na definição e na 
reflexão sobre a área. Ao longo de 25 anos, o simpósio se realizou 
ininterruptamente, até que uma mudança rundarnental ocorreu em 
1978 (Benja1nin & Jones, 1978). Em 1979, o simpósio quebrou 
a seqüência de seu ten,a motivacional, passando, e111 ve,. disso, 
a considerar tópicos que variavam de ano para ano, sendo q ue 
nenhun1 deles tinha 1nuito, ou 111cs1no nada a ver, con1 motivação. 
O sünpósio de 1979 concentrou-se nas atitudes, e sünpósios 
posteriores detiveram-se em tópicos como gênero, comporta-
mentos de adictos e envelhecin1en to. Lembre-se de que esses 
anos corresponde1n à perda de posto que a 1noti vação sofreu, de 
ser talvez o c,uupo n1ais i1uportante da psicologia para se ver rele-
gada a 1111111 área de segunda classe. Basica1uente, o Sin1pósio de 
Nebraska, assi111 con10 a psicologia c1n geral, perdeu o interesse 
pelo estudo da 1notivação (pelas razões descritas anterionuente). 
Com o declínio de suas grandes teorias, os estudos da motivação 
perderan1 seu foco e sua identidade. 
Entretanto, a história não termina co1n a 1notivação vivendo 
essa crise irre,uediável. Reconhecendo o renascin1ento dos estudos 
da 1uotivação e de seus feitos conte111porâneos (ou seja, da era 
das rninüeorias), os organiudores do Simpósio de Nebraska de 
1990 mais uma vez convidaram os pesquisadores 1nais proemi-
nentes da n1otivação para se reunirc1n e,u u1u silnpósio dedicado 
exclusivamente ao concei to de motivação (Dienstbier, 1991 ) . 
Durante essa conferência, os organizadore,5 perguntara1n aos 
pa11icipantes - Mo11imer Appley, Albe1t 13andura, Edward L. 
Deci, Douglas Derryberry, Carol Dweck, Don Tucker, Richard 
Ryan e Bernard Weiner (de novo, todos nomes famosos no estudo 
da motivação) - se eles achavam que a motivação era nova-
mente u111 can1po forte e n1aduro o suficiente para 111erccer que 
houvesse um retomo exclusivo aos tópicos sobre 111otivação. De 
111aneira unânime e en tusiástica, os participantes dissera111 que 
a 111otivação era de novo uni ca111po de estudo rico o suficiente 
para justificar o encontro anual e111 Nebraska. Os organizadores 
concordaram com essa decisão e, ao fa,:ere1n isso, deram ao 
esn1do da motivação um voto de confiança e um senso de iden-
tidade pública. Desde então, a cada ano o suupósio voltou a ter 
seu foco na n1otivação. 
Nos anos 1970, os estudos da 1notivação enconln1va111-se à 
beira da extinção, "com as costas achatadas", conforme disseram 
dois pesquisadores (Sorrentino & Higgins, 1986, p. 8). O simples 
fato de que os organizadores da conferência tiveram que perguntar 
aos participantes do s impósio se a motivação, por si só, cons-
titui ou não uni ca1npo diz a lgo sobre sua crise de identidade. O 
estudo da n1otivação sobreviveu aliando-se a outros can1pos de 
estudo, e o Sin1pósio de Nebraska de 1990 si1nbolica1uente apre-
goou seu retorno ern direção a um campo integrado e coerente de 
estudo. Com o novo ,nilênio, o esn1do da motivação mais uma 
vez logrou atingir uma 111assa crítica de participantes Íllteres-
sados e proentinentes. Para docu1uentar essa conclusão olünista, 
o leitor pode consultar os principais periódicos de psicologia (p. 
ex., Psychological Review, PsychologicalBulletin, Psychologica/ 
Scie11ce) e esperar encontrar u1n artigo relacionado à motivação 
ern prati camente todas as edições. O que parece é que as ques-
tões e problen1as motivacionais são simplesmente interessantes 
e ünportantes den1ais para seren1 ignorados. E o 111es1110 se pode 
dizer en1 relação aos periódicos de diversas outras áreas de espe-
cialidade (p. ex., Journal of Educational Psychology, Journal of 
Personality and Social Psychology). No novo 1nilê1tio, o estudo 
da rnoti vação está claran1ente de volla à fronteira da psicologia. 
Nos 14 capítulos que se seguirão, o leitor pode esperar encontrar 
u111 carnpo crescenle e ern estado de llorescirnento - um pouco 
desorganizado, porém interessante, relevante e vital. 
Con10 d isse u1n participante do sü11pósio, "se o que você tcn1 
é u111a n1aneira de ajudar as pessoas a u·atar de questões signifi-
cantes em suas vidas, então você verá por todos os lugares avisos 
do tipo 'Precisa-se de Aj uda"'. 
CONCLlJSÃO 
Muito se pode ganhar percorrendo os 24 séculos de pcnsa111ento 
sobre a motivação. Considere as antigas questões: por que se 
comportar? Por que fazer algo - por que se levantar de 111ailhã 
cedo para fazer alguma coisa? Diante de questões como essas, 
ao longo da história, os pesquisadores da 1notivação co1neçaran1 
a buscar os agentes ü1stigadores do con1po1tan1ento - ou seja, 
começaram a procurar identificar o que energiza ou inicia o 
cornportarnento. Durante dois mi lênios (de Platão [c. 428-348 
a.C.] a Descartes [c . 1596-'1650)), o esforço intelectual para se 
compreender a motivação concentrava-se na vontade, que reside 
na alma imaterial. Estudar essa substância imaterial e espiri-
tual foi algo que se mostrou muito difíci l para a nova ciência 
da psicologia. A biologia (fisiologia) n1ostrou-se unia alterna-
tiva n1ais conveniente, unia vez que seu sujeito era 111aterial e 
n1ensurável. Ao responder à pergunta "Por que se comportar'?'', 
a resposta veio a ser que o comportamento serve às necessi-
dades do organisn10. O instinto, o i1upulso e a excitação, todos 
esses 111otivos se tornara111 atraentes, visto que cada u111 deles 
era nitidamente capaz de energizar os tipos de comportamento 
que serven1 às necessidades do organis1110 (p. ex., as pessoas 
levantaJn-se da cama porque tê111 fome e precisa111 con1er algo). 
O incentivo tarnbén1 se sornou a esses constructos, uma ve,: que 
o hedonismo (a busca do prazer e a evitação da dor) explica o 
1uotivo pelo qual os eventos a111bientais truubé111 são capazes de 
energizar o co111po1t a111ento (ou sej a, as pessoas se Jevantain da 
cama para buscar o prazer e afastar a dor). Século após século, os 
pensadores foram aperfe içoando suas respostas à questão sobre 
o que instiga o comportamento, propondo a vontade, o instin to, 
o impulso, o incentivo, a excitação. 
Todo o processo estava indo relativamente be,n, até que uma 
111assa crítica de pesquisadores da 1uotivação percebeu que se 
estava fazendo e tratando da questão errada! A questão da insti-
gação do comportamento pressupõe um organis1110 passivo e 
biologican1ente regulado; ou seja, alguérn que está adonnecido 
e, ao acordar, precisa de algu1n motivo para agir de um n1odo 
co111po11aiuental. E111 algu1n ponto , os pensadores 1uotivacio-
11ais percebera111 que dormir era t,unbén1 u111 co111porta111ento, e 
que o donninhoco notório estava ativamente engajado en1 seu 
ambiente. A percepção q ue se teve é de que estar vivo signi-
fica estar ativo: portanto, os organisn1os estão se111pre ativos, 
sempre se comportando. Não existe t.ernpo em q ue um orga-
nisn10 vivo não esteja se co1nportando; e não existe tempo no 
qual u,n orgai1isn10 não esteja apresentando tanto energia quanto 
dü·eção de compo1ta111ento. Portanto, as questões funda111entais 
da motivação pu.~sar.im a ser as do úpo: por que o com porta• 
n1e:nto varia de intensidade'! E por que as pessoas fazem uma 
coisa e não outra? 
Essas duas questões aumentaram o poder doestudo da moti• 
vação. Os estudos contcmporíincos da motiv:ição passaram 11 se 
conccatr.ir não só na encrgi a do comportamento. mas também na 
sua direção. E.,;se é o motivo pelo qual uis tendências históricas 
- a do organismo ativo, a da revolução cognitiva e a da preocu-
pação com as pesquisas aplicadas e socialmente relevan tes-. 
são tão importantes. uma vez que o campo passou a se: basear 
menos nos agentes instigadores do comportamento, na biologia 
e: nos experimentos labor.itoriais oom oobaias. e a se interess11r 
cada vez mais pelos agentes diretores do comportamento. da 
cognição e dos problemas motivacionaii. humanos. 
Essa mudança de perspectiva abriu as comportas intelectuais 
para a chegada ao campo das miniteorilll>. No lugar das grande~ 
teorias. o cenário contemporâneo agora oferece uma coleção de 
minite:orias. como a motivação de realizaçiio, do estabelecimento 
de metas e da auto-e ficácia. Essas minitcorias respondem a ques-
tões específicas e explicam a motivação cm situações particu• 
lare;. de maneira um tanto eficiente, como veremos nas próxima:, 
págiOJIS. 
RESUMO 
Uma vi.-llo hi$16rka do e.srudo da mOli vaç3o penn,te ao lei lor con ~denu-
como o conceito de motivação ve,o a ntinglr suo proe,uinência. como 
o cainpo se modificou e se desenvolveu. co,no sua,, idéias forun1 ct.,sa. 
fiac.13, e ,ubsÚlU{dilS e, finalmente. como o c::tmpo te...Ufll iU e pa,,,ou a 
englobar diverSru.disc:iplinas na psicologia (Bollei, 1975). Os é-onceitos 
motivnc:ionoh tbn origens filosófJL'aS. Désde a ,\lltiguidade gtega até a 
Re!nasrença européia, a moúvnçilo era entendida dentro de dois te1uas. 
seudo um deles o de que n lllOtivaçlk> era boa. racional. imaterial e ativa 
(ou seja, a \-Ontade) e ouu-o de que a ruoúv-Jç-J.o era prilniti va. in1pul-
sivn, biológica e rentiva (ou seja. o, desejo,, corporais). Entretanto. o 
estudo ftk>,ófico da vontllde \eio a se toniar um beeo-sem-safda. que 
explicava muito pouco .obre a 01otiv:1Ç40. e que de fato fai.ia mui to 
mah pergunta., do que podia responder. 
Paro ellplicar a moli vaçào, o oovo ca,npo da psicologia passou a 
buscru- un:\J análise mais fisiológica. concentr.mdo-se no coocei10 nieca-
nicista do in,timo gerado geneticamente. O aspecto :11raente da doutrina 
do instinto era sua capacidade de explicar o compon;unento nllo-:ipren-
diilo dolado de energia e Je propósito (i,to é. os impul"os biológicos 
direcionados para uma meta). Emrewno. o eswdo tis,ológ,ico do insimto 
também provou ,cr um beco-sem-salda. pelo meno,, em temios da sua 
capocidadede servir como uona grande teoria <Ili mocivoção. A terceira 
grande teoria da o'H>Úvoçào l'oi o impulso. Na teoria do in1pulso. o 
componamento é motivado à medida que serve às necessidades do 
orgnnis1no e restaura a homeosta,;e biológica. A!>sirn como a vonrnde 
e o mstimo. o impulso a princípio parereu algo bastan te promissor, 
especialmente porque er.i cap3z de fazer o que nenhuma outr.i teOria 
,notivacion:tl ha~ia cons,eguldo ante, - ou seja. p,-eclizer a motlvaç® 
ante, que ela ooorresse, a partjr de sua.~ condições ruuecedentes (p. ex .. 
pussar hora~ de privação). Em consequência, essa teoria conquistou 
grande aceitação, e,pecialtncnte manife,lada nas teorias de Freud e ele 
Hull_ Porem. também no final a looria do impulso se 11\ôl;lrOO eweina-
mente limitada em termos de e,copo. e com ess.a rejeiçilll ,obreveio a 
desilusão do campo oo.tn ru, grande,. teoria. em geral. embora diver,,o; 
princípios adiciollllis derivados das grandes tooria,, tenlulm aparecido 
com :tlguo1 M11.-ei.,o. podendo-se n>encionar entre eles o incentho e a 
eitc ilaÇão. 
A l\1olh•:içilo Segundo as Pe,spectivas lü,16rica e Contemporânea 27 
No final, tomou-se claro que. para se obter uru progresso oa compre• 
ensão da niotí,'llçilo, ero preciso que ocnnipo safssc do;. limites de sua, 
grandes teori:ts e nbraçasse o campo menos ainbicioso, poréu1 nws 
promlssor. daJ> miniteonas. Três tendências lti.,t6'-icns exphca,n essa 
u1u1s.ição. Em primeiro lugar. os estudos da motivnçi!o rcjeiumun ,eu 
compromisso com urna ,•isllo pa.._.,iva da n:tturezn hu1nana_ pn,,ando a 
adotar um retralo mai, ativo do, seres lllllnano:,. Em ,egundo. a ,noti-
vaçoo tornou-:,e rugo decididamente cognitivo. e truubé.on um tanto 
hnmtlnista. Em terceiro. o campo concenlfou-se nos problemas apli-
cados e de relev!lncia social. O fato de o campo ter mudado o foco para 
a. m.initeorllh foi em parte um de;;o,.tre e em parte um golpe de sorte. 
No que diz respeito ao de:,a:,tre_ a motivação perdeu seu ,tatus confor-
táveJ de princip.tl disciplina elo psicologia. caindo rapidamente para um 
sWlus de segund:i classe. Diante disso. os pe:.<.quisadores da mou,•açllo se 
disper.wwn paro prnticameote todas a,. áreas d:1 psicologia (p_ ex_, para 
n psicologia so..'iaL do desenvoh•ime,uo e clfnica) e forjaram alianças 
com outro, ca111po,;. cotn ele., di vidinllo idéia:,, constructo,_ metodolo-
giru. e pei-,,pectivas_ Porém. i.so :1eabou :.endo o golpe de ,one da mOli-
\'açâo. uma vez que a dispe1'&00 do campo por uma ampla faixa de outros 
campo,. de estudo provou ser um terreno fértil parn o desenvol\•imento 
de um grande otlmero de 1nioi1eorias esclarecedoras. 
O telll3 que perpossn todo este capítulo é que os estudos motivacio-
11ais têm sofrido uin const.a1ue processo de desenvoh imento, embora 
continuem a perm:rnecer em uin estágio pré-parndigmático de desenvol-
,•imento. Em recro,,pecto. o;. estudos da motivação progredir-.un desde 
con1:eitualizações relativan:iente simphst,1s paro uino ooleção cada vez 
,nais crescente de i11sighrs sofisticados e einpiricamenie defensáveis 
a respeito da;. forças que energizam e direcionam o comporta1nemo. 
Com a ,~ mda do novo milênio. as grande~ teorias 3C3bnram. E o que 
surgiu para subs111uir un1 cainpo outrora uniticado e dominado por u111 
comprotnisso consensual a uma série de grandes teorias foi a adoçllo 
de três pomos em comum por pane de un1 eclético grupo de pesqui-
sndoi·es: ( 1) questões fundamenrois (p. ex_ o que causa o compona. 
niento ei1ergético e direcionndo?J: (2) con~tructo, runda111entois (ou 
seja_ necessidades, cognições. ernoçõe.~ e eventos extemos) e (3) llJll3 
história com p:trtilhnda. 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIO AIS 
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Capítulo 3 
O Cérebro Emocional e Motivado 
O CÉREBRO EMOCJONAL E MOTIVADO 
Três Pl'iocípios 
1. Estruturas rerebmis especiJi~is gtrrun estados 
moti 1• acionais e emocloruús especfficos. 
2. Agentes bioquímicos esciinulllffi essas e,trurums oerebrais.3. Os eve1t10, do dia-a-dia füzeiu o,, agentes b1oquímlcos 
entrarem em :içllo. 
OLHANDO DENTRO 00 CÉREBRO 
A APROXIMAÇÃO VERSUS A EVITAÇÃO GERADAS NO 
CÉREBRO 
tli poullamo 
Feixe Prosencefilico Medial 
Amígdala 
Circuito Sept~H,pocrunpal 
Form;içilo Reticular 
Q uanto lllllÍs você fica sem comer, mais fome você sente. M as, 
como o comediante Jerry Seinfeld costumava dizer: "E daí?" O 
c ulpado pelo surgimento da sens:içüo de fome é provavelmente a 
grclrna. um hormônio fabricado no estômago que e ntra na c ircu• 
la1,-ão sangüínea e é detectado pelo cérebro. Quando uma pessoa 
passa muito lcmpo consumindo pouco ou nenhum alimento (ou 
seja. quando faz dieta). o estômago e os intestmos detectam a ínlta 
de nutrientes e começain a liberar grelina na corrente sangüínea. 
Existe uma estrutura cerebral (o hipotálamo) que constante• 
mente monitora a quantidade de grclina no sangue. de modo que. 
quando o nível dc.,;sc honnônio a umenta, o hipotálamo detecta a 
mensagem enviada pelo estômago e pelos intestinos: "'estamos em 
falta de nutrientes. mande-nos mais ... Essa men.sagemcstimulao 
hipotálamo a criar a experiência psicológica da fome. 
Veja como isso funciona. É meio-dia. e alguns psicólogos 
seus amigos convidam ,·ocê a se juntar a um grupo de voluntários 
que irlo participar de um a lmoço cm que se pode comer tudo o 
que puder (Wrea ct aL. 2001 ). O almoço é gr:íti.~. e cada convi• 
dado pode comer quanto quiser. Porém, h:í um dctaihc. Trinta 
minutos antes do banquete. os pesquisadores aplicam em alguns 
voluntários uma injeção intravenosa de grclina, enquanto que 
os demais voluntários recebem uma injeção de plaC'ebo. Depois 
de aplicar as injcçõe.~. o~ pesquisadores pegam suas cadeiras. 
scntam•se e ficam observando o que acontece. E o que ele.~ vêem 
é que os voluntários que receberam placcbo almoçam normal• 
Córtex Pté-Fronllll e Afeto 
AS VlAS DOS NEUROTRANSMISSORES NO CÉREBRO 
Dopamina 
A Libe~o de Dopamina e a Antecip:içilo da Recompensa 
A Biologia da Recompen,;a 
A Dopamina e a Ação l\1olivad:i 
O MUNDO EJ.1 QUE O CÉREBRO VIVE 
A l\1olivação Nilo Pode Ser Separada do Contexto Social em que 
E.~~ inserida 
Net11 Sempre Te1110,, Consciê11cia da Bru,e l\10livacional do 
Nosso Comportamento 
co:,iCLUSÃO 
RESUl\10 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIONAIS 
mente. enquanto os voluntários que rcccbcr.un uma do.\c extra 
de grelinn se empanturram. 
Con.~idcre um segundo caso. Pe5Guisadorcs monitor.iram o 
nível natural de grclina e m adultos :10 longo de um período de 
vários dias (Cunniogs ct ai~ 2002). Após medir os níveis natu• 
mis diários de grclina nesses adultos. os pcsquis-.tdores pediram 
a alguns deles que ioicia.~sem uma dieta de três meses. A dieta 
foi cuidadosamente elabor.ida e incluía um programa de intensos 
eJtcrcícios fisicos. Vcrificoa•se que a dieta funcionou. Em média, 
os que fizeram dieta perderam cerca de 20% de seu peso corporal, 
e mantivcr.un essa perda de peso por mais três meses. Ao longo 
desse te1npo após o término da dieta, O.'> pesquisooores continu-
aram a monitorar os níveis de grclina nos indivíduos em questão. 
E. sem que esses indi viduos soubessem, seus níveis de grel ina 
continuaram elevados. Mesmo três meses após o fim da dielll, 
quem a havia feito estava se sentindo '"famialD o tempo todo". 
A Figura 3.1 mostra a quantidade de grelina no sangue de indi• 
1·fduos que fizeram dieta ao longo de um dia normal. A figura 
mostra os níveis diários de grclina verificados tanto na ocasião 
em que essas pessoas iniciaram a dieta (linha tracejada) quanto 
cm um período de três meses ap61; terem perdido peso ( linha 
contínua). 
A Figura 3.l salienta quatro pontos importantes. Primeiro. 
vê-se que o nfvcl de grclina apresentou-se cronicamcntc elevado 
após a conclusão da dieta (a linha contínua C!>tá ~mpre acima 
600 
300 
} 
I \ 
I \ ..-r-, 
.. .\ r / : -, 
, /\ \ I : ' 
I \ 1 I \ I ; ' J \ \ - \ ,, • 
/ 1 / \ \ / , , . 
\ I \! . 
'/ : 
• Á . 
Anu:.< d• ~ de Peso 
200 
6 9 12 l~ 18 2t 14 
HorisdoOb 
Flgurn 3.1 Ní1•eis de Grellnn na Corrente Sangillnea ao Longo de um 
Periodo d~ 14 Hora,._ em llldivítluos que P-12:erom e que Não Rzer.ui1 
Dietll 
Ob,n•ação. A linha comínu.i rqll~nl'1 os níveis de grdiRO m cacb honi cm 
indivíduos que tcmunamm uma dtrtm trcs meses IItnú.. perdendo 20'.I- do S<:U 
p<so mrporol. A hoha 1111<'.cjada <qR!,Cnl.l 0> nh·d, horirio,, de gn,Un2 dc:s,,cs 
mesmos 1nd1'iduos antes de começarem a dieta e. porumto~ ante.s de havacm 
p<rdldo W'l- do seu peso corpornl. 
Fnnre. cxtmído de Plasma Ghr,l,n Le,•tL, Afta Di,i-11rduc,d "'"'li'" Loss "' 
GOJ,lrli: B_1pas1 SurgtF)·. D. E. C\t.mmings. D. S. Wc1slc. R. S. Fruyo. P. A. 
Breco. M. K. ~la. E.. P. Dclltngcrc J. Q. Pumcll. '!fJJ2.N,..., EAglandlournal e, 
/1! rdid1te. 346. 1623-1630. Copyrighl 10 2002 Massa<'busetis Medical Society. 
Tod0« os drrctlO.'< rc<crVados. 
da linha tr.icejada). Segundo. o nível de grclina se eleva e cai 
ao longo de um dia nonnal (atingindo picos cm tomo das hor.is 
correspondentes ao café da manhã. ao almoço e ao jantar). 
Terceiro, quando se come. o nI,•cl de grelina sofre uma r:ípida 
diminujção. Quarto, o menor nível de grelina (e. conscqüenLe-
mcnte. a menor seni.ação de fome) cxperimenl:ado após o término 
da dieta igualou-se oo mais alto nível de grelina (logo. maís fome) 
antes da dieta, o que significa que a menor fome experimentada 
por quem havia passado pela dieta foi c:quivalenle à maior fome 
ex.perimeatada por quem ainda não havia feito dicla. 
A mensagem~ que 3 privação de nlimcnto por dieta induzida 
faz o COTPO gerar uma intensa força contrária. que lenta inter-
romper a dieta e a pri\'ação de alimento (isto é, que produz um 
pico de grelina). Como dis.'iC uma mulhcT que passou pela dieta 
e experimentou um desses períodos de intensa fome correspon-
dentes aos picos de grclina: "'Quando olhei para aqueles biscoitos 
amanteigados no freezer. foi como se na minha cabeça come-
çassem a repicar os sinos de uma catedral". De um ponto de vista 
motivacioruil, o papel da gTelina é estimular o cérebro. dizendo-
lbe: ~coma. coma. coma!" 
PoT oulTO lado, mais otimista. o corpo também é dotado de 
hormônios supressores da fome. Da mesma maneir.i que o estô-
mago e os intestinos .secretam gTCl ina par-.i a corrente sangüínea 
com o propósito de estimular o apetite (produzir a sensação de 
fo,ne). o estômago e os intestinos também secretam lcptina ao 
sangue. com o propósito de comunicar a saciedade (n sensação 
de estar cheio). Só qae. durante a privação de alimento. o nível 
O Cérebro Emocional e ~1otiv:ido 29 
de lcprina cai (Cummings ct al.2001 ). Dessa foTma. ao f:u.erem 
uma dieta, a.~ pe!>soas têm que suportaT um duplo golpe moti-
vacional - os elevados níveis de gTclina cstjmulam a fome. 
ao mesmo tempo que os baixos níveis de lcptina suprimem a 
sensação de saciedade. Se isso é ruim parn quem faz dieta. por 
outro lado ajuda a explicar a fome e a saciedade. Ao produzir. 
secretar e monitorar esses dois hormônios, nosso corpo regula os 
estados motiv:1eionais tanto cm relação à escassez de alimento e à 
perda de peso (quando ocorre um aumento de grelina e uma dimi• 
nuição de kplina) quanto cm relação à abuncliincia de alimento 
e ao ganho de peso (quando ocorre uma diminuição de grelina 
e um aUJI1ento de leptina). 
O CÉREBRO EMOCIONAL E l\<IOTIV ADO 
Por que o cérebro é importante? A maioria das pessoas. ou mesmo 
pr.1Licamen1c todo muado. diria que o cérebro é imponnnle 
porque executa as funções cognitivas e intelectuais, incluindo o 
pensamento. a aprendiz.agem. a memória. a tomada de decisões 
e a !>Olução de problemas. Esses processos cerebrais são muito 
importanles: porém o cérebro faz mais do que isso. O cérebro não 
é somente algo pensante. mas é também o centro da motivação 
e da emoção. gerando ânsias, ncccs.~idades. desejos. prnzcT e 
mais todo o espectro de emoções. Em outras palavras: enquanto 
ex.ccula suas funções_ o cérebro se encarrega não só da tarefa que 
cst.á sendo executada (utilizandosuas funções cognitivo-inte-
lectuais). como também se envolve bastante com o fato de você 
querer fazer essas tarefas (cérebro motivado) e também COIJl o 
modo como você se sente enquanto as faz (cérebro crnocioaal) 
(Gray. Braver & Raicble. 2002). 
Todos os estados motivacionais e emocionais envolvem a 
panicipação do cérebro. Para verificar essa afirmação, faça com 
você mcSIJlO um experimento: tentccxpcrimentar raiva. fo1JJe ou 
curiosidade sem primeiro recrutar a participação do cérebro. É 
algo um tanto diffcil. E. ao tentar fazer isso. você acaba se dando 
conla de que. quando se trata de compreender o que sejam moti -
vação e emoção. o cérebro é o astro do !>bO\V. Por outro lado. o 
cérebro também dispõe de uma list::i de atores coadjuvanLes, que 
inclui os principais órgãos do COTPO (p. ex .. o fígado e o estô-
mago). e toda a atividade bioquímica que se processa pelo corpo 
(p. ex., os harmónios). Parn ilustrar como o cérebro cria, mantém 
e regula os estados motivacionais e emocionais, coru.idcre os trê5 
princípios que arrolamos a seguir. os quais oTganiz.am a maneira 
como os pesquisadores motivacionais estudam o cérebro. 
Três Princípios 
Como mostr.un os pares de exemplos listados na Tabela 3.1, os 
pesquisaclore.~ motivucionais mapeiam quais eslrutur:1s cerebrais 
estão associnda.s a quais estados motivacionais, além de eslU• 
darem como essa.~ estruturas cerebrais são ativadas, e como os 
eventos do dia-a-dia promovem esse processo de ativação. No 
ca.~ da fome, por exemplo, fazer dieta é a lgo que le,•a o inlcs• 
tino a produz.ir grelina: a grelina é então lançada na circulação 
sangüínea. o que a faz estimular o bipotálamo lateral: por sua vez, 
a estimulação hipotalfim.icn produz a sensação de fome. E quando 
uma pessoa experimenta uma boa sensação em decoITência de 
30 Capíu1Jo Três 
Tnbela 3.l Dua.'i [lu,.troç&s do Cérebro MOl.ivado (Sen~o de Fome) e Ernocional (Sensaçilo de Praze;-) 
Sit,tSQfãO til' Foml': a privação de alimento pro,oca a fome por meio de seu. .. afetos sobre o grelina e o tlip01álllf00: 
A. 8. e. D. 
E,·ento Ambiental - Agente Bioquímico - E.,1ru1ura Cerebral Auvada - E-udo Motivacional Exc11ndo 
Privaçào de alimenlo 
(iSIO é. dieta) 
Grehna (honnônio) 
produzida e em 
círculaçào na 
A grelina estimul3 
o hip01álarno 
O l\ip01álamo estimulado 
cria o experiência de rome 
corrente sMgtlínea 
Princípio 1: O hipo1ólamo gero a serMÇoo de fo,ne (C .... D). 
Princípio 2: O aumen10 da grelina estimula o hipo16.Jamo (B - C). 
Principio 3: A privllÇlk> de alimento (dieta) awneJlla o nível de grelirul (A - B). 
s~,craçáo di, Bt!m-Es1ar. um e,·en10 bom e inesperado gero sensações prozerosa., atra,é.s de ~eu., efeitos sobre n dop:un,na e as e,tru1ura, 
límbica.. 
A. B. e. D. 
Evento Alllbiental ..... Agente 8ioql1Íluico - Es1n11ura Cerebral Ativada_. Estado EnlOcional Eui trulo 
Evento prazeroso e 
inesperado 
Doprunill.a 
(neuro1.ran,nussor) 
liberad:l no 
A dopamina tilÍlnul.a as 
esltUruras límbica.-. tais como 
o feixe prosencefálico 
Sen.'laÇão de betn-est.ar. 
de prazer 
cérebro medial (FPJ\1) 
Princípio 1: 
Pdncíp,o 2: 
As esrnnuras límbicas (p. ex .. o FPJ\11} geram o prazer e a sensação de be,n-esw (C-+ D). 
O oumen10 do nível de dopamino eStJmulo ~ estruturas límbicas (8 - C). 
Pdncípio 3: E\entos agradáveis e inesperados estimulam a liberoç3o de dopamino (A - 8). 
um evento inesperado e agradável (por exemplo, receber uma 
e.arta de um amigo). essa experiência fuz a árc:i tegmcntal ventral 
liberar dopamina; por sua ve-L. a liberação de dopamina estimula 
as estruturas límbieãS. e a estimulação das estruturas límbicas. 
a.~sim como do feixe prosencefál ico medial. acaba gerando uma 
calorosa sensação de bem-estar. 
1. EstrulurdS cerebrais específicas geram es tados 
motivacionais e emocionais ~ pecíficos. 
A estimulação de um ponto específico do cérebro gera a cxpc• 
riência de um estado moli vacional específico. No exemplo 
que acabamos de dar, a estimulação hipotalâmica faz surgir a 
sen.~ação de fome. Outra manei.ru de dizer isso seria a de que, se 
acontecer algo que danifique uma determinada estrutur.1 cerebral 
(como ocorre em um acidente ou cm uma cirurgia), a capacidnde 
da pessoa de experimentar um estado moli vacional específico 
pode ficar comprometida. Em algun.~ casos.. não é a csti mulação 
de uma determinada estrulura cerebral que faz surgír a experi• 
ência motiv:icionnl; cm vez disso. é a estimulação de um c ircuito 
neural - um grande número de estrutur.i.s cerebrais interconec-
1adas - que gera o estado motivacional. Como veremos. muitas 
estruturas cerebr.tis do sistema límbico estão interconcctadas. e 
u estimulação do circuito ger.1 um estado motivacional especí-
fico. Ainda em outrOli =~os. a estimulação de uma via neuro-
transmissora gera um estado motivacional e,pccífico. Ao longo 
deste capítulo. vamos expiar.ir a maneiro como n estimulação 
de estruturas cerebrais específicas. de circuitos neurais e de via. .. 
neurotransmissor.is no cérebro íaz surgi r estados motivacionais 
específicos. 
2. Agentes bioqu(mkos estimulam ~ 
estruturas t~r~brais. 
Se estruturas cerebrais específica.~ dão origem a estados moti• 
vacionais específicos. enliio a próxima pergunta a ser feita é: de 
que maneira essas estrutura.~ cerebraL~ são. cm primeiro lugar. 
estimuladas? As estruturas cerebrais têm receptores localizados 
que as dotam de potencial para serem estimuladas. Os agente.~ 
bioquímicos que estimulam esses locai.~ dos receptores são os 
neurotransmissorc.~ e os honnôniOli. Os neurotransmissores são 
os mensageiros de comunicação do sistema nervoso (que fazem 
com que um neurônio possa se comunicar com outro), ao pnsso 
que os hormônios são os mensageiros de comunicação do sistema 
endócrino (que fazem as glândula.~ se comunit'llr com os órgãos 
do corpo, tais como o coração e os pulmões). Portanto, para 
compreender o sobe-e-desce dos estados motivacionais, preci-
samos atentar para a m:1ncira como os neurotrans missores e os 
hormônios e~1:imulam e desestimulam os locais cerebrais espe-
cíficos. 
3. Os eventos do dia-a-dia fazem os agentes bioquímicos 
entrarem em ação. 
Para rrali:wr esrudos relacionndos a esse tipo de pesquisa. os 
c irurgiões cos pcsqaisadores motivacion11iscstimulnm artificial-
mente a~ estruturas cerebrais (veja a Figura 3.2). Assim agindo. 
.. ,: '~ ':_ ~; - ... 
··,' ·.,~,, -
..... . f/1' ' ·,·;· ~ • 11' • ~ • . ~• ·. . · . . • • • 
• , .. ,, - "1>" . ,, . 
' .. , .. 
Figura 3.2 Fotogr.ifia de um Cónex l lumano Exposto 
Fonr,: ilustração extraída de The Excuab/e Ctrta m CtmSnous .\fa,z. de \V. 
Palicld. 1958. lngl:ucmi: Li•crpool Univcni1y Prcu. 
eles conseguem de isolar uma função específica de uma ~1.rutura 
cerebral. Porém, é for.ido laboratório, ou sej:i, em situações como 
cm casa, na escola, no trabalho e na quadr.1 de esportes - em 
suma. nos evenlos do dia-a-dia - . que o cérebro emocional e 
motivado é estimulado para entrarem ação. No exemplo da fome, 
foi o fato de se fazer d ieta. ou de se privar de alimento. que fez 
com que o hormônio grelina enlnl.SSc cm ação. Já no exemplo 
da sensação de bcm•estnr. um acon1ccimento trivial, inesperado 
e positivo estimulou a liberação de dopamina, a qual fez ocorrer 
no cérebro eventos que Lerminara111 pClf" produzir uma sc:osaçiío de 
bem-es tar. Se. para eonb.eccr a motivação e a emoção. é preciso 
compreender como o cérebro funciona. também é necessário 
estabelecer um.a conexão entre os eventos diários da vida e a 
ativação do cérebro. A última seção deste capítulo volta a e~sa 
discussão sobre como os eventos do cotidiano ativam os neuro-
trJJtsmis.sorcs e os hormônios. colocando assin, as estrutura.~ 
ccrebr.i.is cm ação. 
, 
OLHANDODENTRODO CEREBRO 
Os pesquisadores dispõem de diversas mancirus de olhar dentro do 
cérebro com o objetivo de ver o que nele est:í se passando durante 
os estados motivacionais e emocionais. A primeira maneira é 
o velho recurso da cirurgia (que discuúremos a seguir). Uma 
O CérebroEmocional e ~1oliv:ido 31 
segunda maneira de observar o cérebro depende dos recursos da 
alta tecnologia: a IMR1 (que também iremos comentar). 
Imagine que você esteja sofrendo de uma dor crônic:i, e decide 
consultar uma médica. a qual lhe diz que é preciso faur uma 
cirurgia para aliviar a dor. Durante a cirurgia.. parte do seu córtex 
cerebral - ou seja. as camadas exteriores do cérebro - ficará 
exposta, como ilustra a Figura 32. Serrar o crânio para ter ac~so 
ao cérebro (com o propósito de. por exemplo. remover um tumor 
cerebral) ainda é. nos dias de hoje. um prooedimento basmnLe 
utiliz.ado, embora estejam sendo desenvolvidos e testados proce• 
dimcntos menos invasivos. Por exemplo. hoje cn1 dia há cirurgias 
cm que se insere uma pequena c âmera por uma narina ou por uma 
incisão atrás do ouvido. a qual envia imagens internas do corpo 
a uma Leia de computador remoto. Vamos imaginar. porém. que 
você será submetido a uma cirurgia mais Lradicional.. 
Enquanto se prepara para a cirurgia. vooê é informado de que 
terá que ficar acordado durante a operação! Isso é necessário 
porque a cirurgiã preci.sn coordenar a estimulação que ela fará 
nos locais de seu cérebro oom n.~ percepções e respostas espccí• 
ficas que vooê dará. Primeiro, a médica tocu a superfície do seu 
córtex com uma pinça pequena e delgada. que emite uma corrente 
elétrica elltremamente fraca. (Como o cérebro não tem recep-
tores da dor. a estimulação cerebral é indolor.) Quando cln toca a 
primeira área. súbita e involuntariamente você n1exc um dedo da 
mão: e depois que ela retira a pinça. você retrai a boca de um jeito 
que lhe faz parecer imitar o Humphrey Bogart. V ooé não e ntcnde 
o que está se passando, e os movimentos ocorrem for.i do seu 
coatrole intencional. A cirurgiã vai estimulando seu cérebro. e seu 
corpo vai se mexendo de maneira nutomática. Quando a cirurgiã 
estimula eletricamente o seu tronco ccrcbrnl. a dor subitamente 
desaparece. An1es que você pense que se IJ1Jlll de ficção cicnúfica, 
devemos dizer que é uma história baseada em dois estudos reais 
(Hosobuchi. Adams & Linchitt. 1977: Penficld. 1958). 
O córtex cerebral mostrado na Figura 3.2 es tá cm grande parte 
associado a íunções cognitivas como o pensamento, o planeja• 
menta e a lcmbr-J.nça. Se a cirurgiã continua.\SC a 3plicar a pinça 
tnais profundamente (algo que iretnos fazer em breve). acabaria 
por entrar cm conllilo com o sistema límbico - a parte do cérebro 
intricadamentc envolvida na motivação e na emoção. 
Nos dias de hoje, o ,nétodo mais avaoçado de observar o 
cérebro cm profundidade é o emprego do IRM funcional (JRM f). 
O IRM (magnetic reso11ance ü11aging- mapeamento por resso-
nância magnética) produz uma imagem instantânea detalhada 
- uma fotogr.ifia eletrônica - da estrutura cerebral do paciente 
quando este se deita sob uma enorme máquina dotada de um 
grande ímã e lig_adn n un1 computador. es tando a cabeça do 
paciente conectada à máquina por meio de sensores. Enquanto 
o pacicate c.~perimcata certos estados motivacionai.s e emocio-
nais. a máquina vai detectando alter.ições na oxigenação de seu 
sangue. causadas pela atividade cerebral. Com o tempo. a lRMf 
vai produzindo uma versão em fita de vídeo da ati vidade cerebral 
da pessoa momento a momento. à medida que ela vai ellperimen• 
tando esses diferentes estados motivacionais e emocionais. 
10riginJlmcntc • ~ig)a é 0.IRI (/imrtimwl m11gM1ic rr so/flJJfer in11J11m11), 
A~mos IRMf ( fflJlpcamen10 por rcssoninciu magnétiro func,oo:il ). 
(N .R.T.) 
32 Capíu1Jo Três 
Hlpot>bmo 
Arrugd>l3 
Form:,çio 
Rctlcul•r 
Figuro 3.3 Seçllo Trnn~versal do Cérebro Mo,tr.Uldo a P~iç-Jo Anatômica da... Prindpab ~ll'Urura,, Cerebra~ Envolvidas na Motivação e na 
Emoção 
A Figur.i 3.3 mos1111 a localização anatômica de diversas 
estrururas cerebrais relacionadas à moúvação e à emoção. E.~sa 
imagem é o tipo de fotografia que se pode produzir por meio de 
um lRM. Várias l:l>11'Uturas mo~1:radas na figura existem dentro 
do sistema límbico. também chamado de lobo cerebral interno. 
que encobre o tronco cerebral e encontr.i•sc situado abauo do 
cónex (Nauta. 1986). As principais estruturas límbicas do cérebro 
são o hipotálamo. a amígdala. o hipocampo. a área scptal. a área 
lcgmcntal ventral e as fibras que conccram essas estruturas a uma 
rede de comunicnções (Isaac.soo. 1982: veja a Figur.i 3.3 ). 
Observando a IRMf, os pesquisadori:s podem associar deter-
minados estados motivacionais e emocionais a determinados 
locais do cérebro. O indivíduo investigado pode estar privado 
de alimento (isto é. faminto). contar um episódio cm que expe-
rimentou medo. ou relatar uma experiência positivo. como o 
' recebimento de uma compensação financeira. A medida que a 
motivação e a emoção da pessoa se modificam. também se modi-
fica sua atividade cerebral. E a IRMf é capaz de captar essa~ 
mudanças dos c.-.tados cerebrai~ para confirmar qual é o compor• 
truncnto cerebral durante a fome. o medo. um evento positivo e 
assim por diante. As principais estruturas cerebrais envolvidas 
na motivação e na emoção aparecem listadas na Tabela 3.2. 
A APROXIMAÇÃO VERSUS A EVITAÇÃO 
GERADAS NO CÉREBRO 
Quando imaginamos uma pessoa experimentando um estado de 
motivação. provavelmente pensamos que a motivação se rela-
ciona com o falo de o indivíduo eslllr realizando um grande 
esforço. Porém. uma outra dimensão fundamental relacionada 
à motivação e à emoção é a aproximaç.'io vers11s a evitação. Boa 
parte da ati vidadc cerebral c:slâ organizada em tomo da produção 
de uma disposição manifes tada por uma mcn.~:igem excitatória 
do tipo ~sim, quero isso". ou por uma mensagem inibidora do 
tipo "l\!Jío, não quero isso". 
Nesta seção. as principais estruturas moli vacionais e emocio-
nais do cérebro listadas na Tabela 3.2 foram organizadas em dois 
grupos: a~ associadas à geração de aproxinmçâo e as associadas 
à geração de c\'Ílaçâo. A seção que se segue salienta os princi• 
pai, papéis motivacionai~ e emocionais desempenhados por: ( 1) 
duas estruturas relacionada, à aproximação - o hipotálamo e 
o feixe prosencefálíco medial. (2) dua., estruturas relacionada., 
à cvit.ação - a amígdala e o hipocampo. (3) o córtex cerebral 
pré-frontal associado lllllto à abordagem quanto à e,'UaÇ5o. e (4 ) 
uma estrutura associada à excitação: a formação reticular. 
Hipotálamo 
O hipotálamo é urna pequena estrutura cerebral que corres-
ponde a menos de 1 % do ,·olume total do cérebro. A dc.,;pcito 
do pequeno tamanho, é um gigante motivacional. O hipot.1.lamo 
constitui-se de uma coleção de 20 núcleos vizinhos e interco-
neclados que servem a funções separadas e distinta.~. Através da 
estimulação desses 20 núcleos separados. o hipotálamo regula 
um grJOde c:o;poctro de importantes funções biológicas, incluindo 
os atos de comer. beber e copular (por meio das motivações para 
O Cérebro Emocional e ~1oliv:ido 33 
T abela 3.2 E.-iados Motlvaciouai5 e EnJOCionais A.~oci:idos n EslJUtllt:lS Cerebrais. Específica., 
Esuuru.ra Cerebral Experiência ll1otivacional ou Emocional Associada 
E.ill'llluras Orientadas para a Aproximação 
Ili poral::uno 
Feixe prosencefáHco medial 
Área septal 
Sensações prazerosa. as...ociadas ao ruo de comer. beber e copular 
Pr:uer. ref on,-o 
Centro de prazer associ:ido à sociabilidnde e à sexualidade 
Cónex cerebral (lobo,. froru.ais) 
Cónex cerebral pré-frontal esqueroo 
Elaboração de planos. determin:ição <li! objetivo_~. formulação de intençllb 
Tendêncilll> rnotivacionai, e emocionais de aproxinmção 
E.<íl:ruturas Orientadas para a EYitaçiio 
Cóne,~ cerebml pré-frontal direito 
Amígdala 
Tendências rn01ivacionai.ç e e1nocionai,- de afa_,tllmento 
Derecç!'ío e resposta ils runeaças e oo perigo (p. ex~ por meio do 1nedo, da roi va e da 
ansiedade) 
Hipocan1po SL,1ema de inibição componrunenUI.I durante eventos inesperados 
&"trulura Orientada paro a E.xciloçiio 
Formação reticular 
fome. saciedade. sede e sexo: Tabela 3.2). No Capítulo 4. vamos 
detalharo papel do hipotálamo na regulação d= necessidades 
fisiológicas. Como mostrtl.ci o Capítulo 4, a estimulação hipo• 
talâ.mica gcm desejo por. e o prazer a.~socindo a água, alimento e 
contato com parceiros sexuais. Porém. aqui nossa discussão está 
centrada no papel do hipotálamo na regulação tanto do sistema 
endócrino quanto do sislerna nervoso autônomo. Regulando 
esses dois sistemas, o hipotálamo também é capaz de regular o 
ambiente corporal interno (p. ex •. a ta.Q de batimenLos cardíacos 
e a secreção hormonal), de modo a criar uma ad:'iptução ólirna 
do indivíduo ao ambiente (p. ex., fazendo o indivíduo enfrenlar 
um estrcssor). 
O túpotálamo controla a glândula piluit.ária -conhecida corno 
"glândula mestra" do sistema endócrino (Agnati, Bjclkc & Ful(e, 
1992: Pen. 1986). Analomicamenle, o hipotálamo enoontr.i-se 
imcdiat:imcnlc ac ima da piluit:iria e regula esta glândula sccrc-
1ando honnônios para pequenos vasos capilares a ela concclndos. 
Por sua vez., a glãndula pituitária regula o ~istcma endócrino. 
Assim. enquanto a glândula piruitária regula o sistema endó-
crino (hormonal). o hipotálamo regula a glândula pi1ui1ária. Por 
Cl(cmplo. par.1 aumentar a exciLnçlio, o hipotá lamo estimuJa a 
glândula pitui tária a liberar hormônios na corrente sangiiínea. 
com o propósito de estimular as glândulas supra-renais. para 
que estas. por sua vez. liberem hormônios ( cpincfrina, nore-
pincfrina) que irão desencadear a bem conhecida resposta de 
ulular ou fugir". 
O hipnuílamo tambén1 con1rolu o sistema nervoso :1u1õnomo. 
O sistema nervoso autônomo (SNA) inclui todas as inervações 
neuronais conectadas aos órgãos corporais que e;.1âo sob con1role 
involuntário (p. ex .. o coração, os puJmõcs, o fígado, os intcs• 
tinos, a musculatura). O SNA é dividido entre o si~1cma el(ci-
ta1ório simpático. que acelera as funçõc~ corporais e alerta o 
corpo (como acontece no aumento dos baúmentos cardíacos), 
e o sistema inibidor parassimpático. que facilita o repouso. a 
recuperação e a digestão que se seguem a experiências corporais 
de estresse e cmcrgéncia. Assim, o sistema nervoso autônomo 
começa no hipotálamo {o b.ipotálan10 é o gânglio cefálico. ou 
ponto de partida, do SNA) e estende seus nervos pelo corpo por 
meio da inervação de seus diversos órgãos. 
Quando cxpcricnciamos uma alteração i mportantc no ambiente 
(p. el( •. o surgimento de uma ameaça ou de uma oportunidnde). o 
b.ipolálruno tem duas maneiras principais de regular a reação do 
corpo. fazendo-o enfrentar com eficácia essa alleraçào ambiental. 
Por um ludo, o hipo1:Uamo pode gerar uma el(citação (ativação 
simpática) ou um relaxamento (ali vação parn.'iSimpática) por meio 
de uma estimulação do SNA. Por outro lado. o hipotálamo pode 
estimular o sistema endócrino a, por sua vez., estimular a glândula 
piluilária a liberar hormônios na corrente sangüínea. 
Feixe Prosencefálico Medial 
O feixe prosencefálico medial é uma coleção relativamente 
grande de fibras semelhantes a vias que unem o b.ipouilamo a 
outras e.,;truturas límbicas. incluindo a lírcn septal. os corpos 
mamilares e a área tegrncntal ventral O fei.Jte proscncefálico 
medial encontra-se Ião cstrcitumenlc conectado ao hipotálamo 
que muitos dizem não ser possível di~sociar o hipotálamo lateral 
das fibras do feixe proscnccfálico medial que o atravc.'iSUffi -
ou seja, tem-se com isso uma es1ru1ura única (lsaacson. 1982). 
Em termos de molivação, o feixe proscnccfãlico medial é algo 
pról(imo de um ·'centro do prazer'' em nosso cérebro. Se uma 
cobaia for equipada com uma pequena mochila clctrõnica, 
confonne mostr.i a Figura 3.4. e se os pesquisadores utilizarem 
um computador portátil para C.'itimular o feixe prosenccfálico 
medial do animal. este irá repetir sempre o mesmo comporta-
menlo que apresentava durante a eslimulação de seu fei.'lle prosen-
cefálico medial. Ou seja. a estimulação do feixe prosenccfál ico 
medial cria uma sensação de prazer, que faz com que a cobaia 
aja como se cstivcs.,c reccl>endo um reforço posilivo. de m.odo 
bastante parecido com o que ocorreria se ela estivesse recebendo 
um reforço real. tal como seu alimento favorito. Ao estimular 
o fei.Jte prosencefálico medial no tempo certo. os pesquisadores 
podem, por Cl(cmplo. motivar/reforçar um animal a aprender 
como a1ravessar um labirinto (Talwar el ai., 2002). 
34 Capítulo Três 
-- -
Figura 3.4 Raro com uma " Mochila Eletrônica" Capa7. de Liherar 
uma Pequena Estimulação ElétJica no Cérebro por Meio de Controle 
Re1noto 
Nos seres htnnanos, a estünulação do feixe prosencefálico 
medial não produi sensações intensas de praier ou êxtase. roas 
gera sensações positiva~ (Heath, 1964), co1no indica a seguinte 
observação clínica de pacientes esquizofrênicos que receberrun 
estimulação elétrica no cérebro: 
Os pacientes adquiriam um sen1b/a11te brilhante, parecendo ficar 
mais a/erras e atentos ao ambiente dura11te o período de estimu• 
laçiio, ou pelo menos duran1e un., poucos millutos após. A.o expe· 
rime11tar essa alteração afetiva básica. a maioria dos i11divíduos 
falava mais rapidamente, e o conteúdo da/ala era mais produtivo; 
as mudança., de pe11samento eramfreqüe111eme11te surpreende11res, 
e as alterações mais drásticas ocorriam. q11a11do as associações da 
pré-estimulação eram impregnadas de afeto depressivo. Expressões 
de angústia, au1oco11dellaçiio e desespero mudarom dra.fticame111e 
para expressões de otimismo e ela/>oraçáes de experif!ncias agra-
dáveis, passadas e a111ecipadas (Hea1h, 1964, p. 224). 
Anúgdala 
A amígdala (palavra que significa algo que tem forma de 
an1êndoa) é uma coleção de núcleos irnerconectados e asso-
ciados a diferentes funções. E1n geral, a amígdala detecta e 
responde a eventos ameaçadores, ernbora cada um de seus dife-
rentes núcleos tenha uma função distinta. A estimulação de uma 
parte da aniígdala gera 111ua raiva en1ocional, enquanto a esti -
nnilação de outra parte gera a emoção do ,uedo e o con1porta-
mento de defesa (Blander, 1988). Ass i1n, a ainígdala regula as 
e,noções que a autopreservação, o 111edo, a raiva e a ansiedade 
envolve1n. Conseqüentemente, 111na lesão na amígdala pode 
produ:ór allerações notáveis, inclusive urna subrr1issão geral, 
neutralidade afetiva, falta de responsividade e1uocional, prefe-
rência por isola1nento social em detrin,ento de afiliação social, 
desejo de se aproximar de estímulos anteriorrnen1e ameaçadores 
e deficiência na capacidade de aprender que u1n estírnulo assinala 
u1u reforço positivo ou tuna punição (Aggleton, 1992; Kling & 
Brothers, 1992; Rolls, 1992). A a,nígdala estã 1a,nbé1n envolvida 
na percepção das en1oções e das expressões faciais das outras 
pessoas, e ta1ubém no nosso próprio con1porta1nento, especial-
1nente e1u relação às informações en1ocionais negativas (Adolphs 
et ai. , 1994; LeDoux, Ron1anski & Xagoraris, 1989; Rolls, 1992). 
Portanto, a amígdala processa a inl'orrnação emocional (Hamann 
et ai., 2002). 
A an1ígdala 1ambén1 desempenha papel-chave na aprendi-
zagem de novas a~sociações ernocionais (Gallagher & Chiha, 
1996). Por exc,uplo, a anúgdala nos faz aprender a ten1er perigos 
an1bientais (Davis, 1992). Experiencian1os o 1uedo por meio de 
reações físicas como a aceleração dos batimentos cardíacos, 
aurnento da tensão muscular, paralisação comportan1ental e 
expressões faciais de pavor. Co1no mostra a Figura 3.6, quando 
a pessoa encontra objetos potenciahnente ate1uorizantes no 
an1biente, ocorre a estÍluulação da anúgdala, que ativa as estru• 
turas cerebrais vizinhas (p. ex., o hipotála1no e a ãrea teg1ucntal 
ventral), as quais pro1uove1n tuna resposta coordenada de 1nedo, 
incluindo aume11to do ritmo da respiração (Hru-per et ai. , 1984), 
aceleração dos batimentos cardíacos (Kapp et ai., 1982), elevação 
da pressão arte rial (Morgenson & Calaresu, 1973), bem como 
un1a descarga honuonal e o surgiiuento de expressões faciais 
de emoção (Davis , Hitchcock & Rosen, 1987). A título de ilus-
tração. um rato que Len1 a amJgdala lesionada é capai de passearsobre um gato que estaja donnindo, chegando mesmo a brincar 
eo1n a orelha do fel ino (Blanchard & Blanchai·d, 1972). O que 
falta nesse rato destemido é a capacidade de. gerar uma resposta 
física de medo coordenada pela amígdala, co1no 1nostra o lado 
dÍl·eito da Figura 3.5. Se1n a a1nígdala, o rato fica privado de 
1ueios de responder emocionalmente ao gato, perdendo tan1bém 
a capacidade de aprender a temer o felino quando este se levan1a 
e começa a agir de modo ameaçador. Quando a amígdala é remo-
vida de seres hu1nanos (por exe,nplo, para controlar ataques 
epilépticos), estes se tornaiu cahnos, dóceis e e1nocionaln1ente 
indiferentes, mes1no diante de provocações (Aggleton, 1992; 
Rarnarnurthi, 1988). 
A amígdala tem un1a relação anatônúca interessante com 
outras áreas cerebrais . Ela envia projeções para quase todas as 
partes do cérebro, embora somente um pequeno número dessas 
projeções traga de volta infonuaçõcs para a anúgdala. Esse dese-
quilíbrio ajuda a explicar por que as e1noções, especialn1ente as 
emoções negativas, geralmente têm uma capacidade de superar 
a cognição mais do que a cognição tem capacidade de superar 
as emoções. En1 função disso, a amígdala é capaz de produzir 
un1a profusão de mensagens de 1nedo e raiva, ao passo que as 
,nensagens racionais que lhe chegam para acahná- la são relati-
va,nentc poucas. 
Circuito Septo-Hipocampal 
O circuito septo-hipocampal envolve uma ação integrada de 
diversas estruturas lúnbicas, incluindo a área septal, o hipo• 
c,uupo, o giro cingulado, o fó1nix, o tálamo, o hipotála1no e os 
corpos man,i lares (veja a Figura 3.3). Como é um circuito límbico, 
o siste1ua septo-hipoeaiupal ta1ubé1u te1u interconexões eo1n o 
córtex cerebral. E1n função disso, boa parte da atividade cognitiva 
da memória e da imaginação é enviada corno entrada (i npuL) para 
o circuito. Portanto, o circuito septo-hipocarnpal prevê a e,noção 
associada a eventos futuros, tanto en1 tennos de prazer antecipado 
quanto de ansiedade antecipada (Gray, 1982). 
O Cérebro Emocional e ~1oliv:ido 35 
fstlmul.Jçiio do Hlpot:abmo latc,nd: 
Acclcr:tçio dos 13Jumcnm~ Canli:u:os, Aumcmo dJ Prc:ss;io Ancrul 
por Meio d• Aú,-.ç'.10 do s,srcma Ncn'OSO Slmpallco 
Esrimui.Jção do Núci<,o l'llr.tvmtricul;u: 
Libcr:lç.io dr HOf111Ünlos dr Esuu..sc 
Es1in1ul.Jçiio do P.or.lbr:iqulot 
---• P:úplc,çiío e DC!<COIÚon o Rcsplratono Dc.-Tido • 
Aumento do Rnmo Rcspinnóclo 
Esrimul.Jçâo cb l,bs,;;i anzcnu Ccntr..t 
c.ompon:amcnro Dcl'erun-o, 1.11 como l'aral15'1çiio e Suprcs."1io dJ Dor 
f.stimui.JÇ30 do Nccn-o P.lt:'.i;aJTrigcmeo: 
Expressão F:iciJli de ~ledo 
Fi.gura 3.5 CooexÕb clll Amfgdllla que Expre.,soni Medo em Re>po,.m a um Everuo Atneaç:wor 
O hipoc.arnpo opera como um "comparador", que c.onstanlc• 
mente compara as informações sensoriais que chegam aos eventos 
esperados (a partir da memória) (Smith. 1982; Vinogradova. 
L 975). Se uma pessoa. enquanto dá conta de suas atividadcs 
diária.~. encontra C\'Cntos e cirrunslâncias equivalentes àqueles 
que são esperados pela memória, então o hipocampo funciona 
cm um modo ··o .K." de checagem. Por exemplo, se você. Ioda 
vez que chega a ca~a. cspcrn encontrar a porta trancada e do 
outro lado da porta Re,'( o saudando e, em um determinado clia. 
ao chegar. enc.ontr.i de falo a por1a trancada e Rex a saudá-lo. 
enl.â.o os even1os q ue você esperava encontrar de fato aconte• 
ccram. Ncs.~a situação de confirmação de expectativas. o circuito 
seplo-bipocampal não provoca qualquer estado motivocional de 
ansiedade (uma vez que os eventos estão acontecendo conforme 
o esperado - tudo está bem). Por outro lado. se os cvcnlos não 
ocorrem de acordo com o que esperamos - a porta está destran-
cada e Re:o. desapareceu-. o hipocan1po paSSll a funcionar cm 
um modo "não-OJ(.". Quando funciona nesse modo oão-0.K .. o 
hipocampo ativa o sistema scpto-hipocampal, gerando WTI estado 
molivacional ansioso (aumento da atenção. excitação) que passa 
a controlar o componamcnto. 
Drogas ansioüticas (p. ex., o álcool c os barbitúricos} devem 
.$CUS efeitos calmantes essencialmente ao f-.ito de aquietarem 
(desligarem) o modo de checagem nào-0.K. do sistema scplo-
hipocampal (Gray. J 981}. As substílncias químicas ruisioüticas 
naturais do cérebro são as cndorfinas, que desligam o modo 
de controle •·não-0.K." do bipocampo. Decepção. fracasso. 
punição e novidade são experiências que estimulam o hipo-
campo a instigar inibições comportamentais ansiosas (ou seja. 
fazem o sistema scpto•hipcx:ampal atuar no modo "não-0.K. "}. 
O en[re.otarocnto ativo dos estressares ambientais. quando é bem-
sucedido, gera a libe.raçüo de cndorfina. A cnforfina bloqueia o 
sistema scpto-bipocaropal, promovendo assim o alívio da ansie-
dade e estimulando o surgimento de sentimentos positivos. que 
contrnbalançam a situação negativa experimentada an1crionnen te 
(Gold & Fox, 1982; Gold et al., J 980. Sw·eeney ct al~ 1980). 
Essa ação complexa - pela qual a ansiedade e a expectativa de 
punição são contrabalançadas com o prazer e a e:11pectativa de 
recompensa - requer o funcionamento integrado de um circuito 
ümbico. uma vez que algumas estruturas do circuito regulam 
a ansiedade (o hipocampo). enquanto outras e.~truturas desse 
mesmo circuito regulam o prazer e os afetos positivos associados 
ao sexo e à sociabilidade (área septal; Macl.ean, 1990). 
Formação Reticular 
A formação reticular desempenha um papel-chave na excitação 
e no despertar das preocupações motivaciona.is e emocionais do 
cérebro. A fonnação reticular constitui-se de um aglomerado 
de neurônios do tamnnho de um dedo mínimo, e5ta.• do situada 
dentro do tronco ccrebr.tl (veja a Figura 3.6). Consiste em duas 
partes: o sistema reticular ativador ascendente, que projera seus 
nervos para cima no cérebro com o propósito de alertar e excitar 
o córtex. e a formação reticular descendente. que projcra seus 
nervos para baixo a fim de regular o tônus muscular. A Figura 
3.6 mostra um gato respondendo a um ruído. com o propósito 
de ilustrar que é o sislcma reticular ativador que desperta. alerta 
e excita o córtex. para que este possa processar as informações 
que chegam. Uma vez excitado, o cónex em estado de alena 
processa as informações recebidas (p. ex .. toma uma decisão 
sobre o que fazer) para. um ou dois segundos depois, responder 
de mane ira apropriada. 
Córtex Pré-Frontal e M eto 
As estimulações sensoriais (visões. cheiros. gostos) que chegam 
ao sistema límbico ativam as reações emocionais deste último de 
maneira um tanto aulomática. Entretanto. além disso, também 
chega ao sistema límbico uma quantidade considerável de infor-
mações provenientes do córtex cerebral. Di:mle disso, a estimu-
lação do cónc:11 Lcm a capacidade de indiretamente gerar es1ados 
emocionais. Os lobos pré-frontais do córtex cerebral ~ituam-sc 
imediatrunenle atrás da Lesta. Um lobo cncontra•se no lado direito 
do ctrebro e, o outro, no lado esquerdo. Essa distinção direito-
esquerdo é importanlc porque a ativação de um lado e de outro 
gera tonalidades emocionais qualitativamente diferentes. 
36 Capíu1Jo Três 
(a) 
Formação 
Rcllcubr 
T""1mo 
& 
~bo Fron'.!, / .À 
Hlpotilbmo <lfl 
(b) DORMINDO DESPERTO 
Figura 3.6 Arul1omia (n) e Fuoçilo (b) da Fom1aç!lo Reticular 
Fonr,: nd!lptlldo de T/1, Rtrici,/ar F t>m111110•, dt: J. D. Frc,ncb. 1957. Sdninjic ÂlflmCtIJt. 196. $4.(i(). 
O cónex pré-frontal abriga as metas do indivíduo (Miller & 
Cohen, 2001 ). Essas melas rotineiramente competem um:is com 
as outras (p. ex., ao objetivo de comer se contrapõe o objetivo de 
perder peso); enquanto isso, os dois lobos do cóncx pré-fronlal 
imergem esses objetivos cm um banho de emoções (Davidson, 
2003). Os pensamentos que estimulam o córtex pré-frontal direito 
geram sentimentos negativos, enquanto os pensamentos que esti-
mulam o cóncx pré-frontal esquerdo geram sentimentos positivos 
(Gnble, Rei s & EllioL 2000: Sac keimet aL, 1982). Por exemplo. 
c m uma TEP (tomografia por cmis.~o de pósitrons}, nvisão 
atemorizante de uma serpente íaz o cónex pré-frontal direito se 
acender como uma án•ore de Natal (Fischer ct oi.. 2002: veja a 
Figura 2 desse livro, à página 238). A emoção negativa experi-
mentada após essa visão tinge com core.~ bastante fortes as metas 
que o indivíduo irá ou não adotarem relação ao que viu. 
Além disso, existem diferença~ básicas de persom1Lidade entre 
as pessoas. uma vez que algumns :iprcscntam o lobo pré-frontal 
direito especialmente sensível. o que as deixa extremamente 
vulneráveis o emoções negativas, ao p-..isso que outras pessoas 
têm o lobo pré-frontal esquerdo especialmente sensível. o que as 
deixa extremamente vulneráveis a emoções positivas (Gablc. Reis 
& EllioL 2000). Em geral. os psicólogos que estudam a persona-
tidade estão de acordo em que existem duas omplos dimensões 
de per!>onalidade. A primeira diz respeito a quão !>ensível ou 
insensível uma pessoa é o incentivos e à experiência de emoções 
positivas (ou seja. a extroversão); a segunda diz respeito a quão 
sensível ou insensível unu pessoa é a ameaças, punições. e à 
experiência de emoções ncgati,•a,; (ou seja. o ncuroticismo; 
Eysenck, 1991 ). Os pesqui~adores do cérebro utiliz,!]m termos 
diferentes daqueles c1npregados pelos psicólogos estudiosos do 
personalidade, preferindo chamar essas dimensões da persona-
lidade rcspccti vruncntc de sistema de ativação comportamental 
(SAC)1 e sistema de inibição comportamental (SIC:!. Carver & 
White. 1994). Para se ter uma idéia dessas duas dimensões da 
persorutliclade. considere as rcnções que você próprio experi-
menta em relação aos itens do questionário do Tabela 3.3. Os 
quatro primeiros itens iruemigam você sobre seu grau de sensi-
bilidade em relação a motivações orientadas para a evitação (ou 
.seja. quão sensível você é em termos do "si!>'tema de inibição 
comportamental"). Os últimos seis itens o interrogam sobre 
seu grau de sensibilidade cm relação a motivações, emoções e 
comportamentos orientados para a aproximação. ela~sificados 
segundo três diferentes subcscalas de resposta à recompensa. 
i1npulso e busca de diversão (ou seja. quão sensível você é cm 
termos do -sistema de aproximação comportamental"). 
Essas duas amplas dimensões da personalidade têm base 
neurobiológica. Algumas pessoas apresentam maior atividade 
no lobo pré-frontal esquerdo ( .. assimetria esquerdo"). ao passo 
que outras apresentam maior atividade no lobo pré-fronLal direito 
(üassimetria direita"). Pessoas que têm o lobo pré-frontal direito 
relativamente sensível - ou seja. aquelas que têm maior assime-
tria direita - obLêm escores elevados nos itens SIC da Tabela 
3.3, e apresentam maior sensibilidade a comportamentos voltados 
tNo cmg1M~ Beh:Jvioml Acth-atioo System (BAS). (N.R.T.) 
'BdlB,·ml lnbibítlon System (BIS) no ons.inal. (N.R. T.) 
O Cérebro Emocional e ~1oliv:ido 37 
paru a puniçtw e as emoções negativa.'I. As pessoas que têm o lobo 
pre-fronlal esquerdo rclati,·amcnte sensível - ou seja. aquelas 
que têm maior a.,;simctria esquerda - obtêm escores elevados 
nos itens SAC da Tabela 3.3. e apresentom maior sensibilidade 
a comportamentos voltados para a aproximação. como a reeom• 
pensa e as emoções positivas. 
A correlação entre os escores obtidos pelas pessoas nos ques-
tionários de itens SAC e SIC e a assimetria dos lobos pré-frontais 
é importante porque o grau de assimetria corresponde à emocio-
nalidade típica da pessoa (SAC versus SIC; SuLlon & Davidson. 
1997). Ou seja. mesmo quando não chegam a se CJtpor realmente 
a um evento, as pessoas ap.rcscntam um certo estilo de personali-
dade. que a~ toma baslllnte sensíveis à emocionalidade negativa 
ou positiva. Em virtude disso. o maior grau relativo de atividade 
do lobo pré-frontal esquerdo de uma pessoa constitu i a base 
biológica de uma personalidade orientada para a ambição e para 
uma orientação de aproximação: por outro lodo. o maior gruu 
relativo de atividade do lobo pré-frontal direito de uma pessoa 
constitui a base biológica de uma personalidade voltado para a 
ansiedade e par.i urna orientação de evitaçào. 
Porém a pesquisa vai a lém disso. Também identifica a., fontes 
da emocionalidade de uma pessoa segundo: ( 1) um tom hedonista 
ditado pelo evento (un1a recompensa produz uma emocionalidade 
posiú ,,n. ao passo que uma punição produz uma emocionalidade 
negativa): (2) a sensibilidade da pessoa a.os sistemas SAC e SIC 
(o SAC produz uma emocionalidade positiva, ao ~o que o 
SIC produz uma emocionalidade negativa); e (3) uma interação 
entre essas duas fontes. quando o SIC de algumas pessoas é 
estimulado de modo mais intenso que o SIC de ouuus durante a 
ocorrência de eventos nega.Li vos (ou seja, pessoas que Lêm mruor 
assimetria direi ta). e quando o SAC de algumas pessoas é esti-
mulado de modo mais intenso que o SAC de outr.is durante a 
ocorrência de eventos positivos (ou seja, pessoas que têm maior 
assimetria direita). 
TabeJa 3.3 ltens de Que;.tiooru-io Referente ao Sistema de lnibiçllo Comportamental (SIC) e ao Si,,1eroa de Ativação ComporwuenlJll (SAC) 
Itens SIC 
1. Se penso que algo desagradável ,•ai acontecer. ger,llmente fico "arrasado". 
2. 0u,,1r críticas oo repreen;,ões é algo que me magoa muito. 
3. Fico b3.Slrulte preocupado ou petturbado no imaginar ou saber que alguém está com r.uva de mim. 
4. Fico preocupado quando pen.o que fiz algo mal feíto. 
lt~ns$AC 
5. Quando consigo algo que desejo. sinto-me exciuulo e cheio de energia.' 
6. Quando coisas boa, me acontecem. is.so me afetn fortemente.• 
7. Quando quero algo. teroltuente faço tudo o que po.,;,,o pati! con.ei;:ui-lo.h 
S. Eu solo do meu caminho para conseguir a.~ coisas que quero.b 
9. FreqUen1en1en1e faço co,,.ns pelo ,.unples fmo de serem diveJtidas: 
1 O. Arl.eio experin-.eniar exci taçllo e no,·as sen.,;açõcs.' 
Obsel""19io: SIC= Si.<1erna de lnibiçiio Comporu11ncn1al: SAC = Sist'""'1 de: Allva,iio Comporu,mcnllll. Ao complc1ar o qucnionáno. os respondcnle.< s3o solio• 
IDdos a conrordnr ou d&ordar dc cada 11cm. utLl:izm,do para ,...., uma escalo de I a 7 { 1 = discordo toralmcntc. ale 7 = concordo IOO!lmcntc). A aca1'1 SAC C'Oll.mte 
cm IJ'ê• subescalas: a rcsposlll A recompensa (denot3da pelo• 11t1ma). 1mpubo (denolado reto •1 e bu,ic:a de dlvel'llio (dcnowla pelo ' l. O Qucu,on.ino SICISAC 
,-.:rdadc,ro contém 20 itens. sendo 7 do npo SIC e 13 do apo SAC. de modo que esta tabcl3 ma<1ro somente pane do qu,suon:ino compk10. 
F1>11r,: adJapt.ldo de Bdia1•ioro.l lnllibilion, Btl1a,darol M1iw11imr, a11d Afftt:tfrt Rtspo,,sts to ltn~ndiJ1g R,..-ard ttlld Punis.kmmt n,, B/SIBAS Scalts. de C. L 
Cnn-cr e T. L Wbiie. 1994. Journa/ oJ Pusnnaliry and Soaal PS)-dialo~•- 67. 319-333. Copynght C 1994 da Amcrlc:m Psychololl'C"I A.<liOCJt>tlon. Adaptado sob 
pcnm,são. 
38 Capín1Jo Três 
AS VIAS DOS NEUROTRANSMISSORES 
O CÉREBRO 
Os aeurotransmissores atuam como mensageiros químicos dentro 
do ~istcma aervoso central no cérebro. Os neurônios comunicam-
se uns com os outros por meio de neurotransmissores. pois o 
neurônio que envia uma informação libera um neurotransmissor. 
que é recolhido pelo neurôajo vizinho. ação esta que faz esse 
neurônio vizinho receber a mensagem. "'Via ncurotmnsmi~sora•· 
é uma expressão que se refere a um aglomerado de neurônios 
que se comuaicam com outros utilizando um determinado aeuro-
transmissor. As quatro vias neurotrJnsmissora..~ relevantes do 
ponto de vista da motivação são: a doprunina - que gera scn.~a-
çõcs agrJdáveis associadas à recompensa (Montaguc. Dayan 
& Sejnowski. 1996); a scrotonina - que inílucncia o humor e 
a emoção (Schild.kraut, 1965); a norcpinefrinn - que n:gu.la a 
cxeitnção e o estado de alerta (Heimer. L 995; Robbins & Evcriu. 
1996); e a endorfina - que inibe a dor, a ansiedade e o medo. 
gerando scn..,açõe-, agradáveis para contrabalançar c..•;sns scnsa• 
ções negativas (Wisc, 1989). 
A ::in::itomia das vins da serotonin:i e da dopanúna é mostrnda na 
Figura 3.7. A via dadopnn1ina é paniculanncntc importante para 
se compreendera moú vação e a emoção. uma vez que sua f uaç-;io 
motivacional primária é gcraT sensações positivas - uma experi-
ência de prazer ou recompensa (A.shby. lsen & Turken. 1999). 
Dopamina 
A liberação de dopnrnina gera sensações agrJdáveis. Enquanto 
as pessoas vão vi veado os eventos do seu dia, um certo nível de 
dopami na cncontrJ•SC sempre presente no cérebro. Entrctnnto, 
ao longo do dia as pessoas se deparam com evca tos diferentes. 
e aqueles eventos que assinalam o recebimento de wna recom• 
pensa e a antecipação de um prJZer acionam os neurônios da via 
dn doprunjna parn que liberem dopamina nas sinapses (Bozarth. 
e 1991: Phillips. Pfaus & Blaha. 1991 ). Essa liberação de dopa-
mina descacadcin uma positividade en1ocional. e o afeto posi• 
Li,•o resultante produz um funcionamento melhorado. tal como 
aumento dn criatividade e insights paro a resolução de problemas 
(Ashby. Isca & Turkcn., 1999). 
Via., da do!""lllna 
Figura 3.7 Duas Vins Neurounru.mi~= 
O achado de que a liberJç5o de dopamina gera sensações 
posilivas é um dado significante porque, à medida que vivem seu 
dia. as pessoas têm que escolher o que fazer e o que não íazer. 
Parte do uqueref' seguir um curso de ação em detrimcato de 
outro é regulada pelas informações fornecidas pela produção de 
dopamina da área tcgmeatn.l ventral (A TV). A A TV liberJ dopa• 
mina em outros locais do cérebro (p. ex .• no córtex pré-frontal) 
e o padrão de liberação é previsível em proporção à recompensa 
que a pcs..'1-0a esperJ receber e à que de fato recebe por um deter-
minado curso de ação. Quando os eventos se sucedem de modo 
melhor que o esperado. um aumento na liberação de dopamina 
funciona como uma informaç-:io de que um determinado curso de 
ação está produzindo mais rccompen.~a do que havia sido ante-
cipado. E quando os eventos se ~ucedem de maneira pior que 
o esperado. um decréscimo na liberação de dopamina funciona 
como unta irrfonnação de que um determinado curso de ação 
está produzindo menos recompensa do que havia sido antecipado 
(Montaguc. Dayan & Sejno,vski, 1996). 
A Liberação de Dopamina e a Antecipação 
da Recompensa 
Os estímulos que prenunciam a chegada iminente de uma rccom-
pcasa provocam a liberação de dopamina no cérebro (Mircnowicz 
& Schultz. 1994). O prazer resulta de um afluxo de dopamina no 
sistema de roc<>mpensa. Quando você sente o cheiro de biscoitos 
de chocolate sendo as.sados no forno, ocorre uma liberação de 
dopamina. Não é o ato de comer os biscoitos que faz o cérebro 
liberar a dopa.mina ma.s. em vez dis..w, é a antecipação da recom-
pensa da refeição que provoca a tiberJção de dopamina. Uma 
vez que ocorre com a antecipação d.t recompensa. a liberação 
de dopnmina. portanto. participa das foses preparatória.~ do 
comportamento motivado, incluindo, por exemplo, uma ereção 
que precede a atividade sexual ou um aumento da atcação à 
cozinha, depois que você sente o cheiro do..~ biscoitos. Por esse 
motivo, freqüentemente experimentamos mais prJZCr quando 
pcn..,;amos cm fazer sexo ou comer biscoitos de chocolate do 
que quando de falo rea.lizamos essas atividades. Entretanto. se 
as coi.~a_~ se saem melhor do que o cspcrJdo durante o sexo ou :i 
Vbs dt !\Cl'Otonln::o 
F OIIJ~: cxiraido de Af apputf? IM Mi111L de R. Cattcr. 1998. Bcd:olcy: Unn crsuy of Calüonua Prcss. Pul>lu:ada mcdJaruc acordo com \\/ cidcnfcld & Nl<'<lhon. 
refeição. a liberação de dopamina continua. dn mesma maneir.i 
que a boa sensação correspondente. 
À medida que a pessoa se movimcnl.:l cm seu ambiente. 
diversos e:súmulos invariavelmente estimulam seus sentidos (p. 
ex.. o indivíduo vê diferentes pcs.son.,. csrolll risadas. examina 
diferentes frutas cm uma banai de feira). Alguns dc.,;scs eventos 
!>ão biologicamente significantes para a pessoa (p. ex., aquele, 
que se relacionam à fome. à sede e ao acasalamento), e quando 
antccip:im a possibilidade de recompensa. ocorre a Liberação 
de dopaminn. que motiva a pessoa a se preparar para entrar em 
ação, a fim de aproveitar esse evento ambiental. Se a liberação 
de dopamina não ocorre. não percebemos qualquer do!. eventos 
que nos cercam como sendo atrativos. de modo que não nos 
preparamos para abordá-los. 
A Biologia da Recompensa 
A liberação de dopa.mina não s6 assina.la a perspectiva de uma 
recompensa iminente. mas também nos ensina quais eventos no 
ambiente silo compensadores. Ou seja. a liberação de dopamina 
explica II biologia da recompensa. Se um evento ambiental e a 
contínua manutenção de propriedades motivacionais de incen-
tivo estão para ser alcançados. é preciso que ocorra a libcr.içào 
de dopamina (Beningcr. 1983). A liberação de dopamina é maior 
quando os eventos rccompcasatórios ocorrem de modo impre-
visto - por exemplo, alguém diz: uau, é incrível o perfume 
dessa flor - ou ~e mostram melhores do que o e~perado- uau. 
o perfume dessa flor é muito melhor do que cu poderia imaginllr 
(Mirenowicz & Schultz. 1994). Em função disso. a geração de 
sensações ngrndávcis ocorre não s6 cm decorrência de eventos 
recompensadores, mas também devido a recompensas imprc• 
vistas e inesperJdas. A liberação de dopamina após o recebimento 
de uma recompensa inei.-pcr.ida é algo que permite às pessoas 
aprenderem a significância motivacional desse evento. E. uma 
vez que a libc ração de dopa.mina define um evento como recom• 
pensador, a pessoa aprende que esse evento. quando encontrado 
no futuro, provavelmente produzirá uma experiência recompen-
sadora. Portanto. a ativação da via da dopan1ina dei.empenha 
papel significativo na biologia dn recompensa. 
A e\•idência de que a estimulação da via da dopamina cria 
uma e;itpcriência de recompensa provém de estudos sobre a auto• 
estimulação intracrnniana e a nuto-aplicaçâo de drogas (Figura 
3.8) (Boz.arth. 1991 ). Pesquisadores podem implantar no cérebro 
de um animal um eletrodo que. quando estimulado. envia uma 
pequena corrente elétrica capaz de estimular essa estrutura 
cerebral (estimulação intracraniana) ou então administrar uma 
pequena dose de uma determinada droga (aplicação de drogas). 
Tanto cm um caso como no outro, as cobaias são colocadas em 
uma gaio.la na qual podem pressionar uma barr.i com as patas 
dianteiras. Quando a barra é pres.-.ionada.. :uiva-se um interruptor 
que aplica no animal uma pcqucnll estimulação e létrica ou uma 
pequena dosagem da droga. Uma vez que a cobaia controla 
quando o cérebro é estimulado (porque depende da sua escolha 
pressionar ou não a barra). o animal pode então produzir sua 
própria estimulação intrncraniaM e/ou a auto-nplicação da droga. 
As pesquisas sobre n estimulação intracraniana revclnm que os 
animais pressionam a barra que estimula as estrut:unlS cerebrais 
O Cérebro Emocional e ~1oliv:ido 39 
• 
Figura 3.8 Dustrnçllo de u,n Procedime111.o de Au10-Es11mulaçilõ 
l.ntracmniana 
Ohs,nYJçdo. Quando o raio pn:ssíona a nlavanca P""' bmxo. é abvado um 
mia01ruem,ptll< que cn,u um pequeno impulso cletnco. que pa<sa pc:lo fio e 
alcaoça o c<'n:.bro do rato illJll,•és de um clclrodo imptwilado. Com o,;c procedi-
mento. o r:110 consegue produzir uma cstimul•çiio auto-induzida em seu própno 
ctrebrn. 
Fontt. ciur.sído de Pfeas.u-, c,m~rs i• 1/t, Brain. ele J . Okb.. 19.56, Srit11rijic 
Amu,oon, 195. 105-106. 
associadas à liberação de dopamina. E as pesquisas com a auto• 
aplicação de drogas mostram que os animnis pressionam a barra 
que os faz. receber drogas p:,icocstimulanres, como a anfetamina 
e a COCllÍnn (Robcrts. CorcorJn & Fibigcr, 1977). O falo de os 
animais praticarem essa auto-estimulação intracrJni:ma e essa 
auto-aplicação de dmga.s quando os implantes encontram-se loca-
lizados na via da dopamina, leva os pesquisadores n inferirem 
que a liberação de dopamina é prazerosa e compensadora. 
A Dopamina e a Ação Motivada 
A Liberação de dopamina associa-se a dois eventos cercbrJis. 
Primeiro, a liberação de dopaminn gera scnsaçõc.~ positivas, 
como acabamos de discutir. Ma.~. além disso. a liberação de 
dopamina também aúva asrespostas voluntárias de aprox.imação 
direcionad3S par.i a meta. A via da dopamina inclui uma inter-
face com o sistema muscular/motor do corpo através do "nucleus 
acc11mbens ... que é a estrutura cerebral envolvidn na liberação 
da locomoção do comportn.mento direcionado a meta (Kcllcy 
& Stinus, 1984). Portanto, a estimulação da via da dopamina 
40 Capíu1Jo Três 
B()XE .3 Co,no e por que as Drogas A,uidepressn-as Minormn a Depressão 
Pt!rgu11ra: Poc que es.a informação é i1nponame? 
Rt!SpoSta: Para compreendennos como as drógas antidepres,.iva,. 
Fw,donam p11t.1 mino,-ar a depre ... -.1o. 
Cad:i um de nó;; empre<!ode :,o longo de toda a vida uma eonlfnua 
lum contra a depressllo. Evento, a, er,.ivos e estrêssruue, it1ê\' it:l\'cl-
mente ctu1..am noi.,o l"Auiinbo. wna va que experiêJlcias de perda. 
n!Jêtç!o. -críuc-.i. apuros financeiros. f.rncasso. exces...o de obnga-
çôe>. abandono. falta de perspectivas. di\puw e desapontrunenr~ 
con1põe1t1 o HuJto d:t, experiência,. hu11W10.>. ª'-= êvenl05 aJeram 
nossa hioquímUc'll corpornl, que e.sLi ..empre se mod1Jicondo. e quando 
cx.iurem nosso, recurso,, bioqu!micos pod,em nos de1iuu· \·uJnenlveis 
à depreMi!o. A nuuoria de nós enfrenm bem esses proble1n:is duram e 
a lllll.ior pane do tempo, mas= ,e.mpre vulnerj ,·cí~ à -ensação 
de e,t1m10, a U11l pa.~ de .enuo,, e,1na~ado,, pe lo e.cre!,..\ê e pela 
decepç-lo. 
A depre,.soo é um cou1plexo trarwomo p,ie:ológico a.s.sociado 
a do1> tipo~ prindp:iis de n.'uçno ao arnbienli!. Por um ludo. expo-
~ções a .recepç&, e n ,ituaçlle~ incootrollh ei, de e~tresse razem 
demandas ao si;;tema lín1biro que gradualJneme nos roub3m a seroro-
n,113 do cérebro. E o deficiência de serotonina deixa-nos \'Ulnetávei.s 
à de:pres"10 (Kmmer. 1993: Weis, & Sm1-.on. 1985). 
As d.rogas ant.idep,essivas populares (p. e"t., Prozac. Zolof1. Pa:xll) 
são chamadas de ISRS. ou inibidores i.ele:ti11os de rec<1ptJlçilo de 
sertllonina. Es.ses antidepressivos funcionam na suposiçll.o de que 
a cau.a da depre,.ào silo o... baixos ní\"cis de serotoclioa oas vias Ili! 
i.erotonína. Me,mo quando e.lá altamente estre>.ado. a .erolonina 
contida no cérebro CC)nlinua 1!111 ,ua via. ma., n~o bili pn><ttaJncnte 
di,ponfvel para uso. Duram e eveolill e.stre ... antes da , ida. a ><!ro-
tonill:l é libcmda nas ,in.1pse,. rna, t:unbérn r:tp1drunente h!toi-na 
aumenta a probabilidade de ocorrência do comportamento de 
aproximaç-Jo (M orgcason. Jone!> & Yim. 1980) - em parte 
porque as sensações agradávei.s criam uma motivação para a 
aproximação e. em pane. porque a ativação do sistema molar 
libera o comport-amca to de aproximação direcionado para a me.ta. 
Tendo a liberação de dopamina iniciado o componamcato de 
upro1ti ma~o em direção ao evento recompensador. o compor• 
lamento de aproximação da pessoa coatinua, e vai aumentando 
cada vez mais de i ntensidadc até a meta ser alcançada. Voltando 
ao exemplo dos biscoitos de chocolate. a liber.1.ção de dopamina 
gera nõo só sensações positivas. mas também o comportamento 
de busca moli vadll necessário par-.1 a pc.,;:S()a cncontrnr e conswnir 
o alimen to desejado. 
Portanto. de modo geral. à medida q ue os eventos vão se 
sucedendo ao longo do dia. o cérebro detecta alguns deles como 
sendo "'biologicamente significantes'", e libera a dopamina que 
gera sensações agrndiíveis e o comportnmcnto de aprox.imaçiio 
direcionado para a meta. Além disso. a cxpcriênci!l prJ.ZCrosa da 
dopamina faz a pessoa aprender quais eventos ambienuús estão 
associados ao prazer e à nproiti.maçào. e quais eventos ambien• 
tais estão associados ao estresse e ao afastamento. A liberação 
de dopamina é. portanto. um me.e.unismo neural pelo qual n moti-
vação se traduz em ação (i:\llorgensoa. Joaes & Yim. 1980). 
ao neurónio que :1 m>erou (eicperimemando unia recap1:i,;~o). Para 
rei ener a depressão. :i droga antidcprew1·a precisa aumentar o fome, 
cimento e a traru.missão de ~rotonina no cérebro, e faz isso impe-
dindo a reoip1açao. ou se,a. fazendo co1n que SCJll m:us utilizada a 
serOU>nina di,ponlvel (em vei. de permitir que. ejo rearmazenada por 
meio da recop1oçllo). O anltdepre,.si vo atua res1ourando a liberaçllo 
de ~rotonino e faundo o auvid.1.de vol1J1r oo oormal. 
O segundo tipo de Jepre.s~llo e<-14 associado a umri diminuição 
da cap:,cidade de experi ,oentM prazer e ,en.,nçõe, positiva,. Bàixo,, 
nívtirs de dop:iinina podem deíxur a pessoa 1•1.llnerável li upaLia. no 
tédio. à dificuldade dê concenu-ação e à falta de ulicíat.iva par.to 
enfret1LllJ1um10 da vida cout!iana. Por outro lado. o liberaçiiodedopa-
mloa e :1 ativid:lde que se processa em ,un respecth·o , ia cerebrul 
geram senS1l\-õb bo.1.> e afelos po~'itivo,. e;.i.eftci:llmente deixando 
a pe,,>0a em condiçõe!:> ótima., de ap~otru wn bruno, positivo 
(Ashby. lsen & TUil:en. 1999). Alrum an1i<kpressi1·os atuam ruunen-
llllldo a l:lXJl de rt!:!.pu,tn c.lós recep!O~ lle doparnina. ni,w:urando 
com i,w a c:ip!Cidade da po;,oa de expcrimen1ar prnzei e emoçck,, 
posith·as (Willnere1111.. 1991). As drog3" de abuso (p. ex.. c0<.--aína, 
anfeuuni11:1s) r.ambém ru.uam Dll b:l.Sc! de au.me:ntar a atividade de 
dop:u11irta no cérebro. Por exemplo. a cocaíllá funciona uubindo a 
recapl:lç.10 de dopaininu (Di Chiara. Acquas & Cartioni. 199:!). 
De modo geral, a depressão ten1 duru. facei. - a deficiência de 
sero10n,na.. que deixa a pessoa 1nenos capaz de enfrenw o esiresse 
da lida. e a del'ic,ência úe dop:imína. que deixa a pes.çoa inapta a 
pre, enir e upenmenrar o praze:t. S.i.bendo disso. o, pe...quisadore;, 
fannncológico~ poden1 elaborar droga\ que ajudem as pe,,ons a 
enfrentar e,;.,;a lu1n permnnente conl.nl o depressão. E, por sun ~ez. 
o~ pesqu,sndore:. modvociona,s podem elaborar e impleinenrar 
programas de inrervenção cujo objetivo é m:uirer e regular os níveis 
na1urai, de SCf'Olonina e dop:inuna nos indivíduo.... 
O MUNDO EM QUE O CÉREBRO VIVE 
As pesquisas SQbre o cérebro geralmente se baseiam em métodos 
artificiais de estimulação dos estados motivacionais e emocio-
n:ús do cérebro (como mostram as Figuras 3.2. 3.4 e 3.8). Nessas 
pesquisas. em geral se aplica uma pequena corrente elétrica ou 
um agente químico (uma drog-.i., um ncurou-.insmissor ou um 
hormônio) cm um local cspocffico do cérebro para se investigar 
o papel que a estrutura cerebral dese mpenha na moúvação. Essas 
pesquisas pcnnitcm-aoi; coletar o li.pode informações que estão 
resumidas na Tabela 3.2. tais como o fato de sabermos que o feixe 
prosenceíálico medial é um centro de prazer. a amígdala é um 
centro de medo e assim por diante. para cuda estruturo cerebral 
específica. Entretanto. o que esses Cl>IUdos não mostram é de que 
m:lllcira os eventos do dia-a- dia. que ocorrem naturalmente em 
nosso mundo social. estimulain essas estruturas cerebrais para 
gerar a moúva~o e a emoção que ut iliuimos uo nos a&ptannos 
ao mundo que nos cerca. 
A Motivação ão Pode Ser Se.parada do 
Contex'to Social em que Está Inserida 
As pessoas Lém necessidades. tais como as de sobrevivência. 
crescimento e bem-estar. E o mundo social oferece um ambienle 
repleto de eventos que atendea1 e ameaçam essas necessidades. 
Por exemplo, o tea1po pode estar an1e no e favorável ao seu bem-
estar, ou pode estar gelado ou tórrido e ameaçar seu bem-estar. 
Uma relação enlre duas pessoas pode ser calorosa e proveitosa, 
rnas 1ambé1n pode ser fria e crue l. O cérebro é o meio pelo 
qual geramos os estados motivacionais e e mocionais de que 
necessitamos para nos adaptannos de mane ira ótin1a ao mundo 
físico e social que nos cerca. Dessa maneira, para respondermos 
a perg untas do tipo "Corno posso motivar a ,nim rnesrno?" e 
"Con10 posso rnotivar aos outros?", podemos uti.lizar o conhe-
cimento que temos do cérebro para criar a1nbientes sociais que 
atuem con10 estimulantes naturais da n1otivação e da e moção 
no cérebro. 
Por exen1plo, considere os estimulantes naturais das estn1-
turas do cérebro moti vacional que ctiscuti mos ao longo deste 
capítulo. A privação dealüne nto explicou a subida e descida 
dos níveis dos bonnônios grelina e leptina. Os sinais de recom-
pensa e dos eventos inesperada1nente positivos - um odor agra-
dável. un1 presente, um fil!ne engraçado - explican1 a liberação 
de dopamina. Relógios despertadores e passeios e111 montanha-
russa excitam a fonuação reticular. Alneaças como a presença de 
predadores, de sujeitos brigões, de inimigos e oponentes hostis 
estin1t1lan1 a amígdala. Decepção, fracasso, horríveis dores de 
dente. novidades e a separação de pessoas an1adas estin1ulam o 
bipocan1po a entrar e1n um modo "não-0.K.", da n1esn1a maneira 
que o enfrentameoto bem-sucedido desses agentes aversivos esti-
mula a liberação de endorfina e o retomo prazeroso ao modo 
"O.K.". E drogas como a cocaína e as anfe taminas estimulam os 
centros de prazer do sisten1a I úubico. O que todos esses exen1-
plos ilustram é que os eventos ambientais no inundo social atuam 
como estimulantes natu rais dos processos motivacionais básicos 
do cérebro (p. e x. , prazer, ansiedade, excitação e humor). 
Sendo assim, enquanto os pesquisadores do cérebro realizam 
estudos ern que estimularn artificialmente e alterarn os estados 
motivacionais dos animais, os pesquisadores que atua1n nas 
escolas, nos locais de trabalho, e m clínicas e estádios sabem 
que o estado moli vacio nal de um indivíduo não pode ser d isso-
ciado do contexto social e1n que e le está inserido. Ernbora conhe-
çamos a maneira como o cérebro gera seus estados motivacionais, 
tarnbé1n sabemos que a motivação experimentada pelos estu-
dantes, atletas, pacientes, crianças e trabalhadores está inerente-
u1ente interligada ao contexto social fornecido por seus profes-
sores, técnicos, rnédicos, pais e supervisores. Dessa maneira, 
este capítulo apresentou as bases em que se assentam a rnoti-
vação e a ernoção no cérebro. Os próximos capítulos mostrarão 
como o contexto social fornece estimulações naturais que fazeu1 
o cérebro motivado e emocional entrar e111 ação. 
Nem Sempre Temos Consciência da Base 
Motivacional do Nosso Comportamento 
O estudo do cére bro motivado ressa lta um último ponto impor-
tante sobre a ,notivação humana, o u seja, o fato de que nem 
sempre estamos conscientes da base rnoti vac ional do nosso 
comportan1ento. Os motivos variam e m tennos de sua acessibi-
lidade à consciência e ao relato verbal. Alguns 1notivos originan1-
se nas estruturas da linguagem e no córtex cerebral (p. ex., as 
O Cérebro Emodonal e MoLivado 41 
metas) e, portanto, encontram-se facilmente disponíveis à atenção 
consciente do indivíduo (p. ex., "minha ,neta é vender essas 
apólices de seguro hoje"). Para esses motivos, se você perguntar 
a uma pessoa por que ela selecionou essa rnela e rn parlicular, 
com bastan te freqüência a pessoa lhe apresentará uma lista de 
razões racionais e lógicas que a fizeram agi r assim. A despeito do 
fato de que as pessoas podem freqüentemente fornecer motivos 
ünediatos e satisfatórios que expliquem seu coniportmnento, 
alguns atos 1noti vados são impulsivos, e as razões pelas quais 
os fazemos não são c laras, mesn10 para nós que os praticanlos. 
Alguns motivos tê1n suas origens em estruturas não-lingüísticas, 
e estão, portanto, muito menos disponíveis à nossa atenção cons-
ciente e ao relato verbal. Esses são os 1notivos originados nas 
estruturas en1ocionais lúnbicas, e não nas esu·uturas do córtex 
cerebral , sede da linguagen1. Tais niotivos 111anifestam-se em 
nossa atenção so1neate em forn1a de impulsos e apetites. 
Existem muitas evidências experimentais de que há ruotivos 
que podem ter origeu1, e de fato tê1n, nas estruturas lúnbicas 
ü1conscientes, en1 vez de se originare1n do có1iex cerebral cons-
ciente. Considere o fato de que as pessoas que se sentem be111 
após terem recebido um presente inesperado têm 111aior proba-
bi lidade de ajudar um es1ranho e m apuros do que as pessoas que 
estão com um humor neutro (Tsen, 1987). As pessoas 1a mbé1n 
ficam mais sociáveis ern urn dia ensolarado do que em um dia 
nublado (Kraut & .lohnston, 1979). E as pessoas cometem mais 
atos de violência nos n1eses de verão do que e1n outras é pocas 
do ano (Anderson, 1989). Os an-emessadores da liga principal 
de beisebol norte-americana têm maior probabilidade de inlen-
cionalrnente atingir os rebatedores adversários quando atempe-
ratura está alta do que quando está baixa ou amena (Reifman, 
Larrick & Fein, 199 l ). E1n cada um desses exemplos, a pessoa 
não está consciente do motivo pe lo qual cometeu o ato social ou 
anti-social. Por exemplo, poucas pessoas diriain que ajudaran1 o 
eslranho porque estavarn se sentindo bern, e poucas ctiriam que 
cometeram urn assassinato ou arrernessarain a bola na cabeça 
do adversário porque estava fazendo n1uito calor. Ainda assim, 
essas são condições que causam as motivações. A breve lição 
que se pode tirar desses exemplos empíricos é que os 1notivos, 
as ânsias, os apetites, os desejos, os hu1nores, as necessidades e 
as en1oçôes que regulam o co1nportarnento hu111ano nen1 senipre 
são imediatan1ente óbvios. 
CONCLUSÃO 
Meio século atrás, urnjoven1 neurocientista chan1ado Jrunes Olds 
eslava fazendo seu trabalho rotineiro de laboratório, implantando 
um ele trodo no e.ronco ce rebral de um rato . Em um dia em que 
as coisas não deram muito certo, o eletrodo implantado por Olds 
acidenta.lmente c urvou-se e acabou por atingir outra parte do 
cére bro ele um rato. Não sabendo que o eletrodo se curvara, Olds 
estimulou o rato e observou com surpresa que o animal de repente 
passara a repetir seu comportamento e a continuar e nt.usiasl.ica-
mente a voltar para a parte da gaiola ern que a primeira estimu-
lação e létri ca do cérebro havia ocorrido. O rato gostou da esli-
1nulação. Na verdade, gostou de mais. Estudos que se seguiram 
rnostrararn que animais que têm a oportunidade de estimular a 
si próprios de fato faze1n isso (por exe111plo, pressionando uma 
42 Capíu1Jo Três 
barra que envia uma corrente e létrica a seu próprio cérebro: veja 
a Figura 3.8). A pesquisa de Olds logo iria confirmar que ele 
havia acidentalmente descoberto um centro de pruzer no cérebro 
do rato (Olds & Milner. 1954 ). 
Os pesquisadoras logo comcç-.unm a intencionalmente entortar 
suas pinças elétricas. levando com isso o campo da neuroci -
ê.ncia rumo à compreensão da base neural do prazer e da aver.;ão 
(Hocbcl. 1976: Olds & Fobcs. 198 1: Wise & Bozarth. 1984). 
Primeiro. estrutur.is cerebrais específicas oomo a área septal. o 
hipotálamo. os corpos mamilares e o feixe proscnccfálico medial 
for.iro identificados como sendo importantes para os processos 
motivacionais (Olds & Olds. 1963). Depois. o consenso con-
vergiu para a idéia de que as experiências morivacionais (p. 
ex.. o prazer e a aversão) não estão localiz.ad:is cm qualquer 
estrutura ccrcbr.il específica, mns, cm vez disso. aprcscnt:im-
se coordenadas entro di vcr..as áreas cerebrais conhecidas co1no 
circuitos neurai~. tais con10 :.L~ encontradas no sis1en1a límbico 
(lsaacson, 1982). Pesquisas posteriores estenderam o estudo dos 
circuitos cerebrais para incluir o estudo dos circuitos químicos 
ou vias pelas quais ruversos locais do cérebro se intercomu-
nieam por meio de um ncurotr.ins1nissor específico. tal como 
a dopamina. Esses esforços para mapear as estruturas ccrcbrai.~ 
~pecífica.~ de significado motivacionaL dos circuitos neurais e 
das vias químicas possíbilitaram aos pesquisadores compreender 
como o cérebro cria. mantém e regula o moti vaçâo, a emoção e o 
humor. Nos próximos capítulos. mudaremos nossa ênfase para os 
eventos externos de significado motivacional. das relações e dos 
ambientes complexos oom que os indivíduos se deparam, como. 
por exemplo. uma sala de aula. Por isso. os conteúdos deste capí-
tulo irjo nos permitir entender a biologia e a neurociência subja-
centes nos estados motivncionais a serem cli<ieulidos. 
RESUMO 
Quando ,e di.,cu1e o cérebro. n maioru da.~ pessoa;. focaliza a :uençllo 
nas funções cognitiva.\ e imelecruai.~.incluindo o pens:imento. n nprendi-
1.agem e a comnda de dec:i.o;õcs. Porém o cérebro n:lo é somen1e um agenie 
de pensrunemo. mas tainbém um agente de motivação e de emoção. É 
o cérebro que gera as lin,iru.. apetites. necessidades. desejos, prazeres e 
iodo o espectro de e111oçõe,. P3rn ilu,tr-.tr como o cérebro cria. mrut1é1n 
e regula o, estado, motivacionai, e emocionais. cou,idere os trê, prin-
cf piOJ. que orgrutizam a tn:llleim como os pi!Squisadores moti,:iciO!l3i~ 
C!>Wdrun o cérebro. Primeiro. e,trutlll".JS cerebruis e!>pecffica~ ( p. ex .• 
o hipot.11:uno e a a,nígdafa) gerrun estado,, moti vacionai., e.specíf,cos. 
Segu11do. age,ues bioqufnúcos (p. ex., oeuro1r.uismi.-sores e hcm1ô11ios) 
~limulam essas e~trutur-.is cerebroL~. Terceiro, ooon1ecimen10, do dla-
11-d;a (p. ex.. rerebcr uma carro de un1 amigo. ou pas..<i:1r por um ll11fego 
perigú,O) sào os even10. de nos....a,, vidas que fottm entrar etn nçllo o,, 
agen1es bioquímico; õtimuJadQrej, do cérebro. 
Olhar dentro do céJ"ebro com 1écnie-.is como a cirurgia e a fRMf 
(inlll1,-em por resso11fincia 1nagnético funcional) pennite.nos ob1er wn 
nlllpa ela localizoçllo ana1õm,ca de diversas esll'lltums-cluve do cérebro 
relacionadas à moti vaçao e 11 emoçno. As es~ cerebmi .. associada, 
à., sensações positiva;, e 11 moth ação de apro.timaçllo incluem o hi po-
ttllamo. o feixe prosenceídlico medial a área central o córtex cerebrul 
e o córtex pré-fronw esquerdo. A;. estrurums cerebrois ~ às 
,en,ações negati,•as e à mollvnçào de evitaçllo incluem a amfgdllla. o 
hipoc-.i.mpo e o córtex pn.<,.frontal direito. Por e.templo. a estimulação 
do feixe prosencefâlioo medi:11 leva a, pes.03S a relatnrem sensaçile, 
positi vru. e oi. anl mais 11 .e comportarem de lllll:I n\aneirJ que s.usere que 
eles receberan1 um reforço pcl6itivo. Já n esti1nulnç-Jo da amígdala le\' 3 as 
pe:s.soas a relauire,n sensnções neg:itivas e a apresenw-em wna :itivação 
romponrunental a;,,oci:wla a uma rc:spost.a coordenada de medo. 
Os neuro1rnnsmissores atuam como mensageiros químicos denlt'O 
do ~rebro, e uma .. ,ia neurotransmissora~ refere.se a um aglomerado 
de neurônios que s.e comunicam com outros neurônios utilizando u1n 
de1enninado neut'O{ransmi...sor. As qu:uro vias new-otmnsmissora.~ motJ. 
vacionalmeme relevan1es silo: a dopan1ina. a sero1011ina. a norepine• 
frina e a endocíinn. A via da dopamina é panicularmente ünpor1~n1e. 
um.~ vez que sua principal funçào motivncional é gerar sensações posi• 
tivas, o que explicn a blologia da compen...açào. À medida que eventos 
motivocionahnente sign,fic::uues ,,3o acontecendo oo longo do d,a. o 
cérebro detocto alguns des= eventos como sendo "biologicnmeme 
significantes'". o que provoca a liberoçllo de dopamina. gera sensações 
azract:1veis e ~limula o comportamento de :iproximaçilo orientado p= 
uma mi!rn. Além dísso. n ~xperiéncia pr.lZeroso do dopamina pennite 
à pes,oo aprender quais e~entos ambientais assoclllln•se ao prazer e 11 
aproximaçÍIO e quais eventos ambient.ais associmn-se oo estresse e à 
e"iiaç:lo. A liberaç-;10 de dopamina é. portan10. um mecanismo ueuml 
pelo qual o moti\'llçl!o se trad112 em ação. 
O prop6si10 deste copf1ulo não foi sobrecruregar o lei1or com teimo, 
extrovaga,ues de 11eurofisiologin. como leplina e si.,tema s.epto•hlpo. 
campal mas ;.im erguer o \ éu ele mislério dos motivos pelos quais o 
cérebro gero e mantém o,, e,wto. moti vocionaí. e e1no.:ionais. 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIO AIS 
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of Ps)'éholoRY-40. 191-lli. 
Parte Um 
Necessidades 
Capftulo 4 
Necessidades Fisiológicas 
NECESSIDADE 
OS FUNDAl\1ENTOS DA REGULAÇÃO 
Nece,sidade Fisiológica 
Impu lso Psicológico 
Homcostasc 
Feedback Nega li vo 
Inputs MCíltiplos/Outputs M61tiplos 
Mecanismos lntra-Organísnúcos 
Mecanismos Extra-Organísmicos 
SEDE 
Regulação Fisiológica 
Ativação da sede 
Saciedade da sede 
O bipOt,Uamo e o fígado 
1J1fluências ambientais 
FOME 
Apetite de Curto Prazo 
C onsidere a seguinte proposta: você é convidado a participar 
de um experimento por u111a pesquisadora que lhe promete 
recompensar muito hen1 pelo seu esforço. Tudo o que você te,n 
que fazer é tentar ganhar 10% do seu atual peso corporal. fsso 
parece ser bastante lacil e cornpensador, de rnaneira que você 
aceita a oferta. No início, tudo vai he1n, e você ganha 2 kg na 
pri1neira se1nana e 1nais I kg na segunda. Enu·etanto, na terceira 
sen1ana, seu apetite din1inui, a co111ida vai perdendo o poder de 
lhe apetecer, e você ten1 a i1npressão de que seu corpo con1eça 
a erguer defesas para conter seu aun1ento de peso. E, ao ingerir 
co1nida extra, você fica surpreso co1n a enonne sensação de 
desconforto que experimenta. Além disso, o seu antigo estilo de 
vida ativo transfonnou-se em um rit1no sedentário, à 1nedida que 
você passou a se exercitar rr1enos e a usar mais os elevadores. V ai 
se tomando cada vez ,nais difícil ganhar mais meio quilo, e muito 
roais difícil ainda alcançar os 10% de peso a mais ern relação ao 
que você tinha antes. São necessários dois meses de esforços, ao 
fi 1n dos quais você acaba ganhando os 10% de peso extra. 
Con1 o te1npo, seu peso corporal, seu apetite e seu estilo de 
vida se recnperan1. Poré1n, infeliztnente, a pesquisadora ve1n 
co1n outra oferta. Dessa vez, ela quer ver se você é capaz de 
perder 10% do seu peso corporal. Confiante no sucesso que já 
&1uilíbrio de Energia de Longo Prazo 
Influências Ambientais 
SEXO 
Situações de restrição-liberação 
Estilo de comer regulado cognitivamente 
Ganho de peso e obesidade 
Regulação Fisiológica 
Métrica Facial 
Roteiros Sexuais 
Orientação Sexual 
Base Evolucionista da Motivação Sexual 
AS FALHAS DE AUTO-REGULAÇÃO DAS NECESSIDADES 
FISIOLÓGICAS 
RESUtv10 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIONAIS 
teve, você aceita a proposta e inicia uma dieta rigorosa. Se antes 
o excesso de comida U,e tirava o apelite, a privação de alimento 
que você experimenta agora é algo simplesmente horrível. Se 
antes as defesas do seu corpo eram brandas e pacíficas, agora 
tudo tnudou. Seu corpo não mais quer brincar. Você passa a se 
sentir carrancudo e in·itadiço, cotn a atenção totalmente centrada 
no apetite. Depois de dois n1eses de esforços contínuos, você 
começa a pensar ern chutar tudo para o alto. Quanto mais você 
tenta segurar seu apetite e 1nais ignora seu i1npulso corporal para 
co1ner, tnais obcecado con1 co111ida você fica, e os alünentos de 
alto teor calórico mais atração exerce1n sobre você. A irritação 
constante que você sente també111 con1eça a afetar sua vida coti-
diana. Você então telefona para a pesquisadora e decide cancelar 
essa experiência fútil que lhe custou um mês de sofritnento. E 
depois, enquanto retorna ao seu peso nonnal, você vê acabar sua 
tristeza e suas fantasias noturnascom pizzas e bolos. 
Após o térrnino dos experimentos, duas coisa~ mudaram. Por 
um lado, você ganhou bastante dinheiro. E, por outro, você agora 
pensa de 1uodo diferente sobre a fome, o co1ner e o controle de 
peso. A experiência pela qual você pa~sou lhe mostra que o corpo 
dispõe de utna predisposição e algu111 guia auto1natizado, que 
lhe permite controlar quanto você deve pesar. De fato, o corpo 
46 Capíu1Jo Quatro 
possui diversos guias de auto-rcgulaçiio. e quando esses guias 
são perturbados. ignorados ou simplesmente rejeitodos_. ocorre 
uma elevação dos estados motivacion:iis. Esses estados motivn• 
cionais (p. ex_ a fome. a tristez.a} irão continuar e intensificar até 
que o indivíduo aja de modo a corrigir os guias rcguJadores que 
foram penurbados. Portanto. a tese do presente capítulo é que 
~ necessidades fisiológicas. os sistemas biológicos, o~ estados 
mot:ivacionais e o comportamento atuam cm comum aconlo com 
os outros. de modo a fui.er com que o indivíduo alcance uma 
regulação fisiológica estável. 
Um estudo similar foi realizado com animais. e os resuJtados 
aparecem na Figura 4.1. Durante os primeiro~ 30 dias. todos 
os animais receberam uma dieta norm:tl. Comcç:llldo no 3CJQ 
dia (ponto #1). alguns animais passaram a ser forçadamente 
aliment:idos (linha a), outros animais foram colocados cm unia 
dieta rigorosa (linha e), e outros ainda continuaram a receber 
sua dieta normal (linha b). Três semanas depois (480 dia: ponto 
1#2). todos os animais retomaram à dieta normal. Como era de se 
esperar, os animais que passaram por uma alimcnlllção forç:ida 
ganharJ.Jll bastante peso entre o 3()11 e o 4811 dias. ao passo que 
os animais que fizcrJm a dieta rigorosa perderam bastante peso. 
Com o retorno à dieta normal (no 4811dia). os animais que haviam 
pnssado pelo alimentação forçada manife.slllr:Un pouca fome, e 
oomiarn a intervalos bem espaçados. ao passo que os animais 
que haviam saído da dieta apresentavam 1nuita fome e comiam 
vorazmente. Entretanto, por volta do 75!idia. todos os três grupos 
de animais estavam aproximadamente com o mesmo peso. Ou 
seja. indcpcndcntcmcntc de alimentação forçada ou de fome, os 
animais motivacionalmentc se adaptaram à sua nova situação. 
e esses estados molivaciona.is fizeram com que, nn final, rlcs 
retomassem a seu peso corpor.il normal. 
i 8 .j()() 
e 
p -
10 20 
• ---/ ---
/ ----I /,,,,, 
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I 
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'---
i 
2 
30 ,10 50 60 ~o 
Tcmpo{dl::as) 
Figuro 4.1 Fluruações do Pe,-o Corporal ao Longo do Tempo p:ira 
Animais Superalimentados (a), Normal1nen1e Alimenllldos (b) e 
Subalimenwdos (e). 
Fo11,, : e..-tmido de Thr lra le<>ft~ Lat,ral H~po,Ju,/tm111s i• Dtufflfining rl~Bod) 
Wt1glll Sr, Pmnt. ele R. E. Kttsey. P. C. Boy le. J. W. Kemrutz & J. S . !liltchd. 
1976. cm O. Ncwrn. \V. \\lyrwick;i & G. A . Bniy ( Eds.). HUlf//,r: Bar,c m«l,o, 
nlsms and c/,nirol 1mp/11:a11Ms (pp. 243-255). Nova Yodc: Ravcn Prcss. 
NECESSIDADE 
Uma necessidade é uma condição qualquer que ocorre na pessoa 
e que é essencial ou necessária à sua vida. a seu crescimento 
e a seu bem-estar. Quando as necessidades são alimentadas e 
satisfeitas. nos.~o bem-estar é conservado e acentuado. Porém. 
se negligenciada ou frustrada, a necessidade não-atendida irá 
produzir danos que desequilibram nosso bem-estar biológico 
ou psicológico. Portanto. os estados molivacioaais fomcccm o 
ímpeto para agirmos antes de ocorrerem danos ao nosso bem• 
estar psicológico e corporal. 
Os danos podem afetar o corpo. de maneira que os motivos 
para a ação surgem das necessidades fisiológicas cujo propósito 
é evitar a danificação dos tecidos e promover a manutenção dos 
recursos corporais (p. ex .. sede. fome e sexo). Os danos podem 
também afetar o "scU:". de modo que os mot.ivos para a ação 
também surgem das necessidades psicológicas dos indivíduos 
com o propósito de orientar seu desenvolvimento para o crcs• 
cimento e a adaptação (p. ex .. uu1odetcrminação, competência 
e relacionamento). Também ocorrem danos ao que diz respeito 
à nossa relação com o mundo social, e nesse caso os motivos 
s-urgem das necessidades social, de preservação das identidades. 
das crenças. dos vnlores e das relações interpessoais (p. ex .. reali-
zação, afiJiação. intimidade e poder). Juntas, as necessidades 
fisiológicas. psicológicas c sociais fornecem urna diversidade 
de motivos que servem de modo geral à nossa vida, ao nosso 
crescimento e ao nosso bem-estar. 
As nocessidades fisiológicas envolvem sistemas biológicos. 
tais como os circuitos neurais cerebrais, os hormônios e os órgãos 
do corpo. Quando insalis.fcitas durante um pcrfodo prolongado, 
as necessidades fisiológica., pas.~am a constituir emergências 
que põem cn1 risco a vidn e, portanto, geram estados motiva• 
cionnis capazes de dominar a consciência. Quando gratificadas. 
as neocssidades deixam de se.r prementes e são esquecidas, pelo 
menos durante um certo tempo. Por sua vez, as necessidades 
psicológicas envolvem os prooessos do sistema nervoso central. 
Entretanto, cm vez de obedecerem n períodos temporai, cíclicos 
(ascensão. queda. e nova a.,;censiio). como fau:m as uece..-.;.,idadcs 
fisiológicas. as necessidades psicológicas estão o tempo todo 
presentes em nossa consciência, pelo menos cm certo gran. E 
elas ganham ênfase na consciEncia principalmente na presença de 
condições nmbicntai, que os indivíduos acreditam serem capazc., 
de compreender e satisfaz.er essas necessidades. Por exemplo. 
encontrJr amigos é algo que evidencia nossa necessidade de 
afiliação. ao passo que ser controlado é algo que frustra nossa 
necessidade de autonomia. Existem dua., categorias de necessi-
dades psicológicas. e a distinção entre a.s necessidades psicoló-
gicas e as necessidades social, é que as primeiras são inatas e 
inerente.~ a Lodos os indivíduos. ao passo que ns últimas rcíletem 
a história pccuJiar de socia lização de cada indivíduo. 
Todas as necessidades gerJm energia. O que difere uma ncccs• 
s:idadc da outra slio seus efeitos direciona.is sobre o comporta• 
meato (l\llurrJy. 1937). Por exemplo, uma necessidade de fome 
é diferente de uma necessidade de sede, não c m termos da quan• 
tidade de energia que gera. mas sim em sua capacidade de dire-
c ionar a atenção e a ação para a busca de alimento, cm vez da 
busca de água. De modo semelhante. uma necessidade de compe• 
tência é diferente de umo necessidade de ter relações. não em 
termo~ da quantidade de motivação despertada. mas sim quanto 
ao consequente desejo de bu.<;car desafios em um nível ótimo, 
em vez de relações íntimas. 
Outro maneira pela qual ns necessidades diferem entre si é que 
algumas gerwn uma motivação de deficiência, ao passo que outr.i.~ 
geram uma motivação de crescimento (Maslow, J 987). Com 33 
neces~idades de deficiéncia, n vida vai bem até que algum estado 
de privação ( p. ex.. faz l O hor.is que a pessoa comeu pela úl úma 
vez) ativa t.uru'.I necessidade de interagir c.om o mundo de uma 
maneira que aquiete o déficit (ou seja. o consumo de alimento). 
Já com as necessidades de crescimento. os e~tados moli vacionais 
cncrgiz.am e direcionam o componamento de modo a desenvolver 
avanços (buscar desafios. melhorar as relações interpessoais). 
O indício que nos faz distinguir uma necessidade baseada em 
deficiência de uma necessidade baseada no crescimento são as 
emoções que cada tipo de necessidade gera. As necessidades de 
deficiência geralmente geram emoções tensas e prementes. tais 
como ansiedade. frustração. dor. estresse e aüvio. Já as necessi-
dades de crescimento costumam gerar emoções posit.ivas. como 
intere.">se, diversão e ,<italidadc. 
OS FUNDAMENTOS DA REGULAÇÃO 
Meio século atr.1s, Clark Hull ( 1943) criou uma teoria da moti-
vação de base biológica, que foi chamadn de teoria do impulso 
(veja o Capítulo 2). Segundo a teoria do impulso, as privações 
e os déficits fisiológicos (p. ex., falta de água, de alimen10 e 
de sono) criam neces.çidades biológicas. Caso a necessidade 
permaneçainsatisfeit:l, a pri vaçào biológica toma-se potente 
o suficiente para dominar a atenção do indivíduo e ger.ir um 
impulso psicológico. " Impulso" é um termo teórico uúlizado 
para se referir ao desconforto psicológico (sensação de tensão e 
inquietaçf10) derivado de um déficit biológico persistente e subja-
cente. O impulso energiza o animal para a ação e direciona !.1.la 
atividade para comportamentos específicos que são capazes de 
servir (satisfazer) às necessidades corporais. 
A Figur-.i 4.1 ilustra a ncc=,idadc fisiológica- impulso psico-
lógico-. processo de ação comportamental. Após beber um copo 
d'água e comer, o indivíduo experimenta uma condição biológica 
de saciedade. na qual nem a sede nem a fome apresentam conse• 
qüências molivacionais. como c~tá mostrado em ( l ). Entretanto. à 
medida que o tempo passa, a :ígua do oorpo evapora e o indi,1duo 
C01L'i01ne calorias. Com a ocorrência natural dessa perda de água e 
de nutrientes. os desequilíbrios ou déficits fL'>iológicos começam a 
.se acumular (2). Caso os desequilíbrios fisiológicos ))CTI!ÍStam ou 
se intensifiquem. n conlinuidade da privação produzirá uma neces-
sidade corpor.il de :ígua ou calorias (3). Com o tempo. a accessi-
dade fisiológiCll awneata o suficiente para produzir uma sensação 
de tensão e de inquietação, que corresponde ao impulso psicoló-
gico (4). Umo vez motivado pelo impulso. o indivíduo passa a 
agir dirocionado para uma meta (5). Quando o indivíduo sedento 
encontra :ígua potávcl. ou quando o indivíduo faminto encontro 
comida. ocorre o comportamento comrnm:nório (6). A ingestão 
de água ou alimento satisfaz e remove a occcssidade corporal 
subjacente. o que aquieta o impul~o psicológico, por meio de um 
proces.so chamado redução do impulso (7). Após essa redução. o 
Necessidades Fisiológieti 47 
(1) Esl3do s.u:bdo 
/ ~ 
('I) Rrouçlio do lmpui.o 
! 
(6) OcorTC o 
compommcnlo 
con..-wm:uono 
\ 
(5) Ocorre, o comporumcnto 
moth'lldo e dln:doctado p;ia 
unu meu., como tcnt:nh1:1 
de gnuflcar o lmpul<O 
(2) A pn,,,.çio fl>iolog;ic,a 
ckscrwoh·cndo-,,c, gr>dwlmcn1c 
(3) A prh'UÇio fi_slológk:• 
pmloogub produx um:i 
l'ICCCS5lwdc corpor>I 
' (4)A n~c se lnu.-oslJla e, <li 
0111,'ffll oo impulso psJcologlco 
Figura 4.2 Modelo da Sequência Necessidllde-Jrupulso-Compor-
t.amcnto 
indivíduo retoma a um c.,;tado saciado (isto é. não mais motivado) 
( 1 ), e todo esse processo cíclico inicia de novo um ciclo. 
O padrão cíclico que mostra o aumen10 e a diminuição do 
impulso psico lógico (Figura 4.2) envolve sete processos funda-
mentais: necessidade, impulso. homcoslase. "fccdbuck nega• 
tivo", inputs múltiplos/outputs múltiplos. mecanismos intra-orga-
nísmicos e m.ccanismos extra•organismicos. 
Necessidade Fisiológica 
A necessidade fuiológica descreve uma condição de deficiência 
biológic.a. As necessidades fisiológicas ocorrem a partir dos défi-
cits nos tecidos do corpo e pela corrente sangüínea, tais como a 
perda de água. a privação de nutrientes ou injúria física. Se não 
atendidas. as necessidades fisiol6g.ic-.is se fazem acompanhar de 
lesões corporais 011 putologias. Em função disso, qunndo insatis-
feitas e intensas. as necessidades fisiológicas representam emer-
gência. .. capazes de pôr cm risco a nossa vida. 
Impulso Psicológico 
O impulso é um termo psicológico. e não biológico. Trata-se da 
1nanifestação consciente de uma necesi.idade biológica subja• 
cente e inconsciente. É o impulso, e não as necessidades f1Sio-
lógica.,; subjacentes por si mesmas, que tc.m propriedades moti-
vacionais. Por exemplo. é o apetite (impulso psicológico). e não 
a bailt!I t:LJta do açúcnr ou o esvaziamento das célul:is adiposas 
(necessidade fisiológica). que energizn e direciona o compor-
tamento. Quando é evidente o suficiente pur-.i chamar nossa 
atenção. o impulso nos prepara motivacionalmente par.i iniciar 
componamentos orientados pam uma meta. capazes de produzir 
a reduç.ão desse impulso. 
Homeostase 
Os sistemas corpor.iis apresentam uma notável capacidade de 
manter um estado estável de equilíbrio. L..so é verdadeiro mesmo 
48 Capíu1Jo Quatro 
quando esses sistemas cxccuw.m suas funções e se expõem a 
condições ambientais extremamente diferentes e estressan1cs. O 
tenno que descreve a tendência do corpo de manler um estado 
cst:í vel é homC06tasc. Por exemplo, a corrente sangüínw apre• 
senLa uma nolável conslância quanto a seus níveis de água, sal. 
açúcar. cálcio. oxigênio. tcmper-.11:ura. acidez, proteína., e gordur-.is 
(Cannon, 1932. Dempsey. 1951). Por outro lado. as pessoas cons-
tantemente estilo se deparando com a lterações nos ambiente., 
e.demos e internos. e apenas o tempo já é suficiente pnm produzir 
condições de privação. Ou então as pessoas comem, bebem e 
dormem em excesso. Em função disso. os sislemas corporais 
e ncontram-se inevitável e continuamente sendo deslocados de 
sua homea,tasc. ou por meio de aheraçõcs na., condições ambicn• 
tais. ou atr.ivés de seus próprios comportamentos de consumo. A 
homeostasc é essencialmente a capacidade que o corpo tem de 
fazer com que um determinado sistema (por exemplo. a corrente 
soogüínea) vohc a seu eslado basal. Para fazer isso, os sistemas 
corporais geram estados morivacionais. Portanto. o corpo lem 
tanto uma tendência a manter um estado estável quanto os meios 
que gcmm a rnoti vaçào necessária para cocrgizar e direcionar os 
comportnmcntos relacionados à restauração e à hon1costll.'>c. 
''Feedback" Negativo 
O feedb11ck negativo refere-se ao sistema de brcc:igem fisiológic:i 
da homeostase (Mook. 1988). As pessoas comem e donnem, mas 
até o ponto cm que não mais têm fome ou sono. O in1pulso ativa 
o comportan1ento; o fcedback negativo o interrompe. 
Sem o feedback e sem um modo de inibir o comportamento 
motivado pelo impulso. uma vez satisfeita a necessidade subja• 
ccntc. as pessoas se comportariam como na história "O Aprendiz 
de FciLiceiro" (do poema de Dukaç, que serviu de tema do 
desenho animado Fantasia. de Wal1 Disney; Cofcr & Appley. 
l 964 ). No início da história. o aprendiz, imitando o fei ricciro, 
aprende a dar ordens a uma vas.çoura. mandando-a trazer um 
bnldc de água. A vassoura obedece e traz ao aprendiz um balde 
d'água. Depois de ter feito isso urnas duas vezes, a água já é 
suficiente. mas a vassoura continua a trazer mais e mais baldes. , 
E então que o aprendiz. para seu desespero. se dá conta de que 
não aprendeu a fazer a vassoura parar de trazer água. Se o corpo 
fosse incapaz de inibir um impulso. ocorreria um desastre. Caso 
as pessoas não tivessem condição de interromper a sensação de 
fome. elas lilemlmcntc morreriam de comer. 
Na verdade. os sistemas de fccdback negativo assinalam a 
saciedade bastante antes que a necessidade fisiológica esteja 
completamente satisfeita (Adolph. 1980). Primeiro. a pessoa 
come e bebe rapidamente, mas a taxa à qual ela faz isso diminui 
rapidamente ao longo da refeição (Spitzer & Rodin, 198 1 ). À 
medida que vamo.~ digerindo a comida e a água. nosso corpo 
nprcscata I.Ullá notável aptidão para estimar a quantidade certa 
de alimento ou de água que, quando transformados e absorvidos. 
serão neces-sários para satisfazer às necessidades fisiológicas 
subjacentes. Por exemplo, enquanto bebemos, nosso corpo conti-
nuamente monitor-.i o volume de líquido ingerido a cada gole. e 
utiliz.a essa informação para predizer a quantidade de água que 
no final entrará na corrente sangüínea e nas ce1ulas corporais. 
A compreensão precisa de como o corpo assinala a sacieda.de 
constitui o e.,,tudo dos sistemas de íeedback negativo. 
''Inputs" Múltiplosf'Outputs" Múltiplos 
O impulso apresenta diversos inpuLo;, ou meios de ativação. Po.r 
exemplo. é possíYcl experimcnlar a sede depois de suar. ingerir 
alimentos salgados ou doar sangue. em resposta à estimulação 
e létrica de uma estrutura cerebral específica ou dur-JJ1tc uma hora 
específica do dia. De maneira basLante análoga. o impulso também 
tem diversas formos de saídas, ou respostas comportruncniais.que 
o satisfazem. Ao sentir frio. podemos vestir uma jaquetn. acender 
o :iqucccdor, fazer exercícios físicos ou tremer. Cada um desses 
comportamentos consegue o me.,;-mo resultado final - produzir 
umn elevação da temperatura corporal. A idéia b:ísica é que o 
impuL~o surge de fontes (inputs) diferente.~ e motiva diferentes 
comportamentos direcionados para uma meta (outputs). 
A convergência de múltiplos inputs com múltiplos outputs. 
mostrada na Figura4.3. é aa verdade o que faz o impulso ser um 
construclo motivacional bastante atraente. Em termos teóricos. 
o impulso é uma variável interveniente.~. que integra as relações 
entre vários inputs e outputs. os quais, de outra maneiro, diver-
giriam entre si. Por exemplo, n dor. como variável intervcnienle. 
ajuda a cxplicll' o que é comam entre os process05 motivaciomris 
que ocorrem imediatamente depois que. por exemplo. levamos 
uma ma.rtclada no dedo (Antc«dentc I no figUJ11), encostamos 
a mão na chapa quente do fogão (Antecedente 2). ou pisamos 
cm um prego com o pé descalço (Antecedente 3), eventos que 
aos fazem sacudir o dedo freneticamente (Conseqüência J ). 
meter a mão na água fria (Conscqüêncin 2) ou pular cm wna 
perna só enquanto seguramos o pé machucado (Conseqüência 
3). Portanlo, o impulso intervém entre os estados de privação 
(estúnulos de input) e ações restauradoras direcionadas para uma 
meta (respostas de output). 
Considere a vanlllgem teórica de se utilizar o impulso como 
uma variável intcrvcnieale para conectar os múltiplos inputs 
aos múltiplos output.,, 1 Imagine que os três inputs da Figura 4.3 
foram muitas hor-.is de privação de alimento, o aroma tentador 
de pipoca sendo prcparnda e a presença em uma festa cm que há 
com.ida cm cada mesa. Imagine agora que os tres outputs sejam 
a quantidade de calorias consu:midas, o tempo decorrido para 
começarmos a comer (latência) e a probabilidade de se alimcnw 
t•ersus a de jejuar. O cheiro de pipoca e a presença cm uma festa 
não causam o comportamento de comer cm cxces.,;o ( quantidade 
de calorias consumidas). Somente às vezes comemos cm excesso 
ou muito depressa. Nos.<,0 comportamento motivado depende da 
intensidade da fome que sentimos (impulso), e não do atração 
exercida pela pipoca ou da fácil disponibilidade dn comida. Por 
esse motivo, os psicólogos que estudam a moti,,ação concentram• 
se nas propriedades motivacionais das variáveis motivacionais 
e de centenas de inputs individuais para o impulso (horas de 
privação de alimento, cheiro da pipoca, abundância de alimentos 
e assim por di:llltc.) 
1 A pcrspectiv-.1 de \'anâvd mtcrvcnn,ale mostrada ,u f'1gur., 4.3 aplica-se a todo., 
o.s mau,..,.._ e não só ao impulso. Por exemplo,°' input> e os outputs p:in • nc:cc,,. 
sid:>dc de n,nlmiçlo podem ser os d=bm cm afvc,s órimos. o ímdbacl: nip1do 
• J rcspoosabtlicbdc pcs.oat por um ddcnn11Udo ~ullJIJo (inpt& mliltipk») e 
o persistência dUl!llc do m,ca.sso. a c,colha de empn:cndimcWO$ de d1ficuldadc 
mocJcrnda e o cspinto empreendedor (oot,pUJ.s ml1lbplos). 
Conchção 
AilLeceddl Le 1 
Coodiçdo 
An1ec..-eden1e 2 
Condição 
An1cceden1c 3 
Con.seqilênda 
/ Cóu1porcunental 1 
'---•~ Impulso --t- Conscqllê:ncia 
Compor1:unencal 2 
~ COOS<!(jüênda 
Comportamental 3 
Figura 4.3 O lmpul~ como Vari~,·el lruen.eniente 
Mecanismos Intra-Organísmicos 
Os mecanismos intra-organfsmicos incluem LOdos os sistemas 
reguladores biológicos da pessoa que atuam em comum acordo 
p:ira ativa,-, manter e cessar as necess idades fisiológicas subja• 
ceoLes ao impulso. As estruturas cerebrais. o sistema endócrino 
e os órgãos do corpo constituem as três principais categorias 
de mecanismos intrn-organísmico.~. Pa,-n a fome. os principais 
mecanismos intra-organísmicos são o hipotálamo (estrutura cere-
brnl), os hormônios glicose e insulina (sistema endócrino) e o 
estômago e o fígado (órgãos do corpo). Juntos. esses mcc-.mismos 
corporais 3fetam uns aos outros de modo a explicar os eventos 
fisiológicos responsáveis pela criação. pela manutenção e pela 
cessação da experiência psicológica do impulso. O estudo dos 
mecanismos intra-organísmicos é o estudo do papel desempc• 
nhado pelas estruturas ccrcbr.iis, pelos hormônios e pelos órgãos 
corporais durante o aumento e a diminuição das necessidades 
fisiológicas. 
Mecanismos Extra-Organísmicos 
Os mccanismose;tttra-organísmicos incluem todas n.<; influências 
ambientais que atuam na ativação. na manutenção e na cessação 
do impulso psicológico. A.~ principais categorias de mecani~mos 
extrn-<>rgaoísmicos s.'io as influências cognitivas, ambientais. 
sociais e culturai.i.. Quanto à fome. as influências cxtra-organís• 
micas incluem as crenças sobre as calorias e a meta de perder 
peso (influências cognitivas}, o aroo1a da comida a UIDJI dada 
hora do dia (influência.~ ambientai~). a presença de outras pessoas 
e a pressão dos amigos para que comamos ou não (influências 
sociais), e os papéis sexuais e ideais cullur.üs relativos aos tipos 
desejáveis e indesejáveis de forma física ( iníluêocias culturais). 
O estudo dos mccaoi.\.mos extro-organísmicos é o estudo do.~ 
papéis que as influências cognitivas. ambientais. sociais e cultu-
rais desempenham no aumento e na diminuição das necessidades 
fisiológica.~. 
SEDE 
Nosso corpo é constituído princip-.tlmente -cerca de dois terços 
- de água. Quando nosso \'OILUnc de água diminui cerca de 2%. 
começamos a sentir seclc. A desidratação ocorre somente depois 
Necessidades Fisiológieti 49 
que perdemos ccn:a de 3% do nosso volume de água (\Veinbcrg 
& Minaker, 1995). A sede é o estado motivacional expcrimen• 
tado conscientemente que prepara nosso corpo para executar 
comportamentos necessários para reabastecer o déficit de água. 
, 
E a perda de água, abaixo de um nível homcostático ótimo, que 
cria a necessidade fisiológica ~ubjarentc à sede. 
A sede surge como uma necessidade fisiológica porque nosso 
corpo está continuamente perdendo água por meio da transpi-
ração, da urina. da expiração. e até mesmo do snngramcoto. do 
vômito e do espirro (ou seja. inputs múltiplos). Sem a reposição 
de /igua, podemos morrer dentro de aproximadamente dois dias. 
Se você já passou pela e;ttpcriência de ficar mais de 24 horas sem 
beber um gole de água, sabe que o corpo tem mecanismos intra• 
organísmicos eficazes para prender completamente sua atenção 
e motivar compon.ameotos orientados para a meta de encontrar e 
consumir á..,"lla. 
Regulação Fisiológica 
Dentro do corpo humano. a água é encontrada tanto nos nuidos 
intracelularc., quanto nos íluidos extracelularcs. Os íluidos intrn-
cclularc~ consistem cm toda a água contida no interior da.~ células 
(aproximadamente 40% do peso corporal). E o Ouido extrnce• 
lular consiste em toda a água fora das células. que se encooJ.ra 
no plasma sangüíneo e no íluido intersticial (cerca de 20% do 
peso corporal). 
Se, por um lado. a água continua sendo água independente• 
1:ne_ote do local cm que se encootr.i no corpo, essa diferenciação 
é importante porque n sede provém dessas duas footcs distintas. 
Uma vez que a sede surge tanto a panir dos déficits intracelu-
lares quanto dos déficits extracelulares. os fisiologistas adotam 
para a ativação da sede o "modelo da dupla exaustão" (Epstcin. 
1973 ). Quando o fluido intracelular necessita de aba.~tecimento 
de água. surge a sede os111on1éfrica. E enquaoto a desidratação 
celular é a causa da !>ede osmométrica, a hidratação celular faz 
essa sede cessar. Por outro lado. quando o fluido cxtrncclular 
necessita de abastecimento de água (p. ex .. após sangrameoto 
ou vômito) . surge a sede ,,olJ1nrérrica. A hipovolemin (redução 
do volume de plasma sangüíneo) provoca a sede volumétrica. e 
a bipcrvolcmia a faz cessar. 
Ativaç-lo da Sede 
Coo.gdcre o estudo padrão da privação de água. Em laboratório. 
animais ficam sem receber água. porém não ali mcnto, durante 
cen:a de 24 boms (Rolls. \Vood & RoUs. 1980). Após privar 
os animais de água. os pesquisadores repõem seletivamenteou 
a quantidade de água intracelular ou 11 quantidade extraceJular 
(util izando técnicas especiais de infusão). Os procedimentos 
adotam três situações: ( 1) privação de água durante 24 hor.is. 
seguida de reposição intracelular; (2) privação de água durdllte 
24 hor.is, seguida de reposiç..'io extracclular. e (3} privação de 
água durante 24 borJS sem reposição (grupo de controle}. A 
quantidade de água ingerida pelo.~ animais no terceiro grupo (de 
cooirole) serve como uo1 padrão para a sede normal (cuja refe-
réncia é a quantidade de água ingc.rida). Os ratos que receberam 
reposição completa de fluidos extracelulares ingeriram apenas 
50 Capítulo Quatro 
111n pouco n1enos que os ratos que ficaram sen1 reposição. Ou 
seja, beberarn corno se ainda estivessern co1n bast:ulle sede . .lá 
os ratos que recebenun reposição de fluido intracelul:u- ingerinun 
be111 nienos. Ou seja, beberam con10 se já estivessern basica,nente 
satisfeitos. Esses resultados sugerem que a sede osrnométrica é 
a principal causa da ativação da sede. A sede provém principal-
mente da desidratação das células. 
Saciedade da Sede 
Quando bebe1nos, não o faze1uos pm·a se1npre. Existe algo que 
alerta nosso corpo a parar de beber. O sistema de feedback nega-
tivo é importante porque nosso corpo não só precisa acabm· 
com seus déficits de água, mas também impedir que bebamos 
água em excesso, o que poderia causar uma disfunção celular 
captu.: de pôr em risco a nossa vida. Nesse sentido, animais que 
não estão sentindo falta de água não irão querer beber, e, caso 
scjan1 forçados a fazê-lo, apenas rnolharão o canto da boca, sen1 
engolir o liquido (\Villianis & Teitelbaun1, 1956). Naturahnente, 
os seres lnunaoos costu ruam con1eter excessos de bebida, ,nas 
esse co1nport:unento é regulado por fatores outros que não a água, 
tais co1110 o sabor ou o teor alcoólico do líquido. 
Quando bebemos, a água passa da boca para o esôfago, indo 
em seguida para o estômago e depois para os intestinos. sendo 
então absorv ida na corrente sangüú1ea. Por n,eio do processo de 
os1nose, a água tennina por passar dos fluidos extracelulares para 
os fluidos intracelulares, para hidratar as células. O n1ecanismo 
de feedback negativo para a associação deve, portanto, estar 
situado en1 um (ou 1nais) dos seguintes locais do corpo: boca, 
estômago, intestinos, corrente sangüínea e células. 
Para localizar o mecanismo de feedhack negativo da sede. os 
fisiologistas concebera1n uni grande n(unero de cxperi1nentos. 
Em um deles, os animais bebiam água, mas os pesquisadores 
faziam a água passar pela boca 1nas não alcançar o estômago 
(nem os intestinos, nern a corrente sangüínea, nem as células; 
Blass & Hall, 1976). En11nédia, os animais bebiain quatro vezes 
mais água do que o normal, rnas acabavam parando de beber. 
Portanto, o fato de a água passar pela boca fornece um n1eio, 
c1nbora fraco, de inibição da sede. Pesquisas feitas posterior-
mente identificaran1 que o sistema específico de cessação da 
sede na boca está relacionado corn a quantidade de goles que se 
dá durante o ato de beber (Mook & Wagner, "1989). Após um 
grande número de goles (mas não necessariainente um grande 
volume de água), para-se de beber. 
Em estudos subsequentes, houve arranjos em que a água 
bebida pelos aniu1ais passava pela boca e ia até o estô1nago. 
111as não alcançava os intestinos, nen1 a corrente sangüínea, 
nem as células (Hall, 1973). Os animais que receberam água 
na boca e no estôn1ago beberrun duas vezes n1ais que o normal. 
Portanto, o estômago, assim como a hoca, também é dotado 
de u1n n1ccanisn10 de inibição da sede, c1nbora esse 1ncca-
nismo tarnbém seja fraco. Outros estudos ti7.erarn com que a 
água bebida pelos animais passasse pefa boca, pelo estômago, 
pelos intestinos e para os lluidos ex trace i ui ares (Mook & Ko7.ub, 
1968). Entretanto, a água bebida pelos animais era soro fisio-
16gico. A ingestão desse soro lisiol6gico ra:,.;ia com que muita 
água se actunulasse nos fluidos extracelulares 1nas pouca água 
passase para os fluidos intracelulares. (Segundo o princípio da 
os1nose, a água salgada não se difunde para áreas intracelulares.) 
Esses anünais bebera1n 1nais que o nonnal. Po1tanto, as próprias 
células devem tambén1 abrigar dentro de si um n1ecanismo de 
feedback negativo. Po1tanto, o simples consu1no de água não é 
suficiente p,u-a aliviar con1pletainente a sede, e o animal só pára 
de beber quando finahnentc ocorre u1na hidratação das células 
do corpo (Mook, 1996). Vistos como u1n todo, existe1n 111últi-
plos sistemas de feedback negativo para a sede - na boca, no 
estôn1ago e nas células. 
O Hipotálamo e o Fígado 
A boca, o estôn1ago e as células coordena1n a ativação da sede e 
a saciedade, poré1n essas atividades são t:unbén1 executadas pelo 
fígado, pelo hípotálan10 e pelos honnônios específicos. O cérebro 
(através do hipotálaino) 1nonitora o encolhimento intracelular 
(causado pelos baixos 1úveis de água) e libera u1n honnônio no 
plasma sru1gliíneo que envia tuna n1ensage1n ao fígado, para que 
este conserve suas reservas de água (produzindo urna urina 1nais 
concentrada, en1 vez de diluída). Ta1nbén1 os rins liber:un água 
caso nosso nível de fluidos esteja baixo. Enqu:u1to o hipotá.la1no 
administra o con1po1ta1nento involuntário do fígado, ele tainbé1n 
cria o estado psicológico consciente de sensação de sede, que 
direciona a atenção e o con1po1tau1ento para a realização de ações 
que façain o corpo se abastecer de água. É no hipotálaino que a 
experiência psicológica da sede se origina, entra na consciência 
(ao enviar uma 1nensage1n de alerta para os lobos frontais do 
neocórtex) e gera a urgência moti vacional de beber. 
Influências Ambientais 
Três influências extra-organísmicas no cornportm11ento de beber 
são a percepção da disponibilidade de água, a adesão do indi-
víduo a esquemas de consurno ele bebida e o sabor. Ani1nais 
que vive111 e1n 11111 a1nbiente en1 que há abundância de água 
bebe,n menos ao longo do dia do que ani1nais que vivem e,n 
a1nbientes e1n que a água é escassa (Toates, 1979). Assiin, se 
você quiser reduzir sua sede, encha a geladeira de bebida; e se 
quiser au1nentar sua sede, deixe apenas u1n vidro na geladeira. 
Os ruü111ais ta111bém adquire111 e aderen1 firn1e111ente a esquen1as 
de consumo de bebida, independentemente de sua necessidade 
fisiológica por água (Toates, 1979). Entretanto, a influência 
an1biental n1ais ü11po1tante para a bebida é o sabor (Pfaffmann, 
1960, 1961, 1982). 
E1n estado puro, a água é insípida e, portanto, não oferece 
qualquer valor de incentivo que vá alé1n do reabastecimento. 
Poré1n, quai1do a água é dotada de sabor, o co1nportan1ento asso-
ciado ao ato de beber 1nuda de acordo co111 o valor de incentivo 
da bebida. A Figura 4.4 apresenta os valores de incentivo para 
quatro sabores: doce, azedo, salgado e an1argo, representados 
para diversas intensidades de estí1nulo. Utilizando a água insí-
pida (en1 estado puro) como lü1ha básica (ausência de au·ativo) , 
qualquer sabor é ligeiran,ente agradável quando apresentado a 
tuna intensidade bastante baixa (algo que acontece 111es1110 co1u 
o amargo). A intensidades 1nais substanciais, a água co111 sabor 
de sacarose (adocicada) é acentuadan1ente 111ais agradável do que 
a água se1n sabor. Já a água com ácido tartárico (azeda), a água 
+100 Doce 
+50 - .... 
/ ' 
I ' 
I ,,,-, ' 
I ' 
I ' 
/1------.. ' \ 
() ~'+----l'l---ll""""-""""----------i 
I \ 
I ' ' ' ' ..... ..... 
",~~º 
..... ..... 
S:tlgado ', 
\ 
\ 
-100 L ___ ...J~=..:....:~:===:r:::::;;;::~J' 
Intensidade do Estím,tlo 
Figura 4.4 A Agradabilidade Relativa de Quatro Soluções de Sabores 
Fome: extraído de The Pleasures of Se11satio11, de C. Pfoffmann. 1960. 
P.,ycho/ogical Review, 67, pr. 253-268. Copyright 1 %0 hy J\merican 
Psyrhologic::.aJ Association. R('produ,Gido sub permissão. 
salgada e a água cou1 sabor de quinino (a1uarga) são acentuada-
mente mais desagradáveis do que a água sern sabor. Assim, uma 
vez que a águacon1 sabor te1n uin valor de incentivo, as pessoas 
1cndc1n 11 beber mai, ;1gun adocíc:idn. a beber a 1íg11u insípida com 
o propósito de suprir ~uas nccl!l>s idudcs ho1ncosulllca~ eu beber 
menos ógtm de ~bor azedo. snlgndo ou nmnrgo.1 
Ou111J inlluencia exlrJ-orgm1/.s1nica sobre o con1por1ame1110 
de beber i! a pn:i.crí~'Íio oul1uraJ de tomar oi to copos de tlyuu por 
dia. Entretanto. nüo cm~tcm evidêndn.~ cient(ficas que apóiem 
e.~sa sugcsüío (Vnllin, 2(l02). cm grnndc parte porque u tfpicn 
dieta de 2.000 CllloritlS j11 con1é1n o equivul.:nu: u nuv.: cupo~ de 
tlgun ,,voods, Bell & Thorwnn, 1999). 
Quando fu1on:s cou,o o subor adocícadtl dn águu repl'e-
.~enuun utn in.:entlvo i.igniftcativo pürJ beber. os ~.:re~ lnununus 
cosru,nnm f:1zõ-lo em e,:c~. 11s v.ezes con~urnindo qunnticbdcs 
pcrigosm.tJeole ele,•11dus (em termos biológicos) de líquido 1Rolls, 
Wood & Rolh, 1980). FrcqOc11t0mentil "-~ p.:.'ISou:, c1Jnsgmem 
rcfrigcn111tt:'i e chá~ :1pc1111s pelo go-.10 dc'!Sa-. bcbidn~. E qunnto 
fls bobidri.s cuju base é u ág_uu e <JUC co11tf:n1 ilcool ou cafe(na. 
podem su11,,-ir complic11çõe5 n:lncignndru. 11 ndicçiio. Por1un10. 
L,11110 o álcool quunto n cnfcín:1 ín1rodu1.c1n diversos prncr:s.'iO.s 
fi.síulóglco.s udiciunnl.\ ,1uc rnotlvum ns pcsso:LS a bcberc.m cm 
exccw,. ,\ lém disso, exíSlcm cm torno dns bebidas nlcoólicns 
:A rclação entro ![(l'lto o comporu,mmtlo do bebt-r é C'ómplleatb pelo titio de que 
• prh,içlio de dJ:llll OÍCID ~ ~pçúo d~ s,ibt:,r, A ~j!IUI vai <é lc,rollll® hedool-
CIUUCOI~ lrnlll' J}P~lll\'ll ,m~ls ""31Ulp<'O<lló!wu) ~t)IQ O u11mcmo du pn,açiio, C 
1amlx!a1 ,,,,i ""utt11:111dn hc:dl1tuC!llt1<11tc m;ils 5-.:«lva com ft 1i,c:lcd;.1Llc (llecL. 
11171); \\'ilhmn< &. Tc,U!ib.:ouu,, 11150) 
Necessidades Fisiológicas 51 
e cafeinadas algun1as influências sociais e culturais que tornain 
o comportamento de beber mais co1nplexo do que o simples 
consumo de água para regular a sede. Por exemplo. há estudantes 
universitários que costuinarn consumir bebidas alcoólicas e,n 
uma quan tidade i1npressionanterr1ente elevada. E certas drogas 
(p. ex., o ecstasy) tambétn podem fazer as pessoas experimen-
tarc1n unia sede intensa, levando-as a beber 1uuito alén1 de suas 
necessidades fisiológicas, podendo 111es1no chegar a intoxicação 
por água e morte (Vallio. 2002). Portanto, o alo de beber ocorre 
por três motivos: a reposição de água, que satisfaz às necessi-
dades fis iológicas, o gosto adocicado; e adicção a utna substância 
contida na água (a não à água e1u si). 
FOME 
A fome é u1n motivo mais co1nplexo do que a sede. A perda de 
água instiga a sede, e a reposição de água a sacia. Por essa linba, 
poderíamos pensar que a fome simplesmente envolveria o ciclo 
de falta e reposição de ali1uento. Entretanto, apenas de n1aneira 
aproxünada o 1n odelo "falta-reposição" é aplicável quando 
lratarnos da fome. Co1n efeito, a privação de al imentos ativa a 
forne e o alo de comer (ou seja, as pessoas comem três vezes por 
dia para evitar a privação de alimento). No entanto, a regulação 
da fome envolve 1.anto processos diários a curto prazo que operam 
sob a regulação horneostática (p. ex., a privação e a reposição de 
calorias e de glicose no sangue) quanto processos a longo prazo 
que opera1n obedecendo à regulação n1etabólica e às condições de 
armaienamento de energia (p. ex., as células adiposas). A rorr1e 
e o ato de corner são também afetados, e de maneira substancial, 
por influências cognitivas, sociais e :uubientais, de n1odo que, 
p:ira se compreender o fome e o nto de comer, é preciso que se 
ttdolt!m'. t l ) tnodolo~ fisiológicos de curto prnzo: (2) rnodcl0s 
lí~ólóg:ico~ de lon11u pmm: e f]) modelo ... qtic lc\'cm em conu1 
nspcclo~ cnrnitlvos, sociais e nmbicntals (Wci:ng:nr1 cn. 19851, 
1-lá dois n1odelo$ de grande impol'IJlncin pnm os pcsquisn-
dorc:b dn fornc. O primeiro~ urn 1nudclo do curto pn1w, no qu:il 
a energia irncdintamenlc disponível (glirosc no Sllllguc) está 
sendo c;on!>1t1J11.emc:1uc 1no-oltor.1du. Estu é a hi p6ti:i.c: gli1;:0stnúc<1, 
b:tsll!nte cflcicnlc pura dctcm1lnuro inicio e o lénnlno da íotné e 
do :uu de comer. O segundo n-1odelu i: de longo pra7.o., no qual a 
energia t11Tl1i11~nad11 (gntndc quuntícllldc de gordUm} cs1n di~po-
nh,cl e é urilízndo como um rccuri;o para suplcmcntnr n rcj!lll:l{ilo 
d:1 cncrgin nw11iton1drt pelo nível de gl i,'liso. l'i~lc é o 1nodclo 
lipo!iu'trico. b:i.'ilamc cficíenlc 0 111 n10.~llnr corno os acúinulos de 
gorduca co 1.1uibuem com um segundo n(vel de co111plexld1tdc 
paru a co111prccnsilo da íomu u do uto de con1or. 
Apetite de Cnrto Prazo 
As pis1ns de rome de cuno prnio rcgulnm o início do mo de 
con1cr, a quantidndc que se come nas lllfoiçõcs e 1tm1bém o seu 
término. Segundo 11 hipót.cse ,;tl.lt.:0:,túllc11. o?> ni,·cis de uçucar 
no i,angue silo de i1nporulnci:1 fu ndamcnwl pura u ocorrência du 
fume-quandu D n.ível deglicu~ecru, ns pesi.oru; !loe11t.:~1n l'orne 
e <1uc:rcm comer (C'llmpficld ct til., 19%: r.1,1yer, 19.52.19531, 
A~ células requerem glicose para pnxluz:ir energia. de 11JJ1I1cirn 
que.depois de u~ilizá-ln para cxccuU1r\11nB funçõe,,. experlmcmom 
52 Capítulo Quatro 
u111 au1nento de necessidade fisiológica por 1nais glicose. 3 O 
órgão do corpo que monitora o ai vel de glicose 110 sangue é o 
fígado, e quando o nível de glicose sangüínea está baixo. o fígado 
envia um sinal excitatório para o hipotálarno lateral (HL), que 
é o centro no cérebro responsável pela geração da experiência 
psicológica da fome (Anand, Chhina & Singh, 1962; Wyrwicka, 
1988). A esti1nulação do HL é i1nportantc, porque leva os anitnais 
a co111er en1 excesso e, caso a estünulação seja contínua, leva-os 
à obesidade (Elmquist, Elias & Saper, 1999). 
A estruLura do cérebro envolvida no término da refeição é o 
hipotálamo ventro1nedial (HVM). Quando esti1nulado, o HV M 
atua co1no o centro de saciedade do cérebro - ou seja, o HVM é 
o sisten1a de feedback negativo do apetite de curto praro (Miller. 
1960). Sen1 o HVM. o~ nní,nnis se 1omnri111n comilõe$ crê>nico.r;. 
c,tp;w:b de duplicur .~cu peso corpor.il (Slcvcnson. 1969). A 
1naneirn pela qual o H Vl\11 fica eslimuludo en1 prirneiro lugar é 
pela det(l('.çl\o por 1>1U1e do fi~11do de níveis elev11doi; de glicose 
(Russek, 1971: Schmitt, 1973), r.U~tcttSõcs t:stonmcais (e!>lÔ• 
nmgo ln1un-1escido) durttnle u uto de corn.:r (fvlortm, 2000). e u 
lfbcmçõo ele oolecÍ!\locininn. um peptfdeo no !\istcma cligc!\lr\'O 
(CCK: \Vood.~. Sccley. Porte & Schwnnz. 191JS). 
Segundou hlpótc.'iC glic051titicn. o 111,clitc :mmcnlu e diminui 
cm resposta tL'i alll!rttçõe.~ na glicose do plt1Sma. que esün1ulam 
o HL a aumentar 1tfome e ~ÚJ1tt1lil1ll o U\tM o dlm.inuí-la. 
Portanto, bLtixo~ nlvcis de glicose uth·wn o HL com um sinal de 
fom.:, 110 passo que alto~ níveis de glico1;e ativa111 o HVl\.1 curn 
um ~inul de r~-.idbad, negativo. OUtrt)!; mcc11nismO!i in1rn-argnnfi,-
111icos também regulam o numlllllO e n di111inuiçful dn fome. Por 
exemplo, o 11 L contéln nenrõnl aR c~pecin li1.11cloi- que rei,pondem 
à visão e ao gosto d11 cornida, e esses ncun.inirn; cspcci11li1.ndos 
tornmn-se n1h•ados somente quundo o :mimai já se cncomra com 
certu fome (RoUs. Snnyhcru & Ropcr-Hull. l 97~). Os hormô-
nio~ também csumulrun o HL e o HVt-1. con10 di~cuúinos 1lll 
históri.1 d,;: ab<:r1um do Capítulo 3. qllllndo di~-...:n11>,, que li grclinn 
do plasmo ei,timuln o HL (e o íome). no passo que n leptinn do 
pln.<,mn c.~1imul11 o 11 V~1I (e n saciedndel. Por exemplo, o lop1ina é 
o honnónio sccn:tado p;1rn o 1mnguc pclus célula.,; adi1>0sns. com 
o propósho de produ1jr a !illdcdnde (Cmnpfield. S1nilh & Bum. 
19%. 1997b: Spicgd111a11 & Flícr.2001 ). O I IL 1a111bérn produz 
peplltfeos capuzes tfe aumcaw.r o apetite. chumados oreitlnns 
(1cnuo derivado du paluv,rJ grega que significa n~tite: Sakur.1i 
et oi., 1998). As orcxinn.\ silo poderosoi, ,1g.:n1c~ c~timuludon:~ 
do npclile. e quando injelndn.~ no cárcbro de rntoi; íazcm C$SC.~ 
nnl1nais comcren1 lrés a S-Oili vezes mais quoos ratos do gnipo 
de contrtJlc. 
Achndos con10 cssos. fcitos corri n grelinu e 11.~ ore.~inas. 
.wo bnstrune exciUJn1.c.:s p1tr"J os pcsqu1sado.r~ fnnn11c€uticos 
que tl!ntarn encunu-.ir rntu1eirt1.~ dc c!ttil)IUlilr u Up,!ti te ern ~ere, 
JQ nf\el d< l)fll!...e no~ª"!!"" nl'lol uplii-:i •'C•lljllé!~llll!l1te ll iltfi::i-o d~ fome.. ron-
Ítumc ;,e ,,e ooo dwbc!t1có>, <111• f.miU<ttit.m,cote têm um lilto nfV\!l de Jtll<O>c: oo 
-sal!Jl!J'I! IIQ> toonbo!n, ""'1lem multa fome. PoMii. erobor:i"" dillbah,;:,,. a~•.,,~ 
um clo,,100 ní, oi de ;111."0.K' no sartf!OO. o que eles pn-cis.,m lc nAo tém 1 ~ de um 
alto ~í,cl de gllc<'l$C ec,lolor. O,. diobé1ic,~ ,ieees,Ji,µn de in•ulfM (l,onnón"' que 
ck:• lém cm l""lc• q11A11lidlldc) p(lflli.< 11 iawliM aurn<:tml a pcrtrn:~b,hd:l!k li• 
meml-tWU1 atul11r, de 111.1ocm1 qu,: a ~Jim-;o pn;k h•rcnic;ue Ouh· du cont:111~ 
••11~uí11e1 fl""' clc111ru dis, cêlul;i, iSc:llwi1r11 ti ui, 2(Kl()J. l't111llnl<•, 101 ~""11;• 
d;i lrmthna. a j!.llc<M "1TIErlínL'l1 p,_,clc ~ 1nmar iih1.,»<: wlul~r. 
htunanos, co1no ocorre co1n os pacientes de quinúoterapia 
(vVoods et ai., 1998). E os achados co1n a leptina são ainda 1nais 
estitnulantes para a pesquisa far111acológica, en1 sua tentativa de 
encontrar rneios de dirninuir o apetite ern hun1anos, tal como 
ocorre corri indivíduos que lutam contra a obesidade (Carnpíield, 
Smith & Bum, 1998). 
O apetite tan1bém aumenta e diminui em resposta a sugestões 
não-baseadas no cérebro, tuna vez que a fo1ne surge tanto de 
pistas corporais cerebrais quanto de pistas periféricas (não-cere-
brais). Essas pistas corporais periféricas incluen1 a boca (Cabanac 
& Duclaux, 1970), as distensões estornacais (Deut~ch, Young 
& Kalogeris, 1978; McHugh & rvioran, 1985), e a ternperatura 
co~rol (Broheck. 1060). (U1110 vez que boi~os rcmperatums 
e:.1imulu1n u íome, I! cosnunc no~ l'Clilllurnme, o~ nP3rolhos de ar-
1;ondicion11do cstnretn ligados no 11uíxi1110.) O princip11l rcguladur 
ulio-ce rebra.l du fome é o e1n611111go. fuu: St! ei. \'112.i.l u uma UtXtl 
con.<;tante de culorius (cerc,t de 21 O rulori,l~ por ht>rn), d.: modo 
que o apetite rctun1t1 n111i~ nípiclo 11pó.~ 1111lll rcíciçílo com pouc11s 
cnlorins do que npós umo rcJciçllo com mnitns calorin~ (Mel lugh 
& M orun , 1985). Estando de cst.õmago cheio, 11.~ pessoa~ rela1an1 
não :.entir íc,111e. Com o ~1õ1nugo 60%, \'u:tio. n:la111m ~cntlr u111u 
ligdr-.t ft>me; e COTll ll est6nll1go 90% va1.iu, relt1lllill é.<tltlr Ctllll 
fome mú..,ima. embora 11indo hojn algum alimenlo no c~õmngo 
tScpple & Reacl, 1989).~ 
Et1uilibrio de Encrgiu de. Longo Prazo 
1-\ Jí3in1 corno II glíro~c. n gordun1 (1ccido ndip<l\OI também proclut. 
c.nergin. e do lllClilTIII mnncim que monitora sim.~ nfvds de glicose 
de modo preciso. o corpo tnmbérn rnoni10111 con1 bastante pn:cis.io 
)Uru. células adipo~us (Fau:,1. Johwon & Hirsch, 1977u, 1977b). 
Segundo tl hipótc.c lipostática (lípo = gorcluru~o:csuiúcu = equi-
líbrio), qunndo n q1tnntidildl: de gôrdunr 11rm.n;-.cm1d11 li~ rtbaixo 
de1,e11 equilíbrio homcostátlco, o recido adípom ~cci-em hom1õ-
nios (p. ex .. gn:li1111) pnn1 n con,:nu: -.nngilínca a li1n de prnnKH't:r 
1uotiv11çllo pura ga11ho de p~o. o (jue au1.nr:nu1 o consurr10 de 
alir11.:1110 (Boreckí et ai., 1995; Curnminits et ai., 2002; \Vre11 eL 
u.l .. 2001). AllcmutiV1.11ncnlc, quando n quuntidudc de gonlurn 
annn1.cnad11 n11me.n111 ncln1n de seu equilíbrio ho1neos1r'.i1ico. () 
tecido ndipos.o secrctn honnõnios (p. a .. leptina) p:1ra a corrente 
JilUll!ilfnea a üm de reduár o consumo l.le alluk!nLo e promovc:r 
rnotlv11.çuo ele perdu da ~,o I Hurvey & A)hford, 1003: Schwnro. 
&.Seclcy. J 997), Umn vez que ns rci.crvn.~ de gordtrrn são fontes 
de energia rclativruncnre estilvol~ e ch1radoura,. a hipótese lifl():r 
11i1ic11 ilusLnl o sis1!!1n11 nt"uro-hor11101111I nec~sstirio pan1 ncutr.1-
llzar, ctnn buse no~ 11.ívcls sru1gOC11.cos de glico~e, o ttue scri:un 
nuwuçõe!I dc cuno priuo riu equilíbrio de energia, 
Uma. derivação da hipótese liposlárica é a 1corlo cio sct•poinl 
(KC'---sey. 19110: Kccscy ct :1I .. 1976: Kccsr.:y & Powloy. 1975: 
'llrots:b,: C"'°t ttlkt 1 1980) L'tllt.12l::U'i211l fldildilv111111llC que C> d.lllill:tgu .<Ín»Üh1 
11no"6 lnfctrn111~õc. n:ífflll'lh.~ "'' -.,1 umo 11c ahmc,uu, m:i, 101111,ê,n 111, «rnl~'lld,,, 
Es5õ dt,i.< pcsquliadore:s romo>wam nottienrtt c.pccJ.fico. da dle10 de flllimm~ 
e cOA>UJmra,m que,, onim,il íl.'<põndlo lngcdndo nli01t111os qw C<lnrinfi:u.u ei...e. 
IIUl,,.,nl~ CllpclâÍr.:tl~ e C«.-"\IWndo ~1 i lll<'IIW\ qur noo m ""llli nh,,m. Pl.'llllmu. n 
c.~ulftlll!lO munÍl(lf'J Jlllllll o Vülum~ 11ua1110 n c:ua1i:lldn da< alt111~nio,, r volumo 
e et!Cllct'l~n n,;ul~m • fome e "'" ,:oc, .. l.,de. 
Powlcy & Kcescy. 1970). A teoria do sct-poinl sustenta que cada 
indivíduo tem um peso corporal biologicamente determinado, 
algo como um utcrmostnto de gordura" geneticamente cstnbe-
lecido ao nascimento ou pouco depois. A genética cria as dife-
renças individuai~ nos números de célula~ adi posas que cada 
pessoa tem. Na teoria do sct-poinL a ativação da fome e a sacie-
dade dependem do tamanho (e não do número) da.~ nossas célul~ 
adiposas, que podem v-.uiar com o tempo. Q uando o tamanho das 
células adiposa~ é reduzido (p. ex~ por meio de dieta) . a fome 
.surge e persiste até que o comportamento de alimcnlJ!Çiio possibi-
lita que as células adiposas retornem a seu tamanho natural (sei• 
poinl). Portanto. a fome é o meio pelo qual o corpo defende ~eu 
sc1-point genético (BcnncU. 1995: Roscnbnum ct ai .. 1997). 
A hipótese liposlátic-a exprime os fatores pennanenles e de 
longo prazo (p. ex._. a genética e as l3Jta.s metabólicas) que regulam 
o equilíbrio entre ingestão de alimento, ga~to de encrgi11 e peso 
corporal Quanto à genética, as pessoas herdam taxas metabólicas 
(processos bioquímicos que convertem a energia arm37.cnad a 
cm energ ia con~1Jmível) re lativamente consistentes. As pessoas 
também herdam células adiposas e um sct-poinl homeosliLico 
que determinam quanto de extensão (preenchimento) apropriada 
terão essas c€lula~. Apesar de serem relati vamcnlc conslllntcs ao 
longo do tempo, esses processos reguladores podem mudar. e de 
fato mudam. O set-point aumenta com a idade, o metabolismo 
diminui após uma restrição calórica prolong:ida (por exemplo, 
durante uma dieta) e um consumo excessivo de alimentos pode 
levar a um aumento tanto do tamanllo cl3!> cclul11S adiposas (lipo, 
gênese) quanto do número dessas células (adipogêncsc) (Kn...sircr 
& Angcll. 1998: Keesey. 1989: Manclrup & Lane. 1997). 
Um modelo abrangente que combina influências de curto e 
de longo prazos sobre o apetite aparece na Figura 4.5. As dua~ 
linhas verticais contínuas representam a hlpótcse glicostática 
do :ipctitc de c urto prazo. cm que :i fome moti va a ingestão de 
Necessidades Fisiológieti 53 
alimentos. ao passo que a ingestão de alimentos s acia a fo me. O 
retângulo irnediarnme.nte :icima do consumo de energia ilustra 
que, além da fome, influências ambientais c~timulam a ingestão 
de alimento. Uma vez ingerido. o alimento é usado ou como 
energia a ser gasta durante a a tividade fL~ica (Fome-> Gm.to de 
Energia) ou armazenado no tecido adiposo como gordura (Fome 
-> Depósitos de Gordura). A linll:i pontilhada representa a llipó-
tcsc lipostátic:i do apetite a longo prazo. cm que a existência 
de grandes reservas de gordura sacia a fome e a exis tência de 
pequenas reservas de gordura e xcita a fome . 
Influências Ambientais 
A.s influências ambientais que afetam o comportamento de comer 
incluem a hora do dia, o estresse. e a visão. o cheiro. a :ip:iréncia 
e o sabor da comida. Por exemplo. o componumento de comer 
aumenta s ignificativamente quando um indivíduo se depara com 
uma grande v:iriedadc de alimentos. de nutrientes e de sabores 
(Rolls. 1979: Rolls. Ro\\'e & Rolls. 1982). A simples disponibi -
lidade de alimentos variados estimula o apetite mlli..~ do que f:lria 
uma dieta monótona (Sclafani & Springer, 1976). Quando o indi•víduo dispõe apenas de um único tipo de comida (p. ex_, sorve te), 
a existência de diversos sabores disponíveis aumenta a in gcslâo de 
alimento (Bcauy. 1982). A disponibilidade de :ilimcntos (p. ex __ 
cm lllllll festa, cm que há grande v:lricdadc de comida sobre as 
mesas) e sua abundância também são fatores que levam as pessoas 
a comerem cm e.'lccsso (Hill & Peters. 1998). Por c.'lcmplo. quanto 
à di~ponibi lidadc de alimento. as pesso:l.~ fic3111 mordiscando aqui 
e ali. quando uma quantidade de dierentcs aJimentos está à mesa 
em uma festa. Cada novo alimento trJZ um novo sabor, e pode 
iniciar o alo de comer de uma maneiro que independe da fome. E, 
quanto à abundância. as pessoa~ comem mais quando as porções 
são enormes do que qu:rndo não são. 
lnfluências Ambienuis 
• Prh-;içl'>o de 111,mm,o (dlcll) 
• Aprcsc:ouçio do lllln1cn10 
• \'arlcd;idc d o aUmcnto 
• Prcssõcs .'iltuaclon:ilii 
Alll<Hlé-gubçâo • Consumo de Energia Mocnsiçio (calorias) 
" 
M otJ,11çào par., o Excrcic10 
t ,, 
Gasto de Fome Rue.v.as d e Energia , • Gordura ' (Apc,litr) • 
(Ati,idack f'15ica) (Peso Corpornl) 
+ 
1 _ - - - - - - - - - - - - _ _ , 
Flgura 4.5 Modelo Geral da Regulação da Fome 
54 Capíu1Jo Quatro 
Tnbela -tl lngest11o de Son·ete (em Grania~). para Estudantes 
Sozinho, 1•-,n'u.r Estudantes em Grupo, e para Um SJlbor 
,-,,nus Tres Sabol'l!s 
Siruação social 
Homen.~ 
Mulh=, 
Sozinho 
Nl1mero de .abw'IIS 
1 
113,8 
76.9 
3 
211.1 
137,7 
Grupo de três pessoas 
N únllltO de sabores 
1 
245.6 
128.5 
3 
215.6 
170.8 
F Ollll': cxlBldo de Souory and Social lt,jlUhlttS on rc, e,,,,,., e OM1J111pti1N1 l1y 
Ma/-, and Ftmalts in 11 L.ab,,ro1ory S,,uing. de S. L. Bcny. \V. W. Bcatty e R. 
e. Klcsgcs., 1985. Af'P6U<'. 6. PP· 41-15. 
Comer é. com freqüência. uma ocasião social. As pessoas 
comem mais quando estão na presença de outras (que lambém 
estão comendo) do que quando cstlio sozinha.~ (Bcny, BC:lll)' & 
Klesgcs. 1985: deCaslrO & Bre\vcr. 1991 ). Pessoas que estão 
lenl.3ndo fazer die ta lêm maior probabilidade de abandonar o 
regime quando estão na presença de outras pessoas que estão 
co1ncndo (Grilo. Shiffman & Wing, 1989). Uma demonstração 
desse efeito de facilitação soe-ia! envolveu um experimento de 
deguslllç-:io de sorvc1es por univcr.;itários. Metade dos csludantcs 
comeu sozinha, enquanto a outro metade comeu cm grupos de 
três. Aos estudantes eram oferecidos sorvetes de apenas um 
sabor. ou então lhes era dada a possibilidade de escolher entre 
três sabores (ou seja, eles podiam manipular a variedade). A 
Tabela 4.1 apresenta os resultados: tanto os homens quanto as 
mulheres comeram llllÚS na pR-scnça de outr.i.s pessoas do que 
quando lhes cr.i oferecida a variedade de sabores. 
Outra influência ambiental sobre o 001nporlllmcnto alimcnmr 
é a pressão situa:cional para comer ou fazer d ieta. Por exemplo. 
comer em excesso é um padrJo comportamental adquirido sob 
um subsl.3ncial controle soc-ial (Crandal 1. 1988). Freqüentemente 
esse tipo de comportamenlo ocorre cm pequenos grupos. tal como 
em equipes de atletas (Crago ct ai.. 1985) e de chefe.~ de to rcida 
(Squire. 1983), em pane porque os pequenos grupos criam e 
impõem normas sobre o que é um comportamento adequado. 
O desvio dessas normas geralmente resulta em algum tipo de 
rejeição interpessoal e cm diminuição de popularidade. Se comer 
é um comportamento importante para o grupo. então a pressão 
do grupo pode se tornar um motivo para comer ainda mais pode-
roso do que a própria fisiologia da pessoa. Comer lllmbém é um 
comportamento importanLC na vida das crianças, e as crianças 
preferem os mesmos alimentos consumidos pelas pessoas que 
ela.~ admiram (Bireli & Fisher. 1996). 
Situações d e Rl.'!.1.rição-Llberaçilo 
De maneira bastante semclhaole ao fato de que as pressões .sociais 
podem interferir na regulação fisiológica e mesmo anulá-la. 
também a dieta é capaz de interferir nos guias fisiológicos e 
anulá-los. Ao fazer dieta. a pe.'i.SOa tenta trazer o comportamento 
alimentar para o controle cognitivo. tirando-o do coa t.role fisioló-
gico (dizendo. p. ex., "'dessa vez vou comer somente esta quan-
tidade", em vez de dizer "vou comer !sempre que tiver fome"). 
Entretanto. paradoulmcnte. e com um:i boa freqüência, a dieta 
acaba fazendo com que a pessoa cometa excessos alimentares 
s ubseqüentes. Quem faz dieta toma•se cada vez mais SU5CCtÍvcl 
à desiníbição (ou "liberação da restrição"). especialmenle em 
condições de ansiedade. estresse. consumo alco61ico. depressão 
ou exposição a alimentos de al to teor calórico (Grecno & \.Ving. 
199-1: Polivy & Herman. 1983. 1985). Por exemplo. um estudo 
constatou que, como seria de se esperar. pessoas que faziam dieta 
tomavam rneno.~ sorvete do que a., pessoas que não estavam de 
dieta: porém. se antes fosse dado a todos um 111ilbhake de quase 
meio litro, aqueles que estavam de díela acabavam totnando mili 
sorvete do que os que não estavam. As pessoas que fazem dieta, 
depois de ingerirem um alimento com alto teor calórico. lornam-
se progressivamente mnis vulneráveis a cometer CJtccssos alimen-
tares (Herman, Polivy & Esses, 1987). Esse fenômeno, conhe-
cido como liberação drt restrição. corresponde a um padrão de 
cometimento de excessos denominado contra- regulação (Polivy 
& Herman. 1985). Par.i quem faz dieta, é verdadeiro o lema de 
cautela: "É impossÍ\'el comer um só". 
A cont.m-regulaçiio descreve o padrão paradollnl apresen-
tado pelas pessoas que fazem dielll e que comem pouquíssimo 
quando beliscam, mas que se empanturram depois de consumir 
uma grande quantidade de "aperitivos" de alto teor calórico 
(Herman & Mack. 1975: Polivy. 1976; Rudennan & Wilson. 
1979; Spencer & Frcmouw. 1979: Woody ct ai., 1981 ). Porém, 
consumir alimentos de alto teor calórico é apc.llllS uma das 
diversas condições que podem desencadear excessos alimen-
tares cometidos por quem faz dieta. A depressão rambém pode 
desencadear a liberação da restrição. Por exemplo, pessoas em 
dieta que estão deprimidas geralmente engordam. ao passo que 
pessoa., que não estão cm dieta ma.~ que também estão deprimidas 
costumam emagrecer (Polivy & Herman. 1976a). O mesmo 
padrão se observa em relação à ansiedade. na mcclida em que os 
indivíduos que fazem dicla e que estão ansiosos comem mais 
do que aqueles que também estão ansiosos mas não fazem dielll 
(Baucom & Aikcn, 1981 ). As condições que ameaçam o ego da 
pessoa (p. ex .. fracassar em lllDll tarefa fácil ou falar diante de 
uma banca examinador.i) produzem esse mesmo efeito paradoltal 
de fazer as pessoas sob restrição alimentar comerem mais do que 
aquelas que não estão sob essa restrição (Hcathcrton, Herman 
& Polivy, 1991 ). O álcool tem o mesmo efeito de liberação da 
restrição sobre as pessoas que fazem dieta (Polivy & Herman. 
1976b). Vistas como um todo. us pesquisas sobre a facilitação, 
a pressão social e a liberação da m.trição documentam que o 
comportamento alimentar pode se afa.~tar da regulação fisioló-
gica rumo a algum tipo de regulação não-fisiológica eontrapro-
duliva. tal como regulação social, cognitiva ou emocional (Polivy 
& Herman, 1985). 
Estilo de Comer Regulado Cognitivamente 
Como foi ilustrado pelas hipóteses glicosuíticas e lipostáticas, o 
corpo de.fende o peso que tem. Entretanto. às ve.ze~. as pessoas 
chegam à conclusão de que seu peso corporal fisiologicamente 
regulado não está bem de acordo com suas aspiraçôes peMoais 
ou culturais. Como se íossc um tipo de guerra civil. a.~ pessoas 
decidem que é horJ de sua mente. ou sua vontade. começar 
uma rc\'olução que a.-.suma e institua uma nova regulação parn 
o peso corporal. A revolta começa quando os controles cogni-
li vo.~ tentam anular os conlroks fL~iológicos. O sucesso de uma 
dieta (cm termos de alcançar a meta de penlcr peso) requer que 
o inclivíduo que está c:m dieta primeiro consiga cnfr.iqueccr seu 
modo de responder a pistas internas (p. ex .. as sens.açõcs de fome 
e de satisfação alimentar) e.cm segundo lugar. consiga substituir 
os controles fisiológicos inconscientes pelos controles cognitivos 
consciente.\ (Heathcrton. Polivy & Herman. 1989). EntreLnnto, 
o grande problema é que os controles cognitivos não têm um 
sistema de fecdback ncga1h•o. Em função disso. quem faz dieta 
encontra-se altamente vulnerável a cometer excessos alimentares 
quando eventos sit!lllcionais interferem nas inibições cognitivas 
(p. ex.. a presença de outrJS pes.soos. depre.'iSào. ansiedade. álcool 
e ingestão de aperitivos cnlóricos). 
Ganho de Peso e Obesidade 
Obesidade é um Lermo médico que descreve um estado de :iumenlo 
do peso corporal ( de tecido adiposo), que adquire uma magnitude 
suficiente par.1 produzir conseqüências adversas para a saúde. 
incluindo um aumento do risco de doença.~ cardíacas. diabetes, 
problemas respiratórios. alguns tipos de c".incer e morte prcma-
rura (Stevens et al, 1998). Nos Est:idos Unidos. nada menos que 
65% dos adultos encontram-se acima do peso. e 35% de todos os 
adultos podem ser cla.~sificados como obesos ou morbidarneatc 
obesos (Ynnovsky & Ynnovsk-y. 2002). Infelizmente, há pouca 
ou nenhuma pesquisa SU!ltcntando a afirmativa de que a perda de 
peso tr.iz benefícios 1'l saúde (Blnckbum. 1995). ao passo que a 
cura da obesidade (ou seja, a perda de peso) pode muitas vezes ser 
pior que o problema original (Kassircr & Angcll. 1998). Portanto. 
em vez de se concentrar em incentivar à perda de peso, a maioria 
dos pesquisadores da obesidade enfatiza a prevenção (freqüen-
Necessidades Fisiológieti 55 
temente os adultos nn faixa dos 20 e 30 anos experimentam um 
acentuado ganho de peso) e o cultivo de um estilo de vida mais 
saudá\·cl. centrado no exercício físico (veja o Boxe 4). 
A Figura 4.5 apresentou um modelo bem abrangente de 
consumo e gasto de cne,giu. Es.<>a figura também pode ser usada 
para mostrar que o controle do ~o é uma função do cquihôrio 
(ou do dcscquil.Jôrio) da razão entre "consumo de alimento" e 
"gasto de energia" . Se as pessoas ingerem mais energia (comem 
mais) do que gas1nm por meio de atividades física .. , elas irão 
engordar. e se as pessoas gastam mais calorias (pralican, mais 
atividade ffsicn) do que consomem (ingestão de alimento). elas 
irão emagrecer. Além da cirurgia (veja Cummings et aL. 2001). 
as duas únicas maneiras pelas quais as pessoas podem prevenir ou 
inverter o g-,mho de peso e a obesidade são diminuir a alimentação 
até se chegar ao ponto de consumir menos caloria.~ do que se gasta 
durante a atividade ffsica (p. ex., a motivação de auto-regulação 
na Figura 4.5) ou aumentar a atividade física até chegar a um 
ponto de gastar mais calorias do que se consome (p. ex .• a moti• 
vação de exercício na Figura 4.5) . E.,;sas duas motivações estão 
discutidas no Boxe 4. e também cm capítulos posteriores deste 
livro. Ambas essas motivações - auto-regulação da ingestão 
de alimento e motivação para se exercitar- são importantes de 
serem mencionadas aqui , porque comer e cxercilllr-se envolvem 
comportamentos voluntários, cm vez de processos reguladores 
fisiológicos. Os processos regulatórios f1Siológicos (como já 
descrevemos) afetam a motiv:içào da fome. e a moti\'ação da fome 
é notoriamente difícil de ser controlada conscicnlcmcntc ( veja a 
seção sobre a Liberação da Rcstriç,~o ). A nbscrvaç-Jo otimi.'>tn a ser 
feita aqui é que os comportamentos voluntários, como a prática de 
exercício ff.'>iCO, não são difíceis de serem controlad05 conscien-
temente. Assim. motivar a si mesmo para regular o peso corporal 
pode ser uma ação eficaz na medida cm que a pcs.~ coacentr,1 
sua motivação para energizar e direcionar seus comportamentos 
voluntários. como a prátic-,1 de exercício físico. 
B<>XE ..i Terapia da Obesidade: Rever1e1uio o Fracasso da Awo-Regulação 
Perg11111a. Por que es.~a mfocmaçào é impor1ante? 
R..sprura: Porque-0 írnca~o da amo-regulaçàoé responsá~el por 
uu\3 epjden1ia nacional tle obesidade. 
O p<.'SO corporol e a obesltlade 11!,sen-.elham-,e b:i!.1:u11e ao cluna: 
todo n1wtdo o co,nenm. einbora mlo pareça haver ,uu,to o que ;,e 
possa fazer sobre ele.11as unia rnz/lo pela qual as pesso3s 1an10 falam 
~ obesidade é slmple>.11ien1e o f:uo de que e,,ta ~ tomou nada 
menos que uma epidemia no,; E,1~ Urudo.. ame:içondo tornar-
.e uuubém uma epidemia gJoba.l (OMS. 1998). Entre os adultos 
aorte,americanos. dois terços estão .1t.'i1na do pe,o noanal (Hill & 
Pecer,, 1998). Portamo. a mworla tlo~ norte-(UJlerit3JlOS étJCÚIIIJ'3•.e 
ad,ua do pe.-.o - e. ainda que nJlo sejam nece,!>arlrunente obesos. 
e,tao chegando peno db..~. Essa tendência parece vir se ncelerando 
a c:kb ano q1.1e pa..,.a. Alllo.lrnente. 35% da populoçiro norte-ameri-
cana silo obesos. em comp;u,iç-Jocom 33c:l em 1997. 23<{ em 1995. 
l5'l em 1980.14% en1 1974 e L3'! em 1962 (Taubes. J 998). Como 
pod.,,nOl. \'Cr. as uxa, de obesidude vêm cre,-~ rapidamente 
(Fl.!gel et ai.. 1998). 
Esses nllmeros baseiam-se na medida do índice de ma,.sa corporal 
(IMC). qu.= é calculado dividindo-se o peso da pes.~oa e,n quilos por 
sua altura medida em metros e elevada ao quadrlldo. Um CMC entre 
18 e 25 é nonual: >I'! forsuper,or o 25. u1dica que a pesSCJG enconua-~e 
:u,,"Jma tlo peSó. e ~e licãrncima dê 30 -.ignificuque u pcs.on é obesa 
(Y!UIOviki & Y11110v,t.;í. 2002). o...,~ modo. umn pesso:i que tem 
l.7ll m de al11.1ru será con.,idernda ocuna do peso se estJver pesando 
80 kg. e obe..a .e estiver pesando 95 lg. 
P-.1ru pte\en1r o ganho de pesti e a obestdade, é preci,-o conhe,c,ir 
as Ol'lseos dessei. fenO.neno. (Jeffrey & Kuaus:!>. 1981: Rod.tn. 
1982). A obesitlàde. que basica=nte nJlda llllÚ.\ é que um exce.....o 
de gordur.i corpotal, é um fenômeno nwllifàeetn<ló que iniegra 
aiusa., e influl!ncias mnto genéticas (Foch & Mc-Cleam. 1980; Prke. 
1987; Stunlrnrd. 1988) tJWlnto nmbienUlb (Grilo & Pogue.Oeile, 
1991: Jeffre) & Knausi.. 1981). Porc.ten1plo. algu,ua~ influência., 
ambientais associadas i\ obesidade incluem o modo de criaç:lo d.L\ 
criruiças (Birei!., Zünoierman & Hind, l 980). a práliro di! alimen-
iaçào dw. crÍáJtça,, (Kle,,ge,, et tl. 1983), baiu condição .ocioeco-
nOmica (Soba.l & Stunk:ltd. 1989). un1:1 dieta oom wu elevac:Jo teor 
56 Capíu1Jo Quatro 
de goroura (Sclafoni. 1980). falia de exercícios fi,icos (Stem & 
Lowney. 1986) e estresse (Greeno & \Ving. 1994). Nitidamente. os 
íalOl-es genétiCO!>. tais como a elicil!:ncia mel3bólica. o qu.'lntidade de 
células adiposas. di,;rúrbios bepáucos e i;ensíbilidade hipoUl.lfunica 
O{íU. P-aglins.,oui &. Peum,. 1994) tnmbém s5o ÍtllOrei< ,mponantes, 
na medida em q~ nlgun, corpo,. têm maior prcdi.po,.içllo genéliCll 
s acunrulai ,em rocur.,,o.-; de gordura do que outros. 
:-lo"'°" genes eolctt~os não .e nllerornm muno no llldmo ql131'1o 
de século. durante o qual ns taxas de obesidade ntingiram níve15 
est..rtosféricos. o, principai, culpado, dil.,o ,-ão. por um lado. wn 
runbientl! culrutnl que deh~rnililmeote incentiva o exces,o nlimenw 
e, por outro. a ln;uivic.Ltde fuic-.i (Hill & P.iten., 1998J. No,EUA. Lili 
uma fádl dbponibílitladi! de comida (con,itlerando-se ~,-e a.pecto 
em um l'Olltllxto hi,,tól'ioo). e a.,, refeiçDó são ..en itlal. em grandes 
porçllb. além de contercm um oito IOOr ele gordura (1 lill & Pl!t.er.., 
l 998). O. arob,eme, lnreruh nm à inatividade fi,Jco ao reduzire,n 
a neces,Jdllde de as pessoa.\ i;e exereimrem. en1 dec(Mcríillci:I do, 
avai,ço; experimenl.ldo, pelo;, meio, de ltllmpo1te e pela IJ!Cnologia 
(inclusive a tele~ is1lo. os oompulildores e os jogo, elelrt'inkos). E. 
mfelizmemc. o aumento do consumo aumentar e o decréset1110 da 
aó, ic:laík ffsíca estào ine1tric-4Yelmente Ligados. uma vez que, quanto 
m:us gordos ficamos. mais o exercício f'is,co. mesmo a canúnhada. 
pa.~ .i nos inco1nodar. 
A ir1dl15lria farmacêutica (medican1entos) eslá ttnbalbando 
ath•amente tentando cnar drogas que esúmulem a perda de peso. 
bem como outro., que oombatam o aumento de pes.o e a obesidade 
(Y:1110, .ti & Yano~ ,1::.i, 2002). Porém. a críaçàode~~ drogas 1em -e 
mostrado diflcil. Coosidere. por exemplo, a remp,a IIU'llvés da leptino. 
SEXO 
Nos animais inferiores. a motivação e o comportwncnto sexuais 
ocorrem somente durante o periodo de ovulação das fêmeas 
(Parkcs & Bruce. 1961 ). Durante a ovulação, n fcmca secreta 
um feronnôaio cujo odor estimula a aproiumaçiio sexual dos 
machos. Quanto aos machos, injeções de testosterona (outro 
honnônio) podem aumentar ainda mais .seu comportamento 
sexual. Em função disso. nos animais inferiores, o sexo apre• 
senta-se em conformidade com o processo de neces.,;idade fisio-
lógica cíclica-- impul~o psicológico. conforme mostra a Figura 
<+.2 - à medida que o tempo passa, a necessidade surge e esti• 
mula o impulso psicológico. e o comportamento eoasumatório 
que se segue sacia tanto o impulso psicológico quanto a neces• 
sidade biológica. 
Regulação Fisiológica 
O componamento sexual humano é influenciado. porém não 
determinado. pelos hormônio!>. Os hormônios sexuais são os 
androgêoios (p. ex. , a testosterona) e os estrogênios. e a sua libe-
ração na corrente sangüínea (a partir da glândula supra-renal) 
é controlada pelo hipotálamo. Esses hormônios aumentam em 
períodos como a ovulação da mulher e diminuem à medida que 
a pessoa passa da juventude para a meia-idade e a velhice (Guay. 
2001 ), Aos40 anos de idade. porc:xe1nplo, os níveis de testoste• 
rona nos homens pnsswn a diminuir cerca de 1 % por ano. Tanto 
nos homens quanto nas mulheres. o desejo sexual e os hormônios 
Lembre-se de que a leptina (que vem do 1enno grego para "lll3gro~) 
é um hormônio que estimula a ~aciedade e a moLivaç.30 para terminar 
WllA reftiç-Jo. Dessa maneira, a ter.ipia aLta,é,, de leptina faz sentido. 
mas nllo funciona porque as pessoas rapidamente desenvolvem uma 
resistfficia à leptina (El -11:i.-chimi et ol~ 2000). 
M ~. se não tettlO!. remédio,, para nos ajudar a combater esso 
epidelllill nndonal de obesitbde. podemo,, ao ll\eOO!> tenlllf regular o 
eqIBlfbnode longo prozo eiure a uigesuo de energia (comendol e o 
gasto de energ,a (praticondo exettfc,o). Poténi, gru1h:ir conlf'Ole sobt'e 
es.ses comporuunentos nilo é fácil. e freqUenlc!n:iente é uma meia 
malsucedid11 poi l'llZõeil surpree.odenies. Por exemplo. o jejum rara-
mente funcioná, poi~ est~ as,ociado a ulllll gr,u,de reduç;lo da energia 
ga.,ui pelo corpo. o que diminui o mernbolismo e contribui para unia 
libetnçllo da re,triçllo. Jejuar é 1311lbém problenlJ1tico porque é 111go 
que,., blbeia l!Jll ,uge,tõe!. oogniti,•a.,.. e não nas ,ugc,tõe!. fL,i0-
16giCllS relnl"ionad.h à fome e à saciedade. alétu do fato de o jejum 
levar o ,ndivíduo para abruxo de seu set-point relac,on:Jdo ao pe,o 
(Lowe, 1993). 
Um achatlo oomi,,1a é que a :ni~idade ílsic-.i intcilsa podê 1niJigar 
os efeitos detrimema,~ dos excessos al.unentares e pro1eger contra o 
ganho ele pe•o (Birch et ai., 1991 ). Logo. a 111otivaçào para o exer-
cício p:irece es,-encia1111tnte ,mporwue no e,forço de re,enec es,a 
epidemia de obesidade. Pw.i i;e alcançar um equillbtio contínuo entre 
a ingõtoo e o g~to d.: enctgia.. é a atividade íhica que .e apieenw 
como o componente da equ3ção que pode ,er rnpidaniente oltemdo 
e submetido ao, progr= de in1ervençllo oferecid&.. pelo, guru., 
da b,oa fonna e pelos p,ic:ólogo,. mou,ac,on:w.. 
que lhe estão subjaccn1cs sofrem um acenLuado declínio a prutir 
de meados da faL,a dos 20 anos ( Laumann, Pai k & Roscn, 1999). 
de modo que os hormônios e o desejo sexual de uma pessoa de 
40 anos correspondem a cerca da metade do que são para urna 
pessoa de 20 (Zumoíf et ai .. 1995). Apesar de estarem presentes 
cm ambos os sexos. os androgêoios contnõucm parJ a moú,0.ição 
sexual masculina, ao pasw que os estrogênios contribuem para 
a motivação sexual feminina (Money et al., 1976). Entretanto, 
mesmo para as fêmeas. os androgênios desempenham papel• 
chave na regulação dn motivação sei1ual. uma vez que decn~s-
cimosde testosterona (como o.~ decorrentes do envelhecimento) 
prenunciam decréscimo do desejo sexual e acré.~cimo de te.,;tos• 
terona (como ocorre em terapias de reposição de androgêoios ) 
reativando o desejo sexual (Apperloo et ai~ 2003; Davis. 2000: 
Guay. 2001 ; Munarriz et ai ., 2000: Tuiten ct a i .. 2000). 
Homens e mulheres experimentam e reagem ao desejo sexual 
de manciras bastante diferentes (Bnsson, 2001 ). Nos homens, 
a correlação entre excitação fisio lógica e desejo psicológico é 
ba.,;tantc elevada. Por exemplo, a correlação entre a resposta erétil 
do homem e o desejo que e le próprio relata sentir é bastante 
e levada (Me~ton. 2000) . Desse modo. o desejo sexual do homem 
pcxlc ser predito e explicado no contexto de sua excitação sexual. 
Na presença de um elemento desencadeador de excitação sexual 
(p. ex .• a csúmulação feita por um parceiro sexual), O!> homcas 
apresentam um cic lo trifásico de resposta sexual: desejo. exci -
tação e orgasmo (Masters & Johnson. 1966; Segrnves. 2001 ). O 
c iclo trifásico de resposta sexual que tão bem descreve a moti• 
vação sexual masculina - o ciclo tradicional de resposta se.,ual 
Necessidades Fisiológieti 57 
Ciclo Tradicional de Resposta Sexual 
Orgasn10 
E.mtaçllo 
--l•• Tempo 
Ciclo Alterna-tiwo de Resposta Sexual 
1 NF.CESSIDA.DES 1 
DE INTDDDADE 
Busarcow 
r«cpth-o:i 
1=~1 
M:d5 cxcitaçiio, pnzcr \ 
e rcsutt>dos pa.,imos. 
l.2n(O cmoci.Ol12L~ 
1~~s1 
F:uon:s biolôgkos e 
pslcologlcos :úc:tun 
o proccs..~m.cmo 
dos i,aunulos como Íl5icos ~ 
~ ,~~ºI 
PA.RA ~'f---,:_-,----' 
CONTINUAR 
Figura ~.6 Dois Modelo,. do Ciclo da R.:spos1a Sexulll. Trodicioool (Superior) e AJLerruiti~o (Inferior) 
Fam,: extraido de UsinR o DIJfer,,u !,fodtlfor F l!/ffOI, Saual R,upoos, rn Addnss WOl'llt'n • s Problnnanc LDM• S#.1:uoi D,n,,. ele R. 8:isson. :1001. JOJU11al Df~x 
ond Morilal 11,~rup)'. ]7. 395-403. 
- aparece nn metade superior da Figura 4.6. Nesse modelo. o 
desejo sexual surge de maneirn um tanto espontânea a pnrtir da 
presença de um elemento desencadeador da excitação. e esse 
desejo sexual crescente gera lll11ll excitação fisiológica e psico• 
lógica (cm forma dl.' pensamentos e fantasias sexuais. e também 
de uma sensação consciente de urgência sexual). Essa e1,ciraçào 
scxwtl toma possível o orgasmo, e com o orgasmo o tradicional 
cic lo de resposra termina. sendo seguido de um pcriodo de reso-
lução rclath·amenle breve. que leva a pessoa de volta a um estado 
basal .. 
Nas mulheres, a correlação entre excitação fisiológica e desejo 
psicológico é bastante b:úxa. Por exemplo, a correlaçüo entre a 
lubrificação vaginal e o desejo que elas próprias relatam é baixa 
ou inexistente (MesLon. 2000).Assim, não se pode predizer ou 
explicar o desejo sexual da~ mulheres no conlexto da sua neces-
sidade fisiológica (p. ex., estrogênio. testosterona) ou da exci-
tação (p. cJL, intumcscin1cn10 genital). Em vez di.<;so. o desejo 
sc1,uaJ feminino é altamcnLe sen.tj'vel a fatores relacionais. tais 
como a inúmidade emocional (Basson, 2001 . 2002). O modelo 
de desejo sexual baseado na intimidade. que Lào bcn1 descreve a 
motivaç.ão sexwtl feminina. aparece na metade inferior da Figura 
4.6. Nesse modelo ahcmativo. um nível elevado de intimidade , 
emocional antecipa o desejo se1,ual. E a intimidade emocional (e 
não o intumescimento genital) que leva a mulher de um cstnclo 
de neutralidade sexual a um estado de abertura e sensibilidade 
aos estímulos sexuais. Nesse contellLO. a motivação e o compor• 
lamento sexuais rcíletcm a proximidade e o desejo de comparti• 
lh:unento com um parceiro. mais do que uma necessidade fisio-
lógica (Basson. 2003). Nesse modelo altcrnntivo. o sexo oomcça 
com as necessidades de intimidade (e não com o desejo sc1,ual). 
Além disso. o desejo promove e n1elhora uma relação de intimi-
dade a longo prazo (em vez de conduzir a uma resolução, como 
no ciclo tradicional de re~posta sexual). 
Métrica Facial 
Muitos estímulos originam-se no parceiro sexual - podendo 
ser químicos (cheiro), táctcis (Loque), auditivos (voz)e visuais 
{visão. aparência). A atração física exercida por um parceiro 
polencial é talvez o e.'>tímulo externo mais polente que afeta 
a motivação sexual. As cuhuras ocidentais gernlmcnte consi-
deram atruentes (L~ mulheres de corpo esbelto (Singh. 1993a. 
58 Capíu1Jo Quatro 
1993b). Entretanto, padrões dc.s.sc tipo variam de uma cultur.i 
para outra. em grande parte em virtude do fato de eles serem 
adquiridos pela experiência. pela socialização e pelo consenso 
cultural (Mahoney. l 983). Dito isso. também é preciso observar 
que algumas características ffsicns são universalmente considc• 
radas atrativas. incluindo a saúde (p. ex .. uma pele sem manchas; 
Symons. J 992), a juventude (Cunningham. l 986) e a capacidade 
reprodutora (Singh. 1993a). 
As mulheres esbeltas são consideradas atraentes tanto pelos 
homens quanto por outras mulheres. Por Ollt.ro lado. a percepção 
feminina da atratividade exen;ida pelos homen.~ apresenta pouco 
consenso sobre quais formas ou partes do co.rpo masculino são 
atraentes (Bcck. \Vard-Hull & McClcar. l 976; Horvath. 1979. 
1981: Lavraka.,;. 1975). O principal preditor da classificação dada 
pelas mulheres em relação ao corpo masculino é a proporção 
cintura-quadris (PCQ, llffia medida que geralmente vwia de 0,7 
a 1.0; é calculada tomando-se a menor circunferência da cintura 
e di vidindo-a pela maior circunferência dos quadris/nádegas). 
Segundo as mulheres. valores moder.idamentc esbeltos de PCQ 
nos homens correspondem a uma maior atratividade (Singh. 
l 995). 
O estudo dos julgamentos que as pessoas fazem da atrati-
vidndc da5 características faciais denomina-se n,irrica facial 
(Cunningham. 1986: Cunningham, Barbcc & Pike, 1990; 
Cunninghrun et ai .• 1995). Considere a facc - cscusrcspectivos 
parâmetros métricos - mostrada na Figura 4. 7. As questões que 
relacionam a métrica facial ao estudo da motivação sexual são: 
''Em que dimensões as face.,; variam entre si. e quais climensões 
fazem uma face ser atrnenle?" Curiosmnente. diferentes culturas 
apresentam uma notável oonvcrgl:ncia 11 respeito das carnclcris-
ticas faciais que são consideradas atraentes, e também a respeito 
de quais não são. 
As faces variam bastante. e a Figura 4. 7 iluslnl 24 clifcrcntcs 
características estruturais (p. ex .. tamanho dos olhos. largw.i 
dn boca. proeminência do qt1cixo). Três categorias explicam os 
tipos de foce considcr.idos atraentes; as caraclcristicas neona-
tai.,. as C'.11".lcteríslicas de maturidade sexual e as características 
expressivas. As características nconatais correspondem àq uelas 
associadas aos recém-nascidos. ta.is como olhos grandes e nariz 
pequeno, estando relacionadas a mensagens não-verbais atra-
tiva., de juventude e agradabilidade (Bcrry & McArthur. 1985, 
1986). As características de maturidade sexual correspondem 
àquelas :l.'>Sociadas ao status pós-pubescente, tais como maçãs 
do rosto salientes e. para os homens. espessa pelagem no rosto 
e sobr.incclha, fartas. aspectos associados a mensagens não-
verbais atraentes de vigor. status e competência (Keating, 
Mazur & Segall. 198 l). Já as características expressivas. como 
boca/soniso abertos e sobrancelhas arqueada., são maneiras d e 
expressar emoções positivas. tais como felicidade e receptividade 
(McGinley. McGinley & Nicholas, 1978). 
Portanto, uma si mplcs olhada nas características faciais de 
uma pessoa já nos dá pistas para fazcnnos um julgamento sobre 
suajuvcntudo/agrndabiJjdade. vigor/status e fclicidaddrcceplivi-
dade. É com base nessas pereepçõcs. fundamentadas em classi-
ficações implícita~ da métrica facial. que tomamos um:i decisão 
sobre qufio atraente é o rosto de uma pessoa. Essa conclusão 
associa-se de modo intere.,;sarue à questão de a beleza C!>lar nos 
olhos de quem a vê. De certa mancir.i. pode•sc discordar dessa 
afinnativ:i. um:i vez que a.\ cla.\sificaçôe-'> faciais métricas são 
características f::iciais objetiva~. que fornecem um consenso 
panculturnl sobre o que é um rosto bonito. Entretanto. em outro 
sentido. pode-se concordar com ela, uma vez que uma face se 
torna bonita na medida cm que o observador percebe (e subjcúva-
mente av:ilia) a juventude, o slalus e a felicidade/recepti vidadc da 
oul!".i pessoa. Na vcrclndc, a beleza está na juventude, no status e 
na felicidade/receptividade, e a race é simplesmente um conduto 
que eomllnica essa.,; informações referentes à pessoa. 
As pesquisas sobre métrica facial são feitas mostrando-se (em 
um projetor de slides) dezenas de faces diferentes de homens e 
de mulheres a um grupo de indivíduos heLCTossexuais do sexo 
oposto (ou a um grupo de indivíduos homossexuais do mesmo 
sexo; Donovnn. Hill & Janltowink, J 989). Os inclivíduos julgam 
cada face segundo uma variedade de dimensões (p. ex .• Quão 
atraente é esse rosto? Quão desejável é essa pessoa em tcnnos de 
parceria sexual?). enquanto os pesquisadores meticulosamente 
medem cada face segundo todas as dimensões métrico-faciais 
listadas rui Figura 4.7. Dispondo então desses dados, os pesqui• 
sadorcs inves tigam as correlações que surgem entre as class ifi-
cações de atratividade e as diversas características faciais. Para 
você pessoalmente ter uma idéia de como é um experimento 
desse tipo. observe as sele diferentes faces mostrad:is na Figura 
4.8: cm questão de milissegundos você provavelmente perce-
berá que algumas dessas faces são mais atraentes do que outras. 
D:idas essas diferentes pcrcepções de :urntividadc, a quc-'>lào é ; 
por que isso acontccc7 Por que uma face da Figur.i 4.8 é mais 
atraente do que outra? Para responder a essas questões. é preciso 
analisar cada face segttndo os 24 par!lmctros de métrica facial 
apresentados na Figura 4.7. 
A métrica facial prediz a classificação de atratividade para a 
face de mulheres (Cllnnjngham 1986). de homea.s (Cunninghnm. 
Barbcc & Pike. 1990). de diferentes culturas (Cunningham. et 
aJ_, 1995) e de diferentes idades (Symons. 1992}. Quanto às 
faces femininas. a métrica facial mais associada à atratividade 
físiC'.i corresponde às car.icterbticas nconatais ( 01h05 grandes. 
nariz e quci:<.o pcquca.os). A matllíidadc sexual (maçãs do rosto 
salientes e magreza) e as car.icterísticas expressivas (altura das 
sobrancelhas e altura e largura do sorriso) também contribuem 
positivamente par.i a atratividade das faces femininas. Quanto 
às faces masculinas, a métrica facial mai., associada à atrativi-
dade ffsica são as características de maturidade sexual (sobrance-
lhas espessas e queixo proeminente). Também as características 
expressivas (altura e l.argtt!"d do sorriso) contribuem positiva-
mente para a atratividade das íaces ma.'iCulinas. 
Roteiros Sexuais 
Um roteiro sexual é lllD3 representação mental. passo n passo. da 
seqüência de eventos oconidos durante um episódio sexual típico 
(Gagnon. 1974. 1977: Simon & G-.ignon. 1986). De maneira não 
muito diferente do roteiro de um filme. um roteiro sexual inclui 
ntores específicos, com seus respectivos motivos e sentimentos. 
além de um conjunto de comportamentos verbais e não-verbais 
a propriados. que dc,·cm ser bem-sucedidos na conclusão de um 
comportamento seJUJal. Em sua essência. o roteiro sexual é a 
1 
16 
16 
22 
21 
2-1 
8 
9 
10 
--.. ...._ 
12 
2 
l't 
1 'i 
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3 
19 
23 
Necessidades Fisiológieti 59 
-
:,--.., 
" '> 
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6 
" 
18 
1. Compnmcnlo da fac,:, dhuinc10 da lmba do cabelo atê a b;,sc do quc,xo: 2, l.aq;lllll da Coce na o.lturu do osso m:ilar, d1Suinaa rntn, as bonlas ate-dores dos 
!l1lllllrcs cm seu ponto !l1lllS pmenuncnte: 3, Lar~un, du (o,;,, n.1 boca. ctL,tinc,~ cnin, us bordas cxtcnon:s cbs bochceh:ls n:, al1111t1 médio do somso: -1. Altura d• 
ICS!ll. dlstlnda da Mlbnncclb• até a l,oba do cabelo: 5. Altura d:I parte superior da cabeça. mc{l1da do centro das pupll~ 111<! o topo da cabcçn. esumodo sem o 
cnbclo: 6. Altura das sobrancelb:,s. medula do CC'lltro da< pupibs até a c-xtrcmidode in(C'rior das sobr.rnccllw: 7. Altura dos olhos. di<tânc1a cmn, os cxtn,011dodcssupc:norcs e inferiores do olho , i<i>d com os pálpebras no ccruro pupil..r. &. urgura dos olho.!. medula cntn, m c,aruos interno e externo do olho: 9. LArgun, d• 
(ns, châmcuo modulo do olho; 10.1..urgura cb pupila, d1:imetro m<d1do do ttnlrn do olho; 11, Lru-gam pndromzada da pupila calcubda como sendo a rnzõo entre 
a lllf&llru da puplb e • do lru (ruo mos1rJda ); 12. S..-par.içio c,ntrc os olhos. dis1lioclll entre os c<:ntmi dos pupd"': 13. 1..Arguro do osso malJir. u,·alloç3o d.l pro<:tm-
nênda rclativ• do os..<0 !l1lllar calcul"'1• como uma d ,fere~ entre • largu:r:s da face na ahlllll do osso m1l.u- e • wgurn da face na ahum oo compnmcnto facial d• 
boca (olo mmtnlLla); 1-1. Lorturo das nanna.<, ou sqa. largw-• do naru. medida oascxt.rcmidadc. <11<:ma> da; naollllS 1111 ponto""'"' bJ:so: l5. Lluplra da ponlll do 
n>nz. ou SCJa. o luguru da pn:lffllDO do n:inz na ponlll. cm gemi a.<.«lCl:ida iis prcg;11 d:ls Mri=: 16. Compnmcruo do n:ui,. medido a pnrti:rda ponte d:t ICSlll n• 
1Lil1u-a dá bortb supc-dor do olho vlslvcl até a pon1ll do nam: 17. Área do n:=. caloulJod• como o prodllto do comprimento pela lug:ura do nam no cocnpnmcnto 
da pont• da face (nlo mo51rnda): 18. Altura do meio dá face. disliindn do ttntro pup1l:u nié a extrcntidadc de ciOlll do l.ib,o superior. calculado subtnundo-sc do 
tamanho da face • altura da lcSI.L • alluru dos sobranoclha,,. a l"'l,Wl> do lábio supenor. a lllwrm do sorriso. a laq;um do lábto inferior e o rompnmcnlO do quclxo: 
1 li. l..-1rgura dai< bochechas. calculad:i como uma avrui:içio dos,.. de arrcdoodamc,uo fnc&:11. com b.1.<e na largura medida da face na bclcJ,.: 20. Espcs,ima do lábio 
supc:n«. mc:<t,d.l Ycl'UC3lmcntc oo cc:nuo: 11. Espessur• do lólno mfccior. mcchda vcrtJC1lmcnlC no ttntro: ll. Alrur• do somso. disuincto Vl:rtJCal catre os lábios 
no centro do mrnso: 23. L:uxun do sorriso. disLirlc13 c,ntrc o• ca.nu,s int<rnOs d:I boca: 2-1. Compnm,ruo do queixo. distãllcia do cxm,midadc de baixo do lâbto 
infcnor até a b:,.,,c do quc,xo. 
Figura -1. 7 Parllm~tros Masculinos e F~minino, de Métrico Facial 
Fo111r. c•inldo de M,aswif1R 1h, Ph~ca/ Atrrricri,•~n,~.r: Quasi-F..xp,ro,wms on ,~ SociobioJo,o af F,mak Facial &aury. de l',1. R. CuM1nghwn. 19116. Jmunol 
of P,rsonalil)· a,rd Social P S)Y:kolozy. 50. pp. 925-935. CopynS,hl 1986 da Amcncan P,-ycbolopcal Assocuwoo. Rc.prodU2Jdo sob permissão_ 
história que um típico encontro sexual eavolve, e que deve ser 
seguida pelo indivíduo. Os jovens do sexo mascul ino aprendem 
a coordenar seu roteiro sexual de maneira a coincidir com os 
três estágios lineares do ciclo de resposta sexual composto do 
desejo {estímulo}. cxcitaç-ào e o rgru..no (veja. na Figura 4.6. o 
Ciclo Tradicional de Resposta Sexual). As faniasias masturbat6-
rias ajudam a con1binar o roteiro sexual (cognitivo) com o ciclo 
desejo-excitação-orgasmo. 
Entre a.s mulheres. a coordenação entre o roteiro sexual e a 
atividade física é mais fraca. cm parte porque um número menor 
de mulheres se masturba nos primeiros anos d.1 adolc.sc-éncia., 
mas principalmente porque a excitação sexual feminina é mais 
calcada cm fatores relacionais do que na atividade física. Além 
disso, para as mulheres. o conteúdo dos roteiros sexuais que 
lhes ocorrem contém pouco material considerado propriamente 
sexual (do ponto de visla masculino). O conteúdo sexual para as 
60 Capíu1Jo Quatro 
Figuro -l.8 Sere Faces que Varillm em Sua Métrica Facial (e. Pon.anro. em Sua Arracividade). (FolO de oa,·id Young-\Volíf/Photo Edu.) 
mulheres 1cm maior probabilidade de incluir eventos tais como 
o ato de se apaixonar (em vez da participação no sexo). 
Quando experimentam um namoro. tanto homens quanto 
muJheres ganham a oportunidade de deixarem de ler roteiros 
independentes e baseados em fantasia..'\ para adquirirem roteiros 
interpessoais e conjuntos. Quando o casal não consegue coor-
denar seus roteiros scxunis. provavelmente suas expc1iências 
sexuais estarão repleta.~ de sofrimento. conflitos e ansiedade. e 
o desempenho sexual incômodo e m:tlsuccdido. Porém, quando 
as seqüências manipuláveis do comportamcnro sexual tomam• 
se coordenadas. adquirindo uma convenção e um foco não só 
cm si próprio como também no parceiro. os roteiros sexuais do 
casal começam a assumir um caráter adaptativo. cumulativo e 
rccducativo. promovendo assim a satisfação SC.'tual e relac ional 
(Simon & Gagnon. 1986). 
Além de portarem roteiros que guiam seus episódios se.'<Uai.'\, 
as pessoa~ também portam esquemas, ou representações cogni-
tivas. de seus selves sexuais (Anderson & Cyrnnowski, 1994). 
Os esquemas sexuais são crenças sobre o self sexual que derivam 
de experiências passadas que englobam tanto pensamentos e 
comportamentos positivos e orientados para a aproximação 
quanto pen..~amentos e componamentos negativos orientados 
para a evitação. Logo. o sclf sexual de uma pessoa inclui unia 
inclinação n experimentar desejo e participação sexuais (aspectos 
positivos de aproximação) e também uma inclinação a experi• 
mentar ansiedade, medo. conservadorismo e inibição sexuais 
(aspectos negativos de e,•itação). Os e lementos positivos dos 
esquemas sexuais promovem o desejo e a excitação sexuais: e 
os elementos negativos dos csquemns sexuais inibem o desejo 
e a excitação sexuais (Anderson & Cyrano\\•ski. 1994). Esses 
elementos que correspondem a um sinal verde (aspecto~ posi-
tivos de aproximação) e a um ~;naJ vermelho (ru.-pcctos negativos 
de evitação) no esquema sexual de uma pessoa são imponantes 
porque a excitaçf10 sexual é sempre produto da competição de 
tendêncins excitatórins (desejo) e inibidoras (ansiedade) (Janssen. 
Vona. Finn & Bancroft. 2002). 
Orientação Sexual 
Um componente-chave dos roteiw.. sexuais pós, pubcsccntes é 
o estabelecimento da orientação sexual. ou seja. a preferência 
por parceiros sexuais do mesmo sexo ou de outro. A orientação 
sexual existe ao longo de um conrinurrm, e cerca de um terço de 
todos os adolescentes já experimentou pelo menos um ato homos-
sexual (sendo essa ocorrência mais comum entre os rapazes do 
que entre as garotas; Money. 1988). Portanto, o co11tinu1011 de 
orien tação scxu:tl i:stcnde-se desde uma orientação exclusiva-
mente heterossexual, passando por uma o rientação bissexual e 
indo até uma orientação cxclusi,•amente homossexual A maioria 
dos adolescentes adota de maneira rotineira uma orientação hcte• 
rossexual, mas cerra de 4% dos adolescentes do sexo masculino 
e 2% dos do sexo fen1inino não o fazem. e esses percentuais são 
maiores quando se inclui a orientação bissexual. 
Embora ainda estejam longe de ser conclusivas, as pesquisas 
sugerem que a orientação se:1:ual não é uma escolha; trata-se de 
algo que acontece no adolescente, c não de algo dcliberJdo. ou 
de resultados de uma busca interior (1,,toney. 1988). Parte da 
explicação de por que ns pessoas desenvolvem uma orientação 
homossexual ou heterossexual é genética (veja os estudos de 
gêmeos feitos por Bailcy & Pillard_ 1991: Bailcy et ai., 1993) e 
parte é ambiental. infelizmente, a literatura sobre esse assunto 
cnrncteriza-s,c mais pela rejeição do que pela confirmação de 
hipóteses. Por exemplo. há poucas evidências em fa,·o r da idéia 
de que a homossexu:tlidadc emana de uma mãe dominante e um 
pai fraco (Bell. \Veinbcrg & Harnmersmilh. 1981) ou da cxpo• 
sjção a um sedutor mais velho e do mesmo sexo (Money. 1988). 
As fronteira.~ de pesquisa mais promissoras p;trJ se compreender 
a a rientaçfLO sexual siio as relacionadas à genética (Bailcy & 
Pillard. 199 l ; Hamcr el al.. 1993) e ao ambiente honnonal pré• 
natal (Bcrcnbaum & Snydcr, 1995; Kclly. 1991: Paul. 1993). 
Quanto ao ambiente honnonal pré-natal. a exposição hormonal 
prematura (:10drogênios. esLrOgênios) afeta a orientação e o 
componamento sexuais subseqüentes. 
Uma maneira pela qual as pessoas aprendem sobre sua orien• 
tação sexual (em vez de intencionalmente escolhê-la) ocorre. por 
exemplo, por meio da excitação gen ital que o indivíduo observaem si próprio como resposta a homens ou mulheres atraentes. 
Entn: os indivíduos do sexo masculino. os hcterosscxuai.~ apre-
.sentam uma resposta erétil di:10te de mulheres atraentes. mas não 
diante de homens atraentes. ao passo que os homens gay.~ apre• 
sentam uma resposta eretil diante de bon1ens atraentes. porém 
não diante de mulheres atraentes. A resposta genital masculina 
a indivíduos do sexo oposto ou do mesmo sexo é. pananto. uma 
maneira confiável de o próprio indivíduo aprender sobre sua oricn• 
taç-jo sc.itual. Entn: as pessoas do sexo ft'minino. porém, as hctc• 
ros."l<:xuais. as bissexuais e as lésbica~ não apre.'>Clltam esse tipo de 
padrlío discriminatório de associação entre uma excitação genital 
e subjetiva quando observam homens e mulhe_res atraentes. 
Base E,•olucionista da Motivação Sexual 
A motivação sexual tem uma óbvia função e base evolucionistas 
(a reprodução e a sobrevivência da espécie). Em uma análise 
evolucionista. especulou-se que homens e mulheres desenvol-
veram mecanismos psicológicos distintos e subjacentes a su.1.> 
respectivas motivações sexuais e cstrJlégia.,; de acasaJamenlo 
(Buss & Schmiu. 1993). Comparados à.s mulheres. os homens 
têm motivações sexuais de curto prazo. impõem padrões menos 
rigorosos. valorizam o acesso a pista., sexuais tal como a juven-
tude e valorizam a castidade das parccir.i.\. Comparadas aos 
homens. as mulheres valorizam os sinais de riqueza (os ga.~tos, 
Tabela -'-2 Diferença.~ dt! Gênero n:1.> Prefeti!ncin.,, por P..irceiros 
Variá,el 
Apan,ncia F/sica 
É bonito(a) 
Idade . 
E 1nah no~o que eu 5 anos 
É 1uah ,elho(a) que eu 5 anos 
Potencial Econômico 
Tem um emprego estável 
Ganrui mai;, do que eu 
Tem mll.Ís escolaridade do que eu 
Oullll., vw,·,!is 
Jll foi casndo 
Tem filhos 
• E de relígillo diferente da minha 
É de uma raça diferente do minrui 
liome.n., 
3.59 
4.54 
4, 15 
4.27 
5, l9 
• 21 :,. -
3.35 
2.84 
4.24 
3,08 
Necessidades Fisiológieti 61 
os presentes e a adoção d e um estilo de vida extravagante). o 
status social, a ambição e o pocencial de crescimento pmfi,;sional 
do parceiro (Buss & SchrnitL, 1993). 
Os psicólogos evolucionista~ partem dos pressupostos de que 
o comportamento sexual é fortemente re.~lringido pelos genes, 
e que os genes determinam as estratégias de acasalamento pelo 
menos tanto quanto (e frcqücnlcmcnlc mais) o pensamento 
racional. Além disso, os genes deixam uma mcn.~gcm evolu-
cionii.ln simples: os homens querem p:ircciras jo\'cns e atraentes: 
as mulheres querem parceiros poderosos e de status clcvado.s 
A Tabela 4.2 apresenta ns diferenç-JS de preferências na se leção 
de p;irceiros cnlro homens e mulheres (Sprccher. Sullivan & 
Haú:ield, 199+ ). Os dados confinnam que. essencialmente, os 
homens acham importante a atraç-jo ffsic:a e a juventude ao sele• 
cionar suas parceiras, ao pa.,;.~o que àS mulheres acham impor• 
tantc o potencial ccon8mico ao selecionar seus parceiros. Esses 
dados provêm de questionários aplicados a milhare.,; de homens 
e mulheres de 19 a 35 anos. solteiros, de a'!Celldência afro-ameri-
cana (36%) e branca (64%), aos quais se fez a seguinte pergunta: 
"Com que intensidade você gostaria de se casar com alguém 
que .. :•, após o que se pedia a cada participante para responder 
segundo wna escala que variava de 1 (simplesmente não gostmia) 
a 7 (gostaria muito). A coluna da direiln da tnbcla resume de 
forma verbal cm quais variáveis as diferença.~ de gênero existem 
e cm quais variá,•eis as diferenças não existem. 
Para apreciannos as diferentes estratégia.~ de acasalamento 
de homens e mulheres. basta abrinnos o jornal local (ou um 
,vcbsitc de encontros amorosos) e vcnnos os anúncios pessoais 
que lá estão (Baize & Schroeder. 1995; Harrison & Saeed, 
5Algulll35 diferença. s1U1;cm qu:indo "" clWlUoa a pn,ícrênd• do• bomossc-
xu;w; (B:riky et aL 1994). Os bomc.as hamossc:xu.us (<b mesma DUlDCJill que 
os he1cms,-cxua .. ) classificam • atr.içio ffs101 de SC"5 pGrotlro• como muí10 
1mportwtlr. mas. chfcrcntrmcnic dos bomras hcu:rossexurus. aão dcmC111Stmm 
1cr um• prclê:rénc,a mu110 fone por pare<Ll'O$ mai,: jovem.. nem uma 1ncl1n.,,..ao 
accntu3d..a parn o cLúmc: sc.xual. 
Mulheres 
2.58 
2.80 
• -,9 :>-
S.38 
S.93 
- 81 :>. -
3.+I 
3.I J 
4.3'1 
2.84 
DiferenÇ&de Gênero? 
Sim. ,naior preferencia entre os homens 
Sim. maior preferência entre os homens 
Sim. maior preferencia entre a.- mulheres 
Sim, 1uaior prefefência entre as mulheres 
Sim. maior preferência emre ru, mulheres 
Si111. maior preferência entre as mulh.eres 
.Nenhwnu diferença de gênero signific:iJJ,•a 
Si1n. maior prefet'êncio entre as mulheres 
.Nenhuma cliíerença de gênero signilicnúva 
Si1n, maior preferencio entre o, homens 
Ob.r,,n't4,<ih: O.. CSCOJCS padium van;irdc 1 (n3o go,lllna) • 7 (goslllriJI mudo de me casar com alguém que.._)_ 
Fome: cxtraiclo de -Mulc Seltt11on Prcfm:nccs: Gcndcr Diffcrcnccs Exwruncd in • Nllllon•I S!unplc-. de S. Sprocllcr. Q. Sulh..-llft e E. Hatficld. 1994./ourMI of 
Pmanaüty and S«wl P,)Y:IIIJl010•- 66. PI'· 1074-1080. CopynghL 1119-1 da Amcncan Psyc:bologlCal As<oc1a1100. Adlipt;Jdo sob pcnnlssão. 
62 Capíu1Jo Quatro 
1997; Wicdcnnan. 1993). Constatamos que os homens estão à 
procura de algo parecido com uma esposa/parceirJ-troféu. Por 
outro lado. quanto mais atraentes são as mulheres. maiores são 
as suas exigências em relação a um parceiro potencinl no que diz 
respeito a starus e riqueza. Os homens. por sua vez, quanto mais 
elevado o status social e a riqueza. mais cspcrnm das mulheres 
cm termos de aparência. 
Embora sejam grilJlllte e inegavelmente sexistas. essas 
conclusões rcprc.<;cntam as preferências que homens e mulheres 
expressam. Essas preferências podem niío ser consistentes com 
aspirações culturais, mas são consistentes com as aspirnçõc;, 
e\'olueioni~tas. Entretanto, pode ser que essa hipótese se.:cista 
para a estratégia de acasalamento seja ).imitada a algumas pessoas 
apenas. Parece que -os opostos se atraem··. umn vez que as 
mulheres que se preocupam demais com a aparência preferem 
fortemente homens de status elcv-Jdo, da mesma maneira que 
os homens que pensam demais em dinheiro e status também 
se preocupam demais com a juventude e a aparência da mulher 
(Buston & Emlcn, 2003). Entretanto, quando homens e mulheres 
valorizam em si mesmos fatores outros que não o status e poder 
de atrnção (p. ex., o comprometimento com a família e a fide-
lidade sexual). passam a preferir parceiros que tenham essa.,; 
características., mais do que parceiros dotados de um e levado 
status ou poder de atração. 
As pessoas também têm múltiplas estratégias de acasalamento. 
e consideran1 primciran1ente em suas preferências por parceiro 
ns .. necessidades" e depois os "hL'l:os" (Li_ Ba.ilcy, Kcnrick & 
Linsenmeicr, 2002). No nível das necessidades "obrigatórias", os 
homens valorizam a atratividade físicn e as mulheres valorizam 
o status e os recursos. Ao considerarem as possívei~ parceiras. 
os homens realmente desejam saber primeiro se a mulher é pelo 
menos mediana cm termos de atratividade física. e as mulheres 
desejam saber primeiro se o homem é pelo menos mediano em 
termos de status social. Ambos os sexos também clas.,;ifican1 a 
inteligência e a gentileza como car.icterísticas necessárias em 
seus eventuais parceiros. Se o parceiro potencial passar ne~se 
tipo de teste ao nível das necessidades. então homens e mulheres 
c-01neçam a considerar os luxos, oomo senso de humor. vivaci-
dade. criatividade e persoaalidadc excitante. A conclusào que 
disso se tira é que tanto homens quanto mulheres dispõem de um 
tipo de orçamento para gastar com o acasalamento (os homens 
dispõem de um certo nível de status. ao passo que as mulheres 
dispõem de um ccno nfvel de atratividade ffsica), e o gasto dc.~cs 
orÇillJlcntos destina-se primeiramente a assegurar as n1X:CSsidadcs 
mínimas (o parceiro deve ter pelo menos um nível médio de 
inteligência. gentileza e. depcadcado do sexo, status ou atração);cm seguida. o orçamento é gasto na aquisição de um nível sufi-
ciente dessas necessidades, e finalmente é utilizado parJ adquirir 
os luxos. que podem prodU2ir interações interes..,;antes. embora 
pouco representem c m tcnnos de valor reprodutivo (Kcnriek. 
Grolh. Trost & Sadalla. 1993). 
AS FALHAS DE AUTO-REGULAÇÃO DAS 
NECESSIDADES FISIOLÓGICAS 
Tentar exercer um controle mental consciente sobre nossas necc. ... 
sidades fisiológicas freqüentemente acaba nos fazendo mais mal 
do que bem. Mesmo assim. tentamos fazê-lo. 
As pessoas estão sempre tentando contro lar seus apetites -
fome. peso. consumo de ãlcool e café. impulsos sexuais. dor 
crônica nas costas, e assim por diante. Esses apetites podem às 
vezes nos esmagar e. ao passarmos por esse sofrimento. muitas 
vezes buscamos maneiras de anular as nossas necessidades 
fisiológicas a favor de um controle mental. Quando os estados 
mentais regulam as ncccs.tjdades fL~iológicas. ocorre a auto-regu-
lação. Por outro lado, quando as urgências biológicas es1nagam 
o controle mental, ocorre falha de auto-regulação (Baumcistcr. 
Heatherton & Tice, 1994 ). 
As pessoas falham ao tentarem se auto-regular devido a três 
razões principais (Baumeister. Hcalhenon & Tice. 1994). Em 
primeiro lugar. ela.o, rotineiramente subestimam o poder da força 
motivacional relacionada às suas urgências biológicas quando 
não as estiio experimentando (Loewenstein. 1996). Ou seja. 
quando não estamos com fome. tendemos a esquecer o grau de 
motivação que sentimos parJ comer quando estamos famintos. 
Em segundo. as pessoas podem não ter padrões. ou então 
têm padrões incon.-.istcntes. contlilantcs, irreais ou inadequados 
(Karoly, 1993). Por cxe1nplo. muitas pessoa~ têm padrões 
extremos (irreais) de magreza ou padrões conflitantes entre o 
tipo de corpo que têm de nascença vusru o tipo de corpo que 
gostariam de ter (Bro'l''nell, 1991 ). Controles mcnlllis frágeis 
(i!.to é. irre-Jis) são facilmente esmagados pelas forças bioló-
gicas naturais. 
Finalmente. as pessoas falham na sua auto-regulaç.'io porque 
não conseguem monitor.ir o que estão fazendo 11 medida que 
vão ficando distraídas. preocupadas, sobrecarregadas ou intoxi-
cadas (Kirschcnbaum. 1987). Por exemplo, o álcool diminui a 
autoconsciência e a automonitoração do indivíduo. e as pessoas 
intoxicadas por álcool têm maior prob-Jbilidade de cometer atos 
que fujam 30 seu controle mental aonnal (HuU, 1981 ). Assim. 
mesmo quando têm padrões realistas e adequados parJ cogniti• 
va.mentc regular suas necessidades fisiológicas_ as pessoas ainda 
assim são altamente suscetíveis a sc.r esmagadas, caso desviem 
de seus padrões. pelas forças biológicas represadas. 
Em todos esses reveses há dois pontos em comum: (1) o 
indivíduo subestima o quanto é forte a capacidade de prcodcr 
a atenção que os motivos de base biológica e fisiológica têm, 
e (2) o indivíduo perde o controle sobre sua própria atcoçiio. 
A auto-regulação é frcqOentcmentc uma competição entre as 
forças biológicas e os controles cognitivos. Um controle mental 
focalizado cm padrões TC3listas. cm metas de longo prazo e na 
monitoração do que se está fazendo em geral conduz a uma 
a uto-regulação bem-sucedida (Baumeistcr, Hcalherton & Tice. 
199-l). Todavia. a auto-regulação via controle mentnl requer um 
esforço diligente, sendo. portanto. uma estratégia vulnerável e 
não-confiável. 
RESUMO 
A sede. a fome e o sexo são necessidades üsiológicas. O pomo bá>ieo 
de:,ie capítulo é a 1ooôa do in1pu1:,0 de Hull de base biológica (Figura 
4.2). Segundo a teoria do impulso. a.~ prh·açõel. e os déficit,, fisiológico, 
fazem surgir os estado:. de necesxidade corporal. que fazem surgir um 
impulso p,iL"ológ.ico. o qual motiva o componrunento L'Onsumatório. e 
este, por sua vez.. provoc.a uma redur'..o do imp~. Poct0.n10. li medida 
que o iempo pa<,.~a., a, privações fi,iológiea, voltllm a se ,nanife...iar, e 
o procesro cfclic-o se rept1e. Ao , '1lien1:tr o, proce;.so, reguladores da 
'iõde. da fome e do ,exo. e..te capflulo apresentou sele processos fuocJa. 
1nema1s: a nece.<;sidade fisiológica. o Impulso psu~ológico. a homeostasc. 
o Feedbael. negativo. os input,,e outputs múltiplos. o íeedback positi,o. 
a. inllu&leia. intm-organwnicas e a, inlluéncia. elll.nl-011:,1.nlsmicru.. 
A sedé é o e,IJJdo motivacional e:1.peri1nenlado con:.cien1e1ncn1e 
que prep:lta o indivíduo pllt:l reali1.ar compon.runentos neces.~os JXln1 
,uprir seu déficit de água.. Em termos biológico,. sua aúvaç-.lo e ,acie-
dade ocon-em de ,naneira wn tanto direta. A falta de água dentro dai. 
célullls (sede intracelular) e fora delas (sede extracelular) aü,a a sede. 
A reposiçilo de água i.acia a .ede, t,,pecialmente quando a água consu-
mida hidnlm as células. O componamen10 de beber (qae não necessa-
riamenre está relacionado à sede) é influenciado t:uubém por ,ariáve~ 
extra-organfSJu[ca,, tai., como a disponibilidade de água, o go~to adoci-
cado. ooicções ao (ilcool e a cafeína e prescrições culturais. tais como 
a r«omendaçllo de ~beber oito copos de 4gua po1 dia-. 
A fome e o ato de comer envolvem um cnmplexo sisiema de regu-
lnçio l:lllto de cU:l'lo prazo (hipótese glicostáüca) quanto de longo prazo 
(hipócese lipostática. incluindo a teoria do set-poim). De acordo co,n a 
hipócese glioostática, o defic:ii!ncia de g_licose estimula o ato de c01ner 
ao ruivarohipooilamo l:ncml, oo passo que o excesso de g_licose inibe o 
ato de comer ao ativar o hipotálwno \en1tomedial. Segundo a hipótese 
hpostática quando as célolas adiposas ficwn reduzidaç. inicia-se a fome. 
ao passo que, quando a.ç célulos adiposn.ç encontram-..e em estado nonnal 
ou awnentado. elas inibem a fome. O comportrunemo de comer (que n!lo 
necessariruuente e,t:! relocionado à fome) é iníluenciodc, também por 
incentivos ambicniais., lll.Íl> como a, isoo. o cheiro e o gosto da comidli. 
a pn.-~a de outroS ~çoas. e também pressõe,, situncionnis, tah como 
a oom1a do grupo. Es~ fatores ambienta.is às vezes interferem nos 
fatores fisiológicos e competem com eles. Fuer dieta. por exemplo. 
representa uma tentativa Lhl pessoa de sub,Jituir seus co111J'Oles fi,ioló-
gícos paro comer por controles cognitivo, e voluntário,. ~e e,lilo de 
co1n<!r regulado cogruti vmue,ue tem i.Jnplicaç-õb assoeiadas a prálico de 
e.tce!,l,OS. liber.içat> da re..,triçilo. ganho de peso e obe,idade. 
A DJOlivaçuo sexu:1.1 awnentll e diminui em re,~ta a uma plêiade 
de fatores. incluindo honnõnios., esúnrnlaçào elltema. pistaS ellterruJS 
(métrica facial). roteiroscognil.Jvo;. esquema, se:wai.~ e~ evolu-
cioni,tas. A de,.peito dessa grande quantidade de fluores. a molivação 
.se.um! DO macho bwna110 é relativamente direta. Da medida em que 
o desejo reílete forças fisiológica~ tais como um ciclo de tfifá.sico e 
lin=resposmsexual (desej~citação-orgasmo). unia relaçl'to bas131l.te 
próxima entre a respoSta erétil e o desejo experimentado psicologi-
camente. roteiros ,exunis relaúvaniente hnmogêneos e preferência, e 
estratégias estereodpicos de acasalamenlO. J:l nas mulheres. a moti\'nçào 
Necessidades Fisiológieti 63 
sexual é mais complexa., na medida em que o c[clo de ,-esposta se.,ual 
feminino f reqaentemente nJlo é linear, gj.mndo em tonto de necessidade, 
de intimidade emocional n con-elaçllo entre n resposw genital eo desejo 
psicológ,lco é baixa, e os rOlcu·os e esquemas sexun.is sllo heterog2neos. 
A.~ pesqui,:t!,, sobre os determillllntil'!. da orienlJlçllo sexu:1.1 apontrun para 
a ,mponôncin dn genética, dai. iníluênci3' dcsenvol\'illlelllllÍ• pré-n,uais 
e da idéin de que as p....~a. d..-scobre1n e tomnm-se conscientes da sua 
orienlllÇ:!O sexual. em ,ez de deliberadrunente escolhê-la. 
Tentar exercer conll'Ole ,nental coJtscieme sobre as necessidades 
fislológicns é nlgo que freqUenrementc faz ,nai.s mal do que bem. As 
pessoas não conseguem auto-regular seus apetites corpor-.iis por três 
1notlvos principais - ou seja. elas ( 1) subestimam o poder da força 
nlOlh•acional das exigências biológicas quando n3o a.~estão experi men-
tando, (2) faltam padroe.. ou 1êm padrõe, inconsiS1en1e;., e (3) folham 
em mo,1i1orar o que est:lo fazendo, 11 medida que se distraem de suo 
regulaçõ.o cognitiva e con.\l.lruem presos de suas próprias necessidades 
li~lológicas represadas. 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIOr AJS 
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and SociJJI Pry:.l1ólogy • .JS. 257-~6-I. 
Capítulo 5 
Necessidades Psicológicas 
NECESSIDADES PSICOLÓGICAS 
A EMrutura da Neces,idade 
Uma Abonlagem Organfsmica da 111oúvoção 
A diall!lica pe,,oa-ambiente 
A, nece..~dades psicológ,iai5 Ot'gllllfsmicas 
AlITONOMI.A 
Apoiando a Autooomia 
Promo, endo os recursos ir,oci,·llCionais imenMX 
Contando com uma lingoogem inf01 macionaJ 
Promovendo a vllloriztlçllo 
Reconhecendo e aceilllndo o afeto oega1ivo 
Apoi:indo a Autonomia 111omento o Momento 
Beneficinndo um B.tilo !llolivnc,onal de Apoio~ Autonomia 
Doí, Exemplos 
A COMPETÊ.'l'CIA 
Etwolvendo Competi!Jicia 
De,.aJio.ç e fluxo ótünos 
Interdependência en1re desafio ef,:~dhoC'k 
I magine que você está passando a lllrde em uma área de 
ca111ping ou cm um parque Jlorcst:il, passeando à beira de um 
lago. Enquanto se deita e lOma sol , você observa urna garotinha 
brincar de atirar pedras na superfície da água. Paro conseguir 
um melhor arremesso. a menina antes escolhe uma pedra em 
uma pilha delas. E uma vez com n pedra na mão. ela se esforça 
para conseguir um bom arremesso. Cada vez. que uma pedra é 
lançada conforme o desejado, a menina sorri e seu entusiasmo 
aumenta. Porem. quando o lançamento sai errado. sua expressão 
fica sombria. mas lnmbém se percebe um aumento na sua deter• 
mina\-ãO. No começo. ela tentava fazer com que a pedra ricoche-
teasse somente uma vez. na superfície da água. Porém, após algum 
treino e muitos sorrisos. a menina aprimorou seus lançamento.,. 
dominando três ou quatro técnicas mais apuradas - por exemplo. 
faz.endo a pedra cobrir uma longa distáncin cm um único salto. 
obtendo vários ricochetes em dislâocios mais curtas ele. Ela então 
passa a atirar outras pedras, pesadas como granadas de mão. que. 
ao baterem na água. soam como ex.plosões em sua imaginação. 
E as~im ela prossegue entretida com as pedras. sem se lembrar 
da família. que se ocupa de uma fritada de peixes. 
A tolctrllncia ao fr.i,:;a,._,;o 
Es1rururo1 
Apo,Mdo o Competência 
F e,uJbacJ: pos,livo 
O prazer do cle~a.lJo e,n oI,el ótimo eft:t:dback po.11ivo 
RELA• ONA111ENTOC011J OS OUTROS 
Envolvendo o Relacio11:unen10: Interação com os Ou= 
Stu.i.,f:12et1do os Rel:!L"io,1:unento,: a Percepç:lo do Vinculo Social 
Relações de ComunMo e de Troc-J 
lntemalizaçlo 
JUNTANDO AS PEÇAS: CONTEXTOS SOCIAJS QUE 
ENVOLVE.."1 E SATISFAZEM AS NECESSIDADES 
PSICOLÓOICAS 
Compromisso 
O que dã qualidade ao nosso dia? 
Viulicbcle 
RESUMO 
LEITURAS PARA ESTUDOS ADICIONAIS 
A garota está brincando. Para ela, ama criança urbana, o lago 
é um ambiente relativamente novo. que lhe permite usar a iniagi• 
nação de uma maneira diferente do aormaJ. Ao brinc.rr, ela se 
sente excitada e entretida Cada pedra e cada lançamento lhe 
ofürecem um resaJtado diferente e surpreendente. Cada Lentali va 
desafia suas hllbilidadcs, fornecendo-lhe umn experiência que. de 
certo modo. lhe causa uma enorme satisfação. Ao atirar as pedras 
e vàlcr-se de sua imaginação, a mc.n i na se sente con1pctcntc. 
livre. e também aprende algo e desenvolve suas habilidades. Tal 
comportamento. cm vez de ser somente uma brincadeira frívola. 
é algo que lhe proporciona um desenvolvimento ~aud:ível. O lago 
é parda criança um ambiente que lhe fomcoc a oportunidade de 
aprender a gostar de uma atividade simplesmente pela experi-
ência e diversão a ela associadas. 
Assim como a.\ brincadeiras de crianças. atividades como a 
prática de esportes, o cultivo de lrobbies. o estudo. o trabalho e 
viagens também oferecem oportunidndcs para as pcs.~oas partici-
pare1n de atividades capazes de envolver e satisfazer suas neces-
sidades psicológicas. Este cnpítuJo examina o significado moti-
vacional de três necessidades psicológicas: autonomia. compe-
tência e relacionamento. O terna que perpa.,sa todo o capítulo 
é que. qumdo .1,e encontram cm ambientes que apóiam e satis-
fa1.em suas necessidades psicológicas, as pessoas, em decorrência 
disso. experimentam um desenvolvimento saudável e emoções 
positivas. 
NECESSIDADES PSICOLÓGICAS 
Pessoa. .. e animais são inerentcmente ativos. Quando crianças. 
puxamos e empurramos as coisas; sacudimos, atiramos, carre-
gamos e exploramos os objetos que nos cercam, e oiío cessamos 
de indagar sobre eles. Tampouco quando adultos paramos de 
explorar e de brincar. Divenimo-nos com jogos. resolvcmo.1, 
mistérios, lemos livros. visitamos amigos. aceitamos desafios, 
dedicamo-nos a hobbies. navegamos na Internet. construímos 
coisas novas, e exercemos um grande número de outras ati\'Í• 
dades, pelo fato de que são inercntemcnle interessantes e agra• 
dáveis de fazer. 
Quando uma atividade diz respeito a nossas necessidades 
psicológicas, el:i nos dc.1,-pcrta interesse. E qu:indo a ativid:ide 
satisfaz nossas necessidades psicológicas. sentimos prazer nela 
(por exemplo. dizendo algo como "jogo tênis porque é diver-
tido''): porém. as causas motivacionais subjacente de nosso 
engajamento ao ambiente são o envolvimento c a satisfação de 
nossas necessidades psicológicas. Divertir-se com jogos, resolver 
n1istérios e aceitar desafios são atividades interessante., e praze• 
rosa.~ precisamente porque representam para nós uma a.rena em 
que som.os c3pazcs de envolver e satisfazer nossas necessidades 
psicológicas. 
As. necessidades psicológicas constituem uma parte impor-
tante de nossa análise sobre a motivação do comportamento. 
Como discutimos ao capítulo anterior. as necessidades fisioló-
gicas de água, alimento. etc., provêm de nossos déficilS bioló-
gicos. Este tipo de comportamento motivado é cssencialmc.nte 
reativo, no sentido de que seu propósito é aliviar e reagir n Ulllll 
condição corpornl de deficiência. Já as aecess.idades psicológicas 
.são de natureza qualitalivamcnle diferente. A energia ger.ida 
pelas necessidades psicológicas é proativa. As necessidades 
psicológicas causam cm nós uma dispos.ição de cxplornção e de 
Neces.~idades Psicológíeti 65 
cavo) vimcnto con1 um ambiente que. conforme csper.imos. seja 
capaz de satisfazer essa.~ necessidades. 
A &trutura da Necessidade 
Existem diferentes tipos de necessidade. que podem ser organi-
zados dentro de uma cstrutur.i da necessidade. conforme ilustra 
a Figura 5.1 . As. necessidades fisiológicas (sede, fome. sexo) são 
inerentes ao funcionamento dos sistemas biológicos (Capítulo 
4). Já as necessidades psicológic.ss (autonomia, competência, 
rclacion:imento) são increntes aos esforços próprios d:i aalll•reza e do desenvoh'imento da saúde dos seres humanos (assunto 
deste capítulo). E as necessidades sociais (realização. intimidade. 
poder) s.'io internalizadas ou aprendidas a pan iT de nossas histó• 
rias relacionadas ã emoçlo e à socialização {Capítulo 7). 
A distinção entre aoccs.'>idadcs fisiológic.ss e aeces..~idadcs 
psicológicas é relativamente fácil de fazer: porém. a distinção 
catre necessidades psicológicas e necessidades sociais é mais 
sutil. As. necessidades psicológicas (autonomia. competência. 
relacionamento) existem na nalurcza humana e. portanto, são 
inerentes a todas as pessoas. Três dessas necessidades orgaoís-
micas são a autonomia. a competência e o relacionamento. Já 
as necessidades sociais surgem a partir de nossas experiências 
pessoais úrúca.s e. portanto. variam consideravelmente de um 
indivíduo para outro. As necessidades sociais (de realização. 
afiliação. inúmidadc e poder) que adquirimos dependem do tipo 
de ambiente social em que fomos criados. no qual estamos atual· 
mente vivendo ou que t.-stamo~ tentando criar futuramente para 
o nosso self. 
Uma Abordagem Organísmica da Motivação 
As três nc:ce.,;sidadcs psicológicas que abordaremos neste capí• 
tulo são às vezes chamadas de necessidades psicológicas orga-
nísmicas (Deci & Ry:m. 1991 ). As teorias organísmicas têm seu 
nome proveniente do tenno organis,no, ou seja. uma entidade 
viva e que se encontra em wna troca. aliva com seu ambiente 
(Blasi, 1976). A sobrevivência de qualquer organismo depende 
do ambiente cm que ele se encontra. uma vez que o ambiente 
Necessidades 
Nec:eN"idades Nec:eN"idades Necessidades 
Fisiológicas Psicológicas Sociais 
(C.pn:ulo 4} (C.pitulo 5) (capi,ulo 7) 
• Sede, • AUIOMml• • RollzoçliO 
• Fome • Compe1rod• • AfiU:,çio. tnclmidJde 
• Sexo • Reladorwnc-010 • Poder 
Flgura 5.1 Tipo, de Neres~Jdades 
66 Capíu1Jo Cinco 
lhe oferece recursos como alimento. água. apoio social e esti• 
mulaçào intelectual. E todos os organismos são equipados para 
iniciar e engajar-se cm trocas com seu ambiente. uma vez que 
todos os organismos dispõem de habilidades e de motivação 
para exercitarem e de!.Cnvolvcrem essas habilidades. As teoria~ 
organísmic:.is da motivação reconhecem que os nrnbien tes estão 
continuamente mudando e. em função disso, os organismos 
necessitam de ílexibilidade para se ajlllltar e se acomodar a essas 
mudanças. Os organismos também precisam de recursos ambien-
tais para crescerem e para utilizarem seus potenciais latentes. 
Para se adaptar, os organismos devem aprender a substituir uma 
resposta anteriormente bem-sucedida mas agora ultrapassada ( em 
função da ahcraçiio do ambiente). por uma resposta nova. e os 
organismos precisam também crescer e se desenvolver de modo 
que neles surjam novas habilidades, no,·os interesses e novas 
maneiras de se ajustar. Todo o foco aqui se concentra em como 
os organi~mos iniciru:n su:1s interações com o ambiente e como 
os organi.=s se adaptam. se modificam e crescem em função 
dessas transações ambientais. 
O oposto de um::i abord::igem organí.~mic::i é Ll.lil3 abordagem 
mecanicista. Nas teorias mecanicistas. o ambiente atua sobre o 
indivíduo. e o indivíduo reage. Por exemplo. o ambiente produz 
calor, e o indivíduo responde a L~o de uma maneira previsível e 
automática - suando. O suor leva à perda de líquido, e quando 
os sistemas biológicos detectam essa penl.i. a sede surge de modo 
automático (ou seja, mecanicamente). O Capítulo 4 discutiu 
essas ncccssid::ides de raízes biológicas. Capítulos subseqüentes 
irão discutir outros moúvos relativamente mecanicistas (p. ex .. 
o reforço no C::ipítulo 6: a unidade TOTE no Capítulo 8). Em 
cada uma dessas abordagens. você verá que o indivíduo e seu 
ambiente relacionam-se segundo uma única direção, de modo 
que o ::unbiealc atua e o indivfduo rc::ige. 
INDIVÍDUO,____, 
A Dialétíca Pessoa-Ambiente 
As teorias organísmicas rejeitam cs..~ repruscnt·açiio que leva 
cm conta essa direção única (ambiente-'> pessoa), enfatizando. 
em vez disso. a dialética pessoa-ambiente (Deci & Ry.in. 1991: 
Rccve, Dcci & Ryan, 2003). Na dialética. o ambiente atua sobre 
a pessoa e a pessoa atua sobre o ambiente. T.into a pessoa quanto 
o ambiente estão continuamente pas.~do por mudanças. 
As pessoas atuam sobre o ambiente cm funçiio da motivaçiio 
intrínseca que elas têm por buscar e promover aJter.ições no 
ambiente e, por outro lado. o ambiente aprcscnw demandas às 
pc.~soas para que elas se ajlL~lem e se acomodem ::i e le (Dcci & 
Ryan. 1985a). O resullado dessa dialética pessoa-ambiente é 
uma síntese continuan1ente mutáve l. na qual as necessidades 
da pessoo são satisfeitas pelo ambiente, e o ambiente produz na 
pessoa novas fonna., de motivação. A dialética pessoa-ambiente 
está representada na Figura 5.2. 
A abordagem org:mísmica da motiv::ição parte da suposição 
de que o organismo é inerentemenle ruivo. As necessidades 
psicológica~. os interesses e os valores integrados constituem a 
fonte dessa ruividade inerente (Deci & Rian. 1985a). Essa ativi• 
dade incrente está representada pcl:l sct::i superior na Fígum 5.2. 
A dialética pessoa-ambiente supõe que os eventos ambientais 
afclllm o indivíduo. oferecendo- lhe dcs::ifios, [eedback. oportu• 
nidades de escolha, atividades interessantes e relações de apoio, 
que às vezes cnvoh•cm e satisfazem o indivíduo mas que. outras 
vezes. ignor,un e frustram suas necessidades psicológicas. seus 
interesses e sun.~ preferências. Os ambientes também oferecem 
prescrições (do tipo ·'faça isso"). proscrições ("'não faça aquilo"). 
aspirações ao bem-estar ( como a idéia do "sonho americano .. ). 
bem como objetivos e prioridades ("você deve querer í.sso; você 
precisa valorizar aquilo"). e diversos p::ipéis que o indivíduo 
O andh·ídoo con1promc1c-sc no :unhiemc peb 
cxpn:ssiio de SC'\I sdf.ou müo pelo dc,;tjo ck 
lnccnglr cítdcnlc111CDlc com scu mdo 
N ccessidades 
Psicológkas 
• Autonomb 
Interesses e 
V.t.lores 
Ofertas do 
Ambtent<' 
Rela~. Influência~ 
Sodocultwais 
• lntcttsscs 
• Com~êncb • l'rclerêncbs 
• Rd:J.doo;imcnw • Valora 
O amblc:-n1c, is ,c,u,s. cn,-olvc e b.ltisf:n 
os rccllTS05 internos 00 UldivJduo, nu.-. 
ouu2s vezes tgnora. C' frustr:3 uis intcn:sscs_ 
• Ali..-i<bdcs Interessante,, 
• Ocsllfim 
• Fttdbadl 
• EscoDus 
• tncc:-nti,-os. Ra:ampcos:,s 
Figura 5.2 futrutura Dialética Pe • .oa-Ambiente oo Estudo da J\.10liva.,Jo 
• Prcscrk;õc,• 
• Proscrlçõcs 
• A,,plr.oçõcs oo Bcm-c:<W-
• Priori<bdcs. ~lcu.,.Papcls 
• Oum.s lntccrpcsso;tls 
aceita como parte de seu self socializado (por exemplo. como 
professor. c6njuge. recepcionista) e q ue afetam os recursos moti-
vacionais internos do indivíduo, tanto parn melhor quanto para 
. 
pior. 
A s ecessidades Psicológicas O rgan ismicas 
Considere por que as pessoas q uercm se exercitar e dcscnvo I ver 
suas habilidades para, por exemplo, raminhar, ler. nadar. dirigir, 
fazer amigos e centenas de outrJS competências. Em parte. essas 
competências surgem da maturidade. mas elas surgem principal-
mente por meio das oportunidades e das manifestações propí• 
cias vindas do ambiente (Gibson, 1988: \Vhite. 1959). As ncces-
sidad~ psicológicas organísmicas fornecem a n10úvaçâo que 
apóia cs.,;a iniciati v-.i e a aprendizagem (Dcci & Ryan. 1985a: 
White. 1959). Conforme iJustramos na abenura deste ca:pítuJo 
com a história da garotinha atirando pedras. as crianças são o 
n1elhor exemplo de como as necessidades psicológicas orga-
nísmica.~ motivam o exercício e o desenvolvimento de habili-
dades. Incessantemente. as crianças mudam de um lugar par.i 
outro aparentemente sem qualquer motivação para isso, a não 
ser o fato de desejarem fazer aJgo melhor do que fizeram antes 
(ou seja. em função da sua necessidade de competência). Além 
disso. as crianças têm o desejo de experimentar o mundo 11 sua 
própria maneira, decidindo elas mesma., o que fazer. como fazer. 
quando fazer e mesmo se vão ou não fazer (cm decorrência da 
sua necessidade de autonomia).E quais ati"idade.,, h:ibilidadcs 
e valores as criançus consideram serem importantes é algo que 
depende das atitudes. dos valores e dos climas emocionais que 
lhe são oferecidos pelas pessoas importantes cm sua vida (o que 
decorre da sua necessidade de relacionamento). 
Coletivamcate, as necessidades psicológicas organísmicas 
de autonomia. competência e de relaciona.mcnto fornecem às 
pessoas uma motivação natur:iJ para uprcadcr, crescer e desen-
volver-se. E o sucesso o u frucasso na obtenção dessa aprendi-
zagem. desse crescimento e desse desenvolvimento saudável é 
rugo que depende do fato de os ambientes apoiarem ou frustrarem 
a expressão de suas necessidades de autonomia. oompctênci:i e 
de relacionamento. 
AUTONOMIA 
Ao decidirmos o que fazer, queremos que haj:i opções e flexibi-
lidade cm nossa tomada de decisão. Desejamos ser pessoas que 
decidem o que fazer. quando fazer. como fazer. quando par.i.r 
de fazer e mesmo que possam escolher se rugo irá ser fe ito ou 
não. Queremos decidir nós mesmos como gastar nosso tempo. 
Queremos ser quem determina suas própria~ ações. em vez de 
haver ourrn pessoa ou alguma limitação ambiental que nos force 
a seguir um determinado curso de ação. Desejamos que nosso 
comportamento não esteja divorciado, mas sim conectado ao!> 
nossos interesses, nos=~ preferências. nossas vontades e nossos 
desejos. Querc010s que nosso com.portamento surja e expresse 
nossa.~ prcferéncias e nossos desejos. E que.remos ter a liberdade. 
de construir nossos próprios objetivos. bem como a liberdade 
de decidir o que é irnponante. e o que vale e o que não vale o 
emprego do nosso tempo. Em outras pal:ivras: temos necessi-
dade de autonomia. 
Neces.~idades Psicológíeti 67 
Nosso comportamento é autônomo (ou autodetcrminado) 
quruido nossos interesses. aossas preferência.~ e nossa.~ vontades 
guiwn nosso processo de tomada de decisões sobre participannos 
ou não de uma atividade em particular. Essa autodeterminação 
nos falta (ou seja. nossos comportamentos passam a ser deter• 
minados por outros) no momento em que certas forças cxle• 
ri ores nos pressionam a pensar. a sentir e a nos comportarmos de 
maneiras determinadas (DecL 1980). FormaJmcntc, a autonomia 
(3utodctcrn1inação) é a necessidade dccxpcrimcnt:ir Ul1UI escolha 
na iniciação e na regulação do comportamento, o que reflete o 
desejo de fazer suns própria~ csc0Jh:1s. em vez de deixar q ue 
os eventos wnbientais determinem as ações que se deve tomar 
{Deci & Ryan, 1985a). 
Como mostra a Figura 5.3. três qualidades cxpcrienciais 
operam juntas para definir a experiência subjetiva de auto-
nomia: o lócus de causalidade percebido, a escolha percebida 
e a volição. 
O lócus de causalidade percebido (LCP) refere-se 11 compre-
ensão que o indivíduo tem da fonte causaJ de suas :içõcs moti-
vadas (Heidcr. 195&). O LCP existe dentro de um conti11u11111 
bipolar que varia de interno para externo. Esse contin1111111 reflete 
a percepção do indivíduo de que seu comportamcato é iniciado 
a partir de uma fonte pessoal (LCP interno) ou de uma fonte 
ambiental (LCP externo). Poreltemplo, porque você lê um livro? 
Se a r.izão para lcré algum agente interno do seu sclf (interesse. 
valor). então o motivo de você ler provém de um LCP interno. 
Entretanto. se a raz5o para você ler for a lgum agente moliva-
cional do ambiente (um teste que vooê far:i. ou o fato de seu chefe 
obrigá-lo a isso).cntàoo motivo de você ler provém de um LCP 
externo. Alguns preferem dizer que a pessoa é uma uorigem .. ou 
um "peão" para distinguir alguém cujo comporlllmento emana de 
um LCP interno de alguém cujo comportamento emana de um 
LCP externo (dcChanru, J 976. 198-1: Ryan & Grolnick.. 1986). 
Origem "origina•· seu próprio comportamento intencional Já um 
"peão". uma metáfora in.~pirada no jogo de xadrez. capta a expe-
riência que sentimos quando pessoas poderosas nos conduzem 
de m3IlCir3 semelhante àquela como os patrões chefiam seus 
empregados. os sargentos coma:ndam seus subordinados ou os 
pais mruidam cm seus filhos. 
A volição é uma vontade que o indivíduo tem de se engajarem 
uma certa atividade. poré1n sem serpressioaado a fazê-lo {Deci, 
Ry:in & \Villiams, 1995). A volição está centrada no quanto de 
liberdade Vt!rsus coação a pessoa sente enqu:into está fazendo 
Locus lnicrno 
de- Causilld:u:lc 
Pcen:cbódo 
i\UIODOml> 
Percebida 
\ 'ollçio 
(Sc:nnmento 
de Ubcnbdc) 
Pcn:cpçiio de 
HiYcr E.scolhlclo 
Sws Próprb.s i\ç~ 
Figura 5.3 Tres QuaHdadei. Subjelíva, oa E.l.periência ili! Auto1101nia 
68 Capíu1Jo Cinco 
algo que ela quer fazer (p. ex .. brincar. estudar. falar). e também 
no quanto de liberdade 1•ersus coação a pessoa sente enquanto 
est5 evitando fazer algo que não quer fnzer (p. ex .. não fumar, 
não comer, não pedir desculpas). A volição é elevada quando 
a pes.,;oa se engaja cm uma atividade ao mesmo tempo cm que 
se sente livre e que suas ações são plenamente endossadas pelo 
seu self - dizendo essencialmente: "'Quero fazer isso por minba 
própria vontade" (Dcci & Ryan. 1987; Ryan. Kocstncr & Dcci. 
l 991 ). O oposto da volição e da sensação de liberdade é sentir-
se pressionado ou coagido a pratic:ir uma ação. Além de serem 
pressionadas pelo ambiente, as pessoas às vezes crian1 dentro 
de !>i uma motivação derivada da pressão. capaz de forçá-las a 
executar uma dclenninada ação - dizendo essencial mente: " Eu 
tenho que fazer isto" (Ryan. 1982: Ryan. Mims & Koestner. 
1983; Ryan. Kocsmcr & Dcci, 1991). 
A escolha percebida refere-se àquele sentido de escolha que 
experimentamos quando nos encontramos cm ambientes que nos 
fornecem uma flexibilidade na tomada de decisão. e que nos apre• 
sentam diferentes oportunidades a escolher. O oposto da escolha 
percebida é aquela sensação de obrigação que experimentamos 
quando nos encontramos em ambientes que. de maneira rígida e 
inflexível, nos obrigam a tomar um determinado curso de ação. 
Por exemplo. quando as crianças podem fazer escolhas referentes 
o seu trnbalho escolar (Cordova & Lepper. 1996). quando os resi-
dentes de um lar de idosos têm o pode de decidir a maneira como 
agendar suas atividades diárias (Langcr & Rodin. 1976). e quando 
os paciente.- se comunicam com médicos ílexíveis (não-autoritá-
rios) (Williams & Deei. 1996). então a.~ crianças, os idosos e os 
pacientes sentem que seu comportamento ílui de um certo senti -
mento de escolha. Entretanto. nem todas as escolhas são iguais e 
tampouco todas elas são capazes de promover autonomia (Rccve 
Nix & Hamm. 2003). Uma escolha entre opções oferecidas por 
outros não consegue se referir nem envolver a necessidade de 
autonomia (p. ex .. quando alguém lhe pergunta: "você quer ouvir 
música scrtruJeja ou música clássica? .. : Overskeid & Svartdal. 
1996: Schra,v. Flowerday & Reisettcr. 1998). Em vez disso. 
somente quando as pessoas podem escolher suas próprias ações 
(p. e.'< •• '"para começo de conve_rs::i, você quer escut:ir músicaT1 
é que elas experimentam um sentimento de autonomia (Cordova 
& Lepper, 1996; Reeve ct ai 2003). 
Apoiando a Autonomia 
Os ambientes. os eventos externos. os contextos sociais e as rela-
ções variam quanto à intensidade de apoiarem ou não a aece..,;-
sidade que o indivíduo tem de autonomia. Alguns ambientes 
envolvem e satisfazem nossa necessidade de autonomia. ao passo 
que outros ignoram e fru..~tram essa necessidade (lembre-se da 
Figura 5.2). Por exemplo. quando o wnbi.ente impõe uma data-
limite par.i o indivíduo fazer algo. ele interfere na autonomia 
dessa pc.~soa; mas. quando lhe oferece oportunidades de auto-
dirccionamento. o ambiente apóia a autonomia desse indivíduo. 
Tambén1 as relações podem às vezes apoiar e outras contra-
riar nossa necessidade de autonomia, algo que ocorre quando. 
por exemplo. um treinador ralha com seus atletas (o que solapa 
sua autonomia) ou. ao contrário, quando uma professora escuta 
atentamente seus alunos e utilaa essas infonnaçõcs para lhes 
dar a oportunidade de trJbalharem do jeito que quiserem

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