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Comportamento Humano nas Organizações - Unidade 1 1 AS RELAÇÕES DO INDIVÍDUO COM O TRABALHO E COM AS ORGANIZAÇÕES 1.1 Raízes históricas da relação do homem com o trabalho Antes da Revolução Industrial → emoções faziam parte integrante da relação do homem com seu trabalho e tal relação era mediada pela família . O serviço em grande parte era executado em todas as suas etapas geralmente pela mesma pessoa. A sociedade não era habituada às rápidas mudanças e possuía uma estrutura social menos flexível, o que evidencia o fato das pessoas manterem o mesmo padrão de vida durante gerações. Na Idade Média os interesses econômicos eram subordinados a aspectos religiosos (à salvação), e tanto na conduta pessoal como na economia as regras morais eram obrigatórias. A usura era proibida e os lucros não deviam exceder os ganhos do trabalho profissional. 1.2 A Administração Clássica e os princípios de gerência científica Enquanto os teóricos clássicos em administração focalizavam a sua atenção no planejamento da organização total, os administradores científicos visavam ao planejamento e à administração de cargos individualizados. Frederick Winslow Taylor, “o pai da organização científica do trabalho”. Taylorismo → “Qual a melhor forma de fazer um determinado trabalho?” Taylor defendia cinco princípios básicos: - Transfira toda a responsabilidade da organização do trabalho do trabalhador para o gerente. - Use métodos científicos para determinar a forma mais eficiente de fazer o trabalho – método único. - Selecione a melhor pessoa para desempenhar o cargo. - Treine o trabalhador para fazer o trabalho eficientemente. - Fiscalize o desempenho do trabalhador. A contribuição real de Taylor consistiu na aplicação do método científico aos processos de produção, substituindo os modelos rotineiros e assistemáticos. Consistia na decomposição da tarefa. Propôs uma reorganização do trabalho, cisão entre o executar e o pensar, entre os que pensam e os que executam. Também introduziu modificações na forma de pagamento, sob a justificativa de que a motivação fundamental do trabalhador era o salário. Mesmo levando a maiores salários e maior produtividade, o Taylorismo produz uma cisão entre pensamento e sentimento, além de execução e planejamento, vivenciados na relação do homem com o trabalho. Taylor deu forma a um aspecto particular da tendência para a mecanização, especialização e burocratização, que Max Weber viu como uma potente força social. O Taylorismo foi especialmente imposto sobre a força de trabalho. O enfoque mecanicista da organização tende a limitar, em lugar de ativar o desenvolvimento das capacidades humanas, modelando os seres humanos para servirem aos requisitos da organização mecanicista, em lugar de construir a organização em torno dos seus pontos fortes e potenciais. O efeito da Administração Científica de Taylor no ambiente de trabalho tem sido enorme, aumentando muito a produtividade, enquanto acelera a substituição de habilidades especializadas, por trabalhadores não qualificados; no entanto, os problemas humanos que resultam de tais métodos de produção tornaram-se evidentes desde quando começaram a ser introduzidos e, especialmente, quando aplicados à tecnologia de linha de montagem. Elton Mayo → Opôs-se à visão taylorista do Homem Econômico e sua proposição baseou-se em que o trabalhador tem uma necessidade de se dar bem com os outros, de precisar do convívio e do contato social, como Homem Social. Pesquisa na empresa General Electric, em sua fábrica de Hawthorne, Chicago, de 1927 a 1932, apontava para a importância do terreno dos sentimentos e das relações humanas. Resultados: 1. quando grupos informais se identificavam com a administração, a produtividade aumentava e vice-versa; 2. a maior produtividade refletia anseios de competência do operário; 3. necessidade de pertencer e ser membro de um grupo – Homem Social; 4. a falta de caminhos para a satisfação de outras necessidades que não as básicas, levava à frustração – Anomia; 5. administração atuava sob a suposição básica de que os trabalhadores constituíam um grupo desprezível – Hipótese da Ralé. 1.3 Organização Formal e Organização Informal Três características da organização formal: ela é impessoal, baseia-se em relações ideais e na “hipótese de gentalha”. Na organização informal existem conceitos como o de “status” (intrínsecos e derivados), papéis e prestígios. Existem pontos fracos da organização formal: os problemas de coordenação ou comunicação (devido ao tempo, segregação espacial e divisão natural da estrutura) e os problemas humanos. Grupo primário e secundário 1.4 Mudanças atuais na relação homem-trabalho A reestruturação produtiva visa a atingir objetivos de flexibilidade e integração. Informática e automação flexível constituem o padrão tecnológico emergente, ao lado das mudanças organizacionais (na relação entre empresas, mudanças gerais, na organização da produção, na organização do trabalho). A mudança tecnológica que se processa com rapidez incrível. A mudança tecnológica ● cria constantes problemas de obsolescência; ● a perda do espaço físico referencial (local de trabalho); ● minimização da comunicação horizontal e vertical; ● perda do contato físico e espiritual; ● ausência de relações informais; ● eliminação dos grupos de referência; ● dificuldades de socialização organizacional; ● disciplina provocada pela vigilância eletrônica do trabalho; ● sentimentos de solidão. Mudanças sociais e políticas criam uma constante demanda de novos serviços e expansão dos serviços já existentes. Frente à imprevisibilidade das transformações no mundo do trabalho, as organizações têm necessitado desenvolver flexibilidade e capacidade de enfrentar uma série de problemas novos e, como sabemos, essas características residem em última análise na gestão de pessoas das organizações. A descentralização de poder, terceirização de serviços, envolvimento do trabalhador e trabalho em equipe. Mudança do paradigma da Administração Científica, que exige um controle sobre o processo (foco em como fazer), passando para um paradigma que evidencia o produto, cobrando-se apenas o resultado, pela estratégia (por que fazer). O autocontrole do homem no trabalho pode fazer com que o trabalho volte a ser criativo (pela autonomia), mas aumentar a ansiedade e o estresse. Novas abordagens surgem Para envolver novamente o trabalhador, mecanismos sofisticados de gestão da percepção e da subjetividade são acionados, que se desenvolvem nas normas, na linguagem, nas formas de controle que se dirigem ao inconsciente dos trabalhadores. 2 ASPECTOS INDIVIDUAIS DO COMPORTAMENTO HUMANO NAS ORGANIZAÇÕES: DIFERENÇAS INDIVIDUAIS E PERSONALIDADE, APRENDIZAGEM E PERCEPÇÃO DO TRABALHADOR 2.1 Diferenças individuais e a formação da personalidade “As propriedades que fazem do homem um ser humano são o suporte biológico específico, o trabalho e os instrumentos, a linguagem, as relações sociais e uma subjetividade caracterizada pela consciência e identidade, pelos sentimentos e emoções e pelo consciente. [...] Ele é multideterminado” (BOCK, 1999, p. 177). Personalidade deriva da palavra persona → Sistema individual de atitudes, comportamentos e escalas de valores que um indivíduo apresenta e que coloca de forma diferenciada dos outros. “Sua personalidade individual é seu padrão característico de pensar, sentir e agir” (MYERS, 1999, p. 295). A personalidade não pode ser entendida como uma forma de aplicação de ações generalistas que se apliquem a todos os casos. Princípio de que o comportamento humano é imprevisível e complexo. Teorias da Personalidade Existem várias teorias que explicam a personalidade e a motivação humana: Psicanalítica, Behaviorista, Humanista, a do Traço e a Social-Cognitiva. Essas perspectivas fundamentais da personalidade buscam entender a formação do indivíduo a partir de referenciais diferenciados. 2.1.1 Teoria do traço A perspectiva da teoria dos traços identifica dimensões da personalidade que explicam nossos padrões coerentesde comportamento. Um traço é uma característica particular da personalidade de um indivíduo que pode ser medido e observado. 2.1.2 Teoria psicanalítica A teoria psicanalítica propõe que a sexualidade da infância e a motivação inconsciente influenciam a personalidade. Conflitos emocionais aparecem nos indivíduos por causa da interação entre: id (impulso instintivo); ego (mediador racional/consciente lógico); superego (consciência que busca anular o instinto). 2.1.3 Teoria da escola behaviorista A perspectiva behaviorista entende a formação da personalidade a partir das aprendizagens que a pessoa adquire ao longo da vida, em que é conduzida pela hereditariedade e experiências passadas. A motivação é um processo que inclui a aprendizagem por meio do condicionamento clássico e do condicionamento operante. O comportamento é visto como resultado de estímulo-resposta-reforço. 2.1.4 Teoria da escola cognitiva A perspectiva social-cognitiva enfatiza como moldamos e somos moldados pelo ambiente. O comportamento é dirigido a metas e propósitos (motivação). Quando um indivíduo tem aspiração a realizar certas metas, terá maior satisfação no sucesso. As várias cognições que as pessoas mantêm devem ser consistentes umas com as outras. 2.2. Aprendizagem, atitudes, valores e percepção do trabalhador 2.2.1 Crenças e atitudes As crenças e os valores antecedem as atitudes que, por sua vez, influenciam o comportamento. O comportamento também influencia as atitudes. As pessoas buscam uma sensação de equilíbrio entre suas crenças, atitudes e seu comportamento. 2.2.2 Aprendizagem Um dos aspectos psicológicos a ser considerado também consiste no processo de aprendizagem humana. É o processo de aquisição de tendências para se comportar de determinada forma ao responder a determinados estímulos ou situações. 2.2.3 Percepção “É o processo por meio do qual uma pessoa seleciona, organiza e interpreta as informações recebidas para criar uma imagem significativa do mundo” (KOTLER, 2003, p. 195). A experiência passada do indivíduo também estimula a percepção presente. O indivíduo projeta o seu mundo interior naquilo que está percebendo: muitas vezes percebe o que quer e não o que realmente existe. A capacidade do ser humano perceber a realidade exterior a si próprio é limitada: complexidade e do caráter dinâmico do mundo; um processo psicológico que envolve outros processos com variações (pensamento, memória, necessidades); limitações dos órgãos sensoriais. Portanto, atentar para: características do estímulo, contexto e características do indivíduo. 3 A MOTIVAÇÃO DO TRABALHADOR 3.1 O conceito de motivação nas organizações Motivação: o motivo é um estímulo que impulsiona para o comportamento específico. A vivência humana traduz-se em constante renovação, em movimento contínuo. Griffin (2006, p. 98) “motivação é um conjunto de forças que leva as pessoas a se engajarem em uma atividade em vez de outra”. Para os Behavioristas, a motivação de um indivíduo está relacionada com as consequências dos efeitos produzidos pelo comportamento passado (recompensas e as punições recebidas). Para os Cognitivistas, a motivação dá-se pelos valores, opiniões e expectativas em relação ao mundo que o rodeia e o que motiva o homem são os objetivos e os acontecimentos atrativos. As Teorias Hedonistas defendem o princípio de que o comportamento humano se acha especialmente orientado no sentido de buscar o prazer e procurar evitar a dor ou o sofrimento. A teoria dos instintos defende o ponto de vista de que algum comportamento mais simples, como os reflexos incondicionados, são herdados, mas outras ações podem ser denominadas como instintos, tendo como principal objetivo a preservação da espécie. A teoria dos impulsos, com boa aceitação dos psicólogos, propõe a personalidade como um reduto de forças básicas ou energia própria que orienta o comportamento em uma ou em outra direção. O homem possui sempre um estado de carência e seu comportamento se daria na direção de obter aquilo que lhe falta para recuperar seu equilíbrio. 3.2 Teorias motivacionais 3.2.1 Teoria da Hierarquia de Necessidades segundo Abrahan Maslow 3.2.2 Análise dos motivos humanos - McClelland Necessidade de associação – indivíduo motiva-se por estar em contato permanente com pessoas. O desejo das pessoas está no estabelecimento das relações e contatos interpessoais (jantares comemorativos ou chope na sexta-feira). Necessidade de poder – pessoas que buscam posições, prestígio, liderança. Necessidade de realização – são pessoas que necessitam de metas desafiadoras, assumem riscos e querem responsabilidades cada vez mais complexas. 3.2.3 Teoria X e Teoria Y - Douglas McGregor 3.2.4 Teoria dos Fatores Higiênicos e Motivacionais de Frederick Herzberg 4 BEM-ESTAR E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO 4.1 O trabalho como condição ontológica e sua institucionalização O homem não pode ser entendido sem o trabalho, e o trabalho em si mesmo reflete a condição humana. A partir do momento em que o trabalho passa a ser institucionalizado, passa a apresentar-se uma nova configuração: a relação existente entre homem, trabalho e organização. A conceituação social do trabalho esteve submetida a fortes transformações no decorrer da história, como também a parcela de tempo disponível (horas para recreação ou reprodução) reservada a atividades de trabalho. 4.2 O trabalho no futuro e o futuro do trabalho Com a institucionalização do trabalho, separou-se o que é trabalho (nos moldes de uma indústria ou organização sujeita às regras específicas) e o que não é trabalho (atividades de lazer e de prazer). Maior complexidade das atividades laborais, tornando o trabalho mais abstrato. A importância do trabalho manual diminui em grande escala, dando lugar ao comando de processos com ajuda de ordens abstratas, sinais e símbolos, pressupondo um pensamento analítico e diferenciador. Espera-se que os modelos tradicionais de divisão do trabalho sejam substituídos por postos de trabalhos globais e integrais, como o teletrabalho. O trabalhador tende a exigir cada vez mais incentivos imateriais, além das remunerações materiais, na forma de autonomia no trabalho e/ou cursos de aperfeiçoamento. O lazer adquire cada vez mais valor e isso se manifestará no desejo de jornadas de trabalho mais curtas e mais flexíveis. 4.3 Qualidade de vida e saúde mental no trabalho Quando discutimos a trajetória da relação do homem com o trabalho diante da pós-modernidade, encaramos uma de suas consequências: o seu adoecimento. Por um lado, o homem tem desenvolvido suas competências e, por outro, tem apresentado problemas de ordem física e psicossomática ligados ao trabalho. Jacques (2003) apresenta quatro abordagens eminentes em saúde e trabalho: estresse; psicodinâmica do trabalho; abordagens de base epidemiológica; estudos em subjetividade e trabalho. 4.3.1 Estresse no trabalho Termo de origem na física para definir o desgaste de materiais submetidos a excessos de peso, calor ou radiação.Empregado pelo fisiologista austríaco Hans Selye (1936) para designar uma “síndrome geral de adaptação”, constituída por três fases com nítida dimensão biológica. 4.3.2 Saúde mental no trabalho No referencial de saúde mental no trabalho, a ênfase da proposta dejouriana recai no privilégio concedido ao estudo da normalidade sobre a patologia, o que, inclusive, ensejou a substituição da expressão “psicopatologia do trabalho” por “psicodinâmica do trabalho”. Para minimizar a importância dos aspectos psicopatológicos, embora a advertência inicial do autor era de que utilizava a expressão inspirado nos estudos freudianos e não no sentido restritivo do doentio. 4.3.3 Abordagem epidemiológica e/ou diagnóstica Possui suas raízes na lógica da epidemiologia geral, a qual se baseia na produção de conhecimentos sobre o processo saúde/doença, o planejamento de ações de políticas de saúde e a prevenção de doenças. Ela se baseia na premissa de haver a multicausalidade das doenças e busca os seus determinantes. Possui influênciada metodologia empregada por Le Guilant e busca sua teoria em Leontiev e Marx (ZANELLI, 2004). 4.3.4 Pesquisa em subjetividade e trabalho Inclui estudos sobre natureza e conteúdo das tarefas, estrutura temporal e densidade do trabalho, e controle do processo, enquanto associados ao desgaste mental. Os estudos privilegiam as experiências e as vivências dos trabalhadores frente à estrutura temporal do trabalho, por exemplo, focando as pesquisas na subjetividade do trabalhador. 4.4 O papel do profissional de Serviço Social e de Psicologia na promoção da qualidade de vida e saúde do trabalhador e na prevenção Ao psicólogo, assistente social, gestores e demais profissionais das ciências humanas cabe: -A atuação estratégica no sentido de identificar ações que promovam a saúde psíquica do trabalhador em todos os níveis hierárquicos, visando ao bem-estar biopsicossocial das pessoas. -Se envolver com a compreensão crítica dos problemas sociais para ação com base no conjunto de teorias, métodos e procedimentos, por meio da prevenção, integração social e ampliação da cidadania; especialmente junto à população em situação de vulnerabilidade. Unidade 2 5 COMUNICAÇÃO E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO TRABALHO 5.1 A comunicação: conceito e processo A palavra comunicação vem do latim comunicare, que significa pôr em comum, “tornar comum, fazer saber, ligar, unir”. Prática ou campo de estudo que se debruça sobre a informação, a sua transmissão, captação e impacto social. Griffin e Moorhead (2006, p. 188) definem comunicação como sendo “o processo social no qual duas ou mais partes trocam informações e compartilham significados”. A comunicação liga indivíduos e grupos num sistema social. No cotidiano organizacional, mesmo que as conexões iniciais do indivíduo na organização sejam relacionadas a tarefas, essas relações formam um sofisticado sistema social, de pequenos grupos e de uma rede organizacional maior. O padrão e o conteúdo da comunicação também favorecem a cultura e os sistemas de crenças e de valores. Existem três métodos básicos de comunicação: escrita, oral e não verbal. 5.1.1 Problemas de comunicação Filtragem: quando uma mensagem é recebida apenas em parte. Ela existe, mas não é recebida por inteiro. Exemplo: “você viu o que ele falou para mim quando se referiu à vadiagem?” Ruído: quando a mensagem é distorcida ou mal interpretada. Consiste em uma perturbação indesejável que tende a distorcer, deturpar ou alterar de maneira imprevisível a mensagem transmitida. Bloqueio: quando a mensagem não é captada e a comunicação é interrompida. Muitas vezes nos encontramos diante de uma situação que se constitui uma zona de silêncio: assunto que estabelece barreira psicológica ou muro de vergonha. Por exemplo, quando uma pessoa diz: “eu não quero/gosto de falar sobre isso”. 5.1.2 Barreiras na comunicação É difícil obter uma comunicação eficaz, pois os fatores multiculturais influenciam no processo. Podemos definir algumas barreiras no processo de comunicação como: ● barreiras pessoais (emoções); ● barreiras físicas (distância); ● barreiras semânticas (símbolos). Segundo Robbins (2004), outros obstáculos podem influenciar na comunicação organizacional: sobrecarga de informações, pressões do tempo, clima organizacional e tecnologia. Mas não há nada que se possa fazer para melhorar a nossa comunicação? Aprender a melhorar a sua transmissão e aprender a aperfeiçoar sua própria recepção. Habilidade de escuta ativa usar paráfrases (por exemplo “o que eu entendi do que você me disse é...”), evitar interromper a quem fala e não falar ao mesmo tempo. Um feedback eficaz ajuda o indivíduo ou grupo a melhorar seu desempenho e, assim, alcançar seus objetivos: ● descritivo ao invés de avaliativo; ● específico ao invés de geral; ● compatível com as necessidades de ambos, emissor e receptor; ● dirigido para comportamentos que o receptor possa modificar; ● solicitado ao invés de imposto; ● oportuno; ● deve ser esclarecido para assegurar uma boa comunicação. O reconhecimento dos problemas estratégicos é facilitado ou não pelas trocas comunicativas; a partir da reflexão e da prática do diálogo no contexto organizacional, com transformação do conjunto de valores e crenças. Aprendizado por meio de 3 dimensões: ● o saber (questionamentos e esforços dirigidos aos conhecimentos); ● o saber-fazer (desenvolvimento de práticas e consciência das ações eleitas); ● o saber-agir (discurso e ação associados por meio de comportamento assertivo nas relações de trabalho). Outras competências: ● ter uma inclinação humanista e interesse pelo comportamento humano; ● senso de trabalho em equipe; ● capacidade de doar-se e de estar sempre disponível; ● interesse pelo desenvolvimento das potencialidades, da autonomia, da liberdade e pela oferta de oportunidades às pessoas; ● paciência; ● sensibilidade ou empatia; ● visão de projeto; ● capacidade de organização. 6 LIDERANÇA E PODER NAS ORGANIZAÇÕES 6.1 O conceito de liderança Tem papel fundamental nas relações humanas, associada ao sucesso ou fracasso das equipes e das organizações. “Liderar é conduzir um grupo de pessoas, influenciando seus comportamentos e ações para atingir objetivos de interesse comum desse grupo, de acordo com uma visão do futuro baseada num conjunto coerente de ideias e princípios (LACOMBE e HEILBORN, 2003, p. 348). “Liderança é a atividade de influenciar pessoas fazendo-as empenhar-se voluntariamente em objetivos de grupo” (TERRY apud HERSEY, 1986, p. 103). Kim e Mauborgne (apud DUBRIN, 2006) definiram liderança como a habilidade de inspirar confiança e apoio entre as pessoas cujo desempenho depende do compromisso e da competência. Fatores comuns: capacidade de influenciar, objetivo e situação. A liderança acontece no contexto de grupos voltados para metas e é um processo social. Diferença entre ser chefe e ser líder… 6.2 Os tipos de poder e estilos de liderança 1. Poder legítimo – relacionado à hierarquia organizacional. 2. Poder de recompensa – também relacionado à estrutura organizacional. Influência por meio de recompensas. 3. Poder coercitivo – capacidade de punir para influenciar o comportamento. 4. Poder de especialização – capacidade de influenciar pelo conhecimento, habilidade e experiência. 5. Poder de referência – influenciar o outro pela força do seu carisma ou por características pessoais. Os poderes de recompensa, o coercitivo e o legítimo têm relação com a posição hierárquica, enquanto os poderes de especialização e o de referência têm como base o poder pessoal. Os estilos de liderança: Autocrático; Democrático; Laissez faire ou Liberal. 6.3 As abordagens relativas à liderança 6.3.1 Teoria dos Traços 1930 – pressuposto de que certos indivíduos possuem uma combinação especial de traços de personalidade que podem ser definidos e utilizados para identificar futuros líderes potenciais. Os traços mais comumente apontados: 1. traços físicos: energia e aparência; 2. traços intelectuais: adaptabilidade, agressividade ou autoconfiança; 3. traços sociais: cooperação, habilidade interpessoal e administrativa; 4. traços relacionados com a tarefa: impulso de realização. 6.3.2 Abordagem Comportamental e Estudos de Michigan University 1940 até 1960, pesquisas deram ênfase aos estilos de comportamento que os líderes demonstravam (tal como os estudos de Ohio State University e os estudos de Michigan University). 6.3.3 Grade gerencial ou grid gerencial Grade gerencial ou grid gerencial – Blake e Mouton. A grade gerencial é uma representação gráfica de uma visão bidimensional que apresenta 81 posições diferentes, distinguindo 5 estilos básicos de liderança, nas quais o estilo do líder deve se encaixar. Preocupação com pessoas X produção: 6.3.4 Abordagem contingencial Estabelece que situações diferentes solicitam práticas diferentes, fazendo uso das teorias tradicionais, comportamentais e de sistemas, separadamente ou combinadas, para resolver problemas. 6.3.5 Teoria Trajetória-Meta ou Caminho-Objetivo de House Classificou o líderem quatro categorias: diretivo, apoiador, participativo e orientado para realizações. 6.3.6 Modelo de liderança situacional de Hersey e Blanchard Comportamento voltado para a tarefa e o relacionamento. 7 ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS E TRABALHO EM EQUIPE: DESAFIOS DA GESTÃO NAS ORGANIZAÇÕES Um dos grandes desafios de qualquer gestor na atualidade consiste justamente na formação de uma equipe de trabalho. Segundo Schutz (apud BERGAMINI, 2006), todo indivíduo tem três necessidades interpessoais: inclusão, controle e afeição. Ao se associar a um grupo, cada pessoa passará por diferentes formas de atendimento de suas necessidades. Você já percebeu que muitas vezes nos colocamos diante de grupos que não tínhamos nenhum contato? Exemplo: faculdade. Solidariedade mecânica: filiação a algum grupo independe de nossa vontade. Solidariedade orgânica: panelinhas. Processo grupal: fenômenos grupais passam a atuar sobre os indivíduos e grupo. Coesão grupal: é uma forma que os indivíduos têm para que seus membros sigam as regras estabelecidas e se obtenha a fidelidade desses. De acordo com Borges e Albuquerque (apud ZANELLI, 2006), o processo de socialização implica sempre certo conformismo porque o indivíduo se insere em um contexto de normas e costumes previamente definidos por outros. 7.1 Grupo ou equipe? Spector (2002): um grupo de trabalho consiste na união de duas ou mais pessoas que interagem umas com as outras e dividem algumas tarefas, visando a objetivos inter-relacionados. Wagner III e Hollenbeck (apud FIORELLI, 2000, p. 41): grupo é “um conjunto de duas ou mais pessoas que interagem entre si de tal forma que cada uma influencia e é influenciada pela outra”. Para eles, equipe é um tipo especial de grupo em que se evidencia: elevada interdependência na execução das atividades; um senso de identidade. Fiorelli (2000, p. 143) sugere um conceito de equipe que integra o funcionamento com o vínculo emocional, no qual: “Uma equipe é um conjunto de pessoas: com um senso de identidade, manifesto em comportamentos desenvolvidos e mantidos para o bem comum; [...] em busca de resultados de interesse comum a todos os seus integrantes, decorrentes da necessidade mútua de atingir objetivos e metas específicas.” Vínculo emocional ou interdependência são traços determinantes para a formação de uma equipe. 7.2 Tipos de equipes de trabalho e seu desenvolvimento Bergamini (2006) distingue dois tipos de pequenos grupos: o sociogrupo – aquele que se organiza e se orienta em função da execução ou cumprimento de uma tarefa; o psicogrupo – estruturado em função da polarização dos seus membros. Dubrin (2006) relaciona cinco tipos representativos de equipes: autogeridas, multifuncionais, de alta gerência, grupos de afinidades e equipes virtuais. Segundo Scholtes (1992), uma equipe passa por estágios razoavelmente previsíveis. Estágio 1 – formação ou iniciação: se inicia a formação da equipe, seus membros pesquisam as fronteiras do comportamento adequado ao grupo. Transição de indivíduo para membro. Estágio 2 – turbulência ou diferenciação: os membros da equipe começam a perceber a quantidade de trabalho que têm à frente e é comum entrarem em estado de pânico – difícil para a equipe. Estágio 3 – normas ou integração: restabelecimento do propósito central e membros se acostumam a trabalhar juntos. Estágio 4 – atuação ou maturidade: a equipe já definiu seu relacionamento e suas expectativas. Entretanto, Albuquerque e Puente-Palacios (2004) se referem aos estágios de desenvolvimento do grupo como sendo: formação, conflito, normatização, desempenho e desintegração. 7.3 Papel da equipe Fiorelli (2000): equipes constituem um espaço psicológico para compartilhar emoções e seu papel emocional compreende vários aspectos: Racionalização – a equipe adota determinado comportamento porque “todo mundo faz assim”, reduzindo a ansiedade que acompanha a decisão. Modelação – os integrantes chegam a imitar o eventual líder em identificação. Negação da realidade – pode emergir da necessidade inconsciente de manter a equipe. Ex.: relutância dos integrantes em utilizar novas tecnologias. Derivativo para carências afetivas – transferência da demanda por afeto que supervisores (e familiares) não suprem. Preservação da coesão – significa que as pessoas têm condições de liberar energia para superar as dificuldades. Espaço para representar, oportunidade de dar vazão a suas fantasias, ao lúdico. Espaço para catarse – em crise, tornam-se um espaço para emoções. Útero protetor – chance de isolamento, por espaço e tempo exclusivos, gera conforto emocional. Vantagens e desvantagens do trabalho em equipe: Positivo: tratamento das informações e geração de ideias; redução da ansiedade em situações de incerteza; interpretação menos rígida dos fatos e probabilidade de evitar erros de julgamento; simplificação da supervisão e das comunicações; fidelidade às decisões tomadas e de sucesso em ações complexas; aceitação de diferenças e aproveitamento de potencialidades. Algumas situações a serem consideradas: cultura do consenso obrigatório, redução excessiva da supervisão e radicalização em decisões tomadas. 7.4 A administração de conflitos Conflito: “processo de oposição e confronto entre indivíduos ou grupos nas organizações – quando as partes exercem poder na busca das metas ou objetivos valorizados e obstruem o progresso de uma ou mais de outras metas” (WAGNER e HOLLENBECK, 1999, p. 283). Classificação de conflitos (FUSTIER, 2000, p. 12): ● Segundo os contrários: individuais ou coletivos; de igual para igual ou de autoridade; raiz está nas instituições ou nas pessoas; ideológicos ou neutros; espontâneos ou deliberados; solução construtiva o destruidora; do ter. ● Segundo a natureza do conflito: os fatos, as causas, objetivos, métodos e valores. ● Segundo as causas: interesses diretos, condições sociais e a organização, tensão psicológica e divergências intelectuais. Nesse sentido, a gestão moderna compreende que o conflito pode ser: Positivo (ou funcional) – se utilizado a nosso favor, para enriquecimento pessoal, como algo construtivo. Negativo (ou disfuncional) – se percebido como algo destrutivo. Cinco abordagens (WAGNER e HOLLENBACK, 1999): Competição – suplantar a outra parte, promovendo os próprios interesses. Acomodação em detrimento de seus próprios interesses, permitir à outra parte a satisfação de seus interesses. Abstenção – busca da neutralidade, ignorando o conflito. Colaboração – ação em direção a uma solução que atenda ambos. Transigência – mediante troca e sacrifício, busca satisfação parcial das necessidades das partes. 8 CULTURA E CLIMA ORGANIZACIONAL: DIMENSÕES DA DIVERSIDADE Roma antiga: restrição ao sentido de produção de plantas (agricultura). Cultura passou a ser também utilizada para se referir aos cuidados com as crianças (puericultura) e também agregou o sentido de culto aos deuses. No século XVIII: campo de conhecimento científico com Tylor (1958) – relacionou cultur (aspectos espirituais da comunidade) com a palavra civilization (produções materiais da coletividade), resultando no vocábulo inglês culture (conhecimentos, crenças, arte, moral, costumes adquiridos pelo homem como ser social). A contribuição de Tylor: sistematizou pela primeira vez uma concepção de cultura com base antropológica, focando os aspectos simbólicos que permeiam todos os fatores inclusos na interação humana. Aspectos simbólicos de uma cultura que se apresenta em suas vestimentas, expressão de costumes, por exemplo. 8.1 O conceito e níveis de cultura organizacional A partir de 1980, crescimento dos produtos japoneses no mercado mundial e declínio dos produtos americanos. Cultura organizacional consiste no modelo dos pressupostos básicos que um dado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu no processo de aprendizagem, para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna. Uma vez que esses pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, são ensinados como a maneira certade se perceber, pensar e sentir em relação àqueles problemas (SCHEIN, 1990). 8.2 Elementos e funções da cultura organizacional Schein (1985) identifica 3 níveis: Robbins (2004) indica sete características básicas, as quais mostram a essência da cultura de uma organização: ● inovação e assunção de riscos; ● atenção aos detalhes; ● orientação para resultados; ● orientação para as pessoas; ● orientação para equipe; ● agressividade; ● estabilidade. 8.2.1 Elementos da cultura organizacional Valores – são definições do que é importante para atingir o sucesso. Crenças e pressupostos – geralmente utilizados para expressar aquilo que é tido como verdade na organização. Ritos, rituais e cerimônias – atividades planejadas para tornar a cultura mais visível e coesa. Histórias e mitos – narrações e eventos que informam sobre os mitos das organizações, às vezes sem sustentação nos fatos. Tabus – são proibições, com ênfase no não permitido. Normas – regras que falam sobre o comportamento esperado e adotado pelo grupo. Heróis – personagens, natos ou criados, que condensam a força da organização. Processo de comunicação – inclui a rede de relações, papéis informais, “radio peão”, por exemplo. Tem a função de transmitir e administrar a cultura. Símbolos – objetos e ações ou eventos dotados de significados especiais e que permitem aos membros da organização trocarem ideias complexas e mensagens emocionais. 8.2.2 Funções da cultura organizacional Papéis positivos: proporciona um senso de identidade, papel de divisor de fronteiras entre organizações, favorece o comprometimento, estimula a estabilidade do contexto social e diminui a ambiguidade no ambiente de trabalho. Pode tornar-se um problema numa organização de cultura muito arraigada, que necessite enfrentar processos de mudança, em função de mudanças externas. Pode funcionar como barreiras às mudanças necessárias, à diversidade, a fusões e aquisições. 8.3 A gestão da cultura organizacional O processo de criação de uma cultura ocorre de três maneiras ou etapas. Processos de fusão ou aquisição. Estratégias que poderiam ser usadas para mudar a cultura organizacional incluem o desenvolvimento de um planejamento estratégico (missão e visão compartilhadas) – definir objetivos. 8.4 A diversidade e a cultura organizacional Existem também subculturas dentro das organizações. Cultura organizacional e cultura nacional. Traços de nossa cultura brasileira (ZANELLI e SILVA, 2004). 8.5 Analisando o papel do profissional ● O papel fundamental do departamento de Recursos Humanos nas organizações tem sido o de “guardião da cultura” (FREITAS, 1991). ● Avaliação da cultura organizacional é essencial para o diagnóstico da instituição e projetos de intervenção. ● Objetivar a transformação social. ● Constante reflexão crítica sobre nossa percepção, identificando até que ponto não estamos absorvidos pelos elementos da cultura organizacional e como precisamos manter certo distanciamento na busca de alternativas de mudança.