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A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA PROPRIEDADE E NO DOMÍNIO ECONÔMICO INTRODUÇÃO A doutrina ampara a ampla liberdade privada Laissez faire, “estado do bem estar social”. Para que o Estado propicie este bem estar, é mister que o poder público intervenha na propriedade privada, com o fim de limitar interesses individuais em prol do interesse público, da coletividade. AUTORIZAÇÃO CONSTITUCIONAL A CF autoriza a intervenção do Estado na propriedade privada, mesmo assegurando o direito individual à propriedade (art. 5º XXII), condicionando ao atendimento de sua função social (art. 5º XXIII), caso contrário, poderá intervir. A propriedade urbana para atender à sua função social, deve condicionar-se ao plano diretor, e caso não sejam atendidas estas diretrizes, pode a municipalidade impor o parcelamento ou edificação compulsória do solo e até mesmo, promover desapropriação (art. 182, § 4º CF). A CF permite no caso de eminente perigo público, a autoridade poderá usar a propriedade particular, assegurada a indenização ulterior, no caso de dano ( art. 5º XXV) conhecido co REQUISIÇÃO. INTERVENÇÃO: função social da propriedade e a prevalência do interesse público COMPETÊNCIA: a competência para legislar sobre o direito de propriedade, desapropriação e requisição é PRIVATIVA DA UNIÃO (CF art, 22, I, II e III). É competência tipicamente legislativa, diz respeito à regulação da matéria, e não deve ser confundida com a competência administrativa, que impões restrições e condicionamento ao uso da propriedade, e deve ser repartida entre todos os entes federativos. Exemplo: edição de uma lei que estabeleça as hipóteses de requisição administrativa da propriedade é de competência da União, porém, diante de uma calamidade, cabe ao Município requisitar, por ato próprio a propriedade privada. MODOS DE INTERVENÇÃO Existem intervenções em que o Estado se limita a impor restrições e condicionamentos ao uso da propriedade, sem retirá-la de seu dono (intervenção restritiva) e outras em que transfere coercitivamente para si a propriedade de terceiro (intervenção suspensiva) como a desapropriação : SERVIDÃO ADMINISTRATIVA É o direito real público que autoriza o poder Público a usar a propriedade imóvel para permitir a execução de obras e serviços de interesse coletivo Nada impede que, em situações especiais, possa incidir sobre bem público Não pode ser confundida com a servidão privada art. 1378 a 1389 CC EX: instalação de rede elétrica, rede telefônica e implantação de gasoduto e oleoduto, placa com nome de rua em prédio privado Base legal art. 40 Dec. Lei 3365/41. Instituição: acordo administrativo por escritura pública ou sentença judicial em ação promovida pelo poder Público em face do particular, ou mesmo a instalação pelo poder público, sem acordo com o particular e este ajuizamento de ação em face daquele, visando ser reconhecida a servidão para futura indenização. O seu efeito é erga omnes Indenização: ela se dará pelos danos ou prejuízos que o uso dessa propriedade pelo Poder Público efetivamente causar no imóvel; o ônus da prova cabe ao proprietário. Extinção: é em princípio permanente, mas poderão ocorrer fatos supervenientes que acarretem a extinção da servidão, tais como desaparecimento do bem, incorporação do bem, desinteresse superveniente do estado. Características: a) natureza jurídica de direito real b) incide sobre bem imóvel c) tem caráter de definitividade d) a indenização é prévia e condicionada ao prejuízo comprovado e) inexistência de auto-executoriedade só se constitui mediante acordo ou sentença judicial.. REQUISIÇÃO: Instrumento mediante o qual, em situação de perigo público iminente, o Estado utiliza- se de bens móveis, imóveis ou serviços de particulares com indenização ulterior se houver dano. (art. 5º XXV). A requisição pode ser civil ou militar Instituição e extinção: mediante o perigo iminente, é decretada de imediato sem autorização judicial, sendo ato administrativo auto executório. Como é de natureza transitória, a extinção dar-se-á tão logo desapareça operigo. Características: a) direito pessoal b) pressuposto é perigo público eminente c) bens móveis imóveis e serviços d) transitoriedade e) indenização somente se houver dano OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA Poder Público usa transitoriamente imóveis privados, como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos. Ocorre quando a administração tem necessidade de ocupar terreno privado como depósito de equipamentos e materiais destinados à realização de obras e serviços públicos na vizinhança. Ocorre também em eleições e campanhas de vacinação Características: a) cuida-se de direito caráter não real b) só incide sobre bens imóveis c) tem caráter de transitoriedade d) situação constitutiva – necessidade de realização de obra e) indenização varia de acordo com a modalidade de ocupação temporária, com a prova do prejuízo LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS São determinações de caráter geral, por meio das quais o poder público impõem a proprietários indeterminados, obrigações positivas, negativas ou permissivas, para o fim de condicionar as propriedades ao atendimento da função social. Derivam do poder de polícia da administração Ex: recuo em alguns metros na construções em terrenos urbanos, proibição de desmatamento de parte de área de floresta, limpeza de terrenos Características a) são atos legislativos ou administrativos de caráter geral b) tem caráter de definitividade c) vinculado a interesses públicos abstratos d) ausência de indenização TOMBAMENTO ART. 216 § 1º CF Espécies: voluntário compulsório, provisório ou definitivo Instituição: art. 24 VII; art. 30 II e IX CF Ofício art. 5º Dec. Lei 25/37 – incide em bens públicos – delibera apenas órgão conservacionista. Voluntário e compulsório art. 6º Dec. Lei 25/37 – bens particulares voluntário – se o proprietário pedir ou anuir // Compulsório – impugnação B - Quanto à eficácia – provisório (quando somente iniciado) e definitivo (quando iniciado e terminado) C – Quanto aos destinatários – individual (determinado bem) ou geral (todos bens de determinada área) PROCESSO ADMINISTRATIVO –Deve ser observado princípio do devido processo legal e contraditório. Tombamento pode ser cancelado – Dec. Lei 3866/41 EFEITOS – capítulo nº III, do Decreto-lei nº 25/37 DEVER DE INDENIZAR – Tombamento em si não gera direito a indenização – obrigatoriedade de manter imóvel sob certas consdiçoes não gera ônus (desculpa do ente público). O que pode ser indenizável é o prejuízo gerado pela necessidade de se conservar tal bem. Dever de indenizar só emerge na hipótese da restriçao causar prejuízo concreto. Dec. Fed. 3551/2000 PROMOÇAO POR VIA JUDICIAL – Lei 7347/85 Açao civil Pública – fiscalização ainda permanece a cargo do poder executivo INSTRUMENTOS DE DEFESA DE REPRESSAO – Administrativos - multa – caráter preventivo e desestimulante – arrecadação gera verbas para reparos. Destruição da Obra e Remoção do Objeto. Judiciais: Ação popular Ação civil pública art. 1º Lei 7347/85 (responsabilidade civil objetiva em reparar) Ação penal pública art. 26 9605/98 (revogou art. 165/166 do CP). DESAPROPRIAÇÃO Conceito: Desapropriação é o ato pelo qual o Poder Público, mediante prévio procedimento e indenização justa, em razão de uma necessidade ou utilidade pública, ou ainda diante do interesse social, despoja alguém de sua propriedade e a toma para si mediante indenização prévia, justa e pagável em dinheiro, salvo no caso de certos imóveis urbanos ou rurais, em que, por estarem em desacordo com a função social legalmente caracterizada para eles, a indenização far-se-á em títulos da dívida pública, resgatáveis em parcelas anuais e sucessivas, preservado seu valor real. Da leitura deste conceito, é possívelauferir características importantes sobre o instituto da desapropriação, tais como seus sujeitos, pressupostos e objeto, os quais serão analisados no decorrer deste artigo. 2 Objeto: Podem ser objeto de desapropriação as coisas passíveis de direito de propriedade, ou seja, todo bem móvel ou imóvel, público ou privado, corpóreo ou incorpóreo, incluindo-se aqui até mesmo direitos em geral, com exceção aos personalíssimos. Por outro lado, não são passíveis de desapropriação o dinheiro ou moeda corrente nacional, excluindo-se aqui o dinheiro proveniente do estrangeiro, bem como moedas raras. 3 Sujeitos: A nossa Constituição Federal determina quem é competente para efetuar a desapropriação. Segundo enuncia, somente a União possui competência para legislar sobre o assunto (art. 22, II, CF), dividindo-se a competência ainda quanto aos entes capazes de declararem a utilidade pública ou o interesse social de um bem para fins de expropriação; e os entes responsáveis pela efetiva desapropriação deste bem, ou seja, por praticar os atos concretos para realizá-la. Pode figurar no pólo ativo da desapropriação o Poder Público, sendo possível a delegação de sua competência, com exceção quanto à produção do ato expropriatório. Já no pólo passivo, denominado de expropriado, encontra-se, geralmente, o particular, proprietário do bem ou direito objeto da desapropriação. Todavia, a lei enuncia que as pessoas jurídicas de direito público também podem ser sujeitos passivos, visto que é possível a desapropriação de bem público (art. 2º, parágrafo 2º, decreto-lei 3.365/41). Entretanto, deve-se ter em mente sempre a autonomia dos entes federativos, sendo necessário lei que o autorize. Portanto, o expropriado poderá ser pessoa física ou jurídica, pública ou privada. 4 Pressupostos: A necessidade pública: aquela ocasião em que surge um problema inadiável e premente, para o qual a solução indispensável seria incorporar ao domínio público o bem do particular. A utilidade pública: utilização da propriedade for considerada conveniente e vantajosa ao interesse público, não constituindo um imperativo irremovível Interesse social; e se encontram previstos no artigo 5º, inciso XXIV da Constituição Federal. Também deve ser considerada como requisito a necessidade do pagamento de justa indenização, nos termos contidos em lei. 5 Procedimento: O procedimento da desapropriação é dividido em duas fases. A primeira, denominada declaratória - declaração de utilidade pública ou interesse social. A segunda fase, chamada executória, - providências no plano concreto para a efetivação da manifestação de vontade relativa à primeira fase, podendo ser subdivida em administrativa (quando o Poder Público e o expropriado acordam quanto à indenização e o ato da expropriação) e judicial (quando a Administração entrar com Ação Expropriatória perante o Poder Judiciário). Primeiro ato - declaração expropriatória, justificando a utilidade pública ou o interesse social na desapropriação do bem. Esta declaração pode ser feita pelo Poder Executivo, através de decreto, ou Legislativo, por meio de lei, sendo necessário que o Executivo tome as medidas necessárias relativas à efetivação da desapropriação. Frise-se que a autorização legal é requisito indispensável nos casos de desapropriação de bens públicos. A declaração deve conter: o responsável pela desapropriação, a descrição do bem, a declaração de utilidade pública ou interesse social, a destinação a que se pretende dar ao bem, o fundamento legal, bem como os recursos orçamentários destinados à desapropriação. Essa declaração, uma vez expedida, poderá produzir os efeitos de: a) submeter o bem à força expropriatória do Estado; b) fixar o estado do bem, isto é, de suas condições, melhoramentos, benfeitorias existentes; c) conferir ao Poder Público o direito de penetrar no bem a fim de fazer verificações e medições, desde que as autoridades administrativas atuem com moderação e sem excesso de poder; d) dar início ao prazo de caducidade da declaração cinco anos, nos casos de desapropriação por necessidade ou utilidade pública, e dois anos, se fundada no interesse social. Todavia, vale lembrar, que a caducidade não extingue o poder de desapropriar o bem em questão, visto que a declaração pode ser renovada após um ano contado da data em que caducou a última declaração (art. 10, decreto-lei 3.365). É importante salientar também que esta declaração não possui o condão de transferir a posse do bem ao poder público de forma imediata, significando apenas que a administração não precisa de título judicial para subjugar o bem. Outro ponto que merece destaque quanto aos efeitos da declaração, é que ainda que ela autorize o Poder Público a penetrar no imóvel, tendo em vista o princípio da inviolabilidade dos domicílios, é necessário o consentimento do proprietário ou autorização judicial para tanto. Após a expedição da declaração terá início a fase executória, que poderá ser administrativa ou judicial. Em havendo acordo entre expropriante e expropriado quanto aos valores da indenização, deverão ser obedecidas as mesmas formalidades da compra e venda, encerrando-se o ato, nos casos de bens imóveis, com o respectivo registro no Registro de Imóveis. Quando o Poder Público desconhecer o proprietário do imóvel, deverá propor ação de desapropriação perante o Poder Judiciário. Na hipótese de inexistir acordo entre as partes, o Poder Público deverá recorrer ao Judiciário, observando- se o disposto nos artigos 11 a 30 do Decreto-lei nº 3.365/41. Lembre-se que cabe ao Magistrado apenas decidir a questão relativa aos valores da indenização, sendo defesa a análise da existência de utilidade pública ou interesse coletivo, tendo em vista se tratar de um ato administrativo, não sendo cabível a intervenção de uma esfera de poder em outra, salvo hipóteses de ilegalidade. 6 Imissão Provisória na Posse: O artigo 15 do decreto-lei nº 3.365/41 abre a possibilidade do Poder Público requerer ao juiz a imissão provisória na posse, ainda no início da lide, mas esta só será concedida se for verificada urgência e depositado em juízo valor fixado segundo critério previsto em lei, em favor do proprietário. 7 Indenização: O direito de indenização está protegido pela nossa Constituição Federal, que determina que ela seja prévia, justa e em dinheiro, salvo a hipótese descrita nos artigos 182, §4º, III e 184, do mesmo diploma. O cálculo do quantum a ser indenizado deve levar em consideração aspectos como: a) o valor do bem expropriado, incluindo-se aqui as benfeitorias que já existiam no imóvel antes do ato expropriatório; b) lucros cessantes e danos emergentes; c) juros compensatórios, merecendo destaque aqui as súmulas 164 e 618 do Supremo Tribunal Federal; e a nº 69, proferida pelo Superior Tribunal de Justiça; d) juros moratórios; e) honorários advocatícios; f) custas e despesas processuais; g) correção monetária e h) despesas relativas ao desmonte e transporte de mecanismos instalados e em funcionamento (art. 25, parágrafo único do mesmo decreto-lei). ESTATUTO DA CIDADE Lei 10.257/2001 ATUAÇÃO DO ESTADO NO DOMÍNIO ECONÔMICO Art. 173 CF Atribui ao Estado as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, determinante para o setor público e indicativo para o privado. Competência União Modalidades a) monopólio, repressão ao abuso do poder econômico (cartel truste e dumping), controle de abastecimento, Tabelamento de preços, Criação de estatais ESPÉCIES DE INTERVENÇÃO ESTATAL NA PROPRIEDADE PRIVADA: a) Intervenção Restritiva – aquela em que o Estado impõe restrições e condicionamentos ao uso da propriedade, sem retirá-la do seu dono. Este não poderá utilizá-la a seu exclusivo critério, devendo subordinar-se às imposições emanadas pelo Poder Público. São tipos de intervenção restritiva: Servidãoadministrativa – implica a instituição de direito real de natureza pública, impondo ao proprietário a obrigação de suportar um ônus parcial sobre o imóvel de sua propriedade, em benefício de um serviço público ou de um bem afetado a um serviço público. Afeta a exclusividade do direito de propriedade e, excepcionalmente, o caráter absoluto da propriedade, quando implica obrigação de não fazer. Acarreta gravame maior que a ocupação temporária porque tem caráter perpétuo. Requisição de Imóveis – assim como a ocupação temporária, impõem ao proprietário a obrigação de suportar a utilização temporária do imóvel pelo Poder Público, para a realização de obras ou serviços de interesse coletivo. Afetam a exclusividade do direito de propriedade. Ocupação temporária; Limitações administrativas – impõem obrigações de caráter geral a proprietários indeterminados, em benefício do interesse público, afetando o caráter absoluto da propriedade, ou seja, o atributo pelo qual o titular tem o poder de usar, gozar e dispor da coisa da maneira que melhor lhe aprouver. Tombamento – implica limitação perpétua ao direito de propriedade em benefício do interesse coletivo, afetando o caráter absoluto da propriedade, acarretando ônus maior que as limitações administrativas, porque incide sobre imóvel determinado. Edificação e Parcelamento Compulsórios – impostos ao proprietário que não utiliza adequadamente a sua propriedade. Ferem o caráter absoluto e perpétuo do direito de propriedade. b) Intervenção Supressiva – aquela em que o Estado, valendo-se de seu poder de império, transfere coercitivamente para si a propriedade de terceiro, em razão de um interesse público. São tipos de intervenção supressiva: Desapropriação e Requisição de bens móveis e fungíveis – atingem a faculdade que o proprietário tem de dispor da coisa segundo a sua vontade. Implicam a transferência compulsória, mediante indenização, para satisfazer interesse público; afetam o caráter perpétuo e irrevogável da propriedade. ANÁLISE DE CADA ESPÉCIE DE INTERVENÇÃO: 1) SERVIDÃO ADMINISTRATIVA: São elementos da servidão: a natureza de direito real sobre coisa alheia; a situação de sujeição da coisa serviente (res serviens) em relação à coisa dominante (res dominans-bem afetado a fim de utilidade pública ou a determinado serviço público); o conteúdo da servidão é sempre uma utilidade inerente à coisa serviente. Princípios aplicáveis á servidão administrativa – o da perpetuidade; o de que a servidão não se presume; o da indivisibilidade; do uso moderado; o de que a servidão não se institui sobre coisa própria. Fundamento – a supremacia do interesse público sobre o particular. É essencial ao conceito de servidão administrativa a presença de dois elementos: a coisa serviente e a coisa dominante, a primeira prestando utilidade à segunda. Conceito - Servidão administrativa é direito real de gozo, de natureza pública, instituído sobre imóvel de propriedade alheia, com base em lei, por entidade pública ou por seus delegados, em favor de um serviço público ou de um bem afetado a fim de utilidade pública. Segundo CABM: é direito real que sujeita um bem a suportar uma utilidade pública, por força da qual ficam afetados parcialmente os poderes do proprietário quanto ao seu uso e gozo. Esse autor entende ser o tombamento uma forma de servidão, assim como a passagem de fios elétricos pelos imóveis particulares. CABM, no tocante ao tombamento, defende sua natureza de servidão por considerá-lo uma intervenção administrativa na propriedade, destinada a proteger o patrimônio histórico e artístico nacional, pela qual os poderes inerentes ao titular ficam parcialmente elididos, vez que, apesar de poder usar e gozar do bem, não poderá alterá-lo e terá o dever de conservá-lo naquelas condições. CABM entende também que a declaração de que uma determinada área particular é reserva florestal seria caso de servidão e não limitação administrativa (nesse ponto há grande divergência na doutrina, mas entendo prevalecer a tese contrária). Não se confunde com a servidão civil, que é imposta no interesse do particular, nem com a limitação administrativa, que é uma restrição pessoal, imposta genericamente a diversos bens. Ressalte-se que na servidão estamos diante de um ônus de direito real, que impõe ao particular uma obrigação de suportar; já nas limitações administrativas tem-se uma obrigação de não fazer. Forma de Constituição das Servidões - a instituição da servidão administrativa decorre diretamente de lei, independendo a sua constituição de qualquer ato jurídico, unilateral ou bilateral (ex: servidão às margens dos aeroportos); por acordo, precedida sempre de ato declaratório da servidão, à semelhança do decreto de utilidade pública para desapropriação, sendo que a própria lei geral de desapropriação - Decreto-Lei 3.365/41, admite a constituição de servidões "mediante indenização na forma desta lei" (art. 40); por sentença judicial, quando não haja acordo ou quando sejam adquiridas por usucapião. As que decorrem diretamente da lei dispensam o registro perante o Registro de Imóveis, porque o ônus real se constitui no momento em que a lei é promulgada ou, posteriormente quando algum fato coloque o imóvel na situação descrita na lei. Nas demais hipóteses, a inscrição torna-se indispensável, pois tanto o contrato como a sentença fazem lei entre as partes apenas e para que se tornem oponíveis erga omnes precisam ser registradas. É de se ressaltar o teor da Súmula 145 do STF que dispõe que “servidão de trânsito não titulada, mas tornada permanente, sobretudo pela natureza das obras realizadas, considera-se aparente, conferindo direito à proteção possessória”. Modalidades de Servidão Adm. Decorrentes diretamente da lei: a) Servidão sobre terrenos marginais aos rios navegáveis – destina-se ao aproveitamento industrial das águas e da energia hidráulica, bem como à utilização da navegação do rio. b) Servidão a favor das fontes de água mineral, termal ou gasosa e dos recursos hídricos – instituída pelo Código de Águas Minerais – pode ser assinalado por decreto um perímetro de proteção, sujeito a modificações posteriores se novas circunstâncias o exigirem. Ex: Fontes de água mineral de São Lourenço/MG. c) Servidão sobre prédios vizinhos de obras ou imóvel pertencente ao patrimônio histórico e artístico nacional – art. 18 do Dec-lei 25/37 – proíbe que, sem autorização do IPHAN, se faça, na vizinhança da coisa tombada, construção que lhe impeça ou reduza a visibilidade, bem como que se coloquem cartazes ou anúncios, sob pena de multa. d) Servidão em torno de aeródromos e heliportos – refere-se ao aproveitamento das propriedades quanto a edificações, culturas agrícolas e objetos de natureza permanente ou temporária, que possam embaraçar as manobras de aeronaves ou causar interferência nos sinais de auxílio à radionavegação ou dificultar a visibilidade de auxílios visuais. Cabe indenização quando as restrições impuserem demolição ou impedirem construções de qualquer natureza. e) Servidão militar – o decreto-lei 3437/41 fixou restrições em torno das fortificações, como, por exemplo, a construção civil ou pública. Modalidades de Servidões Administrativas que podem ser instituídas por acordo, sentença judicial ou leis esparsas: a) Servidão de Aqueduto – confere ao seu titular o direito de canalizar águas pelo prédio de outrem. Prevista no art. 567 CC. O Código das Águas previu tb a servidão adm. Pela possibilidade de constituição de aqueduto para aproveitamento das águas, no interesse público, por meio de concessão por utilidade pública. Nesse caso, a servidão será decretada pelo Governo e será de direito público: o titular é a empresa concessionária de serviço público; o beneficiário é o público em geral. Sua constituiçãodepende de decreto governamental. A indenização será devida SE da servidão resultar diminuição do rendimento da propriedade ou redução da sua área. b) Servidão de Energia Elétrica – o Código de Águas, em seu art. 151, estabelece para o concessionário de energia elétrica, determinados privilégios, dentre os quais, na alínea c, o de estabelecer servidões permanentes ou temporárias exigidas para as obras hidráulicas e para o transporte e distribuição de energia elétrica. Há a expedição de um decreto do Poder Executivo, que declara as áreas abrangentes da servidão de utilidade pública; há a confecção de escritura pública, onde se estipula os direitos e obrigações de cada parte, sendo que medidas judiciais podem ser adotadas visando ao reconhecimento da servidão, como o processo de desapropriação previsto no art. 40 do Dec-lei 3365/41. Os proprietários dos prédios servientes serão indenizados, tendo a justa reparação dos prejuízos causados pelo uso público e pelas restrições estabelecidas ao seu gozo. OBS: A transitoriedade da ocupação temporária a distingue da servidão, que é permanente. Extinção das Servidões - As servidões administrativas são perpétuas no sentido de que perduram enquanto subsiste a necessidade do Poder Público e a utilidade do prédio serviente; são imprescritíveis, como os demais bens públicos, não se extinguindo pelo não uso. Cessada a necessidade ou a utilidade, extingue-se a servidão. Se a coisa dominante perder a sua função pública, a servidão desaparece. Também são causas extintivas da servidão: a perda da coisa gravada; a transformação da coisa por fato que a torne incompatível com o seu destino; a desafetação da coisa dominante ou se ela for afetada a fim diverso para o qual não seja necessária a servidão. Reunião das coisas serviente e dominante no domínio de um só titular - incorporação do imóvel serviente ao patrimônio público (consolidação). OBS: Quanto à prescrição, a maioria da doutrina entende que a servidão administrativa não se extingue pelo não uso, pela mesma razão de que ninguém pode adquirir bens do domínio público por usucapião. O direito real de natureza pública é coisa fora do comércio. Direito à Indenização – não cabe indenização quando a servidão decorre diretamente da lei, porque o sacrifício é imposto a uma coletividade de imóveis que se encontram na mesma situação. Quando a servidão decorre de contrato ou decisão judicial, incidindo sobre imóveis determinados, a regra é a indenização, porque seus proprietários estão sofrendo prejuízos em benefício da coletividade. A indenização será calculada em cada caso concreto para que se demonstre o prejuízo efetivo; se este não existiu, não há o que indenizar. OBS: Não é necessário desapropriar para instituir servidão. A indenização há que corresponder ao efetivo prejuízo causado ao imóvel, segundo sua normal destinação. Se a servidão não prejudica a utilização do bem, nada há que indenizar; se a prejudica, o pagamento deverá corresponder ao efetivo prejuízo, chegando mesmo a transformar-se em desapropriação indireta, com a indenização total da propriedade, se a inutilizou para sua exploração econômica normal. 2) REQUISIÇÃO ADMINISTRATIVA: Pode apresentar-se sob diferentes modalidades, ora incidindo sobre bens, móveis ou imóveis, ora sobre serviços. Justifica-se em tempo de paz e de guerra. A atual Constituição prevê a competência da União para legislar sobre requisição civil ou militar, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra (art. 22, III). Requisição da propriedade privada é utilização coativa de bens ou serviços particulares pelo Poder Público por ato de execução imediata e direta da autoridade requisitante com indenização ulterior, para atendimento de necessidades coletivas urgentes e transitórias. Caracteriza-se por ser procedimento unilateral e auto-executório, pois independe da aquiescência do particular e da prévia intervenção do Poder Judiciário; é também oneroso, porque dá direito á indenização a posteriori. Mesmo em tempo de paz, só se justifica em caso de perigo público iminente. Na lição de CAMB: requisição é o ato pelo qual o Estado, em proveito de um interesse público, constitui alguém, de modo unilateral e auto- executório, na obrigação de prestar-lhe um serviço ou ceder-lhe transitoriamente o uso de uma coisa in natura, obrigando-se a indenizar os prejuízos que tal medida efetivamente acarretar ao obrigado. A requisição civil visa evitar danos à vida, à saúde e aos bens da coletividade; a requisição militar objetiva o resguardo da segurança interna e a manutenção da soberania nacional. Ambas são cabíveis em tempo de paz, independentemente de qualquer regulamentação legal, desde que se apresente uma real situação de perigo público iminente. Em tempos de guerra, as requisições (civis e militares) devem atender aos preceitos da lei federal específica (art. 22, III, CF). É ato de império do Poder Público, discricionário quanto ao objeto e à oportunidade da medida, mas condicionado tanto à existência do perigo público iminente e vinculado à lei quanto à competência da autoridade requisitante, à finalidade do ato e ao procedimento adotado. Esses 4 últimos aspectos são passíveis de apreciação judicial, inclusive para fixação do justo valor da indenização. Pode abranger bens móveis, imóveis e serviços. Tem natureza de direito pessoal. Difere da desapropriação, sobretudo, por ser a requisição relativa a bens e serviços, decorrente de situação transitória, auto-executável (na desapropriação há necessidade de acordo ou de procedimento judicial), supõe necessidade premente e pode ser indenizada a posteriori, se verificado prejuízo para particular (# da desapropriação, que impõe a indenização prévia e autorização do Poder Judiciário para imitir-se na posse do imóvel). Pode-se conceituar a requisição como ato administrativo unilateral, auto-executório e oneroso, consistente na utilização de bens ou de serviços particulares pela Administração, para atender a necessidades coletivas em tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente. 3) OCUPAÇÃO TEMPORÁRIA: Forma de limitação do Estado à propriedade privada que se caracteriza pela utilização transitória, gratuita ou remunerada, de imóvel de propriedade particular, para fins de interesse público. É a utilização transitória, remunerada ou gratuita, de bens particulares pelo Poder Público, para a execução de obras, serviços ou atividades públicas ou de interesse público (art. 5o, XXV, CF). Seu fundamento é, normalmente, a necessidade de local para depósito de equipamentos e materiais destinados à realização de obras e serviços públicos nas vizinhanças da propriedade particular. Para José S Carvalho Filho, seria a forma de intervenção pela qual o Poder Público usa transitoriamente imóveis privados, como meio de apoio à execução de obras e serviços públicos. Incidiria sobre terrenos não- edificados. Há situações em que a denominação ocupação temporária é utilizada erroneamente, sendo caso de requisição, como a hipótese prevista na CF, quando presente o estado de perigo público (art. 5, XXV). (entendimento do JSCarvalho Filho). Não admite demolições ou alterações prejudiciais à propriedade particular utilizada, permite apenas seu uso momentâneo e inofensivo, compatível com a natureza e destinação do bem ocupado. A ocupação temporária e coativa de terrenos não edificados está prevista, mediante remuneração, no art. 36 do Decreto-Lei 3.365/41, que dispõe que “a ocupação temporária, que será indenizada, afinal, por ação própria, de terrenos não-edificados, vizinhos ás obras e necessários à sua realização. O expropriante prestará caução, quando exigida.” Nesse caso, constitui instituto complementar á desapropriação, com os seguintes requisitos: a) realizaçãode obras públicas; b) necessidade de ocupação de terrenos vizinhos; c) inexistência de edificação no terreno ocupado; d) obrigatoriedade de indenização; e) prestação de caução prévia, quando exigida. A ocupação provisória foi estendida especificamente aos imóveis necessários à pesquisa e lavra do petróleo e de minérios nucleares, visando, assim, obviar os inconvenientes da desapropriação inicial de áreas a serem pesquisadas e que, se infrutíferas, tornam-se ociosas no domínio do expropriante, além de agravar as indenizações e de despojar inutilmente seus antigos proprietários. Não se confunde com as limitações administrativas em sentido estrito, pois essas não implicam a utilização do imóvel por parte de terceiros, ou seja, na ocupação temporária está presente a faculdade de uso do bem pelo Poder Público, o que afeta a exclusividade do direito de propriedade. Aproxima-se da servidão administrativa por afetar a exclusividade do direito de propriedade, mas difere dessa por ter caráter transitório. Também não se confunde com a desapropriação, porque, ao contrário desta, não implica perda da propriedade pelo particular. 4) LIMITAÇÕES ADMINISTRATIVAS: São formas de restrição ao domínio privado exercidas pela Administração Pública por meio do poder de polícia e fundadas na supremacia do interesse público sobre o particular, bem como na função social da propriedade. Decorrem de normas gerais e abstratas, que se dirigem a propriedades indeterminadas, com o fim de satisfazer interesses coletivos abstratamente considerados. Se a utilidade pública estiver corporificada na função de uma coisa, ter-se-á servidão, e não simples limitação. Consoante Celso Antônio Bandeira de Melo, “se a propriedade é afetada por uma disposição genérica e abstrata, pode ou não ser caso de servidão. Será limitação e não servidão se impuser apenas um dever de abstenção: um non facere. Será servidão se impuser uma obrigação de suportar. A diferença está em que, na limitação administrativa, a obrigação de não fazer é imposta em benefício do interesse público genérico, abstratamente considerado, enquanto na servidão ela é imposta em proveito de determinado bem afetado a fim de utilidade pública. A coisa dominante, inexistente na limitação administrativa, distingue os dois institutos. Traços característicos, segundo MSZPietro: a) impõem obrigações de não fazer ou de deixar de fazer; b) visando conciliar os interesses públicos e privados, só vão até onde exija a necessidade administrativa; c) sendo condições inerentes ao direito de propriedade, não geram direito à indenização (a indenização só é cabível quando o proprietário se vê privado, em favor do Estado ou do público em geral, de alguns ou de todos os poderes inerentes ao domínio, como ocorre, respectivamente, na servidão administrativa e na desapropriação). O Estado age imperativamente, na qualidade de Poder Público, e somente poderá sofrer obstáculos, quando a Administração aja com abuso de poder, extravasando os limites legais. Nesse caso, cabe ao particular opor-se à limitação estatal e pleitear a indenização pelos prejuízos dela decorrentes. d) decorrem de normas gerais e abstratas, que se dirigem a propriedades indeterminadas, com o fim de satisfazer interesses coletivos abstratamente considerados (se for com objetivo específico, função específica, teremos uma servidão). Alguns autores diferenciam a servidão das limitações administrativas, dizendo que na primeira está-se diante de uma obrigação de suportar, enquanto nessas tem-se um non facere. Mas, esse critério não é absoluto, comportando exceções (servidão administrativa de não construir acima de determinada altura ao redor de aeroportos). Sendo medidas impostas pelo poder de polícia do Estado, na busca do bem estar social, não cabe ao particular qualquer questionamento administrativo ou judicial visando impedir a sua incidência, salvo comprovado abuso ou desproporcionalidade da medida. As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de polícia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar geral. 5) TOMBAMENTO: É forma de intervenção na propriedade pelo qual o Poder Público procura proteger o patrimônio cultural brasileiro, material ou imaterial. O vocábulo tombamento é de origem antiga e provém do verbo tombar que, no direito português, significa inventariar, registrar. O tombamento é sempre uma restrição parcial – se acarretar a impossibilidade total de exercício dos poderes inerentes ao domínio, será ilegal e implicará desapropriação indireta, dando direito á indenização integral pelos prejuízos sofridos. Além do tombamento, a CF prevê tb a ação popular e a ação civil pública, como isntrumentos de proteção do patrimônio público. Entende-se que não há necessidade de prévio tombamento dos bens para a propositura das referidas ações. Pode ser definido como sendo o procedimento administrativo (que se realiza por uma sucessão de atos preparatórios até se chegar ao ato final que é a inscrição no Livro do Tombo) pelo qual o poder público sujeita a restrições parciais os bens de qualquer natureza cuja conservação seja de interesse público, por sua vinculação a fatos memoráveis da história ou por seu excepcional valor arqueológico ou etnológico, biográfico ou artístico. Pode atingir bens de qualquer natureza, móveis, imóveis, materiais, imateriais, públicos ou privados. O bem, ainda que pertencente a particular, passa a ser considerado bem de interesse público. Por ser sempre uma restrição parcial, não gera, EM REGRA, direito à indenização. Para gerar indenização, deverá o particular demonstrar que sofreu algum prejuízo em decorrência do tombamento. Constituem modalidades de tombamento: a)Quanto à constituição ou procedimento: de ofício, voluntário ou compulsório: Pelo Decreto-lei 25/37, o tombamento distingue-se conforme atinja bens públicos ou particulares. Quanto atinge bens públicos, tem-se o tombamento de ofício (art. 5º) que se processa mediante simples notificação à autoridade a quem pertence ou sob cuja guarda estiver; com a notificação, a medida começa a produzir efeitos. O tombamento que tem por objeto bens particulares pode ser voluntário (art. 7º - o proprietário pede o tombamento, e este se dará caso a coisa se revista dos requisitos necessários para constituir parte integrante do patrimônio histórico e artístico nacional, a juízo do órgão técnico competente OU o proprietário anuir, por escrito, à notificação que se lhe fizer para a inscrição da coisa em qualquer dos Livros do Tombo) ou compulsório (arts. 8º e 9º - feito por iniciativa do poder público, mesmo contra a vontade do proprietário). b)Quanto à eficácia: provisório ou definitivo: O tombamento provisório, que se verifica com a simples notificação do proprietário do bem, produz os mesmos efeitos que o definitivo, salvo quanto á transcrição no Registro de Imóveis, somente exigível para esse último (art. 10, PU do Decreto-lei 25). c) Quanto aos destinatários: geral ou individual: O tombamento individual atinge um bem determinado e o geral atinge os bens situados em um bairro, cidade ou região. Procedimento – em qualquer modalidade de tombamento, deve haver a manifestação de órgão técnico que, na esfera federal, é o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), que é uma autarquia. No caso de bem público, após a manifestação do órgão técnico, a autoridade administrativa determina a inscrição do bem no Livro do Tombo, notificando a pessoa jurídica de direito público titular do bem ou que o tenha sob sua guarda. No caso de bem particular, em se tratando de tombamento voluntário requeridopelo proprietário, será tb ouvido o órgão técnico e, caso haja o preenchimento dos requisitos, será determinada a inscrição do bem no livro do tombo e a transcrição no Registro de Imóveis, desde que se trate de bem imóvel. No caso de procedimento de iniciativa do Poder Público, observará as seguintes fases: a) Manifestação do órgão técnico; b) Notificação ao proprietário para manifestar-se em 15 dias, podendo, se quiser, oferecer impugnação; c) Se o proprietário não impugnar o tombamento ou anuir a ele, tem-se o tombamento voluntário, com a inscrição no Livro do Tombo; d) Havendo impugnação – concessão de prazo de 15 dias ao órgão que tiver tido a iniciativa do tombamento para sustentar suas razões; e) Decisão proferida pelo IPHAN, no prazo de 60 dias, com a inscrição no Livro do Tombo, se a decisão for favorável, ou o arquivamento do processo, se desfavorável. f) O tombamento somente se torna definitivo com a inscrição em um dos livros do Tombo, que, na esfera federal, compreende: o Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; o Livro do Tombo das Belas Artes; o Livro do Tombo das Artes Aplicadas; o Livro do Tombo Histórico. Embora o procedimento se encerre com inscrição no Livro do Tombo, a lei exige que, em se tratando de imóveis, se faça a transcrição no Registro de Imóveis, averbando-se o tombamento ao lado da inscrição do domínio. A transcrição no Registro de Imóveis não integra o procedimento, pois mesmo sem ela o tombamento produz os efeitos jurídicos para o proprietário. A falta de registro impede apenas as entidades públicas de exercerem o direito de preferência para aquisição do bem tombado (art. 25 do Decreto- lei). É possível o cancelamento do tombamento por motivos de interesse público. Efeitos do Tombamento - o instituto do tombamento produz efeitos quanto à alienação dos bens, transformações, deslocamentos, conservação, fiscalização e quanto aos imóveis vizinhos. O proprietário do bem tombado fica sujeito as seguintes obrigações: fazer obras de conservação ou, se não tiver meios, comunicar ao órgão competente; garantir o direito de preferência à União, Estados e Municípios, nesta ordem sob pena de nulidade do ato, seqüestro do bem e multa de 20% do valor do bem a que ficam sujeitos o alienante e o adquirente; não destruir, demolir ou mutilar os objetos tombados, salvo se autorizados; restaurá-las, pintá-las; obrigação de suportar a fiscalização pelo órgão técnico competente. Tb não pode, em se tratando de bens moveis, retira-las do país, senão por curto prazo, para fins de intercâmbio. As punições serão determinadas pelo Poder Judiciário. Se o bem tombado for público, será inalienável, ressalvada a possibilidade de transferência entre União, Estados e Municípios. Os proprietários dos prédios vizinhos também sofrem as conseqüências do tombamento, pois não poderão fazer obras/construções que impeçam ou reduzam a visibilidade da coisa tombada, nem mesmo colocar cartazes ou anúncios, sob pena de multa de 50% do valor do objeto. Na verdade, nesse caso estaríamos diante de uma servidão em que dominante é a coisa tombada e serviente os prédios vizinhos. Não basta que a construção esteja na vizinhança da coisa tombada é necessário que a mesma impeça ou reduza a visibilidade. A servidão surge no ato de tombamento, independente da inscrição no Registro de imóveis. Já o IPHAN ou órgão que efetue a fiscalização tem as seguintes obrigações: reformar o bem, caso não seja possível para o proprietário realizá-lo ou requerer a sua desapropriação; exercer vigilância sobre os bens tombados; providenciar, em se tratando de bens particulares, a inscrição do tombamento no registro de imóveis. Natureza Jurídica do Tombamento - quanto à natureza jurídica do tombamento, dois aspectos merecem ser abordados: a) se é ato administrativo discricionário ou vinculado; b)se constitui servidão administrativa ou limitação administrativa à propriedade privada. a) Segundo MSZPietro, trata-se de ato discricionário – entretanto, a recusa em faze-lo deverá ser motivada sob pena de transformar-se a discricionariedade em arbítrio que afronta a própria Constituição, na parte em que protege os bens de interesse público. b) Para CABM e outros, seria modalidade de servidão administrativa porque incide sobre imóvel determinado, causando a seu proprietário ônus maior do que os sofrido pelos demais membros da sociedade. Já MSZPietro e outros autores entendem que, apesar do tombamento depender de ato que individualize o bem tombado ( inscrição no livro do Tombo), não se trata de servidão, pelo fato de não haver a coisa dominante. A restrição não é imposta em benefício de coisa afetada a fim público ou serviço público, mas, ao contrário, tem por objetivo satisfazer a interesse público genérico e abstrato. Porém, difere da limitação administrativa por individualizar o imóvel. MSZPietro entende ser o tombamento categoria própria de restrição à propriedade particular. Tem em comum com a limitação administrativa o fato de ser imposto em benefício do interesse público; porém dela difere por individualizar o imóvel. Comparado com a servidão administrativa, assemelha-se pelo fato de individualizar o bem; porém dela difere porque falta a coisa dominante, essencial para caracterização de qualquer tipo de servidão, seja de direito público ou privado. 6) DESAPROPRIAÇÃO CONCEITO: procedimento administrativo pelo qual o Poder Público ou seus delegados, mediante prévia declaração de necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, impõe ao proprietário a perda de um bem, substituindo-o em seu patrimônio por justa indenização. Forma de aquisição originária da propriedade. “Desapropriação é um direito do Estado que se traduz em procedimento regido pelo Direito Constitucional-Administrativo, que visa à imposição de um sacrifício total, por justa causa, de determinado direito patrimonial, particular ou público – respeitada a hierarquia -, tendo como finalidade a aquisição originária pelo Poder Público ou de quem, delegadamente, cumpra o seu papel, em decorrência do ‘ius eminens’ – superada a noção de ‘dominium eminens -, nas hipóteses de necessidade ou utilidade pública, ou interesse social, por intermédio de indenização que há de ser prévia e justa, efetuado o pagamento em dinheiro, com as ressalvas constitucionais expressas” (Juarez Freitas – Estudos de Direito Administrativo, Malheiros, 1995, pg. 84). CABM define desapropriação como “o procedimento através do qual o Poder Público, fundado em necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, compulsoriamente despoja alguém de um certo bem, normalmente adquirindo-o para si, em caráter originário, mediante indenização prévia, justa e pagável em dinheiro, salvo no caso de estarem em desacordo com a função social legalmente caracterizada para eles, a indenização far-se-á em títulos da dívida pública, resgatáveis em parcelas anuais e sucessivas, preservado seu valor real”. A desapropriação consiste na transferência compulsória da propriedade de alguém para o Poder Público, mediante indenização, dentro dos requisitos legais. É forma originária de aquisição da propriedade, independendo de título anterior e da vontade do dono anterior. Se o Poder Público desapropriar e indenizar erroneamente a quem não seja proprietário do bem, nem por isso se invalida a desapropriação e nem por isso é necessário realizar novo processo expropriatório. A propriedade de toda forma terá sido adquirida pelo Poder Público, cabendo ao legítimo proprietário pleitear seus direitos em ação própria. Os gravames existentes sobre o bem ficam subrrogados no valor da indenização. Existem situações em que o bem retorna ao patrimônio do particular: desapropriação por zona, para urbanização e por interesse social. PROCEDIMENTO– A desapropriação desenvolve-se por meio de uma sucessão de atos definidos em lei e que culminam com a incorporação do bem ao patrimônio público. Esse procedimento é dividido em duas fases: a) Fase declaratória: aqui, o Poder Público declara a utilidade pública ou o interesse social do bem para fins de desapropriação. A declaração pode ser feita por lei ou decreto, indicando o bem, a necessidade ou utilidade pública ou interesse social a ser alcançado. Quando a expropriação recair sobre bem público é necessária a autorização legislativa. O ato declaratório, seja por lei ou decreto, deve indicar o sujeito ativo da desapropriação, a descrição do bem, a declaração de utilidade pública ou interesse social, a destinação específica a ser dada ao bem, o fundamento legal e os recursos orçamentários destinados ao atendimento da despesa. São efeitos dos atos declaratórios: a) Submete o bem à força expropriatória do Estado; b) Fixa o estado do bem (condições, benfeitorias, etc). Salienta-se que, dentre as benfeitorias feitas após a declaração de utilidade pública, somente serão indenizadas as necessárias e, desde que autorizadas pelo Poder Público, as benfeitorias úteis; as voluptuárias não. As anteriores à declaração serão todas indenizadas. Já quanto às construções, aplica-se a Súmula 23 do STF. c) Confere ao Poder Público o direito de penetrar no bem a fim de fazer verificações e medições, desde que as autoridades administrativas atuem com moderação e sem excesso de Poder. Entretanto, se o proprietário não concordar com a entrada do expropriante, deverá ser requerida autorização judicial, vedada a entrada compulsória (princípio da inviolabilidade do domicílio). d) Dá início ao prazo de caducidade da declaração – no caso de desapropriação por necessidade ou utilidade pública, a desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se judicialmente dentro de cinco anos, contados da data de expedição do decreto de utilidade pública e findos os quais este caducará. Entretanto, decorrido um ano, poderá ser o mesm bem objeto de nova declaração (art. 10 do Dec-lei 3365/41). No caso de desapropriação por interesse social, o prazo de caducidade é reduzido para dois anos a partir da decretação da medida (aqui o prazo se refere também ao aproveitamento do bem), sendo que o dispositivo não estabelece prazo de carência para a renovação da declaração. Aí, ocorre a caducidade do direito (STF). Já no caso de desapropriação para fins de reforma agrária, o prazo de caducidade também é de dois anos (LC 76/93). EM SUMA: caduca-se o decreto de utilidade pública: Desapropriação por necessidade/utilidade pública (Dec-lei 3365/41) : 05 anos Desapropriação por interesse social (Lei 4132/62) : 02 anos Desapropriação para fins de reforma agrária (LC 76/93) : só a União – 02 anos A declaração de utilidade pública trata-se de ato executório do Poder Público, no sentido de que não depende de título fornecido pelo Poder Judiciário para subjugar o bem. O particular que se sentir lesado pelo ato declaratório, ante um vício de ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato, poderá impugna-lo judicialmente pelas vias ordinárias ou por mandado de segurança, podendo inclusive pleitear liminar que suste o procedimento da desapropriação até que haja apreciação judicial da validade do ato. É possível a impugnação ainda que o ato declaratório decorra de lei, já que, neste caso, tratar-se-á de lei de efeito concreto (lei em sentido formal, e ato administrativo em sentido material, porque alcança pessoa determinada). b) Fase executória: compreende atos pelos quais o Poder Público promove a desapropriação, adotando medidas necessárias à incorporação do bem ao patrimônio público. A fase executória pode ser administrativa (extrajudicial) ou judicial: b.1) Fase executória extrajudicial/administrativa: quando o poder expropriante e o expropriado acordam em relação ao preço e pode, por isso, concretizar-se a aquisição compulsória mediante acordo no que respeita á indenização, operando-se, então, sem intervenção judicial. b.2) Fase executória judicial: tem lugar quando o expropriante ingressa em juízo com a ação expropriatória. Aqui, a manifestação judicial poderá ser de dois tipos: 1) homologatória, quando o proprietário aceita, em juízo, a oferta feita pelo expropriante; 2) contenciosa, quando o proprietário e o expropriante não acordam com relação ao preço, que terá de ser fixado pelo juiz, por arbitramento. Esta fase tb é necessária quando o poder expropriante não conhece o proprietário do imóvel. É aplicada tb á reforma desapropriação por interesse social. Não á reforma agrária, cujo procedimento encontra-se na LC 76/93. No curso do processo judicial (Dec-lei 3365/41), só podem ser discutidas questões relativas ao preço ou vício processual, sendo que, qualquer outra questão deverá ser decidida por ação direta. No caso de desapropriação para fins de reforma agrária, o art. 9º da LC 76/93 só exclui da contestação a apreciação do interesse social declarado. E o art. 4º garante ao proprietário o direito de extensão (permite ao proprietário requerer a desapropriação de todo o imóvel, quando a área remanescente ficar reduzida à superfície inferior à da pequena propriedade rural; OU prejudicada substancialmente em suas condições de exploração econômica, caso seja o seu valor inferior ao da parte desapropriada. Garante-se o direito de exigir que na desapropriação se inclua a parte do imóvel que ficou inaproveitável isoladamente. A desapropriação, quando incide sobre imóvel, somente se completa depois de efetuado o pagamento ou a consignação (mandamento constitucional da prévia indenização). Depois disso, a sentença que fixa o valor da indenização constitui título hábil para transcrição no Registro de Imóveis (art. 29 Dec-lei 3365/41). Enquanto não consumada a desapropriação, isto é, enquanto não houver condenação no valor a ser pago, o expropriante poderá desistir dela. Entretanto, será obrigado a indenizar o proprietário pelos prejuízos que haja causado em razão da simples declaração de utilidade pública, da propositura da ação expropriatória ou da imissão provisória que haja obtido. Cabe ao proprietário fazer efetiva demonstração de seu prejuízo. FUNDAMENTO JURÍDICO: o fundamento político da desapropriação é a supremacia do interesse coletivo sobre o individual, quando incompatíveis. O fundamento jurídico consiste na tradução dentro do ordenamento normativo dos princípios políticos acolhidos no sistema. Corresponde à idéia do domínio eminente de que dispõe o Estado sobre todos os bens existentes em seu território. O fundamento normativo constitucional para a desapropriação por interesse social encontra-se nos arts. 5º, 184 e parágrafos do Texto Magno brasileiro. O fundamento infraconstitucional reside nas diferentes leis e decretos-leis que disciplinam a matéria. Destacam-se o Decreto-lei 3.365, de 21.6.41, com as alterações posteriores, que é a lei básica sobre desapropriação, dispondo, entretanto, especialmente da desapropriação por interesse e utilidade pública; a Lei 4.132, de 10.9.62, que define os casos de desapropriação por interesse social e dispõe sobre sua aplicação; a Lei 8.629, de 25.2.93, que dispõe sobre a regulamentação dos dispositivos constitucionais relativos à reforma agrária, previstos no Capítulo III, Título VII, da Constituição Federal; e a LC 76, de 6.7.93, que dispõe sobre o procedimento especial, de rito sumário, para o processo de desapropriação de imóvel rural, por interesse social, para fins de reforma agrária. Destaca- se também o Decreto-lei 1075/70 que trata da imissão de posse initio litis em imóveis residenciais urbanos habitados. COMPETÊNCIA: sujeito ativo é a pessoa à qual é deferido, nos termos da CF e legislação ordinária, o direito subjetivo deexpropriar. São sujeitos ativos: 1) Da desapropriação por necessidade/utilidade pública: a União, os Estados, os Municípios, o DF e os Territórios (Dec-lei 3365/41, art. 2º) 2) Da desapropriação por interesse social, há que se distinguir três hipóteses: a) a prevista no art. 5º, XXIV, da CF – regulada pela Lei 4132/62 – é de competência da União, Estados, Municípios, DF e Territórios (art. 5º); b) a que tem fundamento no art. 182 da CF (busca atender a função social da propriedade expressa no Plano Diretor da cidade) – é de competência exclusiva do Município; c) a que tem fundamento no art. 184 da CF (desapropriação para fins de reforma agrária), disciplinada no Estatuto da Terra (Lei 4504/64) – competência exclusiva da União. OBS: Não há impedimento a que outra lei também federal atribua o mesmo poder expropriatório a outras entidades da Administração Indireta. Salienta-se que o sujeito ativo é apenas aquela pessoa jurídica que pode submeter o bem à força expropriatória, o que se faz pela declaração de utilidade pública ou interesse social, não se confundindo com as entidades do art. 3º do Dec-lei 3365/41 (concessionárias de serviço público, delegados do Poder Público), que apenas podem promover a desapropriação (fase executória), depois de expedido o ato expropriatório; elas são beneficiárias da desapropriação, já que os bens expropriados passarão a integrar o seu patrimônio. Sujeito passivo da desapropriação é o expropriado, que pode ser pessoa física ou jurídica, pública ou privada. Quanto às pessoas públicas, deve ser observado que “Os bens do domínio dos Estados, Municípios, DF e Territórios poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas, em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa” (art. 2º, §2º, do Dec-lei 3365/41). Disso conclui-se que os bens públicos federais são inexpropriáveis e que os Estados não podem desapropriar bens de outros Estados, nem os Municípios de outros Municípios. A autorização legislativa deve emanar da pessoa jurídica expropriante. Tal não ofende a autonomia dos entes estatais porque a desapropriação se baseia na idéia de domínio eminente do Estado, no poder que o Estado exerce sobre todas as coisas que estão em seu território, sendo os interesses da União de abrangência muito maior que os interesses regionais. Com relação aos bens pertencentes às entidades da Administração Indireta, aplica-se por analogia o disposto no art. 2º, §2º do Dec-lei 3365/41. Tais bens não podem ser desafetados por entidade política menor. PRESSUPOSTOS/FUNDAMENTOS: a) Necessidade Pública: quando a Administração está diante de um problema inadiável e premente, e para cuja solução é indispensável incorporar, no domínio do Estado, o bem particular; b) Utilidade pública: quando a utilidade da propriedade é conveniente e vantajosa ao interesse coletivo, mas não constitui imperativo irremovível. c) Interesse social: quando o Estado está diante dos interesses sociais, isto é, daqueles diretamente atinentes às camadas mais pobres da população, concernentes á melhoria nas condições de vida, á mais eqüitativa distribuição de riqueza, à atenuação das desigualdades sociais. É obrigatória a intervenção do Ministério Público nas ações de desapropriação por interesse social. É de se observar que a definição de cada caso vem expressa em lei, devendo o Poder Público, no ato expropriatório, indicar o artigo de lei em que se enquadra a hipótese concreta. No âmbito da legislação ordinária, não mais se menciona os casos de necessidade pública, os quais foram enquadrados entre as de utilidade pública. OBJETO: todos os bens poderão ser expropriados, incluindo bens móveis, imóveis, corpóreos e incorpóreos, públicos ou privados. O espaço aéreo e o subsolo tb poderão ser expropriados. Vide Súmula 157 STF. Os direitos personalíssimos são inexpropriáveis (ex: direito à vida, à imagem, aos alimentos, etc). Quando se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, o objeto será o imóvel rural que não atende sua função social (art. 186 CF). Já a desapropriação prevista no art. 182, §4º da CF, somente incide sobre solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, e desde que seu proprietário não cumpra as exigências do Poder Público previstas no mesmo dispositivo. INDENIZAÇÃO: É exigência que se impõe como forma de buscar o equilíbrio entre o interesse público e o privado. O direito à indenização é de natureza pública, já que embasado na CF. Modalidades: Deve ser a mesma justa, prévia e em dinheiro (art 5º, XXIV, CF). Poderá ser em título da dívida pública na hipótese do art. 182, §4º, III da CF (desapropriação pelo Município de bens urbanos inadequadamente utilizados) – os títulos terão sua emissão previamente aprovada pelo Senado, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Títulos da dívida pública - art. 184 da CF (desapropriação pela União de imóvel rural para fins de reforma agrária) – títulos resgatáveis no prazo de 20 anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. Aqui há uma ressalva que não consta na hipótese anterior: as benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro (# desapropriação pelo Município). OBS: Hipótese de desapropriação sem indenização encontra-se no art. 243 da CF; no entanto, tal medida constitui verdadeiro confisco. O cálculo da indenização será formado das seguintes parcelas: a) o valor do bem expropriado, com todas as benfeitorias que já existiam no imóvel ANTES do ato expropriatório. Após o ato, respeita-se o § 1º do Art 26 do Decreto-Lei, que prevê: as necessárias sempre serão contadas; as úteis, somente quando autorizadas.” b) lucros cessantes e danos emergentes; c) juros compensatórios (se ocorrer imissão provisória), computando-se a partir dessa imissão; a sua base de cálculo é a diferença entre a oferta inicial do Poder Público e o valor da indenização. Vide Súmula 164 do STF, bem como a Súmula 69 do STJ (“na desapropriação direta os juros compensatórios são devidos desde a antecipada imissão na posse e, na desapropriação indireta, a partir da efetiva ocupação do imóvel”). fundamento: compensação pela perda antecipada da posse; Com relação à base de cálculo, o STF em liminar na Adin 2332-2 suspendeu, por inconstitucional a eficácia da expressão “de até 6% ao ano” e considerou que a interpretação conforme a constituição obrigará a entender, no que concerne à parte final do art. 15-A, que a base de cálculo dos juros compensatórios será a diferença entre 80% do preço ofertado em juízo e o valor do bem fixado na sentença. Além disso suspendeu também os §s 1º, 2º e 4º deste mesmo artigo. termo inicial: a imissão na posse índice: antes tínhamos o índice de 12% (STF618); após o advento da MP 2.183/01, os juros são de 6%. ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. JUROS COMPENSATÓRIOS. PERCENTUAL APLICÁVEL. 1. Os juros compensatórios fixados em 6% (seis por cento) ao ano pela Medida Provisória n.º 1.577, de 11 de junho de 1997 (atual MP n.º 2.183, 24.08.2001), que provocou alterações no Decreto-lei n.º 3.365/41, somente são aplicáveis às imissões na posse posteriores à sua edição. Precedentes. 2. Nas ações expropriatórias que tenham ocorrido antes da MP 1.577/97 aplica-se o verbete sumular n.º 618 do STF, de seguinte teor: "Na desapropriação, direta ou indireta, a taxa dos juros compensatórios é de 12% (doze por cento) ao ano". Inocorrência in casu. 3. Ocorrida a imissão na posse do imóvel desapropriado, após a vigência da MP n.º 1.577/97 e em data anterior a liminar proferida na ADIN 2.332, os juros compensatórios devem ser fixados no limite de 6% (seis por cento) ao ano. 4. Ausência demotivos suficientes para a modificação do julgado. Manutenção da decisão agravada. 5. Agravo regimental desprovido. Data da Decisão - AGA 486673 / MS ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2003/0001841-1 - Min Luiz Fux” d) juros moratórios Fundamento: devidos em razão da demora no pagamento do valor da indenização; Base de cálculo: a mesma do compensatório; Índice: 6% ao ano, ao tempo do CC/1916; com o NCC, art. 406 – os juros moratórios quando não fixados ou não convencionados ou quando provenientes de determinação legal serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora dos pagamentos devidos à Fazenda Pública (atualmente a taxa Selic) Termo inicial: tínhamos antes o trânsito em julgado da sentença; hoje, todavia, com o acréscimo do Art 15B ao Dec-Lei, temos como termo inicial 1º de janeiro do exercício seguinte àquele em que o pagamento deveria ter sido feito, nos termos do Art 100 da CF. Para CABM essa MP deve ser considerada inconstitucional. OBS: Os juros moratórios não se confundem com os juros compensatórios porque estes compensam o expropriado pela perda antecipada da posse; e aqueles decorrem da demora no pagamento. Vide Súmula 12 STJ. e) honorários advocatícios Base de cálculo: diferença entre a oferta inicial e o valor da indenização, acrescidos de juros moratórios e compensatórios. Vide Súmula 617 STF. OBS: lembrar que o § 1º do art 27, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.183-56, de 24.08.2001, DOU de 28.07.2001, teve parte sua suspensa. “Art. 27. § 1º A sentença que fixar o valor da indenização quando este for superior ao preço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença, observado o disposto no § 4º do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais).” A expressão "não podendo os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais)" foi suspensa liminarmente pela ADIN nº 2.332- 2, do Supremo Tribunal Federal, DOU 13.09..2001. Aguardando julgamento do mérito. f) custas e despesas judiciais; e g) correção monetária, calculada a partir da data do laudo de avaliação, desde que decorrido mais de um ano, sendo devida até a data do efetivo pagamento da indenização, devendo proceder-se à atualização do cálculo, ainda que por mais de uma vez, ; o juiz ou tribunal podem concedê-la de ofício. Vide Súmula 561 STF. h) despesa com desmonte e transporte de mecanismos instalados e em funcionamento (art 25 do Decreto-Lei). OBS: No que se refere ao fundo de comércio, será incluído na indenização se o expropriado for o seu proprietário, caso contrário, caberá a este pleitear a indenização em ação própria, já que, no valor da indenização não se incluirão os direitos de terceiros. Pela mesma razão, quaisquer pessoas que exerçam direito obrigacional sobre o bem expropriado, atingidas indiretamente pelo ato expropriatório, fará jus á indenização, a ser reclamada em ação própria. É o caso do locatário. Apenas no caso de ônus reais o Poder Público não responde, porque ficam sub-rogados no preço. NATUREZA JURÍDICA – a desapropriação é forma ORIGINÁRIA de aquisição da propriedade (a causa que atribui a propriedade a alguém não se vincula a nenhum título anterior, sendo, portanto, autônoma). Não importa na desapropriação se se trata de título justo ou injusto, de boa ou má-fé. Disso decorrem algumas consequêcias: a) A ação judicial de desapropriação pode prosseguir independentemente de saber a Administração quem seja o proprietário ou onde possa ser encontrado, já que as questões atinentes ao domínio não são objeto de consideração. Lembre-se que na desapropriação NÃO se aplicam os efeitos da revelia (art. 319 CPC), pois mesmo na falta de contestação está o juiz adstrito à exigência constitucional da justa indenização; não é autorizada a dispensa de avaliação. b) Se a indenização for paga a terceiro não proprietário, não se invalidará a desapropriação – art. 35 Dec-lei 3365/41; c) Todos os ônus ou direitos que recaiam sobre o bem expropriado extinguem-se e ficam sub-rogados no preço. Os direitos obrigacionais deverão ser pleiteados em ação própria. d) A transcrição no registro de imóveis independe da verificação da continuidade em relação ás transcrições anteriores, não cabendo qualquer impugnação por parte do Oficial de Registro de imóveis; não há possibilidade de reivindicação do imóvel expropriado, que não fica sujeito à evicção. Sob o aspecto formal, a desapropriação é um procedimento; quanto ao conteúdo, constitui transferência compulsória da propriedade. IMISSÃO PROVISÓRIA NA POSSE: Conceito – imissão provisória na posse é a transferência da posse do bem objeto da expropriação para o expropriante, já no início da lide, obrigatoriamente concedida pelo juiz, se o Poder Público declarar urgência e depositar em juízo, em favor do proprietário, importância fixada segundo critério estabelecido em lei (CABM). Prevista no art. 15 do Dec-lei 3365/41. Requisitos: a) Alegação de urgência pelo poder expropriante, o que pode ser feito no próprio ato expropriatório, ou depois, a qualquer momento, no curso do processo judicial. STF – não há cabimento para sua concessão quando o feito já está julgado e o preço da indenização fixado em definitivo. b) Que o poder expropriante faça o depósito da quantia fixada segundo critério previsto em lei – quanto à forma de calcular esse valor, há duas normas legais diversas: 1ª) Decreto-lei 1075/70 (regula a imissão na posse de imóveis residenciais urbanos): Deve se tratar de desapropriação por utilidade pública, que tenha por objeto prédio urbano residencial habitado pelo proprietário ou compromissário comprador, cuja promessa de compra e venda esteja inscrita no registro de imóveis. O poder expropriante depositará o preço oferecido ao expropriado a título de indenização; este poderá impugnar tal valor em 05 dias da intimação da oferta; feita a impugnação, o juiz, servindo-se, se necessário, de perito avaliador, fixará em 48 horas o valor provisório do imóvel. Quando o valor arbitrado for superior á oferta, o juiz só autorizará a imissão provisória na posse do imóvel, se o expropriante complementar o depósito para que atinja metade do valor arbitrado, não ultrapassando o limite de 2300 salários mínimos. O expropriado, comprovadamente proprietário e quite com o Fisco poderá levantar toda a importância depositada e complementada. Quando o valor arbitrado for inferior ou igual ao dobro do preço oferecido, é lícito ao expropriado optar entre o levantamento de 80% do preço oferecido ou de metade do valor arbitrado. 2ª) Art. 15, §1º Dec-lei 3365/41 (desapropriações não abrangidas pelo Decreto-lei 1075/70). Salienta-se que o STJ sustenta a inconstitucionalidade do §1º do art. 15, por entender que o valor venal do imóvel (normalmente irrisório) é incompatível com a justa indenização. Já o STF entende que continua em vigor o art. 15 e seus parágrafos. Aqui, o expropriado poderá levantar até 80% do valor depositado (art. 33, §2º), desde que comprove a propriedade e esteja quite com o Fisco com relação aos tributos referentes ao imóvel. OBS: A vantagem para o expropriado do procedimento previsto no Dec- lei 1075/70 é que pode haver impugnação do preço oferecido pelo expropriante, hipótese em que o valor será arbitrado pelo juiz. c) Que a imissão seja requerida no prazo de 120 dias a contar da alegação de urgência; não requerida nesse prazo, o direito caduca, pois a alegação de urgência não pode ser renovada e a imissão não pode ser concedida (art. 15, §§ 2º e 3º). OBS: Na desapropriação para fins de reforma agrária, a imissão provisória integra o procedimento de desapropriação.Vide arts. 5º e 6º da LC 76/93. DESTINO DOS BENS EXPROPRIADOS : como regra, os bens desapropriados passam a integrar o patrimônio das pessoas jurídicas políticas que fizeram a desapropriação ou das pessoas públicas ou privadas que desempenhem serviços públicos por delegação do Poder Público. No entanto, os bens podem ser destinados a ser transferidos a terceiros. Isso se faz nos casos em que a desapropriação se faz: a) Por zona (ou extensiva):Está descrita no artigo 4º do Decreto-Lei 3.365/41: “Art. 4º. A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem extraordinariamente, em conseqüência da realização do serviço. Em qualquer caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se quais as indispensáveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.” Abrange assim a área contígua necessária ao desenvolvimento posterior da obra a que se destine ou as zonas que se valorizem extraordinariamente em conseqüência da realização do serviço. Nesta última hipótese, o bem é desapropriado para ser revendido com lucro, depois de concluída a obra que valorizou o imóvel. O ato expropriatório deve especificar essas áreas. Possui um caráter especulativo. c) Desapropriação para urbanização ou reurbanização: art. 5º, i, do Decreto-lei 3365/41. A jurisprudência entende que o Poder público poderá alienar as áreas que excedem às necessidades depois de concluídas a urbanização ou reurbanização, respeitando o direito de preferência dos expropriados. Art. 182, §4º da CF constitui outra possibilidade de desapropriação para revenda. d) Para fins de formação de distritos industriais e) Por interesse social (reforma agrária) – objetiva fazer justa distribuição da propriedade. f) Para assegurar o abastecimento da população; g) A título punitivo, quando incide sobre terras onde se cultivem plantas psicotrópicas – serão destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos. DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA: Conceito: é a que se processa sem a observância do procedimento legal; costuma ser equiparada ao esbulho e, por isso mesmo, pode ser obstada por meio de ação possessória. Consiste na desapropriação efetuada às avessas, sem observância do devido processo legal, tratando-se, segundo alguns, até de ato ilícito cometido pela Administração; a rigor, é um esbulho possessório promovido pelo Poder Público. Tal situação é conhecida também por apossamento administrativo. Se o proprietário não o impedir no momento oportuno, deixando que a Administração lhe dê uma destinação pública, não mais poderá reivindicar o imóvel (art. 35 Dec-lei 3365/41). A solução será pleitear indenização por perdas e danos. Não obstante, a desapropriação indireta pode surgir de um ato lícito: a instituição de servidões administrativas de tal monta que impedem totalmente domínio do proprietário sobre o seu bem. Decisão RT 465/238: a ação de desapropriação indireta, criação pretoriana, à base reivindicação convertida em indenização por esbulho, funda-se, em última análise, na prática de ato ilícito dos prepostos da autoridade que deveria promovido a desapropriação com imissão na posse, e, entretanto, não o faz, ordenando a violência ou a fraude contra o titular da propriedade esbulhada. A diferença prática entre a desapropriação indireta e a desapropriação própria está: na inversão dos pólos da ação respectiva: naquele caso, o réu é a Administração Pública; cabe ao proprietário buscar a justiça para haver a indenização - a competência, então, será a do lugar de situação do bem; nesta, o autor é a Administração, restando no pólo passivo o titular da propriedade. no caso da desapropriação indireta, a indenização é ulterior, embora idêntica em abrangência a de que receberia o titular da propriedade no desapropriação direta. a indenização na desapropriação indireta sofre correção monetária e juros do mesmo modo, inclusive o compensatório, que antes era exigido a partir da ocupação. Hoje temos o § 4º do art 15A do Decreto-Lei limitando essa compensação: nas ações ordinárias de apossamento administrativo ou desapropriação indireta, não será o Poder Público onerado por juros compensatórios relativos a período anterior à aquisição da propriedade ou posse titulada pelo autor da ação. Pago o proprietário, a sentença transitada em julgado deverá ser transcrita no Registro de imóveis, para incorporação do bem ao patrimônio público. Quando o particular não pleiteia a indenização em tempo hábil, deixando prescrever o seu direito, o Poder Público, para regularizar a situação patrimonial do imóvel terá que recorrer à ação de usucapião, já que a simples afetação do bem particular a um fim público não constitui forma de transferência da propriedade. Trata a desapropriação indireta de afetação ilícita, uma vez que lícita é a afetação de bens já integrados ao patrimônio público, na qualidade de bens dominicais. Medida Provisória nº 2.183-56, de 24.08.2001, DOU de 28.07.2001, em vigor desde sua publicação, delimitou um prazo para a prescrição do direito de propor a indenização no caso de desapropriação indireta: “Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar- se judicialmente dentro de 5 (cinco) anos, contados da data da expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará. Neste caso, somente decorrido 1 (um) ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração. Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público. Todavia, a expressão "ação de indenização por apossamento administrativo ou desapropriação indireta, bem como" foi suspensa liminarmente pela ADIN nº 2.260-1, do Supremo Tribunal Federal, DOU 06.03.2001. Aguardando julgamento do mérito. Assim, poder-se-á tentar aplicar o antigo entendimento jurisprudencial sobre a utilização do prazo do usucapião extraordinário (hoje de 15 anos – art 1.238 CC/02). Modalidades de desapropriação sancionatória (CF/88): a) descumprimento da função social da propriedade urbana (art. 182, § 4º): - Regulamentado pela Lei nº 10.257/01. - Competência exclusiva dos Municípios. - Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública (art. 8º). Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo Senado Federal e serão resgatados no prazo de até dez anos, em prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais de seis por cento ao ano (§ 1º). Estes títulos não terão poder liberatório para pagamento de tributos. - O valor real da indenização: refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o mesmo se localiza após a notificação de que trata o § 2o do art. 5o desta Lei; e não computará expectativas de ganhos, lucros cessantes e juros compensatórios. - O Município procederá ao adequado aproveitamento do imóvel no prazo máximo de cinco anos, contado a partir da sua incorporação ao patrimônio público. - O aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado diretamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou concessão a terceiros, observando-se, nesses casos, o devido procedimento licitatório. - Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos termos do § 5o as mesmas obrigações de parcelamento, edificação ou utilização previstas no art. 5o desta Lei. b) descumprimento da função social da propriedade rural (art. 186): - Competência exclusiva daUnião. - O imóvel deve estar descumprindo sua função social, observado o art. 186, da CF/88: A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: aproveitamento racional e adequado (inciso I); utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente (inciso II); observância das disposições que regulam as relações de trabalho (inciso III); e, exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores (inciso IV). - Não pode incidir sobre (art. 185, da CF/88): a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra (inciso I); e a propriedade produtiva (inciso II). Saliente-se que a lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social (parágrafo único, art. 185, da CF/88). - Pagamento feito indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei, sendo que as benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro. c) Desapropriação de glebas de terra em que sejam cultivadas plantas psicotrópicas (art. 243, CF/88): - Regulamentado pela Lei nº 8.257/91. - As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei (art. 243, da CF/88). - Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias (parágrafo único, do art. 243, da CF/88). Requisitos constitucionais: necessidade ou utilidade pública, interesse social e a prévia e justa indenização, como regra (art. 5º, XXIV, CF/88). a) necessidade e utilidade pública: situação inesperada, emergencial. - “existe necessidade pública quando a Administração está diante de um problema inadiável e premente, isto é, que não pode ser removido, nem procrastinado, e para cuja solução é indispensável incorporar, no domínio do Estado, o bem particular;” - “há utilidade pública quando a utilização da propriedade é conveniente e vantajosa ao interesse coletivo, mas não constitui um imperativo irremovível;” b) interesse social. c) prévia e justa indenização: em regra feita em dinheiro, mas também pode ser por em títulos da dívida agrária (desapropriação para fins de reforma agrária) ou em títulos da dívida pública (desapropriação para fins urbanísticos). - Prévia: deve ocorrer antes da imissão da posse, regra esta que é flexibilizada pela excessiva demora no provimento judicial. - Justa: satisfaz o valor de mercado do imóvel na data da desapropriação e seu pagamento. - Em dinheiro: em moeda corrente, atualmente o Real. É nulo de pleno direito o ato expropriatório de imóvel urbano sem prévia e justa indenização ou prévio depósito judicial do valor da indenização (art. 46 da Lei de Responsabilidade Fiscal – LC nº 101/00). Ação de reivindicação: “os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação” (art. 35 do DL nº 3.365/41). RETROCESSÃO: Efetuada a desapropriação, o Poder Público deve aplicar o bem adquirido, á finalidade pública que suscitou o desencadeamento de sua força expropriatória. Não o fazendo, terá ocorrido o que se denomina de tredestinação (destinação desconforme com o plano inicialmente previsto, segundo José dos Santos Carvalho Filho). A doutrina distingue a tredestinação lícita (persistindo o interesse público, o expropriante dispensa ao bem destino diverso do inicialmente planejado) da tredestinação ilícita (o Poder Público transfere a terceiro o bem desapropriado ou pratica desvio de finalidade, permitindo que alguém se beneficie de sua utilização). Se o expropriante não atribui ao bem uma finalidade pública, o ato expropriatório deixa de ter justificativa. Esta circunstância nos coloca diante do instituto da retrocessão. Retrocessão, em sentido técnico próprio, é um direito real, o do ex- proprietário de reaver o bem expropriado, mas não preposto a finalidade pública. Entretanto, muitos doutrinadores passaram a entender a retrocessão como direito pessoal, diante do direito de preferência ou preempção conferido pelo art. 519 do NCC ao expropriado, direito este, de natureza pessoal, resolúvel, portanto, em perdas e danos, se viesse a ser desconhecido (art. 518 CC). O Decreto-lei 3365/41 estampadamente dispõe em seu art. 35 que “Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública,não podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de desapropriação.Qualquer ação julgada procedente resolver-se-á em perdas e danos.” Já os que propugnam pela existência do direito real de reaver o bem sempre se esforçaram diretamente na CF, baseando-se no art. 5º XXIV, que configura o direito de propriedade como direito básico, que só deve ceder à demissão compulsória para a realização de uma finalidade pública. Não destinando-se o bem a uma finalidade pública, cabe o retorno do mesmo ao ex-proprietário. Diante da supremacia da Constituição Federal, lei alguma poderia dar à matéria tratamento que contraditasse o que é simples resultado da proteção que a Lei Magna outorga à propriedade, já que a garantia que lhe confere só é absolvida para a satisfação de uma finalidade pública. Três posições podemos citar: A PRIMEIRA não mais existir o referido instituto como direito real, mas sim, apenas como direito pessoal (Hely). Sustenta que o Dec-lei 3365/41 não mais prevê o direito de retrocessão, restando o direito de preferência ou preempção, previsto no CC, de natureza obrigacional. A SEGUNDA entende permanecer a retrocessão como direito real (Seabra Fagundes, Pontes de Miranda, Celso Antônio). Baseia-se no preceito constitucional que assegura o direito de propriedade – se o bem não foi utilizado para qualquer fim público, desaparece a justificativa para a alienação forçada, cabendo ao expropriado reaver o imóvel pelo mesmo preço pelo qual foi desapropriado. NA ATUALIDADE, segundo CABM, é a posição dominante. A TERCEIRA considera a retrocessão como direito de natureza mista, cabendo ao expropriado a ação de preempção ou preferência (de natureza real), ou ação de perdas e danos. É posição de MSZDP. Somente teremos a retrocessão se não se der uma “utilização pública” ao bem expropriado. É pacífico o entendimento segundo o qual desde que o imóvel seja utilizado para um fim público qualquer, ainda que não o especificado originariamente , não ocorre o direito de retrocessão. Embora até recentemente prevalecesse o entendimento segundo o qual a retrocessão seria direito de natureza pessoal, tal entendimento tem sido revertido tanto na doutrina quanto na jurisprudência, inclusive do STF. OBS: A examinadora de direito administrativo entendia ser direito pessoal (não sei se mudou!). Cumpre anotar que reconhecer ao ex-proprietário o direito de recuperar o bem expropriado e não afetado a destino público não significa que não lhe deva ser oferecido o bem (art. 519 c/c art. 513 CC). O direito de preferência constitui direito pessoal do expropriadode lhe ser oferecido pelo expropriante o bem desapropriado não aplicado à finalidade pública, pelo preço atual da coisa, sob pena de perdas e danos. Salienta-se que os arts. 518 e 519 do CC são disposições válidas, constitucionais. Inconstitucional seria negar ao ex-proprietário o direito de retrocessão, isto é, de reaver o bem. Há, no entender de CABM, simplesmente dois direitos, alternativamente (excludentemente) postos á disposição do expropriado. Um advindo da CF e outro do CC. Com efeito, se houver violação do direito de preferência (art. 519 CC) o expropriado tanto poderá pleitear perdas e danos, quanto optar pela ação de retrocessão, a fim de reaver o bem. Entende que a retrocessão é direito real, e não direito misto (# MSZDP). A obrigação do expropriante de oferecer o bem em preferência nasce a partir do momento em que se possa depreender que o expropriante desistiu de destinar o bem a finalidade pública. A maioria esmagadora da jurisprudência, entende que tal desistência deve ser examinada caso a caso e deduzida de indícios ou fatos concretos. Ex: cancelamento do plano de obras, abertura de licitação para vender o bem expropriado, etc. Finalmente, cumpre salientar que é impossível cogitar de ação de retrocessão relativa a bens revendidos pelo Poder Público no caso de desapropriação para fins urbanísticos. Prescrição – violado o direito de preferência, o expropriado dispõe de cinco anos para intentar a ação pleiteando perdas e danos (prescrição qüinqüenal contra a Fazenda Pública). Já o direito de natureza real, de reaver o bem (retrocessão), para a maioria da doutrina prescreve em 10 anos (art. 205 CC). Perdas e Danos – A violação do direito de preferência confere ao ex-proprietário direito a perdas e danos, que consistem na diferença entre o valor pelo qual readquiriria o bem se este lhe houvesse sido oferecido e o valor atual dele, além de lucros cessantes que possam ser comprovados (posição de CABM). Entretanto, a jurisprudência tem repelido o direito aos lucros cessantes, só os admitindo diante de prova cabal de sua ocorrência. O direito de preferência é transmissível (entendimento do STF). OBS: Questão interessante : se o bem expropriado foi aplicado a uma finalidade pública mas, posteriormente, foi dela desligado, persiste ou não o direito do ex-proprietário de ser afrontado para readquiri-lo? Celso Antonio entende que não, porque nem a CF nem o CC dispõem que, efetuada a desapropriação, o bem expropriado tenha que estar vinculado ad perpetuam a um destino público. Se as razões justificadoras da desapropriação existiam e prosperaram, não há por que infirmar ou ensejar que se infirme propriedade pela qual o Poder Público pagou devidamente a justa indenização ao expropriado. BOA SORTE AMIGOS!!!!!!!!! Serviço público. Natureza jurídica. Espécie. Estrutura. Manifestações – o servidor público. Noção. Conceito. Fonte normativa. Regimes. Espécies. Vínculo funcional. Cargo. Função. Provimento. Desprovimento. Direitos. Deveres. Responsabilidade. Agentes públicos. Conceito. Características. Classificação. Espécies. (Sinéia ) Bibliografia: Carvalho Filho/ Di Pietro/ Hely Lopes .