Itaipu: Integração em Concreto ou uma Pedra no Caminho

Itaipu: Integração em Concreto ou uma Pedra no Caminho

Tão gomes Pinto

Ano: 2009 | Editora: AmarilysISBN 9788520442869
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Resumo

Fernando Lugo, novo presidente paraguaio, ex-bispo da linha progressista, foi empossado em agosto de 2008.Uma das bandeiras de sua campanha, liderada por uma aliança de partidos de esquerda, era a revisão do "odioso" Tratado de Itaipu, assinado em 1973, que resultou na empresa Itaipu Binacional.O outro compromisso de campanha seria realizar a reforma agrária. Nas duas frentes, o governo Lugo encontrou imediato apoio de variada origem, inclusive no Brasil.Afinal o Paraguai emergia para um regime democrático depois de 60 anos de domínio de uma aliança entre políticos do Partido Colorado e militares, sendo 35 deles sob o tacão do general Alfredo Stroessner.Lugo não estava sozinho nessas suas cruzadas. Contava com o governo Hugo Chávez, na Venezuela, Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador, e esperaria, com certeza, completar esse arco de alianças com o próprio Brasil, constituindo uma poderosa frente que muitos definem como uma "nova esquerda latino-americana".De fato, os chamados "movimentos sociais" colocaram-se à disposição de Lugo para colaborar, a começar pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, o MST brasileiro.O objetivo imediato de Lugo parece ser duplo: de um lado, ampliar a pauta de conversações com Brasília – o que, em si, é legítimo; e, de outro, dar curso, em território paraguaio, a uma estratégia de pressões que atenderiam aos propósitos de parte dos seus apoiadores que exigem “mudanças drásticas” no país.Isso inclui uma reforma agrária que implica tirar terras de parte dos mais de 300 mil “brasiguaios”, agricultores brasileiros que escolheram o Paraguai para viver e trabalhar.Outro pretexto para a mobilização do MST e de outras entidades, inclusive com representatividade internacional, seria "a defesa do princípio da soberania nacional e popular sobre os recursos naturais". Uma novidade em termos de reivindicações, mas que justificaria as exigências paraguaias sobre a energia produzida por Itaipu.O governo brasileiro, no entanto, embora disposto a ouvir o Paraguai, no caso específico de Itaipu, tratou o assunto como sendo uma tentativa de politizar a questão, colocando sob suspeita um acordo legítimo.O propósito deste livro é contar a história de como Brasil e Paraguai chegaram a esse acordo, com dados e fatos que a maioria das pessoas talvez desconheça. Afinal, passaram-se mais de 35 anos da assinatura do Tratado. E, mais do que isso, relatar alguns momentos, que poderiam ser chamados de “épicos”, na construção daquele que seria o maior bloco produtor de energia do planeta.